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Arranjo Técnico em Mosquetão por Hugo Yamamoto(Djapa)
Arranjo Técnico para evitar mal posicionamento do mosquetão durante segurança com freio.
Por Hugo Yamamoto (Djapa)
Foi no 6º Festival da Montanha, em Itajubá, evento muito interessante na qual participamos, com diversas palestras e um pico muito bom para se escalar, a Pedra da Piedade.Neste dia, o nosso colega Danilo me mostrou o seu mosquetão gringo, um DMM Master Belay, que possui uma trava composta de polímero com a função de manter o mosquetão sempre na posição longitudinal e não permitir a abertura da rosca.
Ao utilizar este mosquetão, gostei tanto, que resolvi estudar uma forma de instalar um arranjo técnico que tivesse a mesma função do Belay Master, evitando desta forma o risco do mosquetão ficar numa posição lateral no loop da cadeirinha.
Ao verificarmos a capacidade de um mosquetão, na posição longitudinal fechada e travada, a resistência fica em torno de 25KN. Este mesmo mosquetão, quando solicitado num esforço lateral sua resistência cai para 7KN. Os valores podem alterar de acordo com o mosquetão, porém serve como referência. Desta forma, evita-se o risco do mosquetão ficar numa posição de risco(baixa resistência), principalmente na saída de ancoragens, onde a força de impacto é muito elevada.
Após testar vários materiais e formas, consegui uma alternativa prática, barata, que impossibilitou o posicionamento lateral do mosquetão, quando utilizado para SEG entre o freio e o loop da cadeirinha. A vantagem também fica no preço, pois fica muito acessível.O material que utilizei, foi um velcro dupla face, destes que é utilizado para arrumar os cabos de computadores.
Aproximadamente 25 cm deste material é suficiente para um mosquetão HMS (Pêra). Prender uma das extremidades no mosquetão – no meu caso, costurei esta parte – para que fique fixo – para que evite a perda quando não esteja fechada.Pronto, ela já está pronta para ser utilizada.
É só posicionar o mosquetão no loop da cadeirinha e colocar o freio, de forma que o raio maior fique no freio e o raio menor no loop.
Nesta posição, fechando o velcro, você evita que o mosquetão saia desta posição, ou seja fique de lado durante o SEG para o seu companheiro.Experimentei em vários tamanhos de mosquetões. Nos modelos Pêra menores, o velcro não funciona muito bem, pois fica apertado, o mosquetão não fica de lado, mas não corre livremente no loop da cadeirinha. Nos modelos médios e grandes, fica bem livre, inclusive não é necessário abrir o velcro para abrir o freio, afim de liberar ou montar a SEG, sendo necessário somente quando se deseja retirar o mosquetão do loop.Com o velcro fixado no mosquetão, montar o mosquetão entre o freio e o loop da cadeirinha. ...
Fogareiros para Montanhistas por Paulo J. Pinto
MONTANHISTAS E SEUS FOGAREIROS COM UM POUCO DE FÍSICA E QUÍMICA
APRESENTAÇÃO
Quem pratica aventuras ao ar livre, sabe que são necessários alguns equipamentos básicos para uma boa prática com conforto e aproveitamento.São eles: tênis ou bota de trilhas, barraca de acampamento, head-lamps, capa de chuva ou anorak, filtro solar, skeese, fogareiros, mochilas, roupas leves de trilha, fleeces, etc. Mas aqui vamos falar a respeito de um item que muitas vezes nos deixa na mão e não conseguimos saber por quê: O Fogareiro.
OS TIPOS UTILIZADOS E OS MODELOS DE MERCADO.
Durante uma trilha ou acampamento, temos como prática alimentar, os lanches de trilha e no final do dia a famosa almojanta que merece ser quentinha, favorecendo nossa recuperação de energia para encarar o dia seguinte. Para que isso seja possível temos que ter em mãos algum tipo de fogareiro. Os mais utilizados são: A gás, Líquido Pressurizado, a Álcool e a famosa Fogueira.
Gás: Podemos utilizar os de botijão de 2kg que são mais robustos, porém pesados. Mas também temos os de garrafas descartáveis que são muito práticos e bem leves com as mesmas características dos de botijões de 2kg.
Líquido Pressurizado: São aqueles que queimam querosene, gasolina, benzina ou diesel e são mais complexos porém com um poder de aquecimento melhor.
Álcool: Simplesmente um recipiente para colocar o álcool e um suporte para sua panela e é só acender para ter um fogareiro elementar e funcional. Pode ser adquirido em lojas de acessórios para camping ou também fazer uso de sua lata de atum com algumas pedras ao redor. Similar à fogueira, só que menos trabalhoso de preparar.
COMO FUNCIONAM
Gás: Um botijão ou uma garrafa descartável, contendo gás pressurizado, libera através de um registro a quantidade de gás necessário para que um queimador produza fogo de acordo com sua capacidade.
Líquido Pressurizado: Um recipiente contendo combustível líquido é pressurizado através de uma bomba manual onde esta pressão impele o líquido para um bico ejetor que asperge o líquido para um queimador onde ocorre a chama que serve para o cozimento.
Mas para que a chama tenha uma queima perfeita, temos que aquecer este líquido para que ele atinja uma temperatura tal que ocorra uma vaporização do mesmo, fazendo com que tenhamos uma mistura com o ar perfeita e a chama seja completa. Para aquecer o líquido que sai do recipiente, fazemos um aquecimento inicial com o próprio combustível em uma concha que existe em baixo do queimador, até que a temperatura interna ao tubo que trás o combustível seja aquecido a ponto de vaporizar.
Quando este vapor começa a surgir, ele sairá pelo queimador e irá ser inflamado pela própria chama do pré-aquecimento. Aí só temos que abrir a válvula de saída do combustível para que a chama seja mantida. Mas tem outro detalhe. Ao terminar o combustível que colocamos na concha, teríamos um resfriamento do tubo e retornaríamos a temperatura baixa novamente. Para que isto não ocorra, existe um tubo metálico que transporta o combustível líquido do recipiente até o ejetor que passa sobre o queimador, fazendo com que ao disparar o processo de queima, fará um auto aquecimento não sendo mais necessário o fogo que existia na concha. Assim o processo se torna contínuo.
Álcool: Um combustível limpo e sem mau cheiro, fácil de ser adquirido é colocado em um recipiente resistente ao fogo e depois é aceso com auxílio de fósforos ou isqueiro. Pronto, está aceso o fogareiro a álcool.
O QUE OCORRE FÍSICAMENTE E QUIMICAMENTE DURANTE O USO.
Em todos os modelos que citamos até agora, devemos esclarecer que no fogareiro ocorre uma Reação de Combustão que de forma geral se dá em fase gasosa. Para entendermos isto, temos que saber que combustíveis líquidos são previamente evaporados, e a reação de combustão se dá entre o vapor do líquido e o oxigênio, intimamente misturados.
Os modelos, aqui citados e usados em acampamentos, queimam gás, mesmo os de combustível líquido, que queimam o vapor do gás, porém todos estocam líquido, mesmo os fogareiros a gás trazem o gás liquefeito dentro dos botijões e esta dinâmica da transformação do líquido em gás que traz as características de cada fogareiro. Outro conceito que devemos ter é que a quantidade de calor gerada pelo fogareiro esta intrinsecamente ligada ao combustível ou seja a quantidade de energia gerada pela queima de um grama do combustível e pelo aporte total de combustível, sendo que fogareiros que conseguem mandar mais combustível para queimar em um determinado tempo, geram mais energia neste período.
Toda substância evapora, independente da temperatura, muito embora exista uma constante física dependente de pressão chamada de temperatura de ebulição. Mesmo em baixas temperaturas as substâncias perdem átomos espontaneamente passando para o estado gasoso. Via de regra quanto menor for a pressão e maior for a temperatura, maior será a evaporação. Substâncias sólidas também têm este efeito, porém muitíssimo reduzido. Os líquidos apresentam uma geração maior de vapor, basta observarmos a água e o álcool. Uma constante que interfere muito na geração de chama, é chamada de Temperatura de Ebulição. A temperatura de ebulição depende do tipo de gás e a pressão a que ele esta submetido.
Gás: Os fogareiros a gás usam o gás liquefeito pela pressão no interior do botijão. Quando queremos usar o gás abrimos o registro e ocorre o escape do gás diminuindo a pressão interna até um ponto onde o líquido entra em ebulição gerando uma grande quantidade de volume de gás.
Agora vem o grande problema dos fogareiros a gás. O gás em forma líquida ao passar para o estado de gás absorve a temperatura e esfria o conjunto tanto pela expansão do gás quanto pela ebulição por si só, esfriando o botijão e o gás liquefeito, chegando a temperaturas muito abaixo de zero em alguns casos. Nesta hora entra o ponto de ebulição e a pressão de vapor. Quanto menor o ponto de ebulição do gás melhor é pois o gás ira continuar fervendo e mandando um volume bom do gás a ser queimado. É a pressão de vapor que mostra a pressão gerada pelo gás sendo que quanto maior a pressão mais combustível queima. Os principais gases usados são o propano, n-butano e isobutano. Cada qual tem os seus pontos de ebulição e pressão. Pela tabela mostrada abaixo vemos que o butano genérico tem um ponto de ebulição em torno de zero graus ou seja quando a temperatura externa ou a do bujão chegar perto disto sua eficiência vai diminuir muito pois a ebulição será prejudicada. Logo, muito embora sua capacidade energética seja maior que a dos combustíveis líquidos, seja mil BTUs maior, a eficiência final fica prejudicada.
As formas de butano também mudam entre si, embora possuam a mesma capacidade térmica. Quando comparado com o N-butano, o isobutano, por ter uma maior pressão de vapor, ao entrar em ebulição, gera um gás com maior pressão, que permite maiores fluxos do gás e uma melhor performance. O melhor gás de todos é o propano porém é muito raro e caro conseguir ele aqui no Brasil e mesmo fora pode ser difícil. Geralmente os fabricantes fazem misturas IsoPro ou seja um mix de isobutano com propano para diminuir os custos. Porém como podem ver na tabela, o propano tem seu ponto de ebulição perto de 40graus negativos e uma pressão de vapor de 900 kilopascais, bem melhores que os 2 que são, nbutano zero graus e 242 kilopascais e isobutano –11 graus e 348 Kp.
Líquido Pressurizado: Já os fogareiros de combustível líquido a pressão, tem um sistema especial de pré-ebulição como já explicamos. Quem já os viu funcionando e serem acesos sabe que ele tem duas etapas: 1º-Pré-aquecimento: A primeira coisa a fazer é pressurizar o líquido na garrafa. Esta etapa é necessária apenas para fazer o liquido ser empurrado para o queimador e quase não tem importância na performance final. Após a pressurização usa-se o próprio combustível na forma líquida ou se não quiser ter muita fumaça pode ser usado um pouco de álcool que tem a queima limpa. Neste ponto você põe fogo no líquido e ele esquenta o tubo de transporte do liquido para o queimador ou esquenta o próprio queimador como é o caso do Dragon Fly. 2º-Funcionamento pleno: Nesta hora abre-se o registro e o combustível líquido caminha pelo tubo já aquecido e, quando ele encontra com a parte bem aquecida ferve e o gás gerado nesta parte vai para o queimador onde queima e a chama volta a esquentar o líquido gerando cada vez mais vapor em um ciclo continuo.
Álcool: Esta opção usa na verdade a famosa espiriteira. Para começar ela tem este nome porque ao contrário do que se pensa, não foi feita para queimar álcool mas sim espírito, que é o nome da solução de álcool com 20 a 30% de água , o famoso álcool 70%. No caso ela queima o álcool esquentando o receptáculo do álcool que o faz entrar em ebulição, vaporizando o álcool preparando-o assim para a queima. Observe que podemos ver o álcool do fundo da espiriteira em ebulição, ou seja, está vaporizando para permitir sua queima. Quem usa muito esse tipo de fogareiro sabe que são ótimas e que quanto menos álcool for colocado melhor ela vai funcionar. No geral ela funciona de forma sensacional gerando mais calor que os fogareiros a gás e menos que os fogareiros a combustível líquido, além de não possuir partes moveis minimizando os problemas de funcionamento. Seu maior problema é a segurança pois de todos os modelos que citamos, são as espiriteiras os mais propensos a acidentes graves. Quando derrubadas são verdadeiras lança chamas com alcance de quase 2 metros. Logo ao fim vemos que ele queima gás e não sofre os problemas de diluição da eficácia por perder calor e diminuir a quantidade de gás gerado na ebulição por esta ser ativa e não passiva como nos fogareiros a gás.
Combustível
Estrutura Molecular
Ebulição BP °C
Pressão Vapor VP 25°C kPa
kcal/ gram
Btu/ pound
Petróleo Líquido:
Naphtha
C5-9
130-155
20
10.1
18,2
Gasolina
C3-12
14-135
48-103
10.4
18,72
Querosene
C10-18
200-260
<1
10.3
18,54
Diesel
C9-20
288-338
<1
10.2
18,4
Gás Pressurizado:
Propano
CH3CH2CH3
-42.1
9391
11.0
19,782
Butano
CH3CH2CH2CH3
-0.48
2421
10.8
19,512
Isobutano
CH3C(CH3)2
-11.8
3481
10.8
19,458
CONCLUSÕESOs melhores ainda continuam sendo os fogareiros a combustível líquido, levando-se sempre em conta que acima de 6000m de altitude eles podem falhar pela falta de oxigênio e como são imprescindíveis nesses locais, não são utilizados acima dessa altitude. Então nesse caso utiliza-se o fogareiro a gás que tem um funcionamento mais garantido. Quanto aos entupimentos poucos sabem que seu giclê é autolimpante e, o segredo é ao fim do uso quando for guardar, dar uma bela sacudida pois a agulha interna dá uma limpada no orifício de saída do gás. Outra coisa é usar mais benzina que deixa menos resíduo e se tiver paciência filtrar com filtro para café antes de colocar na garrafinha.
Os fogareiros a gás são os mais simples e mais rápidos para serem acesos. Se utilizarmos botijões de gás com propano, mesmo em condições mais frias, vamos ter um ótimo fogareiro pois ele tem um ótimo poder calórico, porém o tempo de cozimento será bem maior que o do fogareiro a combustível líquido. Se utilizarmos botijões de gás butano poderá ter de esperar bem mais pois a eficácia dele estará prejudicada. Existem no exterior fogareiros a gás, em especial as linhas de ponta da Primus ou MSR, com o pré-aquecedor, fazendo com que assim a performance melhore um pouco. Outra coisa que eles fazem para melhorar é colocar o queimador perto do botijão para que este aqueça o botijão e melhore a ebulição pelo calor transmitido. No modelo Reactor da MSR a gás percebe-se bem isso por ter o pré-aquecimento do gás.
Temos abaixo um exemplo de fogareiro a líquido pressurizado e de ótima qualidade.
RECOMENDAÇÕES:Na praia, onde as temperaturas são geralmente mais altas, podemos fazer uso do fogareiro a gás ou a álcool, sem nenhum problema. Em montanha a coisa é diferente pois temos fatores que interferem no bom funcionamento do fogareiro, então ficam os de líquido pressurizado em evidência. Mas se for alta montanha, acima de 6000m, então voltamos para os a gás.
PROJETO
Gás: Pelo custo de um fogareiro a gás, não justifica sair por ai querendo fazer o seu. O mercado nos oferece muitas alternativas a preços bem acessíveis.
Álcool: Muito simples, basta uma lata de sardinha e um apoio para sua panela.
Líquido Pressurizado: Aí a coisa muda pois o custo é significante em muitos casos impossíveis de se conseguir. Para isto descrevo abaixo um projeto que fiz e montei, usando somente em teste de bancada, apresentando uma boa performance porém necessitando de aprimoramentos. O desenho abaixo foi feito em escala e representa a realidade. Sua chama é azul e sopra com pressão suficiente para ferver 1 litro d’água em 15 minutos.
FOGAREIRO A LÍQUIDO PRESSURIZADO
Suporte: Foi feito com barras de alumínio e dobrado em morsa para atingir a forma desejada. Sua articulação foi feita por uma abraçadeira central que fixa também o queimador.
Suporte de Panela: Feito com chapa de aço inox com espessura aproximada de 1mm, com face superior serrilhada para permitir uma melhor estabilidade das panelas.
Queimador: Existe um tipo de fogareiro que é muito utilizado pelos pipoqueiros, por ter uma chama bem forte. É em aço carbono com acabamento em cádmio. O tubo condutor do gás é comprido, suficiente para permitir a instalação. Possui orifícios para entrada de ar, que podem ser fechados ou abertos por uma chapa que você pode adaptar ao redor do tubo, melhorando a qualidade da chama.
Tubo condutor de combustível: Deve ser em aço inox pois o que fiz em cobre derreteu com o calor. É conhecido no mercado como tubing e deve ter o ؼ” que é mais do que suficiente. No futuro pretendo colocar um cabo de aço no seu interior para facilitar possíveis entupimentos. Observe que serão feitas curvas para sair do fundo do ejetor, subir até o queimador, passar sobre a sua lateral, descer até o registro, virar para o lado de fora do fogareiro até ficar em uma região livre de muito calor. E finalmente ligar na mangueira. O trecho de tubo que sai do ejetor e vai em direção ao chão não deve ser muito pequeno pois é ali que ocorre a vaporização e se este trecho for curto não terá combustível suficiente para que surja uma boa quantidade de vapor de combustível.
Ejetor: Comprei um que é utilizado para fogões a gás e com um furo para gás encanado que é maior. Sua base deve ter uma rosca que sirva no conector que ligará com o tubo de aço inox.
Conector: Utilizei um conector em latão com uma extremidade fêmea roscada que recebeu o ejetor. Na outra extremidade é uma conexão de compressão para receber o tubo de aço inox. Esta conexão pode ser do tipo em que se alarga o tubo em forma de um funil fazendo com que este seja alojado em uma ponta que será esmagada por uma porca especial. Para alargar o tubo de aço inox, será necessário inserir um prego com diâmetro igual ao interior do tubo, prender na morsa e pelo lado externo cravar uma ponta de chave de fenda que vá formar aos poucos um formato de funil. O prego servirá para não permitir o fechamento do tubo ao prender na morsa. Esse, por incrível que pareça, é a parte mais chata da montagem, pois serão feitas 3 pontas iguais a esta. Uma para o ejetor e outras duas para o registro.
Registro: São aqueles em latão Ø1/8” utilizados para gás e se conseguir encontrar algum que tenha as extremidades com conexão tipo compressão será perfeito. Caso não encontre, terá que compra os conectores para interligar com o tubo de aço inox. O volante de abertura e fechamento deverá ser metálico para não derreter.
Mangueira Preta: Utilizei as que são usadas em motor de carro e servem para conduzir a gasolina. São pretas e com tramas para melhorar sua resistência a pressões elevadas. Veja que o Øinterno deve ser igual ao Øexterno do tubo de aço inox. Como abraçadeiras, use as automobilísticas que são por parafuso e porca.
Mangueira de Silicone: São adquiridas em casas de borrachas e possuem a características de suportar os diversos combustíveis e são bem flexíveis. Veja que o seu Øinterno seja igual ao Øexterno do tubo de aço inox.
Garrafinha: Foi lá na 25 de março que comprei e são aqueles skeeses feitos em aço inox com tampas roscadas. Sua rosca é feita com uma arruela roscada que fica presa pela dobradura do gargalo da garrafa. Se a arruela roscada começar a girar solta, faça uma camada de durepox no interior da garrafa, entre a arruela e a parede do bocal. Não deixe a rosca suja de durepox senão perderá sua garrafa. O tamanho da garrafa é a de menor volume, com aproximadamente 0,5 litro.
Adaptador: Leve sua garrafinha em uma loja de materiais hidráulicos e experimente um adaptador em latão de Ø3/4” que possua a rosca paralela e não cônica pois a vedação ocorrerá por um anel de borracha que acompanha sua garrafinha e não pela ação de pressão entre as roscas. Pelo centro coloque dois pedaços de tubo de cobre ou inox de Ø1/4” preenchendo o espaço entre os tubos e a parede interna do adaptador com durepox. Deixe pontas suficientes para os engates das mangueiras.
Pêra p/ Aparelho de Tirar Pressão: Uma peça simples e de baixo custo que atendeu perfeitamente sua função. Gera uma pressão suficiente, possui uma válvula de retenção para não permitir o retorno do combustível para o interior da garrafa e ainda tem um registro para aliviar a pressão interna da garrafa que é utilizada antes de abrir a garrafa. Adquira em casa de produtos cirúrgicos.
Funcionamento:
-Antes de por em teste, tenha a mão um pano grande bem molhado, um extintor de incêndio e alguma recipiente com água.
-Carregue a garrafinha com benzina ou gasolina.
-Pressurize com alguns apertões na pêra, até sentir que o ar não está mais sendo bombeado. Veja se existem vazamentos. Caso tenha algum, faça sua correção.
-Abra o registro por alguns segundos até que o tubo seja preenchido pelo combustível, sem sair pelo ejetor.
-Coloque só um pouco de álcool na concha de pré-aquecimento.
-Remova todos os frascos que contenham combustíveis para longe. Limpe as mãos de possíveis combustíveis.
-De longe com o auxílio de um arame, coloque fogo no álcool da concha.
-Observe que a chama será suficiente para atingir todo conjunto. Após alguns instantes iniciará uma pequena vazão de combustível vaporizado e terá inicio da chama pelo queimador.
-Nesse instante vá abrindo o registro com suavidade para não sobrecarregar o tubo de aço inox. A chama será inicialmente amarelada e depois se tornará azulada como a do fogão a gás. Caso não fique azul, pode ser que está com insuficiência de entrada de ar, devendo então abrir a chapinha que envolve a abertura do tubo do queimador. Ou então trocar o ejetor com furo diferente.
-Deverá ser observado se nenhum vazamento está ocorrendo entre todas as conexões elaboradas. Caso ocorra, feche rapidamente o registro e despressurize a garrafa pelo registro da pêra.
-A chama da concha terá terminado e ficará somente a chama do queimador.
-Ponha uma panela com um litro d’água e verifique quanto tempo será necessário para ferver. Não deve passar dos 15 minutos senão deverá ser feito algum melhoramento.
-Quando estiver em pleno funcionamento, veja que o tubo de aço inox ficará avermelhado, mas isso não importa, pois não terá calor suficiente para derreter. Se for de cobre a coisa muda pois poderá derreter e derramar combustível sem controle.
-O custo final dessa montagem não chegou a US$ 60.
ALERTAS
Tudo que descrevemos aqui foi com pesquisa em livros, apostilas, internet e consulta a colegas de aventuras. No caso do projeto acima, não recomendo sua reprodução por ser um produto de fabricação caseira podendo causar danos à sua saúde e comprometer seus local de utilização.
FINALMENTE:
O que gostaríamos de deixar registrado é que o fogareiro é uma peça de uso muito requisitada e durante nossas aventuras percebemos que algum grupo termina bem mais rápidas suas refeições do que outros grupos e muitas vezes enquanto esperamos as nossas ficarem prontas, ficamos nos perguntando o porque dessa diferença e nos fez elaborarmos uma série de pesquisas onde após muitas conclusões, resolvemos colocar em nosso site, para dividirmos nosso conhecimento com você que também deve ser um aventureiro....
O Sistema de Graduação de Escaladas Brasileiro
O Sistema de Graduação de Escaladas Brasileiro
Uma Proposta de Atualização
1. Introdução
A adoção de diferentes linguagens ao expressar os graus de dificuldade das vias de escalada por parte de diferentes grupos de escaladores no Brasil tem sido uma realidade de tal forma evidente que, mesmo no Rio de Janeiro, onde o sistema de graduação foi concebido, os três guias de escaladas publicados na década de 90 traziam diferenças na forma de utilizá-lo. Em algumas outras regiões do país verifica-se o mesmo fenômeno, porém de forma mais acentuada: frequentemente há equívocos no uso do sistema, e algumas vezes são utilizados sistemas estrangeiros ou formas híbridas dos sistemas brasileiro e francês.
