Relatos

De carro pela América do Sul (Etapa 2 - Expedição Andina)

PAÍSES ANDINOS - 2003

 

DEPOIS DE MUITO TEMPO AQUI VAI A ETAPA 2, PUBLICADA DEPOIS DA ETAPA 3.. ACONTECE.... RS

 

29/11/03 – SÃO BERNARDO – FOZ DO IGUAÇU – 1089 Km

               

                Automóvel lotado, saímos às 5:15 hs. Com pouco trânsito em São Paulo, já estávamos na Castelo Branco às 5:50 hs. Paramos para um café da manhã no que consideramos o melhor posto do Brasil, o Rodoserv Star, com lanches, salgados e pasteis feitos na hora. A Inês dirigiu durante os próximos 180 Km, até Ourinhos, onde visitamos nossos tios e nossa prima. Próximo a Jacarezinho, decidimos almoçar em um restaurante de posto. Estava realmente bom. Chegamos a Foz por volta das 21:00 hs, parando diretamente na Pizza Hut, onde pegamos uma pizza e fomos ao hotel (por sinal relativamente caro – R$ 90 – e mal cuidado).

 

30/11/03 – FOZ DO IGUAÇU – CORRIENTES - 662 Km

 

                Acordamos às 7:00 e, após o café da manhã, fomos ao Parque Nacional do Iguaçu, desta vez com o intuito de fazer o passeio pelo Macuco Safari. No caminho, chegamos a questionar o preço do passeio de Helicóptero, mas R$ 175 por 10 minutos é realmente abusivo, explicado somente pela forte presença de europeus, principalmente franceses. Mesmo o Macuco Safari é caro, mas como todo ano aumenta, vamos desta vez para não pagar mais caro nos próximos anos. Inicialmente entramos no parque, pagando R$ 11,40 cada. De ônibus (turístico), paramos no ponto do Macuco e compramos os ingressos (R$ 103,50 para mim, R$ 68,50 para o Erik, ambos com desconto de 10% sobre o preço de tabela e R$ 58 para Inês que fez apenas a parte terrestre – jipe e caminhada). O trajeto é muito bonito, sendo 600 metros a pé. Ao final chegamos aos barcos, de estrutura de borracha e dois motores de 150 HP’s. Tiramos os calçados e pegamos sacos plásticos para guardar as câmeras. Manobras rápidas, cavalos de pau e muita velocidade. Passamos praticamente abaixo de algumas cachoeiras. Valeu o preço. Ao sair ainda fomos ver as cataratas pelo passeio convencional, já que estava pago. Ainda não finalizaram as obras no elevador, o que prejudica bastante o passeio. Fora do Parque, parei na maior loja de artesanato da região, deixando a Inês e o Érik. Eu, para adiantar, visto que planejamos rodar muito neste dia, fui comprar lanches. Atravessamos a fronteira para Argentina, parando no Free-Shop para comprar batons, cremes e 2 Whiskies para meu pai. Passamos pela aduana, abastecemos (cerca de 15% mais barato que no Brasil) e fomos ao centro de Puerto Iguazu para retirar Pesos do cartão Visa Plus, pois haveria pedágios na estrada. Já era mais de 15:00 hs (16:00 no Brasil) quando finalmente pegamos a estrada. Questionamos um policial (da Gendarmeria) sobre o limite de velocidade. Ele simplesmente falou que não havia limite. Desta forma seguimos, mas sem abusar da velocidade, pois poderia ser uma “pegadinha”. Chuva e vento muito fortes por cerca de meia hora. Quase tivemos que parar para esperar que melhorasse. Paramos em Posadas para comprar pães de queijo em uma padaria conhecida. Não estava tão bom quanto há dois anos. Anoiteceu e quase atropelamos um jacaré que estava na pista oposta. Abastecemos e, através de uma excelente estrada, chegamos a Corrientes já bem tarde. No centro, fomos a um hotel que estava caro (P$ 110), mas o próprio gerente nos indicou outro hotel, do mesmo nível, mais barato. Ficamos neste (P$ 75). O único problema foi derrubar um dos Whiskies do meu pai, que quebrou na queda.       

 

01/12/03 – CORRIENTES – SALTA - 840 Km

 

 

                Media lunas, mate e suco de laranja. O café da manhã na Argentina é servido em doses homeopáticas, mas é muito saboroso. Saímos após as 9:00 hs. Após a cidade de Presidente Saenz Peña, viramos à direita em um entroncamento que constava no mapa como reta. Havia uma pequena placa identificando a conversão para Salta, nosso destino. Cerca de 200m após, avistamos um Toyota Bandeirante parando no acostamento. A Barraca, fixa e dobrável sobre o rack me chamou a atenção. Cheguei a comentar com a Inês que esta era a barraca que gostaria de comprar, não me atentando ao fato de que esta barraca é fabricada somente no Brasil. Ao passar, deram sinal com o farol para pararmos. Um pouco em dúvida, resolvemos parar. O que ocorreu com o Bandeirante? Eles passaram reto pelo cruzamento e, após cerca de 40 Km, resolveram voltar. Entraram então com destino à Salta, mas como não tinham visto a placa, resolveram parar e perguntar ao primeiro que passasse qual o caminho para Salta. A esposa acaba de comentar que seria difícil algum argentino parar para dar informação, quando estávamos nos aproximando. O motorista, de pronto, comenta “acho que são brasileiros!”. Logo em seguida sua filha: “Acho que é o Sergio!”. Foi incrível, era o pessoal de São José do Rio Preto, o Milton, a Maria José e a Clara, que conhecemos na Patagônia. Dois anos depois, nos encontramos novamente em uma estrada desértica no norte da Argentina. Após a emoção inicial descobrimos que faríamos caminho semelhante até San Pedro de Atacama e em seguida seguiríamos ao Norte e eles ao Sul. Combinamos de nos encontrar em Salta ou Atacama. Após as despedidas, seguimos a Salta. Um policial carabinero nos pediu uma propina para pintar o posto policial para o Natal. Não tendo nota menor, demos P$ 10, o mesmo valor que o Milton também contribuiu. Chegamos a Salta às 19:00 hs. Escolhemos um hotel (Petit por P$85) próximo à entrada da cidade. Sem garagem, o carro ficou na rua e foi visto pela Clara. Acabaram ficando num hotel próximo ao nosso, pois ficamos com o último apartamento para 3. Fomos jantar juntos e combinamos de andar de teleférico no dia seguinte.

 

 

02/12/03 – SALTA - CAFAYATE – SALTA - 519 Km

 

                Descobrimos que o teleférico só abriria as 10:00 hs, e não as 9:00 hs como previsto. Decidimos ir à pé até a igreja de San Francisco, a mais famosa da cidade, que aparece nas fotos túristicas, com seu forte tom avermelhado. Após tirar algumas fotos, voltamos ao teleférico e finalmente fizemos o passeio. O desnível é de quase 250m e se tem uma bela vista da grande cidade de Salta, que é também bastante tranqüila, sem muito perigo. Pegamos a Ruta 68 com destino a Cafayate por volta do meio-dia. A estrada é toda asfaltada e o caminho, muito bonito. O ponto alto é El Anfiteatro, um desfiladeiro alto e fechado, 50 km antes de Cafayate.

 

 

Em Cafayate tomamos a decisão de voltar pela velha Ruta 40 (a versão argentina da Route 66, que segue de norte ao sul acompanhando os Andes, por vezes asfaltada, com pistas duplicadas, por vezes um curvo caminho de terra, como no trecho que entramos). Entramos às 15 hs, sabendo que chegaríamos muito tarde em Salta. São cerca de 20 Km de asfalto e cerca de 15 de rípio (pedregulhos com areia) para chegar a um vale com rochas em formatos bem pontiagudos. Paisagem diferente, muito bonita. Daí em diante a estrada começa a estreitar e as curvas se tornam bem fechadas. Perigoso e muito lento. Antes da Cachi, havia uma cidade, Seclantás, e um atalho a ser considerado, mas que não constava em nosso mapa. Não seria uma boa opção, pois não veríamos Cachi, que é uma pequena cidade, bem simpática, que possui até museu.

