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Fogareiros para Montanhistas por Paulo J. Pinto
MONTANHISTAS E SEUS FOGAREIROS COM UM POUCO DE FÍSICA E QUÍMICA
APRESENTAÇÃO
Quem pratica aventuras ao ar livre, sabe que são necessários alguns equipamentos básicos para uma boa prática com conforto e aproveitamento.São eles: tênis ou bota de trilhas, barraca de acampamento, head-lamps, capa de chuva ou anorak, filtro solar, skeese, fogareiros, mochilas, roupas leves de trilha, fleeces, etc. Mas aqui vamos falar a respeito de um item que muitas vezes nos deixa na mão e não conseguimos saber por quê: O Fogareiro.
OS TIPOS UTILIZADOS E OS MODELOS DE MERCADO.
Durante uma trilha ou acampamento, temos como prática alimentar, os lanches de trilha e no final do dia a famosa almojanta que merece ser quentinha, favorecendo nossa recuperação de energia para encarar o dia seguinte. Para que isso seja possível temos que ter em mãos algum tipo de fogareiro. Os mais utilizados são: A gás, Líquido Pressurizado, a Álcool e a famosa Fogueira.
Gás: Podemos utilizar os de botijão de 2kg que são mais robustos, porém pesados. Mas também temos os de garrafas descartáveis que são muito práticos e bem leves com as mesmas características dos de botijões de 2kg.
Líquido Pressurizado: São aqueles que queimam querosene, gasolina, benzina ou diesel e são mais complexos porém com um poder de aquecimento melhor.
Álcool: Simplesmente um recipiente para colocar o álcool e um suporte para sua panela e é só acender para ter um fogareiro elementar e funcional. Pode ser adquirido em lojas de acessórios para camping ou também fazer uso de sua lata de atum com algumas pedras ao redor. Similar à fogueira, só que menos trabalhoso de preparar.
COMO FUNCIONAM
Gás: Um botijão ou uma garrafa descartável, contendo gás pressurizado, libera através de um registro a quantidade de gás necessário para que um queimador produza fogo de acordo com sua capacidade.
Líquido Pressurizado: Um recipiente contendo combustível líquido é pressurizado através de uma bomba manual onde esta pressão impele o líquido para um bico ejetor que asperge o líquido para um queimador onde ocorre a chama que serve para o cozimento.
Mas para que a chama tenha uma queima perfeita, temos que aquecer este líquido para que ele atinja uma temperatura tal que ocorra uma vaporização do mesmo, fazendo com que tenhamos uma mistura com o ar perfeita e a chama seja completa. Para aquecer o líquido que sai do recipiente, fazemos um aquecimento inicial com o próprio combustível em uma concha que existe em baixo do queimador, até que a temperatura interna ao tubo que trás o combustível seja aquecido a ponto de vaporizar.
Quando este vapor começa a surgir, ele sairá pelo queimador e irá ser inflamado pela própria chama do pré-aquecimento. Aí só temos que abrir a válvula de saída do combustível para que a chama seja mantida. Mas tem outro detalhe. Ao terminar o combustível que colocamos na concha, teríamos um resfriamento do tubo e retornaríamos a temperatura baixa novamente. Para que isto não ocorra, existe um tubo metálico que transporta o combustível líquido do recipiente até o ejetor que passa sobre o queimador, fazendo com que ao disparar o processo de queima, fará um auto aquecimento não sendo mais necessário o fogo que existia na concha. Assim o processo se torna contínuo.
Álcool: Um combustível limpo e sem mau cheiro, fácil de ser adquirido é colocado em um recipiente resistente ao fogo e depois é aceso com auxílio de fósforos ou isqueiro. Pronto, está aceso o fogareiro a álcool.
O QUE OCORRE FÍSICAMENTE E QUIMICAMENTE DURANTE O USO.
Em todos os modelos que citamos até agora, devemos esclarecer que no fogareiro ocorre uma Reação de Combustão que de forma geral se dá em fase gasosa. Para entendermos isto, temos que saber que combustíveis líquidos são previamente evaporados, e a reação de combustão se dá entre o vapor do líquido e o oxigênio, intimamente misturados.
Os modelos, aqui citados e usados em acampamentos, queimam gás, mesmo os de combustível líquido, que queimam o vapor do gás, porém todos estocam líquido, mesmo os fogareiros a gás trazem o gás liquefeito dentro dos botijões e esta dinâmica da transformação do líquido em gás que traz as características de cada fogareiro. Outro conceito que devemos ter é que a quantidade de calor gerada pelo fogareiro esta intrinsecamente ligada ao combustível ou seja a quantidade de energia gerada pela queima de um grama do combustível e pelo aporte total de combustível, sendo que fogareiros que conseguem mandar mais combustível para queimar em um determinado tempo, geram mais energia neste período.
Toda substância evapora, independente da temperatura, muito embora exista uma constante física dependente de pressão chamada de temperatura de ebulição. Mesmo em baixas temperaturas as substâncias perdem átomos espontaneamente passando para o estado gasoso. Via de regra quanto menor for a pressão e maior for a temperatura, maior será a evaporação. Substâncias sólidas também têm este efeito, porém muitíssimo reduzido. Os líquidos apresentam uma geração maior de vapor, basta observarmos a água e o álcool. Uma constante que interfere muito na geração de chama, é chamada de Temperatura de Ebulição. A temperatura de ebulição depende do tipo de gás e a pressão a que ele esta submetido.
Gás: Os fogareiros a gás usam o gás liquefeito pela pressão no interior do botijão. Quando queremos usar o gás abrimos o registro e ocorre o escape do gás diminuindo a pressão interna até um ponto onde o líquido entra em ebulição gerando uma grande quantidade de volume de gás.
Agora vem o grande problema dos fogareiros a gás. O gás em forma líquida ao passar para o estado de gás absorve a temperatura e esfria o conjunto tanto pela expansão do gás quanto pela ebulição por si só, esfriando o botijão e o gás liquefeito, chegando a temperaturas muito abaixo de zero em alguns casos. Nesta hora entra o ponto de ebulição e a pressão de vapor. Quanto menor o ponto de ebulição do gás melhor é pois o gás ira continuar fervendo e mandando um volume bom do gás a ser queimado. É a pressão de vapor que mostra a pressão gerada pelo gás sendo que quanto maior a pressão mais combustível queima. Os principais gases usados são o propano, n-butano e isobutano. Cada qual tem os seus pontos de ebulição e pressão. Pela tabela mostrada abaixo vemos que o butano genérico tem um ponto de ebulição em torno de zero graus ou seja quando a temperatura externa ou a do bujão chegar perto disto sua eficiência vai diminuir muito pois a ebulição será prejudicada. Logo, muito embora sua capacidade energética seja maior que a dos combustíveis líquidos, seja mil BTUs maior, a eficiência final fica prejudicada.
As formas de butano também mudam entre si, embora possuam a mesma capacidade térmica. Quando comparado com o N-butano, o isobutano, por ter uma maior pressão de vapor, ao entrar em ebulição, gera um gás com maior pressão, que permite maiores fluxos do gás e uma melhor performance. O melhor gás de todos é o propano porém é muito raro e caro conseguir ele aqui no Brasil e mesmo fora pode ser difícil. Geralmente os fabricantes fazem misturas IsoPro ou seja um mix de isobutano com propano para diminuir os custos. Porém como podem ver na tabela, o propano tem seu ponto de ebulição perto de 40graus negativos e uma pressão de vapor de 900 kilopascais, bem melhores que os 2 que são, nbutano zero graus e 242 kilopascais e isobutano –11 graus e 348 Kp.
Líquido Pressurizado: Já os fogareiros de combustível líquido a pressão, tem um sistema especial de pré-ebulição como já explicamos. Quem já os viu funcionando e serem acesos sabe que ele tem duas etapas: 1º-Pré-aquecimento: A primeira coisa a fazer é pressurizar o líquido na garrafa. Esta etapa é necessária apenas para fazer o liquido ser empurrado para o queimador e quase não tem importância na performance final. Após a pressurização usa-se o próprio combustível na forma líquida ou se não quiser ter muita fumaça pode ser usado um pouco de álcool que tem a queima limpa. Neste ponto você põe fogo no líquido e ele esquenta o tubo de transporte do liquido para o queimador ou esquenta o próprio queimador como é o caso do Dragon Fly. 2º-Funcionamento pleno: Nesta hora abre-se o registro e o combustível líquido caminha pelo tubo já aquecido e, quando ele encontra com a parte bem aquecida ferve e o gás gerado nesta parte vai para o queimador onde queima e a chama volta a esquentar o líquido gerando cada vez mais vapor em um ciclo continuo.
Álcool: Esta opção usa na verdade a famosa espiriteira. Para começar ela tem este nome porque ao contrário do que se pensa, não foi feita para queimar álcool mas sim espírito, que é o nome da solução de álcool com 20 a 30% de água , o famoso álcool 70%. No caso ela queima o álcool esquentando o receptáculo do álcool que o faz entrar em ebulição, vaporizando o álcool preparando-o assim para a queima. Observe que podemos ver o álcool do fundo da espiriteira em ebulição, ou seja, está vaporizando para permitir sua queima. Quem usa muito esse tipo de fogareiro sabe que são ótimas e que quanto menos álcool for colocado melhor ela vai funcionar. No geral ela funciona de forma sensacional gerando mais calor que os fogareiros a gás e menos que os fogareiros a combustível líquido, além de não possuir partes moveis minimizando os problemas de funcionamento. Seu maior problema é a segurança pois de todos os modelos que citamos, são as espiriteiras os mais propensos a acidentes graves. Quando derrubadas são verdadeiras lança chamas com alcance de quase 2 metros. Logo ao fim vemos que ele queima gás e não sofre os problemas de diluição da eficácia por perder calor e diminuir a quantidade de gás gerado na ebulição por esta ser ativa e não passiva como nos fogareiros a gás.
Combustível
Estrutura Molecular
Ebulição BP °C
Pressão Vapor VP 25°C kPa
kcal/ gram
Btu/ pound
Petróleo Líquido:
Naphtha
C5-9
130-155
20
10.1
18,2
Gasolina
C3-12
14-135
48-103
10.4
18,72
Querosene
C10-18
200-260
<1
10.3
18,54
Diesel
C9-20
288-338
<1
10.2
18,4
Gás Pressurizado:
Propano
CH3CH2CH3
-42.1
9391
11.0
19,782
Butano
CH3CH2CH2CH3
-0.48
2421
10.8
19,512
Isobutano
CH3C(CH3)2
-11.8
3481
10.8
19,458
CONCLUSÕESOs melhores ainda continuam sendo os fogareiros a combustível líquido, levando-se sempre em conta que acima de 6000m de altitude eles podem falhar pela falta de oxigênio e como são imprescindíveis nesses locais, não são utilizados acima dessa altitude. Então nesse caso utiliza-se o fogareiro a gás que tem um funcionamento mais garantido. Quanto aos entupimentos poucos sabem que seu giclê é autolimpante e, o segredo é ao fim do uso quando for guardar, dar uma bela sacudida pois a agulha interna dá uma limpada no orifício de saída do gás. Outra coisa é usar mais benzina que deixa menos resíduo e se tiver paciência filtrar com filtro para café antes de colocar na garrafinha.
Os fogareiros a gás são os mais simples e mais rápidos para serem acesos. Se utilizarmos botijões de gás com propano, mesmo em condições mais frias, vamos ter um ótimo fogareiro pois ele tem um ótimo poder calórico, porém o tempo de cozimento será bem maior que o do fogareiro a combustível líquido. Se utilizarmos botijões de gás butano poderá ter de esperar bem mais pois a eficácia dele estará prejudicada. Existem no exterior fogareiros a gás, em especial as linhas de ponta da Primus ou MSR, com o pré-aquecedor, fazendo com que assim a performance melhore um pouco. Outra coisa que eles fazem para melhorar é colocar o queimador perto do botijão para que este aqueça o botijão e melhore a ebulição pelo calor transmitido. No modelo Reactor da MSR a gás percebe-se bem isso por ter o pré-aquecimento do gás.
Temos abaixo um exemplo de fogareiro a líquido pressurizado e de ótima qualidade.
RECOMENDAÇÕES:Na praia, onde as temperaturas são geralmente mais altas, podemos fazer uso do fogareiro a gás ou a álcool, sem nenhum problema. Em montanha a coisa é diferente pois temos fatores que interferem no bom funcionamento do fogareiro, então ficam os de líquido pressurizado em evidência. Mas se for alta montanha, acima de 6000m, então voltamos para os a gás.
PROJETO
Gás: Pelo custo de um fogareiro a gás, não justifica sair por ai querendo fazer o seu. O mercado nos oferece muitas alternativas a preços bem acessíveis.
Álcool: Muito simples, basta uma lata de sardinha e um apoio para sua panela.
Líquido Pressurizado: Aí a coisa muda pois o custo é significante em muitos casos impossíveis de se conseguir. Para isto descrevo abaixo um projeto que fiz e montei, usando somente em teste de bancada, apresentando uma boa performance porém necessitando de aprimoramentos. O desenho abaixo foi feito em escala e representa a realidade. Sua chama é azul e sopra com pressão suficiente para ferver 1 litro d’água em 15 minutos.
FOGAREIRO A LÍQUIDO PRESSURIZADO
Suporte: Foi feito com barras de alumínio e dobrado em morsa para atingir a forma desejada. Sua articulação foi feita por uma abraçadeira central que fixa também o queimador.
Suporte de Panela: Feito com chapa de aço inox com espessura aproximada de 1mm, com face superior serrilhada para permitir uma melhor estabilidade das panelas.
Queimador: Existe um tipo de fogareiro que é muito utilizado pelos pipoqueiros, por ter uma chama bem forte. É em aço carbono com acabamento em cádmio. O tubo condutor do gás é comprido, suficiente para permitir a instalação. Possui orifícios para entrada de ar, que podem ser fechados ou abertos por uma chapa que você pode adaptar ao redor do tubo, melhorando a qualidade da chama.
Tubo condutor de combustível: Deve ser em aço inox pois o que fiz em cobre derreteu com o calor. É conhecido no mercado como tubing e deve ter o ؼ” que é mais do que suficiente. No futuro pretendo colocar um cabo de aço no seu interior para facilitar possíveis entupimentos. Observe que serão feitas curvas para sair do fundo do ejetor, subir até o queimador, passar sobre a sua lateral, descer até o registro, virar para o lado de fora do fogareiro até ficar em uma região livre de muito calor. E finalmente ligar na mangueira. O trecho de tubo que sai do ejetor e vai em direção ao chão não deve ser muito pequeno pois é ali que ocorre a vaporização e se este trecho for curto não terá combustível suficiente para que surja uma boa quantidade de vapor de combustível.
Ejetor: Comprei um que é utilizado para fogões a gás e com um furo para gás encanado que é maior. Sua base deve ter uma rosca que sirva no conector que ligará com o tubo de aço inox.
Conector: Utilizei um conector em latão com uma extremidade fêmea roscada que recebeu o ejetor. Na outra extremidade é uma conexão de compressão para receber o tubo de aço inox. Esta conexão pode ser do tipo em que se alarga o tubo em forma de um funil fazendo com que este seja alojado em uma ponta que será esmagada por uma porca especial. Para alargar o tubo de aço inox, será necessário inserir um prego com diâmetro igual ao interior do tubo, prender na morsa e pelo lado externo cravar uma ponta de chave de fenda que vá formar aos poucos um formato de funil. O prego servirá para não permitir o fechamento do tubo ao prender na morsa. Esse, por incrível que pareça, é a parte mais chata da montagem, pois serão feitas 3 pontas iguais a esta. Uma para o ejetor e outras duas para o registro.
