Relatos

De Carro pela America do Sul (Etapa 3 - Expedição Austral)

De Carro pela America do Sul (Etapa 3 - Expedição Austral)
Expedição de automóvel feita pela família Bonagamba em 2005/6,
atravessando 4 países da América do Sul

 

22/12/2005 – São Bernardo – Medianeira – 1044 km

 

Saímos, morrendo de sono (dormi apenas 2 horas e a Inês nem dormiu), às 4:48 hs. Paramos em Ourinhos às 10:30 hs, em uma padaria para comprar refrigerante, e pedi copos descartáveis. Como estavam em falta, uma senhora falou que se eu esperasse, ela iria buscar em sua casa. Parece o pessoal de São Paulo...   

Deixamos Ourinhos às 12:30 hs, após almoçar na casa de nossa tia Alice. Chegamos em Medianeira às 21:30 e fomos comer uma pizza em seu bastante agitado centro, que por sinal, estava bem decorado para o Natal. Interessantes eram as placas de trânsito que indicavam “Fim do trecho com limitação de velocidade”. Dava vontade de pisar para ver se era verdade. Ficamos em um bom hotel (Parque Iguassu) de R$ 110 por R$ 100. A Inês dirigiu uns 200 km após Maringá. Foi um dia de muitos pedágios.

 

23/12 – Medianeira – Foz do Iguassu – 131 km

 

Para quem achou estranho, Foz do Iguaçu passou a ser chamada Foz do Iguassu no final de 2005. O primeiro passeio foi às Cataratas do Iguassu. Agora, com o novo elevador panorâmico ficou mais interessante. Na entrada do parque, há também um moderno museu interativo que mostra dados do meio ambiente e até um vaso cerâmico datado de 3800 a.C. Comemos um lanche e fomos à Ciudad Del Este. As lojas de informática estavam fechadas. Tivemos que nos contentar em comprar pequenas coisas na Casa China, uma das lojas confiáveis do lado paraguaio. Deixamos o carro do lado brasileiro e fomos de van (R$ 2 por cabeça) e voltamos de táxi (R$ 10). Quando voltamos ao estacionamento começou a ventar forte e em seguida a chover. Fomos ao Free Shop do lado argentino, onde não há grandes ofertas. Comemos pizza Hut e fomos ao hotel (Ilha de Capri – de R$ 170 por R$ 90).

 

 

24/12 – Foz do Iguassu – Corrientes – 674 km

 

Com o tempo melhor que o da véspera, atravessamos para o lado argentino com muita fila do lado da aduana argentina, mas com a vantagem que agora não é necessário descer do carro. Os atendentes, de dentro da cabine já realizam todos os trâmites. Também havia fila para abastecer o carro, em função do preço da gasolina se equiparar ao do álcool brasileiro (em São Paulo, que é mais barato do que em Foz). Tivemos problemas para sacar com o Visa Travel Money, que indicava cartão inválido. Contatei a central americana, mas não conseguiram resolver. Desistimos e trocamos dólares por pesos. Pegamos a carretera rumo a Corrientes. Nos primeiros quilômetros a polícia nos parou e solicitou documentos e a famosa carta verde, que já havia sido solicitada na aduana. Parece que sem este seguro não é mais possível trafegar na Argentina. Paramos em um parque provincial histórico, onde se localizam as fundações da primeira residência de Che Guevara. Local bonito que conhecemos com uma guia, através de um sendero (trilha) por entre a mata, que passa por uma bela cascata. A carretera antes de Posadas é bastante acidentada, passando por vários vilarejos, com muitos declives e aclives, por entre trechos de mata nativa. Entre Posadas e Corrientes a história é outra, um campo monótono extremamente plano e com predominância de pastos, em meio a pequenas lagoas e alagados. Chegamos a Corrientes antes do anoitecer e ficamos em um hotel no centro da cidade. Saímos rapidamente para comer lanche e pizza (a terceira em três dias). Voltamos e fomos visitar a Costanera, mas os fogos de artifício, que na Argentina são uma marca do Natal, estavam espalhados pela cidade. Voltamos rapidamente ao hotel onde a vista dos fogos era bem melhor.

 

 

 

25/12 – Corrientes – San Fernando de Catamarca – 907 km

 

Foi um dia marcado pela monotonia das estradas do norte da Argentina. Cedinho, passamos pela Avenida Costanera e havia vários jovens ainda comemorando o Natal. As estradas estavam muito bem conservadas até o entroncamento da ruta para Salta com a ruta para Santiago Del Estero. Daí até Santiago há diversos trechos com ondulações ou com buracos, sempre com pouco movimento e retas planas. Como ponto positivo podemos citar a presença de bonitas plantações de girassóis em grande parte do caminho. Em outros locais há apenas vegetação rasteira sem nenhum aproveitamento para agricultura ou pecuária. Em função das estradas tão planas, o consumo de gasolina neste trecho manteve média acima de 14 km/l. Em Santiago Del Estero paramos para saborear um delicioso sorvete. Seguimos adiante, pois ainda era cedo e, com a Inês ao volante por cerca de 200 km, enfrentamos algumas serras para chegar à San Fernando, que fica entre montanhas em um local muito bonito. A cidade é relativamente grande e possui boa estrutura. Ficamos em um bom hotel por P$ 80 (Grand Hotel). Dia de Cup Noodles muito devido ao cansaço e também em função de termos que acordar cedo no dia seguinte.

 

26/12 – San Fernando de Catamarca – San Juan de Jáchal – 707 km

 

Após tirar algumas fotos da cidade, partimos para La Rioja, onde rapidamente abastecemos e seguimos em direção aos parques. No caminho compramos um lanche (por volta das 11:15 hs) que foi a salvação, já que a região é bem desértica. Visitamos o Valle de La Luna, parque provincial e Patrimônio da Humanidade, que nos custou P$ 15 por pessoa (o preço para quem não é residente na Argentina é de P$ 25, mas choramos para pagar o preço de residentes). Um guia fica em um dos carros, sempre dos visitantes, que saem no mesmo horário programado (no nosso caso começou às 13 hs). Há cinco paradas programadas onde descemos do carro e temos as explicações geológicas e paleontológicas do guia. No caso o vale é um local único onde há fósseis do período triássico e até um fóssil de planta que se assemelha com uma pequena samambaia com 230 milhões de anos. No parque há diversas formações de pedras maiores equilibradas em bases mais finas, o que ocorre devido à camada inferior ser mais frágil e ter um desgaste natural mais rápido que a camada superior. Poderíamos ter visitado um pequeno museu anexo, mas como o tempo estava escasso para chegar ao Talampaya, pegamos rapidamente a estrada. Chegamos ao Parque Nacional de Talampaya por volta das 16:40 hs e pudemos realizar o passeio pelo canyon. Neste parque, também Patrimônio da Humanidade, deixamos o carro na recepção e seguimos no “Papamóvel” (Toyota 4x4 com cabine parecida ao do carro do Papa) pelo surpreendente e majestoso canyon do parque, vendo os petrógrifos e as estupendas paisagens deste pouco conhecido canyon. Valeu os P$ 12 pela entrada e P$ 25 pelo passeio por pessoa (realmente caro, mas com certeza cada centavo foi bem gasto). Saímos por volta das 18:30 hs e paramos em Villa Union. Ou a hospedagem era muito ruim ou o hotel era bom e muito caro (de P$ 180 por P$ 160). Resolvemos, às 20:00 hs seguir para San Juan de Jáchal. São mais 160 km no escuro, sendo os últimos 35 em rípio. Tudo isto nos provocou muita apreensão, principalmente após um novilho tentar atravessar a pista na nossa frente. Depois mais duas lebres. Ao chegar na cidade, conseguimos um hotel (El mejorzito, de acordo com um morador ou El uniquito como definido por mim). Conversando com o rapaz da recepção, ficamos sabendo que o paso para o lado chileno (que chega à La Serena) estava fechado, em função do acúmulo de gelo na parte próxima à fronteira. Ainda tivemos animo de ir à movimentada plaza por volta das 23:00 hs, tomar um gostoso sorvete. A cidade é sempre movimentada à noite por causa do forte calor dentro das casas. Bom para a dona da sorveteria. Achar um hotel a esta hora, só com a ajuda de Deus. A cidade, no mapa parecia ser bem pequena. Estávamos já pensando em dormir no carro. DICA DO DIA – O melhor, devido à luz solar, é iniciar bem cedo pelo Parque Nacional Talampaya (as visitas começam as 8:00 hs) e depois do almoço, visitar o Vale de La Luna, onde o pôr do sol é bem apreciado. Para isto, o melhor é fazer o passeio iniciando de Villa Union e dormindo em La Rioja.