 

 

Aí começa o asfalto. Pegamos a ruta para Salta que passa pelo Parque Nacional Los Cordones, acima dos 3000m, cortada pela Reta Tim Tim, rodeada de Cactos. Acaba o asfalto e começa uma descida dos 3200m aos 1200m. Serra do tipo Caracoles, que iniciamos ainda de dia, mas terminamos já no escuro. Chegamos a Salta às 22:00 hs, abastecemos, comemos um lanche e fomos dormir, agora no Hotel Continental (P$ 60, com ar-condicionado), o mesmo que nossos amigos haviam ficado.

               

03/12/03 – SALTA – SAN PEDRO DE ATACAMA - 547 Km

 

                Saímos por volta das 9:00 após o café. Começamos a subida para os Andes serpenteando um belíssimo vale, numa estrada de rípio. Em determinado trecho começou novamente o asfalto. Um policial nos parou para checar os documentos. Enquanto isto, um agricultor local, o Sr. Barbosa nos pediu carona. Achamos que era combinado, pois o policial falou que não éramos obrigados a dar carona, mas que o Sr. Barbosa era conhecido e boa pessoa. Levamos o Sr. Barbosa para sua residência, 40 Km adiante. Deixamos um pouco de bolachas e doces para seus 4 filhos. É uma vida difícil, principalmente porque após um inverno sem neve, não há água, plantações e, por consequência, trabalho para os agricultores. Logo a seguir acaba o asfalto. Gostaríamos de ter desviado para o local onde há a famosa ponte do “trem das nuvens”, mas chegaríamos a San Pedro muito tarde. Fica para a próxima vez. Chegamos a San Antônio de Los Cobres, última cidade Argentina antes do Paso Sico. Abastecemos e compramos artesanatos que as crianças vendem, após cercarem o carro. A cidade é pequena e tem pouca estrutura, chamando a atenção um belo Hostal. Muito tempo acima dos 4000m e muito pó acabaram por provocar dor de cabeça em todos, além de enjôos. Após os trâmites na Argentina, chegamos a Aduana chilena. Havia um cão Huskie Siberiano próximo ao carro, por sinal o único carro na aduana. Ao abrir a porta e sair do carro o cão entrou rapidamente e pulou para o banco de trás. A Inês e o Érik gritaram tanto que o cachorro acabou saindo. Perguntei para o fiscal se o cão estava farejando drogas. Mas de acordo com o fiscal, o que ele procurava era comida mesmo. Os trâmites demoraram um pouco mais que o usual. Passamos por belas lagoas e salinas. Passamos pela entrada das lagoas Miñiques e Miscanti, mas não parei pois o Érik e a Inês ainda não haviam melhorado.

 

 

Chegamos a San Pedro, onde também houve demora no posto da Aduana (ainda não entendo o porquê de haver duas aduanas). Fomos direto ao Vale da Lua, tentar ver o pôr-do-sol. Chegamos correndo, quase perdendo controle do carro em uma curva. Deixamos o carro e subimos correndo ao local de observação, mas quando estávamos nos aproximando, as pessoas começaram a descer. Por 5 minutos não vimos um belo pôr-do-sol. Voltamos à cidade e, após muita procura, escolhemos o Residêncial Chiloé, sem banheiro privado, mas novo e extremamente limpo. 15.000 Pesos por noite (=R$ 75), com estacionamento e sem café. Fomos ao centro e encontramos nossos amigos de Rio Preto em uma lojinha. Tomamos sorvete e voltamos ao hotel. Resolvemos alterar nosso roteiro original que previa atravessar para a Bolívia no Salar de Uyuni, devido à estrada ser muito difícil para veículos com tração normal, 4x2. Havia uma travessia dos Andes próximo à Iquique, mas teríamos o mesmo problema que a rota de San Pedro para o Salar de Uyuni, ou seja, estradas pouco aconselháveis para 4x2. Optamos então pela aduana no Lago Chungará.

 

04/12/03 – SAN PEDRO DE ATACAMA – IQUIQUE - 547 Km

 

                Acordei às 6:00, após sonhar com o pneu traseiro esquerdo rasgado. Resolvi ir sozinho às lagoas Miñiques e Miscanti. Enquanto eu estava no carro e a Inês no banheiro, tentei sair para ir ao banheiro quando o pastor alemão resolver correr em minha direção. Voando, entrei no banheiro e o fechei. Aguardei uns 15 minutos até o cão sumir. Entrei novamente no carro e, surpresa, o pneu que havia sonhado estava realmente furado. Enchi com o compressor e como o borracheiro e o posto estavam fechados, segui até a aduana para perguntar se havia posto em Socaire ou Toconao. A aduana também estava fechada. Voltei à cidade e abasteci após circular muito para achar novamente o posto, que já havia aberto. Como o pneu ainda estava cheio, segui para as lagunas. Foram 240 Km ida e volta. Embora não estivesse azul como nas fotos, o local é muito bonito, valendo uma passagem.

 

 

Elas se localizam a mais de 4300m de altitude. Havia muitas aves, entre as quais são os flamingos que chamam mais a atenção. Na volta encontrei nossos amigos Milton, Maria José e Clara, que estavam indo às lagoas. Cheguei em São Pedro às 11:30hs e esperei a Inês e o Érik que haviam ido passear pela cidade. Estávamos indo embora quando lembrei que não havia fotografado e filmado o centro de San Pedro. Voltamos para realizar a tarefa.   Fomos então ao Vale da Morte e novamente ao Vale da Lua. Seguimos para Calama onde comemos lanches no posto Esso e chegamos a Iquique ao anoitecer.  Após excessiva procura, achamos um bom apart-hotel por 22.000 Pesos (R$ 110). O único problema era controlar a ducha que acabou por molhar todo o banheiro e o corredor do apartamento.

 

05/12/03 – IQUIQUE – ARICA - 359 Km

 

                Devido ao forte cansaço, reflexo principalmente da procura por hotel no dia anterior, saímos tarde. Fomos ao Zofri Mall, ao norte da cidade. É considerada a Zona Franca, embora toda a região I do Chile seja Zona Franca. Comprei uma pochete/mochila Doite e lanterna de Led. No geral há alguns itens baratos, mas deve-se garimpar bastante. Pegamos a Panamericana e chegamos a Arica por volta das 19:00hs, mas demoramos a achar um hotel bom e barato. Ficamos em um hotel muito bom (Hotel Avenida), novinho, mas um pouco acima do orçamento – 25.000 Pesos (= R$ 125). Nossa primeira opção eram umas cabañas na entrada da cidade, mas não havia ninguém para atender. No calçadão do centro, comemos lanches e filet a lo Pobre. Muito bom.               

                   

06/12/03 – ARICA – LA PAZ - 540 Km

 

                Café no quarto. Deveria custar o mesmo preço, mas quiseram cobrar mais. Não aceitamos. Pagamos apenas o combinado no check-in. Ao abastecer (inclusive a bombona, para eventualidades no caminho), encontramos um senhor com a camisa do Santos. Nascido em Arica, hoje mora em São Paulo, mas já residiu e possui um apartamento em Jordanópolis (São Bernardo). Pegamos a estrada (errada) e percebemos, após 13 Km, que o caminho não era aquele. Pegamos então um “atalho” de rípio sobre uma montanha, trecho este de cerca de 20 Km. No total a perda foi de cerca de 10 Km. Na subida, paramos para tirar fotos de Putre e acabamos comprando artesanatos de uma senhora. Enquanto comprávamos, apareceu um condor que passou duas vezes sobre nós. O motorista do ônibus turístico que havia parado alegou que era realmente um condor. Os turistas acabaram conversando muito conosco. Pessoas bastante simpáticas. Paramos muitas vezes nas proximidades do Lago Chungará para fotografar e filmar.