Registro: São aqueles em latão Ø1/8” utilizados para gás e se conseguir encontrar algum que tenha as extremidades com conexão tipo compressão será perfeito. Caso não encontre, terá que compra os conectores para interligar com o tubo de aço inox. O volante de abertura e fechamento deverá ser metálico para não derreter.
Mangueira Preta: Utilizei as que são usadas em motor de carro e servem para conduzir a gasolina. São pretas e com tramas para melhorar sua resistência a pressões elevadas. Veja que o Øinterno deve ser igual ao Øexterno do tubo de aço inox. Como abraçadeiras, use as automobilísticas que são por parafuso e porca.
Mangueira de Silicone: São adquiridas em casas de borrachas e possuem a características de suportar os diversos combustíveis e são bem flexíveis. Veja que o seu Øinterno seja igual ao Øexterno do tubo de aço inox.
Garrafinha: Foi lá na 25 de março que comprei e são aqueles skeeses feitos em aço inox com tampas roscadas. Sua rosca é feita com uma arruela roscada que fica presa pela dobradura do gargalo da garrafa. Se a arruela roscada começar a girar solta, faça uma camada de durepox no interior da garrafa, entre a arruela e a parede do bocal. Não deixe a rosca suja de durepox senão perderá sua garrafa. O tamanho da garrafa é a de menor volume, com aproximadamente 0,5 litro.
Adaptador: Leve sua garrafinha em uma loja de materiais hidráulicos e experimente um adaptador em latão de Ø3/4” que possua a rosca paralela e não cônica pois a vedação ocorrerá por um anel de borracha que acompanha sua garrafinha e não pela ação de pressão entre as roscas. Pelo centro coloque dois pedaços de tubo de cobre ou inox de Ø1/4” preenchendo o espaço entre os tubos e a parede interna do adaptador com durepox. Deixe pontas suficientes para os engates das mangueiras.
Pêra p/ Aparelho de Tirar Pressão: Uma peça simples e de baixo custo que atendeu perfeitamente sua função. Gera uma pressão suficiente, possui uma válvula de retenção para não permitir o retorno do combustível para o interior da garrafa e ainda tem um registro para aliviar a pressão interna da garrafa que é utilizada antes de abrir a garrafa. Adquira em casa de produtos cirúrgicos.
Funcionamento:
-Antes de por em teste, tenha a mão um pano grande bem molhado, um extintor de incêndio e alguma recipiente com água.
-Carregue a garrafinha com benzina ou gasolina.
-Pressurize com alguns apertões na pêra, até sentir que o ar não está mais sendo bombeado. Veja se existem vazamentos. Caso tenha algum, faça sua correção.
-Abra o registro por alguns segundos até que o tubo seja preenchido pelo combustível, sem sair pelo ejetor.
-Coloque só um pouco de álcool na concha de pré-aquecimento.
-Remova todos os frascos que contenham combustíveis para longe. Limpe as mãos de possíveis combustíveis.
-De longe com o auxílio de um arame, coloque fogo no álcool da concha.
-Observe que a chama será suficiente para atingir todo conjunto. Após alguns instantes iniciará uma pequena vazão de combustível vaporizado e terá inicio da chama pelo queimador.
-Nesse instante vá abrindo o registro com suavidade para não sobrecarregar o tubo de aço inox. A chama será inicialmente amarelada e depois se tornará azulada como a do fogão a gás. Caso não fique azul, pode ser que está com insuficiência de entrada de ar, devendo então abrir a chapinha que envolve a abertura do tubo do queimador. Ou então trocar o ejetor com furo diferente.
-Deverá ser observado se nenhum vazamento está ocorrendo entre todas as conexões elaboradas. Caso ocorra, feche rapidamente o registro e despressurize a garrafa pelo registro da pêra.
-A chama da concha terá terminado e ficará somente a chama do queimador.
-Ponha uma panela com um litro d’água e verifique quanto tempo será necessário para ferver. Não deve passar dos 15 minutos senão deverá ser feito algum melhoramento.
-Quando estiver em pleno funcionamento, veja que o tubo de aço inox ficará avermelhado, mas isso não importa, pois não terá calor suficiente para derreter. Se for de cobre a coisa muda pois poderá derreter e derramar combustível sem controle.
-O custo final dessa montagem não chegou a US$ 60.
ALERTAS
Tudo que descrevemos aqui foi com pesquisa em livros, apostilas, internet e consulta a colegas de aventuras. No caso do projeto acima, não recomendo sua reprodução por ser um produto de fabricação caseira podendo causar danos à sua saúde e comprometer seus local de utilização.
FINALMENTE:
O que gostaríamos de deixar registrado é que o fogareiro é uma peça de uso muito requisitada e durante nossas aventuras percebemos que algum grupo termina bem mais rápidas suas refeições do que outros grupos e muitas vezes enquanto esperamos as nossas ficarem prontas, ficamos nos perguntando o porque dessa diferença e nos fez elaborarmos uma série de pesquisas onde após muitas conclusões, resolvemos colocar em nosso site, para dividirmos nosso conhecimento com você que também deve ser um aventureiro....
O Sistema de Graduação de Escaladas Brasileiro
O Sistema de Graduação de Escaladas Brasileiro
Uma Proposta de Atualização
1. Introdução
A adoção de diferentes linguagens ao expressar os graus de dificuldade das vias de escalada por parte de diferentes grupos de escaladores no Brasil tem sido uma realidade de tal forma evidente que, mesmo no Rio de Janeiro, onde o sistema de graduação foi concebido, os três guias de escaladas publicados na década de 90 traziam diferenças na forma de utilizá-lo. Em algumas outras regiões do país verifica-se o mesmo fenômeno, porém de forma mais acentuada: frequentemente há equívocos no uso do sistema, e algumas vezes são utilizados sistemas estrangeiros ou formas híbridas dos sistemas brasileiro e francês.
Em 1999 o Fórum Interclubes organizou uma série de três seminários abertos com o objetivo de discutir as mudanças ocorridas e buscar um sistema que aproveitasse as vantagens do sistema existente e incorporasse a ele novos conceitos considerados importantes pela comunidade de escaladores.
Em 10/08/99 foi aberto o primeiro seminário com exposições de autores dos guias e catálogos de escaladas lançados até então no Estado do Rio: André Ilha (Catálogo de Escaladas do Estado do Rio, 1984 e Guia de Escaladas de Guaratiba, 1999 – em fase de elaboração na época); Flávio Daflon (Guia de Escaladas da Urca, 1996) e Alexandre Portela (Guia de Escaladas dos Três Picos, 1998). Nesta ocasião foram colocadas as diferenças na utilização do sistema, e iniciou-se um amplo debate para a melhoria do mesmo.
Dois outros seminários, nos dias 05/10/99 e 14/12/99, levaram à conclusão de uma nova proposta para o sistema de graduação brasileiro. A recomendação final do seminário foi de que, após algum tempo de sua divulgação e uso, o novo sistema sofreria uma revisão final futura.
Com este texto a FEMERJ divulga o enunciado formal do sistema proposto, com o objetivo de dar subsídios às discussões que ocorrerão no seminário final, ainda este ano (2002), cuja data exata e local serão divulgados em breve em www.femerj.org.
Lembramos que a atualização proposta aqui não objetiva somente a melhoria técnica do sistema, que poderá ser utilizado de maneira eficiente em qualquer das modalidades de escalada - vias esportivas, boulders, tradicionais e big walls. Ela traz também o desejo de difundir a utilização de um sistema único e brasileiro no nosso país. Esperamos com isso contribuir para a difusão de conhecimentos técnicos e para a preservação da identidade do nosso montanhismo, que é tão rico em histórias e realizações.
2. A graduação de escaladas no Brasil: um pouco de história
Embora tenha tido seu marco inicial em 1912 com a conquista do Dedo de Deus, a escalada em rocha no país só começou a ser praticada de maneira mais ampla a partir da década de 30. Nesta época, a classificação das dificuldades utilizada para as escaladas era a mesma das caminhadas: leve, média, pesada, etc.
Foi durante a década de 40 que alguns escaladores começaram a utilizar um sistema de graduação específico para escaladas. Dois dos precursores deste novo hábito foram Sílvio Joaquim Mendes, do CERJ, e Almy Ulisséa, do CEB. O sistema utilizado, provavelmente inspirado no sistema alpino, tinha apenas um algarismo, que determinava a dificuldade geral da via. Não havia preocupação com a padronização da notação, de modo que alguns escaladores usavam algarismos arábicos enquanto outros usavam os romanos.
As tentativas iniciais de organização de um sistema viriam a ocorrer a partir na década seguinte. Em 1956, por exemplo, no Encontro de Clubes Excursionistas, dirigido por Ricardo Menescal e Manoel Lordeiro, foram listadas algumas das escaladas até então conquistadas e seus graus de dificuldade, sedimentando assim um padrão de referência para a classificação de outras vias sob um sistema único de graduação.
Na década seguinte o número de conquistas cresceu bastante, e logo surgia uma maneira brasileira de se graduar as vias, resultado do casamento do sistema alpino tradicional com a experiência dos escaladores locais. Este sistema foi aperfeiçoado, descrito e oficializado em 1974 pela antiga Federação Carioca de Montanhismo (FCM), responsável pela introdução da subdivisão "sup" na graduação. No ano seguinte, a FCM viria a se tornar estadual: Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (FMERJ), que viria a ser extinta no início dos anos 80. A FMERJ publicou em 1975 uma relação das conquistas até então existentes e seus graus de dificuldade, inaugurando ali o novo sistema.
Uma descrição formal mais completa mas com algumas adaptações seria feita em 1984, com o lançamento do Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro (A. Ilha, L. Duarte).
Finalmente, seu uso continuado e eficiência fizeram com que o sistema brasileiro fosse um dos oito únicos sistemas de graduação citados no livro "Mountaineering – the Freedom of the Hills (The Mountaineers, USA)", reconhecido no mundo todo como uma importante referência bibliográfica no montanhismo.
3. Descrição do sistema de graduação proposto
3.1 - Introdução
Uma das vantagens do sistema brasileiro é a menção dos graus geral e do lance mais difícil da via em separado, ao contrário do que acontece em sistemas como o americano e o francês, que tomam como grau de uma escalada apenas o grau do seu lance mais difícil.
O sistema aqui proposto procura manter esta e outras qualidades deste sistema e ao mesmo tempo acrescentar algumas inovações que o tornem mais atual e eficiente. Algumas destas mudanças são: a adoção oficial do sistema internacional em artificiais (o sistema antigo classificava oficialmente os artificiais em A1, A2 ou A3, embora na prática no Brasil já se adote há tempos a escala até A5), a nova subdivisão (a,b,c) para lances de dificuldade elevada (VIIa ou maior) e a adoção de um grau específico de exposição.
A graduação de uma via é composta aqui de duas partes principais: uma "central", de menção obrigatória, e outra de termos opcionais, que podem ser acrescidos conforme a riqueza de detalhes que se deseje passar.
Aparte central é composta pelo grau geral, o grau do lance mais difícil e o grau do artificial, quando este existir. Os termos opcionais são o grau de duração, o grau de exposição, o número de passadas em artificial e o grau máximo "obrigatório" em livre. Todos estes itens são explicados abaixo.
Lembramos que na atribuição do grau a uma via considera-se que o escalador está guiando e escalando "à vista", isto é, sem conhecimento prévio da via.
3.2 - O grau geral
O grau geral tem o objetivo de expressar a soma de todos os fatores objetivos e subjetivos que traduzem a dificuldade de uma via. Trata-se de uma média das dificuldades técnicas encontradas ao longo da via, que por sua vez pode ser ajustada de acordo com os fatores subjetivos, caso estes tenham um peso relevante na dificuldade geral. Entre estes fatores estão: distância entre as proteções, periculosidade das quedas, exigência física, qualidade das proteções e da rocha, existência ou não de paradas naturais para descanso no meio das enfiadas e possibilidade de abandono do meio da via.
Como é influenciado por fatores subjetivos de toda a via, o grau geral pode eventualmente ser maior do que o grau do lance mais difícil. Isto acontece, por exemplo, em escaladas de lances fáceis porém com alto grau de exposição (ver exemplos ao final do texto).
Notação e uso:
Algarismos ordinais arábicos;
Não há subdivisões;
Colocado no início da graduação, podendo apenas ser antecedido pelo grau de duração, quando este existir;
Sistema aberto para cima, podendo sempre receber um grau a mais do que o máximo grau existente em uma determinada época;
Menção obrigatória.
Escala:
1°, 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7°, 8°, ...
3.3 - O grau do lance mais difícil
Trata-se do grau do lance ou seqüência mais difícil de toda a escalada, ou grau do crux. Pode ser apenas uma passada ou uma seqüência, isto é, um conjunto de lances entre dois pontos naturais de descanso da via. Este grau também é influenciado pelo nível de exposição (um lance difícil longe do último grampo tende a ter graduação mais alta do que o mesmo lance bem protegido), embora o fator dificuldade técnica prevaleça.
Notação e uso:
Algarismos romanos;
Subdivisões: "sup" até VIsup, e "a, b, c" acima de VIsup;
As subdivisões são escritas logo após o algarismo, em minúsculas e sem espaçamento;
Posicionado logo após o grau geral, deixando-se um espaço entre eles, e antes do grau do artificial;
O sistema é aberto para cima;
Menção obrigatória.
Escala:
I, Isup, II, IIsup, III, IIIsup, IV, IVsup, V, Vsup, VI, VIsup, VIIa, VIIb, VIIc, VIIIa, VIIIb, VIIIc, IXa, ...
Obs:
Além de ser usada na classificação de vias, a notação em romanos deve ser sempre utilizada para a descrição de lances de escalada isolados. A indicação da dificuldade de cada lance nos desenhos dos croquis de vias e o relato escrito de detalhes de escaladas ("...tal escalador passou por uma fenda de VI...") são dois exemplos onde se deve escrever o grau em romanos e não em arábicos.
3.3.1 - Vias de uma enfiada de corda, falésias e boulders
Para estas vias não há sentido em se atribuir um grau geral e um grau para o lance mais difícil, uma vez que são vias curtas, de comprimento máximo de 50 ou 60 metros. Então o grau geral é abolido, e utiliza-se somente o grau do lance ou seqüência mais difícil, em romanos, para expressar a sua dificuldade. As vias muito curtas, por serem normalmente mais difíceis, não costumam possuir pontos naturais de descanso - neste caso a via inteira é uma seqüência única a ser graduada.
Esta graduação é válida para boulders, falésias e vias curtas em geral, e a notação e a escala já foram descritas acima. Seguem abaixo alguns exemplos de escaladas deste tipo pelo Brasil:
O Tempo Não Para (Galpão de Pedra, Caçapava do Sul, RS) - VIsup
Ácido Nítrico (Falésias dos Ácidos, Urca - RJ) - VIIIa
Corações e Mentes (Mo. Da Pedreira, S. do Cipó, MG) - IIIsup
Asterix (P. da Ana Chata, S. Bento do Sapucaí, SP) - VIIa
3.3.2 - O grau máximo obrigatório em livre
O grau de uma via de escalada é o seu grau mais em livre possível. No entanto, um escalador cujo nível técnico esteja abaixo dos lances mais difíceis de determinada escalada pode ter condições de repeti-la se subir tais lances em artificial, utilizando para isso as proteções como pontos de apoio. Embora este não seja o melhor estilo de se repetir uma via, muitas vezes é o estilo possível para quem (ainda) não consegue fazê-la totalmente em livre.