 

 

 

27/12 – San Juan de Jáchal – Mendoza – 423 km

 

Este foi o dia mais tranqüilo até agora. Abastecemos e procuramos a Gendarmeria. Acabamos procurando-os na estrada e tivemos que voltar, pois a base fica na cidade. Confirmamos então que realmente o paso estava fechado. Seguimos para Mendoza, por carreteras muito bem conservadas. O único ponto negativo é a existência de muitas baldanas, que são depressões na pista para que, quando o degelo dos Andes se torna mais constante, os rios criados possam dar vazão através da carretera. Estas baldanas são de cimento para ter uma maior durabilidade à água. Chegamos em Mendoza às 13:00 hs e fomos almoçar no Shopping. Passamos a tarde procurando um hotel e acabamos ficando no mesmo de 2003, o Family Inn, por P$ 120, pois as outras opções estavam mais caras e o Íbis, pelo preço de P$ 69 era para duas pessoas. Para três, seriam necessários 2 quartos. No meio da procura por hotel, paramos em um posto YPF que vendia auto-peças e trocamos o farol baixo que havia queimado. Extra! Extra! Eram 18:00 hs quando eu estava descansando um pouco (na realidade dormindo bem profundo). Faltou força. Ouvimos forte barulho e abrimos as janelas. Estava ventando muito forte e começou a chover. A chuva aumentou e começou a cair granizo. Muito granizo. Pedras com mais de uma polegada da diâmetro encheram o chão, cobrindo todo o gramado e a rua dentro do hotel. Nosso carro estava em um local coberto por uma tela, mas ficamos preocupados com o estrago material na cidade, e principalmente com as pessoas que possivelmente estavam à rua. O calor anterior à tempestade estava realmente insuportável. Uma frente fria deve ter chegado muito rapidamente, provocando todo o estrago. Saímos, eu e o Érik, para comer sanduíches no Shopping, e pudemos notar o estrago da chuva. Vários pontos de inundação e diversos acidentes nas pistas. No Shopping, aproveitei para ligar para minha mãe e para nossos amigos chilenos, a família Berrios, para combinar de nos encontrarmos em Santiago.

 

 

 

28/12 – Mendoza – Santiago – 429 km

 

Após abastecer, pegamos a ruta 40 para o sul. Como estava demorando para chegar à ruta que seguiria para a fronteira com o Chile, através de Uspallata, na dúvida entramos em uma ruta secundária, que passa por parreiras e vinícolas, por uma estrada cercada por altas árvores. Local bonito. De volta à ruta correta, subimos os Andes e paramos em Puente Del Inca, local bastante interessante. Paramos também no Parque Provincial do Aconcágua, onde fizemos uma caminhada até um local com uma vista do majestoso pico, que, depois dos picos do Himalaia, é o mais alto do planeta. Atravessamos o túnel do Cristo Redentor, chegando ao Chile. Alguns km adiante passamos pela aduana integrada Argentina/Chile. Demoramos cerca de 1:30 hs para realizar os trâmites. Chegamos em Santiago às 18:00 hs após parar para um lanche rápido no posto Copec. Fomos direto ao mesmo hotel que ficamos na última vez, o Monteverde, no Bairro de Bela Vista (23.500 Pesos). Tomamos banho e fomos visitar nossos amigos. A avenida estava bastante congestionada. Chegamos à sua casa às 20:30 e só fomos sair às 1:30 h, direto para o Hotel. Ficamos sabendo que entramos em uma avenida nova (atravessa a cidade por túneis) que tem um sistema eletrônico de pedágio e que nosso carro deveria ter sido multado.

 

29/12 – Santiago – Chillan – 461 km

 

Cansados, acordamos tarde, quase 9:00 hs. A Inês e o Érik ficaram descansando e eu fui à pé ao centro de Santiago para trocar os travellers checks por Pesos e resolver o problema do pedágio eletrônico. São quase 2 km ao centro. Chequei as cotações e troquei US$ 500, limite máximo do local, em um lugar (a $ 507) e US$ 300 no outro (a $ 503). Consegui comprar o passe do pedágio eletrônico para hoje e para o dia anterior. O único problema é que o sistema só registra placas com 6 dígitos. O pessoal da loja (Servipag) registrou com uma letra a menos e ficou de enviar um email aos responsáveis pelo sistema para regularizar nosso carro. Deram também o telefone da loja para caso eu tivesse algum problema. Ao meio-dia saímos do hotel e fomos a um novo shopping. Fizemos compras, almoçamos e acabamos saindo rumo ao sul quase 17:00 hs. Chegamos a Chillan após as 21:00 hs ainda com sem ter escurecido. Ficamos mais de uma hora procurando um hotel razoável por preço idem. No final pagamos $ 26.000 por um quarto limpo e espaçoso. No centro da cidade estava havendo um comício da candidata a presidente, Bachelet, favorita nas pesquisas.

 

30/12 – Chillan – Curacautín – 322 km

 

Acordamos tarde e saímos às 10:00 hs. Novamente pela Ruta 5 – Panamericana – tomamos rumo ao sul. Paramos nos Saltos de Laja, bonita e surpreendentemente grande cachoeira. Tivemos alguns problemas com marimbondos, mas não chegaram a nos morder, talvez pelo nosso forte repelente. Ao sul de Los Angeles, após comermos um lanche num posto Copec, pegamos uma estrada de rípio, rumo ao interior (Parque Nacional de Tolhuaca), onde paramos para umas fotos. Não foi uma opção muito boa, pois os 95 km de rípio não são compensados pela beleza do local. Antes de chegar ao parque, tivemos problemas com longas subidas com muitas pedras soltas, que fizeram o carro perder tração e termos que voltar de ré para iniciar a subida novamente. Se tivéssemos ido pela rodovia asfaltada para Curacautín, chegaríamos bem antes e já seguiríamos para próxima etapa. Chegamos às 17:00 hs e tivemos que parar num hotel, pois estávamos muito cansados e com dor de cabeça. Hotel novo e bom, com preço razoável. Demos uma volta a pé pela cidade e comemos lanches que havíamos comprado no caminho. O Érik foi a uma lan house.

 

31/12 – Curacautin – Púcon – 244 km

 

Tudo começa mais tarde por aqui. Descemos para o café as 8:15 hs e a Dona Inês que trabalha no hotel achou que madrugamos. Ficamos um bom tempo conversando com ela durante o café, sobre a tranqüilidade da cidade em contraposição com a violência de cidades maiores como Temuco, onde moram seus familiares e como roubaram todos os brinquedos e roupas de seu neto de 3 anos. Saímos quase 10:00 hs, mas não havia pressa, pois o tempo estava bem fechado, pelo menos até as 11 hs. Pegamos a estrada, de rípio, a caminho de Púcon, mas cruzando o Parque Nacional Conguillio. Este sim, muito mais encantador que o de ontem. O caminho dá uma volta ao redor do vulcão Lhaima (3125 m), passando por um mirante que fica sobre as pedras de uma das 3 grandes erupções registradas a partir do século 17 (1640, 1751 e 1957). É um rio de magma que se estende por quilômetros a partir do vulcão. Pelo painel, estávamos sobre o magma de 1957. Há lagos em vários locais do parque, cercados de bosques e picos nevados. Muito bonito. Recomendo a todos que forem para a região dos lagos.

 

 

Paramos na cidade de Cunco e compramos pães, frios e bebidas para um lanche. Depois tomamos sorvetes. Novamente por estradas de rípio e um pouco de asfalto, seguimos para Villarica e Púcon. Subimos à estação de esqui para tirar fotos mais próximas do vulcão Villarica, no Parque Nacional homônimo. Quando as nuvens permitem, é possível observar uma fumarola saindo constantemente da cratera do vulcão. Tentamos visitar as cavernas vulcânicas que ficam próximas, mas estavam fechadas. Descemos então para Púcon e escolhemos uma interessante e confortável hosteria. Saímos para ver lojas e tirar fotos. Fui a uma lan house responder alguns emails e a Inês e o Érik ligaram para o Brasil. Voltamos para tomar um banho e saímos para ver os fogos, espetáculo muito bem produzido, uma vez que no Chile é proibido soltar fogos se não for através de empresa especializada. Púcon é realmente uma das mais bonitas e agradáveis cidades chilenas.  

 

 

01/01 – Púcon – Castro – 537 km

 

O dia começou frio e nublado. Seguimos para Villarica onde compramos mantimentos para lanche em um supermercado. Foi uma boa idéia, visto que quase não haviam opções abertas para refeições ou lanches. Fomos por estradas secundárias, passando por mais dois lagos, Calafquen e Panguipulli, em meio ao tempo não muito animador e ruim para fotos, chegando à Panamericana (duplicada até Puerto Montt) em Los Lagos. Entramos rapidamente em Osorno, e tiramos fotos da praça, muito bem cuidada, com bonitas flores. Pegamos a balsa para Chiloé e seguimos até sua capital, Castro. Cidade pitoresca com suas casas de madeira, muito bem pintadas em um colorido chamativo. Tiramos fotos da Iglesia de San Francisco, de madeira e Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco. Outras atrações interessantes, as quais tiraremos fotos amanhã, se Deus quiser, são as palafitas. Ficamos em um hotel, de madeira, caro, mas razoavelmente confortável. Está frio.

