Relatos

Travessia – Ponta da Juatinga/RJ, por Eduardo Lereno

O Fábio saindo de férias e eu terminando a faculdade. Tinha que rolar uma travessia...

Dessa vez escolhemos a Ponta da Juatinga, uma caminhada forte de 3 dias que tem em sua rota Mata Atlântica, praias e mar, contornando uma grande península próxima a Paraty.

Saímos de São Paulo sexta-feira à noite, chegando em Paraty quase 5h da manhã do dia seguinte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


1º dia: 16/12 – sábado

Na rodoviária de Paraty, tomamos o ônibus das 5h30m para Paraty Mirim, chegando lá às 6h. Esperamos um pouco no pequeno vilarejo à beira mar, que tem uma sede da Reserva Ecológica da Juatinga, até o barco do Sr.Silas chegar. Negociamos com ele a travessia do Saco do Mamanguá, que é uma passagem de 4km pelo mar, para se chegar à praia de Caieiras, onde começa a trilha. Com o barco pequeno e rápido, atravessamos em 15 minutos. No caminho, já víamos o que nos esperava pela frente, uma elevação de 420m de altura e mata exuberante, para começar bem a travessia.

Descemos do barco e já pegamos a trilha. No início, pés de jaca apinhados. A trilha não deu trégua e depois de 1 hora de subida chegamos até um lugar que entrou em nível e parecia ser o topo, pois era desmatado, não dava para ver mais subidas e tinha uma trilha bem aberta descendo à esquerda. Depois de tomar o café-da-manhã e descansar um pouco começamos a descer, mas essa rota deu numa armação de um abrigo de madeira e depois se fechou. Fomos nos embrenhando cada vez mais no mato, com palmeiras cheias de espinhos, e não saíamos em lugar nenhum. A decisão foi voltar. Chegamos naquele ponto onde parecia ser o topo e encontramos outra trilha. Depois de caminhar em nível por um tempo ela voltou a subir e as características do caminho foram batendo com as informações do roteiro que tínhamos em mãos. Agora estávamos certos. Na descida já dava para ver por algumas “janelas” da mata a primeira praia do caminho, a praia Grande da Cajaíba.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vendo a areia fofa e o mar clarinho, já fomos deixando nossas coisas embaixo de uma árvore e caímos no mar. Ficamos um bom tempo aproveitando e depois fizemos um lanche na sombra da árvore. Nessa praia ainda vimos algumas pessoas que vão de barco e tem até dois barzinhos. Mas isso mudaria mais para frente.

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Logo atrás da praia tem um rio bonito, a água em tons esverdeados. Foi a vez de mergulhar na água doce e curtir mais um pouco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois fizemos uma trilha que leva a uma queda d’água desse mesmo rio, mais acima. Com o calor que fazia, a cachoeira foi um presente. Ficamos um tempão lá e até tiramos um cochilo nas pedras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

À tarde partimos em direção à praia de Itaoca, por uma trilha que segue a costa pelo alto e oferece um baita visual. Nessa praia tem alguns boulders legais, pena que não levamos sapatilha e magnésio para escalar...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atravessamos a praia e seguimos a trilha, que nos leva até a praia de Calhaus, onde tem uma vila de pescadores e vários barcos ancorados. Nem paramos; passamos direto por essa e pela praia seguinte, que foi a de Itanema.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Já começava a anoitecer nós decidimos acampar um pouco antes do local usual, que é o Pouso da Cajaíba. Dormimos no alto da trilha, com a visão do mar lá embaixo. O Fabião quis bivacar e quase foi devorado pelos pernilongos. Eu, mesmo que passando um calor danado, dormi na barraca, só para ter um “mosquiteiro”. Mas um colega nosso, o Johny Walker, nos ajudou a dormir.

 

2º dia: 17/12 – domingo

Acordamos com o sol raiando. Arrumamos nossas coisas, tomamos café e partimos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Passamos o Pouso da Cajaíba e pegamos uma trilha com uma subida fortinha. No meio dela, tem-se uma ampla visão da Ilha Grande. Depois de quase 2 horas de caminhada chegamos à praia Martim de Sá.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tomamos um banho de mar, já que o calor estava forte. Retomamos a caminhada e passamos pela Ponta das Enchovas. Seguimos adiante e cruzamos um rio, no qual paramos para tomar outro banho, pois a essa altura já estávamos molhados de suor de novo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois de comer um chocolate, continuamos a trilha e um pouco depois vimos que existia uma variante com uma placa que indicava o Poção. Resolvemos conhecer o lugar e mudamos de direção. Passamos um outro rio e mergulhamos nele também. Subimos mais esse rio, na direção do Poção, e chegamos até o totem que indicava o lugar. Ficamos dando uns mergulhos e nadando por um bom tempo antes de voltar para a trilha principal. Ainda bem, porque agora ela exigiria de nós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o sol castigando a moleira, chegamos ao primeiro crux do dia, subir um roçado de mandioca que tinha o solo seco e com uma inclinação de uns 50º. A trilha continuou cansativa, pois o calor era grande. À tarde, chegamos na praia de Cairuçu, onde almoçamos.