Por este motivo, na hora de graduar uma via, alguns escaladores gostam de mencionar o grau máximo "obrigatório" em livre da escalada, isto é, aquele que, mesmo utilizando as proteções como ponto de apoio, o escalador necessariamente tem que conseguir guiar em livre para repeti-la. Neste caso o "novo crux" passa a ser mais baixo, substituindo o crux real na graduação. O crux real é mencionado entre parêntesis, junto com a indicação do artificial que o substitui.
Por exemplo: Suponha que numa via de 3° VIsup o lance de VIsup possa ser subido pisando-se em duas das proteções (artificial A0, portanto), fazendo com que o grau máximo em livre passe a ser IV. O grau desta via pode ser expresso então como 3° IV (A0/VIsup). Isto é, a via é de 3° grau, o crux é de VIsup e caso este seja feito em artificial A0 o novo crux (grau obrigatório) passa a ser IV. O termo entre parêntesis (A0/VIsup) significa "ou você faz um A0 ou faz um VIsup".
Outra aplicação para esta forma de graduação está em vias conquistadas com trechos em artificial e que com o passar dos anos foram feitas em livre, mas que conservam a grampeação original do antigo artificial.
Notação e uso:
O "novo crux" é colocado depois do grau geral, em substituição ao crux real;
A seguir coloca-se entre parêntesis o grau do artificial, uma barra e o grau do crux real, sem espaçamento entre eles;
Uso opcional.
3.4 - O grau do artificial (A)
Entende-se por artificial o uso de meios não naturais (ou pontos de apoio artificiais) para progressão numa escalada.
O grau adotado aqui segue o sistema internacionalmente mais utilizado, indo de A0 a A5, e possuindo subdivisões ("+"). Apenas o A0 recebe uma definição um pouco diferente em relação a outros países. Quanto ao grau reservado para (futuras) escaladas mais difíceis do que A5, adota-se aqui o A5+ em vez de A6, para se manter uma lógica sequencial, a exemplo de algumas publicações como o já citado "Mountaineering – the freedom of the hills".
O grau do artificial de uma via é o grau da sua enfiada mais difícil, e não uma média dos diferentes trechos em artificial.
Quando o artificial possui poucos pontos de apoio, pode-se desejar mencionar a quantidade destes pontos. Neste caso, coloca-se o número de pontos de apoio entre parêntesis, logo depois do grau. Ex: 4° V A1(3) ou 4° V A2+(2).
Quanto a via possui trecho em cabo de aço, adiciona-se a letra "C" ao final. Ex: 4° V C.
Convém comentar que a graduação de artificiais leva em conta principalmente a qualidade das colocações que seguram o escalador e o tamanho da queda em potencial. Assim sendo, é possível a existência de artificiais com poucas passadas mas de graus elevados. Por exemplo: uma sequência de 4 ou 5 copperheads e rurps fragilmente colocados após um longo lance de escalada em livre sem proteção pode vir a receber um grau alto, apesar de ser um trecho curto.
Artificiais fixos podem ser A0 ou A1, conforme sua extensão. Artificiais de cliff são sempre maiores do que A1, variando conforme a distância da última proteção sólida e a dificuldade de progressão. Estes fatores também se aplicam ao material móvel em geral.
Notação e uso:
Letra A maiúscula seguida de numeração de 0 a 5, em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número;
Subdivisões: "+", colocado após o número sem espaçamento;
Posicionado depois do grau do lance mais difícil e antes do grau de exposição (E), caso exista;
No caso de cabos de aço, letra C maiúscula, posicionada depois do lance mais difícil ou do artificial (A), caso este exista, e antes do grau de exposição (E), caso exista;
O número de pontos de apoio vem em arábicos, colocado entre parêntesis logo após o grau do artificial, sem espaçamento. Seu uso não é obrigatório;
O grau do artificial é de uso obrigatório.
Escala:
A0: Pontos de apoio sólidos ("à prova de bomba") isolados ou em uma curta sequência, com pouca exposição; pêndulos; uso da proteção para equilíbrio ou descanso; e tensionamento da corda para auxílio na progressão;
A1: Peças fixas ou colocações sólidas de material móvel, todas elas fáceis e seguras, em uma seqüência razoavelmente longa;
A2: Colocações de material móvel geralmente sólidas porém mais difíceis. Algumas colocações podem não ser sólidas, mas estarão logo acima de uma boa peça. Não há quedas perigosas.
A2+: Como o A2, mas com possibilidade de mais colocações ruins acima de uma boa. Potencial de queda aproximado de 6 a 9 metros, mas sem atingir platôs. Pode ser necessária uma certa experiência para encontrar a trajetória correta da escalada.
A3: Artificial difícil. Possui várias colocações frágeis em seqüência, com poucas proteções sólidas. O potencial de queda é de até 15 metros, equivalente ao arrancamento de 6 a 8 peças, mas geralmente não causa acidentes graves. Geralmente são necessárias varias horas para guiar uma enfiada, devido à complexidade das colocações.
A3+: Como o A3, mas com maior potencial de quedas perigosas. Colocações frágeis, como cliffs de agarra em arestas em decomposição, depois de longos trechos com proteções que agüentam somente o peso do corpo. É comum que escaladores experientes levem mais de três horas para guiar uma enfiada.
A4: Escaladas muito perigosas. Quedas potenciais de 18 a 30 metros, com perigo de se atingir platôs ou lacas de pedra. Peças que agüentam somente o peso do corpo.
A4+: Como o A4, mas são necessárias várias horas para cada enfiada de corda. Cada movimento do escalador deve ser calculado para que a peça onde ele se encontra não seja arrancada apenas com o peso do seu corpo. Longos períodos de pressão psicológica.
A5: Este é o extremo, sob o ponto de vista técnico e psicológico. Nenhuma das peças colocadas em toda a enfiada é capaz de segurar mais do que o peso do corpo, quando muito. As enfiadas não podem possuir proteções fixas nem buracos de cliff.
A5+: Como um A5 em que as paradas não são sólidas. Qualquer queda é fatal para todos os componentes da cordada. Até o presente (2002) não se conhece nenhuma via de escalada com essa graduação.
3.5 - O Grau de Duração (D)
Expressa o tempo de duração da via quando repetida à vista por uma cordada que tenha prática nas técnicas exigidas e que tenha segurança no grau da via. A escala utilizada é a internacional, tendo a notação sido modificada para maior clareza, já que aquela escala utiliza os mesmos algarismos romanos que aqui utilizamos para o lance mais difícil da via. Assim sendo, os graus I, II, III, etc utilizados no exterior equivalerão no sistema brasileiro aos graus D1, D2, D3, etc, sendo o D de "duração".
O grau de duração da via só considera a ascenção, não incluindo o tempo de retorno, seja ele feito por rapel ou caminhada.
Notação e uso:
Letra D maiúscula seguida de numeração (de 1 a 7), em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número.
Posicionado no início do grau da via, antes de todos os outros fatores.
Utilização opcional.
Escala:
D1: Poucas horas de escalada.
D2: Meio dia de escalada.
D3: Um dia quase inteiro de escalada.
D4: Um longo dia de escalada.
D5: Requer uma noite na parede. Cordadas muito velozes podem repeti-la em um dia.
D6: Dois dias inteiros ou mais de escalada. Normalmente inclui longos e complicados trechos de escalada artificial.
D7: Expedições a locais de acesso remoto com longa aproximação e muitos dias de escalada.
3.6 - O grau de exposição (E)
O grau de exposição de uma via procura expressar seu o grau de comprometimento psicológico. Como visto anteriormente, a exposicao está incluída, junto com outros fatores, no grau geral da escalada. No entanto, a sua menção específica em separado é uma informação muitas vezes importante, principalmente em se tratando de escaladas em ambiente de montanha, e muitos escaladores optam por utilizá-lo na graduação das vias.
A primeira vez que um termo que expressasse exclusivamente o grau de exposição foi utilizado ocorreu com o lançamento do Guia de Escaladas dos Três Picos (1998), por Alexandre Portela, Sérgio Tartari e Isabela de Paoli. Os autores criaram um sistema fechado com 5 subdivisões, e que teve repercussão bastante positiva por parte da grande maioria dos escaladores que utilizaram aquela publicação como fonte de informações sobre as escaladas de Salinas (Friburgo), região incluída no guia. Como resultado, decidiu-se nos seminários incluir este grau no sistema.
Os fatores considerados aqui são principalmente a distância e a qualidade das proteções e o risco de vida em caso de queda, mas também a dificuldade técnica dos lances (embora este fator tenha menor peso).
Este grau diz respeito apenas à parte de escalada livre da via. A exposição dos trechos em artificial está incluída no grau do artificial.
Notação e uso:
Letra E maiúscula, seguida de numeração de 1 a 5, em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número.
Posicionado ao final do grau da via, depois de todos os outros fatores.
Sua utilização é opcional.
Escala:
E1: Vias bem protegidas (ex: a maior parte das vias do Anhangava/PR, Cuscuzeiro/SP, Lapinha/MG e Coloridos, Urca/RJ);
E2: Vias com proteção regular (ex: vias do Morro da Babilônia, na Urca/RJ e Serra do Lenheiro/MG);
E3: Proteção regular com trechos perigosos (ex: vias na Serra dos Órgãos/RJ e Pedra do Baú/SP);
E4: Vias perigosas (em caso de queda) (ex: algumas vias de Salinas/RJ e Marumbi/PR);
E5: Vias muito perigosas (em caso de queda) (ex: algumas vias de Salinas/RJ e Cinco Pontões/ES).
4. Exemplos de aplicação do sistema
Suponhamos que uma determinada via seja curta (uma enfiada de corda ou mesmo um boulder), e a sequência mais difícil seja VIIb. O grau da via é então VIIb.
Suponhamos agora que essa via tenha na verdade duas ou mais enfiadas. Então o grau médio dos lances da via deve ser aferido, e ajustado um pouco para cima (ou não) conforme a exposição, exigência física e outros fatores subjetivos. Suponhamos que esse grau seja 5°. Então o grau da via é 5° VIIb.
Mas no meio da via há um artificial de cliffs graduado em A2. Grau: 5° VIIb A2.
Se esse artificial constituir de apenas três pontos de apoio, você pode querer explicitar isso. Solução: 5° VIIb A2 (3).
Suponhamos que a via não tenha artificial nenhum, pois é feita em livre. Como vimos acima, seu grau é então 5° VIIb. Mas o crux (VIIb) tem a possibilidade de ser feito em artificial segurando em um ou dois dos grampos de proteção (um A0, portanto), e aí o lance mais difícil passa a ser um Vsup. Você pode informar isso na graduação da seguinte forma: 5° Vsup (A0/VIIb).
Bem, acontece que esta via é particularmente exposta (um E4), e embora isto já tenha influenciado o grau geral você pode querer dar a informação em separado. Então o grau da via é 5° VIIb E4. E se houver o artificial A2, 5° VIIb A2 E4.
E finalmente a via em questão é tão longa e trabalhosa que se trata de um big wall, e uma cordada normal levará dois dias para repetir. O grau é então: D5 5° VIIb A2 E4.
Em suma: o grau pode ser expresso de maneira tão simples como VIIb ou tão extensa como D5 5° VIIb A2 E4, conforme as características da via e os objetivos de quem a gradua. Mas na prática, a maioria das vias só requer mesmo o uso de dois termos: o grau geral e o crux. Seguem abaixo outros exemplos:
VIsup - via de uma enfiada, boulder ou falésia cujo crux é VIsup.
D2 4° VIsup A2 E2 – Via de grau médio (geral) 4°, crux VIsup e artificial A2 cujo grau de exposição é E2 (grampeação regular) e a duração é D2 (meio dia de escalada).
IV E3 - Via curta de crux IV grau e exposição regular com trechos perigosos (E3).
3° IVsup (A0/VI) – Via de 3° grau com crux de VI, mas cujo crux obrigatório é IVsup.
D6 7° VIIb A3+ E4 – Via de 7° grau com crux de VIIb e artificial A3+ que tem grau de exposição E4 (via perigosa) e duração de alguns dias.
5° IV – Via de 5° grau cujo crux é de IV grau.
5° IV E4 – Pode ser a mesma via anterior, mas decidiu-se tornar explícito o grau de exposição. Notar que o alto grau de exposição desta via faz com que o grau geral seja maior do que o do crux.
5. Graduação de algumas vias pelo Brasil pelo sistema
Entre o Sol e a Lua (Casa de Pedra, Bagé, RS) - 5° V
O Dia da Marmota (P. do Cuscuzeiro, Analândia, SP) - 5° VIsup
Tragados pelo tempo (Corcovado, RJ) - D5 6° VIsup A3+
Ópera Selvagem (Sa. Do Lenheiro, S. J. del Rei, MG) - 4° V
Infarto Neurológico (Ibitirati, PR) - 6° VIsup A2 E4
Agulha do Diabo (Serra dos Órgãos, RJ) - 3° IIIsup A1 C
Universo Paralelo (Pa. do Pântano, Andradas, MG) – VIIa
Los Encardidos (Marumbi, PR) – D5 6° VI A2
Tente Outra Vez (Torres – RS) - VI
Alcatraz (Pedra de São Pedro, RN) - 6º VIIa E2
Face Leste do Pico Maior (Friburgo, RJ) - 5° IVsup E3
6. Considerações finais
Como dito anteriormente, o novo sistema vem sendo testado na prática desde o início do ano 2000 em diferentes regiões do país, e após este período já é possível fazer algumas observações:
A mudança de notação existente entre o sexto e o sétimo grau foi bem assimilada pelos escaladores na linguagem oral – parece estar bem difundido que depois do "sexto sup" vem o "sete a", "sete b", etc, e não mais os "sétimo" e "sétimo sup". Mas, na escrita, ainda se usa muito os arábicos para estes graus ("7a", "7b", etc), quando o correto é "VIIa", "VIIb", etc.
Outro equívoco ainda comum é o uso de subdivisões no grau geral e o uso de arábicos na classificação de lances ("5° sup"), em vez dos romanos.
O uso do grau de exposição se tornou rapidamente popular, e embora tenha por vocação maior utilidade nas regiões de "vias de montanha", vem sendo usado corriqueiramente em escaladas urbanas. Alguns escaladores sugeriram que este fator passe a ser de uso obrigatório.
7. Bibliografia
- Documentos técnicos da extinta FMERJ, 1974 e 1975;
- Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro – André Ilha e Lúcia Duarte, 1984;
- Guia de Escaladas da Urca – Flávio Daflon e Delson Queiroz, 1996;
- Guia de Escaladas dos Três Picos – Alexandre Portela, Sérgio Tartari e Isabela de Paoli, 1998;
- Guia de Escaladas de Guaratiba – André Ilha, 1999;
- Notas dos seminários de graduação – Fórum Interclubes, 1999;
- Mountaineering – The Freedom of the Hills – 6a edição - The Mountaineers, 1996.
Expediente
Este texto é parte do acervo de textos técnicos produzido pela Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (FEMERJ) para a comunidade de montanhistas, e pode ser baixado de www.femerj.org. A cópia e divulgação do mesmo são livres, desde que sem fins lucrativos e desde que citada a fonte.
Agradecemos a comunicação de quaisquer erros ou omissões encontrados aqui através do e-mail infofemerj@femerj.org ou por carta à FEMERJ.
FEMERJ
Rua Hilário de Gouveia, 71 / 206 Copacabana - Rio de Janeiro CEP: 22040-020...