 

02/01 – Castro – Puerto Varas – 287 km

 

Pela manhã, após um bom café da manhã, no bonito e bem arrumado restaurante do hotel, tiramos várias fotos das coloridas palafitas. Algumas delas chegam a ser bem charmosas. Tiramos também mais algumas fotos da Iglesia de San Francisco, pois o tempo estava mais ensolarado. Pegamos a ruta 5 rumo ao norte, mas desviamos em dois pequenos e charmosos povoados, Dalcahue e Quemchi, ambos com igrejas de madeira, sendo a de Dalcahue também Patrimônio Cultural da Humanidade. Ao cruzar de balsa o canal Chacao, vimos diversas focas ou lobos-marinhos (difícil de distinguir à distância), pulando e mergulhando. Chegamos a Puerto Montt pela tarde, almoçamos um excelente Salmão em um restaurante no Posto Esso e visitamos a cidade, sua praia, o shopping e o mercado de produtos artesanais Angélmo. Final de tarde, nos dirigimos para Puerto Varas, chegando a tempo de tirar algumas fotos do Lago Llanqihue com os vulcões Calbuco e, talvez o mais bonito do Chile, Osorno. Na oficina de turismo fomos nos informar sobre os ferries da Carretera Austral e um deles tem trajeto longo e o preço nos assustou ($ 84.700 – sendo $ 9400 por pessoa e $ 56.500 pelo carro – ou US$ 167 – ou R$ 411).  Escolhemos um bom hotel, por $ 26.000, passamos pelo Centro para comprar mantimentos para enfrentar a Carretera Austral e para o Érik comer uma pizza. Para quem quiser se aventurar pela Carretera Austral, o endereço da Naviera Austral é Avenida Angelmo 2187 – Puerto Montt – Telefones: 65-270430 / 431 / 432, a partir das 9:00 hs.

 

 

 

03/01 – Puerto Varas – Purto Varas – 101 km

 

Fomos rapidamente para o escritório da empresa Naviera Austral que opera o ferry-boat. O escritório fica ao lado da Feira de Angélmo, em Puerto Montt. Não havia como comprar a passagem para o mesmo dia. Deveríamos seguir ao local, cerca de 100 km ao sul, em sua maioria por estradas de rípio, e atravessar outro ferry, este em trajeto muito menor. Não havia garantia que haveria lugar no ferry e não há hospedagem em Hornopirén. Se comprássemos a passagem direto no ferry também não seria possível pagar com cartão de crédito. Resolvemos então comprar as passagens para o dia seguinte. Passeamos nas lojas de outro shopping de Puerto Montt, almoçamos e fomos passear pela estrada ao sul ao leste de Puerto Montt, onde observamos patos de pescoço negro e golfinhos. Voltamos à Puerto Varas, procurando um local que pudéssemos tirar fotos com vista da igreja e vulcão Osorno ao mesmo tempo. Achamos no meio de um belo condomínio de casas pré-fabricadas estilo canadense (estrutura metálica e paredes de um material semelhante ao gesso). A corretora nos mostrou a casa e disse que este material é melhor que as casas de madeira para uma região onde há muito vento e frio. Depois andamos bastante pela cidade, sendo que o Érik ficou na Internet. Pela tarde começou uma chuva que só foi piorando e durou toda a noite (e como veremos adiante, quase a semana toda!!!). Voltamos ao mesmo hotel do dia anterior.

 

04/01 – Puerto Varas – Chaiten – 190 km

 

A chuva continua. Acordamos cedo e tomamos o café, bem caprichado, feito pela Sra. Ingrid, alemã e simpática proprietária do hotel, logo no primeiro horário, com medo de perder o ferry. Decidimos então seguir pelo caminho via Puerto Montt, mas que levaria a mais uma travessia de balsa, embora em um trajeto curto. A outra opção, seria a volta pelo vulcão Calbuco, seguindo o rio Petrohue e passando pela Reserva Nacional Llanquihue, foi descartada em função do mau tempo, que não nos permitiria ver as prováveis belezas deste trajeto. Em Pueto Montt pegamos a tão esperada ruta 7, a carretera Austral, ainda em área bem habitada e chegamos em La Arena em torno de 10:00 hs e o ferry estava quase saindo. Era um ferry pequeno onde devem caber uns 6 carros. No trajeto passamos por uma bela cachoeira que cai diretamente ao mar e logo em seguida, por uma colônia de lobos-marinhos. Um belíssimo fjord, um lugar realmente lindo. Do outro lado, chegamos a Puelche e seguimos pela Carretera Austral por mais 54 km até Hornopirén. Chegamos cedo, o que nos permitiu uma deliciosa refeição de salmão e merluza no pequeno mas bem preparado e movimentado restaurante ao lado da rampa do ferry e depois ficamos aguardando sua chegada. A viagem de ferry começou às 15:00 hs e como o tempo não havia melhorado, as paisagens não estavam muito atraentes. Assistimos Rambo no DVD da pequena área de descanso e depois, sob efeito do chacoalhar, que provoca um certo desconforto, fomos dormir no carro. Acordados pelo Érik, estávamos dentro do fjord Reñihue, já próximos ao destino final, Caleta Gonzalo. Lindo, mesmo com neblina foi possível ver cascatas no alto das montanhas, que deságuam direto no Oceano. Quase atrasamos a saída do carro ao ficar olhando as belezas do local. Na travessia conhecemos um rapaz, que trabalha na ONG Fundação Boticário, com sua filha de 9 ou 10 anos, este sim, numa verdadeira aventura, em trajetos de ônibus e acampando pelos parques Nacionais do Chile. Pegamos novamente a Carretera Austral por volta de 20:00 hs, uma hora antes do horário previsto de chegada, o que foi excelente para que pudéssemos seguir adiante ainda na claridade do dia. A estrada é linda, passa por vegetação bem fechada e alta, em meio a riachos, cachoeiras e morros bem escarpados. Renderia boas fotos se fosse mais cedo e com tempo mais ensolarado. Toda a área ao Sudeste de Hornopirén e ao redor de Caleta Gonzalo pertence a um empresário americano que as comprou e transformou no Parque Pumalin, em 1997. Foi um projeto bastante ousado e bem criticado na época pelos mais nacionalistas, mas, aparentemente, já está sendo bem aceito pelos chilenos. O medo é o mesmo que temos de perder a Amazônia para os americanos, mas acho que a intenção, neste caso, é das mais nobres. Chegamos em Chitén as 21:30. Procuramos até achar um bom hotel por $ 25.000. Não estava muito fácil. E continua chovendo. Se Deus quiser, amanhã melhora.

 

 

05/01 – Chaiten – Coyhaique – 453 km

 

Este foi o dia da Carretera Austral. Demoramos a sair, pois choveu forte durante toda a noite e faltou força. Não estávamos animados a sair com chuva, mas foi inevitável. Não conseguimos abastecer, pois as bombas não funcionavam pela falta de energia. Os primeiros 24 km foram no asfalto, em meio a diversas montanhas, com dezenas de cachoeiras brotando de seus supostos topos (na maioria das vezes a neblina encobria a vista do topo). Nos primeiros quilômetros do rípio surgiu um alagamento em cerca de 100 metros de pista. Esperamos um pouco e surgiram outros carros que também estavam receosos em atravessar. Apareceu então uma pick-up do outro lado que atravessou. Percebemos que a parte mais profunda deveria ter cerca de 30 cm. Atravessamos todos, sem problemas.

 

 

A seguir, já com sol, atravessamos o Rio Yechio, em uma ponte suspensa, com uma bela visão do lago Yechio, paisagem que começava a se assemelhar com os lagos das Montanhas Rochosas Canadenses. Paramos para abastecer e comer lanches em La Junta e entramos a seguir no Parque Nacional Queulat, um lugar muito bonito, principalmente quando o sol aparecia. Diversas corredeiras, lagos, montanhas e o fjord Queulat propiciaram boas fotos e filmagens. Uma interrupção de 25 minutos ocorreu logo antes de Puyuhuapi, quando os carabineiros solicitaram que todos esperassem a chegada de um cortejo fúnebre em um cemitério a beira da estrada. Nossa próxima parada foi no Ventisquero Colgante, um lindo glaciar no alto de uma montanha, que gera uma forte cachoeira, que por sua vez, cai em um belo lago verde claro. As águas deste lago e de um rio próximo se encontram em uma forte corredeira. Para chegar ao lago, é necessário fazer uma caminhada de 600 metros, que passa sobre a corredeira, através de uma longa ponte pênsil. Custa $ 3000 por adulto (US$ 6) e $ 1000 por criança (US$ 2). Além desta caminhada ao lago, há outra mais curta (150 metros) para um mirante de onde se tem uma bonita vista do glaciar.