Em 1999 o Fórum Interclubes organizou uma série de três seminários abertos com o objetivo de discutir as mudanças ocorridas e buscar um sistema que aproveitasse as vantagens do sistema existente e incorporasse a ele novos conceitos considerados importantes pela comunidade de escaladores.
Em 10/08/99 foi aberto o primeiro seminário com exposições de autores dos guias e catálogos de escaladas lançados até então no Estado do Rio: André Ilha (Catálogo de Escaladas do Estado do Rio, 1984 e Guia de Escaladas de Guaratiba, 1999 – em fase de elaboração na época); Flávio Daflon (Guia de Escaladas da Urca, 1996) e Alexandre Portela (Guia de Escaladas dos Três Picos, 1998). Nesta ocasião foram colocadas as diferenças na utilização do sistema, e iniciou-se um amplo debate para a melhoria do mesmo.
Dois outros seminários, nos dias 05/10/99 e 14/12/99, levaram à conclusão de uma nova proposta para o sistema de graduação brasileiro. A recomendação final do seminário foi de que, após algum tempo de sua divulgação e uso, o novo sistema sofreria uma revisão final futura.
Com este texto a FEMERJ divulga o enunciado formal do sistema proposto, com o objetivo de dar subsídios às discussões que ocorrerão no seminário final, ainda este ano (2002), cuja data exata e local serão divulgados em breve em www.femerj.org.
Lembramos que a atualização proposta aqui não objetiva somente a melhoria técnica do sistema, que poderá ser utilizado de maneira eficiente em qualquer das modalidades de escalada - vias esportivas, boulders, tradicionais e big walls. Ela traz também o desejo de difundir a utilização de um sistema único e brasileiro no nosso país. Esperamos com isso contribuir para a difusão de conhecimentos técnicos e para a preservação da identidade do nosso montanhismo, que é tão rico em histórias e realizações.
2. A graduação de escaladas no Brasil: um pouco de história
Embora tenha tido seu marco inicial em 1912 com a conquista do Dedo de Deus, a escalada em rocha no país só começou a ser praticada de maneira mais ampla a partir da década de 30. Nesta época, a classificação das dificuldades utilizada para as escaladas era a mesma das caminhadas: leve, média, pesada, etc.
Foi durante a década de 40 que alguns escaladores começaram a utilizar um sistema de graduação específico para escaladas. Dois dos precursores deste novo hábito foram Sílvio Joaquim Mendes, do CERJ, e Almy Ulisséa, do CEB. O sistema utilizado, provavelmente inspirado no sistema alpino, tinha apenas um algarismo, que determinava a dificuldade geral da via. Não havia preocupação com a padronização da notação, de modo que alguns escaladores usavam algarismos arábicos enquanto outros usavam os romanos.
As tentativas iniciais de organização de um sistema viriam a ocorrer a partir na década seguinte. Em 1956, por exemplo, no Encontro de Clubes Excursionistas, dirigido por Ricardo Menescal e Manoel Lordeiro, foram listadas algumas das escaladas até então conquistadas e seus graus de dificuldade, sedimentando assim um padrão de referência para a classificação de outras vias sob um sistema único de graduação.
Na década seguinte o número de conquistas cresceu bastante, e logo surgia uma maneira brasileira de se graduar as vias, resultado do casamento do sistema alpino tradicional com a experiência dos escaladores locais. Este sistema foi aperfeiçoado, descrito e oficializado em 1974 pela antiga Federação Carioca de Montanhismo (FCM), responsável pela introdução da subdivisão "sup" na graduação. No ano seguinte, a FCM viria a se tornar estadual: Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (FMERJ), que viria a ser extinta no início dos anos 80. A FMERJ publicou em 1975 uma relação das conquistas até então existentes e seus graus de dificuldade, inaugurando ali o novo sistema.
Uma descrição formal mais completa mas com algumas adaptações seria feita em 1984, com o lançamento do Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro (A. Ilha, L. Duarte).
Finalmente, seu uso continuado e eficiência fizeram com que o sistema brasileiro fosse um dos oito únicos sistemas de graduação citados no livro "Mountaineering – the Freedom of the Hills (The Mountaineers, USA)", reconhecido no mundo todo como uma importante referência bibliográfica no montanhismo.
3. Descrição do sistema de graduação proposto
3.1 - Introdução
Uma das vantagens do sistema brasileiro é a menção dos graus geral e do lance mais difícil da via em separado, ao contrário do que acontece em sistemas como o americano e o francês, que tomam como grau de uma escalada apenas o grau do seu lance mais difícil.
O sistema aqui proposto procura manter esta e outras qualidades deste sistema e ao mesmo tempo acrescentar algumas inovações que o tornem mais atual e eficiente. Algumas destas mudanças são: a adoção oficial do sistema internacional em artificiais (o sistema antigo classificava oficialmente os artificiais em A1, A2 ou A3, embora na prática no Brasil já se adote há tempos a escala até A5), a nova subdivisão (a,b,c) para lances de dificuldade elevada (VIIa ou maior) e a adoção de um grau específico de exposição.
A graduação de uma via é composta aqui de duas partes principais: uma "central", de menção obrigatória, e outra de termos opcionais, que podem ser acrescidos conforme a riqueza de detalhes que se deseje passar.
Aparte central é composta pelo grau geral, o grau do lance mais difícil e o grau do artificial, quando este existir. Os termos opcionais são o grau de duração, o grau de exposição, o número de passadas em artificial e o grau máximo "obrigatório" em livre. Todos estes itens são explicados abaixo.
Lembramos que na atribuição do grau a uma via considera-se que o escalador está guiando e escalando "à vista", isto é, sem conhecimento prévio da via.
3.2 - O grau geral
O grau geral tem o objetivo de expressar a soma de todos os fatores objetivos e subjetivos que traduzem a dificuldade de uma via. Trata-se de uma média das dificuldades técnicas encontradas ao longo da via, que por sua vez pode ser ajustada de acordo com os fatores subjetivos, caso estes tenham um peso relevante na dificuldade geral. Entre estes fatores estão: distância entre as proteções, periculosidade das quedas, exigência física, qualidade das proteções e da rocha, existência ou não de paradas naturais para descanso no meio das enfiadas e possibilidade de abandono do meio da via.
Como é influenciado por fatores subjetivos de toda a via, o grau geral pode eventualmente ser maior do que o grau do lance mais difícil. Isto acontece, por exemplo, em escaladas de lances fáceis porém com alto grau de exposição (ver exemplos ao final do texto).
Notação e uso:
Algarismos ordinais arábicos;
Não há subdivisões;
Colocado no início da graduação, podendo apenas ser antecedido pelo grau de duração, quando este existir;
Sistema aberto para cima, podendo sempre receber um grau a mais do que o máximo grau existente em uma determinada época;
Menção obrigatória.
Escala:
1°, 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7°, 8°, ...
3.3 - O grau do lance mais difícil
Trata-se do grau do lance ou seqüência mais difícil de toda a escalada, ou grau do crux. Pode ser apenas uma passada ou uma seqüência, isto é, um conjunto de lances entre dois pontos naturais de descanso da via. Este grau também é influenciado pelo nível de exposição (um lance difícil longe do último grampo tende a ter graduação mais alta do que o mesmo lance bem protegido), embora o fator dificuldade técnica prevaleça.
Notação e uso:
Algarismos romanos;
Subdivisões: "sup" até VIsup, e "a, b, c" acima de VIsup;
As subdivisões são escritas logo após o algarismo, em minúsculas e sem espaçamento;
Posicionado logo após o grau geral, deixando-se um espaço entre eles, e antes do grau do artificial;
O sistema é aberto para cima;
Menção obrigatória.
Escala:
I, Isup, II, IIsup, III, IIIsup, IV, IVsup, V, Vsup, VI, VIsup, VIIa, VIIb, VIIc, VIIIa, VIIIb, VIIIc, IXa, ...
Obs:
Além de ser usada na classificação de vias, a notação em romanos deve ser sempre utilizada para a descrição de lances de escalada isolados. A indicação da dificuldade de cada lance nos desenhos dos croquis de vias e o relato escrito de detalhes de escaladas ("...tal escalador passou por uma fenda de VI...") são dois exemplos onde se deve escrever o grau em romanos e não em arábicos.
3.3.1 - Vias de uma enfiada de corda, falésias e boulders
Para estas vias não há sentido em se atribuir um grau geral e um grau para o lance mais difícil, uma vez que são vias curtas, de comprimento máximo de 50 ou 60 metros. Então o grau geral é abolido, e utiliza-se somente o grau do lance ou seqüência mais difícil, em romanos, para expressar a sua dificuldade. As vias muito curtas, por serem normalmente mais difíceis, não costumam possuir pontos naturais de descanso - neste caso a via inteira é uma seqüência única a ser graduada.
Esta graduação é válida para boulders, falésias e vias curtas em geral, e a notação e a escala já foram descritas acima. Seguem abaixo alguns exemplos de escaladas deste tipo pelo Brasil:
O Tempo Não Para (Galpão de Pedra, Caçapava do Sul, RS) - VIsup
Ácido Nítrico (Falésias dos Ácidos, Urca - RJ) - VIIIa
Corações e Mentes (Mo. Da Pedreira, S. do Cipó, MG) - IIIsup
Asterix (P. da Ana Chata, S. Bento do Sapucaí, SP) - VIIa
3.3.2 - O grau máximo obrigatório em livre
O grau de uma via de escalada é o seu grau mais em livre possível. No entanto, um escalador cujo nível técnico esteja abaixo dos lances mais difíceis de determinada escalada pode ter condições de repeti-la se subir tais lances em artificial, utilizando para isso as proteções como pontos de apoio. Embora este não seja o melhor estilo de se repetir uma via, muitas vezes é o estilo possível para quem (ainda) não consegue fazê-la totalmente em livre.
Por este motivo, na hora de graduar uma via, alguns escaladores gostam de mencionar o grau máximo "obrigatório" em livre da escalada, isto é, aquele que, mesmo utilizando as proteções como ponto de apoio, o escalador necessariamente tem que conseguir guiar em livre para repeti-la. Neste caso o "novo crux" passa a ser mais baixo, substituindo o crux real na graduação. O crux real é mencionado entre parêntesis, junto com a indicação do artificial que o substitui.
Por exemplo: Suponha que numa via de 3° VIsup o lance de VIsup possa ser subido pisando-se em duas das proteções (artificial A0, portanto), fazendo com que o grau máximo em livre passe a ser IV. O grau desta via pode ser expresso então como 3° IV (A0/VIsup). Isto é, a via é de 3° grau, o crux é de VIsup e caso este seja feito em artificial A0 o novo crux (grau obrigatório) passa a ser IV. O termo entre parêntesis (A0/VIsup) significa "ou você faz um A0 ou faz um VIsup".
Outra aplicação para esta forma de graduação está em vias conquistadas com trechos em artificial e que com o passar dos anos foram feitas em livre, mas que conservam a grampeação original do antigo artificial.
Notação e uso:
O "novo crux" é colocado depois do grau geral, em substituição ao crux real;
A seguir coloca-se entre parêntesis o grau do artificial, uma barra e o grau do crux real, sem espaçamento entre eles;
Uso opcional.
3.4 - O grau do artificial (A)
Entende-se por artificial o uso de meios não naturais (ou pontos de apoio artificiais) para progressão numa escalada.
O grau adotado aqui segue o sistema internacionalmente mais utilizado, indo de A0 a A5, e possuindo subdivisões ("+"). Apenas o A0 recebe uma definição um pouco diferente em relação a outros países. Quanto ao grau reservado para (futuras) escaladas mais difíceis do que A5, adota-se aqui o A5+ em vez de A6, para se manter uma lógica sequencial, a exemplo de algumas publicações como o já citado "Mountaineering – the freedom of the hills".
O grau do artificial de uma via é o grau da sua enfiada mais difícil, e não uma média dos diferentes trechos em artificial.
Quando o artificial possui poucos pontos de apoio, pode-se desejar mencionar a quantidade destes pontos. Neste caso, coloca-se o número de pontos de apoio entre parêntesis, logo depois do grau. Ex: 4° V A1(3) ou 4° V A2+(2).
Quanto a via possui trecho em cabo de aço, adiciona-se a letra "C" ao final. Ex: 4° V C.
Convém comentar que a graduação de artificiais leva em conta principalmente a qualidade das colocações que seguram o escalador e o tamanho da queda em potencial. Assim sendo, é possível a existência de artificiais com poucas passadas mas de graus elevados. Por exemplo: uma sequência de 4 ou 5 copperheads e rurps fragilmente colocados após um longo lance de escalada em livre sem proteção pode vir a receber um grau alto, apesar de ser um trecho curto.
Artificiais fixos podem ser A0 ou A1, conforme sua extensão. Artificiais de cliff são sempre maiores do que A1, variando conforme a distância da última proteção sólida e a dificuldade de progressão. Estes fatores também se aplicam ao material móvel em geral.
Notação e uso:
Letra A maiúscula seguida de numeração de 0 a 5, em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número;
Subdivisões: "+", colocado após o número sem espaçamento;
Posicionado depois do grau do lance mais difícil e antes do grau de exposição (E), caso exista;
No caso de cabos de aço, letra C maiúscula, posicionada depois do lance mais difícil ou do artificial (A), caso este exista, e antes do grau de exposição (E), caso exista;
O número de pontos de apoio vem em arábicos, colocado entre parêntesis logo após o grau do artificial, sem espaçamento. Seu uso não é obrigatório;
O grau do artificial é de uso obrigatório.
Escala:
A0: Pontos de apoio sólidos ("à prova de bomba") isolados ou em uma curta sequência, com pouca exposição; pêndulos; uso da proteção para equilíbrio ou descanso; e tensionamento da corda para auxílio na progressão;
A1: Peças fixas ou colocações sólidas de material móvel, todas elas fáceis e seguras, em uma seqüência razoavelmente longa;
A2: Colocações de material móvel geralmente sólidas porém mais difíceis. Algumas colocações podem não ser sólidas, mas estarão logo acima de uma boa peça. Não há quedas perigosas.
A2+: Como o A2, mas com possibilidade de mais colocações ruins acima de uma boa. Potencial de queda aproximado de 6 a 9 metros, mas sem atingir platôs. Pode ser necessária uma certa experiência para encontrar a trajetória correta da escalada.
A3: Artificial difícil. Possui várias colocações frágeis em seqüência, com poucas proteções sólidas. O potencial de queda é de até 15 metros, equivalente ao arrancamento de 6 a 8 peças, mas geralmente não causa acidentes graves. Geralmente são necessárias varias horas para guiar uma enfiada, devido à complexidade das colocações.
A3+: Como o A3, mas com maior potencial de quedas perigosas. Colocações frágeis, como cliffs de agarra em arestas em decomposição, depois de longos trechos com proteções que agüentam somente o peso do corpo. É comum que escaladores experientes levem mais de três horas para guiar uma enfiada.
A4: Escaladas muito perigosas. Quedas potenciais de 18 a 30 metros, com perigo de se atingir platôs ou lacas de pedra. Peças que agüentam somente o peso do corpo.
A4+: Como o A4, mas são necessárias várias horas para cada enfiada de corda. Cada movimento do escalador deve ser calculado para que a peça onde ele se encontra não seja arrancada apenas com o peso do seu corpo. Longos períodos de pressão psicológica.
A5: Este é o extremo, sob o ponto de vista técnico e psicológico. Nenhuma das peças colocadas em toda a enfiada é capaz de segurar mais do que o peso do corpo, quando muito. As enfiadas não podem possuir proteções fixas nem buracos de cliff.
A5+: Como um A5 em que as paradas não são sólidas. Qualquer queda é fatal para todos os componentes da cordada. Até o presente (2002) não se conhece nenhuma via de escalada com essa graduação.
3.5 - O Grau de Duração (D)
Expressa o tempo de duração da via quando repetida à vista por uma cordada que tenha prática nas técnicas exigidas e que tenha segurança no grau da via. A escala utilizada é a internacional, tendo a notação sido modificada para maior clareza, já que aquela escala utiliza os mesmos algarismos romanos que aqui utilizamos para o lance mais difícil da via. Assim sendo, os graus I, II, III, etc utilizados no exterior equivalerão no sistema brasileiro aos graus D1, D2, D3, etc, sendo o D de "duração".
O grau de duração da via só considera a ascenção, não incluindo o tempo de retorno, seja ele feito por rapel ou caminhada.
Notação e uso:
Letra D maiúscula seguida de numeração (de 1 a 7), em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número.
Posicionado no início do grau da via, antes de todos os outros fatores.
Utilização opcional.
Escala:
D1: Poucas horas de escalada.
D2: Meio dia de escalada.
D3: Um dia quase inteiro de escalada.
D4: Um longo dia de escalada.
D5: Requer uma noite na parede. Cordadas muito velozes podem repeti-la em um dia.
D6: Dois dias inteiros ou mais de escalada. Normalmente inclui longos e complicados trechos de escalada artificial.
D7: Expedições a locais de acesso remoto com longa aproximação e muitos dias de escalada.
3.6 - O grau de exposição (E)
O grau de exposição de uma via procura expressar seu o grau de comprometimento psicológico. Como visto anteriormente, a exposicao está incluída, junto com outros fatores, no grau geral da escalada. No entanto, a sua menção específica em separado é uma informação muitas vezes importante, principalmente em se tratando de escaladas em ambiente de montanha, e muitos escaladores optam por utilizá-lo na graduação das vias.
A primeira vez que um termo que expressasse exclusivamente o grau de exposição foi utilizado ocorreu com o lançamento do Guia de Escaladas dos Três Picos (1998), por Alexandre Portela, Sérgio Tartari e Isabela de Paoli. Os autores criaram um sistema fechado com 5 subdivisões, e que teve repercussão bastante positiva por parte da grande maioria dos escaladores que utilizaram aquela publicação como fonte de informações sobre as escaladas de Salinas (Friburgo), região incluída no guia. Como resultado, decidiu-se nos seminários incluir este grau no sistema.
Os fatores considerados aqui são principalmente a distância e a qualidade das proteções e o risco de vida em caso de queda, mas também a dificuldade técnica dos lances (embora este fator tenha menor peso).
Este grau diz respeito apenas à parte de escalada livre da via. A exposição dos trechos em artificial está incluída no grau do artificial.
Notação e uso:
Letra E maiúscula, seguida de numeração de 1 a 5, em arábicos, sem espaçamento entre a letra e o número.
Posicionado ao final do grau da via, depois de todos os outros fatores.
Sua utilização é opcional.
Escala:
E1: Vias bem protegidas (ex: a maior parte das vias do Anhangava/PR, Cuscuzeiro/SP, Lapinha/MG e Coloridos, Urca/RJ);
E2: Vias com proteção regular (ex: vias do Morro da Babilônia, na Urca/RJ e Serra do Lenheiro/MG);
E3: Proteção regular com trechos perigosos (ex: vias na Serra dos Órgãos/RJ e Pedra do Baú/SP);
E4: Vias perigosas (em caso de queda) (ex: algumas vias de Salinas/RJ e Marumbi/PR);
E5: Vias muito perigosas (em caso de queda) (ex: algumas vias de Salinas/RJ e Cinco Pontões/ES).
4. Exemplos de aplicação do sistema
Suponhamos que uma determinada via seja curta (uma enfiada de corda ou mesmo um boulder), e a sequência mais difícil seja VIIb. O grau da via é então VIIb.
Suponhamos agora que essa via tenha na verdade duas ou mais enfiadas. Então o grau médio dos lances da via deve ser aferido, e ajustado um pouco para cima (ou não) conforme a exposição, exigência física e outros fatores subjetivos. Suponhamos que esse grau seja 5°. Então o grau da via é 5° VIIb.
Mas no meio da via há um artificial de cliffs graduado em A2. Grau: 5° VIIb A2.
Se esse artificial constituir de apenas três pontos de apoio, você pode querer explicitar isso. Solução: 5° VIIb A2 (3).
Suponhamos que a via não tenha artificial nenhum, pois é feita em livre. Como vimos acima, seu grau é então 5° VIIb. Mas o crux (VIIb) tem a possibilidade de ser feito em artificial segurando em um ou dois dos grampos de proteção (um A0, portanto), e aí o lance mais difícil passa a ser um Vsup. Você pode informar isso na graduação da seguinte forma: 5° Vsup (A0/VIIb).
Bem, acontece que esta via é particularmente exposta (um E4), e embora isto já tenha influenciado o grau geral você pode querer dar a informação em separado. Então o grau da via é 5° VIIb E4. E se houver o artificial A2, 5° VIIb A2 E4.
E finalmente a via em questão é tão longa e trabalhosa que se trata de um big wall, e uma cordada normal levará dois dias para repetir. O grau é então: D5 5° VIIb A2 E4.
Em suma: o grau pode ser expresso de maneira tão simples como VIIb ou tão extensa como D5 5° VIIb A2 E4, conforme as características da via e os objetivos de quem a gradua. Mas na prática, a maioria das vias só requer mesmo o uso de dois termos: o grau geral e o crux. Seguem abaixo outros exemplos:
VIsup - via de uma enfiada, boulder ou falésia cujo crux é VIsup.
D2 4° VIsup A2 E2 – Via de grau médio (geral) 4°, crux VIsup e artificial A2 cujo grau de exposição é E2 (grampeação regular) e a duração é D2 (meio dia de escalada).
IV E3 - Via curta de crux IV grau e exposição regular com trechos perigosos (E3).
3° IVsup (A0/VI) – Via de 3° grau com crux de VI, mas cujo crux obrigatório é IVsup.
D6 7° VIIb A3+ E4 – Via de 7° grau com crux de VIIb e artificial A3+ que tem grau de exposição E4 (via perigosa) e duração de alguns dias.
5° IV – Via de 5° grau cujo crux é de IV grau.
5° IV E4 – Pode ser a mesma via anterior, mas decidiu-se tornar explícito o grau de exposição. Notar que o alto grau de exposição desta via faz com que o grau geral seja maior do que o do crux.
5. Graduação de algumas vias pelo Brasil pelo sistema
Entre o Sol e a Lua (Casa de Pedra, Bagé, RS) - 5° V
O Dia da Marmota (P. do Cuscuzeiro, Analândia, SP) - 5° VIsup
Tragados pelo tempo (Corcovado, RJ) - D5 6° VIsup A3+
Ópera Selvagem (Sa. Do Lenheiro, S. J. del Rei, MG) - 4° V
Infarto Neurológico (Ibitirati, PR) - 6° VIsup A2 E4
Agulha do Diabo (Serra dos Órgãos, RJ) - 3° IIIsup A1 C
Universo Paralelo (Pa. do Pântano, Andradas, MG) – VIIa
Los Encardidos (Marumbi, PR) – D5 6° VI A2
Tente Outra Vez (Torres – RS) - VI
Alcatraz (Pedra de São Pedro, RN) - 6º VIIa E2
Face Leste do Pico Maior (Friburgo, RJ) - 5° IVsup E3
6. Considerações finais
Como dito anteriormente, o novo sistema vem sendo testado na prática desde o início do ano 2000 em diferentes regiões do país, e após este período já é possível fazer algumas observações:
A mudança de notação existente entre o sexto e o sétimo grau foi bem assimilada pelos escaladores na linguagem oral – parece estar bem difundido que depois do "sexto sup" vem o "sete a", "sete b", etc, e não mais os "sétimo" e "sétimo sup". Mas, na escrita, ainda se usa muito os arábicos para estes graus ("7a", "7b", etc), quando o correto é "VIIa", "VIIb", etc.
Outro equívoco ainda comum é o uso de subdivisões no grau geral e o uso de arábicos na classificação de lances ("5° sup"), em vez dos romanos.
O uso do grau de exposição se tornou rapidamente popular, e embora tenha por vocação maior utilidade nas regiões de "vias de montanha", vem sendo usado corriqueiramente em escaladas urbanas. Alguns escaladores sugeriram que este fator passe a ser de uso obrigatório.