O Estado da Arca por Pedro L. Tomasulo
O ESTADO DA ARCA
Estima-se atualmente que a ciência conheça cerca de 1,4 milhão de espécies, incluindo todas as plantas, animais e microrganismos. Entre os grupos que dominam essa grande diversidade estão os insetos com 751.000 espécies conhecidas, e as plantas superiores com 250.000 espécies.
Conclusão: a espécie humana habita um planeta que pode ser considerado uma verdadeira “Arca –de - Noé” em termos de diversidade de formas de vida.
Entretanto, uma vasta quantidade de espécies ainda está por ser descoberta. Os estudiosos da biodiversidade afirmam que o total de formas de vida que habitam nossa “Arca” deve situar-se entre 10 e 100 milhões de espécies!!!
Infelizmente, esses pesquisadores correm contra o tempo na conhecida luta entre a descoberta de novas espécies e a extinção provocada pela destruição dos habitats naturais. Incluir uma espécie nova na lista requer, muitas vezes, pesquisar lugares ainda pouco explorados, como a copa das árvores das florestas tropicais, rica em diversidade animal mas quase inacessível por causa da altura (de 30 a 40 metros do solo), da superfície escorregadia dos troncos e dos enxames de formigas e vespas prontas para picar aqueles que se aventuram a subir.
Outros locais quase inexplorados cientificamente são os paredões e os cumes das montanhas de grande altitude, cujas fendas nas rochas abrigam uma imensa variedade de espécies, talvez inéditas para a ciência.
Atualmente, poucos botânicos tem se aventurado a pesquisar a flora que habita os “inselbergs”, nome geológico dado aos afloramentos e às formações rochosas das montanhas, devido a grande dificuldade para coletar amostras de plantas nesses locais.
Aos amigos escaladores: essa é uma ótima dica, e talvez oportunidade, para unificar ciência e esporte em prol da conservação da diversidade da vida na nossa preciosa “Arca”. Pensem nisso!!!!
Foto: Matuza
Sugestão para leitura: Diversidade da vida
Edward O. Wilson
Cia. das Letras – SP
Pedro L. Tomasulo Biólogo / Professor Universitário / Mestre em Ecologia, Conservação e Manejo pela UFMG / Doutor em Geociências e Meio Ambiente pela UNESP de Rio Claro...
Parque Nacional do Itatiaia - Planalto por Danilo Henrique Kleine
PARQUE NACIONAL DO ITATIAIA – PLANALTO
O Parque
O Parque Nacional do Itatiaia foi criado em 14 de junho de 1937 pelo Presidente Getúlio Vargas, sendo o pioneiro dos parques brasileiros, sua criação foi espelhada em modelos internacionais, principalmente norte-americanos como o do Parque Yellowstone.
Localizado entre as cidades de Itatiaia –RJ, Resende –RJ, Itamonte - MG, Alagoa – MG e Bocaina de Minas – MG, as características do planalto são de relevo montanhoso e altitude variando de 2300 à 2787 metros, compreendendo uma área total de 30.000 hectares e perímetro de 110 km (incluindo parte baixa), o clima é mesotérmico e o ecossistema predominante é de campos de altitude. Para adentrar ao parque é cobrada um taxa de R$3,00.
Tachyphonus coronatus (Tiê-Preto; Ruby-Crowned Tanager).
Habita a região sul e sudeste do Brasil e parte leste do Paraguai.
Pode ser visto isolado ou em grupos. O macho exibe a mancha vermelha da cabeça, quando excitado, e mostra a parte inferior/interna das asas com cor branca, quando voa. A fêmea é totalmente diferente com cor laranja escurecida e levemente menor que o macho.
Entenda mais sobre o que é um Parque Nacional (PARNA)
De acordo com o SNUC- Sistema Nacional de Unidades de Conservação, LEI N° 9.985, de 18 de Julho de 2000.
O Parque Nacional é uma Unidade de Proteção Integral (Art. 7° item I)
Art. 11 O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.
§ 1° O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei.
§ 2° A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento.
§ 3° A pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento.
§ 4° As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado ou Município, serão denominadas, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal.
Escaladas no Parque
O parque é um importante ícone da história do montanhismo nacional, quando em 1856, José Franklin da Silva (Massena) escala o Agulhas Negras, mas sem alcançar o ponto mais alto. Somente em 1919, Carlos Spierling e Osvaldo Leal escalam o ponto mais alto o Itatiaiaçú com 2787,4 metros.
Pedra do Tubarão-Maciço das Prateleiras (Via Sexto Sentido)
Agulhas Negras
Altitude: 2787,4 metros
O pico mais conhecido do parque, com aproximadamente 18 vias de escalada no estilo clássico com predominância em chaminés. O cume do Agulhas o Itatiaiaçú conta com um livro de registro de topo. A via mais freqüentada pelos turistas é a Pontão Ricardo Gonçalves.
Prateleiras
Altitude: 2540 metros
O pico com grande quantidade de vias, com aproximadamente 24 vias em vários estilos (clássico, esportivo, móvel, artificial). Atualmente o cume também conta com livro de registro de topo. As vias mais freqüentadas pelos turistas são a via Sul e a via Norte. Destacam-se as vias 6° sentido, Chaminé Idalício e Chaminé Brackmann para escaladores.
Morro do Altar
Altitude: 2665 metros
O pico conta com aproximadamente 7 vias de escalada, predominante em livre, e uma via com lance em artificial fixo. De todos os picos o seu topo é o melhor em termos de visual geral do parque por estar situado bem ao centro, podendo ser contemplado Asa de Hermes, Ovos de Galinha, Agulhas Negras, Prateleiras e Morro do Couto dentre outros. Destacando-se as vias Gênesis e Alexandria.
Morro do Couto
Altitude: 2680 metros
Do topo do Couto alcançado por escalaminhada após a antena, há um belíssimo visual, mais abaixo do topo há o Campo Escola Luiz Fernando com aproximadamente 15 vias predominante em escalada esportiva.
Outras opções de escaladas no Parque
- Morro do Camelo (localizado na frente do Alsene anterior a portaria)
- Vias e paredões ao longo da estrada.
Outros Atrativos:
- Cachoeira do Airuoca
- Pedra da Maçã e Tartaruga
- Pedra Sentada
- Ovos de galinha
Problemas
A falta de locais para acampamento é um transtorno para os excursionistas, no passado antes da portaria o acampamento era liberado, mas devido a falta de educação ambiental, o IBAMA realizou uma grande ação proibindo o camping nessas áreas devido a contaminação dos riachos, lixo, dejetos e todos os maus hábitos trazidos da cidade. Restando somente o camping do Alsene como única opção, onde é cobrado R$10,00 por pessoa sem grande infra-estrutura em relação ao preço, principalmente pela falta de local adequado para a preparação de refeições.
Estaremos propondo junto ao Parque que seja adotado um modelo parecido com o do Parque Nacional da Serra dos Órgãos onde é cobrada uma taxa maior, para o excursionista ficar dentro do parque, implantando uma fiscalização rigorosa e criteriosa, atendendo as normas ambientais, gerando maiores recursos ao parque pelo uso sustentável.
Algumas caminhadas estão proibidas, seria viável um estudo preciso da capacidade de carga para a verificação se tais caminhadas não poderiam ser liberadas novamente com guias cadastrados ou montanhistas filiados a federações com prévia autorização do parque.
Bromélia
Preserve o meio ambiente
- A preservação depende da sua atitude;
- Não faça fogueiras;
- Não polua os riachos;
- Não moleste os animais;
- Traga todo o seu lixo de volta;
- Procure utilizar somente as trilhas demarcadas;
- Oriente/denuncie os visitantes sem educação ambiental;
Saltator similis (Trinca-Ferro)
Habita a região central, sudeste e sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e parte nordeste da Argentina. Seu nome popular deriva da robustez de seu bico.
Dicas
- Leve máquina fotográfica;
- Utilize filtro solar mesmo em dias nublados;
- Utilize calçado apropriado;
- Vá preparado com vestimentas adequadas(o local é muito frio);
- Fique atento ao horário de retorno;
- Montanhista informe-se adequadamente sobre o local a ser visitado, bem como as vias a serem escaladas mediante as suas limitações;
- Turistas de aventura ao visitarem o parque contratem um guia cadastrado;
Para saber mais:
GUIA DE ESCALADAS DO ITATIAIA – RJ
Autores Jorge Alberto Guedes e Fábio Côrrea Guedes
Danilo Henrique Kleine
Instrutor/Guia de escalada em rocha, Condutor Autorizado IBAMA – P.N. Itatiaia, Integrante do Grupo PORVA, Instrutor de Trabalhos em Altura em Concessionária de Energia Elétrica, Conquistador de vias de escalada destacando-se a região de Salesópolis, Cursando atualmente Faculdade de Turismo, Ministrou cursos de resgate em estruturas de LT´s ao Corpo de Bombeiros do Alto Tietê.
Email: danilo@porva.com.br
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Conquista do Baú por Marcello C. Vazzoler
A Pedra do Baú
Lembro-me como se fosse ontem, da primeira vez em que subi a Pedra do Baú, eu, meu irmão Marcilio e Herbert, um amigo de longa data, éramos adolescentes em busca de aventura e tivemos conhecimento de tal monolito rochoso por conta de matéria escrita em uma revista, cuja descrição da empreitada na época, dizia ser um desafio para os mais corajosos e decididos, tínhamos pouca experiência em excursionismo, muito menos em altura, mas mesmo assim nos achávamos capazes. A nossa primeira subida na pedra foi precedida pela de um grupo de escoteiros, havia um líder, e este discursava sobre os enormes perigos de se subir tal paredão, na época já havia as escadinhas de ferros chumbadas na pedra, mas as pessoas que subiam por tal escadinha não usavam nenhum equipamento de segurança, tanto por desconhecimento quanto por não acharem necessário.
O tempo passou e eu comecei a escalar de uma forma um pouco mais técnica, com corda, mosquetões e sapatilha, desde essa época venho freqüentando sempre que posso o conjunto, Baú, Bauzinho e Ana Chata, e para mim a história da Conquista do Baú, bem como a preservação do ecossistema local são de extrema importância. O complexo Baú constitui-se hoje em dia em um dos principais pólos de escalada de São Paulo e por que não dizer do Brasil.
A Conquista da Pedra do Baú
A história da conquista
O ano era 1940 e a conquista ao topo do imponente Baú, que a despeito do nome chama-se assim, por ser uma abreviação de Embáu que em tupi-guarani significa local de vigia com 1950 metros de altitude e paredes de granito com até 360 metros de altura se tornava um tormento para um pacato cidadão de São Bento do Sapucaí de nome Antônio Teixeira de Souza, pedreiro de profissão ele não se conformava com o fato de que ninguém houvera subido a pedra, e mais, queria ser ele o primeiro a por os pés em seu cume. As tentativas foram muitas e em algumas delas teve que ser resgatado por amigos, pois se embrenhava de tal forma em suas escarpas que depois não conseguia descer, porém na noite do dia 12 de agosto de 1940 Antônio que já contava com 51 anos de idade teve um sonho, no qual fora revelado a ele que a face sul do lado de Campos do Jordão é a que deveria ser galgada pela primeira vez. Levantou-se de madrugada ainda meio confuso com o sonho que tivera, e pôs-se a arrumar seu material de conquista, (martelo, uma pequena foice e três metros de corda). Sem perder tempo Antônio descreveu seu sonho ao irmão João também entusiasta da subida, e os dois partiram ainda de madrugada com o precário equipamento que ainda hoje provoca reações de pavor e respeito, foram eles intrépidos e confiantes. A escalada se mostrou mais complicada do que se imaginava, pois além das dificuldades técnicas a quantidade de vegetação presa à parede dificultava muito o progresso, e dava uma falsa sensação de que poderiam se agarrar com firmeza, no final de um dia de muita luta conseguiram realizar o maior sonho de Antônio e um verdadeiro marco na História do montanhismo nacional. E assim escreveu em seu diário: “A escalada da pedra do Baú oferece inúmeros perigos, pois possui trechos quase intransponíveis de pedreiras e abismos profundos. A respeito desse titã de pedra interessantes lendas brotaram da imaginação fértil dos sertanejos que habitavam as suas vizinhanças. Conta uma delas, que bem no alto, no pico da pedra do Baú existe um grande lago onde nas noites de lua cheia Yara a mãe d’água vai banhar-se, tendo arrastado para o fundo das águas aqueles que, em tempos remotos, ousaram escalar a montanha. Outras histórias fabulosas transmitidas de gerações em gerações até os nossos dias são contadas, como a que diz que no topo da pedra do Baú assim como a maravilhosa”edelweiss” dos Alpes, um diamante existe, tão grande e brilhante que as crianças que se detivessem a admirar as suas cintilâncias um só instante não tardariam a ficar cegas. E com essas histórias em tempos idos as meigas e ingênuas mucamas e as velhas mães pretas, assombravam os filhos da Sinhá para fazê-los adormecer.
Como várias pessoas duvidassem que os irmãos “Cortez” , como são mais conhecidos os Teixeira, tivessem alcançado o pico da grande rocha, prontificaram-se eles a repetir a façanha no dia 19 do corrente.
Efetivamente nesse dia mais de trezentas pessoas, entre as quais as autoridades de São Bento do Sapucaí, dirigiram-se ao maciço existente ao lado da pedra do Baú (Ana Chata), também de considerável altura, mas cuja escalada acessível pode ser vencida sem dificuldades, afim de observarem desse ponto a repetição do feito audacioso dos irmãos Teixeira. Não faltou também a presença de uma banda de música. Do cimo da pedra essas pessoas observavam com ansiosa expectativa, o aparecimento dos arrojados jovens na pedra do Bahú, servindo-se dos bons ventos os irmãos Cortez apareceram no ponto culminante da montanha hasteando a bandeira brasileira, enquanto no segundo plano ao som do hino nacional, a multidão de curiosos prorrompia em ensurdecedoras aclamações aos alpinistas. (19 de agosto de 1940 - Diário de Antônio Cortez)”.
Antônio sem se dar conta abriu caminho por uma rota que após cinco anos fora acrescida de degraus metálicos e cabos de aço em seus trechos mais verticais para servirem de acesso comum aos moradores mais valentes daquelas paragens. O sonho ainda não estava completo Antônio achava que deveria ter uma escada na parede que ficava de fronte à sua cidade e após algum tempo da construção da primeira, recebeu permissão e apoio financeiro daquele que era dono dessas terras e muito seu amigo o Empresário Luiz Dummont Villares. Do término da construção das escadas para a construção de um refúgio que foi o primeiro do Brasil construído nos moldes europeus, não se deu muito tempo, o que se sabe, porém é que o refúgio era construído de madeira levada lá para cima com muito custo, e era provido de captador de água externo, beliches, lareira e até um sino de bronze, tudo feito com muito capricho coroado por um erro fatal: não havia supervisão constante, portanto o que antes era um belíssimo ponto de pernoite foi aos poucos virando lenha para a fogueira dos mais inescrupulosos vândalos que por ali passaram. E hoje em dia o piso dessa construção é a única coisa que restou para a lembrança desse tempo.
Fotos
O Baú nos dias de hoje
Escaladas e Caminhadas
Fazem mais de sessenta anos da conquista e hoje em dia o complexo da Pedra do Baú (Baú, Ana Chata e Bauzinho) como já foi dito anteriormente, constitui-se em um dos principais pólos do excursionismo e escalada paulista e um dos mais importantes do Brasil, além de seus dois acessos por escadas recém reformadas, conta com inúmeras vias de escaladas em granito dos mais variados graus de dificuldade além do que duas grandes vias que podem exigir do escalador uma pernoite na parede. As escaladas técnicas começaram a ser praticadas nessas pedras na década de setenta, sendo que as vias mais antigas são também algumas das mais freqüentadas por escaladores, no Baú a via “Normal ou com a variante Cresta” são as mais freqüentadas, já no Bauzinho a “Normal da face norte e a Tudo Bem da face sul”, e na Ana Chata a “via dos Lixeiros” que era considerada a mais longa de todo o conjunto na época.