 

 

Demoramos bastante, a ponto de cruzar a fronteira por volta das 15:00 hs (14:00 hs na Bolívia). Após a Aduana, seguimos para La Paz. Surpreendentemente foi uma das melhores estradas até o momento. A Inês quis dirigir, apesar de estarmos acima dos 4.000 m e acabou dirigindo por 90 Km. Chegamos a região próxima a La Paz, pela bagunça denominada El Alto. Cães, pessoas, carros e ônibus dividindo o mesmo espaço, sem regras definidas. Ficamos cerca de 5 hs procurando hotel em La Paz. No intervalo paramos para comer em um Burger King, onde havia 3 brasileiros, estudantes ou formados em faculdades de La Paz. Criticaram muito tudo relacionado à Bolívia, como costumes, corrupção, etc. Mas nos deram muitas dicas. No final da noite, por volta das 23:00 hs, finalmente achamos um bom hotel (Maxin) que custou US$ 40. Todos os hoteis são cobrados em dólar e são caros. Mesmo sendo uma reprise, torci muito pelo Parana contra o Corinthians pelo campeonato brasileiro, em jogo que passava na TV.

 

07/12/03 – LA PAZ – TIAHUANACU – LA PAZ - 183 Km

 

                Acordamos tarde, exaustos pela falta de ar e pela procura por hotel no dia anterior. Após o café, tipo buffet, fomos à Tiahuanacu. Muita confusão no trânsito maluco de El Alto. Após El Alto, a estrada, pedagiada, é muito boa. Em Tiahuanacu há agora 2 museus, sendo o último inaugurado em Junho de 2002. Pagamos 53 Bolivianos (=R$ 21 = US$ 7), sendo 25 cada adulto estrangeiro e 3 para estudantes (chorado pois queriam cobrar 10 Bolivianos, o preço do adulto boliviano). O ingresso é válido para os dois museus, o sítio de Tiahuanacu e mais um sítio próximo. Um guia custaria mais 50 Bolivianos. Fomos por nossa conta. No meio do sítio, um senhor, dizendo ser arqueólogo começou a nos dar explicações. Acabamos dando 10 Bolivianos a ele. Tiahuanaco é uma civilização anterior aos Incas, com seu ápice provavelmente entre 2000 e 1000 A.C. Como há poucos registros e suas obras foram monumentais, utilizando rochas maiores que as utilizadas pelos Incas, com encaixe perfeito, há muitas teorias heterodoxas sobre este povo. Variam desde explicações baseadas em origem extraterrestre, até explicações mostrando Tiahuanacu como Atlântida. Realmente um local misterioso.

 

 Voltamos a La Paz e fomos novamente ao Burger King. Visitamos também o supermercado ao lado. Cada vez mais os supermercados estão parecidos em qualquer país, pela globalização. Acabam sobrando poucas marcas fortes, presentes em todo o mundo. Em seguida fomos ver o Vale da Lua, no limite sul da cidade. É uma paisagem muito linda, realmente lunática, pena que as mansões e clube de tiro (!!!) estão cercando esta área. No fim da tarde, a Inês ficou descansando no hotel, enquanto eu e o Érik saímos à pé pelo centro. Andamos cerca de 2 Km e entramos em algumas galerias. Jantamos Miojo. No Fantástico passou uma matéria sobre novos talentos e mostrou 2 repórteres (não muito sérios) entrevistando 2 pessoas na praia de Santos. Ambos, os entrevistados, trabalham comigo na Canbras. Depois fiquei sabendo que haviam gravado a cena em 1996.

 

08/12/03 – LA PAZ – PUNO - 355 Km

 

                Saímos por volta das 9:00 hs e fomos direto para Chacaltaya. Direto é modo de dizer, afinal não há placas indicativas, o que torna o passeio uma aventura, pois o caminho é feito através de ruas secundárias em El Alto.

 

 

Apesar disto, erramos por apenas 500 metros. Chacaltaya é uma montanha cujo pico fica a 5395 metros de altitude e há uma base, onde se chega de carro, a 5260 metros. É a estação de esqui mais alta do mundo. Com a altitude e a pouca largura da estrada, com muitas curvas, a Inês e o Érik foram ficando nervosos. Mal da altitude. Somente eu fiz a caminhada até o topo do Chacaltaya. Falta ar, mas vale a pena. As vistas do Altiplano, de La Paz, do Huyana Potosi e do outro lado da cordilheira, já em sua descida para a floresta, são magníficas.

 

 

Fomos em seguida para Copacabana, via balsa. Como o pedágio e a própria balsa consumiram quase todo o dinheiro (sobrando apenas 70 centavos bolivianos), tivemos que pagar os 4,5 Bolivianos relativos a travessia dos passageiros, em Dólar (US$ 1).

 

 

Passamos pela bonita e colorida Copacabana e atravessamos para o lado peruano. No total, apesar do trânsito caótico, vimos apenas 1 acidente. Os trâmites burocráticos nesta aduana, embora ainda confusos, são bem mais organizados e fáceis que na divisa Arica/Tacna. A opção foi boa também porque descobrimos mais adiante que a Panamericana estava parada em função de protestos, já há alguns dias. Um policial solicitou propina, mas aleguei que precisava sacar dinheiro. Graças a Deus foi o único em todo o Perú, mesmo tendo sido parados diversas vezes para checar nossos documentos ou nosso rumo. Chegamos a Puno às 17:30 e achamos o Hostal que eu havia ficado em 1999 (Hostal Maria Angola = US$ 35 para latino-americanos e US$ 65 para europeus). Fomos ao centro e compramos um pouco de artesanato. Jantamos uma boa pizza. Como o carro ficou em um estacionamento do centro, descarregamos quase tudo.

 

09/12/03 – PUNO – CUSCO – 393 Km

 

                Com os equipamentos mais valiosos (afinal nossa bagagem havia ficado no hotel), chegamos ao porto de Puno de táxi, por 3 soles (= R$ 2,60) e esperamos quase uma hora para saída do barco. Visitamos 3 das ilhas Uros, que são ilhas flutuantes feitas de Totora (uma espécie de Junco). Os indígenas locais utilizavam barcos deste material, e ao empilhar as carcaças, perceberam que o material não afundava. Começaram então a viver nestes locais, que viraram ilhas flutuantes. Hoje há ilhas fechadas ao turismo e outras que sobrevivem do turismo. Há até escolas nas ilhas. Vendem bastante artesanato. Entre a primeira e a segunda ilha, fomos de barco de Totora, pagando a parte. Foi um dos locais mais interessantes da viagem.

 

 

Pegamos a estrada para Cusco às 13:00 hs e chegamos às 18:30 hs. Ficamos no Hostal El Conquistador a meia quadra da Plaza de Armas, por US$ 28. Na porta, 2 guias nos levaram para dentro e “agenciaram” um desconto. Ficamos de conversar no dia seguinte sobre os custos dos passeios. Saímos para pesquisar os preços dos tours e comemos uma excelente pizza em uma pequena viela (calle Procuradores) que saí da Plaza de Armas do lado oposto ao da Igreja La Compañia (não é a catedral). Ficamos em dúvida quanto a fazer o tour de 1 dia para Macchu Pichu (que sairia em torno de US$ 250) ou o tour de 3 dias, incluíndo 80% do tour pelo vale Sagrado, passagem noturna de trem de Ollantaytambo para Águas Calientes, 2 noites de hotel com café em Águas Calientes, ônibus para Macchu Pichu, entrada e guia e a volta de trem, ao amanhecer, para Ollantaytambo. A volta de Ollantaytambo para Cusco seria por nossa conta (12 Soles) de ônibus. Tudo por US$ 230 (menor custo pois as passagens de trem noturnas são bem mais baratas). Outra dúvida era onde deixar guardado o carro, que agora estava em um estacionamento. Havíamos questionado a senhora de uma empresa de turismo se havia uma garagem particular mais segura, mas a resposta foi negativa.