 

 

Voltamos a carretera, que estava muito boa até este local. Daí em diante, aparentemente as obras que visam alargar e, talvez, asfaltá-la, deixaram-na em mau estado. Foram cerca de 80 ou 100 km de vários buracos. Já estava começando a anoitecer, chegamos ao asfalto, onde rodamos mais 120 km em meio a belas montanhas, altas e bem escarpadas. Chegamos bem tarde em Coyhaique, depois das 22:00 hs e foi bem difícil achar hotel, sendo que quase todos estavam lotados. Conseguimos um razoável para ruim por $ 20.000. Algumas considerações sobre a carretera Austral – o traçado e o rípio são melhores que, por exemplo, a ruta para o Parque Nacional Tolhuaca, ou as travessias de San Pedro de Atacama para o Noroeste argentino – Há locais de natureza praticamente intocada, onde a carretera se torna mais estreita e a mata é bem fechada, quase invadindo novamente a carretera, e outros locais onde já há forte devastação, com queimadas e pastos – Em grande parte da carretera já existem diversos sítios, ou seja, a sua função inicial já obteve êxito, o povoamento da região ao sul de Pueto Montt, para evitar, no ponto de vista dos militares, a invasão da região pela Argentina. Mas temo que a povoação indiscriminada possa causar forte impacto ambiental.

 

06/01 – Coyhaique – Cochrane – 362 km

 

Demoramos tanto para sair que foi possível pegar a feira de artesanato no centro da cidade abrindo. Deu tempo de dar uma visitada e partir adiante. Os primeiros 100 km são de um asfalto de dar inveja. Passamos por vales verdejantes em meio a criações de gado, paisagens verdadeiramente Suíças. No início altas montanhas, que começaram a escassear. Achávamos que daí para frente a paisagem seria mais monótona. Engano. Estávamos em um planalto e começamos a descer a serra até Cerro Castillo, outro local cercado por altos picos. O asfalto então acabou e vimos uma placa de inscrições rupestres. Entramos (2,5 km de rípio ruim). Paramos na central de visitantes e não havia ninguém, mas a trilha está aberta e seguimos adiante. Há diversos desenhos de mãos, tanto em negativo (pintado em volta) quanto em positivo (pintado pela mão). Até então o tempo estava bom. Cruzamos uma grande expedição de carros e motos do Brasil, que haviam descido até Los Glaciares e estavam subindo a carretera. O tempo então começou a piorar, variando bastante. O que mais impressionava eram as cores dos lagos e rios com grandes variações tonais entre o azul e verde. Paramos em Puerto Tranquilo as 16:30 hs para um passeio de barco de 1:30 hs pela Capilla de Marmol (capela de mármore), umas formações de mármore em uma das bordas do Lago General Carrera. Há uma enorme quantidade de cavernas e formações erodidas e polidas pelas águas do lago, possuindo um formato singular. Vale os $ 20.000 cobrado. O único porém foi a forte chuva que pegamos durante quase todo o passeio.

 

 

Quando chegamos o tempo estava bom, mas começou a chover durante os preparativos para saída. Mais a frente, novamente na Carretera, uma ponte em construção atrasou uns 20 minutos nossa jornada. Chegamos em Cochrane por volta das 20:00 hs e não havia local disponível para acomodação. Tentamos em uns 10 locais. Quando já estávamos quase convencidos em dormir dentro do carro em um camping (estava chovendo o que dificultaria armar a barraca), tentamos o último local que havia sobrado. Neste local não havia quarto disponível, mas indicaram uma última hospedagem, a qual não havíamos visto. Foi a salvação. Tudo muito improvisado, mas bem melhor que dormir sentado no carro. Quem indicou esta hospedagem foi um chileno que havia morado no Brasil, Carlos.

 

07/01 – Cochrane – Chile Chico – 457 km

 

A idéia era sair bem cedo. Para isto acordamos cedo e fomos direto ao café. O Carlos desceu e também foi tomar café conosco. Foi um tempão de um bom papo. Embora tenha morado no Brasil somente 3 anos, já é mais brasileiro do que muitos. Jogou volley na seleção do Chile e hoje trabalha para o Governo, em desenvolvimento da região sul. Um cara realmente muito simpático e bem extrovertido. Deu um CD de um músico amigo ao Érik, e nos indicou um novo paso para Argentina, próximo à Vila O’Higgins, final da carretera Austral, pedindo que passássemos nos Carabineiros para checar se estava aberto. Foi o que fizemos e ficamos sabendo que faltam 2 quilômetros para finalizar esta ruta. Seguimos então para Puerto Yungay, que seria nosso destino final na carretera Austral, uma vez que para Vila O`Higgins é necessário atravessar em balsa para completar os 100 km finais e a balsa só atravessa 3 vezes ao dia, sendo necessário reservá-la no posto de Carabineiros em Cochrane. Achamos desnecessário este trecho final. Novamente o tempo chuvoso das primeiras horas melhorou no decorrer do dia e piorou mais tarde, mas foi o suficiente para belas fotos de lindos rios, lagos e montanhas, além da própria carretera, que por vezes passava em meio a bosques e por outras vezes ao lado de bonitos precipícios. Faltavam 30 quilômetros para Puerto Yungay e surgiu uma placa com 30 km à esquerda para Yungay e 22 km para direita para Caleta Tortel. Olhamos em nosso guia Turistel e resolvemos mudar o itinerário para Caleta Tortel. Bonita vila, fica no final do rio Baker, o de maior volume d’agua no Chile e no meio de fjords com saída para o Pacífico. No final da ruta há um grande pátio onde todos estacionam e vão à pé para Vila. Do alto é possível admirar toda a beleza de Caleta Tortel em meio às águas verde claras do Rio Baker. Todas as casas são interligadas por passarelas e escadarias suspensas de madeira. Não há ruas. Desci ao nível do mar para tirar algumas fotos. Fizemos um lanche e voltamos. Pegamos novamente a Carretera, rumo a Chile Chico ou Perito Moreno (Argentina). Encontramos um casal de brasileiros de Cotia, perdidos em Cochrane, em sua Land Rover, com destino ao norte. Indicamos a direção e seguimos adiante. Saímos da Carretera Austral rumo a Chile Chico, quando chegamos a região do Lago General Carrera. Aí a estrada piorou. Imaginem uma enorme serra caindo quase verticalmente no lago por quase uma centena de quilômetros. A estrada foi talhada na pedra. Perigosa e lenta, pois são várias subidas e descidas, com muitas pedras caídas no meio da pista. O rípio é duro e a grande maioria do percurso apresenta ondulações na pista que fazem os amortecedores e molas trabalharem bastante. No final da serra, chegamos a Chile Chico e o tempo ficou ensolarado, afinal estamos saindo de uma zona de floresta sub-tropical e entrando em um clima quase desértico. Novamente hotéis lotados pois a cidade vizinha na Argentina abriga um festival de cerejas e os turistas acabam procurando hotel do lado chileno. Conseguimos um razoável com banheiro coletivo por $ 18.000. Fomos jantar salmão. Depois fui à internet para enviar email para minha família que deveria estar preocupada, pois estamos tentando ligar a alguns dias e não estamos conseguindo.

 

Sobre a Carretera Austral – Depois de 4 dias e 1075 quilômetros rodados (e mais 175 no retorno), acho que podemos ter uma visão do que é a Carretera. Difícil é definir uma ruta que apresenta tantas variações em cada pequeno trecho. O rípio é por vezes algo parecido com asfalto, outras vezes bem macio, mas no momento seguinte é todo ondulado e duro. A vegetação varia do mangue ao bosque sub-tropical, passando por pastos, mata fechada e locais quase desérticos. Os rios e lagos a cada momento mostram uma nova tonalidade de azul, verde ou mesmo preto. Tudo mudando em um ritmo frenético, muito longe do monótono. Trechos muito largos também se alternam com curvas fechadas e bem estreitas e seja o que Deus quiser. Só duas coisas são constantes, a falta de estrutura ampla ao turismo e os preços altos. Mas não se assustem, não chega ser necessário dormir no carro. Também não é necessário ir com um jipão 4x4. O nosso Adventure se comportou bem, mesmo com forte chuva, afinal o rípio com chuva é 10 vezes melhor que estradas de terra com chuva.

 

 

08/01 – Chile Chico – Gobernador Gregores – 530 km

 