7. Bibliografia
- Documentos técnicos da extinta FMERJ, 1974 e 1975;
- Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro – André Ilha e Lúcia Duarte, 1984;
- Guia de Escaladas da Urca – Flávio Daflon e Delson Queiroz, 1996;
- Guia de Escaladas dos Três Picos – Alexandre Portela, Sérgio Tartari e Isabela de Paoli, 1998;
- Guia de Escaladas de Guaratiba – André Ilha, 1999;
- Notas dos seminários de graduação – Fórum Interclubes, 1999;
- Mountaineering – The Freedom of the Hills – 6a edição - The Mountaineers, 1996.
Expediente
Este texto é parte do acervo de textos técnicos produzido pela Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (FEMERJ) para a comunidade de montanhistas, e pode ser baixado de www.femerj.org. A cópia e divulgação do mesmo são livres, desde que sem fins lucrativos e desde que citada a fonte.
Agradecemos a comunicação de quaisquer erros ou omissões encontrados aqui através do e-mail infofemerj@femerj.org ou por carta à FEMERJ.
FEMERJ
Rua Hilário de Gouveia, 71 / 206 Copacabana - Rio de Janeiro CEP: 22040-020...
O Estado da Arca por Pedro L. Tomasulo
O ESTADO DA ARCA
Estima-se atualmente que a ciência conheça cerca de 1,4 milhão de espécies, incluindo todas as plantas, animais e microrganismos. Entre os grupos que dominam essa grande diversidade estão os insetos com 751.000 espécies conhecidas, e as plantas superiores com 250.000 espécies.
Conclusão: a espécie humana habita um planeta que pode ser considerado uma verdadeira “Arca –de - Noé” em termos de diversidade de formas de vida.
Entretanto, uma vasta quantidade de espécies ainda está por ser descoberta. Os estudiosos da biodiversidade afirmam que o total de formas de vida que habitam nossa “Arca” deve situar-se entre 10 e 100 milhões de espécies!!!
Infelizmente, esses pesquisadores correm contra o tempo na conhecida luta entre a descoberta de novas espécies e a extinção provocada pela destruição dos habitats naturais. Incluir uma espécie nova na lista requer, muitas vezes, pesquisar lugares ainda pouco explorados, como a copa das árvores das florestas tropicais, rica em diversidade animal mas quase inacessível por causa da altura (de 30 a 40 metros do solo), da superfície escorregadia dos troncos e dos enxames de formigas e vespas prontas para picar aqueles que se aventuram a subir.
Outros locais quase inexplorados cientificamente são os paredões e os cumes das montanhas de grande altitude, cujas fendas nas rochas abrigam uma imensa variedade de espécies, talvez inéditas para a ciência.
Atualmente, poucos botânicos tem se aventurado a pesquisar a flora que habita os “inselbergs”, nome geológico dado aos afloramentos e às formações rochosas das montanhas, devido a grande dificuldade para coletar amostras de plantas nesses locais.
Aos amigos escaladores: essa é uma ótima dica, e talvez oportunidade, para unificar ciência e esporte em prol da conservação da diversidade da vida na nossa preciosa “Arca”. Pensem nisso!!!!
Foto: Matuza
Sugestão para leitura: Diversidade da vida
Edward O. Wilson
Cia. das Letras – SP
Pedro L. Tomasulo Biólogo / Professor Universitário / Mestre em Ecologia, Conservação e Manejo pela UFMG / Doutor em Geociências e Meio Ambiente pela UNESP de Rio Claro...
Parque Nacional do Itatiaia - Planalto por Danilo Henrique Kleine
PARQUE NACIONAL DO ITATIAIA – PLANALTO
O Parque
O Parque Nacional do Itatiaia foi criado em 14 de junho de 1937 pelo Presidente Getúlio Vargas, sendo o pioneiro dos parques brasileiros, sua criação foi espelhada em modelos internacionais, principalmente norte-americanos como o do Parque Yellowstone.
Localizado entre as cidades de Itatiaia –RJ, Resende –RJ, Itamonte - MG, Alagoa – MG e Bocaina de Minas – MG, as características do planalto são de relevo montanhoso e altitude variando de 2300 à 2787 metros, compreendendo uma área total de 30.000 hectares e perímetro de 110 km (incluindo parte baixa), o clima é mesotérmico e o ecossistema predominante é de campos de altitude. Para adentrar ao parque é cobrada um taxa de R$3,00.
Tachyphonus coronatus (Tiê-Preto; Ruby-Crowned Tanager).
Habita a região sul e sudeste do Brasil e parte leste do Paraguai.
Pode ser visto isolado ou em grupos. O macho exibe a mancha vermelha da cabeça, quando excitado, e mostra a parte inferior/interna das asas com cor branca, quando voa. A fêmea é totalmente diferente com cor laranja escurecida e levemente menor que o macho.
Entenda mais sobre o que é um Parque Nacional (PARNA)
De acordo com o SNUC- Sistema Nacional de Unidades de Conservação, LEI N° 9.985, de 18 de Julho de 2000.
O Parque Nacional é uma Unidade de Proteção Integral (Art. 7° item I)
Art. 11 O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.
§ 1° O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei.
§ 2° A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento.
§ 3° A pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento.
§ 4° As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado ou Município, serão denominadas, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal.
Escaladas no Parque
O parque é um importante ícone da história do montanhismo nacional, quando em 1856, José Franklin da Silva (Massena) escala o Agulhas Negras, mas sem alcançar o ponto mais alto. Somente em 1919, Carlos Spierling e Osvaldo Leal escalam o ponto mais alto o Itatiaiaçú com 2787,4 metros.
Pedra do Tubarão-Maciço das Prateleiras (Via Sexto Sentido)
Agulhas Negras
Altitude: 2787,4 metros
O pico mais conhecido do parque, com aproximadamente 18 vias de escalada no estilo clássico com predominância em chaminés. O cume do Agulhas o Itatiaiaçú conta com um livro de registro de topo. A via mais freqüentada pelos turistas é a Pontão Ricardo Gonçalves.
Prateleiras
Altitude: 2540 metros
O pico com grande quantidade de vias, com aproximadamente 24 vias em vários estilos (clássico, esportivo, móvel, artificial). Atualmente o cume também conta com livro de registro de topo. As vias mais freqüentadas pelos turistas são a via Sul e a via Norte. Destacam-se as vias 6° sentido, Chaminé Idalício e Chaminé Brackmann para escaladores.
Morro do Altar
Altitude: 2665 metros
O pico conta com aproximadamente 7 vias de escalada, predominante em livre, e uma via com lance em artificial fixo. De todos os picos o seu topo é o melhor em termos de visual geral do parque por estar situado bem ao centro, podendo ser contemplado Asa de Hermes, Ovos de Galinha, Agulhas Negras, Prateleiras e Morro do Couto dentre outros. Destacando-se as vias Gênesis e Alexandria.
Morro do Couto
Altitude: 2680 metros
Do topo do Couto alcançado por escalaminhada após a antena, há um belíssimo visual, mais abaixo do topo há o Campo Escola Luiz Fernando com aproximadamente 15 vias predominante em escalada esportiva.
Outras opções de escaladas no Parque
- Morro do Camelo (localizado na frente do Alsene anterior a portaria)
- Vias e paredões ao longo da estrada.
Outros Atrativos:
- Cachoeira do Airuoca
- Pedra da Maçã e Tartaruga
- Pedra Sentada
- Ovos de galinha
Problemas
A falta de locais para acampamento é um transtorno para os excursionistas, no passado antes da portaria o acampamento era liberado, mas devido a falta de educação ambiental, o IBAMA realizou uma grande ação proibindo o camping nessas áreas devido a contaminação dos riachos, lixo, dejetos e todos os maus hábitos trazidos da cidade. Restando somente o camping do Alsene como única opção, onde é cobrado R$10,00 por pessoa sem grande infra-estrutura em relação ao preço, principalmente pela falta de local adequado para a preparação de refeições.
Estaremos propondo junto ao Parque que seja adotado um modelo parecido com o do Parque Nacional da Serra dos Órgãos onde é cobrada uma taxa maior, para o excursionista ficar dentro do parque, implantando uma fiscalização rigorosa e criteriosa, atendendo as normas ambientais, gerando maiores recursos ao parque pelo uso sustentável.
Algumas caminhadas estão proibidas, seria viável um estudo preciso da capacidade de carga para a verificação se tais caminhadas não poderiam ser liberadas novamente com guias cadastrados ou montanhistas filiados a federações com prévia autorização do parque.
Bromélia
Preserve o meio ambiente
- A preservação depende da sua atitude;
- Não faça fogueiras;
- Não polua os riachos;
- Não moleste os animais;
- Traga todo o seu lixo de volta;
- Procure utilizar somente as trilhas demarcadas;
- Oriente/denuncie os visitantes sem educação ambiental;
Saltator similis (Trinca-Ferro)
Habita a região central, sudeste e sul do Brasil, Paraguai, Uruguai e parte nordeste da Argentina. Seu nome popular deriva da robustez de seu bico.
Dicas
- Leve máquina fotográfica;
- Utilize filtro solar mesmo em dias nublados;
- Utilize calçado apropriado;
- Vá preparado com vestimentas adequadas(o local é muito frio);
- Fique atento ao horário de retorno;
- Montanhista informe-se adequadamente sobre o local a ser visitado, bem como as vias a serem escaladas mediante as suas limitações;
- Turistas de aventura ao visitarem o parque contratem um guia cadastrado;
Para saber mais:
GUIA DE ESCALADAS DO ITATIAIA – RJ
Autores Jorge Alberto Guedes e Fábio Côrrea Guedes
Danilo Henrique Kleine
Instrutor/Guia de escalada em rocha, Condutor Autorizado IBAMA – P.N. Itatiaia, Integrante do Grupo PORVA, Instrutor de Trabalhos em Altura em Concessionária de Energia Elétrica, Conquistador de vias de escalada destacando-se a região de Salesópolis, Cursando atualmente Faculdade de Turismo, Ministrou cursos de resgate em estruturas de LT´s ao Corpo de Bombeiros do Alto Tietê.
Email: danilo@porva.com.br
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Conquista do Baú por Marcello C. Vazzoler
A Pedra do Baú
Lembro-me como se fosse ontem, da primeira vez em que subi a Pedra do Baú, eu, meu irmão Marcilio e Herbert, um amigo de longa data, éramos adolescentes em busca de aventura e tivemos conhecimento de tal monolito rochoso por conta de matéria escrita em uma revista, cuja descrição da empreitada na época, dizia ser um desafio para os mais corajosos e decididos, tínhamos pouca experiência em excursionismo, muito menos em altura, mas mesmo assim nos achávamos capazes. A nossa primeira subida na pedra foi precedida pela de um grupo de escoteiros, havia um líder, e este discursava sobre os enormes perigos de se subir tal paredão, na época já havia as escadinhas de ferros chumbadas na pedra, mas as pessoas que subiam por tal escadinha não usavam nenhum equipamento de segurança, tanto por desconhecimento quanto por não acharem necessário.
O tempo passou e eu comecei a escalar de uma forma um pouco mais técnica, com corda, mosquetões e sapatilha, desde essa época venho freqüentando sempre que posso o conjunto, Baú, Bauzinho e Ana Chata, e para mim a história da Conquista do Baú, bem como a preservação do ecossistema local são de extrema importância. O complexo Baú constitui-se hoje em dia em um dos principais pólos de escalada de São Paulo e por que não dizer do Brasil.
A Conquista da Pedra do Baú
A história da conquista
O ano era 1940 e a conquista ao topo do imponente Baú, que a despeito do nome chama-se assim, por ser uma abreviação de Embáu que em tupi-guarani significa local de vigia com 1950 metros de altitude e paredes de granito com até 360 metros de altura se tornava um tormento para um pacato cidadão de São Bento do Sapucaí de nome Antônio Teixeira de Souza, pedreiro de profissão ele não se conformava com o fato de que ninguém houvera subido a pedra, e mais, queria ser ele o primeiro a por os pés em seu cume. As tentativas foram muitas e em algumas delas teve que ser resgatado por amigos, pois se embrenhava de tal forma em suas escarpas que depois não conseguia descer, porém na noite do dia 12 de agosto de 1940 Antônio que já contava com 51 anos de idade teve um sonho, no qual fora revelado a ele que a face sul do lado de Campos do Jordão é a que deveria ser galgada pela primeira vez. Levantou-se de madrugada ainda meio confuso com o sonho que tivera, e pôs-se a arrumar seu material de conquista, (martelo, uma pequena foice e três metros de corda). Sem perder tempo Antônio descreveu seu sonho ao irmão João também entusiasta da subida, e os dois partiram ainda de madrugada com o precário equipamento que ainda hoje provoca reações de pavor e respeito, foram eles intrépidos e confiantes. A escalada se mostrou mais complicada do que se imaginava, pois além das dificuldades técnicas a quantidade de vegetação presa à parede dificultava muito o progresso, e dava uma falsa sensação de que poderiam se agarrar com firmeza, no final de um dia de muita luta conseguiram realizar o maior sonho de Antônio e um verdadeiro marco na História do montanhismo nacional. E assim escreveu em seu diário: “A escalada da pedra do Baú oferece inúmeros perigos, pois possui trechos quase intransponíveis de pedreiras e abismos profundos. A respeito desse titã de pedra interessantes lendas brotaram da imaginação fértil dos sertanejos que habitavam as suas vizinhanças. Conta uma delas, que bem no alto, no pico da pedra do Baú existe um grande lago onde nas noites de lua cheia Yara a mãe d’água vai banhar-se, tendo arrastado para o fundo das águas aqueles que, em tempos remotos, ousaram escalar a montanha. Outras histórias fabulosas transmitidas de gerações em gerações até os nossos dias são contadas, como a que diz que no topo da pedra do Baú assim como a maravilhosa”edelweiss” dos Alpes, um diamante existe, tão grande e brilhante que as crianças que se detivessem a admirar as suas cintilâncias um só instante não tardariam a ficar cegas. E com essas histórias em tempos idos as meigas e ingênuas mucamas e as velhas mães pretas, assombravam os filhos da Sinhá para fazê-los adormecer.
Como várias pessoas duvidassem que os irmãos “Cortez” , como são mais conhecidos os Teixeira, tivessem alcançado o pico da grande rocha, prontificaram-se eles a repetir a façanha no dia 19 do corrente.
Efetivamente nesse dia mais de trezentas pessoas, entre as quais as autoridades de São Bento do Sapucaí, dirigiram-se ao maciço existente ao lado da pedra do Baú (Ana Chata), também de considerável altura, mas cuja escalada acessível pode ser vencida sem dificuldades, afim de observarem desse ponto a repetição do feito audacioso dos irmãos Teixeira. Não faltou também a presença de uma banda de música. Do cimo da pedra essas pessoas observavam com ansiosa expectativa, o aparecimento dos arrojados jovens na pedra do Bahú, servindo-se dos bons ventos os irmãos Cortez apareceram no ponto culminante da montanha hasteando a bandeira brasileira, enquanto no segundo plano ao som do hino nacional, a multidão de curiosos prorrompia em ensurdecedoras aclamações aos alpinistas. (19 de agosto de 1940 - Diário de Antônio Cortez)”.
Antônio sem se dar conta abriu caminho por uma rota que após cinco anos fora acrescida de degraus metálicos e cabos de aço em seus trechos mais verticais para servirem de acesso comum aos moradores mais valentes daquelas paragens. O sonho ainda não estava completo Antônio achava que deveria ter uma escada na parede que ficava de fronte à sua cidade e após algum tempo da construção da primeira, recebeu permissão e apoio financeiro daquele que era dono dessas terras e muito seu amigo o Empresário Luiz Dummont Villares. Do término da construção das escadas para a construção de um refúgio que foi o primeiro do Brasil construído nos moldes europeus, não se deu muito tempo, o que se sabe, porém é que o refúgio era construído de madeira levada lá para cima com muito custo, e era provido de captador de água externo, beliches, lareira e até um sino de bronze, tudo feito com muito capricho coroado por um erro fatal: não havia supervisão constante, portanto o que antes era um belíssimo ponto de pernoite foi aos poucos virando lenha para a fogueira dos mais inescrupulosos vândalos que por ali passaram. E hoje em dia o piso dessa construção é a única coisa que restou para a lembrança desse tempo.
Fotos
O Baú nos dias de hoje
Escaladas e Caminhadas
Fazem mais de sessenta anos da conquista e hoje em dia o complexo da Pedra do Baú (Baú, Ana Chata e Bauzinho) como já foi dito anteriormente, constitui-se em um dos principais pólos do excursionismo e escalada paulista e um dos mais importantes do Brasil, além de seus dois acessos por escadas recém reformadas, conta com inúmeras vias de escaladas em granito dos mais variados graus de dificuldade além do que duas grandes vias que podem exigir do escalador uma pernoite na parede. As escaladas técnicas começaram a ser praticadas nessas pedras na década de setenta, sendo que as vias mais antigas são também algumas das mais freqüentadas por escaladores, no Baú a via “Normal ou com a variante Cresta” são as mais freqüentadas, já no Bauzinho a “Normal da face norte e a Tudo Bem da face sul”, e na Ana Chata a “via dos Lixeiros” que era considerada a mais longa de todo o conjunto na época.
As técnicas utilizadas para escalada podem variar do livre: modalidade em que o escalador utiliza o equipamento somente para sua segurança em caso de queda, ao artificial: modalidade em que a utilização de estribos(escadinhas) é fundamental para a progressão do escalador, pois se subentende que a parede não possui bons pontos de apoio para progressão natural.
O importante é que o escalador que para lá se dirija saiba corretamente as técnicas de segurança, bem como de manuseio de equipamentos (vide box de serviços), além de informar-se a respeito da via que ira escalar, para tanto recomendamos a aquisição do “Manual de Escaladas da Pedra do Baú” por Eliseu Frechou (vide box de serviços), que contém todas as informações necessárias para entrar nas diversas vias desse conjunto.
Subir a pedra do Baú e pernoitar em seu cume com tempo bom, constitui-se em uma experiência única e também um clássico passeio de caminhada nessa região da Mantiqueira, nesse sentido a melhor opção é ir por São Bento do Sapucaí, pacata cidadezinha alcançada por ônibus diário saindo da rodoviária do Tietê em São Paulo.
Cuidados e dicas para integrar-se ao meio ambiente local
- A região ao redor do Baú, numa distância de quatro quilômetros a partir de sua base, é área de proteção ambiental desde 1987 de acordo com a lei municipal (numero 548), porém não existe nenhum tipo de fiscalização que barre a entrada do visitante.
- Pela existência de moradores dentro deste perímetro é muito importante que ao passar por porteiras feche-as como antes para que os animais de criação não escapem.
- Leve todo o lixo de volta para a cidade, isto inclui bitucas de cigarro. Não utilizar nenhum produto de limpeza tipo detergente, sabonete ou shampoo nas bicas que encontrar pelo caminho pois a mesma água que você utilizar, uma outra pessoa que estiver em um desnível inferior pode também usar.
- Não faça barulho demasiado para não afugentar os poucos animais silvestres que ainda existem, e por vezes aparecem.
O que levar e cuidados especiais
- Neste tipo de passeio é importante estar bem equipado, isto inclui tênis ou botas adequadas e previamente amaciadas; uma boa mochila resistente à abrasão, confortável e se tiver barrigueira para concentrar mais peso na cintura e não nos ombros, melhor; uma capa de chuva; lanterna com pilhas reservas; um canivete; e alimentos energéticos de fácil preparo.
- Para quem pretende pernoitar no topo a melhor época do ano é o inverno e deve-se levar um sleeping de pelo menos -5 graus. Além é claro de equipamentos específicos para camping.
- Suba o Baú de preferência com quem já conhece e se possível utilizando equipamento de segurança individual (cadeirinha de escalada, 2 pedaços de corda dinâmica de escalada de aproximadamente 1 metro cada e dois mosquetões de duralumínio para 2200kg). Informe-se com instrutores de escalada como se deve utilizar este material.(Vide box de serviços).
Acesso ao Conjunto
Por Carro
O acesso por carro à Pedra do Baú tem inicio a partir de Campos do Jordão, 24Km, começando em Jaguaribe e seguindo pela avenida Atalaia. O trajeto é bastante conhecido por moradores da região, portanto não haverá problemas quanto a informações. Os últimos 13Km da estrada não estão asfaltados, e o final dessa estrada de terra se dá em uma pequena clareira, a partir daí tem inicio duas trilhas, uma que sobe em direção a crista, a qual após 10 minutos nos leva ao topo do Bauzinho, onde deparamos com um visual realmente incrível das escarpas do Baú, e outra que desce e contorna o Bauzinho e o Baú até a escadinha do lado de Campos, levando pouco mais de meia hora.
Por Ônibus
A Viação Mantiqueira têm ônibus para Paraisópolis que faz parada em São Bento do Sapucaí com saídas às 6h30, 13h e 18h30. Partindo do terminal rodoviário do Tietê. Em aproximadamente 3 horas de viagem chega-se à rodoviária de São Bento do Sapucaí, informe-se sobre a estradinha de acesso ao Acampamento Educacional Paiol Grande. Na altura do quilometro 4 dessa estrada sai uma trilha que segue por dois quilômetros e meio de subida íngreme até um trevo com pequena bica d’água, onde a primeira trilha a direita nos leva até a Ana Chata, a do meio contorna o Baú e nos leva até a escadinha de Campos, e a da esquerda nos leva até a escadinha de São Bento do Sapucaí.
Box de Serviços
Cursos de Escalada em Rocha
- VERTICAL RADICAL
Cursos básicos, avançados e para crianças
Bip- 5188-3838 Cod. 23841
Fone/fax - (011) 4997-5737
Celular : 9224-4043
- MONTANHISMUS
Cursos básicos, avançados e big wall
Fone/fax - (012) 371-1470
Roteiros de Caminhadas e Escaladas da Região
- SÉRGIO BECK
Fone - (011) 571-7928
Marcello Cyrillo VazzolerFormado em Educação Física, cursou Fisiologia do Exercício na E.P.M. - Escola Paulista de Medicina. Escala montanhas desde 1985, é praticante de mountain bike, trekking e corridas de fundo e meio fundo. Em 1989, fundou a "Vertical Radical - Escola de Escalada em Rocha", e atua até hoje ministrando cursos de escalada em rocha e técnicas verticais. Foi pioneiro no desenvolvimento de Treinamento para Escalada Esportiva no Brasil, e desenvolveu atividades em montanha e trabalhou como guia na Patagônia Argentina, Chilena e Terra do Fogo. Escalou e trabalhou como instrutor auxiliar no curso de Escalada em Gelo e Alta Montanha nos Andes Bolivianos. Atua também como Coordenador Técnico de treinamento na área de trabalho e resgate em altura em ambiente industrial na Vertical Pro.
Email para contato: verticalradical@hotmail.com
Tel.: 011 5589-8559...
Escalada - você pode! por Marcelo L. Oliveira
Escalada – Você pode!
A escalada é um esporte compreendido dentro das atividades de montanhismo e por ser praticada na natureza, por si só já se torna bastante desafiadora. No livro “Mountaineering-The freedom of the hills” temos a seguinte menção:
“Montanhismo é mais do escalar, vistas panorâmicas, e ter experiências selvagens. É desafio, risco e trabalho duro. E não é para qualquer um. Quem for atraído para as montanhas pode encontrar momentos hilariantes e irresistíveis, bem como frustrantes e algumas vezes perigosos. Existem qualidades no montanhismo que nos inspiram e nos mostram que é mais do que um passatempo, mais do que um esporte; uma paixão, certamente e as vezes uma compulsão.”
Pode parecer um pouco duro mas dependendo do grau de exposição ao risco que cada um está disposto a correr, posso afirmar que qualquer pessoa pode ter acesso a escalada. Isto por que é uma atividade que possui várias sub-divisões que oferecem desde um alto grau de risco com perigo de vida, até 100% de segurança em atividades indoor um ambiente totalmente controlado.
