De Carro pelo Brasil (Etapa 2 - Expedição Centro Oeste)
Expedição de automóvel feita pela família Bonagamba em Dezembro de 2004: Cruzeiro, turismo ecológico, esportes de aventura, parques nacionais, patrimônios culturais da Humanidade e cidades históricas.29/11/04 – São Bernardo – Santos:
A sala estava lotada com as bagagens da viagem para o Centro-Oeste. Pegamos apenas as malas menores e, junto com meus pais, fomos à Santos, para um cruzeiro no ISLAND ESCAPE.
Navio Island Escape
Fomos com o pequeno Pálio, pois o carro ficaria 5 dias num estacionamento. Deixei todos no Porto, próximo ao portão de embarque. Levei o carro a um estacionamento em São Vicente e voltei ao Cais. O terminal de embarque é bem moderno, mas as filas estavam desanimadoras. Em torno de 1 hora estávamos no interior do navio, já preparados para o almoço. Conhecemos grande parte das atrações e do espaço físico e fomos ao treinamento obrigatório para desembarque de emergência.
Treinamento para Emergências
Todos de colete. Encontrei um amigo do tempo da Philips, o Leonardo, que continua o mesmo há mais de 15 anos. Por volta das 18:00 hs saímos do porto. Fogos de artifício de um pier na Ponta da Praia nos saudavam. E o apito ensurdecedor do navio era a resposta.
30/11/04 – Santos - Ilhabela:
Acordamos com o navio parando no meio do canal de São Sebastião. Após o almoço, desembarcamos através de um dos barcos rápidos que transportam mais de 100 pessoas por vez.
Island Escape ancorado em Ilhabela
Ilhabela é hoje um local muito agradável e bonito para um passeio, seu centro está bem organizado e desenvolvido. Coincidentemente, conversando com a vendedora de perfumes e perguntando algo sobre o navio, ela nos falou que era nova no Island Escape e que havia vindo do Queen Elizabeth. Neste momento minha mãe observou seu nome no crachá e perguntou de onde ela era. De Brasília, ela respondeu. Era a nossa prima, Samantha, que não víamos há anos. À noite fomos ao teatro, onde assistimos um bonito show de dança.
01/12/04 – Ilhabela - Búzios:Navegamos à noite e chegamos a Búzios pela manhã. Desembarcamos duas vezes, uma pela manhã, outra ao entardecer. Muito pelo fato de não haver crescido para o alto e pela sua localização privilegiada, Búzios é um local extremamente charmoso, ótimo para um passeio mais longo. No segundo desembarque preferiu ficar no navio. Uma hora depois ele surgiu na cidade, acompanhado por uma tripulante. Ele iria desembarcar sozinho e não permitiram. Ligou para Samantha, que conseguiu resolver seu problema. À noite fomos assistir mais um excelente show.
02/12/04 – Navegação:
Navegamos o dia todo, que foi repleto de atividades, principalmente para o Érik, que participou de gincanas, onde eram distribuídos tickets, para serem trocados mais tarde por artigos do navio (ele ganhou duas camisetas e um boné).
Família Bonagamba: Darcy, Myrna, Sergio, Inês e Érik
Sobre o navio – Um cruzeiro como este, de 4 dias já é suficiente para quem quer ganhar alguns quilos. Queijos tipo camembert e brie, damascos, nozes, pratos quentes e diversas sobremesas, tudo à vontade. Conta com um restaurante 24 horas, onde nos encontrávamos ao acaso, um tomando café, outro jantando e outros apenas comendo doces. Os shows musicais são muito bons e não devem ser perdidos. Chegar cedo para pegar um bom lugar é aconselhável. As atividades como gincanas são um bom passatempo para as crianças. Durma pouco e aproveite muito. Em caso de mal-estar, há uma pulseira anti-enjôo, que pode ser comprada no free-shop. O problema é que a pulseira é preventiva, ou seja, deve ser usada antes de estar passando mal.
03/12/04 – Santos – João Ramalho:
Acordamos já no porto de Santos. Após o último café da manhã a bordo, pegamos a fila para desembarcar. Não houve muita demora. Fui buscar o carro e por volta das 11:30 hs já estávamos em São Bernardo. Uma breve parada em casa para troca de malas, de veículo e para descarregar as fotos, abrindo espaço de memória para mais 30 dias de fotos. Saímos de casa por volta da 14:00 hs, passando rapidamente na gráfica em Santo André para pegar nossos adesivos “I´m the way, the truth and the life – Jesus”, que sempre nos acompanha em nossas expedições. Tempo chuvoso numa Sexta Feira significa atravessar São Paulo em quase 3 horas. O resultado é que chegamos a Ourinhos, com apenas uma parada para lanche, por volta das 20:30 hs. Visitamos o tio Castor e a tia Alice e saímos, uma hora e meia mais tarde, para João Ramalho. Chegamos quase meia-noite à bonita casa do meu tio Nelson e da tia Rosa. Fomos dormir após 1:00 h da manhã.
04/12/04 – João Ramalho – Bonito:
Pela manhã conversamos bastante, instalamos o DVD do tio, o Érik deu algumas instruções sobre como utilizar o e-mail e, por volta das 10:30 hs deixamos João Ramalho. Paramos no shopping de Presidente Prudente para almoço, uma bonita cidade. Voltamos à estrada com a Inês ao volante e com forte chuva. Voltei ao volante e a chuva parou. Na divisa com o Mato Grosso do Sul, logo após a ponte sobre o Rio Paraná, paramos, pois há diversas barraquinhas com artesanatos de madeira, com os animais típicos da região. Tudo muito colorido e barato, a partir de R$ 1. Em seguida paramos para ligar para a Pousada que já estava reservada e para a agência de turismo, para avisar que chegaríamos tarde. No trecho final, cerca de 200 km, a Inês estava ao volante. Chegamos por volta de 21:30 hs, mas descobrimos que havia diferença de fuso e o horário correto era 20:30 hs. Passamos na agência, na Pousada e voltamos ao centro para tomar um lanche. Foi um dia bem cansativo.
05/12/04 – Bonito – Jardim - Bonito:
Foi mais um dia corrido. Logo cedo fomos à flutuação do rio da Prata, no município de Jardim, através de um atalho, na realidade uma estrada de terra bem precária (110 km somente via asfalto ou o atalho com 55 km sendo 37 km de terra). Acreditávamos que a chuva do dia anterior não tivesse feito muitos estragos, mas estávamos enganados. O problema maior é que estão asfaltando a parte central e os desvios passam por trechos sem escoamento de água. A água acumula e tudo se transforma em atoleiro. Graças a Deus passamos bem. Enquanto a Inês esperou na sede da fazenda, por não gostar de flutuação, o Érik e eu pegamos as roupas e botas de neoprene e os equipamentos de snorkeling e seguimos de caminhão até a entrada da trilha.
