Relatos

Escaladas em Los Arenales - Mendoza - Argentina por Danilo Henrique Kleine

Escalada em El Cajón de Los Arenales – Província de Mendoza - Argentina

 

El Cajón de Los Arenales se encontra a 135km a sudoeste da cidade de Mendoza no departamento de Tunuyán na província de Mendoza.

Encravado en el Córdon Portillo Cordilheira Frontal dos Andes

 

 

 

22/01/06 –Domingo

 

Após viajar por aproximadamente 12 horas de ônibus a partir de Córdoba finalmente chegamos a Mendoza, descemos na rodoviária e procuramos uma hospedagem barata, demos muita sorte por encontrar o Albergue Chimbas que fora aberto recentemente, o proprietário Cláudio nos atendeu extremamente bem, tomamos um bom banho quente, pois já fazia tempo que estávamos desprovidos deste conforto. A Tamys e o Fábio planejaram um pouco da viagem e passamos o dia descansando nas dependências do Albergue.

 

23/01/06 – Segunda

 

Acordamos cedo e fomos perambular pelo centro de Mendoza atrás de mochilas, conhecemos o centro e suas belas praças, o calçadão(peatonal Sarmiento) próximo a Plaza Independencia a maior da cidade, compramos duas mochilas cargueiras e voltamos para o Albergue onde arrumamos as coisas para em seguida tomar um ônibus para Tunuyán. Nesta cidade tivemos um pouco de dificuldade para arrumar transporte para Manzano Histórico, onde acabamos tomando um táxi que saiu um pouco caro, depois de 42km chegamos a Manzano Histórico, por sorte encontramos logo de cara o transporte do Yava um simpático senhor que leva pessoas até El Cajón de Los Arenales numa Land Rover antiga, cobrando somente $10 (pesos argentinos) de cada um porque já estava subindo com um guarda-parque, ainda em Manzano Histórico providenciamos nossas provisões para uma semana, só tínhamos 10 minutos para fazer as compras num pequeno mercado, colocamos os mantimentos em caixas e em seguida na caçamba da caminhonete do Yava.

 

 

Fomos subindo pelo passo sentido o Refúgio Portinari que é o posto da Gendarmería Nacional com 2500 metros de altitude, nesta subida acompanhamos sempre o rio Arroyo Grande, um rio caudaloso de águas nervosas com tonalidade azulada, passamos também pelo refúgio Lemos do Exército Argentino e pelo Chorro de la Vieja.

 

 

Chegando na portaria do parque fizemos nosso registro, recebendo instruções do chefe do parque sobre os perigos do local e a proibição em atravessar o rio pela força de suas águas, frisando bastante que sob qualquer dificuldade poderíamos solicitar seu apoio 24 horas ao dia.

Adentramos ao parque e depois de alguns minutos o Yava nos largou no ponto inicial para a caminhada até o refúgio dos escaladores, já estava anoitecendo quando perguntamos sobre que horas eram, ficamos surpreendidos já eram 21h30, combinamos com Yava o nosso retorno no dia 27/01/06 até Tunuyan por $ 100 (pesos Argentinos).

Começamos a caminhar até o refúgio de head-lamps bastante carregados, chegando lá achamos melhor dormir no mezanino porque não conseguiríamos achar um bom local para montar as barracas, jantamos e fomos dormir no mezanino rústico. As provisões foram todas penduradas em ganchos para evitar os ratos.

 

 

24/01/06 – Terça

 

Despertamos e providenciamos nosso desayuno (café da manhã), quando saímos do refúgio tivemos a real noção da beleza do local, procuramos um local para armar as barracas quando nos deparamos com um cara bivacando no relento só com o saco de dormir, ficamos espantados sobre como ele havia agüentado a friaca da noite, após montarmos as barracas ele acordou, se tratava de um escalador do Alaska, o mesmo dizia que em seu país não conseguia ver as estrelas e por isso dormia ao relento.