Uma boa maneira de começar a praticar a escalada é ter contato com algum clube ou associação de escalada ou visitar um ginásio de escalada onde é possível dar os primeiros passos de uma forma segura. Para atividades out-door, ou seja, escalada em rocha é indispensável um curso de escalada que dará condições e conhecer e manusear todos os equipamentos envolvidos na escalada bem como técnicas específicas de segurança que proporcionaram o máximo de aproveitamento da atividade.
Outra questão que pode ser relevante é com relação ao investimento para a compra de equipamentos. Para quem começar com a escalada indoor, não é necessário ter qualquer equipamento, tudo pode ser alugado no próprio ginásio. Um kit básico composto por sapatilha + caderinha + mosquetão + saco de magnésio pode ser adquirido por preços em torno de R$ 400,00.
Hoje temos praticantes que começam com 5 anos de idade e não existe uma hora ideal para começar. Desafie os seus limites e experimente algo novo que pode mudar a maneira de encarar a vida para sempre. Conheça um novo desafio e uma inacreditável sensação de liberdade, brincando com a gravidade. A escalada é um esporte dinâmico que explora tanto seu corpo como sua mente.
Seja bem vindo a este mundo novo, e boas escaladas a todos!
Marcelo L. Oliveira
Diretor do Ginásio Vertical Indoor
Sócio Fundador da Associação Paulista de Escalada Esportiva
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Takaka - Nova Zelândia por Fabrício F. Ferreira
Takaka - Nova Zelândia
Um novo pico mas um pouco distante...
Takaka é uma pequena cidade na parte noroeste da ilha sul da Nova Zelândia.Uma baía chamada golden bay, cercada de montanhas e parques nacionais com picos nevados.
Famosa por ser um local de hippies, a paradisíaca ilha sul Takaka é rica em arenito, com blocos que lembram o sítio do Rod na Lapinha mas em maiores proporções.Hospitaleira, a cidade conta com um camping de escaladores por um preço bem acessível, e uma noite muito agradavel com cerveja caseira do Mussel in, sua fogueira e as mulheres que esporadicamente dançam sobre a mesa.
Fabrício (Gugones) guiando a via Takaka´s Spirit 8°a
Com várias vias variando de 5° à 9°a, é um ótimo pico de escalada esportiva aqui no outro lado do mundo.
Gente de todo mundo subindo pelas paredes e curtindo a vida!
Fabrício Fernandes FerreiraArquiteto formado na PUC CAMPEscalador de Rocha há 9 anos e Conquistador de Vias em São Roque - SPAtualmente viajando pela Oceania desenvolvendo projetosEmail para contato: fabriciofer@terra.com.br
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RELATOS somente texto, visite a seção relatos para visualização correta!
Pico Paraná por Danilo Henrique Kleine
Pico Paraná - Caminhada na montanha mais alta do sul do Brasil
Com a notícia de ter fechado mais um semestre da faculdade, comecei a cozinhar a idéia de ir ao Pico Paraná no meio da semana, caminhada que ainda não tinha colocado no meu caderninho. A esse intento de caminhada se juntaram os amigos William(Kid) e Anderson(Buda).
Partimos sexta à noite chegando na fazenda Pico Paraná por volta das 03h30, decansamos no carro até o amanhecer. O caminho para se chegar a fazenda é muito bem explicado pelo site da fazenda pico paraná.
Arrumamos as mochilas e começamos a subir as 07h00, em pouco tempo alcançamos algumas rochas que servem de mirante, uma delas é chamada de pedra do grito.
Continuando a subir por mais de uma hora, chegando ao morro do Getúlio, lá fizemos um desjejum reforçado sempre olhando a paisagem do pico do Caratuva.
A trilha seguiu contornado o Caratuva pela direita, num trecho com muitas raízes, alguns minutos após entrar na mata fechada há uma bela bica d`água, onde carregamos todas as garrafas.
Passando todo o trecho de pedras e raizes, chegamos num segundo vale onde foi possível visualizar a imponência do conjunto do Pico Paraná.
Tiramos algumas fotos e continuamos por mais um trecho de pedras e raizes, até o acampamento A1. Paramos para um breve descanso, por lá estava um pessoal do CPM - Clube Paranaense de Montanhismo que dizia que paulista não passa desse ponto, risadas a parte continuamos.
Do A1 a trilha desce por uma crista, e logo se imagina como será a subida pelo ombro da montanha, a certeza é que vai ser uma subida bem forte!
Após cruzar um tipo de COl começa a subida por pedras e degraus, numa inclinação bastante considerável, para quem está de cargueira dá uma bela cansada.
Após uma pausa em um mirante, chegamos no A2 com ventos muito fortes de norte, pudemos perceber que armar as barracas no topo seria imprudência da nossa parte.
Dessa forma, armamos as barracas num local protegido pela vegetação e seguimos leves só com uma mochila pequena.
A trilha seguiu pelo ombro até chegar numa crista que segue até o cume falso, o vento nos sacudiu durante toda a subida.
Enfim chegamos no topo, ficamos brincando na ventaca projetando o corpo para a frente. Do topo tem-se um visão completa de Paranaguá, do complexo do Marumbi e até do Anhangava.
Descansamos um pouco, assinamos o livro de cume e descemos até o A2. No acampamento preparei a janta, assistido pelos ratos da montanha.
A ventania sacudiu as barracas a noite inteira, acordei cedo para ver o nascer do sol, rapidamente o tempo começou a fechar.
Tomamos um bele café, arrumamos a tralha e iniciamos a descida que foi bem rápida em comparação a subida, as 14h00 já estavamos partindo da fazenda rumo a São Paulo.
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Dicas:
- A trilha é longa e com inclinação considerável, é necessário condicionamento físico e conhecimento básico sobre montanhismo;- A trilha está bem marcada e sinalizada, créditos ao trabalho do CPM;- A maioria do pessoal de Curitiba faz o trajeto leve, no esquema bate e volta;- Atenção a exposição para acampar no topo, no que diz respeito a tempestades com descargas elétricas e ventanias.
Para saber mais:
O Pico Paraná é a montanha mais alta da Região Sul do Brasil. É uma formação rochosa de granito e gneisse, entre o município de Antonina e Campina Grande do Sul, no conjunto de serra chamado Ibitiraquire. Ele foi descoberto pelo pesquisador alemão Reinhard Maack através de suas incursões na Serra do Mar no estado brasileiro Paraná, vindo daí seu nome de batismo.
Site Fazenda Pico Paraná
Site CPM
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Travessia Rui Braga - PARNA Itatiaia - Planalto à parte baixa
TRAVESSIA RUI BRAGA - PARNA ITATIAIA
Muito mais que uma travessia um resgate histórico!
RELATOCaminhada realizada no carnaval de 2010 pelos montanhistas Danilo Henrique Kleine e Fábio Mendonça.
Esta travessia do Parque Nacional do Itatiaia foi reaberta recentemente, podendo ser realizada em 1 dia, desde que seja feito o transporte até o Posto Marcão no Planalto, porém para melhor aproveitamento do roteiro, recomendo 2 dias com pernoite no Abrigo Massenas.
A autorização para esta travessia deve ser solicitada antecipadamente junto à administração do PNI.
Dia 13/02/10
Chegamos a Itatiaia (parte baixa) por volta das 16h30, na cidade fomos ao supermercado e tratamos de providenciar um táxi da parte baixa do PNI até a garganta do registro. Deixamos o carro na frente da portaria e fomos apanhados pelo taxista às 20H30, com 1h00 de deslocamento chegamos à garganta do registro, compramos a famosa pinga de mel batida no bambu e começamos a caminhar pela estrada de terra com as head-lamps, após 9 km paramos para dormir um pouco acima do brejo da lapa, como o céu estava completamente estrelado bivacamos sem usar barracas, mesmo no verão fazia um frio considerável.
Dia 14/02/10
Colocamos-nos de pé às 6h30 e começamos a caminhar rumo ao posto Marcão, no caminho paramos um pouco para verificar a situação do fechamento do Alsene. Já na portaria do Planalto preenchemos o termo de responsabilidade e entregamos a autorização para a caminhada.
A travessia inicia-se no final do único asfalto conservado do Parque a caminho das Prateleiras.
A trilha segue bem definida, porém bastante escorregadia, perdendo-se somente em alguns charcos, após 1h00 de caminhada a visão se torna diferenciada para quem está acostumado com os roteiros tradicionais.
Após descer um trecho de trilha fechada chegamos ao vale atrás da Pedra Assentada 2453 e Prateleiras 2540, onde já era possível visualizar as ruínas da estação meteorológica, com 20 minutos subimos a direita numa bifurcação e fomos verificar as suas ruínas.
Não muito distante chegamos ao Abrigo Massena, 3 vezes maior que o Rebouças com uma ampla varanda, atualmente abandonado e em péssimo estado de conservação, nos acomodamos na entrada, cada um em um canto onde ainda existe telhado, a mesa nos propiciou refeições confortáveis. Impossível ficar dentro deste abrigo e não imaginar os tempos áureos do Parque na década de 50.No fundo deste abrigo, há uma trilha que sobe para uma segunda edificação onde há um belo mirante, com uma visão magnífica de todo o Vale e das formações rochosas do Parque não muito conhecidas como Cabeça de Leão 2420, Pico do Gigante, Pedra do Ovo, Morro Massena Noroeste.
Subimos no mirante um pouco antes do pôr-do-sol, mas a chuva de verão nos forçou a descer.
Dia 15/02/10
Despertamos bem cedo para ver o espetáculo do nascer do sol.
De volta ao abrigo Massena tomamos café, arrumamos as coisas sem pressa e partimos saindo pela direita, após 20 a 30 minutos descendo, chegamos num charco onde era possível atolar até os joelhos, no meio do percurso havia algumas telhas para auxiliar a passagem.
Na sequência a trilha segue bem óbvia, contudo extremamente lisa, o que rende bons tombos e uma constante sensação de pateta. Aos poucos se pode observar a transição na vegetação passando de campos de altitude para mata atlântica.
Com poucas horas no meio da mata chegamos ao Abrigo Macieiras, também em situação de abandono. Este abrigo possui uma área construída bem menor que ao do anterior, porém construído em madeira e possível de bivacar sem grandes problemas.
Após a parada no Macieiras continuamos descendo, sendo possível visualizar o que antes deveria ser uma estrada, atualmente tomada pela vegetação. Em pouco tempo achamos uma bifurcação, onde à direita pode-se subir para a antiga torre de telecomunicações.
À medida que íamos descendo, a trilha se mostrava mais fechada, o taquaruçu se tornou um grande inconveniente nas 2 horas finais da trilha.
Acabamos descendo todo o trecho entre 5 a 6 horas, sem muitas paradas até a Cachoeira do Maromba. Por se tratar de um feriado a cachoeira estava lotada, acabamos tomando uma ducha no banheiro do parque para tirar o suor do corpo. A missão seguinte seria descolar uma carona para o trecho de 10km até a portaria do PNI, por sorte conseguimos!
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Link da história da Travessia fonte GEEU
MAPA DA TRAVESSIA fonte ICMBIO
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Trekking Parque Nacional Los Glaciares - El Chaltén por Danilo Henrique Kleine
Trekking Parque Nacional Los Glaciares - El Chaltén - Argentina
1º Dia - Chegada em El Chaltén
Após realizar o trekking em Torres del Paine e passar no Glaciar Perito Moreno com os companheiros Fábio e André, segui viagem sozinho pois eles retornaram ao Brasil.Em Calafate tratei de providenciar o transporte para El Chaltén, onde acabei pagando 130 pesos argentinos pelo transporte de ônibus ida e volta que, procurando melhor depois, achei uma promoção numa agência que por 150 pesos era possível ganhar uma pernoite no hotel Los dos Pioneiros.O ônibus partiu às 13h00 e na estrada já era possível ver a formação do Fitz Roy. Chegando a El Chaltén na Guarderia foi realizada uma explicação de forma bem simples e concisa(que aliás seria um bom modelo a ser adotado pelos parques brasileiros) sobre o Parque, as regras de mínimo impacto e preservação do Huemul (cervo em extinção).El Cháltén é um tipo de vilarejo muito pequeno com a estrutura totalmente voltada para o turismo.
2º Dia - Caminhada até a Laguna Torre
Parti de manhã da avenida principal seguindo a placa de indicação para a trilha. A trilha por sua vez possui um aclive um pouco acentuado no início, mas depois transcorre tranquilamente e em 2h30, aproximadamente, atingi a Laguna Torre.
Quase no final da trilha encontrei uma simpática família de paulistanos: Paulo, esposa e suas duas filhas, que estavam viajando pela Patagônia.
Quando chegamos à Laguna Torre, o tempo estava fechado e não era possível visualizar o Cerro Torre. Em pouco tempo começou uma forte ventania que fez com que todos partissem acelerados.
Despedi-me do Paulo e sua família e me dirigi para o acampamento Agostini.Procurei montar a barraca mais abrigada possível dentro do bosque, pois o vento parecia aumentar a cada instantes, fiz uma pequena barricada de pedras na frente da barraca, jantei e fiquei muito preocupado se a minha barraca Nautika, de uma vareta, resistiria aquela ventania durante a noite. Acabei dormindo pouco, pois passei boa parte da noite tendo que segurar a vareta com os braços para não quebrar.
3º Dia - Descanso forçado (chuva)
Neste dia foi chuva durante todo o dia e noite. Caminhava para tentar visualizar o Cerro Torre e nada: o tempo sempre fechado.
4º Dia - Caminhada acampamento Maestri
O dia amanheceu um pouco melhor somente com uma chuva fina e pouco vento. Aproveitei para fazer a caminhada até o acampamento Maestri, contornando a Laguna Torre numa aresta de moraimas.Quase no final, segui uma trilha subindo para um bosque e encontrei os vestígios do antigo acampamento, que atualmente é proibido para os montanhistas.
Lá do alto temos uma excelente visão do Glaciar Torre e da formação do Cerro Torre e da formação do Cerro Torre, porém o tempo continuava fechado e não pude visualizá-lo.
Desci e fiquei assitindo um grupo de turistas, com guias, atravessarem a tirolesa para fazer um passeio no glaciar.
O resto do dia foi chuva: conversei com um escalador de Seattle que já estava um mês esperando uma janela para subir o Cerro Torre pela via do compressor.
5º Dia - Caminhada até o Fitz Roy pela laguna Madre e Hija + Laguna de Los Três
Acordei contente, pois finalmente o sol aparecera, um sinal de esperança para poder ver o famoso Cerro Torre.
Desmontei o acampamento bem devagar para que a barraca pudesse secar. Quando acabei, coloquei as mochilas nas costas e subi para as margens da Laguna Torre.
Naquele momento o tempo ainda estava fechado nas montanhas e pensava comigo mesmo: “será que não vou conseguir ver o mito "Cerro Torre" e suas fabulosas histórias?”. Afinal já era o quarto dia e nada.
Dei um tempo pra mim mesmo e por volta das 11h30 apareceu um buraco no céu! Aí não arredei o pé até poder vê-lo.
Por volta do meio dia o tempo foi se abrindo e finalmente consegui ver o Cerro Torre.
Curti o visual, tirei fotos e fiquei imaginando a escalada, principalmente do cogumelo de gelo no topo da montanha.
Após um tempo desci a trilha da Laguna Torre e virei à esquerda para a trilha Laguna Madre y Hija. No caminho encontrei um gringo totalmente perdido no bosque: o maluco tinha se desgarrado da trilha principal e dei umas explicações para cara que retornou para El Chaltén.
Parei na margem da Laguna Madre para curtir o visual e comer uma banana liofilizada... o tempo estava cada vez melhor.
Após passar a Laguna Hija já era possível visualizar as formações de Poincenot e Fitz Roy.
Com 30 minutos de caminhada cheguei ao acampamento Poincenot, onde armei a barraca e almocei. Dei um tempo para a digestão e fiz a caminhada para a Laguna de Los Tres.
Para quem olha debaixo a caminhada parece muito forte. Dizem que pode ser percorrida em duas horas, mas a subida é feita em zig-zagues (fator que quebra o cansaço) e acabei realizando em 40 minutos, mas sem mochila.
O visual lá de cima é absurdo: podemos ver a base do Fitz Roy e toda sua formação.
Como o tempo estava bom vi uma dupla de escaladores subindo a rampa de gelo.
Mais abaixo da primeira laguna, há outra igualmente bonita do lado esquerdo do Poincenot. Tirei algumas fotos e desci afinal o sol já estava se pondo.
A noite prometia ser tranquila pelo ótimo clima daquele dia.
6º Dia - Caminhada até Piedras Blancas + Laguna Capri e retorno a El Chaltén
Acordei tranquilo, tomei café e caminhei leve até o mirador Piedras Blancas, onde se pode ver outro glaciar.
Retornei, desmontei a barraca e comecei a descida. Parei para tirar outras fotos do conjunto Fitz Roy.
Na descida resolvi caminhar até a Laguna Capri, onde parei para almoçar minha última refeição liofilizada.
Descansei e continuei a descida aonde rapidamente cheguei a El Chaltén. Nesta descida vi alguns boulders e uma via esportiva.
Ao chegar à cidade, resolvi ficar no acampamento municipal que é gratuito, mas com tempo máximo de permanência de 7 dias. Registrei-me na Guarderia e fiquei vendo as fotos e histórias da conquista do Cerro Torre e Fitz Roy.
Quando estava no acampamento público, vi um casal de brasileiros chegando de moto. Deixei meu squeeze e fui conversar com eles: era um casal de gaúchos, o Daniel (Biugueits) e Camille super gente fina que estavam viajando a América do Sul de motor-home. Que massa!
Ficamos conversando por um bom tempo, quando anoiteceu fui jantar, comi uma meia pizza com uma taça de vinho, que acabei voltando meio borracho pra barraca.
Ficamos conversando por um bom tempo, quando anoiteceu fui jantar, comi uma meia pizza com uma taça de vinho, que acabei voltando meio borracho pra barraca.
DICAS:
- Se for acampar no acampamento Agostini vá com uma barraca forte.- Para a alimentação, faça suas compras em El Calafate, pois os preços em El Chaltén são mais salgados e não há variedade de produtos.- Dentro do parque todos os acampamentos são gratuitos, na cidade pode ficar no acampamento público em frente a guarderia (também gratuito), mas com tempo máximo de permanência de 7 dias.- Se você não quiser acampar na montanha, todas as trilhas podem ser feitas ida e volta num único dia.- Dentro do parque, a região do Lago Elétrico é particular, paga-se para adentrar e pernoitar (acabei não fazendo este trecho por conta disto).
Outras informações:danilosman@uol.com.br
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Trekking Torres Del Paine por Danilo Henrique Kleine
Trekking circuito completo Parque Nacional Torres Del Paine (Circuito "O") - CHILEDuração: 8 Dias de CaminhadaExtensão: Aproximadamente 100 km
1° Dia - Transporte de Puerto Natales até Torres Del Paine e caminhada da Laguna Amarga ao Acampamento Serón
Acordamos cedo, preparamos as mochilas e fomos ao ponto de ônibus para pegar o transfer para o Parque.
Na entrada do Parque Guarderia Laguna Amarga é cobrada uma taxa de 15.000 pesos chilenos. Fizemos nosso registro, entramos na trilha e logo no início a chuva apareceu, bloqueando a visão das torres.
Nas primeiras subidas pela estrada de terra tomamos um atalho que nos fez perder a primeira entrada, ficando, portanto, a dica de não sair da estrada principal, pois isto fez com que o trajeto aumentasse 4km até achar outra trilha que entrasse na trilha para o refúgio Serón.Com aproximadamente 6 horas de caminhada com as mochilas pesadas chegamos ao Acampamento Serónn e em grande parte do trajeto a chuva esteve presente.Neste acampamento é cobrado uma taxa de 4000 pesos chilenos para acampar.
2° Dia - Descanso forçado
A chuva reinou durante toda a noite e, no dia seguinte, optamos por aguardar, nos protegendo num estábulo bem rústico.
3° Dia - Caminhada Acampamento Serón ao Refúgio Dickson
Iniciamos a caminhada. A paisagem começou a mudar descortinando picos nevados, lagunas e campos floridos.
Na chegada no Refúgio é possível contemplar a beleza do Glaciar Dickson. Neste dia o trajeto foi de 19km em aproximadamente 6 horas, sendo que a chuva quase não incomodou.Neste refúgio é cobrado uma taxa de 3500 pesos chilenos para acampar. Possui uma excelente estrutura, onde podemos tomar o vinho Gato Negro.
4° Dia - Caminhada do Refúgio Dickson ao Acampamento Los Perros
Na saída tivemos o incômodo de vários pernilongos nos perturbando. Como era possível naquele frio?A caminhada deste dia passava em grande parte por bosques e do alto dos morros era possível visualizar facilmente glaciares e picos nevados.
Neste dia o trajeto foi de 9km em aproximadamente 4 horas.Passamos o resto da tarde em frente ao Glaciar Los Perros.
Neste acampamento é cobrada uma taxa de 3500 pesos chilenos para acampar.
5° Dia - Caminhada Acampamento Los Perros ao Acampamento Los Guardas (Passo Gardner)
O trajeto mais forte da caminhada é liberado apenas em condições climáticas favoráveis: nós demos sorte, pois o tempo colaborou. A caminhada inicia-se numa subida enlameada e depois de um trecho vem uma subida relativamente íngreme em moraimas até alcançar o ponto de cruzamento dos dois vales chamado de Passo John Gardner.
O vento e o frio neste ponto são muito fortes, porém a visão é maravilhosa quando alcançado o topo do passo, onde podemos observar o gelo continental do glaciar Grey que some no horizonte.
A descida é longa e força um pouco os joelhos e grande parte dos trekkers para no acampamento Passo. Resolvemos parar para almoçar e descansar.
Em seguida demos sequência até o Acampamento Los Guardas, um acampamento muito astral onde a 10 minutos de caminhada chega-se ao início do Glaciar Grey.
Neste dia o trajeto foi de 18km em aproximadamente 10 horas.No acampamento Los Guardas não é cobrada nenhuma taxa.
6° Dia - Descanço forçado
Chuva durante todo o dia. Tivemos informações de um Guarda Parque que vários pontos da trilha estavam fechados pelo volume de água nos rios, impedindo a passagem dos trekkers.
7° Dia - Caminhada Acampamento Los Guardas ao Acampamento Italiano A caminhada até o Refúgio Grey é praticamente uma descida, com cruzamentos de rios e escarpas.
Paramos um pouco no refúgio Grey e continuamos com destino ao Refúgio Pehoé. Neste ponto já sentimos uma grande diferença no volume de pessoas, pois entramos no circuito "W" e o André (Pira) começou a se queixar de dores no joelho.Alcançamos o Refúgio Pehoé com um vento muito forte e o Guarda Parque nos avisou que vários trechos do "W" estavam fechados pela queda de pontes.Adentramos no refúgio Pehoé, que possuia restaurante, venda e hotel e comemos a famosa hamburguesa, seguindo a dica de um japonês californiano que estava no Acampamento Los Guardas. Que dica por sinal!Voltamos para a caminhada com destino ao Acampamento Italiano, era impossível ficar com nossas barracas no Pehoé por causa do vento.
A caminhada até o Acampamento Italiano foi muito tranquila, porém este acampamento estava com um volume de barracas muito grande.
Neste dia o trajeto foi de 23km em aproximadamente 8 horas.O André teve dificuldades neste trecho por causa do joelho.
8° Dia - Caminhada ao Vale do Francês
A caminhada ao Vale do Francês foi feita sem mochilas, pois seria ida e volta.O vale do Francês é um espetáculo e já na subida era possível ver avalanches e diversas torres de pedra.
A maioria dos turistas para no mirante após o Acampamento Britânico. Acabamos fazendo a caminhada de aproximação até o filo no fundo da Torre Sul do Paine, uma subida longa por um grande acarreo, até a base do Cerro Fortaleza.Encontrei com um escalador de Yosemite que acabara de abrir uma via em solitário.Quando cheguei no topo do filo, tirei algumas fotos e desci, pois o vento não queria me deixar em pé.