Flutuação no Rio da Prata
São cerca de 50 minutos de caminhada até a nascente do rio Olho d’agua, já parcialmente vestidos com a roupa de neoprene. São duas opções, a primeira com roupa totalmente vestida e sofrendo com o forte calor e a segunda opção, com roupa parcialmente vestida e sob ataque dos insetos, liderados pelos pernilongos. Nosso grupo contava com a presença do Sr. Tarquino, acompanhado de sua esposa, neto e de seus amigos franceses. Ele, que não iria fazer a flutuação, muito gentilmente, trouxe minha câmera de volta. A água é de uma transparência incrível e o rio é relativamente calmo, exceto em um pequeno trecho de corredeiras, onde temos que atravessar por fora. Há uma quantidade enorme de peixes, principalmente dourados, pintados, pacús, corimbatas e piraputangas. Não é permitido bater o pé ou tocar no chão. Depois de 1.800 metros, entramos no Rio da Prata, também com muitos peixes, mas cerca de 3°C mais frio e com menor visibilidade.
Rio da Prata
Saímos da água uns 20 minutos mais a frente e voltamos à sede da fazenda, onde almoçamos. Em seguida fomos conhecer o Buraco das Araras, nas proximidades. É uma formação de arenito circular e profunda. Demos uma volta completa e no final encontramos as araras. Ficamos um bom tempo tentando fotografá-las e filmá-las e, por fim, após cruzar uma pequena cobra pela trilha, voltamos ao carro. Logo ao pegar a estrada paramos para fotografar uma árvore seca com um tucano e um gavião dividindo seus galhos.
Fauna na região de Jardim / Bonito
Voltamos para Bonito, agora pelo asfalto. Passamos na agência e fomos enviados ao treinamento para o rapel no Abismo Anhumas. Fiz o treinamento de subida e descida, paguei os R$ 315 (bem caro, mas como há um aumento de R$ 100 a cada 2 anos, melhor agora do que no futuro). Combinamos que eu daria carona a uma australiana que faria o rapel junto comigo. Passamos em uma loja de mergulho para pegar os equipamentos de flutuação. Fomos a uma sorveteria, onde fizemos a festa. No hotel percebi que havia esquecido a bermuda e a câmera descartável em algum lugar do Rio da Prata. Antes de dormir, passei na agência para avisá-los.
06/12/04 – Bonito:
Logo cedo passamos no local combinado e pegamos a garota australiana. Eu e ela seríamos as únicas pessoas a realizar este passeio neste dia. 8:30 hs e chegamos ao local. O Abismo tem o formato de um funil com a boca menor para cima. No meio do mato, a beira de um monte, há uma pequena fenda de cerca de 5 metros, por onde descemos e por onde entra um feixe de luz, que ilumina o lago interno.
Abismo Anhumas
São 72 metros de descida em rapel, que não provocou medo e foi fácil. Foi apenas um pouco cansativo para a mão esquerda, que libera a corda, através de um freio. Chegamos a uma plataforma de madeira, onde fotografamos e filmamos, na medida do possível, visto que a luz é bastante escassa. Foi necessária a construção da plataforma, pois o lago ocupa toda a área interna, não havendo plataformas naturais secas com espaço suficiente para os preparativos, equipamentos, etc. O lago tem cerca de 80 metros de profundidade e a área equivalente a um campo de futebol, com algumas formações acima do nível d’agua. Primeiramente passeamos de bote, vendo as formações secas e depois fizemos a flutuação com roupa inteiriça de 5 mm., incluindo sapatilha e gorro. A temperatura d’agua é de 19°C, ou seja, bem fria. O choque é grande, mas como a roupa protege bem, acostumamos logo. São cerca de 25 minutos de flutuação e a parte final, com o sol incidindo diretamente em uma formação rochosa sob a água, é fascinante. Já com o sol mais perpendicular e, portanto, mais forte, tiramos mais um monte de fotos, antes de iniciar a subida.
Raios de Sol no Abismo Anhumas
Subimos em 25 minutos, utilizando a técnica de rapel negativo, que consiste em sincronizar os movimentos dos braços com os das pernas, fazendo com que pouco a pouco o corpo seja elevado (encolhem-se as pernas, empurrando o freio para cima e em seguida esticam-se as pernas, apoiando os braços no freio). O problema é que a força para subida deve ser concentrada nas pernas e, na prática, não foi possível evitar utilizar força nos braços, o que acaba cansando mais do que o necessário. A australiana teria subido em cerca de 20 minutos, se não estivéssemos amarrados (segurança caso algum dos cabos seja rompido). O guia explicou que os homens têm o centro de gravidade posicionado mais para trás, o que faz com que o movimento necessário para subida seja menos natural. O custo para quem for praticar diving (mergulho com cilindro) era de R$ 480 e os preços iriam subir ainda em dezembro. Quando saímos do abismo, o guia nos informou que ao chegar havia resgatado uma serpente cabeça de sapo, bem perigosa e venenosa que havia caído no abismo, enviando-a para cima. Durante este passeio a Inês e o Érik foram à Gruta do Lago Azul, e voltaram a tempo de nos filmar subindo. Demos mais uma carona para a garota australiana até a Gruta do Lago Azul, onde foi a minha vez de fazer o passeio, no caso o último do dia, às 13:30 hs, apenas eu e a guia.
Gruta do Lago Azul
A comparação com o Poço Encantado da Chapada Diamantina é inevitável, mas decidi ficar em cima do muro. Ambos são fantásticos. O Azul do lago é fora do comum, e ainda fui em um horário ruim. Imagina quem chegou mais cedo, como a Inês e o Érik, o que foi comprovado pelas fotos do Érik. A boca de entrada da Gruta tem 40 metros de altura e a largura interna é de 120 metros. Não é permitido o uso de tripé, mas é possível apoiar a câmera em pedras secas. Enquanto eu estava na Gruta, o nosso agente de viagens de Bonito ligou para Inês e disse que o arvorismo, que estava programado, não seria possível neste dia, sugerindo que fossemos ao Balneário Municipal (R$ 10). Concordamos, mas antes fomos comer uns pasteis. O Balneário é uma boa opção com baixo custo, local que o pessoal residente em Bonito costuma frequentar. A flutuação não tem regras rígidas. No forte calor de Bonito, é um lugar bom para se refrescar. Nadamos por algum tempo e enquanto eu estava próximo aos nossos pertences, a Inês e o Érik entraram no rio do outro lado. Pegaram uma correnteza muito forte e foi necessária a intervenção do salva-vidas. Após o susto, ficamos mais algum tempo e fomos ao centro tomar sorvetes. Passamos na agência (Carandá) para pegar a bermuda e a câmera descartável.
07/12/04 – Bonito – Ponta Porã:
Finalmente um dia mais calmo. Havíamos marcado o arvorismo para as 8:00 hs e um pessoal de Santo André, que estava na mesma pousada, para as 10:00 hs. Como chegamos às 8:30 hs e elas, logo em seguida, foram todos juntos (o Érik e as 3), o que fez o passeio durar quase 3 horas. São 12 obstáculos (3 tirolesas, falsa baiana, etc.) além do rapel e subida em rapel negativo. Eu não fui, pois estava me recuperando do dia anterior. Voltamos às 12:30 hs e almoçamos um pintado (peixe da região do pantanal) muito bom. Marcamos nosso boia-cross para 15:00 hs. Chegamos cedo ao Hotel Cabañas, onde fomos recepcionados pela Ema Xereta, onde também vimos a arara que vem ao hotel para se alimentar. Como o pessoal que iria junto não chegou, fomos apenas o Érik e eu, além dos monitores e do rapaz que fotografou (50 a 60 fotos em um CD por R$ 25). Muito bom, mas infelizmente é um passeio rápido, que dura apenas 30 minutos.