 

10/12/03 – CUSCO – 0 Km

 

                Na saída do café, os dois guias estavam nos esperando para conversar sobre os pacotes. Apresentamos os menores preços que pesquisamos e os mesmos foram cobertos. O carro ficaria no estacionamento e o guia olharia diariamente. Optamos então pelo pacote de 3 dias, mais interessante e barato (US$ 230). Demos uma volta pela cidade e já compramos o citi tour por S./20 para os dois e o Érik não pagando, mais US$ 25 (10+10+5) do Boleto Turístico (necessário para qualquer atração em Cusco e região). Almoçamos um delicioso creme de champignon e spagheti, num menu turístico. Fomos ao citi tour e pegamos chuva no fim da tarde, o que atrapalhou a visita aos sítios abertos, como Sacsywaman, Q`enqo, Pukapukara e Tambomachay. Conhecemos um casal de Australiano / Peruana com filhos australianos durante o citi tour. No começo parecia o Indiana Jones, mas mais tarde me convenci que parecia mais com o Crocodilo Dundee. Voltamos a Cusco e assistimos ao 1º jogo da final da copa Sulamericana, entre o time de Cusco – Cienciano – e o River Plate, em um telão na Plaza de Armas. Muita gente, mas um ambiente muito tranquilo. Jogão, 3 a 3, numa partida muito bonita e disputada.

 

 

O Érik foi a um Cyber-café ver seus emails e conversar no MSN e a Inês ficou nas lojas. Comemos uma deliciosa pizza.

 

11/12/03 – CUSCO – ÁGUAS CALIENTES – 0 Km

 

                Saímos do hotel, como combinado às 8:45 hs, mas o ônibus já havia passado às 8:30 hs. Voltou às 9:00 hs, mas como havia muita gente, acabamos ficando em bancos separados. Isto acabou sendo interessante, pois conhecemos pessoas do Canada, nascidas no Perú, francesa, italiano, peruanos, australianos e neozelandeses. Meus comentários sobre rugbi provocaram pequenas desavenças entre a família australiana e a família neozelandesa. Há muita miscigenação, no casal neozelandês, o marido era peruano e no casal australiano, a esposa era peruana. Havia um senhor de Arequipa com sua família que também estava no citi tour. Ele nos deu seu cartão e pediu para visitá-lo na semana seguinte, quando estaríamos em Arequipa. Havia um brasileiro também.

 

 

Demos uma parada no mercado de Pisac e ao voltar ao ônibus, começou a chover. Subimos ao sítio de Pisac e a chuva piorou. Compramos uma capa e estávamos de guarda-chuva, mas não adiantou muito. Voltamos ao ônibus encharcados e fomos almoçar em um restaurante tipo buffet (atenção – não se permite repetir algumas coisas, como sobremesa). Custou S./ 32. Fomos então a Ollantaytambo, onde eu e o Érik subimos até o alto, ouvindo as explicações do guia. Achei fraco, faltando explicar a parte baixa, dos aquedutos. Deixamos a excursão, nos despedindo em diversos idiomas. Ficamos na plaza de armas de Ollantaytambo muito cedo, fazendo hora pois o trem demoraria para sair. O Érik tentou ir a um cyber-café mas havia vírus nos computadores. A Inês deu uma volta pela pequena praça, vendo artesanatos, enquanto eu fiquei cuidando das malas. Por volta das 17:30 fomos a estação de trem, andando cerca de 1,5 Km, onde o Ernesto estava nos esperando com os vouchers. Ficamos aguardando na sala de embarque, escrevendo nossos diários de bordo. Quando o trem partiu, corremos para um banco vago, onde ficamos juntos. Mais confortável do que ficar de frente, joelho a joelho com pessoas desconhecidas. Chegamos em Águas Calientes por volta das 22:00 hs, pois algumas paradas demoraram mais do que o previsto. Subimos uma grande ladeira, cheia de hostais, hoteis (um deles de 3 estrelas) e restaurantes. Nosso hostal (chamado Cabañas) fica quase no final. Muito bom, exceto pela dificuldade com a água fria e quente no banho e o cheiro de esgoto no ralo. A falta de água fria ainda adiou nosso tão esperado banho para o dia seguinte.

 

12/12/03 – ÁGUAS CALIENTES – MACCHU PICHU – 0 Km

 

                Chuva, café da manhã e mais chuva. Um dos dias mais aguardados e caros da viagem começa mal. Saímos com capas e chegamos a Macchu Pichu às 10:00 hs. O Érik chegou com dor de cabeça. Continuava chovendo. Nossas orações e uma água de S./7 (=US$ 2) fizeram com que ele melhorasse rapidamente. Ainda chovia. Perdi um tempão até achar nosso guia. Eu não o conhecia e ele deveria estar nos chamando na entrada. Como os guias estavam entrando, fui atrás de todos e não achei-o. Voltei à entrada e lá estava ele. Era 12:35 hs. Durante quase toda a visita não choveu. Apenas no finalzinho, começou novamente. Muita neblina o dia todo. Como passamos pela entrada da trilha do Huyana Pichu após as 14:00 hs, não foi possível fazer a caminhada. Encontramos a francesa que conhecemos no citi tour e que também estava no vale Sagrado. Macchu Pichu, mesmo com chuva, é um lugar fantástico. Nunca conquistado pelos espanhóis, só foi descoberto em 1911. A paisagem é fantástica, no centro de um conjunto circular de montanhas e com o rio Urubamba, centenas de metros abaixo, serpenteando o estreito vale. As construções são realmente monumentais para tal local de difícil acesso. Realmente um dos lugares mais extraordinários do planeta.

 

 

Saímos por volta das 15:30 hs, indo almoçar em Águas Calientes, onde o preço é bem mais baixo. Menu turístico, com salmão, creme de aspargos e suco por S./10. Muito bom. Fui dormir um pouco e a Inês e o Érik ficaram passeando, em uma rua de artesanatos e no local dos banhos de águas térmicas. Embora tivessem vontade, acabaram não entrando, pois havia pouca iluminação e um sapo no caminho. À noite, saí para tirar fotos e filmar e acabei encontrando os australianos que conhecemos no citi tour.

 

13/12/03 – ÁGUAS CALIENTES – CUSCO – ABANCAY – 200 Km

 

                Acordamos às 4:35 hs e tomamos nosso café às 5:00 hs. Saímos rapidamente para pegar o trem, agora um pouco mais lotado, não permitindo troca de bancos. Conversamos com um americano do Colorado que está conhecendo o Perú, após passar pela Bolívia, Chile e Argentina (inclusive Ushuaia, Torres Del Paine e Perito Moreno) de avião. Conversamos também com um Catarinense que chegou de ônibus. Chegamos a Ollantaytambo às 7:30 hs e pegamos uma moto-taxí com cobertura até a plaza de armas. Pegamos um ônibus para Cusco, que parou a cerca de 1 Km de nosso hotel. Deixamos as mochilas no carro, que estava bem, graças a Deus e fomos passear mais um pouco pela bela cidade de Cusco. Artesanatos e, pelo mesmo preço da água de 500 ml de Macchu Pichu, comemos em um restaurante vizinho ao da Pizza de 2 dias atrás, um delicioso menu turístico, a  base de Truta, suco misto e creme de tomate.

 

 

Pegamos o carro, as malas que estavam no depósito do Hostal e partimos para Abancay. São 180 Km de serras pela Província de Apurimac, subindo e descendo várias vezes entre 2000 e 4050 metros, o que demorou cerca de 4 horas. A estrada é nova e muito boa. Mais tarde descobrimos que há marketing de que em Apurimac há o canyon mais alto do mundo. Informação conflitante com a de que o mais alto é o Colca. Chegamos a Abancay, que parecia ser um local muito bonito, tanto pelas informações de guias, quanto pelos outdoors que chamavam-na de Suiça peruana ou mesmo pela vista da serra ao chegar.

 

 

Decepção, a cidade não é nem um pouco atrativa. Ficamos em um bom hotel, no melhor apartamento após chorar bastante, pois queríamos um dos quartos mais simples, que estavam lotados. Acabamos pagando cerca de 60% do preço da tabela (US$ 33). TV a cabo, geladeira, etc. Tiramos toda a bagagem para arrumar.