Alcancei o Fábio e descemos de volta ao Acampamento Italiano.
O André passou o dia descansando para ver se seu joelho melhorava, enfim decidiu que retornaria ao Pehoé para ir embora de catamarã.O fim de tarde neste dia estava quente para os padrões normais, dando indícios de chuva à noite.
9° Dia - Caminhada Acampamento Italiano ao Acampamento Kosteria Las Torres
A chuva forte na noite anterior aprontou uma surpresa: um córrego transbordou fazendo com que o curso da água passasse pelas barracas do Fábio e do André. Como montei a barraca num local mais alto, não tive a mesma infelicidade. Com isto, o Fábio ficou nervoso (com razão), pois todas as suas coisas estavam molhadas.
O André partiu com destino ao Pehoé para ir embora e nos aguardamos no sol para as coisas secarem.Por volta do meio dia retomamos a caminhada passando na base do Cuernos e depois pelo refúgio de mesmo nome.
Aí fica a dica: compensa acampar neste refúgio e fugir da crowd do Acampamento Italiano.
Ao final da tarde chegamos a hosteria Las Torres.Neste dia o trajeto foi de 16,5km em aproximadamente 7 horas.
10° Dia - Caminhada a base das Torres del Paine
Saímos do Acampamento da Hosteria Las Torres com destino a base das Torres del Paine, que é, sem dúvida, o trecho de maior número de turistas.
Após um bom trecho de subida chegamos ao acampamento chileno. Não ficamos nem 5 minutos e continuamos subindo por mais 2,5 horas até a base das torres o cartão postal do Parque.Tiramos muitas fotos e descemos contentes, pois o tempo estava perfeito.
Após concluirmos a descida fechamos o circuito completo, faltando somente descer até a Laguna Amarga para tomarmos o ônibus de retorno a Puerto Natales.
DICAS:
- Faça uma boa logística.- Leve alimentos liofilizados para diminuir o peso da mochila.- Leve uma boa bota impermeável, pois grande parte da trilha transcorre por água, lama e até gelo.
- Condicionamento físico é essencial, se não está acostumado com mochila cargueira pesada, treine antes.
...
De Carro pelo Brasil (Etapa 1 - Expedição Norte/Nordeste)
De Carro pelo Brasil (Etapa 1 - Expedição Norte/Nordeste)Expedição de automóvel feita pela família Bonagamba em Dezembro de 2002, atravessando 17 estados do Brasil
Dia 1 – São Bernardo – Alto Caparaó – 789 km
Saímos às 7:00 hs de São Bernardo. A chuva era constante até São José dos Campos. Daí em diante as condições climáticas foram melhorando, de modo que no estado do Rio, o sol já brilhava. Muita dificuldade em Barra Mansa e Volta Redonda para acessar a BR116, pois o mapa da 4Rodas é bastante impreciso. Paramos em um posto próximo a Três Rios para lanchar. A estrada é boa até Alto Caparaó. Há muita propaganda nas estradas da Pousada do Bezerra. No guia consta seu preço e é realmente a melhor opção preço x qualidade, então decidimos ir a esta Pousada. No centro da cidade, ao abastecer, perguntamos onde ficava. A frentista nos informou e também disse que a família Goldschmidt estava hospedada ali. Ficamos na Pousada por R$ 60 e conhecemos todos os integrantes da família (Peter, Sandra, Erick e Ingrid - Visite o site da Familia Goldschmidt), com os quais jantamos, juntamente com o Sr. Bezerra, proprietário da Pousada. Muita conversa até 1:00 h da manhã. Identificamos-nos muito com eles. Embora nosso ritmo de viagem seja o oposto ao deles, algumas coincidências surpreendem, como por exemplo, os nossos roteiros pela Patagônia e Atacama são similares mais de 95%. A Sandra e a Inês são descendentes de japoneses. Os Érik e o Erick têm praticamente a mesma idade e o Peter até perguntou onde estava nossa filha. E por fim, estamos fazendo uma viagem também parecida, em um timing muito diferente.
Família Goldschmidt em Alto Caparaó
Dia 2 – Alto Caparaó – Caravelas – 737 km
Após o café da manhã, saímos às 8:00 hs para o PARQUE NACIONAL DO CAPARAÓ. Muita subida em terra, com paralelepípedos nos trechos mais íngremes. Chegamos ao estacionamento, a 2.000 metros de altitude para uma caminhada ao Vale Encantado, de onde se pode avistar o Pico da Bandeira (o 3º mais alto do Brasil, com 2.889 metros). Neste trecho, ao contrário da entrada do parque, as paisagens não são tão marcantes, pois o relevo é menos íngreme. Da cidade se tem uma vista muito bonita da cadeia de montanhas. Após a caminhada, voltamos ao estacionamento e fomos ao mirante ao lado, de onde se avista todo o vale, numa visão de 180°. Paisagem impressionante. Descemos até a Cachoeira Bonita (de carro). A água da cachoeira é potável e os banheiros são muito limpos. Por volta das 10:00 hs saímos do parque, paramos em 2 lojas em Alto Caparaó e, ao sair, ouvimos gritos. Eram os Goldschmidt que estavam saindo para mais uma aventura, a subida ao Pico da Bandeira. Filmaram-nos e nos despedimos novamente (pediram para ficarmos mais um dia, mas já tínhamos passeio para Abrolhos marcado para o dia seguinte). Estrada, sem parada para almoço, pois o tempo era escasso para chegar a Caravelas, das 10:30 as 20:00 hs. Entre Alto Caparaó e Vitória a estrada é boa, com bonitas paisagens, como o Morro Azul.
Morro Azul
De Vitória à divisa com a Bahia, a estrada é razoável, mas com muitos redutores de velocidade, ao passar por cidades. Na Bahia a estrada piora. Chegamos a Caravelas já à noite, e ficamos na Pousada Canto do Atobá (R$ 40). Ligamos para confirmar o passeio para Abrolhos (havíamos adiantado R$ 255 na sexta-feira), onde todos estavam à nossa procura. Fomos então direto para cama. Havíamos comprado hot dogs em um Hungry Tiger (posto Esso), na estrada.
Dia 3 – Caravelas – 0 km
Após o café da manhã (num bonito quiosque, à beira da piscina), fui à agência para pagar o restante (total de R$ 505, com somente um mergulho, mas com passeio para Abrolhos para nós três). Peguei a Inês e o Érik e fomos à outra agência, de onde sairia o passeio (Abrolhos Turismo). Segunda-feira é um dia de baixo movimento, as operadoras saem em pool. Nós, o Hélio e a Cris (do Rio), um casal de Belo Horizonte, duas gaúchas e duas baianas. Para mergulhar, apenas eu e uma gaúcha. Chegamos após 2 hs de viagem, um pouco mareados, ao PARQUE NACIONAL DE ABROLHOS.
Parque Nacional de Abrolhos
Realmente indescritível. A cor e transparência da água são marcantes. Muita emoção. Uma fiscal do Ibama, a única nas ilhas, fez uma explanação e nos acompanhou ao passeio à Ilha da Siriba, única onde é permitida a visita, desde que acompanhada. Vimos muitos atobás. O Érik fez amizade com a fiscal e pegou carona na lancha dela algumas vezes. Voltamos ao barco, que deu a volta na ilha e parou para o mergulho. Mergulhamos, inclusive dentro de uma pequena caverna. Muitos peixes nos acompanharam. O ar do cilindro acabou um pouco rápido (45 minutos em mergulho de 11 metros). Ao término, o barco ancorou na ilha principal onde fizemos snorkeling. Após o lanche, e muitas fotos, o barco saiu às 15 hs. Um problema no controle do leme fez com que atrasássemos cerca de 1 hora. Após resolver, saímos, mas após alguns minutos, o casco do barco chocou com algum objeto, o qual não foi identificado. Chegamos à marina por volta das 18:00 hs, onde tomamos uma ducha e lavamos o equipamento. Passamos por uma loja de artesanato e fomos jantar no centro. Encontramos um lugar legal onde o Érik comeu um lanche e nós uma bela pizza. Liguei para minha irmã para pesquisar na Internet o endereço do Projeto Acauã, pois resolvemos mudar o roteiro para passar em Salvador e visitar o Manoel e a Ana (que conhecemos em 2001 em San Pedro do Atacama).
Dia 4 – Caravelas – Salvador – 760 km
Café e passeio pelo centro para tirar algumas fotos. Saímos às 8:00 hs em direção a Prado, onde vimos rapidamente uma praia e fomos em direção à BR101, a qual estava em más condições. Paramos no PARQUE NACIONAL DO MONTE PASCOAL (desvio de 28 km ida e volta). Pequenos índios nos atacaram (para vender artesanato). Compramos uma cuia. Entramos no Parque (R$ 5 cada) e fomos ao centro de visitantes, onde fomos recebidos pelo Biraí, que nos mostrou o centro e nos vendeu artesanatos. Na saída deixamos alguns kits de brinquedinhos e bolachas para as crianças. Fomos atacados novamente. Já na BR ligamos para São Bernardo e pegamos o endereço do Projeto Acauã. Resolvemos pegar o Ferry de Itaparica para Salvador (R$ 25,50). São 130 km a menos, estrada melhor, mas passa por dentro de muitas cidades, atrasando bastante. Chegamos às 19:35 hs, logo após a saída de um ferry. Esperamos cerca de 40 minutos pelo próximo e mais 1 hora na travessia. Fomos para a parte norte de Salvador, comenos em um McDonald´s e escolhemos um hotel em Amaralina (R$ 95). Questionamos onde ficava o bairro Roma, endereço que constava no cartão do Projeto Acauã, e, para nossa surpresa, ficava ao sul do Centro, longe de Camaçari, que era o local citado pelo Manoel quando nos conhecemos em San Pedro de Atacama.
Dia 5 – Salvador – Camaçari – 240 km
Após um passeio pela orla de Salvador até Itapoã e Lagoa da Conceição, fomos ao Bairro Roma. Depois de encontrar muitas dificuldades para chegar ao endereço, surpresa, uma casa para alugar. Era o endereço para correspondências do Acauã. Ligamos para o celular do Manoel, que estava na Faculdade e pediu para irmos à loja de miçangas da Ana, no centro velho, PATRIMÔNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE. Ela ficou muito surpresa com a nossa visita e tentou, assim como o Manoel havia tentado, nos convencer a ficar uma semana, dois dias, ou pelo menos um dia em seu sítio (Projeto Acauã). Nos convenceram após mais uma ligação do Manoel. Aproveitamos este tempo vago para então conhecer o projeto Tamar da belíssima Praia do Forte.
Praia do Forte
O projeto é demonstrado na praia, a céu aberto e é um belo modelo de preservação ambiental. Vimos as tartaruguinhas seguirem seus instintos, indo em direção ao mar, logo após nascerem.
Tartaruguinhas no Projeto Tamar
Às 19:00 hs fomos ao Acauã, onde dormimos. O Manoel nos mostrou a fase atual do projeto e como será no futuro.
Dia 6 – Camaçari – Lençois – 479 km
Acordamos às 6:00 hs para nos despedirmos da Ana que vai cedo ao trabalho. Visitamos todo o sítio, abarrotado de coqueiros, mangueiras, cajueiros e plantas ornamentais (novo ramo de atividades do Casal). Projetos, como o Acauã, de desenvolvimento de uma cultura ambiental sólida são fundamentais para nosso futuro. O Manoel nos levou para conhecer a paradisíaca praia de Guarajuba, que fica próxima ao sítio. Deixamos o Manoel no sítio e fomos em direção a Camaçari, para não passar novamente no trânsito de Salvador. Erramos um pouco e conhecemos a fábrica da FORD. Já no caminho certo, pegamos a BR 324 com destino a Feira de Santana, cidade bem desenvolvida, com muitas indústrias e edifícios novos, mas com estradas esburacadas. Tomamos sorvetes em um posto e seguimos pela esburacada BR 116 para o sul até a BR 224, com destino a Lençóis. Estrada muito boa no começo, piorando gradualmente até o Morro do Pai Inácio, já no PARQUE NACIONAL DA CHAPADA DIAMANTINA. Escolhemos o Hotel de Lençois (R$90), muito bom, espaçoso e arejado. Uma das melhores opções da cidade. Fomos rapidamente ao Morro do Pai Inácio, pois avisaram no Hotel que as visitas finalizavam às 17:00 hs. Chegamos às 17:15 hs, pois não há indicações na entrada. Deixamos o carro na base, junto à torre de celular que estraga toda a paisagem, e subimos, pois no horário de verão, a visita é permitida até às 18:00 hs. São cerca de 25 minutos de subida em pedras, com certa dificuldade (Érik e Inês de chinelos). A vista é linda. Talvez a melhor vista da chapada. O guia Carlos dá um show ao contar a história do Pai Inácio.
Morro do Pai Inácio na Chapada Diamantina
Ao voltar, pedimos uma pizza na Pizza na Pedra e, devido a grande quantidade de pernilongos no horário, jantamos em nosso quarto.
Dia 7 – Lençois – Volta na Chapada – Lençois – 762 km
Após um delicioso café da manhã, com pratos regionais, o melhor de toda viagem, saímos com destino ao Poço Encantado. Estrada razoável até as proximidades de Mucugê. Péssima nos 18 km até o Poço Encantado. Estacionamos próximo à entrada do Poço, em uma lanchonete e entramos com o guia. Difícil definir a beleza do local, que deveria estar na lista dos mais belos locais do mundo. Mesmo não vendo a entrada do raio de sol (que ocorre somente em alguns meses do ano), a entrada de claridade é suficiente para mostrar a beleza da gruta/poço. Algumas fotos com tripé e exposição entre 10 e 20 segundos. A caminhada é bem curta, mas força um pouco na entrada da gruta.
Poço Encantado na Chapada Diamantina
Ao voltar à estrada, resolvemos contornar a chapada, por uma estrada de terra para tentar fazer a caminhada por cima (a caminhada por baixo demora dias) para Cachoeira da Fumaça, a segunda maior do Brasil. Passamos por Mucugê, simpática e bonita cidade e fotografamos o cemitério bizantino, todo branco com túmulos em forma de igrejas. Após atravessar a Chapada, chegamos ao seu lado Oeste e entramos na estrada de terra, com trechos muito ruins. Chegamos ao início da trilha às 15:30 hs. Eu iria subir sozinho, mas fui aconselhado a desistir pelos guias, que estavam cansados e não iriam subir. Ainda tentei subir sozinho, mas nos primeiros 200 m encontrei o pessoal do Ibama que desaconselhou, pois eu voltaria no escuro e teria dificuldades em achar o caminho, além da palavra mágica – presença de ONÇAS. Deixei para o dia seguinte, mas, mais tarde, ao conversar com um guia de uma agência, descobri que a cachoeira estava seca e que não valeria a pena o passeio. Desisti de vez. Fomos então à Pratinha (R$ 5 por pessoa), um lago transparente, com peixes, que adentra uma caverna.
Gruta Pratinha na Chapada Diamantina
Tudo muito bonito. Ao final da tarde voltamos ao Hotel, indo em seguida ao centro para comer acarajé e tomar alguns sorvetes. Dia 8 – Lençois – Jacobina – 400 km
Após o delicioso café, partimos em direção a Irecê. Paramos em nossa última atração na Chapada, a gruta Torrinha. A idéia era uma visita rápida, mas não foi possível, pois havia 3 tipos de passeios, com 1, 2 ou 3 horas de duração. Escolhi a opção de 2 horas, a qual parecia ser bem completa. A Inês e o Érik não gostam muito de ambientes fechados e ficaram esperando no carro. Como era cedo e não havia outros turistas, fomos somente o guia e eu, num trajeto de 3,6 km de ida e volta. Esta caverna é considerada como a mais completa do mundo, com todos os tipos de formações, estalactites, estalagmites, helictites (formações provenientes do teto, que desviam para o lado, produzindo várias formações, dentre as quais, a flor de aragonita), a maior agulha de gipsita do mundo, de 65 centímetros, e uma flor de aragonita de 30 cm de diâmetro e 70 cm de altura, a segunda maior de todo o mundo (www.bahia.com.br/motix/pt_br/viverabahia/grutas.html). Após a passagem por uma estreita fenda, conhecida como buraco da francesa (a pesquisadora que encontrou a passagem em 1992), o percurso torna-se fácil. Fácil e espetacular. Não notei vida animal no local e a caverna é totalmente seca, embora no passado todo o caminho tenha sido um rio. Os melhores locais da caverna estão neste caminho. Há cerca de 13 km já mapeados, poucos deles abertos à visitação. Há salões de de 100 x 200 metros. O maior salão que visitei tinha cerca de 40x50m, cabendo uma quadra dentro. A visita durou cerca de 1h40min, pois usei o recurso de ir até o final sem fotografar, marcando os locais onde iria fotografar e filmar na volta. Na entrada da gruta ainda se encontram inscrições rupestres. Em seguida, partimos para Irecê, onde almoçamos em um restaurante por quilo e seguimos para a Fazenda Nova Canaã, a cerca de 6 km do centro, em direção à Salvador. A fazenda é um projeto do Bispo Marcelo Crivela, hoje Senador pelo RJ, que vendeu o direito de seu CD para SONY e, recebendo antecipado, adquiriu a fazenda e trouxe tecnologia de Israel para irrigá-la e transformá-la em uma espécie de Kibutz. É fantástico ver que, em um local dos mais secos do Nordeste haja lagos, cultivo de feijão, milho e, o mais importante, emprego para várias pessoas. Acrescenta-se uma pré-escola (até 6 anos) de primeiríssima qualidade, para 520 crianças, com uniforme lavado todo dia, lanche, almoço, pães para família, piscinas (1 olímpica e 2 menores), campo de futebol, judô, ballet, informática, assistência médica, etc. Tudo aberto à todas as religiões, com visitas de padres, freiras, políticos e empresários, incrédulos e pesquisadores de outros países. Ainda há vários edifícios em construção, como pousada e mini shopping. Escolas da região visitam a fazenda e usufruem das piscinas (crianças que nunca haviam freqüentado uma piscina – uma delas, ao ser indagada pelo Bispo se já havia ido a uma piscina, respondeu que havia uma em sua cidade, mas nunca havia entrado, pois custava R$1 – uma semana após a inauguração da piscina, a escola desta criança foi trazida).
Piscinas do Projeto Nordeste – Fazenda Nova Canaã
Ganhamos muitos materiais para divulgação e saímos de lá plenamente satisfeitos e maravilhados com o abençoado projeto, tudo de 1ª qualidade. Rodamos cerca de 200 km e dormimos em uma limpa e boa pousada sobre um posto em Jacobina (R$45), após rodar em uma boa estrada até Irecê, boa até Morro do Chapéu e péssima até 33 km antes de Jacobina (a pior da viagem – uma pequena camada de asfalto direto sobre terra, com buracos enormes, como era de se esperar). Dia 9 – Jacobina – São Raimundo Nonato – 589 km
Saímos às 8:00 hs após o café no mesmo posto (BR Mania – café incluso). Estrada razoável / boa até a BR em Senhor do Bonfim e ruim ao entrar na BR. Chegamos a Juazeiro e atravessamos o São Francisco para Petrolina era quase meio-dia. Bob’s fechado, assim como todos restaurantes e lanchonetes. Aí percebemos que Pernambuco não estava em horário de verão. Sem almoço, atacamos nossa provisão de Nutri, bananas-passas e amendoins, seguindo adiante. Próximo a Remanso começou a chover, chegando a inundar algumas ruas. A chuva piorou na estrada para São Raimundo Nonato, melhorando ao chegar à cidade. Encontramos uma bela pousada, que infelizmente não havia sido inaugurada. A proprietária nos mostrou todos os quartos, mas como não havia ninguém para dormir ou cuidar do local, não foi possível ficar. Fomos ao Museu do Homem Americano, muito difícil de achar, já que as placas de indicação são constantemente quebradas por vândalos. O museu é um show. Lindo, explicativo, moderno, um verdadeiro exemplo.
Museu do Homem Americano
Fomos ao Hotel Serra da Capivara, do grupo do Museu e do Parque (R$70). A gerente do Hotel nos reservou um guia para o dia seguinte. Tomamos um lanche no Hotel e fomos dormir cedo.
Dia 10 – São Raimundo – Serra da Capivara – São Raimundo – 240 km
O guia, Jean, contratado por R$ 35, chegou antes das 7:00 hs. Após o café, em torno das 7:00hs, saímos para o PARQUE NACIONAL SERRA DA CAPIVARA, PATRIMÔNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE. Entramos no parque (R$ 6, Érik não paga) pela entrada ao Norte, no chamado circuito desfiladeiro, passando pela Toca da Entrada do Pajaú, Toca do Pajaú, Toca do Barro, Toca do Inferno, Toca da Entrada do Baixão Vaca, Toca do Paraguaio e Cerâmica da Serra da Capivara, onde são produzidas as cerâmicas vendidas na Tok & Stok inclusive. Muito divertido foi ver o Érik produzindo uma caneca. Saímos do Parque e entramos novamente, na entrada principal, chegando à Pedra Furada e ao Boqueirão da Pedra Furada. O Boqueirão do Paraguaio é excelente, com cerca de 1.600 metros de caminhada por um canyon até as pinturas rupestres. Havia uma cobra salamandra, inofensiva. A Toca do Inferno é uma fenda através de 2 paredões que impressiona bastante.
Pedra Furada no Pq. Nac. Serra da Capivara
A Pedra furada é muito bonita e o Boqueirão da Pedra Furada é onde se localizam as melhores pinturas, sendo também o lugar onde foram encontradas as evidências de fogueiras de mais de 50 mil anos, que entram em conflito com toda a teoria de povoamento da América (na qual os pesquisadores mais clássicos estabelecem 20 mil anos para a entrada no estreito de Bering e de 10 mil anos da chegada ao Nordeste da América do Sul).
Pintura Rupestre no Boqueirão da Pedra Furada
O guia, que faz faculdade de Geografia Turística, é excelente e eu o recomendo. No meio do percurso encontramos a equipe da Record que estava hospedada no mesmo hotel (a repórter era a Mônica Puga). Não a reconhecemos no Hotel na noite anterior. Ao final da tarde, fomos ao Baixão das Andorinhas, onde, ao pôr-do-sol as andorinhas mergulham no canyon em velocidades que chegam a 120 km/h. Voltamos ao Hotel, jantamos e dormimos cedo.
Dia 11 – São Raimundo – Paulo Afonso – 700 km
Saímos às 8:30 hs. Almoçamos às 12:30 hs em um shopping em Petrolina (comida regional por quilo muito boa. Érik e Inês comeram pasteis). Chegamos a Paulo Afonso às 19:45 hs (no horário da Bahia ou 18:45 hs no restante do Nordeste), 30 minutos após escurecer. Fomos acompanhando o São Francisco pelo lado da Bahia, menos perigoso que do lado de Pernambuco (região de Cabrobó). O primeiro hotel estava lotado. Fomos ao segundo (R$ 61,60 com desconto a vista em $ ou cheque). Compramos frios e pães no supermercado ao lado e lanchamos.
Dia 12 – Paulo Afonso – Maceió – 360 km
Às 8:20 hs fomos ao posto municipal de turismo para fazer o passeio pela Usina de Paulo Afonso (são 4 usinas em operação). Esperamos até 8:30 hs, horário que o guia deveria chegar. Às 8:45 hs o Sr. Antônio foi improvisado como guia (trabalha no escritório de turismo após se aposentar na Usina). Visitamos todas as instalações, incluindo o teleférico e a sala de máquinas (onde não é permitido filmar ou fotografar). A visita toda durou cerca de 2 horas. O lugar é muito bonito, começando ali o canyon do Rio São Francisco.