As técnicas utilizadas para escalada podem variar do livre: modalidade em que o escalador utiliza o equipamento somente para sua segurança em caso de queda, ao artificial: modalidade em que a utilização de estribos(escadinhas) é fundamental para a progressão do escalador, pois se subentende que a parede não possui bons pontos de apoio para progressão natural.
O importante é que o escalador que para lá se dirija saiba corretamente as técnicas de segurança, bem como de manuseio de equipamentos (vide box de serviços), além de informar-se a respeito da via que ira escalar, para tanto recomendamos a aquisição do “Manual de Escaladas da Pedra do Baú” por Eliseu Frechou (vide box de serviços), que contém todas as informações necessárias para entrar nas diversas vias desse conjunto.
Subir a pedra do Baú e pernoitar em seu cume com tempo bom, constitui-se em uma experiência única e também um clássico passeio de caminhada nessa região da Mantiqueira, nesse sentido a melhor opção é ir por São Bento do Sapucaí, pacata cidadezinha alcançada por ônibus diário saindo da rodoviária do Tietê em São Paulo.
Cuidados e dicas para integrar-se ao meio ambiente local
- A região ao redor do Baú, numa distância de quatro quilômetros a partir de sua base, é área de proteção ambiental desde 1987 de acordo com a lei municipal (numero 548), porém não existe nenhum tipo de fiscalização que barre a entrada do visitante.
- Pela existência de moradores dentro deste perímetro é muito importante que ao passar por porteiras feche-as como antes para que os animais de criação não escapem.
- Leve todo o lixo de volta para a cidade, isto inclui bitucas de cigarro. Não utilizar nenhum produto de limpeza tipo detergente, sabonete ou shampoo nas bicas que encontrar pelo caminho pois a mesma água que você utilizar, uma outra pessoa que estiver em um desnível inferior pode também usar.
- Não faça barulho demasiado para não afugentar os poucos animais silvestres que ainda existem, e por vezes aparecem.
O que levar e cuidados especiais
- Neste tipo de passeio é importante estar bem equipado, isto inclui tênis ou botas adequadas e previamente amaciadas; uma boa mochila resistente à abrasão, confortável e se tiver barrigueira para concentrar mais peso na cintura e não nos ombros, melhor; uma capa de chuva; lanterna com pilhas reservas; um canivete; e alimentos energéticos de fácil preparo.
- Para quem pretende pernoitar no topo a melhor época do ano é o inverno e deve-se levar um sleeping de pelo menos -5 graus. Além é claro de equipamentos específicos para camping.
- Suba o Baú de preferência com quem já conhece e se possível utilizando equipamento de segurança individual (cadeirinha de escalada, 2 pedaços de corda dinâmica de escalada de aproximadamente 1 metro cada e dois mosquetões de duralumínio para 2200kg). Informe-se com instrutores de escalada como se deve utilizar este material.(Vide box de serviços).
Acesso ao Conjunto
Por Carro
O acesso por carro à Pedra do Baú tem inicio a partir de Campos do Jordão, 24Km, começando em Jaguaribe e seguindo pela avenida Atalaia. O trajeto é bastante conhecido por moradores da região, portanto não haverá problemas quanto a informações. Os últimos 13Km da estrada não estão asfaltados, e o final dessa estrada de terra se dá em uma pequena clareira, a partir daí tem inicio duas trilhas, uma que sobe em direção a crista, a qual após 10 minutos nos leva ao topo do Bauzinho, onde deparamos com um visual realmente incrível das escarpas do Baú, e outra que desce e contorna o Bauzinho e o Baú até a escadinha do lado de Campos, levando pouco mais de meia hora.
Por Ônibus
A Viação Mantiqueira têm ônibus para Paraisópolis que faz parada em São Bento do Sapucaí com saídas às 6h30, 13h e 18h30. Partindo do terminal rodoviário do Tietê. Em aproximadamente 3 horas de viagem chega-se à rodoviária de São Bento do Sapucaí, informe-se sobre a estradinha de acesso ao Acampamento Educacional Paiol Grande. Na altura do quilometro 4 dessa estrada sai uma trilha que segue por dois quilômetros e meio de subida íngreme até um trevo com pequena bica d’água, onde a primeira trilha a direita nos leva até a Ana Chata, a do meio contorna o Baú e nos leva até a escadinha de Campos, e a da esquerda nos leva até a escadinha de São Bento do Sapucaí.
Box de Serviços
Cursos de Escalada em Rocha
- VERTICAL RADICAL
Cursos básicos, avançados e para crianças
Bip- 5188-3838 Cod. 23841
Fone/fax - (011) 4997-5737
Celular : 9224-4043
- MONTANHISMUS
Cursos básicos, avançados e big wall
Fone/fax - (012) 371-1470
Roteiros de Caminhadas e Escaladas da Região
- SÉRGIO BECK
Fone - (011) 571-7928
Marcello Cyrillo VazzolerFormado em Educação Física, cursou Fisiologia do Exercício na E.P.M. - Escola Paulista de Medicina. Escala montanhas desde 1985, é praticante de mountain bike, trekking e corridas de fundo e meio fundo. Em 1989, fundou a "Vertical Radical - Escola de Escalada em Rocha", e atua até hoje ministrando cursos de escalada em rocha e técnicas verticais. Foi pioneiro no desenvolvimento de Treinamento para Escalada Esportiva no Brasil, e desenvolveu atividades em montanha e trabalhou como guia na Patagônia Argentina, Chilena e Terra do Fogo. Escalou e trabalhou como instrutor auxiliar no curso de Escalada em Gelo e Alta Montanha nos Andes Bolivianos. Atua também como Coordenador Técnico de treinamento na área de trabalho e resgate em altura em ambiente industrial na Vertical Pro.
Email para contato: verticalradical@hotmail.com
Tel.: 011 5589-8559...
Escalada - você pode! por Marcelo L. Oliveira
Escalada – Você pode!
A escalada é um esporte compreendido dentro das atividades de montanhismo e por ser praticada na natureza, por si só já se torna bastante desafiadora. No livro “Mountaineering-The freedom of the hills” temos a seguinte menção:
“Montanhismo é mais do escalar, vistas panorâmicas, e ter experiências selvagens. É desafio, risco e trabalho duro. E não é para qualquer um. Quem for atraído para as montanhas pode encontrar momentos hilariantes e irresistíveis, bem como frustrantes e algumas vezes perigosos. Existem qualidades no montanhismo que nos inspiram e nos mostram que é mais do que um passatempo, mais do que um esporte; uma paixão, certamente e as vezes uma compulsão.”
Pode parecer um pouco duro mas dependendo do grau de exposição ao risco que cada um está disposto a correr, posso afirmar que qualquer pessoa pode ter acesso a escalada. Isto por que é uma atividade que possui várias sub-divisões que oferecem desde um alto grau de risco com perigo de vida, até 100% de segurança em atividades indoor um ambiente totalmente controlado.
Uma boa maneira de começar a praticar a escalada é ter contato com algum clube ou associação de escalada ou visitar um ginásio de escalada onde é possível dar os primeiros passos de uma forma segura. Para atividades out-door, ou seja, escalada em rocha é indispensável um curso de escalada que dará condições e conhecer e manusear todos os equipamentos envolvidos na escalada bem como técnicas específicas de segurança que proporcionaram o máximo de aproveitamento da atividade.
Outra questão que pode ser relevante é com relação ao investimento para a compra de equipamentos. Para quem começar com a escalada indoor, não é necessário ter qualquer equipamento, tudo pode ser alugado no próprio ginásio. Um kit básico composto por sapatilha + caderinha + mosquetão + saco de magnésio pode ser adquirido por preços em torno de R$ 400,00.
Hoje temos praticantes que começam com 5 anos de idade e não existe uma hora ideal para começar. Desafie os seus limites e experimente algo novo que pode mudar a maneira de encarar a vida para sempre. Conheça um novo desafio e uma inacreditável sensação de liberdade, brincando com a gravidade. A escalada é um esporte dinâmico que explora tanto seu corpo como sua mente.
Seja bem vindo a este mundo novo, e boas escaladas a todos!
Marcelo L. Oliveira
Diretor do Ginásio Vertical Indoor
Sócio Fundador da Associação Paulista de Escalada Esportiva
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Takaka - Nova Zelândia por Fabrício F. Ferreira
Takaka - Nova Zelândia
Um novo pico mas um pouco distante...
Takaka é uma pequena cidade na parte noroeste da ilha sul da Nova Zelândia.Uma baía chamada golden bay, cercada de montanhas e parques nacionais com picos nevados.
Famosa por ser um local de hippies, a paradisíaca ilha sul Takaka é rica em arenito, com blocos que lembram o sítio do Rod na Lapinha mas em maiores proporções.Hospitaleira, a cidade conta com um camping de escaladores por um preço bem acessível, e uma noite muito agradavel com cerveja caseira do Mussel in, sua fogueira e as mulheres que esporadicamente dançam sobre a mesa.
Fabrício (Gugones) guiando a via Takaka´s Spirit 8°a
Com várias vias variando de 5° à 9°a, é um ótimo pico de escalada esportiva aqui no outro lado do mundo.
Gente de todo mundo subindo pelas paredes e curtindo a vida!
Fabrício Fernandes FerreiraArquiteto formado na PUC CAMPEscalador de Rocha há 9 anos e Conquistador de Vias em São Roque - SPAtualmente viajando pela Oceania desenvolvendo projetosEmail para contato: fabriciofer@terra.com.br
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RELATOS somente texto, visite a seção relatos para visualização correta!
De carro pela América do Sul (Etapa 2 - Expedição Andina)
PAÍSES ANDINOS - 2003
DEPOIS DE MUITO TEMPO AQUI VAI A ETAPA 2, PUBLICADA DEPOIS DA ETAPA 3.. ACONTECE.... RS
29/11/03 – SÃO BERNARDO – FOZ DO IGUAÇU – 1089 Km
Automóvel lotado, saímos às 5:15 hs. Com pouco trânsito em São Paulo, já estávamos na Castelo Branco às 5:50 hs. Paramos para um café da manhã no que consideramos o melhor posto do Brasil, o Rodoserv Star, com lanches, salgados e pasteis feitos na hora. A Inês dirigiu durante os próximos 180 Km, até Ourinhos, onde visitamos nossos tios e nossa prima. Próximo a Jacarezinho, decidimos almoçar em um restaurante de posto. Estava realmente bom. Chegamos a Foz por volta das 21:00 hs, parando diretamente na Pizza Hut, onde pegamos uma pizza e fomos ao hotel (por sinal relativamente caro – R$ 90 – e mal cuidado).
30/11/03 – FOZ DO IGUAÇU – CORRIENTES - 662 Km
Acordamos às 7:00 e, após o café da manhã, fomos ao Parque Nacional do Iguaçu, desta vez com o intuito de fazer o passeio pelo Macuco Safari. No caminho, chegamos a questionar o preço do passeio de Helicóptero, mas R$ 175 por 10 minutos é realmente abusivo, explicado somente pela forte presença de europeus, principalmente franceses. Mesmo o Macuco Safari é caro, mas como todo ano aumenta, vamos desta vez para não pagar mais caro nos próximos anos. Inicialmente entramos no parque, pagando R$ 11,40 cada. De ônibus (turístico), paramos no ponto do Macuco e compramos os ingressos (R$ 103,50 para mim, R$ 68,50 para o Erik, ambos com desconto de 10% sobre o preço de tabela e R$ 58 para Inês que fez apenas a parte terrestre – jipe e caminhada). O trajeto é muito bonito, sendo 600 metros a pé. Ao final chegamos aos barcos, de estrutura de borracha e dois motores de 150 HP’s. Tiramos os calçados e pegamos sacos plásticos para guardar as câmeras. Manobras rápidas, cavalos de pau e muita velocidade. Passamos praticamente abaixo de algumas cachoeiras. Valeu o preço. Ao sair ainda fomos ver as cataratas pelo passeio convencional, já que estava pago. Ainda não finalizaram as obras no elevador, o que prejudica bastante o passeio. Fora do Parque, parei na maior loja de artesanato da região, deixando a Inês e o Érik. Eu, para adiantar, visto que planejamos rodar muito neste dia, fui comprar lanches. Atravessamos a fronteira para Argentina, parando no Free-Shop para comprar batons, cremes e 2 Whiskies para meu pai. Passamos pela aduana, abastecemos (cerca de 15% mais barato que no Brasil) e fomos ao centro de Puerto Iguazu para retirar Pesos do cartão Visa Plus, pois haveria pedágios na estrada. Já era mais de 15:00 hs (16:00 no Brasil) quando finalmente pegamos a estrada. Questionamos um policial (da Gendarmeria) sobre o limite de velocidade. Ele simplesmente falou que não havia limite. Desta forma seguimos, mas sem abusar da velocidade, pois poderia ser uma “pegadinha”. Chuva e vento muito fortes por cerca de meia hora. Quase tivemos que parar para esperar que melhorasse. Paramos em Posadas para comprar pães de queijo em uma padaria conhecida. Não estava tão bom quanto há dois anos. Anoiteceu e quase atropelamos um jacaré que estava na pista oposta. Abastecemos e, através de uma excelente estrada, chegamos a Corrientes já bem tarde. No centro, fomos a um hotel que estava caro (P$ 110), mas o próprio gerente nos indicou outro hotel, do mesmo nível, mais barato. Ficamos neste (P$ 75). O único problema foi derrubar um dos Whiskies do meu pai, que quebrou na queda.
01/12/03 – CORRIENTES – SALTA - 840 Km
Media lunas, mate e suco de laranja. O café da manhã na Argentina é servido em doses homeopáticas, mas é muito saboroso. Saímos após as 9:00 hs. Após a cidade de Presidente Saenz Peña, viramos à direita em um entroncamento que constava no mapa como reta. Havia uma pequena placa identificando a conversão para Salta, nosso destino. Cerca de 200m após, avistamos um Toyota Bandeirante parando no acostamento. A Barraca, fixa e dobrável sobre o rack me chamou a atenção. Cheguei a comentar com a Inês que esta era a barraca que gostaria de comprar, não me atentando ao fato de que esta barraca é fabricada somente no Brasil. Ao passar, deram sinal com o farol para pararmos. Um pouco em dúvida, resolvemos parar. O que ocorreu com o Bandeirante? Eles passaram reto pelo cruzamento e, após cerca de 40 Km, resolveram voltar. Entraram então com destino à Salta, mas como não tinham visto a placa, resolveram parar e perguntar ao primeiro que passasse qual o caminho para Salta. A esposa acaba de comentar que seria difícil algum argentino parar para dar informação, quando estávamos nos aproximando. O motorista, de pronto, comenta “acho que são brasileiros!”. Logo em seguida sua filha: “Acho que é o Sergio!”. Foi incrível, era o pessoal de São José do Rio Preto, o Milton, a Maria José e a Clara, que conhecemos na Patagônia. Dois anos depois, nos encontramos novamente em uma estrada desértica no norte da Argentina. Após a emoção inicial descobrimos que faríamos caminho semelhante até San Pedro de Atacama e em seguida seguiríamos ao Norte e eles ao Sul. Combinamos de nos encontrar em Salta ou Atacama. Após as despedidas, seguimos a Salta. Um policial carabinero nos pediu uma propina para pintar o posto policial para o Natal. Não tendo nota menor, demos P$ 10, o mesmo valor que o Milton também contribuiu. Chegamos a Salta às 19:00 hs. Escolhemos um hotel (Petit por P$85) próximo à entrada da cidade. Sem garagem, o carro ficou na rua e foi visto pela Clara. Acabaram ficando num hotel próximo ao nosso, pois ficamos com o último apartamento para 3. Fomos jantar juntos e combinamos de andar de teleférico no dia seguinte.