Ao levar as malas ao carro, vejo o pneu traseiro esquerdo furado. De novo, dois anos depois, também no Chile, o mesmo pneu. Enchi com nosso prático e pequeno compressor. Fomos à Aduana e, do lado chileno, a funcionária me disse que o documento de importação temporária do automóvel deveria ter duas vias e só havia uma. Sendo assim ela tirou uma cópia, assinou e me passou para que não tivesse problemas na Argentina. Mesmo assim, falou que qualquer problema, ligassem para ela. Do lado argentino foi mais tranqüilo. Após conversarmos sobre futebol, um dos funcionários da Gendarmeria me pediu carona até Perito Moreno. Passamos para a etapa da aduana, onde expliquei o problema do documento e a resposta foi simples – O Brasil é um dos países do Mercosul e não precisamos deste documento para entrar na Argentina, nosso trânsito é livre. Levamos o funcionário para Perito Moreno, antes passando em Los Antiguos, agitada pela festa da Cereja. Em Perito Moreno consertamos o pneu do carro, que apresentava um furo causado por uma pequena e pontiaguda pedra de origem vulcânica. Mais uns 15 km de asfalto e entramos no rípio. Numa região semi-desertica e mais plana, a ruta 40 que atravessa o país do Norte ao Sul, acompanhando os Andes, apresenta um rípio, no geral, mais macio e fácil de guiar que o rípio da Carretera Austral. Passamos pela entrada do Cueva de Las Manos, Patrimônio Cultural da Humanidade, mas a placa indicava 20 km + 2 km de trekking difícil. Seguimos 60 km adiante e entramos na entrada principal, onde praticamente retornaríamos quase 50 km. No problem. Chegamos por volta das 14:00 hs ao local. Um lindo canyon, com o centro de visitantes, recém inaugurado e ainda sem serviços básicos, como lanchonete, ocupando uma posição de destaque, quase no topo do canyon. Má notícia. Fomos informados que há somente visitas guiadas de 2 em 2 horas e a próxima seria às 15:00 hs. A boa notícia é que os boletos de estrangeiros haviam acabado e pagaríamos P$ 5 ao invés de P$ 15 por pessoa (P$ 5 é o preço para residentes da Província, P$ 3 para residentes nas cidades próximas e P$ 7 para os demais argentinos). Avistamos a outra entrada e realmente a opção foi boa. Se fizéssemos o outro caminho, teríamos que atravessar todo o canyon na ida e na volta, subindo-o e descendo-o por duas vezes. O local é muito bonito e as pinturas rupestres e das mãos são bastante interessantes. Eu nunca havia visto tantas pinturas juntas. Ouvimos todas as explicações das 3 fases de pinturas e das hipóteses de como os habitantes caçavam guanacos, há mais de 7 mil anos. Só estranhamos o fato do guia finalizar as explicações e solicitar que ninguém atravessasse as cercas, não jogassem lixo e que poderiam ficar olhando e tirando fotos. Ele foi o primeiro a voltar ao centro de visitantes. Ficamos preocupados se todos teriam consciência na preservação. Paramos em Bajo Caracoles para comprar lanches, colocar um pouco de combustível e checamos os preços do caro e desprovido hotel. No bar, conhecemos um casal de brasileiros. Eles estavam voltando de Ushuaia. Trocamos informações, emails, telefones e seguimos até Gobernador Gregores, onde ficamos em uma excelente cabaña por P$ 100.

 

 

09/01 – Gobernador Gregores – El Calafate – 627 km

 

É quase1 h da manhã e estou no carro ao lado da barraca de camping fazendo o diário. De manhã conseguimos dar uma arrumada geral no carro. Erramos o caminho na saída de Gobernador Gregores, mas logo corrigimos o erro. A ruta secundária que nos leva até a Ruta 40 é excelente. Cheguei, sem perceber, a 110 km/h. Diversos animais atravessavam a pista, incluindo guanacos, zorros e vizcaias (lebres). Pegamos a ruta 40 e, logo após Três Lagos, havia asfalto novo, que nos levou até 10 km antes de El Chaltén. Linda visão do lago e dos enormes picos, incluindo o Fitz Roy e o glaciar Viedma.

 

 

Em El Chaltén paramos no escritório de informações turísticas e fomos ao glaciar Huemul, uma caminhada de 2 km com desnível de 220 metros. Eu e o Érik subimos para ver um lindo lago no alto, com uma montanha do outro lado e um glaciar pendurado no meio. Do nosso lado, uma cachoeira. Lugar maravilhoso, que já havíamos visitado em 2001.

 

 

De lá, paramos em Chaltén para checar preços de hotéis. Tudo muito caro. Seguimos para El Calafate. No caminho, encontramos um casal de brasileiros fazendo a mesma expedição, mas em sentido horário. Trocamos informações, email e telefone e seguimos. Chegamos em Calafate após as 22:00 hs. Hotéis caríssimos, acima de P$ 160 e nos que ainda havia vaga, em torno de P$ 200. A solução foi o camping. O Érik resolveu dormir no carro e eu estou indo agora para a barraca. Tudo isto após uma pizza muito boa e, surpreendentemente barata (P$ 16). Boa Noite.

 

 

10/01 – El Calafate – El Calafate – 178 km

 

Muito cedo acordamos e fomos direto ao Aventuras e Hielo, onde chegamos por volta das 7:30 hs para garantir lugar no caro passeio chamado Minitrekking. Sai P$ 210 por pessoa e mais a entrada para o parque (P$ 30 para estrangeiros). A Inês resolveu não ir por conta das fotos onde haviam pessoas pulando fendas de gelo. Compramos os tickets e fomos ao YPF tomar o café da manhã. O passeio foi bastante interessante. São 5 horas no total. Atravessamos o lago em um barco veloz e caminhamos 100 metros até o abrigo, onde há banheiro e um local para deixar os pertences. Caminhamos mais 500 metros até a entrada do glaciar Perito Moreno. Colocamos os gampones (estrutura metálica com pinos que fincam no gelo) nos tênis e iniciamos a caminhada. São 3 guias para cada grupo e no nosso horário haviam 2 grupos (inglês e espanhol).

 

 

A caminhada não é muito difícil depois que nos adaptamos aos grampones. Os locais por que passamos são maravilhosos. Diversas pequenas fendas de um azul muito forte e várias cursos d’agua internos e externos ao glaciar estão presentes durante todo o percurso. Há explicações sobre a formação do glaciar. Interessante é que este é um glaciar considerado estável, pois cresce o mesmo que derrete. Muito em função de sua posição, que acaba dividindo o lago Buenos Aires em 2. No inverno o glaciar chega à península e impede a passagem de água entre os dois pedaços do lago. Como a parte sul só recebe água e não tem saída, o seu nível eleva-se. No verão, a força d’agua acaba rompendo este pedaço de gelo, e é quando temos o espetáculo mais esperado, quando toda esta estrutura de mais de 50 metros de altura cai sobre a água. Terminado o passeio, fui ver um pouco mais do glaciar nas passarelas que ficam bem em sua frente. Voltamos a cidade, troquei dólares por Pesos argentinos e por Pesos chilenos e fomos passear no movimentadíssimo centro. Comemos massa e pizza, para variar. Fomos também à internet.

 

 

11/01 – El Calafate – Torres Del Paine – 501 km

 

Demoramos em pegar a estrada neste dia. Combustível e café da manhã, depois de desarmarmos a barraca, foram os motivos para a demora. Saímos de El Calafate após as 10:00 hs. Errei o caminho. Fui seguindo o asfalto e acabamos chegando em Rio Turbio, num paso muito ao sul, atravessando para o lado chileno já em Puerto Natales. O outro caminho levaria a um Paso bem mais próximo de Torres Del Paine, economizando cerca de 150 km, com a desvantagem de rodarmos mais por rípio, mas com uma aduana bem menos movimentada. Em Natales compramos mantimentos e fomos às Torres. Chegamos por volta das 18:00 hs, pagamos a entrada ($ 10.000 por adulto e somente $ 500 por crianças). Ficamos no Camping de las Torres, por $ 3500 por adulto. Boa estrutura. Bom banheiro, num lugar fabuloso. Fizemos um pic-nic. Estou dentro de nossa barraca Iglu da Coleman (3 metros x 3 metros), escrevendo este diário.

 

 

12/01 – Torres Del Paine – Puerto Natales – 274 km

 

Pela manhã, seguimos até as principais atrações. Fotografamos rapidamente o maciço rochoso que fica a frente das torres, a partir do lago Nordenskjold e fomos realizar uma pequena caminhada de 500 metros ao Salto Grande, uma linda cachoeira, bem à frente das torres e do Cerro Paine (o mais alto, com mais de 3.000 metros de altura).

 

 

A temperatura ambiente, as nuvens sobre o maciço e tudo que se relacionasse com o clima, variava intensamente e em períodos de tempo muito curtos. Tudo em função dos fortes ventos. Na volta da caminhada do salto Grande, fui cumprimentado por um homem com boné da Varig. Respondi em português e acertei. Ele era piloto aposentado, e seu filho, piloto na ativa, ambos da Varig. Pessoal muito legal. Ficamos conversando por mais de uma hora. Eles estavam de ônibus e seguiriam para Puerto Montt, de onde atravessariam a Carretera Austral de bike. Trocamos muita informação e os emails. Fomos então ao centro de informações, onde fizemos um lanche no carro. Em seguida, lago Grey. Ao chegar estacionei ao lado de um Peugeot brasileiro, que também estava estacionando. Placa de Campinas. Cumprimentei-os e o rapaz perguntou de onde eu era. Quando respondi, ele falou que nasceu em São Bernardo. Nos olhamos melhor e percebemos mais uma grande coincidência, era meu antigo vizinho, o Adilson, que estava fazendo caminho inverso. Tiramos fotos juntos. Caminhamos bastante contra ou a favor de um vento muito intenso. O lago Gray recebe grandes icebergs, provenientes do Glaciar Gray. São pedaços que chegam bem próximos à praia onde caminhamos. Os pedaços de gelo são bem azuis. Da praia é possível ver o glaciar, embora a distancia seja bem razoável. Novamente no centro de informações, questionei se a saída para Puerto Natales, através do Rio Serrano estaria aberta, e nos informaram que ainda estava em construção. Fomos ao Camping e nossa barraca estava toda dobrada com pedras sobre ela. Um rapaz veio nos avisar que ela havia voado com os fortes ventos e ele a segurou e dobrou. Agradecemos e recolhemos rapidamente a barraca e tudo que havia dentro dela e fomos ao carro, pois estava começando a chover mais forte. Combinamos, sem convencer ao Érik, de dormir no carro. Como ainda era 20:00 hs, estava muito difícil dormir. O banheiro estava longe. Resolvemos seguir até Cerro Castilho para conseguir um lugar melhor para dormir. Lá só havia uma estância, cujo custo era de US$ 75. Pneu dianteiro esquerdo quase no chão. Enchi e seguimos para Puerto Natales. Ao chegar no asfalto, tivemos que enchê-lo novamente. Chegamos em Natales quase meia-noite e após uma rápida procura (os dois primeiros estavam bem caros), achamos um bom hotel por $ 20.000.