 

 

Eu e o COX começamos a arrumar os equipos e analisar qual grupo de agulhas escalaríamos, nisto o escalador do Alaska chamado Laron perguntou ao COX sobre a possibilidade de escalar conosco, pensamos um pouco e concordamos, decidimos ir ao Grupo Aguja Nuez, então iniciamos a caminhada de aproximação até a base da via, uma caminhada forte pelo chamado acarreo(uma espécie de cascalho com pedras em forte aclive).

Chegando na base do grupo o COX se prontificou a guiar o primeiro largo(maneira como os argentinos chamam cordada) de 3° após 50 metros em rocha quebradiça, não achou os grampos da primeira parada, a via a ser escalada por nós seria a Mujeres, Tequila y otras yerbas 180m 5+ , a escolha desta via foi feita porque seria nossa primeira escalada de aclimatação onde o retorno seria feito pela própria linha da via e sem abandonar fitas , porque a maioria dos rapeis em Los Arenales são feitos com fitas laçadas em bicos de pedra ou entaladas em fendas. Acabamos subindo eu e o Laron para dar uma força ao COX e nada encontramos, nisto já era tarde resolvemos descer e procurar outra via, foi frustrante todo aquele esforço para não conseguir escalar, analisamos o croqui novamente e resolvemos escalar a Aguja Cara Del Inca pela via El Zorro, onde não haveria erros para encontrar a via que sai exatamente de uma estátua do Cristo.

 

 

Descemos o acarreo beirando a parede, quando achamos a via, começamos a analisar a situação para a escalada, eram 17h00 e 200 metros de via sem um único grampo, não sabíamos como o gringo escalava e temíamos a preocupação do Fábio que ficara no refúgio, resolvemos escalar mas informei ao COX e ao Laron que deveríamos escalar muito rápido, me equipei e toquei pra cima já com as duas cordas, a via possuía 5 cordadas tentaria guiá-la em somente 4 e puxaria os dois participantes em simultâneo, comecei guiando o primeiro diedro escalando rápido.

 

 

 Quando bati os 60 metros montei uma ancoragem em móvel e puxei os dois, a comunicação do primeiro largo foi muito ruim, dei continuidade esticando os largos, montava a parada e vinham os participantes em simultâneo distantes 10 metros um do outro, o cuidado do guia era fundamental pois haviam vários blocos gigantes soltos que se caíssem poderiam ferir seriamente quem estava embaixo, a via ficou muito interessante quando fizemos a 3° parada num cume falso, o lance de saída era uma desescalada e uma passada para passar para a outra parede.

 

 

 

 

Depois de 40 metros gritei CUMBRE! aos meus companheiros que chegaram quase escurecendo, tiramos fotos e começamos a descer por trás por outro acarreo, desescalamos um lance, e chegamos no Cristo, arrumamos as mochilas e descemos mas um longo trecho de acarreo.

 

 

Nessa hora imaginava o Fábio desesperado lá no refúgio pois já eram umas 22h30, chegamos lá e foi só xingo, ele não conheceu o Laron e xingou o cara foi engraçado. Pedimos desculpas comemos e capotamos.

Neste dia o Fábio e a Tamys fizeram uma caminhada até a lagoa Azul, um lugar magnífico!

 

 

 

 

 

25/01/06 - Quarta

 

Decidimos ir fazer uma caminhada até a Neve, acima do abrigo Scarabelli, gostaríamos de escalar outras agulhas mas como estávamos em grupo concordamos em fazer um trekking todos juntos, partimos rumo ao abrigo Scarabelli com 3200 metros de altitude após umas 4h00 horas de caminhada chegamos ao abrigo, bem melhor que o primeiro por sinal, cozinhamos e dormimos, a noite foi muito fria.

 

 

 

 

 

 

26/01/06 - Quinta

 

Depois da friaca noturna continuamos a caminhada, rumo ao Valle Manantiales, as provisões de comida estavam acabando, a caminhada foi puxada, a altitude e falta de rango deram uma dificultada, mas quando chegamos no gelo foi recompensador.