 

14/12/03 – ABANCAY – NAZCA – 477 Km

 

                Mal começo de dia assistindo ao Boca ser campeão Mundial em Tokio. Também foi complicado sair da cidade, por falta de indicações. Embora a estrada fosse relativamente nova, as constantes curvas, subidas e descidas fizeram com que percorrêssemos 470 Km em quase 8:30 hs. Em alguns trechos há enormes pedras que deslizam de grandes paredões verticais abertos na construção da rodovia. Faltou um pouco de cuidado técnico no projeto e construção da rodovia. Animais na pista e pequenos povoados também causaram demora. Ficamos muito tempo acima dos 4000 m, chegando a atingir 4575 m. Apenas no final do percurso se desce a serra, chegando aos 800 m de Nazca. Em Nazca, por sinal uma cidade sem qualquer outro atrativo, ficamos em um Hostal por S./40 (=US$12) indicado pelo nosso guia. Foi uma barganha em relação a outros hotéis no Perú (o preço inicial era S./50, mas o Érik pediu um “descuento”). Compramos um pacote para o sobrevôo das linhas de Nazca por US$30 cada um, mais S./10 de tarifa de aeroporto, também cada um. Em seguida fomos comer uma pizza ruim. Deixamos o carro em um estacionamento próximo, pois o Hostal não possui garagem.

 

15/12/03 – NAZCA – LIMA – 473 Km

 

                Às 8:00 hs a Van passou em frente ao hotel como combinado. Por segurança (não deixar a bagagem no hotel ou no carro, quando este está em local de risco), fomos em nosso carro, seguindo a Van, até o Aeroporto. Ao efetuar o pagamento, nosso credicard não funcionou. Pagamos então com o Visa.

 

 

Embarcamos em um Cesna de 3 passageiros, com um piloto extremamente simpático. Fizemos um vôo de 35 minutos passando pelas principais linhas. É impressionante, principalmente sabendo que foram feitas por um povo que não desfrutaria das mesmas, visto que do chão não é possível visualizar nada. Eu fiquei fotografando e o Érik filmando, mas ele passou mal ao olhar fixamente no visor. O piloto então abriu a janela para circular mais ar. 2 minutos depois, o Érik estava melhor. O avião aderna bastante para que as pessoas de ambos os lados possam ver as linhas. As linhas em forma de figuras tem mais de 100 metros, chegando a ter mais de 250 metros no caso do Albatroz. O beija-flor tem mais de 100 metros.

 

 

A figura do astronauta chama a atenção por não estar no plano, como a maioria e o desenho não ser formado por linhas retas. Pode ter sido a única realmente feita pelo povo Nazca. O piloto também “regalou” o Érik com uma figura que não faz parte do pacote, um pequeno dinossauro. Terminado o passeio, fomos ao hostal em frente (Nido Del Condor), que pertence ao grupo da companhia aérea (Aero Condor), para assistir ao vídeo e utilizar a piscina que fazia parte do pacote. Ao sair e entrar no vestiário, uma funcionária queria cobra pelo uso da piscina. Isto deixou a Inês bastante irritada. No final a funcionária disse que foi um erro e pediu desculpas. No mesmo hostal, aproveitei para ligar 2 vezes para meus pais para tentar resolver o problema do Mastercard. A Mastercard disse que o problema foi de digitação no código de segurança e não do cartão. Também tive problemas ao abastecer e pagar o hotel à noite. Acredito que tenha sido um problema de comunicação internacional. Compramos algum artesanato em Nazca e tentamos tirar dinheiro em um caixa. Não funcionou. Quase sem dinheiro, pegamos a panamericana com destino a Lima, por volta das 15:30 hs, comendo Nutri e bolachas. Graças a Deus que dos 4 ou 5 pedágios apenas 1 era pago neste sentido de tráfego. No caminho ainda paramos em uma torre de observação das linhas, para ver melhor 2 figuras de Nazca. Muito vento e pouca visão. A Panamericana está excelente nos últimos 140 Km para Lima. Tudo duplicado e 3 faixas de cada lado na região metropolitana. Chegamos à noite. Paramos em uma Pizza Hut, mas estava muito cara. Acabamos indo, após conseguir finalmente retirar dinheiro em um caixa, a uma lanchonete de rede peruana, ao estilo MC Donald’s, mas com lanches melhores, chamada Bembos. A cidade, ao contrário de minhas impressões de 1999, é muito grande, com 8 milhões de habitantes, com muitas avenidas e vias expressas. Esta é a diferença entre utilizar o próprio automóvel ao invés de chegar e sair pelo aeroporto. Bem americanizada com diversas redes de fast-food (MC Donald’s, Pizza Hut, KFC), lojas de redes americanas (Radio Shack) e grandes magazines (Ripley´s). Ficamos em um hostal (S./80) que, embora com estacionamento comum, recepção e elevador usuais, em alguns detalhes mostrou ser quase que um motel. Havia, na própria Panamericana, um hostal que parecia ser melhor e mais barato (S./30 a 50), mas a proprietária estranhamente não nos deixou checar o apartamento antes de fechar o negócio.

 

16/12/03 – LIMA – 80 Km

 

                Sem café, que não estava incluso, fomos inicialmente dar uma volta em Miraflôres, o local mais bonito e moderno de Lima. Depois fui tirar fotos do Centro administrativo de Lima (Plaza Mayor), onde está o palácio do Governo, a Prefeitura e a Catedral. A Inês e o Érik ficaram no carro em um estacionamento enquanto fui sozinho (mais de 1 Km), Aproveitei e parei em uma galeria de artesanato, a uma quadra da Catedral, o local mais barato em todo o Perú.

 

 

Ao chegar na praça para tirar fotos, percebi que a porta da câmera fotográfica estava quebrada e aberta. Tirei o filme e coloquei um novo. Amarrei com o cadarço. A solução provisória estava muito perigosa e, alguns dias depois, troquei o cadarço por silver tape, bem mais segura. Fomos ao Jockey Shopping onde almoçamos e demos algumas voltas, inclusive no supermercado. No fim da tarde fomos ao Shopping Larcomar, o mais bonito que conhecemos, aberto e localizado em uma falésia, de frente ao mar. Apenas lojas de produtos sofisticados. Praça de alimentação excelente. Tudo caro. Um segurança veio avisar que eu não poderia filmar, mas já tinha filmado tudo que queria.

 

17/12/03 – LIMA – NAZCA – 557 Km

 

                Saímos do hotel as 5:00 hs para tentar fazer um passeio às Ilhas Ballestas, na Reserva Nacional de Paracas. Chegamos antes das 9:00 hs, mas dois barcos já haviam saído. Seríamos o primeiro da lista, mas era necessário pelo menos 18. Custaria S./40 por pessoa. Chegou uma excursão de estudantes onde iriam cobrar S./25 por pessoa, inclusive por adultos, por ser uma excursão. Forçamos para cobrarem S./25 pelo menos para o Érik. De forma mal-educada disseram que um grupo iria sair e que deveríamos pagar S./120. Tchau. Passeamos pela reserva, de carro, em sua parte continental. Vimos uma colônia de lobos-marinhos e muitas formações rochosas, sendo a “Catedral”, a melhor. É uma caverna com a “boca” voltada para um arco sobre o mar.

 

 

A Inês dirigiu mais de 100 Km. Chegamos a Nazca antes das 5:00 hs, passeamos, comemos uma pizza e fomos ao hotel.

 

18/12/03 – NAZCA – AREQUIPA – 582 Km

 

                A estrada para Arequipa é linda, passando por montanhas que caem direto ao mar, lembrando a famosa Highway 1 da California. Alguns trechos com belas e desertas praias.

 

 

Almoçamos peixes e camarão em Camana. Chegamos cedo em Arequipa, ficando em um Motel. Fomos visitar o Sr. Willye, que conhecemos em Cusco, em seu escritório (uma fábrica de parafusos). Combinamos de assistir à final da Copa Sulamericana em sua residência na noite seguinte (Cienciano x River, no estádio de Arequipa, a 500m de sua residência). A noite fomos à Plaza de Armas, talvez a mais bonita do Perú.

 

 

Voltamos ao motel por volta das 22:00 hs para dormir cedo, pois sairíamos muito cedo para o Canyon Colca no dia seguinte. 