 

 

13/01 – Puerto Natales – Punta Arenas – 332 km

 

Acordamos tarde, em função do cansaço do dia anterior. Arrumamos o pneu e demos uma volta pela cidade, que cresceu bastante desde 2001. Compramos alguns mantimentos e consumimos na viagem. Cerca de 25 km antes de Punta Arenas, entramos na pinguineira Seno Otway (US$ 6 ou $ 3.500 – escolhemos pagar em dólares, pois a tabela foi definida já há algum tempo e o dólar esta caindo no Chile), um dos melhores locais para observação de pingüins que conhecemos. Uma passarela, com cerca de 1 km, passa por toda a pinguineira, onde podemos observá-los bem de perto. Em 2001, fomos em Dezembro e os filhotes estavam quase todos dentro das tocas. Agora, em Janeiro, já ficam fora e são quase do tamanho dos pais. Um passeio muito legal. Infelizmente a câmera do Érik travou durante este passeio. Da rodovia principal, o trajeto tem cerca de 70 km ida e volta, por carretera de rípio em bom estado. Passamos na Zona Franca para dar uma olhada nas lojas. Escolhemos um hostal muito bom, por US$ 50.

 

 

14/01 – Punta Arenas – Punta Arenas – 38 km

 

Este foi o dia mais tranquilo da viagem, ou ao menos o dia em que menos estivemos na estrada. Acordamos tarde e fomos até a empresa Transbordadora Austral, que opera os ferries até Porvenir. Mesmo chegando às 10:00 hs, não havia vaga para o dia seguinte. Deveremos então seguir para Primeira Angostura (o que seria o primeiro estreito do Estreito de Magalhães). Fomos à Zona Franca, ao mirante da cidade e ao centro. Não há grandes narrativas para este dia. Agora vou assistir Boca x River.

 

15/01 – Punta Arenas – Ushuaia – 656 km

 

Mais um dia de estrada. 180 km até a balsa. A travessia foi ruim. O vento estava muito forte e a balsa balançava muito. Depois da balsa, a estrada segue por um território muito plano até chegar até as aduanas. Alguns quilômetros antes de chegar a aduana chilena, há um entroncamento com a carretera que vem de Porvenir. Um carro que vinha de Porvenir entrou bem na minha frente em alta velocidade. Uma pedrinha atingiu o pára-brisa e temos um pequeno trinco de recordação da Terra do Fogo. Na aduana argentina o oficial me perguntou se eu era Tricolor. Não. Perguntou se era Corintiano. Também não. Quando falei que era palmeirense, ele disse que a proporção é de 3 corintianos para 3 são-paulinos para 1 palmeirense e nenhum torcedor da Portuguesa. Outro oficial falou que iria sair para tomar uma caipirinha. É impressionante como temos sido bem tratados nas aduanas, especialmente nas argentinas, e como todos gostam de falar de futebol, principalmente sobre Tevez e Ronaldinho. Paramos em Rio Grande para abastecer e tomar um lanche. Chegamos em Ushuaia e começamos a procurar o Hotel de nossos amigos argentinos, Carlos e Alicia, no qual ficaríamos hospedados. Sua filha, Nathalia, trabalhando num escritório de Turismo em Ushuaia, fica numa cabana anexa ao hotel. Achamos o Hotel através da Internet e telefone, na realidade um SPA com atividades de inverno, que fica na ruta 3, em frente ao Rio Olívia, um local paradisíaco. E cá estamos.

 

16/01 – Ushuaia – Ushuaia – 81 km

 

Após um delicioso café da manhã neste excelente hotel, saímos rapidamente para não perder o trem. O trem do fim do mundo utiliza-se de um trecho de uma antiga estrada de ferro que levava os detentos de Ushuaia (a cidade nasceu abrigando uma famosa colônia penal, extinta em 1947, por ordem de Perón) ao bosque (hoje Parque Nacional Tierra Del Fuego), para extração de madeira para construções e aquecimento. As maquinas são muito bem cuidadas, sendo que duas delas são a vapor. O passeio, embora caro (P$ 55 + P$ 20, este último para entrada do parque) é imperdível. A narração em espanhol, que explica toda a história de Ushuaia e do presídio, também o é. O tempo, ruim no início do passeio, foi melhorando até que no final o sol já estava aparecendo.

 

 

Aproveitamos que já tínhamos as entradas, e fomos ao Parque Nacional, até o fim da Ruta 3, que se inicia em Buenos Aires e finaliza 3.063 km ao sul, na Baia de Lapataia.

 

 

Fotografamos finalmente uma árvore torta pela ação do vento (procurávamos uma árvore destas desde 2001), visitamos uma represa construída por castores e seguimos rapidamente ao centro para comprar os tickets do catamarã que faz o tour pelo canal de Beagle até uma colônia de lobos-marinhos, uma de comoranes (pássaros) e pela mais esperada, a pinguineira. Salgado (P$ 145 + P$ 5 de taxa portuária, mas como brinde, dá direito à entrada no aquário de Ushuaia e um chocolate quente), mas este é o outro passeio imperdível de Ushuaia. O Catamarã é quase todo envidraçado e possui um grande corredor externo que margeia todo o barco, além de um grande terraço no alto. Perfeito para observação dos tão esperados animais. O passeio dura 6 horas, sendo que as 3 primeiras horas são as que realmente importam, passando por todos os pontos de observação e em frente ao vilarejo de Puerto Willians, base militar chilena, que está crescendo e almeja o posto de cidade mais austral do planeta, quando se tornar uma Municipalidad. Em cada parada há tempo suficiente para fotografar e filmar todos os animais, mas ficamos muito mais tempo em frente aos pingüins. Do outro lado da pinguineira ainda foi possível ver um raro (na região) pingüim Rei, de maior porte e com bico amarelo. A volta já não é tão atraente, contra a correnteza do canal de Beagle, o barco chacoalha mais, muito embora desta vez foi muito mais suave do que ocorreu em 2001. Chegamos ao hotel às 21:45 hs e o Érik e a Inês foram jantar no restaurante. Eu fiquei no quarto, pois estava um pouco enjoado.

 

 

17/01 – Ushuaia – Tolhuim – 150 km

 

O dia começou tarde, com um passeio ao Glaciar Martial, onde se sobe de carro até a entrada de um longo teleférico (P$ 15), que chega a uma trilha, também longa, ao Glaciar. Chegamos até um local da trilha onde a visão do Glaciar é total e resolvemos não enfrentar a longa subida que estava a nossa frente. Descemos pelo teleférico, apreciando uma bela vista da cidade, porto e aeroporto. Visitamos a Nathalia, e passeamos bastante pela cidade, almoçando filé de merluza em um café da cidade. Ainda fomos ao aquário (gratuito em função do passeio de barco, mas que custaria P$ 20). Sinceramente, não indico este passeio. Poderia ser melhor cuidado e ter mais espécies marinhas. Em seguida fomos ao Museu do Presídio. Uma visita guiada nos mostra o interior do antigo presídio, contando sobre o dia-a-dia dos mais famosos presos que ali estiveram. Não foi muito atraente pois o guia fala ininterruptamente por uma hora, e de forma extremamente rápida, ficando difícil o entendimento. Vida dura levavam os condenados naquela época. Estrada rumo a Tolhuim onde chegamos as 22:00 hs, ainda de dia, mas a cabaña que fomos procurar, onde ficamos em 2001, já não funcionava mais. Achamos outra, em um complexo turístico, ao preço de P$ 100. Nada muito bom, mas deu para descansar.

 

18/01 – Tolhuim – Rio Gallegos – 502 km

 

Perdemos a hora. Acabamos acordando um pouco antes das 10:00 hs, pois não ouvi o despertador e a Inês, já acostumada em ser acordada por mim, ouviu, mas continuou dormindo. Foi o dia das Aduanas. Nada muito interessante no caminho. Paramos para trocar dólares por pesos em Rio Grande, atravessamos a primeira aduana em San Sebastian, onde houve um pouco de confusão pois carimbaram saída quando entramos 2 dias antes. A Inês dirigiu o próximo trecho, até a balsa. Demoramos bastante na fila, visto que aparentemente estavam limpando a balsa. Atravessando o estreito de Magalhães começou a chover, chuva que nos acompanhou até as proximidades de Rio Gallegos. Passamos pela segunda aduana e chegamos a Rio Gallegos por volta das 20:00 hs. Procurando hotel, passamos pelo centro e pela Costanera. Percebemos que em 2001 não havíamos chegado no centro, que é bonito e movimentado. Conseguimos um hotel bom por P$ 100 e fomos a um restaurante tipo fast-food. O restaurante, de uma rede de supermercados não foi grande escolha.