02/12/03 – SALTA - CAFAYATE – SALTA - 519 Km
Descobrimos que o teleférico só abriria as 10:00 hs, e não as 9:00 hs como previsto. Decidimos ir à pé até a igreja de San Francisco, a mais famosa da cidade, que aparece nas fotos túristicas, com seu forte tom avermelhado. Após tirar algumas fotos, voltamos ao teleférico e finalmente fizemos o passeio. O desnível é de quase 250m e se tem uma bela vista da grande cidade de Salta, que é também bastante tranqüila, sem muito perigo. Pegamos a Ruta 68 com destino a Cafayate por volta do meio-dia. A estrada é toda asfaltada e o caminho, muito bonito. O ponto alto é El Anfiteatro, um desfiladeiro alto e fechado, 50 km antes de Cafayate.
Em Cafayate tomamos a decisão de voltar pela velha Ruta 40 (a versão argentina da Route 66, que segue de norte ao sul acompanhando os Andes, por vezes asfaltada, com pistas duplicadas, por vezes um curvo caminho de terra, como no trecho que entramos). Entramos às 15 hs, sabendo que chegaríamos muito tarde em Salta. São cerca de 20 Km de asfalto e cerca de 15 de rípio (pedregulhos com areia) para chegar a um vale com rochas em formatos bem pontiagudos. Paisagem diferente, muito bonita. Daí em diante a estrada começa a estreitar e as curvas se tornam bem fechadas. Perigoso e muito lento. Antes da Cachi, havia uma cidade, Seclantás, e um atalho a ser considerado, mas que não constava em nosso mapa. Não seria uma boa opção, pois não veríamos Cachi, que é uma pequena cidade, bem simpática, que possui até museu.
Aí começa o asfalto. Pegamos a ruta para Salta que passa pelo Parque Nacional Los Cordones, acima dos 3000m, cortada pela Reta Tim Tim, rodeada de Cactos. Acaba o asfalto e começa uma descida dos 3200m aos 1200m. Serra do tipo Caracoles, que iniciamos ainda de dia, mas terminamos já no escuro. Chegamos a Salta às 22:00 hs, abastecemos, comemos um lanche e fomos dormir, agora no Hotel Continental (P$ 60, com ar-condicionado), o mesmo que nossos amigos haviam ficado.
03/12/03 – SALTA – SAN PEDRO DE ATACAMA - 547 Km
Saímos por volta das 9:00 após o café. Começamos a subida para os Andes serpenteando um belíssimo vale, numa estrada de rípio. Em determinado trecho começou novamente o asfalto. Um policial nos parou para checar os documentos. Enquanto isto, um agricultor local, o Sr. Barbosa nos pediu carona. Achamos que era combinado, pois o policial falou que não éramos obrigados a dar carona, mas que o Sr. Barbosa era conhecido e boa pessoa. Levamos o Sr. Barbosa para sua residência, 40 Km adiante. Deixamos um pouco de bolachas e doces para seus 4 filhos. É uma vida difícil, principalmente porque após um inverno sem neve, não há água, plantações e, por consequência, trabalho para os agricultores. Logo a seguir acaba o asfalto. Gostaríamos de ter desviado para o local onde há a famosa ponte do “trem das nuvens”, mas chegaríamos a San Pedro muito tarde. Fica para a próxima vez. Chegamos a San Antônio de Los Cobres, última cidade Argentina antes do Paso Sico. Abastecemos e compramos artesanatos que as crianças vendem, após cercarem o carro. A cidade é pequena e tem pouca estrutura, chamando a atenção um belo Hostal. Muito tempo acima dos 4000m e muito pó acabaram por provocar dor de cabeça em todos, além de enjôos. Após os trâmites na Argentina, chegamos a Aduana chilena. Havia um cão Huskie Siberiano próximo ao carro, por sinal o único carro na aduana. Ao abrir a porta e sair do carro o cão entrou rapidamente e pulou para o banco de trás. A Inês e o Érik gritaram tanto que o cachorro acabou saindo. Perguntei para o fiscal se o cão estava farejando drogas. Mas de acordo com o fiscal, o que ele procurava era comida mesmo. Os trâmites demoraram um pouco mais que o usual. Passamos por belas lagoas e salinas. Passamos pela entrada das lagoas Miñiques e Miscanti, mas não parei pois o Érik e a Inês ainda não haviam melhorado.
Chegamos a San Pedro, onde também houve demora no posto da Aduana (ainda não entendo o porquê de haver duas aduanas). Fomos direto ao Vale da Lua, tentar ver o pôr-do-sol. Chegamos correndo, quase perdendo controle do carro em uma curva. Deixamos o carro e subimos correndo ao local de observação, mas quando estávamos nos aproximando, as pessoas começaram a descer. Por 5 minutos não vimos um belo pôr-do-sol. Voltamos à cidade e, após muita procura, escolhemos o Residêncial Chiloé, sem banheiro privado, mas novo e extremamente limpo. 15.000 Pesos por noite (=R$ 75), com estacionamento e sem café. Fomos ao centro e encontramos nossos amigos de Rio Preto em uma lojinha. Tomamos sorvete e voltamos ao hotel. Resolvemos alterar nosso roteiro original que previa atravessar para a Bolívia no Salar de Uyuni, devido à estrada ser muito difícil para veículos com tração normal, 4x2. Havia uma travessia dos Andes próximo à Iquique, mas teríamos o mesmo problema que a rota de San Pedro para o Salar de Uyuni, ou seja, estradas pouco aconselháveis para 4x2. Optamos então pela aduana no Lago Chungará.
04/12/03 – SAN PEDRO DE ATACAMA – IQUIQUE - 547 Km
Acordei às 6:00, após sonhar com o pneu traseiro esquerdo rasgado. Resolvi ir sozinho às lagoas Miñiques e Miscanti. Enquanto eu estava no carro e a Inês no banheiro, tentei sair para ir ao banheiro quando o pastor alemão resolver correr em minha direção. Voando, entrei no banheiro e o fechei. Aguardei uns 15 minutos até o cão sumir. Entrei novamente no carro e, surpresa, o pneu que havia sonhado estava realmente furado. Enchi com o compressor e como o borracheiro e o posto estavam fechados, segui até a aduana para perguntar se havia posto em Socaire ou Toconao. A aduana também estava fechada. Voltei à cidade e abasteci após circular muito para achar novamente o posto, que já havia aberto. Como o pneu ainda estava cheio, segui para as lagunas. Foram 240 Km ida e volta. Embora não estivesse azul como nas fotos, o local é muito bonito, valendo uma passagem.
Elas se localizam a mais de 4300m de altitude. Havia muitas aves, entre as quais são os flamingos que chamam mais a atenção. Na volta encontrei nossos amigos Milton, Maria José e Clara, que estavam indo às lagoas. Cheguei em São Pedro às 11:30hs e esperei a Inês e o Érik que haviam ido passear pela cidade. Estávamos indo embora quando lembrei que não havia fotografado e filmado o centro de San Pedro. Voltamos para realizar a tarefa. Fomos então ao Vale da Morte e novamente ao Vale da Lua. Seguimos para Calama onde comemos lanches no posto Esso e chegamos a Iquique ao anoitecer. Após excessiva procura, achamos um bom apart-hotel por 22.000 Pesos (R$ 110). O único problema era controlar a ducha que acabou por molhar todo o banheiro e o corredor do apartamento.
05/12/03 – IQUIQUE – ARICA - 359 Km
Devido ao forte cansaço, reflexo principalmente da procura por hotel no dia anterior, saímos tarde. Fomos ao Zofri Mall, ao norte da cidade. É considerada a Zona Franca, embora toda a região I do Chile seja Zona Franca. Comprei uma pochete/mochila Doite e lanterna de Led. No geral há alguns itens baratos, mas deve-se garimpar bastante. Pegamos a Panamericana e chegamos a Arica por volta das 19:00hs, mas demoramos a achar um hotel bom e barato. Ficamos em um hotel muito bom (Hotel Avenida), novinho, mas um pouco acima do orçamento – 25.000 Pesos (= R$ 125). Nossa primeira opção eram umas cabañas na entrada da cidade, mas não havia ninguém para atender. No calçadão do centro, comemos lanches e filet a lo Pobre. Muito bom.
06/12/03 – ARICA – LA PAZ - 540 Km
Café no quarto. Deveria custar o mesmo preço, mas quiseram cobrar mais. Não aceitamos. Pagamos apenas o combinado no check-in. Ao abastecer (inclusive a bombona, para eventualidades no caminho), encontramos um senhor com a camisa do Santos. Nascido em Arica, hoje mora em São Paulo, mas já residiu e possui um apartamento em Jordanópolis (São Bernardo). Pegamos a estrada (errada) e percebemos, após 13 Km, que o caminho não era aquele. Pegamos então um “atalho” de rípio sobre uma montanha, trecho este de cerca de 20 Km. No total a perda foi de cerca de 10 Km. Na subida, paramos para tirar fotos de Putre e acabamos comprando artesanatos de uma senhora. Enquanto comprávamos, apareceu um condor que passou duas vezes sobre nós. O motorista do ônibus turístico que havia parado alegou que era realmente um condor. Os turistas acabaram conversando muito conosco. Pessoas bastante simpáticas. Paramos muitas vezes nas proximidades do Lago Chungará para fotografar e filmar.
Demoramos bastante, a ponto de cruzar a fronteira por volta das 15:00 hs (14:00 hs na Bolívia). Após a Aduana, seguimos para La Paz. Surpreendentemente foi uma das melhores estradas até o momento. A Inês quis dirigir, apesar de estarmos acima dos 4.000 m e acabou dirigindo por 90 Km. Chegamos a região próxima a La Paz, pela bagunça denominada El Alto. Cães, pessoas, carros e ônibus dividindo o mesmo espaço, sem regras definidas. Ficamos cerca de 5 hs procurando hotel em La Paz. No intervalo paramos para comer em um Burger King, onde havia 3 brasileiros, estudantes ou formados em faculdades de La Paz. Criticaram muito tudo relacionado à Bolívia, como costumes, corrupção, etc. Mas nos deram muitas dicas. No final da noite, por volta das 23:00 hs, finalmente achamos um bom hotel (Maxin) que custou US$ 40. Todos os hoteis são cobrados em dólar e são caros. Mesmo sendo uma reprise, torci muito pelo Parana contra o Corinthians pelo campeonato brasileiro, em jogo que passava na TV.
07/12/03 – LA PAZ – TIAHUANACU – LA PAZ - 183 Km
Acordamos tarde, exaustos pela falta de ar e pela procura por hotel no dia anterior. Após o café, tipo buffet, fomos à Tiahuanacu. Muita confusão no trânsito maluco de El Alto. Após El Alto, a estrada, pedagiada, é muito boa. Em Tiahuanacu há agora 2 museus, sendo o último inaugurado em Junho de 2002. Pagamos 53 Bolivianos (=R$ 21 = US$ 7), sendo 25 cada adulto estrangeiro e 3 para estudantes (chorado pois queriam cobrar 10 Bolivianos, o preço do adulto boliviano). O ingresso é válido para os dois museus, o sítio de Tiahuanacu e mais um sítio próximo. Um guia custaria mais 50 Bolivianos. Fomos por nossa conta. No meio do sítio, um senhor, dizendo ser arqueólogo começou a nos dar explicações. Acabamos dando 10 Bolivianos a ele. Tiahuanaco é uma civilização anterior aos Incas, com seu ápice provavelmente entre 2000 e 1000 A.C. Como há poucos registros e suas obras foram monumentais, utilizando rochas maiores que as utilizadas pelos Incas, com encaixe perfeito, há muitas teorias heterodoxas sobre este povo. Variam desde explicações baseadas em origem extraterrestre, até explicações mostrando Tiahuanacu como Atlântida. Realmente um local misterioso.
Voltamos a La Paz e fomos novamente ao Burger King. Visitamos também o supermercado ao lado. Cada vez mais os supermercados estão parecidos em qualquer país, pela globalização. Acabam sobrando poucas marcas fortes, presentes em todo o mundo. Em seguida fomos ver o Vale da Lua, no limite sul da cidade. É uma paisagem muito linda, realmente lunática, pena que as mansões e clube de tiro (!!!) estão cercando esta área. No fim da tarde, a Inês ficou descansando no hotel, enquanto eu e o Érik saímos à pé pelo centro. Andamos cerca de 2 Km e entramos em algumas galerias. Jantamos Miojo. No Fantástico passou uma matéria sobre novos talentos e mostrou 2 repórteres (não muito sérios) entrevistando 2 pessoas na praia de Santos. Ambos, os entrevistados, trabalham comigo na Canbras. Depois fiquei sabendo que haviam gravado a cena em 1996.
08/12/03 – LA PAZ – PUNO - 355 Km
Saímos por volta das 9:00 hs e fomos direto para Chacaltaya. Direto é modo de dizer, afinal não há placas indicativas, o que torna o passeio uma aventura, pois o caminho é feito através de ruas secundárias em El Alto.
Apesar disto, erramos por apenas 500 metros. Chacaltaya é uma montanha cujo pico fica a 5395 metros de altitude e há uma base, onde se chega de carro, a 5260 metros. É a estação de esqui mais alta do mundo. Com a altitude e a pouca largura da estrada, com muitas curvas, a Inês e o Érik foram ficando nervosos. Mal da altitude. Somente eu fiz a caminhada até o topo do Chacaltaya. Falta ar, mas vale a pena. As vistas do Altiplano, de La Paz, do Huyana Potosi e do outro lado da cordilheira, já em sua descida para a floresta, são magníficas.
Fomos em seguida para Copacabana, via balsa. Como o pedágio e a própria balsa consumiram quase todo o dinheiro (sobrando apenas 70 centavos bolivianos), tivemos que pagar os 4,5 Bolivianos relativos a travessia dos passageiros, em Dólar (US$ 1).
Passamos pela bonita e colorida Copacabana e atravessamos para o lado peruano. No total, apesar do trânsito caótico, vimos apenas 1 acidente. Os trâmites burocráticos nesta aduana, embora ainda confusos, são bem mais organizados e fáceis que na divisa Arica/Tacna. A opção foi boa também porque descobrimos mais adiante que a Panamericana estava parada em função de protestos, já há alguns dias. Um policial solicitou propina, mas aleguei que precisava sacar dinheiro. Graças a Deus foi o único em todo o Perú, mesmo tendo sido parados diversas vezes para checar nossos documentos ou nosso rumo. Chegamos a Puno às 17:30 e achamos o Hostal que eu havia ficado em 1999 (Hostal Maria Angola = US$ 35 para latino-americanos e US$ 65 para europeus). Fomos ao centro e compramos um pouco de artesanato. Jantamos uma boa pizza. Como o carro ficou em um estacionamento do centro, descarregamos quase tudo.