Usina Paulo Afonso e Canyon do Rio S. Francisco
A construção de usinas não estragou muito a paisagem. Terminado o passeio, atravessamos o Rio São Francisco, chegando a Alagoas pela Ponte Dom Pedro II, com 93 metros de altura, onde se pratica bungee-jumping. 300 km depois chegamos a Maceió. Fomos ao Portal da Barra, para comprar file (roupa de rendas) e depois a Praia de Pajuçara, onde escolhemos o Hotel Íbis (R$ 54, sem garagem, sem café). Era cerca de 17:00 hs, a Inês ficou na feira de artesanato de Pajuçara e eu levei o Érik ao McDonald`s de Jatiúca. Voltamos à feira e, em seguida, fomos jantar em um self-service em frente. Tentamos diversas vezes dali e mais tarde, do Hotel, ligar para Angélica, amiga da Inês, mas sempre caia na caixa postal.
Dia 13 – Maceió – Maragogi – 160 km
Pela manhã conhecemos praticamente todo o litoral norte das Alagoas, exceto a região de Carro Quebrado, acessível por balsa, mas que necessitava de guia, pois as praias ficam após os canaviais. Para chegar a Maragogi via praia, pegamos uma pequena balsa em Barra do Camaragibe. As praias em Maragogi são excelentes.
Região de Maragogi
Uma grande piscina natural de 5 km a partir da praia. Águas azuis. Corais a 4 km da praia. Escolhemos uma pousada, do Osvaldo (R$ 55), chileno que mora 6 meses no Brasil e 6 na Alemanha, formado em Marketing e arquitetura. Ele e sua esposa, catarinense, fizeram uma viagem semelhante a nossa para Patagônia, em sua lua-de-mel. Lá mesmo contratamos sua lancha para ir às piscinas (R$ 40), saindo as 15:00 hs. Fomos então ao centro, almoçar, e voltamos para realizar o passeio, excelente. Mergulhamos (livre) e ao voltar, o Érik pilotou o barco por um grande trecho.
Volta das piscinas naturais de Maragogi
Na praia, andamos até o Salinas de Maragogi Resort, próximo à nossa pousada. O Érik andou de mini-buggy (R$10 por 20 minutos). Fui de passageiro e acredito que atingimos a velocidade máxima de 70 Km/h. À noite fomos a uma pizzaria na praia, por sinal, muito boa.
Dia 14 – Maragogi – João Pessoa – 348 km
Muita conversa com o Osvaldo no café da manhã. Passamos pela Praia de Carneiros, a qual não achamos nada excepcional. É fechada por um restaurante, sendo difícil acessá-la sem consumir algo. Para chegar, deve-se passar por Tamandaré, balneário com lindas casas, mas sem qualquer infra-estrutura. Passamos por Porto de Galinhas, já em Pernambuco, bastante bagunçada, onde no centro só se chega à praia via shopping, hotel ou restaurante. Guardadores de carro por todos os lados. Passamos por Recife, Olinda, PATRIMÔNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE, e mais algumas cidades da região metropolitana. Muito trânsito. Chegamos à Paraíba sob chuva. Ficamos em um bom hotel em João Pessoa (R$ 65). À noite passeamos na feira de artesanato , onde comemos acarajé e compramos toalhas de fibra de côco.
Dia 15 – João Pessoa – Natal – 322 km
Após o café, fomos ao centro onde tiramos fotos da Lagoa (Parque Sólon Lucena). Em seguida, visitamos a Ponta de Seixas, extremo oriental do continente. Tiramos fotos no alto (próximo ao Farol do Cabo Branco).
Ponta de Seixas, extremo oriental do Brasil
As estradas na Paraíba são boas. Já no Rio Grande do Norte, entramos em Tibaú do Sul, linda praia na Foz de um rio, e seguimos para Pipa, que como Porto de Galinhas, não tem estrutura para parar um carro e tirar umas fotos da Praia. Como ponto positivo, ao sair 1 km de cada lado, chega-se a locais maravilhosos para fotos, como a Chapada, 2 km ao sul.
Praia de Pipa
Um pouco antes de chegar à BR101, batizada de Rodovia Mário Covas, paramos para tirar fotos de senhoras que lavavam roupas, na beira do rio. Algumas crianças vieram pedir dinheiro. Como levamos roupas e brinquedos para distribuir, começamos a dar para elas. Fomos literalmente atacados pelas crianças que nadavam nuas no riacho, desesperadas para ganhar algo. Entramos novamente no litoral, na Barra de Tabatinga. Praias bonitas. Seguimos ao Norte e paramos em Pirangi para ver o maior cajuzeiro do mundo, ocupando quase 1 quarteirão. Ficamos em uma boa pousada (X-Press R$ 35) em Ponta Negra. Fomos à praia e à noite fomos ao Carrefour comer pasteis e pizzas, além de comprar provisões.
Dia 16 – Natal – Genipabu – Litoral Norte – Natal – 159 km
Sem café (não há restaurante na pousada), tomamos a via costeira, passamos pelo Forte e, de balsa, chegamos ao litoral Norte.
Praia de Genipabu
Paramos em Genipabu para fazer o passeio de buggy pelas dunas. São 3 opções – 30 a 40 minutos pelas dunas, fora do limite do parque (R$ 40 para os 3); 60 a 70 minutos por todo o parque (R$ 60 a 70 mais R$ 15 para entrada do parque – para os 3) e passeio pelo litoral norte. Os guias tentam vender a última opção (os guias vão dentro do nosso carro) que pode perfeitamente ser feita sem guias. Não conseguindo, tentam vender a primeira opção (onde os buggueiros não precisam ser cadastrados e o lucro vai para agência). A melhor opção, a segunda, pelo parque, necessita de buggueiros cadastrados, que ficam com quase a totalidade do valor pago. Sem dúvidas, a melhor opção.
Passeio de Buggy em Genipabu
As dunas são lindas, fantásticas. O mesmo vale para as praias. O que destoa são os dromedários para aluguel de passeios e a casa do pessoal do Ibama, onde não deveria haver construções (dunas móveis – locais onde o vento leva areia para as dunas). Terminado o passeio, voltamos à pousada para um banho e saímos para comer lanches, pizza e sorvetes.
Dia 17 – Natal – Maracajaú – Porto de Dunas – 620 km
Após muita dificuldade para acordar o dono da Pousada, saímos às 6:30 hs para Maracajaú. Chegamos pouco antes das 8:00 hs e fomos diretamente ao Maracajaú Divers. Entramos rapidamente na lancha (R$ 30 + 30 + 15), muito rápida, que nos levou em cerca de 15 min (7 km) à base (bar + armários + equipamentos de mergulho) no meio dos recifes. Maravilhoso, muito bem estruturado, digno de 1º mundo, condizente com a maioria dos visitantes, provenientes de países nórdicos, Espanha, Argentina, etc. Vimos raia, budio azul e muitos corais. Indescritível.
Mergulho em Maracajaú
Voltamos em cerca de 1h40m para a base em terra para desfrutar do café da manhã que não havíamos tido tempo de tomar ao chegar. Um pouco de discussão, pois a garota disse que o café era somente ao chegar. No fim, tudo resolvido. Uma dica é chegar cerca de 2 hs antes da maré baixa. Consultar a tábua de marés é imprescindível. Após um bom café, seguimos em direção à Mossoró. Contrastando com as excelentes estradas ao norte de Natal, a BR para Mossoró está bem ruinzinha. De Mossoró para frente o tráfego aumenta. Passamos por Canoa Quebrada e tiramos algumas fotos. Nada excepcional e pouco organizada. Chegamos a Porto das Dunas à noite e fomos direto ao Hotel Íbis. Excelente (R$ 68 + R$ 7 por café adulto + R$ 3,50 por criança). Novo, limpo, lotado e colorido. Uma versão menor dos hotéis de Cancun. O Érik foi à piscina, onde nadou bastante.
Hotel Íbis em Porto das Dunas
Dia 18 – Porto das Dunas – Fortaleza – Porto das Dunas – 77 km
Acordamos tarde pela primeira vez na viagem, tomamos café (somente eu e o Érik, pois a Inês estava passando mal). Fomos os três à belíssima e extremamente limpa praia de porto das Dunas (em frente ao hotel) e à piscina. Saímos por volta das 14 hs para almoçar no enorme Shopping Iguatemi (muitas opções na praça de alimentação). Em seguida passamos pela Praia do Futuro e pelo belíssimo Centro Cultural Dragão do Mar. É um espaço revitalizado em um bairro antes degradado. Atrações diversas, como salas culturais, biblioteca, pinacoteca, teatro, planetário, loja e diversos bares e restaurantes, estes nas fachadas de antigos sobrados. Tudo ligado por uma grande passarela, um show a parte. Eu e o Érik fomos ao mercado, próximo ao Centro Cultural para comprar faca para coco (a pedido do Érik). O mercado é apenas de artesanato, não vendendo produtos alimentícios, portanto muito limpo. Voltando ao Centro Cultural, assistimos a duas sessões do planetário.
Centro Cultural Dragão do Mar em Fortaleza
Na volta paramos em um posto para comprar biscoitos e refrigerantes. A cidade de Fortaleza é bem servida de avenidas e sinalização. O grande número de edifícios de alto padrão chama a atenção. As estradas do Ceará estão boas, principalmente a via do Sol Nascente. Mesmo tendo São Paulo como referência, o Shopping Iguatemi é muito grande, não faltando lojas.
Dia 19 – Porto das Dunas – Itapipoca – 203 km
Aproveitamos a piscina e praia novamente até as 12 hs. Saímos às 13 hs e passamos para um rápido almoço no shopping Iguatemi. Retiramos dinheiro no Banespa do Centro e fomos novamente ao mercado. A Inês ficou impressionada com a beleza e os bons preços. Pegamos a estrada do Sol Poente, coincidentemente já escurecendo. Chegamos a Itapipoca e ficamos no Hotel Municipal (razoável por R$ 45). A cidade é boa, bem animada.
Dia 20 – Itapipoca – Jericoacoara – Sobral – 308 km
Saímos às 7:30 hs, chegando às 9:15 hs em Jijoca. Contratamos o serviço de um rapaz com uma D20, que fez o passeio por R$ 80 para o PARQUE NACIONAL DE JERICOACOARA. Não é aconselhável seguir de carro por conta própria, pois não há uma estrada, sendo fácil se perder ou atolar, como uma outra camionete no caminho. Rogério, dono da D20 baixou a pressão dos pneus e seguiu para Jeri, entre dunas. Realmente é uma belíssima praia, mas é difícil mostrar em fotos, pois tudo é grande e espalhado.
Jericoacoara
Enquanto a Inês e o Érik ficaram na praia, fui com um pequeno guia para a Pedra Furada (cerca de 5 km ida e volta). Na ida, mais longa, pelo litoral, muita pedra, areia e água. A pedra é muito bonita, valendo a caminhada. Voltamos pelo morro, menos desgastante. Saímos de Jeri e almoçamos na praia do Preá (praia de pescadores) no restaurante Azul Mar (listado no guia 4Rodas). Peixe e acompanhamentos muito saborosos. Passamos na lagoa Azul, onde o Érik entrou na água.
Lagoa Azul
Em seguida fomos para lagoa do Paraíso e pegamos a estrada no fim da tarde, chegando a Sobral. Ficamos no Hotel Vila Real (muito bom por R$ 88).
Dia 21 – Sobral – Ubajara – Sete Cidades – Teresina – 459 km
Black out durante o café da manhã, às 7:00 hs, e durante a tentativa de abastecimento do carro. Estrada boa até Tianguá. No início da serra, abastecemos parcialmente, pagando em cash. A serra é alta, tendo entre 850 e 900 metros de altitude. Completamos o tanque em Tianguá. O PARQUE NACIONAL DA SERRA DE UBAJARA fora reformado há menos de 2 meses. Pegamos o teleférico que desce até cerca de metade da serra, num verdadeiro precipício.
Teleférico no Pq. Nac. de Ubajara
No final passeamos pela gruta de Ubajara, com iluminação artificial. Os guias precisam estar mais atentos aos turistas que tocam em tudo. Aproveitando bem o dia, chegamos ao PARQUE NACIONAL DAS SETE CIDADES, na hora do almoço. Ao contrário do descrito no guia, a infra-estrutura é muito fraca. Impossível conseguir um lanche no parque. Precisa urgente de verbas. O parque é uma mistura de Vila Velha, com diversas e curiosas formações rochosas, com o Parque da Serra da Capivara, devido à presença de diversas inscrições rupestres, inclusive a famosa pintura do DNA, que, de acordo com Erick Von Daniken, foi desenhado por ET’s.
Pq. Nac. das Sete Cidades
Após conhecermos cerca de 60% das atrações, a guia do parque nos pediu carona para Piripiri. Chuva no caminho. Em Piripiri aproveitamos para tomar um sorvete muito bom e barato (13 bolas + 1 chocolate por R$ 6). Fomos para Teresina, onde ficamos em um Apart-Hotel (Agualimpa por R$ 70) e jantamos em um dos 2 shoppings (bom por sinal). Teresina é uma cidade surpreendentemente moderna. Boa para se viver, mas muito quente.
Dia 22 –Teresina - Barreirinhas – 593 km
Saída às 8:30 hs. Foto de Teresina do outro lado do Rio Poti.
Skyline de Teresina
Tentamos chegar à rua Climatizada, mas o trânsito não agradou e resolvemos seguir viagem. Estrada boa até metade do caminho para São Luis e razoável até a bifurcação para Barreirinhas. Daí em diante, uma nova e ótima estrada. Em Barreirinhas escolhemos uma pousada razoável (Areias – R$ 50) e fomos discutir sobre o passeio para o PARQUE NACIONAL DOS LENÇOIS MARANHENSES em duas empresas. São 3 opções de passeios (para Lagoa Bonita, das 9 hs até 16 hs 3 x R$ 25; idem para Lagoa do Peixe 3 x R$ 30 e por último de barco para os pequenos Lençois 3 x R$ 35). A terceira opção parecia ser a melhor, mas na segunda agência esclareceram que nos pequenos Lençois não se vê as paisagens típicas dos Lençois, que mesmo em época de seca, valem mais a pena. Escolhemos a primeira opção – Lagoa Bonita. Outra opção seria alugar o passeio somente para nós três, por R$ 130, com a vantagem de voltar na hora que quiséssemos.
Dia 23 – Barreirinhas – Lençois Maranhenses – São Luis – 300 km
Saímos com destino a Loca Aventura, que ficava na mesma quadra, mas não sabíamos, pois tínhamos rodado a cidade inteira por outro caminho. Chegamos às 8:15 hs e guardamos o carro dentro da agência. Entramos na Jardineira (uma Toyota Hilux 4x4 cabine simples com bancos cobertos na caçamba). Junto conosco, foi uma família de São Luis com 2 crianças. O passeio é cansativo, 5 horas nas dunas, mas graças a Deus eles também queriam voltar mais cedo. O caminho é de areia fofa, entre vegetação baixa. O interessante é que não existe uma zona de transição entre a mata e as dunas. A mata termina abruptamente no começo do deserto de dunas.
Pq. Nac. Lençóis Maranhenses
Mesmo na época de seca, a paisagem é impressionante. Após 5 minutos de caminhada, estamos no deserto, com uma areia extremamente branca. A Lagoa Bonita faz jus ao nome. Gostamos muito. Ficamos cerca de uma hora e meia.
Pq. Nac. Lençóis Maranhenses
Voltamos para Barreirinhas e pegamos o carro às 12:00 hs com destino a São Luis, onde chegamos às 16:00 hs. Ficamos em uma pousada a beira mar na Praia de Calhau (R$ 50). Saímos para jantar em um shopping, que estava surpreendentemente vazio para a data (22/12).
Dia 24 – São Luis – 25 km
Tentamos ligar para reservar o Ferry boat para atravessar a baia no dia seguinte (por R$ 40 se economiza 200 km de estradas). Linha sempre ocupada. Fiquei dormindo o restante da manhã enquanto a Inês e o Érik ficaram na praia. Liguei novamente às 12:30 hs e confirmaram os horários, mas era necessário ir ao centro para compra do bilhete. Fomos almoçar no centro. Infelizmente nossa escolha (restaurante do Senac) estava fechada ao público. Almoçamos então em um razoável restaurante por quilo e demos umas voltas no centro. Fui comprar o bilhete e já havia acabado para as 5 hs e para as 8 hs do dia seguinte. Sugeriram que chegássemos cedo (por volta das 4:00 hs) na fila de espera, pois sempre pode haver desistências. Após comprar mantimentos, fomos cedo para o hotel. O Centro antigo, PATRIMÔNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE, é muito bonito, sendo que os antigos casarões, com fachada de azulejos portugueses estão sendo restaurados.
São Luis
Dia 25 (Véspera de Natal) – São Luis – Belém – 615 km
Despertador toca as 3:00 hs. Saímos às 3:40 hs e chegamos à balsa às 4:00 hs. Havia 3 carros e 2 caminhões a nossa frente. 1 hora de suspense, com a Inês tentando dormir e o Érik o tempo todo fora do carro, conversando e investigando com o pessoal da balsa se caberiam os carros da fila de espera. Graças a Deus coube. Balsa grande com cadeiras de plástico parafusadas ao chão. Chegamos ao outro lado às 6:40 hs. Por votação resolvemos não conhecer Alcântara, pois havia ainda muita estrada pela frente. A estrada regional até a BR é muito boa em alguns trechos, mas péssima em outros, chegando a ser de terra por 30 km após Pinheiro (Pessoal da 4Rodas, mais atenção!). Exceto por algumas depressões, a BR no geral está muito boa e com pouco movimento. Chegamos cedo em Belém, mas o Érik estava com dor de cabeça. Paramos em um shopping para tentar comprar o presente (jogo de mágica) para o Érik, Não tinha. Deixei ambos no Hotel (R$ 65) e fui tentar comprar em outro shopping. Não achei. Peguei os dois para ir à Estação das Docas. Era 17:00 hs e estava fechada desde as 16:00 hs. Passamos pelo Ver-o-peso e compramos água de coco para o Érik que voltou a passar mal. Sob forte chuva, compramos uma pizza, que o Érik, em jejum não pôde comer. Este problema do Érik deve ter se originado no dia anterior, em São Luis, onde ele comeu um pastel, sob forte sol. Acreditamos que tenha atacado o fígado.
Dia 26 (Natal) – Belém – Marabá – 586 km
O Érik acordou pior. Fui à farmácia (difícil de achar) comprar Plasil. Não funcionou. Levamos o Érik para a mesma farmácia e resolvemos aplicar Plasil + Glicose + medicamento para o fígado. A farmacêutica é perfeita no trato com crianças (trabalha também em hospital). Em seguida tomou Dramin e dormiu no carro. Pegamos as malas e fomos novamente à Estação das Docas. O Érik continuou dormindo, a Inês ficou no carro e eu entrei. Achei melhor que Puerto Madero, em Buenos Aires, o qual é muito elitizado.
Estação das Docas em Belém
Restaurantes (Buffet e por quilo), sorveteria, salgados, espaço artístico e uma fábrica de cerveja. Almocei por R$ 21,90 o quilo – bacalhoada, torta de camarão, tambaqui, etc. Bom demais. Tomei um excelente sorvete de Açaí com farinha de tapioca. Voltei ao carro e foi a vez da Inês entrar. Em seguida o Érik acordou e resolveu também conhecer. Graças a Deus havia melhorado. Pegamos a rodovia para Marabá. Com um trecho de 70 km recém inaugurado (3 meses), chamado de Alça Viária, cortando a floresta e com pontes enormes sobre os largos rios da região. O restante da rodovia variava de bom em alguns trechos para ruim, com enormes crateras em outros trechos. Chegamos a uma Pousada, na Transamazônica, em Marabá, às 21:30 hs. Fora os trechos da Alça Viária, não se vêem florestas, apenas pastos e plantações.
Dia 27 – Marabá – Palmas – 727 km
De manhã demos uma volta pela cidade, para fotografar o Rio Tocantins e pela ponte de 2,4 km sobre o rio (com 4 pistas e uma linha férrea central – obra faraônica, pois a estrutura suporta trens carregados de minérios). Estrada boa até a balsa na divisa com o Tocantins. Atravessamos o Rio Araguaia e pegamos a estrada em direção a Araguaína, na beira da Belém-Brasília. A Inês dirigiu nestes últimos 50 km. Cidade de boa estrutura, mas com os restaurantes fechados. Comemos lanche em um posto BR e pegamos a Belém-Brasília. Estado péssimo nos 300 km, exceto nos 100 km do meio, já recuperados. Quando falo péssimo, não estou exagerando. Pegamos uma boa rodovia estadual para balsa. Atravessamos o Rio Tocantins em frente a um belo chapadão, paisagem constante até Palmas, 50 km ao sul. Chegamos à noite na cidade, muito bonita e organizada. Jantamos em um shopping, após tirar fotos do palácio do Governo e achamos um hotel por R$ 81.
Dia 28 – Palmas – Alto Paraíso de Goiás – 654 km
Tiramos algumas fotos do Palácio do Governo e do Monumento aos 18 do Forte (estranhamente não consegui entender o que este monumento fazia ali), muito bonito.
Palácio Araguaia em Palmas
Visitamos uma praia no Rio Tocantins. Deixamos alguns postais no correio e pegamos mais uma boa estrada. Todas as rodovias estaduais do Tocantins estão muito boas. Possuem forte apelo ecológico (placas de sinalização pedindo para tomar cuidados com animais silvestres e para não jogar lixo). Tomamos lanche em um posto. 52 km antes de Alto Paraíso fomos conhecer a cachoeira do Poço encantado. Após muita procura, achamos uma pousada muito boa em Alto Paraíso por R$ 87, mas que saiu R$ 67, com um chorado desconto. Banho e depois um jantar em uma churrascaria na estrada.
Dia 29 – Alto Paraíso – Chapada dos Veadeiros – Brasília – 398 km
A Inês caiu, dobrando a perna, ao descer da escada molhada na saída do café da manhã. Fomos ao Vale da Lua, em uma caminhada de 1.200, ainda fora do limite do PARQUE NACIONAL DA CHAPADA DOS VEADEIROS, PATRIMÔNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE. A paisagem é impressionante, rochas muito gastas pela água e vento, com um rio serpenteando seu interior.
Vale da Lua na Chapada dos Veadeiros
A Inês ficou no carro. Em seguida passamos por São Jorge, na entrada do parque, tomado por ecoturístas. Fomos então para Fazenda São Bento, para uma caminhada de 2.000 metros (ida e volta) para conhecer a belíssima cachoeira de Almécegas I. Fui sozinho. É muito bonita, podendo ser vista por cima (de frente) e por baixo. Pegamos uma boa estrada, já em direção a Brasília, após a boa estrada de terra entre São Jorge e Alto Paraíso. Em Brasília, PATRIMÔNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE, chegamos ao SIA Park Hotel (bom, por R$ 91) e aproveitamos o fim de tarde para ver e fotografar a cidade (Alvorada, onde vimos a troca da guarda e recolhimento da bandeira, Catedral, Ministérios, Planalto, Congresso, Itamaraty).
Brasília
Jantamos no shopping e fomos ao Hotel tomar banho. Fomos visitar a minha tia Dina, e nossos primos Vera, Eduardo, Vanessa e Samantha, onde ficamos até 23:30 hs. Chegamos ao Hotel às 00:30 hs.
Dia 30 – Brasília – Caldas Novas – 515 km
Pela manhã, fomos novamente ao centro, onde subimos no elevador da torre de TV (grátis), de onde se tem uma bonita vista da cidade. Vimos o interior da catedral, fomos à recém inaugurada Ponte JK, com arcos em forma de serpente, e ao Itamaraty para uma visita guiada de 1 hora. Não tinha noção da quantidade de obras de arte e mobílias históricas (a escrivaninha onde foi assinada a lei Áurea é onde se assinam tratados internacionais). Há também um dos maiores tapetes persas do mundo (70 m2). Almoçamos em outro shopping e pegamos uma rodovia federal mal conservada. Passamos pelo centro de Goiânia, cidade planejada que cresceu demais. Esperava mais. Fomos então para o Rio Quente, passando por boas estradas estaduais. Nesta época (dia 29/12) a pousada mais barata custava mais de R$ 700. Fomos então à Caldas Novas e dormimos no Hotel Manhattan (R$ 60), sugestão da Vera.