Bóia-cross em Bonito
Pegamos a estrada para Ponta Porã e, para cortar caminho, entramos em uma estrada de terra, por Vista Alegre. Comecei a ficar preocupado, pois, além de estar escurecendo, estava formando-se um forte temporal, que, graças a Deus, só nos atingiu quando já havíamos alcançado o asfalto. Chegamos por volta das 20:00 hs e após acharmos um hotel, fomos comer uma pizza muito boa.
08/12/04 – Ponta Porã – Campo Grande:
Logo cedo fomos ao lado paraguaio, onde comprei um relógio. Há uma grande loja, de quase um quarteirão, o Shopping China, com excelente diversidade de mercadorias. O local é bem mais tranquilo do que Ciudad Del Este, mas o pessoal de Ponta Porã pede para tomar o cuidado de não adentrar muitas quadras em território paraguaio. No geral não há muitas lojas de qualidade, apenas 2 ou 3. Comemos uns pães de batata em uma conveniência da Esso e pegamos a estrada para Campo Grande. Optamos por não passar por Dourados, pois há fiscalização e não havíamos registrado as câmeras (não havia posto da Receita nas estradas entre Bonito e Ponta Porã e não trouxemos o registro que fizemos na viagem anterior). Ao entrar novamente na estrada de terra, perguntei a um motociclista sobre as condições da estrada (em caso de chuva, poderia ser difícil passar). Ele falou que estava seca e que havia um outro modo de chegar a Maracaju, por um “braço” desta estrada. Seguimos o conselho e economizamos 20 ou 30 km. Nos últimos 120 km para Campo Grande, dormi, enquanto a Inês dirigia. Cidade bonita, bem arborizada, com avenidas largas, trânsito bom, boa infra-estrutura de serviços, agitada e com show musical na principal praça e, melhor ainda, com uma excelente pizza no shopping.
09/12/04 – Campo Grande - Jaciara:
Acabamos saindo tarde, às 10:00 hs pois paramos algumas vezes para comprar remédios, abastecer e dar uma ducha no carro que estava com muito barro por fora. Ao contrário das estradas ao sul, a BR 163 ao norte não está muito bem conservada e o tráfego de caminhões é muito pesado. Mas de qualquer forma, está acima da média das BR’s em outros locais do país. A impressão passada pelo estado do Mato Grosso do Sul é de que é um estado bem próspero. As cidades, pelo menos as que visitamos, são limpas, bonitas e bem organizadas. Paramos em Rio Verde para almoçar, à beira da BR. Um restaurante surpreendente em forma de um grande caramanchão, tipo buffet com comida muito boa. Às 17:00 hs paramos no Shopping de Rondonópolis para um lanche. Com indicação de caminhoneiros, fomos ao Taba Hotel (R$ 75) em Jaciara, muito bom e pertencente ao grupo das Thermas de Jaciara, local que pretendemos visitar após voltar de Cuiabá.
10/12/04 – Jaciara – Chapada Guimarães - Cuiabá:
Chuva logo cedo. Nosso plano de ir às Thermas tiveram que ser adiados. Há pelo menos três locais com parques aquáticos. O Thermas de Jaciara, com água fria e passeios de rafting nas proximidades, operados pelo pessoal das Thermas. O Alphaville em Juscimeira, o qual tem águas quentes. E, por último, o Hotel Mato Grosso Águas Quentes, ao norte de Jaciara, a 10 km da BR, este também com águas quentes. Passamos para visitar o local e checar os preços (R$ 40 por dia por pessoa ou R$ 50 aos fins de semana e feriados). O local é interessante para quem passa a noite, pois tem boa infra-estrutura. Comparamos e achamos melhor aproveitar os parques de Caldas Novas, nos quais passaríamos mais tarde, afinal neste local há poucas piscinas com água realmente quente. Paramos em um recém-inaugurado Shopping em Cuiabá para almoçar. É realmente um shopping elegante. O problema é que havia apenas 5 ou 6 lojas abertas na praça de alimentação. Resutado? Filas na maioria e poucas opções realmente rápidas. Pizza de muzzarela foi a opção. A seguir, fomos para Chapada dos Guimarães (parque nacional e município). Visitamos inicialmente o centro de visitantes e a cachoeira Véu de Noiva, onde se chega praticamente sem caminhadas.
Véu de Noiva na Chapada Guimarães
O parque não cobra entrada e está bem abandonado. A cachoeira é bem bonita, apesar do fluxo de água estar fraco. Fomos visitar o mirante da Pousada Penhasco, onde se tem uma linda vista panorâmica dos paredões da Chapada e da planície, onde fica Cuiabá a cerca de 60 km e o Pantanal, a 150 km.
Chapada Guimarães vista do Mirante da Pousada Penhasco
A Pousada fica em uma área particular de proteção ambiental, muito bem cuidada. Vale o passeio. Depois fomos à Cidade de Pedra, uma vista ainda mais bonita da Chapada, em uma pequena caminhada, através de formações rochosas interessantes. Chega-se por uma estrada de terra (na realidade areia, com riscos de atolamento), de cerca de 15 km, deserta.
Cidade de Pedra
O local também é pouco frequentado (ficamos o tempo todo sozinhos). Tivemos certo receio, mas graças a Deus nada de errado ocorreu. Voltamos ao município da Chapada dos Guimarães, tiramos algumas fotos, consultamos o guia Brasil e o preço das pousadas. Devido ao preço ser meio alto, voltamos para Cuiabá, jantamos no Shopping Mangabeiras (há um fast food especializado em pacús, de excelente qualidade – Delicious Fast Fish – e sucos naturais no Suco Perpitola). Foi difícil de achar hotel com preço convidativo. Conseguimos no município vizinho de Várzea Grande, inaugurado há apenas um mês. Novinho e limpo por R$ 70.
11/12/04 – Cuiabá - Pantanal - Cuiabá:
Saímos antes das 9:00 hs em direção à Poconé para entrarmos na Transpantaneira. Abastecemos em Cuiabá e novamente em Poconé. Até Poconé, estrada perfeita. Passando Poconé, a estrada está em pavimentação, o que faz com que tenhamos que utilizar um desvio lateral por uns 3 km, com muitas poças e lama. Após este trecho a estrada está boa. Paramos na portaria da Transpantaneira para tirar fotos.
Rodovia Transpantaneira
Uma quantidade absurda de pernilongos me atacou e voltei rapidamente ao carro. 100 metros adiante um pequeno jacaré atravessou a pista. Parávamos em quase todas as pontes a procura de jacarés, mas só vimos a cabeça de dois deles. Ao passar sobre o Rio Formoso, avistamos alguns jacarés maiores. Rodamos mais uns 5 km e resolvemos voltar. Paramos novamente sobre o rio. Havia mais jacarés e estavam mais próximos, inclusive um deles na margem.
Rio Formoso
Voltando para Poconé a estrada parecia outra, com diversos jacarés em vários pontos. Uma sucuri atravessou a pista a poucos metros do carro. O maior problema era o ataque dos pernilongos toda a vez que saiamos do carro.