 

19/12/03 – AREQUIPA – COLCA – AREQUIPA – 442 Km

 

                A idéia era sair cedo, por volta das 4:15 hs para ver o vôo do Condor no Canyon Colca, que ocorre somente pela manhã. Não ouvi o despertador que deve ter tocado às 3:50 hs. Foi uma noite difícil, com o telefone da recepção que não parava de tocar e o rádio que não desligava totalmente. A Inês foi dormir no carro. Acabamos atrasando e saindo as 5:00 hs. Erramos também na saída da cidade, pois para ir para o leste, deve-se ir primeiro ao oeste, contornar 3 vulcões para seguir a leste. Muitas curvas em uma estrada bonita, conservada, mas perigosa. Esta estrada vai até Juliaca, seguindo então para Puno ou Cusco. Após 80 Km há um acesso para Chivay. Terra com pedras nos primeiros 25 Km. Muito ruim. O carro pula demais. Até Chivay há um trecho de serra (subida) já asfaltado e a descida está em obras para asfaltar, o que acarretou mais um atraso. No caminho a paisagem é muito linda, com neve, lago, lhamas e belas montanhas. Ficamos de tirar as fotos na volta, pois havia pressa.

 

 

Chegamos em Chivay e já pegamos rapidamente a estrada para o Mirante Cruz Del Condor. Chegamos as 9:15 hs e o Condor estava passando. Deu apenas tempo de filmar um pouco, pois ele estava indo embora. Esperamos até as 10:00 hs, mas não houve mais nenhum vôo de Condor. O Canyon é lindo, extremamente alto, chegando a mais de 3400 m de altura em alguns pontos. Plantações em formas de degraus, uma técnica inca, estão presentes ao longo do Vale. As montanhas de frente possuem, em seu lado oposto, uma das nascentes do Rio Amazonas, descoberta que tornou-o mais comprido que o Rio Nilo. A altitude, em torno de 4000 metros, no mirante, após passarmos por locais de 4600 metros, fez com que o Érik passasse mal. No mirante havia muitas vendedoras de artesanatos, dando um colorido bonito ao local. Ao voltar, paramos um pouco em Chivay e pegamos a estrada de volta. Já não havia mais neve para fotografarmos na volta, derretida pelo forte sol. O trajeto de Arequipa – Mirante – Arequipa foi de 410 Km (excetuando-se os erros). Chegamos a Arequipa por volta das 14:30 hs e fomos ao Burger King, em um pequeno shopping das lojas Falabella. Escolhemos um hotel melhor, bem mais cômodo. Saímos para assistir ao jogo do Cienciano x River na casa do Sr. Willye. Fomos muito bem recebidos pelo Sr Willye e sua família. Serviram um saboroso jantar. Tiramos fotos e comemoramos ao campeonato conquistado pelo Cienciano. O jogo aconteceu a apenas 500 m da casa do Sr. Willye.

 

20/12/03 – AREQUIPA – IQUIQUE – 770 Km

 

                Deserto. Esta é a paisagem que fica em nossa memória para este trecho da viagem. Parece mais seco que o próprio Atacama, inclusive com menos vegetação. A Panamericana tem vários trechos com retas de mais de 20 Km. Há uma reta de 33 Km! Na hora do almoço, em Tacna, a Inês e o Érik deram uma volta para gastar os últimos S./13 (=R$ 11 = US$ 4). Não conseguiram achar o gostoso milho frito, um dos pontos altos de qualquer viagem ao Perú. Após uma breve arrumada na bagagem, fomos enfrentar a complicada fronteira. Enroscada do lado peruano, onde tivemos até que comprar formulários (= R$ 5), mas, ao menos desta vez, pior do lado chileno. Raio-x da bagagem é norma para procura de drogas e produtos agropecuários. Desta vez perguntei se era necessário passar com tudo. Falaram que só as bagagens maiores. Falei para ele avisar quando parar. Com isto não precisamos descarregar o carro inteiro. Foi longa a espera para preencher o formulário do carro. Um senhor de certa idade se mostrou o funcionário mais confuso dentre as aduanas chilenas que conhecemos. Finalmente, depois de 1h40m, fomos liberados. Paramos em Arica em um posto para abastecer o carro e comer um lanche. Acima de 5000 Pesos Chilenos de combustível (=US$ 8), que equivale a 12 litros, pode-se comprar uma camiseta por 990 Pesos (= US$ 1,7). Compramos 2, “made in Brasil”! Embora tenhamos perdido 2 horas no fuso, decidimos ir adiante até Iquique. Queríamos usufruir do comércio da Zona Franca e não sabíamos se o comercio abriria no dia seguinte, Domingo. Só chegamos as 22:20 hs e fomos direto ao shopping que ficaria aberto até as 23:00 hs. Checamos os preços, tomamos um lanche e fomos ao flat. Estava lotado. Conseguimos outro hotel por volta da meia-noite, no centro, encaixando o carro em uma meia-garagem.

 

21/12/03 – IQUIQUE – ANTOFAGASTA – 475 Km

 

                Finalmente acordamos tarde, em função da Zona Franca – Zofri Mall – só abrir as 11:00 hs. Quase chegando, um garoto que limpa para-brisas tornou-se agressivo em nossa recusa de dar dinheiro, ameaçando entortar o limpador. Possivelmente um problema de drogas. Demos um pouco de suco e ele contentou-se. Ficamos no Zofri por cerca de 2 horas. Passamos em um posto COPEC, em uma loja de conveniência chamada PRONTO. Bons lanches e boas promoções (bem melhores que as do Brasil). Escolhemos a estrada costaneira para chegar a Antofagasta. É a melhor escolha. Paisagens cinematográficas. Passamos pela aduana (o norte é zona franca). Chegamos cedo em Antofagasta, parando para tirar fotos na Rocha Portada, uma grande rocha furada em mar aberto. Como já estava meio escuro, decidimos voltar dia seguinte para mais fotos.

 

 

Paramos em um supermercado com praça de alimentação e lojas, quase um shopping. Uma dica é não comer o lanche de churrasco do Lomito’s, muito ruim. O peixe do restaurante chinês, em compensação, é excelente. Fomos procurar Hotel. As opções eram ou muito caras ou ruins e sem garagens. Voltamos então para entrada norte da cidade onde havia um motel. Ficamos em um quarto familiar. Pena que deixamos um pouco aberta a porta e entraram pernilongos. Outro problema foram os cães de guarda, que latiram muito pela manhã. Opção barata (13000 Pesos = US$21,5).

 

22/12/03 – ANTOFAGASTA – CALDERA – 553 Km

 

                Organizamos um pouco o carro e fomos novamente tirar fotos da Portada. Ao voltar à Panamericana, paramos na “Mano Del Desierto”, uma escultura de cerca de 8 metros mostrando uma mão, saindo da areia, simbolizando o desespero dos viajantes perdidos e morrendo no deserto.

 

 

A Inês dirigiu por cerca de 200 Km, quando paramos para comer lanches, no carro. Eu segui dirigindo e peguei 3 desvios, totalizando uns 20 Km de terra, o pior trecho da Panamericana no trecho norte da Panamericana Chilena. Chegamos a Chañarral, abastecemos e fotografamos lobos-marinhos no litoral.

 

 

Paramos em um Hotel, em frente à entrada de Caldera. Muito bom, com cabañas e apartamentos (25000 pesos a cabaña e 18000 e 15000 pesos os apartamentos – escolhemos o apartamento de 15000 pesos = US$30 = R$ 90). Piscina, parquinho, campo de futebol e animais (lhama, coelhos). Bem equipado. Dormimos um pouco e saímos para jantar no centro. Aniversário de casamento. Comemos peixes. Muito bom, principalmente o congrio. Demos uma volta por Baia Inglesa. O local é interessante, com diversos hoteis bons. Aparenta ser caro.

 

23/12/03 – CALDERA – VICUÑA - 515 Km

 

                Sem café, saímos pela manhã, em meio a muita neblina e um pouco de frio. Almoçamos em um posto COPEC e chegamos a La Serena por volta das 14:30 hs. A cidade é bem bonita. Fomos ao mercado artesanal La Recova. Uma das construções mais interessantes do Chile. A parte de fora é um mercado de alimentos. Na parte de dentro, aberta pelo alto, somente artesanatos. Lembra um pouco uma construção com arquitetura mexicana.