 

 

 

 

 

Começamos a descer a idéia era ir direto até ao refúgio da escalada, descemos direto, foi caminhada o dia inteiro num visual alucinante.

Chegando no refúgio da escalada fizemos nossa última janta, por nossa infelicidade o rango teve alguns problemas de ordem técnica que resultaram num desastre, era comer para sobreviver foi cômico!

 

27/01/06 – Sexta

 

O último dia em Los Arenales eu e o COX estávamos sedentos por agulhas mais altas, resolvemos escalar a Aguja Campanille, acordamos muito cedo e entramos na caminhada de aproximação que era forte naquela longa rampa de acarreo, em alguns trechos havia várias pedras soltas com risco de pequenas avalanches, por isso evitávamos ficar um embaixo do outro, com 2h00 de subida em marcha forte chegamos na base da via, tínhamos que escalar rápido o Yava iria nos buscar às 19h00, entramos na via Sangre de Éden 5+  4 largos, uma via alucinante, fendas perfeitas sem um único grampo, eu fui guiando e o COX limpando, várias passadas e moves, quando cheguei no topo outro grito CUMBRE! O COX veio voando onde comemoramos a chegada no topo daquela agulha num visual soberbo, comemos um pouco e rapelamos, algumas paradas fixas para o rapel e outras com fitas abraçando bicos de pedra.

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando chegamos na base da via começamos a guardar o equipo, quando olhei no relógio eram 16h20 descemos muito rápido surfando no acarreo, era capotes e surf, acabamos descendo tudo em 30 minutos, como eu estava de tênis meu pé estava lotado de cascalho e pedras, chegamos no acampamento arrumamos tudo e caminhamos para o local de encontro com Yava, chegamos 19h00 onde descemos dando baixa na portaria e rumando sentido Tunuyán nos despedindo de El Cájon de Los Arenales, tristes por ter escalado tão pouco mas felizes por conhecer esse fantástico pico de escalada, sonhando em retornar o mais breve possível para escalar os grupos El Cohete, Torre Ancha, Carlos Daniel, Aguja Charles Webis e outras...

  

 

 

Dicas:

 

- Programa-se para ir nos finais de semana onde há transporte direto de Mendoza à Manzano Histórico pela companhia ECLA.

- As escaladas predominantes no local são do estilo aventura, de comprometimento com proteções em móvel, vá preparado.

- As escaladas esportivas com grampeação fixa ficam restritas somente ao grupo Muralla de la Mitria ao lado do refúgio Portinari.

- A graduação utilizada na Argentina é a Francesa.

- Mesmo no verão a temperatura chega abaixo 0°C.

 

Hardware Recomendável:

 

- 02 Cordas de 60 metros (double rope ou twin são excelentes para o local).

- Várias fitas de tamanhos variados.

- 01 Jogo de friends completo

- 01 Jogo de microfriends ou TCU´s

- 01 Jogo de nuts

- Mosquetões soltos

 

Onde comprar o guia de Escaladas em Mendoza:

 

Loja El Refúgio

Peatonal Sarmiento n° 231 ou 294 – Mendoza - Argentina

Onde ficar em Mendoza:

 

Chimbas Hostel

Claudio

$20

site -  http://www.chimbashostel.com.ar

e-mail -  info@chimbashostel.com.ar

 

Roteiro Gastronômico Imperdível:

 

Las Tinajas (O RANGO)

Lavalle, 38

(0261) 429-1174 / 1175

 

Em Tunuyán

Transporte para Manzano Historico:

Fagundo

Fono Taxi  -  424297 / 44

24h

$45

 

Em Manzano Historico

Transporte para El Cajón de los Arenales:

Yagua

(02622) 15524895 / 15527967

e-mail -  e_limite@yahoo.com.ar 

 

 

Nossos agradecimentos aos guarda-parques e aos Clubes Andinos responsáveis pelo zelo desta belíssima área. 

 

Para ver mais fotos de El Cajón de Los Arenales clique aqui


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