 

19/01 – Rio Gallegos – Caleta Olívia – 755 km

 

Em meio a forte chuva, partimos após um fraco café da manhã. Rua inundadas. Choveu a noite inteira, algo anormal em local muito seco. Paramos 30 km adiante para visitar a dona do hotel que nos acolheu em 2001. Ela ficou muito contente com a nossa visita e nos serviu café e refrigerante. Ficamos conversando quase uma hora. O prédio do hotel tem 121 anos, e o Sr. Cortez a cada dia constrói algo em madeira para melhorar o local. Ainda existe o banheiro coletivo do tamanho de um quarto com uma banheira centenária. Seguimos até Caleta Olívia, parando apenas em Piedrabuena para almoço e em Puerto San Julian para abastecer e trocar de motorista. Dormi a tarde inteira. Demoramos um pouco para achar hotel em Caleta Olívia e ficamos em um recém inaugurado por P$ 98. Nenhum dos 3 hotéis que olhamos oferecia café da manhã.

 

 

20/01 – Caleta Olívia – Gaiman – 509 km

 

Aproveitamos a manhã para trocar o óleo do carro, o que atrasou bastante a viagem. O rapaz que deveria chegar as 9:00 hs, acabou atrasando 40 minutos. Depois também houve demora para colocar o protetor do cárter, pois a porca fica solta em local totalmente inacessível. Paramos rapidamente em um supermercado em Comodoro Rivadavia para comprar mantimentos para um lanche, que comemos na estrada. Tentamos entrar em Punta Tombos (maior pinguineira do mundo) e não conseguimos pois a ruta sul estava fechada. Fomos então ao Museu de Paleontologia de Trelew (Museu Paleontológico Egidio Feruglio) o qual é, sem dúvidas um dos melhores, senão o melhor, que conheço. Há visitas guiadas, que explicam todas os períodos paleontológicos e mostram as réplicas e fósseis de todos os períodos. Extremamente moderno e montado de forma espetacular, é uma das melhores atrações da Patagônia. Depois procuramos hotéis e não achamos nenhuma boa opção. Fomos para Gaiman tomar o chá Gaulês, acompanhado de tortas e bolos. Muito bom. Conseguimos um simpático hostal, depois de muita procura, em Gaiman.

 

 

21/01 – Gaiman – Puerto Madryn – 355 km

 

Este seria o dia do rípio, se desse tempo. Não foi o que ocorreu. Nossa idéia era sair bem cedo, ir a Punta Tombo e depois rodar toda a Península Valdés. Saímos um pouco tarde, mas conseguimos chegar a Punta Tombo antes das 10:30 hs, mas como o local era realmente fora de série, demoramos muito. Também ficamos algum tempo conversando com um casal português que faria mais ou menos o mesmo percurso que o nosso, mas combinando aviões, táxis e excursões. É a maior pinguineira de pingüins magallanicos do mundo. São mais de 1 milhão de exemplares. Eles circulam até pelo estacionamento, onde devemos tomar muito cuidado ao manobrar. Há uma trilha por onde se chega muito próximo aos pingüins, visto que eles não respeitam muito a cerca e caminham pela trilha, junto com as pessoas. Os filhotes, já quase do tamanho dos pais são mais tranqüilos e não tem medo, enquanto os adultos são um pouco mais arredios. A praia onde fica Punta Tombo também é linda e além dos astros principais também há outros na redondeza, como guanacos, albatrozes, gaivotas e os cuis, roedores que se aparentam com esquilos. Saímos de Punta Tombo e passamos por Rawson, que não achamos muito interessante. Percebemos que o pneu traseiro direito estava furado. Enchi com o compressor e, a caminho de Trelew, fomos procurando uma Gomeria (Borracharia). A única, no caminho, estava fechada. Fomos então para Puerto Madryn, onde achamos uma Borracharia aberta, mas não consertaram por achar que era um defeito de fabricação (posteriormente, no Brasil, constatou-se que era apenas um furo, que fazia o ar vazar por vários pontos). Trocamos pelo estepe e fomos procurar hotel, pois já era quase 17:00 hs e não havia tempo de ir à Península. Hotéis lotados, fomos até o Centro de Informações turísticas. Nos deram 3 opções. Na primeira (onde acabamos ficando) o preço era de P$ 148 + P$ 5 pelo estacionamento. Nos cobraram preço de apartamento quádruplo, que era o único disponível. Na segunda opção não havia vaga e na terceira nem fomos, pois o preço informado era mais alto ainda. Ainda fizemos um passeio pelo Ecocentro, uma mistura de museu com centro de estudos e de artes. Interessante, mas poderia ser mais abrangente, com exposições, maquetes com animais marinhos ou mesmo algo parecido com aquários. Parece que faltou algo. Deixei a Inês e o Érik passeando pelo centro e fui ao hotel. Voltaram com uma pizza. Puerto Madryn, assim como Rio Gallegos era muito maior e mais movimentado do que imaginávamos. Em 2001 não passamos pelo centro, seguindo a Ruta 3, que passa apenas por um bairro, que pensávamos ser o centro.

 

 

22/01 – Puerto Madryn – General Conesa – 816 km

 

Tentamos novamente sair cedo para que pudéssemos recuperar um pouco do atraso. Até que não saímos muito tarde. Fomos direto a Península Valdés. A idéia era ir diretamente ao norte (Punta Norte) ver os lobos-marinhos e leões-marinhos, passar por Caleta Valdés, onde há outra lobeira e uma pinguineira e depois tomar a ruta 3 rumo ao norte. Logo na primeira parada nosso planejamento foi perdido. Ocorre que chegamos em maré baixa, por volta do meio-dia e haveria possibilidade de aparecimento de orcas, que se alimentam de leões e lobos-marinhos, entre 2 horas antes da maré alta e 2 horas depois, que seria entre 14:10 e 18:10. Resolvemos ir rapidamente a Caleta Valdés e voltar a tempo de ver as orcas. Tanto em Punta Norte quanto em Caleta encontramos o mesmo casal português do dia anterior, com os quais conversamos bastante. Vimos rapidamente a pinguineira e a lobeira e voltamos a Punta Norte às 14:40 hs. Ficamos até 16:40 hs e não apareceu nenhuma orca. Como o mar estava agitado, a possibilidade de aparecimento das mesmas era muito pequeno. Sendo assim, pegamos a estrada novamente. Paramos em Puerto Pirámides para abastecer e tentamos conseguir um hotel em San Antonio do Oeste, mas estavam todos lotados. Já era quase 22:00 hs e tivemos que pegar a estrada rumo a General Conesa, onde havia um único hotel. Conseguimos, graças a Deus, chegar por volta de 23:30 hs e havia vaga. Estamos extremamente cansados.

 

23/01 – General Conesa – Lujan – 994 km

 

Dia de estrada. Muita estrada. Depois de uma espera sem sentido para tomar o café da manhã, que era apenas uma media-luna (croissant argentino que é uma delícia) e café ou café com leite, rodamos quase 1000 km, em grande parte pela ruta 5, parando apenas para abastecer ou tomar lanches. Chegamos a Lujan e ficamos num hotel muito próximo a Catedral, com suas torres atingindo 107 metros de altura.

 

24/01 – Lujan – Buenos Aires – 90 km

 

Demoramos bastante para sair. Chegamos a Buenos Aires por volta das 10:00 hs, diretamente no centro comercial (Lavalle x Florida). Passeamos pelas lojas e pelo bonito Shopping Galerias Pacífico. Fomos então, conforme combinado no dia anterior, por telefone, à casa de nossos amigos Alicia e Carlos, os mesmos que nos regalaram com duas noites em Ushuaia, no seu hotel. Conversamos bastante pela tarde, passeamos na Avenida Rivadavia, que tem um comércio intenso, mesmo estando a 6 km do centro. Começou a chover forte e esperamos passar para voltar ao apartamento. À noite chegaram o Sr. Alfredo e Sra Haydee, pais da Alicia, para um saboroso jantar, e ficamos conversando até quase 1:00 hr. Fui informado pelo Carlos sobre o problema da Fábrica de Papel que está sendo construída na margem uruguaia do Rio Uruguai, o que tem gerado fortes protestos e fechamento das pontes que ligam os dois países. Como não havia disponibilidade no Ferry boat para o Uruguai, nossa primeira opção de travessia, ficamos então de avaliar a situação, questionando a policia antes de ir até a primeira ponte, a qual fica longe da ruta 14 (se estivesse bloqueado teríamos que voltar vários quilômetros e tentar em outra ponte mais a frente).