 

 

Fomos a Vicuña, cidade pequena, onde já reservamos o passeio para o observatório do Cerro Mamalluca. Este é um observatório preparado para finalidades turísticas, em contraposição aos maiores observatórios do mundo, presentes na região, administrados por Europeus ou Americanos. Combinamos voltar ao local por volta das 20:00 hs. Escolhemos um hotel (15000 pesos) quase bom. O problema era apenas a enorme quantidade de formigas. Passeamos pela cidade e aproveitamos para ligar para o Patrício e a Marcela, nossos amigos de Santiago. O Érik ficou num cyber-café. Fomos ao observatório de carro, em comboio. Chegamos ao local, ainda de dia, por volta das 21:00 hs (o comboio demorou a sair do centro da cidade, onde compramos o passeio). Assistimos ao vídeo, que já havia começado. O observatório e todo o passeio é um pouco amador, com telescópios pouco potentes e sem um roteiro bem definido de como apresentar. É interessante, mas se formos comparar, sugiro uma visita ao nosso Observatório e Planetário de Brotas.

 

24/12/03 – VICUÑA – SANTIAGO – 615 Km

 

                Saímos, não muito cedo. A Inês dirigiu 215 Km. Chegamos a Santiago por volta das 16:30 hs. Desta vez encontramos um hotel mais rapidamente (em 2001 não conseguimos encontrar hotel), perto do Cerro San Cristobal por US$ 38 ou 22000 Pesos. O preço foi bem chorado pelo Érik que negociou com o próprio dono, mostrando sua carteira de estudante. Ajudou bastante. Fomos ao Shopping, comprei os tão procurados guias turísticos TURISTEL, do sul e centro do Chile (já tinhamos o do Norte), jantamos e ligamos para nossos familiares, desejando um feliz Natal. Passamos ainda em uma feira de artesanato.

 

25/12/03 – SANTIAGO – 15 Km

 

                Saímos as 10:30 e fomos ao teleférico do Cerro San Cristobal, onde se tem uma bonita vista da cidade. Infelizmente um smog (smoke + fog) cobre a cidade constantemente e fica difícil ver a cordilheira ao fundo. Muito rápido o teleférico. Descemos e fomos à casa da família Berrios, nossos amigos chilenos. Ficamos conversando entre 13:00 e 00:30 hs. Voltamos ao hotel por volta de 1:00 h.

 

26/12/03 – SANTIAGO – MENDOZA – 403 Km

 

                Antes de rumar ao norte, demos uma volta de carro pelo centro de Santiago. Paramos em Los Andes para gastar os 4000 Pesos restantes. Deixei para abastecer mais adiante e só havia um posto que não aceitava cartão de crédito. Pus o mínimo necessário e paguei com Pesos argentinos, ou seja, bem mais caro. A rodovia que cruza os andes passa por locais muito bonitos. Os trâmites na aduana argentina demoraram mais de 1:30 hs, irritando bastante, afinal a estrutura é gigantesca, mas faltam pessoas e organização. Entramos no Parque provincial do Aconcágua, passando pela Laguna Horcones, onde se tem uma bonita visão do ponto culminante das Américas, o Aconcágua, com seus 6959 metros.

 

 

Passamos por Uspallata, onde filmaram “Sete anos no Tibet”, mas o povoado não é muito chamativo, talvez pela pouca vegetação. Chegamos ainda com sol a Mendoza. Ficamos no Hotel Family Inn, estilo americano, na ruta 40, por 75 Pesos (= R$ 75). Estilo americano, novo e muito bom, com café. Fomos jantar no shopping. A Pizza estava muito boa. As massas que a Inês e o Érik pediram já não estavam tão boas.

 

27/12/03 – MENDOZA – SAN FRANCISCO – 925 Km

 

                Foi um dia muito cansativo. Saímos do hotel as 9:00 hs e fomos visitar o enorme e bonito Parque San Martin. Parece um pouco a Cidade Universitária e o Ibirapuera. Saímos de Mendoza as 10:00 hs. Estradas muito boas até San Luis, inclusive duplicada em toda a província de San Luis. Pegamos a ruta para Córdoba. Pouco movimentada e pouco conservada. Em Salsacate começa a agonia. A ruta passa por dentro de várias cidades, por sinal bem turísticas (lembrando a região de Penedo e Itatiaia). Nunca vimos tantos hotéis e hostales. Trecho muito lento. Na serra pegamos uma forte neblina que em alguns trechos permitia visibilidade máxima de apenas 10 metros. Garoava também. Não era necessário passar por Carlos Paz e Córdoba, pois havia uma rodovia, que constava no mapa como de terra, de San Luis para San Francisco, que economizaria muitos Km. A falta de indicações correta nos fez perder tempo para achar a saída correta de Córdoba. Aproveitamos para passar em um supermercado. Chegamos a San Francisco as 22:40 hs e ficamos em um hotel razoável no centro, pagando 50 Pesos. Saí para ligar para resolver problemas do Mastercard, andando bastante para conseguir um telefone funcionando.

 

28/12/03 –  SAN FRANCISCO – URUGUAIANA – 701 Km

 

                Saímos as 9:10 sem café. Compramos um lanche na estrada. Almoçamos e fizemos compras em um shopping de Santa Fé. Churrasco (+ou-) e peixe (bom). Passamos pelo túnel sub-fluvial, sob o rio Paraná e seguimos adiante.

 

 

Já na província de Corrientes um policial, ao checar os documentos e fazer algumas piadas, pediu dinheiro para uma cerveja. Aleguei que não tinha mais Pesos e seguimos adiante. Chegamos a Paso de los Cobres logo após o anoitecer. Gastamos os Pesos restantes em gasolina. Ainda tentei sacar o restante do cartão (Visa Travel Money) em dólares, mas não consegui. Os trâmites da fronteira foram um pouco confusos e demorados, graças a grande quantidade de turistas argentinos em ônibus. Por sorte os guichês para ônibus e carros eram separados. Entramos em Uruguaiana após as 23:00 hs e ficamos no confortável Hotel Uruguai River por R$ 85.

 

29/12/03 – URUGUAIANA – SÃO MIGUEL DAS MISSÕES – 347 Km

 

                Cansados, acabamos acordando e saindo tarde, após o café, mais farto que em qualquer outro país. Paramos 70 metros adiante. Em volta do Hotel há diversos camelôs e lojas para os Argentinos. Preços bons inclusive para os brasileiros. O bairro na saída norte da cidade estava sob as águas do Rio Uruguai, Na estrada paramos diversas vezes para tirar fotos de diversos pássaros. Estrada horrível. Totalmente esburacada em alguns trechos. Sentimos saudades até das carreteras bolivianas. Chegamos em São Miguel por volta das 16:30 hs. Fomos ao hotel, Pousada das Missões (filiadas ao Hostelling International), ao lado das ruínas, que saiu por R$ 63,90 (com o desconto que o Érik conseguiu). Fomos, em seguida ás ruínas Impressionante. É o conjunto mais bem preservado em solo brasileiro. A catedral foi enorme. Assistimos o show interativo. Checamos o horário e preços do show noturno de sons e luzes. Fomos tomar banho, comer um lanche e voltamos ao show. Noite estrelada e um bonito espetáculo de 50 minutos, contando a saga dos guaranis nas missões. Realmente vale a pena.

 

 

30/12/03 – S. MIGUEL DAS MISSÕES – GRAMADO - 593 Km

 

                Saímos de Pousada após o café, e passamos por Santo Ângelo para tirar uma foto da Catedral, réplica da Catedral de São Miguel. Aproveitamos para abastecer e ganhamos uma ducha. De carro limpo seguimos adiante pela esburacada BR. Almoçamos próximo a Passo Fundo, por Kilo. Pegamos o caminho para serras em Passo Fundo. A Inês dirigiu por cerca de 120 Km. Muitas curvas e serras. Voltei ao volante. Paramos em Caxias, onde trocamos o óleo. Chegamos a Gramado já de noite. Muito lindo. Resolvemos estender nossa estadia para duas noites. Conseguimos um hotel no centro por R$ 100. Fui procurar a Inês e o Érik, que ficaram andando pelo centro, muito movimentado. Achei-os e levei-os ao hotel. Enquanto estavam checando o quarto, outro pretendente a hóspede voltou e, ao saber que a Inês estava fechando com o gerente, ficou furioso. Ainda demos uma volta por Canela para ver como estava a decoração de Natal. Legal também.