Fauna no Pantanal
Voltamos à Cuiabá ainda antes do anoitecer. Fomos fotografar o marco geodésico (centro geográfico da América do Sul) e a Igreja Bom Despacho, que guarda alguma semelhança com o estilo da Catedral de Notre Dame, de Paris. Fomos jantar no Shopping Mangabeiras e ligamos para a família Moura, que produz jacarés de plástico tão bem feitos que o próprio Ibama já andou investigando se não eram empalhados. Esta foi uma dica do Peter Goldschmidt. A senhora que atendeu ao telefonema disse que eles (seu filho e marido) estavam em uma feira de artesanato. Faltavam menos de 20 minutos para feira encerrar, mas como havíamos passado em frente e sabíamos que era perto, fomos bem rapidamente. Compramos algumas peças. O rapaz que produz perdeu a audição e a fala após uma meningite, mas possui um dom incrível de elaborar réplicas perfeitas de animais. A feira fica na Praça Santos Dumont e funciona aos Sábados e Domingos entre 16:00 hs e 21:00 hs.
12/12/04 – Cuiabá - Rondonópolis:
Foi o dia d’agua. A idéia inicial era irmos para Nobres, mas, de acordo com o guia Brasil, o poço Azul, sua principal atração, estava interditado. Tentei ligar para a Prefeitura (informações turísticas), mas como era Domingo, ninguém atendia. Resolvemos então ir para as Termas de Jaciara e ao Rafting. Sendo Domingo seria mais fácil conseguir vagas para o Rafting, que requer um número mínimo de pessoas (4). No dia seguinte seria mais difícil conseguir este número de pessoas. Chegamos ao meio-dia em Jaciara e reservamos tudo no Taba Hotel (R$ 24 para os três entrarem nas Thermas – frias – e R$ 25 para o meu Rafting). Almoçamos em um buffet de um posto e seguimos por uma estrada recém-asfaltada até Thermas. Ao chegar o Érik também resolveu fazer o rafting. Como não havia vaga nos remos, ficaria no meio do bote (R$ 20 por criança). Ficamos 1h 30min nas piscinas, muito boas, com temperatura bem agradável. A seguir, fomos ao rafting, de Kombi. Chegamos à entrada de uma usina e fizemos uma pequena caminhada, passando pela bela Cachoeira da Fumaça, no meio de um canyon de igual beleza. Descemos até a praia e aguardamos a chegada do bote, que vinha de uma posição mais abaixo do rio. Ouvimos as instruções e saímos. Muito legal. O nível predominante é 2, mas há um trecho nível 3 e o final é nível 4. Neste último trecho, a turma é dividida em 2 para a queda, quase na vertical. Já falei que é muito legal? A proprietária, dona Nelida, uruguaia, nos disse que ela já teve como clientes Vanessa Camargo, Renato Teixeira e a própria famíla Goldschmidt, da qual pegamos várias dicas para esta viagem, principalmente o rafting. O engraçado é que finalmente ouvi o famoso sotaque matogrossense (“peitche” = peixe), e justamente de uma uruguaia. Ao final seguimos para Rondonópolis, onde almoçamos no Shopping e dormimos.
13/12/04 – Rondonópolis – Rio Verde de Goiás:
Saindo de Rondonópolis, sentido Goiás, enfrentamos um tráfego pesado de caminhões, que acabaram desaparecendo ao longo do trajeto. Nos trechos indicados como ruim no Guia 4 Rodas, a estrada estava tranqüila e razoavelmente conservada. Paramos em Alto Araguaia, na divisa com Goiás, para procurar uma bonita cachoeira no início do rio Araguaia, que havíamos visto na revista Terra. Em um hotel fomos informados que a cachoeira ficava em uma propriedade particular a cerca de 30 km de distância. Um senhor se ofereceu para conseguir a chave para entrar na fazenda que abriga a cachoeira, mas também informou que havia outra, também bonita, próxima ao centro da cidade, em uma usina da CEMAT. Optamos pela mais próxima.
Cachoeira no Rio Araguaia – Usina CEMAT
Entramos na CEMAT e nos emprestaram a chave da portaria para a Usina. Fomos muito bem recebidos, nos mostraram o funcionamento dos equipamentos e as melhores opções para fotografar as cachoeiras. Parabéns ao pessoal da CEMAT – nota 10. Almoçamos em um bom restaurante por quilo, à beira do rio Araguaia. Perdemos uma hora no fuso e dormimos em Rio Verde de Goiás.
14/12/04 – Rio Verde de Goiás – Caldas Novas:
Demoramos a sair, pois eu estava com mal-estar e a Inês e o Érik ficaram conversando com a cozinheira (receitas de pães de queijo, etc.). O atendimento deste hotel – Lacer Hotel - foi especial. Todos os funcionários foram extremamente receptivos, assim como seu proprietário. Muito bom. A Inês dirigiu 253 km enquanto eu dormia e, quando eu melhorei, dirigi o restante. Chegamos a Caldas Novas às 16:00 hs e passeamos pela cidade. Ficamos em um hotel na entrada da cidade por R$ 70 com piscina de água quente, a qual utilizamos à noite, depois de lanches e sorvetes. Como o hotel estava em processo de venda, sendo que o proprietário seria outro no dia seguinte, nos pediram para acertar a conta logo cedo. Resolvemos que só ficaríamos esta noite neste hotel.
15/12/04 – Caldas Novas – Rio Quente – Caldas Novas:
Ficamos no Hot Park das 10:00 hs até às 17:00 hs. O ingresso, quando comprado em Caldas Novas (hotéis, escritórios, etc.) sai mais barato do que na portaria (R$ 37 por R$ 33 para adultos e R$ 20 por R$ 17 para crianças com menos de 11 anos). Voltamos para Caldas Novas e escolhemos outro hotel, que custou R$ 75. Jantamos açaí, coco, pasteis. Uma boa opção que vimos foi a pousada do SESC, mas como deixamos as carteirinhas em São Paulo, não conseguiríamos o desconto e não valeria a pena. Com desconto sai barato, mas com pensão completa e o almoço não é aproveitado quando estamos nos parques. O HOT PARK é o parque aquático de propriedade da Pousada do Rio Quente e utiliza a água do próprio Rio Quente, único do gênero no mundo. É uma forma econômica de conhecer uma parte do complexo, a parte mais divertida.
16/12/04 – Caldas Novas:
Dia estranho. O Érik se alimentou mal no dia anterior e gastou muita energia. O resultado foi acordar fraco, com ânsia e dor de cabeça. Mudamos nossos planos de ir ao Hot Wave, outro parque aquático. A Inês saiu à pé pela cidade e eu fiquei com ele no Hotel. Saímos por volta das 11:20 hs, passeamos na loja de artesanato e no Mundo a Vapor (do mesmo grupo do Mundo a Vapor de Canela). Graças a Deus o Érik melhorou. Fomos almoçar e eu descobri como não comer pequi, uma fruta do cerrado utilizada para complemento no arroz. Mordi a fruta inteira. Ao romper a semente, uns 50 a 100 pequenos espinhos se espalharam por minha boca. Tentei ir a diversas farmácias e me mandaram a um pronto-socorro. Vendo a fila, desisti antes de entrar. Eu mesmo tirei quase todos. Tomamos um lanche à noite, após uma boa piscina no Hotel Manhattan.