09/12/03 – PUNO – CUSCO – 393 Km
Com os equipamentos mais valiosos (afinal nossa bagagem havia ficado no hotel), chegamos ao porto de Puno de táxi, por 3 soles (= R$ 2,60) e esperamos quase uma hora para saída do barco. Visitamos 3 das ilhas Uros, que são ilhas flutuantes feitas de Totora (uma espécie de Junco). Os indígenas locais utilizavam barcos deste material, e ao empilhar as carcaças, perceberam que o material não afundava. Começaram então a viver nestes locais, que viraram ilhas flutuantes. Hoje há ilhas fechadas ao turismo e outras que sobrevivem do turismo. Há até escolas nas ilhas. Vendem bastante artesanato. Entre a primeira e a segunda ilha, fomos de barco de Totora, pagando a parte. Foi um dos locais mais interessantes da viagem.
Pegamos a estrada para Cusco às 13:00 hs e chegamos às 18:30 hs. Ficamos no Hostal El Conquistador a meia quadra da Plaza de Armas, por US$ 28. Na porta, 2 guias nos levaram para dentro e “agenciaram” um desconto. Ficamos de conversar no dia seguinte sobre os custos dos passeios. Saímos para pesquisar os preços dos tours e comemos uma excelente pizza em uma pequena viela (calle Procuradores) que saí da Plaza de Armas do lado oposto ao da Igreja La Compañia (não é a catedral). Ficamos em dúvida quanto a fazer o tour de 1 dia para Macchu Pichu (que sairia em torno de US$ 250) ou o tour de 3 dias, incluíndo 80% do tour pelo vale Sagrado, passagem noturna de trem de Ollantaytambo para Águas Calientes, 2 noites de hotel com café em Águas Calientes, ônibus para Macchu Pichu, entrada e guia e a volta de trem, ao amanhecer, para Ollantaytambo. A volta de Ollantaytambo para Cusco seria por nossa conta (12 Soles) de ônibus. Tudo por US$ 230 (menor custo pois as passagens de trem noturnas são bem mais baratas). Outra dúvida era onde deixar guardado o carro, que agora estava em um estacionamento. Havíamos questionado a senhora de uma empresa de turismo se havia uma garagem particular mais segura, mas a resposta foi negativa.
10/12/03 – CUSCO – 0 Km
Na saída do café, os dois guias estavam nos esperando para conversar sobre os pacotes. Apresentamos os menores preços que pesquisamos e os mesmos foram cobertos. O carro ficaria no estacionamento e o guia olharia diariamente. Optamos então pelo pacote de 3 dias, mais interessante e barato (US$ 230). Demos uma volta pela cidade e já compramos o citi tour por S./20 para os dois e o Érik não pagando, mais US$ 25 (10+10+5) do Boleto Turístico (necessário para qualquer atração em Cusco e região). Almoçamos um delicioso creme de champignon e spagheti, num menu turístico. Fomos ao citi tour e pegamos chuva no fim da tarde, o que atrapalhou a visita aos sítios abertos, como Sacsywaman, Q`enqo, Pukapukara e Tambomachay. Conhecemos um casal de Australiano / Peruana com filhos australianos durante o citi tour. No começo parecia o Indiana Jones, mas mais tarde me convenci que parecia mais com o Crocodilo Dundee. Voltamos a Cusco e assistimos ao 1º jogo da final da copa Sulamericana, entre o time de Cusco – Cienciano – e o River Plate, em um telão na Plaza de Armas. Muita gente, mas um ambiente muito tranquilo. Jogão, 3 a 3, numa partida muito bonita e disputada.
O Érik foi a um Cyber-café ver seus emails e conversar no MSN e a Inês ficou nas lojas. Comemos uma deliciosa pizza.
11/12/03 – CUSCO – ÁGUAS CALIENTES – 0 Km
Saímos do hotel, como combinado às 8:45 hs, mas o ônibus já havia passado às 8:30 hs. Voltou às 9:00 hs, mas como havia muita gente, acabamos ficando em bancos separados. Isto acabou sendo interessante, pois conhecemos pessoas do Canada, nascidas no Perú, francesa, italiano, peruanos, australianos e neozelandeses. Meus comentários sobre rugbi provocaram pequenas desavenças entre a família australiana e a família neozelandesa. Há muita miscigenação, no casal neozelandês, o marido era peruano e no casal australiano, a esposa era peruana. Havia um senhor de Arequipa com sua família que também estava no citi tour. Ele nos deu seu cartão e pediu para visitá-lo na semana seguinte, quando estaríamos em Arequipa. Havia um brasileiro também.
Demos uma parada no mercado de Pisac e ao voltar ao ônibus, começou a chover. Subimos ao sítio de Pisac e a chuva piorou. Compramos uma capa e estávamos de guarda-chuva, mas não adiantou muito. Voltamos ao ônibus encharcados e fomos almoçar em um restaurante tipo buffet (atenção – não se permite repetir algumas coisas, como sobremesa). Custou S./ 32. Fomos então a Ollantaytambo, onde eu e o Érik subimos até o alto, ouvindo as explicações do guia. Achei fraco, faltando explicar a parte baixa, dos aquedutos. Deixamos a excursão, nos despedindo em diversos idiomas. Ficamos na plaza de armas de Ollantaytambo muito cedo, fazendo hora pois o trem demoraria para sair. O Érik tentou ir a um cyber-café mas havia vírus nos computadores. A Inês deu uma volta pela pequena praça, vendo artesanatos, enquanto eu fiquei cuidando das malas. Por volta das 17:30 fomos a estação de trem, andando cerca de 1,5 Km, onde o Ernesto estava nos esperando com os vouchers. Ficamos aguardando na sala de embarque, escrevendo nossos diários de bordo. Quando o trem partiu, corremos para um banco vago, onde ficamos juntos. Mais confortável do que ficar de frente, joelho a joelho com pessoas desconhecidas. Chegamos em Águas Calientes por volta das 22:00 hs, pois algumas paradas demoraram mais do que o previsto. Subimos uma grande ladeira, cheia de hostais, hoteis (um deles de 3 estrelas) e restaurantes. Nosso hostal (chamado Cabañas) fica quase no final. Muito bom, exceto pela dificuldade com a água fria e quente no banho e o cheiro de esgoto no ralo. A falta de água fria ainda adiou nosso tão esperado banho para o dia seguinte.
12/12/03 – ÁGUAS CALIENTES – MACCHU PICHU – 0 Km
Chuva, café da manhã e mais chuva. Um dos dias mais aguardados e caros da viagem começa mal. Saímos com capas e chegamos a Macchu Pichu às 10:00 hs. O Érik chegou com dor de cabeça. Continuava chovendo. Nossas orações e uma água de S./7 (=US$ 2) fizeram com que ele melhorasse rapidamente. Ainda chovia. Perdi um tempão até achar nosso guia. Eu não o conhecia e ele deveria estar nos chamando na entrada. Como os guias estavam entrando, fui atrás de todos e não achei-o. Voltei à entrada e lá estava ele. Era 12:35 hs. Durante quase toda a visita não choveu. Apenas no finalzinho, começou novamente. Muita neblina o dia todo. Como passamos pela entrada da trilha do Huyana Pichu após as 14:00 hs, não foi possível fazer a caminhada. Encontramos a francesa que conhecemos no citi tour e que também estava no vale Sagrado. Macchu Pichu, mesmo com chuva, é um lugar fantástico. Nunca conquistado pelos espanhóis, só foi descoberto em 1911. A paisagem é fantástica, no centro de um conjunto circular de montanhas e com o rio Urubamba, centenas de metros abaixo, serpenteando o estreito vale. As construções são realmente monumentais para tal local de difícil acesso. Realmente um dos lugares mais extraordinários do planeta.
Saímos por volta das 15:30 hs, indo almoçar em Águas Calientes, onde o preço é bem mais baixo. Menu turístico, com salmão, creme de aspargos e suco por S./10. Muito bom. Fui dormir um pouco e a Inês e o Érik ficaram passeando, em uma rua de artesanatos e no local dos banhos de águas térmicas. Embora tivessem vontade, acabaram não entrando, pois havia pouca iluminação e um sapo no caminho. À noite, saí para tirar fotos e filmar e acabei encontrando os australianos que conhecemos no citi tour.
13/12/03 – ÁGUAS CALIENTES – CUSCO – ABANCAY – 200 Km
Acordamos às 4:35 hs e tomamos nosso café às 5:00 hs. Saímos rapidamente para pegar o trem, agora um pouco mais lotado, não permitindo troca de bancos. Conversamos com um americano do Colorado que está conhecendo o Perú, após passar pela Bolívia, Chile e Argentina (inclusive Ushuaia, Torres Del Paine e Perito Moreno) de avião. Conversamos também com um Catarinense que chegou de ônibus. Chegamos a Ollantaytambo às 7:30 hs e pegamos uma moto-taxí com cobertura até a plaza de armas. Pegamos um ônibus para Cusco, que parou a cerca de 1 Km de nosso hotel. Deixamos as mochilas no carro, que estava bem, graças a Deus e fomos passear mais um pouco pela bela cidade de Cusco. Artesanatos e, pelo mesmo preço da água de 500 ml de Macchu Pichu, comemos em um restaurante vizinho ao da Pizza de 2 dias atrás, um delicioso menu turístico, a base de Truta, suco misto e creme de tomate.
Pegamos o carro, as malas que estavam no depósito do Hostal e partimos para Abancay. São 180 Km de serras pela Província de Apurimac, subindo e descendo várias vezes entre 2000 e 4050 metros, o que demorou cerca de 4 horas. A estrada é nova e muito boa. Mais tarde descobrimos que há marketing de que em Apurimac há o canyon mais alto do mundo. Informação conflitante com a de que o mais alto é o Colca. Chegamos a Abancay, que parecia ser um local muito bonito, tanto pelas informações de guias, quanto pelos outdoors que chamavam-na de Suiça peruana ou mesmo pela vista da serra ao chegar.
Decepção, a cidade não é nem um pouco atrativa. Ficamos em um bom hotel, no melhor apartamento após chorar bastante, pois queríamos um dos quartos mais simples, que estavam lotados. Acabamos pagando cerca de 60% do preço da tabela (US$ 33). TV a cabo, geladeira, etc. Tiramos toda a bagagem para arrumar.
14/12/03 – ABANCAY – NAZCA – 477 Km
Mal começo de dia assistindo ao Boca ser campeão Mundial em Tokio. Também foi complicado sair da cidade, por falta de indicações. Embora a estrada fosse relativamente nova, as constantes curvas, subidas e descidas fizeram com que percorrêssemos 470 Km em quase 8:30 hs. Em alguns trechos há enormes pedras que deslizam de grandes paredões verticais abertos na construção da rodovia. Faltou um pouco de cuidado técnico no projeto e construção da rodovia. Animais na pista e pequenos povoados também causaram demora. Ficamos muito tempo acima dos 4000 m, chegando a atingir 4575 m. Apenas no final do percurso se desce a serra, chegando aos 800 m de Nazca. Em Nazca, por sinal uma cidade sem qualquer outro atrativo, ficamos em um Hostal por S./40 (=US$12) indicado pelo nosso guia. Foi uma barganha em relação a outros hotéis no Perú (o preço inicial era S./50, mas o Érik pediu um “descuento”). Compramos um pacote para o sobrevôo das linhas de Nazca por US$30 cada um, mais S./10 de tarifa de aeroporto, também cada um. Em seguida fomos comer uma pizza ruim. Deixamos o carro em um estacionamento próximo, pois o Hostal não possui garagem.
15/12/03 – NAZCA – LIMA – 473 Km
Às 8:00 hs a Van passou em frente ao hotel como combinado. Por segurança (não deixar a bagagem no hotel ou no carro, quando este está em local de risco), fomos em nosso carro, seguindo a Van, até o Aeroporto. Ao efetuar o pagamento, nosso credicard não funcionou. Pagamos então com o Visa.
Embarcamos em um Cesna de 3 passageiros, com um piloto extremamente simpático. Fizemos um vôo de 35 minutos passando pelas principais linhas. É impressionante, principalmente sabendo que foram feitas por um povo que não desfrutaria das mesmas, visto que do chão não é possível visualizar nada. Eu fiquei fotografando e o Érik filmando, mas ele passou mal ao olhar fixamente no visor. O piloto então abriu a janela para circular mais ar. 2 minutos depois, o Érik estava melhor. O avião aderna bastante para que as pessoas de ambos os lados possam ver as linhas. As linhas em forma de figuras tem mais de 100 metros, chegando a ter mais de 250 metros no caso do Albatroz. O beija-flor tem mais de 100 metros.
A figura do astronauta chama a atenção por não estar no plano, como a maioria e o desenho não ser formado por linhas retas. Pode ter sido a única realmente feita pelo povo Nazca. O piloto também “regalou” o Érik com uma figura que não faz parte do pacote, um pequeno dinossauro. Terminado o passeio, fomos ao hostal em frente (Nido Del Condor), que pertence ao grupo da companhia aérea (Aero Condor), para assistir ao vídeo e utilizar a piscina que fazia parte do pacote. Ao sair e entrar no vestiário, uma funcionária queria cobra pelo uso da piscina. Isto deixou a Inês bastante irritada. No final a funcionária disse que foi um erro e pediu desculpas. No mesmo hostal, aproveitei para ligar 2 vezes para meus pais para tentar resolver o problema do Mastercard. A Mastercard disse que o problema foi de digitação no código de segurança e não do cartão. Também tive problemas ao abastecer e pagar o hotel à noite. Acredito que tenha sido um problema de comunicação internacional. Compramos algum artesanato em Nazca e tentamos tirar dinheiro em um caixa. Não funcionou. Quase sem dinheiro, pegamos a panamericana com destino a Lima, por volta das 15:30 hs, comendo Nutri e bolachas. Graças a Deus que dos 4 ou 5 pedágios apenas 1 era pago neste sentido de tráfego. No caminho ainda paramos em uma torre de observação das linhas, para ver melhor 2 figuras de Nazca. Muito vento e pouca visão. A Panamericana está excelente nos últimos 140 Km para Lima. Tudo duplicado e 3 faixas de cada lado na região metropolitana. Chegamos à noite. Paramos em uma Pizza Hut, mas estava muito cara. Acabamos indo, após conseguir finalmente retirar dinheiro em um caixa, a uma lanchonete de rede peruana, ao estilo MC Donald’s, mas com lanches melhores, chamada Bembos. A cidade, ao contrário de minhas impressões de 1999, é muito grande, com 8 milhões de habitantes, com muitas avenidas e vias expressas. Esta é a diferença entre utilizar o próprio automóvel ao invés de chegar e sair pelo aeroporto. Bem americanizada com diversas redes de fast-food (MC Donald’s, Pizza Hut, KFC), lojas de redes americanas (Radio Shack) e grandes magazines (Ripley´s). Ficamos em um hostal (S./80) que, embora com estacionamento comum, recepção e elevador usuais, em alguns detalhes mostrou ser quase que um motel. Havia, na própria Panamericana, um hostal que parecia ser melhor e mais barato (S./30 a 50), mas a proprietária estranhamente não nos deixou checar o apartamento antes de fechar o negócio.
16/12/03 – LIMA – 80 Km
Sem café, que não estava incluso, fomos inicialmente dar uma volta em Miraflôres, o local mais bonito e moderno de Lima. Depois fui tirar fotos do Centro administrativo de Lima (Plaza Mayor), onde está o palácio do Governo, a Prefeitura e a Catedral. A Inês e o Érik ficaram no carro em um estacionamento enquanto fui sozinho (mais de 1 Km), Aproveitei e parei em uma galeria de artesanato, a uma quadra da Catedral, o local mais barato em todo o Perú.