 

 

31/12/03 – GRAMADO - 41 Km

 

                Visitamos, logo cedo, o Mundo a Vapor. Bastante instrutivo e interessante. Além da menor fábrica de papel do mundo, tem também um dos únicos relógios a vapor do mundo. O outro fica em Vancouver. Seguimos para o Alpen Park, para passear de Trenó (R$10 para 1 volta, R$20 para 3 voltas e R$30 para 3 voltas). A vantagem é que existe a possibilidade de comprar 1 ou 3 e, se gostar, reverter para 6 voltas, pagando a diferença. Local muito bonito e o trenó é um passeio muito gostoso. O controle do freio é por conta de quem passeia. Cheguei, na 2ª vez ao fim sem frear. Passei pela cortina, onde deveria estar devagar, a toda. O mecanismo do trilho de subida se encarregou de frear. O Érik foi 4 vezes.

 

 

Deixamos a Inês vendo lojas em Canela e fomos ao Caracol, onde fizemos o passeio de teleférico. Muito bom. A cachoeira é realmente linda. Pegamos a Inês, compramos uns lanches e fomos ao Mini-mundo. Embora lotado, só abrindo no período da tarde, vale a pena visitá-lo. São maquetes de construções européias e sul-americanas, muito bem feitas. Voltei ao hotel para assistir a São Silvestre e descansar um pouco enquanto a Inês e o Érik ficaram passeando por Gramado. Saímos mais tarde para procurar um local aberto para comer. Pizza horrível em uma lanchonete/cafeteria. Foi um dia que começou com chuva, esquentou forte à tarde e esfriou a noite. Como estava muito frio, voltamos ao hotel para sair novamente as 23:45 hs para ver as queimas de fogos, relativamente fracas. Surpreendentemente as ruas, ao contrário do dia anterior, estavam bem vazias, reflexo do frio (a cidade estava cheia de visitantes de locais mais quentes, como Minas e Nordeste).

 

 

01/01/04 – GRAMADO – FLORIPA – 540 Km

 

                Foi o dia mais cansativo da semana. Logo ao sair do hotel, paramos 100 metros adiante para tirar fotos da praça, aproveitando o bonito dia de sol. Toda a decoração de natal da cidade foi feita com garrafas plásticas de refrigerantes. Seguimos então para o canyon de Itaimbezinho. Estrada boa até Cambará do Sul e de terra com pedras até a BR-101, já no Litoral. Paramos no Parque Nacional Aparados da Serra e fizemos uma das caminhadas para o Canyon. É uma trilha curta, mas já dá uma boa visão do canyon e suas cacheiras. Muito bonito e o tempo ajudou bastante, uma vez que é raro tempo aberto no local. Assistimos um vídeo no centro de visitantes e fomos embora. Acho estranho a Cascata das Andorinhas nunca ser citada como uma das mais altas do Brasil. São mais cerca de 700 metros de queda. Ainda pela estrada de terra, descemos em direção a Torres. Almoçamos em um restaurante +/- comida por Kilo. Fomos então ver as formações rochosas. O custo é de R$2 para entrar de carro. Estacionamento grande e muita farofada. Saímos rapidamente com destino a Floripa. Nas proximidades de Floripa, rodamos somente 20 ou 30 Km entre 19:30 e 21:30 hs em um congestionamento sem motivos aparentes. Fomos ao shopping, na entrada da cidade, procurar algo para comer. Feriado, apenas o BOB’s estava aberto. Era pouco mais de 22:00 hs quando começou a dura jornada para achar um hotel. A primeira opção, o Ibis, já estava lotado. Fomos então para Canasvieiras, Ponta de Canas, Ingleses e Costão do Santinho. Ou custava muito caro (acima de R$ 140) ou era muito ruim, inclusive sem local adequado para estacionar. 80% dos hoteis lotados. Somente a 1:00 h conseguimos uma opção boa por R$ 80 (era 120, mas fazia por 100, ou, com muita insistência, 80 sem café). Desistimos de ir ao Beto Carrero na manhã seguinte. Resolvemos ir no Sábado.

 

02/01/04 – FLORIPA – PENHA – 237 Km

 

                Não tão cedo e ainda cansados, fomos em direção à Lagoa da Conceição e Praia da Joaquina. Voltamos antes de chegar à Lagoa. Estava tudo parado. Fomos então para Penha, onde primeiramente pegamos informações sobre preços e horários do Beto Carrero. Ficamos na Pousada Açoriana, próxima ao Parque, por R$ 70. Almoçamos enquanto deixei o carro no borracheiro da frente (o pneu estava com um pequeno furo). Fiquei descansando enquanto a Inês e o Érik foram à praia. Como não gostaram do local, voltaram rapidamente. No final da tarde eu e o Érik fomos dar uma volta de carro pelas melhores praias da região, como a praia Vermelha. Voltamos e jantamos em um posto na BR-101, pois há poucas opções em Penha. Muito trânsito entre Penha e Piçarras.

 

03/01/04 – PENHA - CURITIBA – 196 Km

 

                Tomamos café reforçado e fomos ao parque às 9:30 hs (abre as 9:00 até a praça de entrada, mas os brinquedos abrem às 10:00 hs), Ficamos até o fim, às 19:30 hs. O parque tinha um movimento fraco, bem menor que no dia anterior. Um ou outro brinquedo novo, como o recém inaugurado Império das Águas, o melhor passeio de bote em corredeira que já fizemos. No geral os brinquedos estão mal conservados. Outro grande problema são os animais de grande porte em jaulas pequenas e animais mal-tratados em shows (um pequeno macaco sendo puxada a força pelo adestrador). A praça de alimentação é muito boa, com preços bem razoáveis. Ao sair, pegamos um atalho de terra para chegar à BR, evitando o trânsito de Penha/Piçarras (ganhamos uns 30 minutos). Na estrada paramos apenas em Joinville para tomar água de coco e comprar lanches em uma lanchonete de conveniência. O controle do alarme parou de funcionar e tivemos que abrir o carro, e, com o alarme disparado, desativá-lo com o controle reserva. Garoa e trânsito pesado fizeram com que chegássemos apenas as 22:30 hs no Íbis de Curitiba, previamente reservado – o problema é que a reserva era válida até as 18:00 hs. Como havíamos ligado durante o dia, conseguimos alterar para 23:00 hs. 

 

04/01/04 – CURITIBA – SÃO BERNARDO – 480 Km

 

                Saímos as 9:00 hs e visitamos o Jardim Botânico, o museu Oscar Niemayer e seu olho, a bonita Ópera de Arame e o Parque Tanguá. Tudo muito calmo e com pouco movimento. A ópera é uma obra linda, toda de vidro e ferro, entre árvores. A noite deve ser muito mais bonita e assistir um espetáculo deve ser ótimo. O parque Tanguá é uma antiga pedreira onde foi construída uma cachoeira artificial. O resultado é muito bonito.

 

 

Entramos na estrada para São Paulo as 13:15 hs. Paramos em uma churrascaria simples, onde ficamos cerca de 40 minutos. Seguimos adiante e o trânsito parou totalmente a 12 Km da divisa Paraná – São Paulo. A Inês dirigiu os 12 Km em cerca de 1 hora, enquanto eu tentava dormir. O trânsito ficou quase bom até o trecho não duplicado. Já era noite e perdemos muito tempo. Chegamos em SBC às 23:30 hs, pegamos o carro da Inês na casa dos meus pais e acabamos chegando ao apartamento após as 24:00 hs.

 

TOTAL – 16.470 Km

 

Por:

Sergio Sparvoli Bonagamba
Viajante e engenheiro nas horas vagas - 44 Anos

Érik Yukio Bonagamba - 16 anos - estudante

Toshie Inês Fujii Sparvoli Bonagamba - bancária aposentada

São Bernardo do Campo - SP
Email
sergiobona@vivax.com.br

 

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- Expedição Água e Areia (Brasil – Etapa 3)
- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 1)
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