17/12/04 – Caldas Novas:
Tudo OK comigo e com o Érik, fomos todos ao HOT WAVE, parque aquático do Hotel Termas di Roma.
Parque aquático HOT WAVE em Caldas Novas
Embora localizado em área mais urbana que o Hot Park, é um parque muito bom, com uma grande piscina de ondas, saunas, hidromassagem, toboágua e há grandes variações de temperatura entre as piscinas, o que é bastante interessante. Almoçamos muito bem no restaurante do parque e, novamente, jantamos açaí, coco, sorvetes, etc.
18/12/04 – Caldas Novas - Pirenópolis:
De volta à estrada. Passamos em um shopping de Goiânia para almoçar. Razoável. O bom mesmo foram os Picolés do Cerrado, como por exemplo, os excelentes sabores de Cagaitá ou de Buriti. Chegamos a Goiás Velho, Patrimônio Cultural da Humanidade, antiga capital de Goiás (e capital durante apenas um dia do ano, no seu aniversário) e terra da poetisa Cora Coralina.
Goiás Velho
Conseguimos passear e tirar várias fotos pela bela cidade, antes de começar a chover forte. Não conseguimos entrar no museu da Cora Coralina, pois já passava das 17:00 hs. Seguimos para Pirenópolis, chegando por volta das 19:30 hs. Foi bem difícil encontrar uma pousada legal por um preço bom, mas conseguimos por R$ 80. Fomos ao centro dar uma volta, tomamos um lanche e fomos dormir. A cidade é bem agitada, o que é previsível num sábado e também muito visitada pelos brasilienses. Pirenópolis, além de ser uma cidade histórica, tombada pelo Condephat, tem grande atividade de esportes radicais e de Natureza, sendo rodeada por montanhas e rios.
19/12/04 – Pirenópolis - Brasília:
Muita chuva pela madrugada e pela manhã, mas mesmo assim, andamos pela cidade e tiramos algumas fotos. Na beira da BR 070, já rumo à Brasília, há uma bonita cachoeira no meio do caminho, o Salto de Corumbá. O Érik, com o guia na mão fez bastante pressão para que chegássemos antes das 13:00 hs ao palácio do Planalto, para uma visita guiada.
Congresso em Brasília
Chegamos a tempo, mas em função do fim de ano, não houve visitação neste dia. Fomos então ao Congresso, para visita guiada ao Senado e à Câmara. Foi um passeio que superou as expectativas. Houve uma visita extra, passando pelo gabinete do então presidente da Câmara, o deputado João Paulo, pois havia uma exposição de quadros, que nesta semana estava promovendo os pintores paulistas (1 Estado por semana).
Visita guiada ao Congresso
Conversamos muito tempo com o Sidnei, excelente guia no gabinete do João Paulo e em toda a área de exposição. Almoçamos no Shopping e fomos visitar nossa tia Dina e sua família. Ficamos até as 21:30 hs e fomos com a Samantha (a mesma do cruzeiro, no início do diário de bordo) ao restaurante Mormaii, na asa sul do Lago, onde há também uma movimentada Feira da Lua. Chegamos ao Hotel depois da Meia Noite, pois ficamos passeando pela cidade para tirar fotos.
20/12/04 – Brasília - Paracatú:
Mais alguns passeios por Brasília. Primeiro fomos conhecer a feira dos importados, um enorme galpão com diversas bancas com os mais diversos produtos importados. Passamos pela torre de TV, de onde se tem uma bonita vista da cidade, mas estava fechada e só abriria depois das 14:00 hs. Entramos na Catedral de Brasília, que considero a mais bonita obra de Niemeyer, muito embora a nova ponte JK não fique muito atrás. As paredes da Catedral são circulares (diâmetro de 70 metros), e formam uma concavidade. O efeito acústico disto é fantástico. Uma pessoa falando baixo de um lado da Catedral, paralelamente à parede, é perfeitamente ouvida do outro lado, como se estivesse a menos de um metro. Tiramos algumas fotos do Palácio da Alvorada, do Quartel General do Exército e, na saída de Brasília, já em Gama, visitamos o recém-restaurado Palácio do Catetinho, que foi a primeira residência de Juscelino Kubitschek, feita de madeira e utilizada durante a construção de Brasília. Interessante e mostra a humildade deste presidente que sonhou um Brasil grande e desenvolvido. Paramos em Cristalina, cidade que vive do comércio de pedras semi-preciosas, onde compramos algumas pequenas pedras. É uma cidade que recebe a visita de estrangeiros, quando estes estão em Brasília. Dormimos em uma boa pousada do Sesc de Paracatu, já em Minas Gerais.
Sobre Brasília – Como em Goiás, o povo de Brasília gosta de uma boa prosa. Como, por exemplo, na feira sob a torre de TV. Ficamos muito tempo conversando com as vendedoras. O mesmo ocorreu com os vendedores da Mormaii.
21/12/04 – Paracatu – Sete Lagoas:
Sob muita chuva, alternada com períodos de sol, atravessamos grande parte de Minas Gerais, até Sete Lagoas. Como outras estradas que rodeiam Brasília, a BR também está ruim em alguns trechos. Muitos caminhões, principalmente carregados com carvão (extremamente carregados), tornam a rodovia consideravelmente perigosa. Paramos na Gruta de Maquiné, no município de Cordisburgo, considerada uma das mais bonitas do mundo. Poucos recursos e muito descaso dos governos colocam em risco este belo patrimônio de Minas Gerais. Como ficou tarde para visitar a Gruta do Rei do Mato em Sete Lagoas, resolvemos dormir neste município. Tarefa fácil achar um bom hotel em Sete Lagoas. A oferta é enorme. Ficamos em um novinho por R$ 59, com TV a cabo no quarto e Internet no lobby. Passeamos pela cidade à noite. Muito bonita, com uma lagoa bem no centro.
22/12/04 – Sete Lagoas – Belo Horizonte:
Gruta Rei do Mato
Demos mais uma volta pelo centro para fotografar a lagoa e logo fomos para Gruta do Rei do Mato que, em minha modesta opinião, possui formações mais interessantes do que a Gruta de Maquiné, muito embora a iluminação desta última seja mais trabalhada para mostrar os detalhes. O Érik e a Inês preferiram Maquiné. Deixando a gruta, fomos para Belo Horizonte, direto para o Hotel Íbis (Betim) e deixamos pago. Como havia uma promoção de café da manhã (normalmente opcional) inclusa para estudantes com carteirinha, combinamos de fazer a reserva mais tarde pela Internet (necessário para a promoção). Fomos almoçar no Shopping BH e aproveitamos uma livraria com Internet para fazer a reserva, aproveitando também para descarregar a memória da câmera do Érik em um CD (R$ 11). Fomos à lagoa da Pampulha para conhecer a igreja de São Francisco de Assis (projeto de Niemeyer). Estava em reforma. Só foi possível fotografar por fora. Fomos visitar o tio Issáo e a tia Marilce, onde ficamos grande parte da tarde e noite. À noite, saímos junto com eles para conhecer alguns pontos turísticos, como a vista da cidade no mirante (local alto e interessante, bem próximo ao centro), a Ladeira do Amendoim, uma rua onde o carro em ponto morto parece subir e, finalmente, a Praça da Liberdade, onde fica o palácio do governo, toda decorada para o Natal, com os edifícios públicos iluminados, cada um de uma cor. Fomos dormir tarde.