Ao chegar na praça para tirar fotos, percebi que a porta da câmera fotográfica estava quebrada e aberta. Tirei o filme e coloquei um novo. Amarrei com o cadarço. A solução provisória estava muito perigosa e, alguns dias depois, troquei o cadarço por silver tape, bem mais segura. Fomos ao Jockey Shopping onde almoçamos e demos algumas voltas, inclusive no supermercado. No fim da tarde fomos ao Shopping Larcomar, o mais bonito que conhecemos, aberto e localizado em uma falésia, de frente ao mar. Apenas lojas de produtos sofisticados. Praça de alimentação excelente. Tudo caro. Um segurança veio avisar que eu não poderia filmar, mas já tinha filmado tudo que queria.
17/12/03 – LIMA – NAZCA – 557 Km
Saímos do hotel as 5:00 hs para tentar fazer um passeio às Ilhas Ballestas, na Reserva Nacional de Paracas. Chegamos antes das 9:00 hs, mas dois barcos já haviam saído. Seríamos o primeiro da lista, mas era necessário pelo menos 18. Custaria S./40 por pessoa. Chegou uma excursão de estudantes onde iriam cobrar S./25 por pessoa, inclusive por adultos, por ser uma excursão. Forçamos para cobrarem S./25 pelo menos para o Érik. De forma mal-educada disseram que um grupo iria sair e que deveríamos pagar S./120. Tchau. Passeamos pela reserva, de carro, em sua parte continental. Vimos uma colônia de lobos-marinhos e muitas formações rochosas, sendo a “Catedral”, a melhor. É uma caverna com a “boca” voltada para um arco sobre o mar.
A Inês dirigiu mais de 100 Km. Chegamos a Nazca antes das 5:00 hs, passeamos, comemos uma pizza e fomos ao hotel.
18/12/03 – NAZCA – AREQUIPA – 582 Km
A estrada para Arequipa é linda, passando por montanhas que caem direto ao mar, lembrando a famosa Highway 1 da California. Alguns trechos com belas e desertas praias.
Almoçamos peixes e camarão em Camana. Chegamos cedo em Arequipa, ficando em um Motel. Fomos visitar o Sr. Willye, que conhecemos em Cusco, em seu escritório (uma fábrica de parafusos). Combinamos de assistir à final da Copa Sulamericana em sua residência na noite seguinte (Cienciano x River, no estádio de Arequipa, a 500m de sua residência). A noite fomos à Plaza de Armas, talvez a mais bonita do Perú.
Voltamos ao motel por volta das 22:00 hs para dormir cedo, pois sairíamos muito cedo para o Canyon Colca no dia seguinte.
19/12/03 – AREQUIPA – COLCA – AREQUIPA – 442 Km
A idéia era sair cedo, por volta das 4:15 hs para ver o vôo do Condor no Canyon Colca, que ocorre somente pela manhã. Não ouvi o despertador que deve ter tocado às 3:50 hs. Foi uma noite difícil, com o telefone da recepção que não parava de tocar e o rádio que não desligava totalmente. A Inês foi dormir no carro. Acabamos atrasando e saindo as 5:00 hs. Erramos também na saída da cidade, pois para ir para o leste, deve-se ir primeiro ao oeste, contornar 3 vulcões para seguir a leste. Muitas curvas em uma estrada bonita, conservada, mas perigosa. Esta estrada vai até Juliaca, seguindo então para Puno ou Cusco. Após 80 Km há um acesso para Chivay. Terra com pedras nos primeiros 25 Km. Muito ruim. O carro pula demais. Até Chivay há um trecho de serra (subida) já asfaltado e a descida está em obras para asfaltar, o que acarretou mais um atraso. No caminho a paisagem é muito linda, com neve, lago, lhamas e belas montanhas. Ficamos de tirar as fotos na volta, pois havia pressa.
Chegamos em Chivay e já pegamos rapidamente a estrada para o Mirante Cruz Del Condor. Chegamos as 9:15 hs e o Condor estava passando. Deu apenas tempo de filmar um pouco, pois ele estava indo embora. Esperamos até as 10:00 hs, mas não houve mais nenhum vôo de Condor. O Canyon é lindo, extremamente alto, chegando a mais de 3400 m de altura em alguns pontos. Plantações em formas de degraus, uma técnica inca, estão presentes ao longo do Vale. As montanhas de frente possuem, em seu lado oposto, uma das nascentes do Rio Amazonas, descoberta que tornou-o mais comprido que o Rio Nilo. A altitude, em torno de 4000 metros, no mirante, após passarmos por locais de 4600 metros, fez com que o Érik passasse mal. No mirante havia muitas vendedoras de artesanatos, dando um colorido bonito ao local. Ao voltar, paramos um pouco em Chivay e pegamos a estrada de volta. Já não havia mais neve para fotografarmos na volta, derretida pelo forte sol. O trajeto de Arequipa – Mirante – Arequipa foi de 410 Km (excetuando-se os erros). Chegamos a Arequipa por volta das 14:30 hs e fomos ao Burger King, em um pequeno shopping das lojas Falabella. Escolhemos um hotel melhor, bem mais cômodo. Saímos para assistir ao jogo do Cienciano x River na casa do Sr. Willye. Fomos muito bem recebidos pelo Sr Willye e sua família. Serviram um saboroso jantar. Tiramos fotos e comemoramos ao campeonato conquistado pelo Cienciano. O jogo aconteceu a apenas 500 m da casa do Sr. Willye.
20/12/03 – AREQUIPA – IQUIQUE – 770 Km
Deserto. Esta é a paisagem que fica em nossa memória para este trecho da viagem. Parece mais seco que o próprio Atacama, inclusive com menos vegetação. A Panamericana tem vários trechos com retas de mais de 20 Km. Há uma reta de 33 Km! Na hora do almoço, em Tacna, a Inês e o Érik deram uma volta para gastar os últimos S./13 (=R$ 11 = US$ 4). Não conseguiram achar o gostoso milho frito, um dos pontos altos de qualquer viagem ao Perú. Após uma breve arrumada na bagagem, fomos enfrentar a complicada fronteira. Enroscada do lado peruano, onde tivemos até que comprar formulários (= R$ 5), mas, ao menos desta vez, pior do lado chileno. Raio-x da bagagem é norma para procura de drogas e produtos agropecuários. Desta vez perguntei se era necessário passar com tudo. Falaram que só as bagagens maiores. Falei para ele avisar quando parar. Com isto não precisamos descarregar o carro inteiro. Foi longa a espera para preencher o formulário do carro. Um senhor de certa idade se mostrou o funcionário mais confuso dentre as aduanas chilenas que conhecemos. Finalmente, depois de 1h40m, fomos liberados. Paramos em Arica em um posto para abastecer o carro e comer um lanche. Acima de 5000 Pesos Chilenos de combustível (=US$ 8), que equivale a 12 litros, pode-se comprar uma camiseta por 990 Pesos (= US$ 1,7). Compramos 2, “made in Brasil”! Embora tenhamos perdido 2 horas no fuso, decidimos ir adiante até Iquique. Queríamos usufruir do comércio da Zona Franca e não sabíamos se o comercio abriria no dia seguinte, Domingo. Só chegamos as 22:20 hs e fomos direto ao shopping que ficaria aberto até as 23:00 hs. Checamos os preços, tomamos um lanche e fomos ao flat. Estava lotado. Conseguimos outro hotel por volta da meia-noite, no centro, encaixando o carro em uma meia-garagem.
21/12/03 – IQUIQUE – ANTOFAGASTA – 475 Km
Finalmente acordamos tarde, em função da Zona Franca – Zofri Mall – só abrir as 11:00 hs. Quase chegando, um garoto que limpa para-brisas tornou-se agressivo em nossa recusa de dar dinheiro, ameaçando entortar o limpador. Possivelmente um problema de drogas. Demos um pouco de suco e ele contentou-se. Ficamos no Zofri por cerca de 2 horas. Passamos em um posto COPEC, em uma loja de conveniência chamada PRONTO. Bons lanches e boas promoções (bem melhores que as do Brasil). Escolhemos a estrada costaneira para chegar a Antofagasta. É a melhor escolha. Paisagens cinematográficas. Passamos pela aduana (o norte é zona franca). Chegamos cedo em Antofagasta, parando para tirar fotos na Rocha Portada, uma grande rocha furada em mar aberto. Como já estava meio escuro, decidimos voltar dia seguinte para mais fotos.
Paramos em um supermercado com praça de alimentação e lojas, quase um shopping. Uma dica é não comer o lanche de churrasco do Lomito’s, muito ruim. O peixe do restaurante chinês, em compensação, é excelente. Fomos procurar Hotel. As opções eram ou muito caras ou ruins e sem garagens. Voltamos então para entrada norte da cidade onde havia um motel. Ficamos em um quarto familiar. Pena que deixamos um pouco aberta a porta e entraram pernilongos. Outro problema foram os cães de guarda, que latiram muito pela manhã. Opção barata (13000 Pesos = US$21,5).
22/12/03 – ANTOFAGASTA – CALDERA – 553 Km
Organizamos um pouco o carro e fomos novamente tirar fotos da Portada. Ao voltar à Panamericana, paramos na “Mano Del Desierto”, uma escultura de cerca de 8 metros mostrando uma mão, saindo da areia, simbolizando o desespero dos viajantes perdidos e morrendo no deserto.
A Inês dirigiu por cerca de 200 Km, quando paramos para comer lanches, no carro. Eu segui dirigindo e peguei 3 desvios, totalizando uns 20 Km de terra, o pior trecho da Panamericana no trecho norte da Panamericana Chilena. Chegamos a Chañarral, abastecemos e fotografamos lobos-marinhos no litoral.
Paramos em um Hotel, em frente à entrada de Caldera. Muito bom, com cabañas e apartamentos (25000 pesos a cabaña e 18000 e 15000 pesos os apartamentos – escolhemos o apartamento de 15000 pesos = US$30 = R$ 90). Piscina, parquinho, campo de futebol e animais (lhama, coelhos). Bem equipado. Dormimos um pouco e saímos para jantar no centro. Aniversário de casamento. Comemos peixes. Muito bom, principalmente o congrio. Demos uma volta por Baia Inglesa. O local é interessante, com diversos hoteis bons. Aparenta ser caro.
23/12/03 – CALDERA – VICUÑA - 515 Km
Sem café, saímos pela manhã, em meio a muita neblina e um pouco de frio. Almoçamos em um posto COPEC e chegamos a La Serena por volta das 14:30 hs. A cidade é bem bonita. Fomos ao mercado artesanal La Recova. Uma das construções mais interessantes do Chile. A parte de fora é um mercado de alimentos. Na parte de dentro, aberta pelo alto, somente artesanatos. Lembra um pouco uma construção com arquitetura mexicana.
Fomos a Vicuña, cidade pequena, onde já reservamos o passeio para o observatório do Cerro Mamalluca. Este é um observatório preparado para finalidades turísticas, em contraposição aos maiores observatórios do mundo, presentes na região, administrados por Europeus ou Americanos. Combinamos voltar ao local por volta das 20:00 hs. Escolhemos um hotel (15000 pesos) quase bom. O problema era apenas a enorme quantidade de formigas. Passeamos pela cidade e aproveitamos para ligar para o Patrício e a Marcela, nossos amigos de Santiago. O Érik ficou num cyber-café. Fomos ao observatório de carro, em comboio. Chegamos ao local, ainda de dia, por volta das 21:00 hs (o comboio demorou a sair do centro da cidade, onde compramos o passeio). Assistimos ao vídeo, que já havia começado. O observatório e todo o passeio é um pouco amador, com telescópios pouco potentes e sem um roteiro bem definido de como apresentar. É interessante, mas se formos comparar, sugiro uma visita ao nosso Observatório e Planetário de Brotas.
24/12/03 – VICUÑA – SANTIAGO – 615 Km
Saímos, não muito cedo. A Inês dirigiu 215 Km. Chegamos a Santiago por volta das 16:30 hs. Desta vez encontramos um hotel mais rapidamente (em 2001 não conseguimos encontrar hotel), perto do Cerro San Cristobal por US$ 38 ou 22000 Pesos. O preço foi bem chorado pelo Érik que negociou com o próprio dono, mostrando sua carteira de estudante. Ajudou bastante. Fomos ao Shopping, comprei os tão procurados guias turísticos TURISTEL, do sul e centro do Chile (já tinhamos o do Norte), jantamos e ligamos para nossos familiares, desejando um feliz Natal. Passamos ainda em uma feira de artesanato.
25/12/03 – SANTIAGO – 15 Km
Saímos as 10:30 e fomos ao teleférico do Cerro San Cristobal, onde se tem uma bonita vista da cidade. Infelizmente um smog (smoke + fog) cobre a cidade constantemente e fica difícil ver a cordilheira ao fundo. Muito rápido o teleférico. Descemos e fomos à casa da família Berrios, nossos amigos chilenos. Ficamos conversando entre 13:00 e 00:30 hs. Voltamos ao hotel por volta de 1:00 h.
26/12/03 – SANTIAGO – MENDOZA – 403 Km
Antes de rumar ao norte, demos uma volta de carro pelo centro de Santiago. Paramos em Los Andes para gastar os 4000 Pesos restantes. Deixei para abastecer mais adiante e só havia um posto que não aceitava cartão de crédito. Pus o mínimo necessário e paguei com Pesos argentinos, ou seja, bem mais caro. A rodovia que cruza os andes passa por locais muito bonitos. Os trâmites na aduana argentina demoraram mais de 1:30 hs, irritando bastante, afinal a estrutura é gigantesca, mas faltam pessoas e organização. Entramos no Parque provincial do Aconcágua, passando pela Laguna Horcones, onde se tem uma bonita visão do ponto culminante das Américas, o Aconcágua, com seus 6959 metros.
Passamos por Uspallata, onde filmaram “Sete anos no Tibet”, mas o povoado não é muito chamativ...
Travessia – Ponta da Juatinga/RJ, por Eduardo Lereno
O Fábio saindo de férias e eu terminando a faculdade. Tinha que rolar uma travessia...
Dessa vez escolhemos a Ponta da Juatinga, uma caminhada forte de 3 dias que tem em sua rota Mata Atlântica, praias e mar, contornando uma grande península próxima a Paraty.
Saímos de São Paulo sexta-feira à noite, chegando em Paraty quase 5h da manhã do dia seguinte.
1º dia: 16/12 – sábado
Na rodoviária de Paraty, tomamos o ônibus das 5h30m para Paraty Mirim, chegando lá às 6h. Esperamos um pouco no pequeno vilarejo à beira mar, que tem uma sede da Reserva Ecológica da Juatinga, até o barco do Sr.Silas chegar. Negociamos com ele a travessia do Saco do Mamanguá, que é uma passagem de 4km pelo mar, para se chegar à praia de Caieiras, onde começa a trilha. Com o barco pequeno e rápido, atravessamos em 15 minutos. No caminho, já víamos o que nos esperava pela frente, uma elevação de 420m de altura e mata exuberante, para começar bem a travessia.
Descemos do barco e já pegamos a trilha. No início, pés de jaca apinhados. A trilha não deu trégua e depois de 1 hora de subida chegamos até um lugar que entrou em nível e parecia ser o topo, pois era desmatado, não dava para ver mais subidas e tinha uma trilha bem aberta descendo à esquerda. Depois de tomar o café-da-manhã e descansar um pouco começamos a descer, mas essa rota deu numa armação de um abrigo de madeira e depois se fechou. Fomos nos embrenhando cada vez mais no mato, com palmeiras cheias de espinhos, e não saíamos em lugar nenhum. A decisão foi voltar. Chegamos naquele ponto onde parecia ser o topo e encontramos outra trilha. Depois de caminhar em nível por um tempo ela voltou a subir e as características do caminho foram bate