 

25 – Buenos Aires – Montevideo – 643 km

 

Despedimo-nos da família Montaldo após o café da manhã, agradecidos por termos sido tão bem recebidos e partimos adiante. Em Galeguachuy perguntei nas Informações turísticas e informaram que a ponte não estava bloqueada. Seguimos e passamos. Não troquei os Pesos argentinos por uruguaios pois achei que estavam convertendo com taxa baixa (a troca pode ser feita dentro da Aduana!! e utilizei como fator de comparação o pedágio da ponte). Ocorre que as taxas estavam corretas. Na ponte a conversão é prejudicial a quem paga com Pesos uruguaios. Entramos em Fray Bentos para trocar os pesos pela mesma cotação de 7,2 para 1. As estradas para Montevideo são boas, mas passam perto de áreas urbanas e os limites ficam variando entre 45, 60, 75 e 90 km/h. Somente nos últimos 100 km por vezes surgem avisos permitindo 110 km/h. Demoramos bastante para chegar. Fomos ao Ibis e estava lotado. Nos sugeriram o Hotel Europa, no centro, uma boa opção com bom preço (US$ 43 para 2 quartos). Jantamos no Mac Donalds.  

 

26/01 – Montevideo – Punta Del Este – 229 km

 

Um café da manhã estilo brasileiro foi um bom começo de dia. A idéia era ir direto para Rio Grande, passando antes por Punta Del Este e depois pelo Chuí. Acabamos ficando em Punta Del Este, que estava muito bonita. Um hotel muito bom por preço alto (US$ 70), foi escolhido ainda antes do meio dia. Depois fomos ao Shopping para tomar um lanche. Passeamos pelo centro, pela Punta Ballenas e no fim da tarde fomos à praia. Começou a ventar muito forte e voltamos ao Hotel. Saímos a noite para jantar e passear novamente no centro. O Uruguai é um lugar legal para passar férias. Parece bem seguro, tem bonitas praias e o povo é muito educado.

 

 

27/01 Punta Del Este – Rio Grande – 539 km

 

Tiramos as últimas fotos da cidade e rumamos ao norte. Há um local, chamado Barra, logo ao norte de Punta que também é muito bonito, com mansões e resorts imponentes. Unindo Punta e Barra há duas pontes que mais parecem montanhas russas. Divertido.

 

 

Chegamos em Chuí no horário de almoço e fomos olhar as lojas (zona franca). Algumas mercadorias têm preços atrativos. Almoçamos e seguimos para Rio Grande, passando pelo Banhado do Taím, estação ecológica de preservação ambiental. Não estava tão povoada de animais como em 2001, talvez pelo nível d’agua estar mais baixo.

 

 

Em Cassino fomos ao Moles da Barra, uma muralha de pedras com cimento e um trilho, que nos leva até seu final através de vagonetes a vela. Um passeio interessante, mas achamos que a Prefeitura deveria melhorar a infra-estrutura, trocando os trilhos, que estão em péssimas condições. Fomos, pela praia, a mais extensa do mundo, com 212 km de extensão, que chega até o Chuí até Cassino e seguimos então para Rio Grande, onde atravessaríamos de balsa a São José do Norte no dia seguinte. Difícil achar um hotel bom. Poucas opções, antigos e com preços altos. No hotel onde foi hospedado Dom Pedro II, Hotel Paris, que estava lotado, nos indicaram um bom apart-hotel, que fica em um bairro e tem preços bons (R$ 91). Ainda voltamos ao centro para tomar sorvetes. O dono da sorveteria ligou de seu celular para descobrir o horário das balsas. Atendimento vip. O pessoal de Rio Grande é muito atencioso.

 

 

28/01 – Rio Grande – Gramado – 519 km

 

Conforme planejado fomos direto para balsa para perguntar aos que estavam atravessando sobre as condições da estrada (conhecida como “Estrada do Inferno”). Quem a utilizou ultimamente sugeriu que desistíssemos. Uma senhora atravessou de F1000 e falou que nunca mais. Resolvemos desistir e ir pelo caminho convencional, por Pelotas. Paramos no posto de pedágio (banheiros, café e informações turísticas) e conhecemos um casal de Porto Alegre (o Joubert e a Ângela), que estavam indo a Punta Del Este. Conversamos bastante sobre viagens e eles ficaram com vontade de fazer algo igual a esta viagem. Não deixamos de incentivar. Um rapaz que estava ao lado participou um pouco da conversa quando falamos da estrada para Mostardas (a qual desistimos). Ele falou que destruiu um Audi nesta estrada. Ou é areia fofa ou há grandes poças d’agua. Pegamos o cartão dele e seguimos. Almoçamos na estrada e, após duas paradas em Novo Hamburgo para ver sapatos, seguimos para Gramado. Estrada complicada, que passa por diversas cidades. Velocidade média baixa. A Inês ficou pelo centro e eu e o Érik fomos para o Alpen Park em Canela. Não estava barato. Cada 3 voltas de trenó custaram R$ 32. Mas é um passeio legal. Ficamos em Gramado, no mesmo hotel que ficamos em 2003.

 

29/01 – Gramado – Curitiba – 676 km

 

Embora achássemos que seria um dia tranqüilo, chegando cedo em Curitiba, a realidade foi outra. Foram diversas as paradas que nos fizeram entrar no hotel as 23:30 hs. Primeiramente paramos para olhar lojas em Nova Petrópolis. Depois algumas paradas para fotos. Paramos para ir ao banheiro em um pedágio, para almoçar em Vacaria e para conhecer Lajes, onde tomamos sorvetes. Depois o Érik pediu para parar em um posto para ir ao banheiro. Como estava passando Pânico, acabamos ficando 1:30 horas no local, onde o Érik e a Inês jantaram. Já era quase 20 hs e faltavam 240 km para Curitiba. Muita estrada a noite. Chegamos e fomos direto ao Hotel Formule 1, de baixo custo e excelente qualidade. Bem moderno. Toda a estrada entre Gramado e Curitiba é lenta, com diversos caminhões, muitas curvas, subidas e descidas e passando por diversas cidades. Outra característica é que ou a estrada é boa e pedagiada (um custo bem alto) ou é bem ruim. Ao sair de Santa Catarina, onde o asfalto está bem irregular, entramos no Paraná e há trechos em obras onde há enormes desníveis com degraus, sem qualquer aviso. Saudades das rutas da Argentina, principalmente da Patagônia.

 

30/01 – Curitiba – São Bernardo – 784 km

 

O Érik estava com pressa para chegar a São Bernardo. Então foi fácil acordá-lo cedo. Café não incluso torna a saída mais rápida. Passamos em um posto para tomar café e abastecer. Aproveitei para tirar fotos do museu Niemayer. Chegamos em Vila Velha e fizemos o passeio pelas formações de arenito. Não fomos às furnas nem lagoa Dourada, pois o passeio completo dura quase 4 horas e o elevador de furnas não está aberto por risco de danos ambientais. Há duas opções para visitar as formações de arenito. Parcial vendo o cálice e volta completa. Demos a volta completa que passa pela parte com mais mata e pelas formações tipo canions. Muito bonito. Agora, depois de dois anos fechado para reformas, o parque conta com uma infra-estrutura mais voltada a proteção do parque do que antigamente. Um vídeo é exibido antes do passeio onde mostra o que deve ser evitado. Guias não acompanham os visitantes, mas ficam em pontos chave. Os automóveis agora ficam longe das trilhas. Ônibus levam os turistas aos pontos de visitação. Este modelo deveria ser utilizado em vários parques nacionais, que sofrem com o turismo sem planejamento. Em seguida fomos ao Buraco do Padre, que fica bem próximo a Vila Velha, mas como não há estrada direta, o caminho é de cerca de 25 km, boa parte em estradas de terra. Chegamos ao local e não havia ninguém (propriedade privada). Há uma trilha de 800 metros que leva ao local. Indescritível, mas mesmo assim tentarei descrever. É uma formação parecida com Furnas, menor, mas com uma cachoeira. Na parte debaixo, por onde se chega há uma cavidade tipo gruta por onde a água sai. É mais ou menos o “cotovelo” de um encanamento. Lindo.

 

 

Paramos para almoçar no Shopping de Ponta Grossa e seguimos para Castro e Itapetininga. Surpresa. Começaram a aparecer placas de Londrina, Jacarezinho e Ourinhos. Percebemos que estávamos em estrada errada. Estrada em péssima conservação por sinal e 78 km distante do ponto onde erramos.

 

 

Decidimos seguir até Avaré e pegar a Castelo Branco. Muita chuva em alguns trechos. Paramos para um lanche no Rodoserv Star e chegamos em casa às 23:00 hs, totalizando pouco mais de 18.500 km em 40 dias.

 

 

 

Por:

Sergio Sparvoli Bonagamba
Viajante e engenheiro nas horas vagas - 43 Anos

Érik Yukio Bonagamba - 15 anos - estudante

Toshie Inês Fujii Sparvoli Bonagamba - bancária aposentada

São Bernardo do Campo - SP
Email sergiobona@vivax.com.br

 

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- Expedição Centro-Oeste (Brasil – Etapa 2)
- Expedição Água e Areia (Brasil – Etapa 3)
- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 1)
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- Glaciar Perito Moreno
- 70.000 km - América do Sul


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