Palácio do Governo de Minas
23/12/04 – Belo Horizonte – Conceição do Mato Dentro:
O café da manhã do Érik (através da carteirinha de estudante) também era válido para um acompanhante. O gerente, num ato muito simpático, estendeu aos dois acompanhantes, o que foi ótimo. Desde o dia anterior tentamos por diversas vezes ligar para minha tia Nair, que está morando em BH. Ninguém atendeu. Desistimos. Com tempo ruim e trânsito idem, demoramos muito para cruzar a cidade. A sinalização do anel viário também não ajudou muito, fazendo com que perdêssemos um pouco mais de nosso tempo tentando sair da cidade. Como o tempo não estava bom para ver cachoeiras, resolvemos parar para conhecer a gruta da Lapinha, que não estava em nossos planos.
Gruta da Lapinha
Grande surpresa. De longe a mais bonita das três que conhecemos. O teto é, em diversos locais, gasto por movimentação d’agua, um rio subterrâneo ou a caverna estando coberta pelo próprio mar. Formações parecidas com cascatas.
Gruta da Lapinha
Estradas sinuosas nos levaram para Conceição do Mato Dentro, via Serra do Cipó. Um trecho com 20 km de terra com muitos buracos e lama na famosa ESTRADA REAL causou certa apreensão. O medo maior era atolar em trechos com mais de 50 metros de lama. Ao subir a Serra do Cipó, notamos certa profusão de rochas agudas, todas apontadas para o mesmo lado, o Sudoeste, chamadas de “Serrotes”. As explicações técnicas apontam tanto a erosão (ventos e marés) quanto para os dobramentos (movimentação de placas). Chegamos a Conceição antes das 17:00 hs, mas tarde para conhecer a cachoeira do Tabuleiro. Na frente da prefeitura, pedimos informações sobre a cachoeira, muito provavelmente ao próprio prefeito, que nos enviou diretamente ao secretário da cultura, onde recebemos várias dicas, mostrando fotos de outras lindas cachoeiras, como a do Rabo de Cavalo e a Peixe Tolo. Nosso objetivo maior era a do Tabuleiro, eleita pela 4Rodas como a mais bonita do Brasil. Ele falou para solicitarmos um guia credenciado na vila do Tabuleiro. Disse também que há duas formas de conhecer a Cachoeira do Tabuleiro, até a base, em uma caminhada difícil, ou através do Mirante. Tiramos algumas fotos da cidade, bem bonita e fomos à Pousada Serra Velha, linda, limpa, bem ajardinada, com um laguinho com patos e tartarugas. Parecia recém inaugurada, mas já tinha mais de um ano. Muito bem cuidada pelo Alan, o seu proprietário. Era inicialmente apenas um restaurante (também muito bom, onde jantamos). Após uma forte tempestade, saí sozinho para fotografar uma igreja com uma iluminação bonita. A igreja é muito parecida com a de Cuiabá.
24/12/04 – Conceição do Mato Dentro - Diamantina:
Além da tromba d’agua da noite anterior, choveu muito também durante a madrugada. A chuva parou durante nosso café da manhã (9 hs). O Alan, dono do Hotel havia ligado para Tabuleiro (o povoado), para checar com o guia se o passeio seria ainda possível. Negativo. Partimos então para Tabuleiro, por volta das 12:20 hs para a vista panorâmica, que não necessitava do guia. Não chegamos a rodar 1 km na estrada para Tabuleiro. Péssimas condições (muita lama). Desistimos e partimos para Diamantina. Foram 65 km até Serro, cidade bonita e histórica onde tiramos diversas fotos.
Serro
A estrada ainda é a Estrada Real, que passa por lindas paisagens, com cachoeiras, serras e riachos. Chegamos ainda de tarde em Diamantina, Patrimônio Cultural da Humanidade, com suas vielas e sobrados coloniais, uma cidade fora de série. Muito bonita e movimentada. Voltamos para entrada da cidade e ficamos no Hotel Estilo de Minas, bom e novinho. Paramos também em uma loja de pedras preciosas e semi-preciosas. Conversamos muito com os proprietários da loja, que nos mostraram tudo, inclusive as pedras preciosas. Impressionante a quantidade de pedras ali existentes. Durante a noite voltamos para o centro para passear e tirar algumas fotos a mais.
Diamantina
Deixar um local para trás sem visitar, como a cachoeira do Tabuleiro dá uma sensação de perda, mas também é um grande incentivo a voltar, talvez em dois ou três anos.
25/12/04 – Diamantina - Caraça:
Natal. Começamos o dia com um passeio à Biribiri, nas proximidades de Diamantina, cidade praticamente desabitada. Chegamos próximo, faltando apenas 1 km, mas as fortes chuvas dos últimos dias fez com que a ponte caísse, não permitindo nossa passagem. Como fomos alertados algumas vezes para não deixar nosso carro sozinho com bagagem, resolvemos seguir o bom senso e também deixar este passeio para uma outra oportunidade. Fomos à cachoeira do Cristal, mas também por motivo de segurança, visto que não havia mais ninguém, tiramos fotos de longe. Já a cachoeira da Sentinela, mais bonita, estava bem movimentada. Paramos, exploramos e fotografamos. É uma cachoeira em 3 níveis. Voltamos à Diamantina para conhecer, ainda que apenas por fora, a residência do Juscelino Kubitschek e a Casa da Glória, que era um orfanato e educandário, e hoje é um espaço cultural. Um passadiço, espécie de ponte fechada de madeira sobre a rua, interliga os dois edifícios. Como era feriado, foi difícil achar um local para almoçar. Fomos achá-lo na saída da cidade, em um posto BR, com uma boa comida por quilo. Durante toda a tarde dirigimos em estradas secundárias até Caraça. Muita chuva, um pouco de sol e mais chuva. Entramos no parque do Caraça (o parque é uma propriedade particular da Igreja Católica), onde fica a igreja na qual os padres alimentam o(s) lobo(s)-guará, que “religiosamente” aparece(m) todas as noites na entrada da igreja. A entrada do parque custa R$ 10, dedutível na diária do hotel do complexo. O problema é que a portaria fecha às 21:00 hs e é distante da igreja. No horário de verão é pouco provável que o(s) lobo(s) apareça(m) antes das 20:30 hs. Deveríamos então ficar hospedados, mas o preço mais baixo de R$ 157 com pensão completa estava bem acima do nosso orçamento e da média da viagem. Desistimos, mas uma hóspede ficou sensibilizada com a vontade do Érik de ver o(s) lobo(s) e foi falar com o padre. Após muita negociação, obtivemos um grande desconto, pagando R$ 70 apenas com o café da manhã.