Dia 31 – Caldas Novas – Hot Park – Caldas Novas – 60 km
Demoramos a levantar, pois estava chovendo. Café às 8:30 hs. Fomos ao Hot Park, onde chegamos por volta das 10:00 hs, já com tickets comprados antecipadamente no hotel (R$ 31 / 15 ao invés de R$ 34 / 17 na portaria). O parque é melhor que o Wet’n Wild, pois, além da água agradavelmente quente, fica no meio de uma área preservada (cerrado, mas com aparência de floresta) e as piscinas e construções utilizam materiais mais naturais, como madeira e palha. Além do gostoso e artificial rio com bóias e correnteza, o Érik andou de caiaque e pedalinho (este junto com a Inês) no rio Quente (natural). Eu e o Érik fomos num pequeno escorregador de bóias. Sozinho, fui aos toboáguas de bóia e sem bóia. O almoço, no restaurante do parque foi bom, tipo buffet, com sucos e sobremesas liberados (R$ 9,9 e R$ 5).
Hot Park
As 18:00 hs tudo para de funcionar, menos o bar no meio da piscina. Não fizemos o mergulho (dive), mas é algo interessante para novatos, pois é acompanhado por um guia dividindo o octopus (somente para pessoas acima de 4 anos). Ficar durante o dia em água quente esgota o físico e aparentemente abaixa a pressão. Só conseguimos jantar sorvetes no movimentadíssimo centro da cidade. A câmera do Érik, que havia travado em São Luis, foi testada no parque e novamente voltou a travar.
Dia 32 – Véspera de ano novo – Caldas Novas – 12 km
Fomos ao parque aquático do Hotel Thermas di Roma. Embora menor, mais urbano, sem o rio com correnteza, possui uma piscina de ondas, excelente sauna, ofurô, hidromassagem e as piscinas têm temperaturas que variam muito (o Hot Park possui temperatura mais constante em todas as atividades). É difícil comparar. Portanto, na dúvida, vá aos dois. As entradas para o Thermas di Roma custam R$ 20 e R$ 15. Saímos do parque às 19:30 hs e fomos a uma enorme loja de artesanato na entrada da cidade. Fomos então ao centro esperar a queima de fogos. Impressionante. Queimaram-se mais fogos do que no Reveillon de 1999 para 2000 no Epcot Center. Foi muito tempo queimando uma quantidade absurda de fogos.
Dia 33 – Ano Novo – Posse do Lula – Caldas Novas – São Bernardo – 801 km
Bem cansados, saímos às 8:00 hs em uma boa estrada até Araxá. Em Uberlândia a Inês assumiu a direção e dirigiu até Brodowsty (estrada ruim até Uberaba e boa adiante). Almoçamos, vendo a posse do Lula, em um rodízio, próximo a Brodowsky e passamos na casa do Portinari, que estava fechada. Seguimos até São Paulo, parando no Serra Azul e Frango Assado. Em São Paulo passamos para conhecer a bela árvore de Natal do Banespa, no Ibirapuera. Chegamos em casa às 20:00 hs.
TOTAL PARTE 1 – 13.998 km
Dia 34 – São Bernardo – 62 km
Manutenção no carro com troca de um pneu traseiro, muito ruim, pelo estepe. Preparativos para próxima viagem. Fomos à casa do meu sogro para levá-lo para nossa casa.
Dia 35 – São Bernardo – Foz do Iguaçu – 1.220 km
Passamos na casa dos meus pais e iniciamos a viagem, Eu, o Érik, meu sogro, meu pai e minha mãe. Paramos para almoçar no norte do Paraná, comida simples, mas boa. Chegamos a Foz e já atravessamos para o lado argentino para comprar mantimentos, agora baratos, em supermercados. Fomos também ao centro de Puerto Iguazu. Na volta tentamos achar cabañas, que o Érik queria alugar. Muito caro. Voltamos ao lado brasileiro e escolhemos um hotel (R$ 220 por 2 quartos – 2 dias). Fomos então jantar na Pizza Hut. Voltamos para dormir. Meu sogro estava extremamente cansado.
Dia 36 – Foz do Iguaçu – 90 km
Após um bom café da manhã, fomos visitar as cataratas, no PARQUE NACIONAL DO IGUAÇU, PATRIMÔNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE. O elevador estava fechado, o que limitou muito o passeio. Em seguida fomos ao parque das Aves, próximo à entrada das cataratas. Tomamos um lanche no McDonald’s e fomos visitar a impressionante Usina Hidrelétrica de Itaipu. Deixamos o carro em um estacionamento próximo à ponte da Amizade e fomos de Van visitar o lado paraguaio, onde compramos pouca coisa, visto que as lojas estavam fechando. Em seguida fomos ao free shop do lado argentino Surpreendente a existência deste free shop, bem posicionado antes da alfândega. Carrinho de golfe para levar do estacionamento às lojas. Preços em dólar. Voltamos a Foz e jantamos novamente na Pizza Hut, agora escolhendo uma deliciosa pizza grande de rúcula com tomate seco.
Dia 37 – Foz do Iguaçu – São Bernardo – 1.210 km
Após o bom café da manhã, fomos ao Marco das 3 fronteiras e pegamos a estrada, parando após Maringá para um almoço em um posto. Tipo buffet, foi uma boa escolha. Meu pai dirigiu cerca de 200 km ao entrar na Castelo Branco, onde paramos para jantar no Posto Rodoserv Star. O melhor posto que conhecemos, tanto sua arquitetura, quanto seus lanches. Chegamos em casa, após deixarmos meus pais e meu sogro, por volta das 00:30 hs.
TOTAL PARTE 2 – 2.582 km
TOTAL GERAL – 16.580 km
O Veículo:
Palio Adventure 2000/2001, o primeiro modelo deste veículo. Muito resistente. Enfrentou diversas expedições, com mais de 50.000 km entre Belém e Ushuaia, Atlântico e Pacífico (Chile e Peru). Agüentou os 5.200 metros de altitude do Cerro Chacaltaya na Bolívia, com a mistura mais pobre possível de ar, sem muitas dificuldades. No geral, apenas pneus furados e farol queimado. Uma grande surpresa. Foi trocado em 2004 pelo modelo novo (3ª geração), flex, com maior potência e com ar condicionado “roubando” menos potência do motor. Em ambos os modelos o porta-malas tem espaço excelente. Aprovado com certeza.
Os Viajantes:
Sergio Sparvoli Bonagamba – Viajante e engenheiroToshie Inês Fujii S. Bonagamba – Viajante e bancáriaÉrik Yukio Bonagamba – Viajante e estudante São Bernardo do Campo - SPEmail sergiobona@vivax.com.br
Veja todos os relatos do mesmo autor:- Expedição Cone Sul (América do Sul – Etapa 1)- Expedição Andina (América do Sul – Etapa 2)- Expedição Austral (América do Sul – Etapa 3)- Expedição Norte/Nordeste (Brasil – Etapa 1)- Expedição Centro-Oeste (Brasil – Etapa 2)- Expedição Água e Areia (Brasil – Etapa 3)- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 1)- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 2)
Veja também os vídeos do mesmo autor:- Glaciar Perito Moreno- 70.000 km - América do Sul...
De Carro pelo Brasil (Etapa 2 - Expedição Centro Oeste)
De Carro pelo Brasil (Etapa 2 - Expedição Centro Oeste)Expedição de automóvel feita pela família Bonagamba em Dezembro de 2004: Cruzeiro, turismo ecológico, esportes de aventura, parques nacionais, patrimônios culturais da Humanidade e cidades históricas.
29/11/04 – São Bernardo – Santos:
A sala estava lotada com as bagagens da viagem para o Centro-Oeste. Pegamos apenas as malas menores e, junto com meus pais, fomos à Santos, para um cruzeiro no ISLAND ESCAPE.
Navio Island Escape
Fomos com o pequeno Pálio, pois o carro ficaria 5 dias num estacionamento. Deixei todos no Porto, próximo ao portão de embarque. Levei o carro a um estacionamento em São Vicente e voltei ao Cais. O terminal de embarque é bem moderno, mas as filas estavam desanimadoras. Em torno de 1 hora estávamos no interior do navio, já preparados para o almoço. Conhecemos grande parte das atrações e do espaço físico e fomos ao treinamento obrigatório para desembarque de emergência.
Treinamento para Emergências
Todos de colete. Encontrei um amigo do tempo da Philips, o Leonardo, que continua o mesmo há mais de 15 anos. Por volta das 18:00 hs saímos do porto. Fogos de artifício de um pier na Ponta da Praia nos saudavam. E o apito ensurdecedor do navio era a resposta.
30/11/04 – Santos - Ilhabela:
Acordamos com o navio parando no meio do canal de São Sebastião. Após o almoço, desembarcamos através de um dos barcos rápidos que transportam mais de 100 pessoas por vez.
Island Escape ancorado em Ilhabela
Ilhabela é hoje um local muito agradável e bonito para um passeio, seu centro está bem organizado e desenvolvido. Coincidentemente, conversando com a vendedora de perfumes e perguntando algo sobre o navio, ela nos falou que era nova no Island Escape e que havia vindo do Queen Elizabeth. Neste momento minha mãe observou seu nome no crachá e perguntou de onde ela era. De Brasília, ela respondeu. Era a nossa prima, Samantha, que não víamos há anos. À noite fomos ao teatro, onde assistimos um bonito show de dança.
01/12/04 – Ilhabela - Búzios:
Navegamos à noite e chegamos a Búzios pela manhã. Desembarcamos duas vezes, uma pela manhã, outra ao entardecer. Muito pelo fato de não haver crescido para o alto e pela sua localização privilegiada, Búzios é um local extremamente charmoso, ótimo para um passeio mais longo. No segundo desembarque preferiu ficar no navio. Uma hora depois ele surgiu na cidade, acompanhado por uma tripulante. Ele iria desembarcar sozinho e não permitiram. Ligou para Samantha, que conseguiu resolver seu problema. À noite fomos assistir mais um excelente show.
02/12/04 – Navegação:
Navegamos o dia todo, que foi repleto de atividades, principalmente para o Érik, que participou de gincanas, onde eram distribuídos tickets, para serem trocados mais tarde por artigos do navio (ele ganhou duas camisetas e um boné).
Família Bonagamba: Darcy, Myrna, Sergio, Inês e Érik
Sobre o navio – Um cruzeiro como este, de 4 dias já é suficiente para quem quer ganhar alguns quilos. Queijos tipo camembert e brie, damascos, nozes, pratos quentes e diversas sobremesas, tudo à vontade. Conta com um restaurante 24 horas, onde nos encontrávamos ao acaso, um tomando café, outro jantando e outros apenas comendo doces. Os shows musicais são muito bons e não devem ser perdidos. Chegar cedo para pegar um bom lugar é aconselhável. As atividades como gincanas são um bom passatempo para as crianças. Durma pouco e aproveite muito. Em caso de mal-estar, há uma pulseira anti-enjôo, que pode ser comprada no free-shop. O problema é que a pulseira é preventiva, ou seja, deve ser usada antes de estar passando mal.
03/12/04 – Santos – João Ramalho:
Acordamos já no porto de Santos. Após o último café da manhã a bordo, pegamos a fila para desembarcar. Não houve muita demora. Fui buscar o carro e por volta das 11:30 hs já estávamos em São Bernardo. Uma breve parada em casa para troca de malas, de veículo e para descarregar as fotos, abrindo espaço de memória para mais 30 dias de fotos. Saímos de casa por volta da 14:00 hs, passando rapidamente na gráfica em Santo André para pegar nossos adesivos “I´m the way, the truth and the life – Jesus”, que sempre nos acompanha em nossas expedições. Tempo chuvoso numa Sexta Feira significa atravessar São Paulo em quase 3 horas. O resultado é que chegamos a Ourinhos, com apenas uma parada para lanche, por volta das 20:30 hs. Visitamos o tio Castor e a tia Alice e saímos, uma hora e meia mais tarde, para João Ramalho. Chegamos quase meia-noite à bonita casa do meu tio Nelson e da tia Rosa. Fomos dormir após 1:00 h da manhã.
04/12/04 – João Ramalho – Bonito:
Pela manhã conversamos bastante, instalamos o DVD do tio, o Érik deu algumas instruções sobre como utilizar o e-mail e, por volta das 10:30 hs deixamos João Ramalho. Paramos no shopping de Presidente Prudente para almoço, uma bonita cidade. Voltamos à estrada com a Inês ao volante e com forte chuva. Voltei ao volante e a chuva parou. Na divisa com o Mato Grosso do Sul, logo após a ponte sobre o Rio Paraná, paramos, pois há diversas barraquinhas com artesanatos de madeira, com os animais típicos da região. Tudo muito colorido e barato, a partir de R$ 1. Em seguida paramos para ligar para a Pousada que já estava reservada e para a agência de turismo, para avisar que chegaríamos tarde. No trecho final, cerca de 200 km, a Inês estava ao volante. Chegamos por volta de 21:30 hs, mas descobrimos que havia diferença de fuso e o horário correto era 20:30 hs. Passamos na agência, na Pousada e voltamos ao centro para tomar um lanche. Foi um dia bem cansativo.
05/12/04 – Bonito – Jardim - Bonito:
Foi mais um dia corrido. Logo cedo fomos à flutuação do rio da Prata, no município de Jardim, através de um atalho, na realidade uma estrada de terra bem precária (110 km somente via asfalto ou o atalho com 55 km sendo 37 km de terra). Acreditávamos que a chuva do dia anterior não tivesse feito muitos estragos, mas estávamos enganados. O problema maior é que estão asfaltando a parte central e os desvios passam por trechos sem escoamento de água. A água acumula e tudo se transforma em atoleiro. Graças a Deus passamos bem. Enquanto a Inês esperou na sede da fazenda, por não gostar de flutuação, o Érik e eu pegamos as roupas e botas de neoprene e os equipamentos de snorkeling e seguimos de caminhão até a entrada da trilha.
Flutuação no Rio da Prata
São cerca de 50 minutos de caminhada até a nascente do rio Olho d’agua, já parcialmente vestidos com a roupa de neoprene. São duas opções, a primeira com roupa totalmente vestida e sofrendo com o forte calor e a segunda opção, com roupa parcialmente vestida e sob ataque dos insetos, liderados pelos pernilongos. Nosso grupo contava com a presença do Sr. Tarquino, acompanhado de sua esposa, neto e de seus amigos franceses. Ele, que não iria fazer a flutuação, muito gentilmente, trouxe minha câmera de volta. A água é de uma transparência incrível e o rio é relativamente calmo, exceto em um pequeno trecho de corredeiras, onde temos que atravessar por fora. Há uma quantidade enorme de peixes, principalmente dourados, pintados, pacús, corimbatas e piraputangas. Não é permitido bater o pé ou tocar no chão. Depois de 1.800 metros, entramos no Rio da Prata, também com muitos peixes, mas cerca de 3°C mais frio e com menor visibilidade.
Rio da Prata
Saímos da água uns 20 minutos mais a frente e voltamos à sede da fazenda, onde almoçamos. Em seguida fomos conhecer o Buraco das Araras, nas proximidades. É uma formação de arenito circular e profunda. Demos uma volta completa e no final encontramos as araras. Ficamos um bom tempo tentando fotografá-las e filmá-las e, por fim, após cruzar uma pequena cobra pela trilha, voltamos ao carro. Logo ao pegar a estrada paramos para fotografar uma árvore seca com um tucano e um gavião dividindo seus galhos.
Fauna na região de Jardim / Bonito
Voltamos para Bonito, agora pelo asfalto. Passamos na agência e fomos enviados ao treinamento para o rapel no Abismo Anhumas. Fiz o treinamento de subida e descida, paguei os R$ 315 (bem caro, mas como há um aumento de R$ 100 a cada 2 anos, melhor agora do que no futuro). Combinamos que eu daria carona a uma australiana que faria o rapel junto comigo. Passamos em uma loja de mergulho para pegar os equipamentos de flutuação. Fomos a uma sorveteria, onde fizemos a festa. No hotel percebi que havia esquecido a bermuda e a câmera descartável em algum lugar do Rio da Prata. Antes de dormir, passei na agência para avisá-los.
06/12/04 – Bonito:
Logo cedo passamos no local combinado e pegamos a garota australiana. Eu e ela seríamos as únicas pessoas a realizar este passeio neste dia. 8:30 hs e chegamos ao local. O Abismo tem o formato de um funil com a boca menor para cima. No meio do mato, a beira de um monte, há uma pequena fenda de cerca de 5 metros, por onde descemos e por onde entra um feixe de luz, que ilumina o lago interno.
Abismo Anhumas
São 72 metros de descida em rapel, que não provocou medo e foi fácil. Foi apenas um pouco cansativo para a mão esquerda, que libera a corda, através de um freio. Chegamos a uma plataforma de madeira, onde fotografamos e filmamos, na medida do possível, visto que a luz é bastante escassa. Foi necessária a construção da plataforma, pois o lago ocupa toda a área interna, não havendo plataformas naturais secas com espaço suficiente para os preparativos, equipamentos, etc. O lago tem cerca de 80 metros de profundidade e a área equivalente a um campo de futebol, com algumas formações acima do nível d’agua. Primeiramente passeamos de bote, vendo as formações secas e depois fizemos a flutuação com roupa inteiriça de 5 mm., incluindo sapatilha e gorro. A temperatura d’agua é de 19°C, ou seja, bem fria. O choque é grande, mas como a roupa protege bem, acostumamos logo. São cerca de 25 minutos de flutuação e a parte final, com o sol incidindo diretamente em uma formação rochosa sob a água, é fascinante. Já com o sol mais perpendicular e, portanto, mais forte, tiramos mais um monte de fotos, antes de iniciar a subida.
Raios de Sol no Abismo Anhumas
Subimos em 25 minutos, utilizando a técnica de rapel negativo, que consiste em sincronizar os movimentos dos braços com os das pernas, fazendo com que pouco a pouco o corpo seja elevado (encolhem-se as pernas, empurrando o freio para cima e em seguida esticam-se as pernas, apoiando os braços no freio). O problema é que a força para subida deve ser concentrada nas pernas e, na prática, não foi possível evitar utilizar força nos braços, o que acaba cansando mais do que o necessário. A australiana teria subido em cerca de 20 minutos, se não estivéssemos amarrados (segurança caso algum dos cabos seja rompido). O guia explicou que os homens têm o centro de gravidade posicionado mais para trás, o que faz com que o movimento necessário para subida seja menos natural. O custo para quem for praticar diving (mergulho com cilindro) era de R$ 480 e os preços iriam subir ainda em dezembro. Quando saímos do abismo, o guia nos informou que ao chegar havia resgatado uma serpente cabeça de sapo, bem perigosa e venenosa que havia caído no abismo, enviando-a para cima. Durante este passeio a Inês e o Érik foram à Gruta do Lago Azul, e voltaram a tempo de nos filmar subindo. Demos mais uma carona para a garota australiana até a Gruta do Lago Azul, onde foi a minha vez de fazer o passeio, no caso o último do dia, às 13:30 hs, apenas eu e a guia.
Gruta do Lago Azul
A comparação com o Poço Encantado da Chapada Diamantina é inevitável, mas decidi ficar em cima do muro. Ambos são fantásticos. O Azul do lago é fora do comum, e ainda fui em um horário ruim. Imagina quem chegou mais cedo, como a Inês e o Érik, o que foi comprovado pelas fotos do Érik. A boca de entrada da Gruta tem 40 metros de altura e a largura interna é de 120 metros. Não é permitido o uso de tripé, mas é possível apoiar a câmera em pedras secas. Enquanto eu estava na Gruta, o nosso agente de viagens de Bonito ligou para Inês e disse que o arvorismo, que estava programado, não seria possível neste dia, sugerindo que fossemos ao Balneário Municipal (R$ 10). Concordamos, mas antes fomos comer uns pasteis. O Balneário é uma boa opção com baixo custo, local que o pessoal residente em Bonito costuma frequentar. A flutuação não tem regras rígidas. No forte calor de Bonito, é um lugar bom para se refrescar. Nadamos por algum tempo e enquanto eu estava próximo aos nossos pertences, a Inês e o Érik entraram no rio do outro lado. Pegaram uma correnteza muito forte e foi necessária a intervenção do salva-vidas. Após o susto, ficamos mais algum tempo e fomos ao centro tomar sorvetes. Passamos na agência (Carandá) para pegar a bermuda e a câmera descartável.
07/12/04 – Bonito – Ponta Porã:
Finalmente um dia mais calmo. Havíamos marcado o arvorismo para as 8:00 hs e um pessoal de Santo André, que estava na mesma pousada, para as 10:00 hs. Como chegamos às 8:30 hs e elas, logo em seguida, foram todos juntos (o Érik e as 3), o que fez o passeio durar quase 3 horas. São 12 obstáculos (3 tirolesas, falsa baiana, etc.) além do rapel e subida em rapel negativo. Eu não fui, pois estava me recuperando do dia anterior. Voltamos às 12:30 hs e almoçamos um pintado (peixe da região do pantanal) muito bom. Marcamos nosso boia-cross para 15:00 hs. Chegamos cedo ao Hotel Cabañas, onde fomos recepcionados pela Ema Xereta, onde também vimos a arara que vem ao hotel para se alimentar. Como o pessoal que iria junto não chegou, fomos apenas o Érik e eu, além dos monitores e do rapaz que fotografou (50 a 60 fotos em um CD por R$ 25). Muito bom, mas infelizmente é um passeio rápido, que dura apenas 30 minutos.
Bóia-cross em Bonito
Pegamos a estrada para Ponta Porã e, para cortar caminho, entramos em uma estrada de terra, por Vista Alegre. Comecei a ficar preocupado, pois, além de estar escurecendo, estava formando-se um forte temporal, que, graças a Deus, só nos atingiu quando já havíamos alcançado o asfalto. Chegamos por volta das 20:00 hs e após acharmos um hotel, fomos comer uma pizza muito boa.
08/12/04 – Ponta Porã – Campo Grande:
Logo cedo fomos ao lado paraguaio, onde comprei um relógio. Há uma grande loja, de quase um quarteirão, o Shopping China, com excelente diversidade de mercadorias. O local é bem mais tranquilo do que Ciudad Del Este, mas o pessoal de Ponta Porã pede para tomar o cuidado de não adentrar muitas quadras em território paraguaio. No geral não há muitas lojas de qualidade, apenas 2 ou 3. Comemos uns pães de batata em uma conveniência da Esso e pegamos a estrada para Campo Grande. Optamos por não passar por Dourados, pois há fiscalização e não havíamos registrado as câmeras (não havia posto da Receita nas estradas entre Bonito e Ponta Porã e não trouxemos o registro que fizemos na viagem anterior). Ao entrar novamente na estrada de terra, perguntei a um motociclista sobre as condições da estrada (em caso de chuva, poderia ser difícil passar). Ele falou que estava seca e que havia um outro modo de chegar a Maracaju, por um “braço” desta estrada. Seguimos o conselho e economizamos 20 ou 30 km. Nos últimos 120 km para Campo Grande, dormi, enquanto a Inês dirigia. Cidade bonita, bem arborizada, com avenidas largas, trânsito bom, boa infra-estrutura de serviços, agitada e com show musical na principal praça e, melhor ainda, com uma excelente pizza no shopping.
09/12/04 – Campo Grande - Jaciara:
Acabamos saindo tarde, às 10:00 hs pois paramos algumas vezes para comprar remédios, abastecer e dar uma ducha no carro que estava com muito barro por fora. Ao contrário das estradas ao sul, a BR 163 ao norte não está muito bem conservada e o tráfego de caminhões é muito pesado. Mas de qualquer forma, está acima da média das BR’s em outros locais do país. A impressão passada pelo estado do Mato Grosso do Sul é de que é um estado bem próspero. As cidades, pelo menos as que visitamos, são limpas, bonitas e bem organizadas. Paramos em Rio Verde para almoçar, à beira da BR. Um restaurante surpreendente em forma de um grande caramanchão, tipo buffet com comida muito boa. Às 17:00 hs paramos no Shopping de Rondonópolis para um lanche. Com indicação de caminhoneiros, fomos ao Taba Hotel (R$ 75) em Jaciara, muito bom e pertencente ao grupo das Thermas de Jaciara, local que pretendemos visitar após voltar de Cuiabá.