Já à tardinha, saímos em direção ao nosso ponto de pernoite, a toca da Berta Figueira, que fica no alto da serra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nesse trecho tem algumas bifurcações e uma trilha errada pode atrapalhar muito a caminhada. Então ficamos atentos, com o Fábio sempre consultando a bússola. Depois de quase uma hora de subida incessante, passamos por um rio e precisávamos nos abastecer de água para até o dia seguinte, pois não sabíamos se a bica perto da toca estaria com água. O acesso a este rio é difícil e fui me pendurando nas árvores para chegar até a água. Descansamos 5 minutos e voltamos a andar. A subida não deu descanso e nos percebemos acompanhando uma crista entre dois vales, apesar da vegetação densa. Chegamos à bica e para nossa felicidade havia água. Tínhamos o suficiente para passar até o dia seguinte, mas a felicidade foi pela possibilidade de tomar um banho depois de subir quase 500m de desnível (o segundo crux do dia) e estarmos completamente encharcados de suor. O Fábio ficou na bica e eu subi mais 5 minutos até a toca. Deixei minha mochila, peguei a headlamp e desci para tomar um banho. Já estava escuro, mas o banho rolou assim mesmo, cheio de vaga-lumes ao redor da lanterna, que deixei pousada numa pedra para iluminar a água. Subi de volta à toca e, de banho tomado e roupas limpas, veio a certeza de uma boa noite de sono pela frente. Montamos as barracas e fizemos um lanche. Acabamos com o Johny e fomos dormir. Um bicho chegou perto da toca à noite, fazendo um grande barulho, mas antes que eu pudesse mirar a lanterna nele o Fábio deu um grito pra afasta-lo das barracas.

 

3º dia: 18/12 – segunda-feira

O sol passava por entre as árvores e entrava na toca. Era hora de acordar e arrumar as coisas para partir para o último longo dia de caminhada. Depois do café, voltamos a subir pela trila e depois de atingir os 560m da serra em que estávamos começamos a descer. A descida também é forte, pois se na subida se exige dos músculos, na descida se castiga os joelhos. Descemos bastante até alcançar um rio. Lá tomamos um banho e comemos um chocolate antes de retornar à trilha. Chegamos à praia de Ponta Negra, em que há uma vila de pescadores. Nesse ponto, um cachorro se juntou a nós passou a nos acompanhar.

Um pouco mais à frente, chegamos a Galhetas, um trecho em que se atravessa pelas pedras. Lá, um rio desemboca no mar. Tiramos o suor das roupas na água doce e as deixamos secar nas pedras. Tomamos um banho de rio e ficamos um bom tempo descansando, até que as roupas secassem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes de dar seqüência à caminhada, subimos um pouco o rio e encontramos dois poços legais para dar uns mergulhos. O cachorro entrava na água com a gente e ia buscar galhos que a gente jogava. Já tinha virado amigo...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas era hora de continuar. E a parada seguinte foi a praia mais bonita de toda a travessia – Antiguinhos. A praia parece aquelas de filme, com areia branquinha e a água em tons esverdeados em dégradé.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No costão da esquerda, entrando no mar pelas pedras, rolava até um boulder, com um crash pad de água verdinha...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Continuando a trilha, logo chegamos à praia dos Antigos. Uma parada para admirar o visual e descansar um pouco, pois o sol era abrasador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A caminhada prosseguiu e depois de sair da praia dos Antigos voltamos a subir embaixo de sol, até chegar ao alto, de onde se tem a visão de toda a praia do Sono, que tem algumas casas, campings e já se vê um número razoável de pessoas, indicando que a travessia está próxima do fim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Descemos até a praia e tomamos um banho no rio que deságua lá. Como é longa, essa foi a faixa de areia que levou mais tempo para se cruzar, ainda mais com o calor que estava. O nosso amigo cachorro ficou por aqui, depois de caminhar quase o dia todo com a gente. A praia do Sono é a última dessa travessia e a visão do mar e dos barcos de camarão atracados já foi deixando saudades.

Partimos da Praia do Sono com destino a Laranjeiras, o trecho final da caminhada. Levamos mais ou menos uma hora para chegar à vila. Depois de três dias caminhando, esse finalzinho mostrou que já estamos cansados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Chegamos às 19h e pegamos o ônibus de volta à Paraty. Chegando lá, para nossa surpresa não havia mais passagens para São Paulo e tivemos que nos hospedar. Ficamos no Albergue da Juventude e depois de um merecido banho saímos para jantar e brindar à travessia, com cerveja bem gelada...

Ainda estava terminando de comer o meu peixe e o Fabião já “pescava” na mesa.

Fazia tanto calor que nem dormi no quarto. Meu negócio foi roncar numa espreguiçadeira na beira da piscina, até o sol bater na cara, no dia seguinte. Foi tomar café e ir embora.

 

Essa é uma travessia que, certamente, será feita novamente...

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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