Lobo-guará no Parque do Caraça
Havia muita gente olhando, filmando e fotografando, mas isto não inibiu o lobo, que apareceu diversas vezes, o que não acontecia há muito tempo. Seu maior medo é que alguém fechasse sua rota de saída, pela escada frontal. Eles têm um comportamento selvagem, passam o dia caçando e complementam sua alimentação à noite, na igreja. A forte mandíbula permite que eles mastiguem ossos de forma bem fácil.
Parque do Caraça
O quarto, no qual ficamos, estava razoavelmente mofado.
26/12/04 – Caraça - Congonhas:
Saímos do Parque e passamos por Catas Altas, onde há uma pequena e bonita igreja sobre um morro, na frente ao maciço de Caraça.
Catas Altas
Passamos por Mariana, fotografando seu centro histórico e visitamos uma mina de ouro desativada em 1985 para a extração, mas aberta ao turismo. R$ 17 para os adultos e R$ 12 para crianças. Em uma extensão de 315 metros, descemos até 120 metros de profundidade, por um carrinho no trilho movido por cabos de aço, que desce rapidamente. Pessoas muito altas devem tomar cuidado para não bater a cabeça na entrada do túnel. Não se pode de forma alguma ficar de pé no carrinho. Grande parte dos túneis está submersa pelo lençol freático, pois as bombas que mantinham o local seco há muito foram desligadas. Alguns pontos são bem iluminados (artificialmente). A água é imprópria para consumo. É um excelente passeio, valendo a pena conhecê-la. No final, além da loja de souvenirs, os guias mostram como se separa o ouro dos outros minerais, quando de sua extração (no caso das minas, o ouro está incrustrado nas rochas, não sendo encontrado em forma de pepitas). Em Ouro Preto, passeamos bastante pela cidade, pela feira de artesanato e pelas lojas. Após o almoço, eu visitei a Igreja Matriz de N. S. do Pilar muito rapidamente, onde não é permitido fotografar ou filmar. O próximo destino foi Congonhas, após passar por Ouro Branco, onde lanchamos em uma “Empadaria” muito boa. Nunca vi tanta diversidade de empadas. Em Congonhas fotografamos os Profetas (obras de Aleijadinho, em frente da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matozinhos). A luz fraca do fim de tarde não permitiu que as fotos ficassem boas. Acabamos ficando na cidade, onde saímos à noite para tomar sorvetes.
27/12/04 – Congonhas – Juiz de Fora:
Agora sim, com a iluminação da manhã, as fotos dos profetas ficaram melhores.
Basílica do Senhor Bom Jesus de Matozinhos em Congonhas
Pegamos a BR 040 com destino a São João Del Rey. Saímos na Estrada Real e, ao chegar, passamos por um interessante (e caro) fabricante de objetos de estanho. As peças realmente são bonitas. Um cálice de R$ 10 foi nossa compra. O ponto alto é a igreja São Francisco de Assis, com altíssimos coqueiros à sua frente. Almoçamos e seguimos rumo à vizinha Tiradentes, onde caminhamos muito. O único incoveniente é o cheiro do estrume dos cavalos das charretes. Iríamos visitar Aiuruoca e Ibitipoca, mas acabamos desistindo, pois as trilhas parecem ser longas (na realidade resolvemos trocar por uma visita ao Parque de Serra da Canastra). Seguimos para Juiz de Fora. As estradas no eixo Tiradentes – Barbacena - Juiz de Fora estavam muito ruins, com buracos e trechos em obra de duplicação. Em Juiz de Fora, cidade de grande porte, mas apertada entre montanhas, tivemos dificuldades para encontrar um hotel. Ficamos no centro, mas o que nos preocupou foi deixar a chave do carro com o manobrista, pois muita bagagem fica no carro. Saímos para tomar um lanche e, mais tarde, eu e o Érik fomos passear no calçadão, que é bonito e movimentado. Interessante a afinidade do povo de Juiz de Fora com o Rio de Janeiro (inclusive no futebol, onde a torcida para Vasco e Flamengo é maior do que do Cruzeiro e Atlético). O atendente do Hotel disse que alguns viajantes provenientes de Belo Horizonte solicitam apartamentos com vista para o mar (“vocês não são cariocas?”).
28/12/04 – Juiz de Fora - Itatiaia:
Nossa rota com destino à Itatiaia passou pela BR 040 e BR 353. Paramos em um posto na estrada, onde almoçamos bem. Buscamos informações sobre o passeio de Maria Fumaça em Paraíba do Sul, a qual estava fechada por problemas técnicos. Em seguida paramos para ver um parque aquático chamado “Águas Quentes”, interessante parque que custa R$ 35 ou R$ 25 (se entrar após as 14:00 hs). A água é aquecida a cerca de 26°C e há um toboágua interessante (muito, mas muito alto), além de piscina com ondas e rio com bóias. É uma boa opção de passeio. Entramos no Parque Nacional de Itatiaia (parte baixa), onde visitamos a cachoeira de Maromba e a cachoeira Véu de Noiva (nome bastante original...).
Parque Nacional de Itatiaia – parte baixa
A cachoeira de Itaporani estava fechada (muita água no rio) e não foi possível visitar a cachoeira Poranga por falta de tempo (não é permitido iniciar a caminhada após as 16:00 hs). Na saída paramos no mirante “Último Adeus” onde é possível ter uma vista panorâmica de toda parte baixa do parque. Reservamos um hotel próximo à entrada do parque (com uma pequena cachoeira em sua parte de trás). Fomos para Penedo, que está cada vez mais bonita. Jantamos num shopping em Rezende, onde eu estava procurando um lugar para descarregar o cartão de memória em um CD, mas não encontrei.
29/12/04 – Itatiaia - Baependi:
Pela primeira vez saímos antes das 7:00 hs. O tempo estava fechado, o que preocupava, mas tínhamos esperança de que as nuvens estivessem abaixo da altitude do Alto de Itatiaia. Subimos a Serra para Itamonte. Quando a subida estava quase terminando, começamos a deixar as nuvens para baixo. Os raios de sol penetravam na neblina entre as árvores, formando uma paisagem mágica. As fotos ficaram ótimas.
Subida para Itatiaia – parte alta
Pegamos uma estrada de pedras até a entrada do Parque (7 km de subida ao sair da estrada), a uma altitude de 2400 metros. A entrada custa R$ 3 por pessoa e o carro não paga (na parte baixa é cobrado R$ 3 pelo carro). Mas o carro deve ser deixado apenas 200 metros após a portaria. Não estávamos entendendo porque não poderíamos seguir adiante pela estrada com o carro. Ocorre que há poças com girinos, que estão sendo preservados. No início da trilha já é possível ver o maciço de Agulhas Negras. Seguimos em frente e tomamos água no “abrigo Rebouças”. Daí em diante, pouco sobra da estrada, com muitas pedras em alguns trechos e buracos em outros. Chegamos a um local onde foi possível observar o maciço das Prateleiras, embora com menor altitude, mais bonito do que Agulhas Negras. Voltamos ao carro após caminhar 7.200 metros. Paramos para um delicioso almoço caseiro em Itamonte, na “Pastelaria da Rainha”. Em São Lourenço, por R$ 12, consegui transferir as fotos para um CD, abrindo espaço para mais fotos. Os hotéis de Caxambu estavam muito caros, portanto seguimos para vizinha Baependi, nos hospedando na Pousada Hotel São Miguel. Tomamos sorvetes no fim da tarde.
30/12/04 – Baependi – Boa Esperança:
Um passeio pelo Parque das Águas em Caxambu com direito a Teleférico e pedalinho (apenas a Inês e o Érik passearam no pedalinho), ocupou todo o período da manhã. Almoçamos bem, por quilo, na avenida em frente da portaria do parque. Seguimos adiante passando por Cambuquira e Varginha, onde tomamos sorvetes. Varginha é uma cidade razoavelmente grande, mas bem organizada e bonita. Em Boa Esperança, já no Hotel, começamos a tentar ligar para nossos amigos José Maria e Sueli. O número de telefone que tínhamos não existia mais. O gerente do Hotel nos ajudou bastante, perguntando, via telefone, para muitos, se conheciam o José Maria. Ninguém. Mas algumas dicas nos levaram a um posto na entrada da cidade, onde nos indicaram o Sr. José Idôneo, que indicou o Sr. Amado, que por fim era parente do José Maria. Conseguimos. Ficamos das 18:00 hs às 23:00 hs na casa deles.
31/12/04 – Boa Esperança - Passos:
Dormimos até mais tarde. Tomamos o caminho para Capitólio via Guapé. A balsa é bem demorada. Foi quase uma hora entre espera e travessia. O problema é que ela interliga 3 pontos, tornando a operação mais complicada. Mais uns 25 km de terra e chegamos a Capitólio. Nenhum restaurante razoável aberto. Pegamos a estrada para Passos e paramos para almoçar no Turvo, onde saem os passeios de barco para os canyons de Furnas. O restaurante é muito bom, mas estava lotado, demorando uma hora para sair o nosso pedido. Talvez a demora seja em função do Reveillon. Paramos em um rio que deságua no canyon de Furnas. Os rios da região têm coloração ferrugem, devido aos minérios existentes na região. Em seguida, passamos no Paraíso Perdido, um camping em frente a uma série de cachoeiras, que havíamos conhecido há 6 anos. Como, devido ao grande volume d’agua não seria possível subir às próximas cachoeiras, o proprietário do Camping não estava cobrando a entrada (R$ 7 por pessoa, caso não acampasse). O Érik e eu ficamos por algum tempo na água. Seguimos para Passos, onde encontramos um hotel bem legal por R$ 60. Fomos a pé ao Centro para tomar sorvete, onde o Érik aproveitou para fazer um passeio de “trenzinho” pela cidade por R$ 2. Descansamos um pouco (roncando) e, às 23:40 hs voltamos, agora de carro, ao Centro para ver a festa. Achamos um pouco perigoso, pela presença de muitas pessoas estranhas na praça. Os fogos foram poucos e bem espalhados. Voltamos rapidamente ao Hotel para ver as festas na TV.
01/01/05 – Passos – Piumhi:
Saímos de Passos com destino a São João Batista da Glória para entrar no Parque Nacional Serra da Canastra.
Parque Nacional Serra da Canastra (Casca D’anta ao fundo)
Atravessamos uma balsa que não consta no mapa. Mas como o sistema de balsas é muito eficiente, isto não foi problema. Mas, em São João Batista, informaram-nos que nosso carro não passaria pela estrada, que existe, mas é muito ruim. Tivemos que voltar até Capitólio e entrar em Piumhi. Após alguns quilometros de asfalto, entramos em uma estrada de terra. Paramos um pouco antes do Parque para um lanche em Vargem Bonita. A proprietária da lanchonete é irmã do vereador que acabara de ser eleito Presidente da Câmara. Muita festa na praça São 50 km até a cachoeira Casca D’anta, já dentro do Parque. Linda, com seus 172 metros caindo do meio de uma chapada. O volume d’agua estava fabuloso, ficando difícil chegar mais próximo sem se molhar muito, ou, pior, molhar a câmera.
Cachoeira Casca D’anta – início do rio São Francisco
Ao voltar pegamos uma chuva bem forte na estrada de terra., mas conseguimos atravessá-la, graças a Deus. Em Piumhi ficamos no Hotel Stalo, novinho, excelente e barato, onde aproveitamos sua sauna durante a noite. Melhor ainda o restaurante Stalo, nas proximidades, e do mesmo grupo do hotel, com comida de qualidade por preço bem razoável.
02/01/05 – Piumhi – São Bernardo:
Pela manhã, reservamos o passeio de Chalana até os canyons da barragem de Furnas. Deixamos o carro em frente ao Restaurante do Turvo e embarcamos. O passeio é muito legal. Passa pelas mansões de empresários de São Paulo e chega ao Canyon. A chalana fica parada e são alugados coletes para que os turistas possam fazer flutuação no local. Muitas fotos. A chalana também para em uma cachoeira, propriedade particular, onde é necessário pagar uma taxa de manutenção para descer. Algo como R$ 2. Voltamos, almoçamos por quilo a caminho de Passos e paramos na usina de Furnas para visitá-la. Muita estrada rumo a nossa casa. Muita chuva, realmente forte, na região de São Sebastião do Paraíso. Ao passar a chuva a Inês dirigiu uns 150 km até Campinas, onde paramos para jantar no Shopping. Chegamos a Sâo Paulo por volta das 22:30 hs e, para não perder o costume, paramos para tirar fotos da Árvore de Natal no Ibirapuera. Desta vez aproveitamos também para filmar as fontes dançantes. Chegamos em casa depois da meia-noite e eu ainda fui organizar as fotos.
TOTAL DA EXPEDIÇÃO – 16.470km
O Veículo:
Palio Adventure 2004/2005, o terceiro modelo deste veículo. Também muito resistente, só apresentou problemas no botão de controle do ar condicionado e furos nos pneus. Melhorou bastante seu desempenho com o motor 1.8 flex, sem comprometer o consumo, que, em média, foi um pouco melhor do que o Adventure 2000/2001. O funcionamento do ar condicionado também apresentou melhorias, não “roubando” potência do motor (quase imperceptível a diferença de potência com ar ligado e desligado). Foram mais de 35.000 km em viagens no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, em estradas de rípio e as famosas BR’s esburacadas. Confiabilidade excelente. Espaço interno muito bom, principalmente no porta-malas. Um pouco limitado para as pernas nos bancos dianteiros, uma piora em relação aos modelos anteriores, provavelmente em função do tamanho do motor.
Os Viajantes:
Sergio Sparvoli Bonagamba – Viajante e engenheiro
Toshie Inês Fujii S. Bonagamba – Viajante e bancária aposentada
Érik Yukio Bonagamba – Viajante e estudante
São Bernardo do Campo - SP
Email sergiobona@vivax.com.brVeja todos os relatos do mesmo autor:
- Expedição Cone Sul (América do Sul – Etapa 1)
- Expedição Andina (América do Sul – Etapa 2)
- Expedição Austral (América do Sul – Etapa 3)
- Expedição Norte/Nordeste (Brasil – Etapa 1)
- Expedição Centro-Oeste (Brasil – Etapa 2)
- Expedição Água e Areia (Brasil – Etapa 3)
- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 1)
- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 2)Veja também os vídeos do mesmo autor:
- Glaciar Perito Moreno
- 70.000 km - América do Sul
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