10/12/04 – Jaciara – Chapada Guimarães - Cuiabá:
Chuva logo cedo. Nosso plano de ir às Thermas tiveram que ser adiados. Há pelo menos três locais com parques aquáticos. O Thermas de Jaciara, com água fria e passeios de rafting nas proximidades, operados pelo pessoal das Thermas. O Alphaville em Juscimeira, o qual tem águas quentes. E, por último, o Hotel Mato Grosso Águas Quentes, ao norte de Jaciara, a 10 km da BR, este também com águas quentes. Passamos para visitar o local e checar os preços (R$ 40 por dia por pessoa ou R$ 50 aos fins de semana e feriados). O local é interessante para quem passa a noite, pois tem boa infra-estrutura. Comparamos e achamos melhor aproveitar os parques de Caldas Novas, nos quais passaríamos mais tarde, afinal neste local há poucas piscinas com água realmente quente. Paramos em um recém-inaugurado Shopping em Cuiabá para almoçar. É realmente um shopping elegante. O problema é que havia apenas 5 ou 6 lojas abertas na praça de alimentação. Resutado? Filas na maioria e poucas opções realmente rápidas. Pizza de muzzarela foi a opção. A seguir, fomos para Chapada dos Guimarães (parque nacional e município). Visitamos inicialmente o centro de visitantes e a cachoeira Véu de Noiva, onde se chega praticamente sem caminhadas.
Véu de Noiva na Chapada Guimarães
O parque não cobra entrada e está bem abandonado. A cachoeira é bem bonita, apesar do fluxo de água estar fraco. Fomos visitar o mirante da Pousada Penhasco, onde se tem uma linda vista panorâmica dos paredões da Chapada e da planície, onde fica Cuiabá a cerca de 60 km e o Pantanal, a 150 km.
Chapada Guimarães vista do Mirante da Pousada Penhasco
A Pousada fica em uma área particular de proteção ambiental, muito bem cuidada. Vale o passeio. Depois fomos à Cidade de Pedra, uma vista ainda mais bonita da Chapada, em uma pequena caminhada, através de formações rochosas interessantes. Chega-se por uma estrada de terra (na realidade areia, com riscos de atolamento), de cerca de 15 km, deserta.
Cidade de Pedra
O local também é pouco frequentado (ficamos o tempo todo sozinhos). Tivemos certo receio, mas graças a Deus nada de errado ocorreu. Voltamos ao município da Chapada dos Guimarães, tiramos algumas fotos, consultamos o guia Brasil e o preço das pousadas. Devido ao preço ser meio alto, voltamos para Cuiabá, jantamos no Shopping Mangabeiras (há um fast food especializado em pacús, de excelente qualidade – Delicious Fast Fish – e sucos naturais no Suco Perpitola). Foi difícil de achar hotel com preço convidativo. Conseguimos no município vizinho de Várzea Grande, inaugurado há apenas um mês. Novinho e limpo por R$ 70.
11/12/04 – Cuiabá - Pantanal - Cuiabá:
Saímos antes das 9:00 hs em direção à Poconé para entrarmos na Transpantaneira. Abastecemos em Cuiabá e novamente em Poconé. Até Poconé, estrada perfeita. Passando Poconé, a estrada está em pavimentação, o que faz com que tenhamos que utilizar um desvio lateral por uns 3 km, com muitas poças e lama. Após este trecho a estrada está boa. Paramos na portaria da Transpantaneira para tirar fotos.
Rodovia Transpantaneira
Uma quantidade absurda de pernilongos me atacou e voltei rapidamente ao carro. 100 metros adiante um pequeno jacaré atravessou a pista. Parávamos em quase todas as pontes a procura de jacarés, mas só vimos a cabeça de dois deles. Ao passar sobre o Rio Formoso, avistamos alguns jacarés maiores. Rodamos mais uns 5 km e resolvemos voltar. Paramos novamente sobre o rio. Havia mais jacarés e estavam mais próximos, inclusive um deles na margem.
Rio Formoso
Voltando para Poconé a estrada parecia outra, com diversos jacarés em vários pontos. Uma sucuri atravessou a pista a poucos metros do carro. O maior problema era o ataque dos pernilongos toda a vez que saiamos do carro.
Fauna no Pantanal
Voltamos à Cuiabá ainda antes do anoitecer. Fomos fotografar o marco geodésico (centro geográfico da América do Sul) e a Igreja Bom Despacho, que guarda alguma semelhança com o estilo da Catedral de Notre Dame, de Paris. Fomos jantar no Shopping Mangabeiras e ligamos para a família Moura, que produz jacarés de plástico tão bem feitos que o próprio Ibama já andou investigando se não eram empalhados. Esta foi uma dica do Peter Goldschmidt. A senhora que atendeu ao telefonema disse que eles (seu filho e marido) estavam em uma feira de artesanato. Faltavam menos de 20 minutos para feira encerrar, mas como havíamos passado em frente e sabíamos que era perto, fomos bem rapidamente. Compramos algumas peças. O rapaz que produz perdeu a audição e a fala após uma meningite, mas possui um dom incrível de elaborar réplicas perfeitas de animais. A feira fica na Praça Santos Dumont e funciona aos Sábados e Domingos entre 16:00 hs e 21:00 hs.
12/12/04 – Cuiabá - Rondonópolis:
Foi o dia d’agua. A idéia inicial era irmos para Nobres, mas, de acordo com o guia Brasil, o poço Azul, sua principal atração, estava interditado. Tentei ligar para a Prefeitura (informações turísticas), mas como era Domingo, ninguém atendia. Resolvemos então ir para as Termas de Jaciara e ao Rafting. Sendo Domingo seria mais fácil conseguir vagas para o Rafting, que requer um número mínimo de pessoas (4). No dia seguinte seria mais difícil conseguir este número de pessoas. Chegamos ao meio-dia em Jaciara e reservamos tudo no Taba Hotel (R$ 24 para os três entrarem nas Thermas – frias – e R$ 25 para o meu Rafting). Almoçamos em um buffet de um posto e seguimos por uma estrada recém-asfaltada até Thermas. Ao chegar o Érik também resolveu fazer o rafting. Como não havia vaga nos remos, ficaria no meio do bote (R$ 20 por criança). Ficamos 1h 30min nas piscinas, muito boas, com temperatura bem agradável. A seguir, fomos ao rafting, de Kombi. Chegamos à entrada de uma usina e fizemos uma pequena caminhada, passando pela bela Cachoeira da Fumaça, no meio de um canyon de igual beleza. Descemos até a praia e aguardamos a chegada do bote, que vinha de uma posição mais abaixo do rio. Ouvimos as instruções e saímos. Muito legal. O nível predominante é 2, mas há um trecho nível 3 e o final é nível 4. Neste último trecho, a turma é dividida em 2 para a queda, quase na vertical. Já falei que é muito legal? A proprietária, dona Nelida, uruguaia, nos disse que ela já teve como clientes Vanessa Camargo, Renato Teixeira e a própria famíla Goldschmidt, da qual pegamos várias dicas para esta viagem, principalmente o rafting. O engraçado é que finalmente ouvi o famoso sotaque matogrossense (“peitche” = peixe), e justamente de uma uruguaia. Ao final seguimos para Rondonópolis, onde almoçamos no Shopping e dormimos.
13/12/04 – Rondonópolis – Rio Verde de Goiás:
Saindo de Rondonópolis, sentido Goiás, enfrentamos um tráfego pesado de caminhões, que acabaram desaparecendo ao longo do trajeto. Nos trechos indicados como ruim no Guia 4 Rodas, a estrada estava tranqüila e razoavelmente conservada. Paramos em Alto Araguaia, na divisa com Goiás, para procurar uma bonita cachoeira no início do rio Araguaia, que havíamos visto na revista Terra. Em um hotel fomos informados que a cachoeira ficava em uma propriedade particular a cerca de 30 km de distância. Um senhor se ofereceu para conseguir a chave para entrar na fazenda que abriga a cachoeira, mas também informou que havia outra, também bonita, próxima ao centro da cidade, em uma usina da CEMAT. Optamos pela mais próxima.
Cachoeira no Rio Araguaia – Usina CEMAT
Entramos na CEMAT e nos emprestaram a chave da portaria para a Usina. Fomos muito bem recebidos, nos mostraram o funcionamento dos equipamentos e as melhores opções para fotografar as cachoeiras. Parabéns ao pessoal da CEMAT – nota 10. Almoçamos em um bom restaurante por quilo, à beira do rio Araguaia. Perdemos uma hora no fuso e dormimos em Rio Verde de Goiás.
14/12/04 – Rio Verde de Goiás – Caldas Novas:
Demoramos a sair, pois eu estava com mal-estar e a Inês e o Érik ficaram conversando com a cozinheira (receitas de pães de queijo, etc.). O atendimento deste hotel – Lacer Hotel - foi especial. Todos os funcionários foram extremamente receptivos, assim como seu proprietário. Muito bom. A Inês dirigiu 253 km enquanto eu dormia e, quando eu melhorei, dirigi o restante. Chegamos a Caldas Novas às 16:00 hs e passeamos pela cidade. Ficamos em um hotel na entrada da cidade por R$ 70 com piscina de água quente, a qual utilizamos à noite, depois de lanches e sorvetes. Como o hotel estava em processo de venda, sendo que o proprietário seria outro no dia seguinte, nos pediram para acertar a conta logo cedo. Resolvemos que só ficaríamos esta noite neste hotel.
15/12/04 – Caldas Novas – Rio Quente – Caldas Novas:
Ficamos no Hot Park das 10:00 hs até às 17:00 hs. O ingresso, quando comprado em Caldas Novas (hotéis, escritórios, etc.) sai mais barato do que na portaria (R$ 37 por R$ 33 para adultos e R$ 20 por R$ 17 para crianças com menos de 11 anos). Voltamos para Caldas Novas e escolhemos outro hotel, que custou R$ 75. Jantamos açaí, coco, pasteis. Uma boa opção que vimos foi a pousada do SESC, mas como deixamos as carteirinhas em São Paulo, não conseguiríamos o desconto e não valeria a pena. Com desconto sai barato, mas com pensão completa e o almoço não é aproveitado quando estamos nos parques. O HOT PARK é o parque aquático de propriedade da Pousada do Rio Quente e utiliza a água do próprio Rio Quente, único do gênero no mundo. É uma forma econômica de conhecer uma parte do complexo, a parte mais divertida.
16/12/04 – Caldas Novas:
Dia estranho. O Érik se alimentou mal no dia anterior e gastou muita energia. O resultado foi acordar fraco, com ânsia e dor de cabeça. Mudamos nossos planos de ir ao Hot Wave, outro parque aquático. A Inês saiu à pé pela cidade e eu fiquei com ele no Hotel. Saímos por volta das 11:20 hs, passeamos na loja de artesanato e no Mundo a Vapor (do mesmo grupo do Mundo a Vapor de Canela). Graças a Deus o Érik melhorou. Fomos almoçar e eu descobri como não comer pequi, uma fruta do cerrado utilizada para complemento no arroz. Mordi a fruta inteira. Ao romper a semente, uns 50 a 100 pequenos espinhos se espalharam por minha boca. Tentei ir a diversas farmácias e me mandaram a um pronto-socorro. Vendo a fila, desisti antes de entrar. Eu mesmo tirei quase todos. Tomamos um lanche à noite, após uma boa piscina no Hotel Manhattan.
17/12/04 – Caldas Novas:
Tudo OK comigo e com o Érik, fomos todos ao HOT WAVE, parque aquático do Hotel Termas di Roma.
Parque aquático HOT WAVE em Caldas Novas
Embora localizado em área mais urbana que o Hot Park, é um parque muito bom, com uma grande piscina de ondas, saunas, hidromassagem, toboágua e há grandes variações de temperatura entre as piscinas, o que é bastante interessante. Almoçamos muito bem no restaurante do parque e, novamente, jantamos açaí, coco, sorvetes, etc.
18/12/04 – Caldas Novas - Pirenópolis:
De volta à estrada. Passamos em um shopping de Goiânia para almoçar. Razoável. O bom mesmo foram os Picolés do Cerrado, como por exemplo, os excelentes sabores de Cagaitá ou de Buriti. Chegamos a Goiás Velho, Patrimônio Cultural da Humanidade, antiga capital de Goiás (e capital durante apenas um dia do ano, no seu aniversário) e terra da poetisa Cora Coralina.
Goiás Velho
Conseguimos passear e tirar várias fotos pela bela cidade, antes de começar a chover forte. Não conseguimos entrar no museu da Cora Coralina, pois já passava das 17:00 hs. Seguimos para Pirenópolis, chegando por volta das 19:30 hs. Foi bem difícil encontrar uma pousada legal por um preço bom, mas conseguimos por R$ 80. Fomos ao centro dar uma volta, tomamos um lanche e fomos dormir. A cidade é bem agitada, o que é previsível num sábado e também muito visitada pelos brasilienses. Pirenópolis, além de ser uma cidade histórica, tombada pelo Condephat, tem grande atividade de esportes radicais e de Natureza, sendo rodeada por montanhas e rios.
19/12/04 – Pirenópolis - Brasília:
Muita chuva pela madrugada e pela manhã, mas mesmo assim, andamos pela cidade e tiramos algumas fotos. Na beira da BR 070, já rumo à Brasília, há uma bonita cachoeira no meio do caminho, o Salto de Corumbá. O Érik, com o guia na mão fez bastante pressão para que chegássemos antes das 13:00 hs ao palácio do Planalto, para uma visita guiada.
Congresso em Brasília
Chegamos a tempo, mas em função do fim de ano, não houve visitação neste dia. Fomos então ao Congresso, para visita guiada ao Senado e à Câmara. Foi um passeio que superou as expectativas. Houve uma visita extra, passando pelo gabinete do então presidente da Câmara, o deputado João Paulo, pois havia uma exposição de quadros, que nesta semana estava promovendo os pintores paulistas (1 Estado por semana).
Visita guiada ao Congresso
Conversamos muito tempo com o Sidnei, excelente guia no gabinete do João Paulo e em toda a área de exposição. Almoçamos no Shopping e fomos visitar nossa tia Dina e sua família. Ficamos até as 21:30 hs e fomos com a Samantha (a mesma do cruzeiro, no início do diário de bordo) ao restaurante Mormaii, na asa sul do Lago, onde há também uma movimentada Feira da Lua. Chegamos ao Hotel depois da Meia Noite, pois ficamos passeando pela cidade para tirar fotos.
20/12/04 – Brasília - Paracatú:
Mais alguns passeios por Brasília. Primeiro fomos conhecer a feira dos importados, um enorme galpão com diversas bancas com os mais diversos produtos importados. Passamos pela torre de TV, de onde se tem uma bonita vista da cidade, mas estava fechada e só abriria depois das 14:00 hs. Entramos na Catedral de Brasília, que considero a mais bonita obra de Niemeyer, muito embora a nova ponte JK não fique muito atrás. As paredes da Catedral são circulares (diâmetro de 70 metros), e formam uma concavidade. O efeito acústico disto é fantástico. Uma pessoa falando baixo de um lado da Catedral, paralelamente à parede, é perfeitamente ouvida do outro lado, como se estivesse a menos de um metro. Tiramos algumas fotos do Palácio da Alvorada, do Quartel General do Exército e, na saída de Brasília, já em Gama, visitamos o recém-restaurado Palácio do Catetinho, que foi a primeira residência de Juscelino Kubitschek, feita de madeira e utilizada durante a construção de Brasília. Interessante e mostra a humildade deste presidente que sonhou um Brasil grande e desenvolvido. Paramos em Cristalina, cidade que vive do comércio de pedras semi-preciosas, onde compramos algumas pequenas pedras. É uma cidade que recebe a visita de estrangeiros, quando estes estão em Brasília. Dormimos em uma boa pousada do Sesc de Paracatu, já em Minas Gerais.
Sobre Brasília – Como em Goiás, o povo de Brasília gosta de uma boa prosa. Como, por exemplo, na feira sob a torre de TV. Ficamos muito tempo conversando com as vendedoras. O mesmo ocorreu com os vendedores da Mormaii.
21/12/04 – Paracatu – Sete Lagoas:
Sob muita chuva, alternada com períodos de sol, atravessamos grande parte de Minas Gerais, até Sete Lagoas. Como outras estradas que rodeiam Brasília, a BR também está ruim em alguns trechos. Muitos caminhões, principalmente carregados com carvão (extremamente carregados), tornam a rodovia consideravelmente perigosa. Paramos na Gruta de Maquiné, no município de Cordisburgo, considerada uma das mais bonitas do mundo. Poucos recursos e muito descaso dos governos colocam em risco este belo patrimônio de Minas Gerais. Como ficou tarde para visitar a Gruta do Rei do Mato em Sete Lagoas, resolvemos dormir neste município. Tarefa fácil achar um bom hotel em Sete Lagoas. A oferta é enorme. Ficamos em um novinho por R$ 59, com TV a cabo no quarto e Internet no lobby. Passeamos pela cidade à noite. Muito bonita, com uma lagoa bem no centro.
22/12/04 – Sete Lagoas – Belo Horizonte:
Gruta Rei do Mato
Demos mais uma volta pelo centro para fotografar a lagoa e logo fomos para Gruta do Rei do Mato que, em minha modesta opinião, possui formações mais interessantes do que a Gruta de Maquiné, muito embora a iluminação desta última seja mais trabalhada para mostrar os detalhes. O Érik e a Inês preferiram Maquiné. Deixando a gruta, fomos para Belo Horizonte, direto para o Hotel Íbis (Betim) e deixamos pago. Como havia uma promoção de café da manhã (normalmente opcional) inclusa para estudantes com carteirinha, combinamos de fazer a reserva mais tarde pela Internet (necessário para a promoção). Fomos almoçar no Shopping BH e aproveitamos uma livraria com Internet para fazer a reserva, aproveitando também para descarregar a memória da câmera do Érik em um CD (R$ 11). Fomos à lagoa da Pampulha para conhecer a igreja de São Francisco de Assis (projeto de Niemeyer). Estava em reforma. Só foi possível fotografar por fora. Fomos visitar o tio Issáo e a tia Marilce, onde ficamos grande parte da tarde e noite. À noite, saímos junto com eles para conhecer alguns pontos turísticos, como a vista da cidade no mirante (local alto e interessante, bem próximo ao centro), a Ladeira do Amendoim, uma rua onde o carro em ponto morto parece subir e, finalmente, a Praça da Liberdade, onde fica o palácio do governo, toda decorada para o Natal, com os edifícios públicos iluminados, cada um de uma cor. Fomos dormir tarde.
Palácio do Governo de Minas
23/12/04 – Belo Horizonte – Conceição do Mato Dentro:
O café da manhã do Érik (através da carteirinha de estudante) também era válido para um acompanhante. O gerente, num ato muito simpático, estendeu aos dois acompanhantes, o que foi ótimo. Desde o dia anterior tentamos por diversas vezes ligar para minha tia Nair, que está morando em BH. Ninguém atendeu. Desistimos. Com tempo ruim e trânsito idem, demoramos muito para cruzar a cidade. A sinalização do anel viário também não ajudou muito, fazendo com que perdêssemos um pouco mais de nosso tempo tentando sair da cidade. Como o tempo não estava bom para ver cachoeiras, resolvemos parar para conhecer a gruta da Lapinha, que não estava em nossos planos.
Gruta da Lapinha
Grande surpresa. De longe a mais bonita das três que conhecemos. O teto é, em diversos locais, gasto por movimentação d’agua, um rio subterrâneo ou a caverna estando coberta pelo próprio mar. Formações parecidas com cascatas.
Gruta da Lapinha
Estradas sinuosas nos levaram para Conceição do Mato Dentro, via Serra do Cipó. Um trecho com 20 km de terra com muitos buracos e lama na famosa ESTRADA REAL causou certa apreensão. O medo maior era atolar em trechos com mais de 50 metros de lama. Ao subir a Serra do Cipó, notamos certa profusão de rochas agudas, todas apontadas para o mesmo lado, o Sudoeste, chamadas de “Serrotes”. As explicações técnicas apontam tanto a erosão (ventos e marés) quanto para os dobramentos (movimentação de placas). Chegamos a Conceição antes das 17:00 hs, mas tarde para conhecer a cachoeira do Tabuleiro. Na frente da prefeitura, pedimos informações sobre a cachoeira, muito provavelmente ao próprio prefeito, que nos enviou diretamente ao secretário da cultura, onde recebemos várias dicas, mostrando fotos de outras lindas cachoeiras, como a do Rabo de Cavalo e a Peixe Tolo. Nosso objetivo maior era a do Tabuleiro, eleita pela 4Rodas como a mais bonita do Brasil. Ele falou para solicitarmos um guia credenciado na vila do Tabuleiro. Disse também que há duas formas de conhecer a Cachoeira do Tabuleiro, até a base, em uma caminhada difícil, ou através do Mirante. Tiramos algumas fotos da cidade, bem bonita e fomos à Pousada Serra Velha, linda, limpa, bem ajardinada, com um laguinho com patos e tartarugas. Parecia recém inaugurada, mas já tinha mais de um ano. Muito bem cuidada pelo Alan, o seu proprietário. Era inicialmente apenas um restaurante (também muito bom, onde jantamos). Após uma forte tempestade, saí sozinho para fotografar uma igreja com uma iluminação bonita. A igreja é muito parecida com a de Cuiabá.
24/12/04 – Conceição do Mato Dentro - Diamantina:
Além da tromba d’agua da noite anterior, choveu muito também durante a madrugada. A chuva parou durante nosso café da manhã (9 hs). O Alan, dono do Hotel havia ligado para Tabuleiro (o povoado), para checar com o guia se o passeio seria ainda possível. Negativo. Partimos então para Tabuleiro, por volta das 12:20 hs para a vista panorâmica, que não necessitava do guia. Não chegamos a rodar 1 km na estrada para Tabuleiro. Péssimas condições (muita lama). Desistimos e partimos para Diamantina. Foram 65 km até Serro, cidade bonita e histórica onde tiramos diversas fotos.
Serro
A estrada ainda é a Estrada Real, que passa por lindas paisagens, com cachoeiras, serras e riachos. Chegamos ainda de tarde em Diamantina, Patrimônio Cultural da Humanidade, com suas vielas e sobrados coloniais, uma cidade fora de série. Muito bonita e movimentada. Voltamos para entrada da cidade e ficamos no Hotel Estilo de Minas, bom e novinho. Paramos também em uma loja de pedras preciosas e semi-preciosas. Conversamos muito com os proprietários da loja, que nos mostraram tudo, inclusive as pedras preciosas. Impressionante a quantidade de pedras ali existentes. Durante a noite voltamos para o centro para passear e tirar algumas fotos a mais.
Diamantina
Deixar um local para trás sem visitar, como a cachoeira do Tabuleiro dá uma sensação de perda, mas também é um grande incentivo a voltar, talvez em dois ou três anos.
25/12/04 – Diamantina - Caraça:
Natal. Começamos o dia com um passeio à Biribiri, nas proximidades de Diamantina, cidade praticamente desabitada. Chegamos próximo, faltando apenas 1 km, mas as fortes chuvas dos últimos dias fez com que a ponte caísse, não permitindo nossa passagem. Como fomos alertados algumas vezes para não deixar nosso carro sozinho com bagagem, resolvemos seguir o bom senso e também deixar este passeio para uma outra oportunidade. Fomos à cachoeira do Cristal, mas também por motivo de segurança, visto que não havia mais ninguém, tiramos fotos de longe. Já a cachoeira da Sentinela, mais bonita, estava bem movimentada. Paramos, exploramos e fotografamos. É uma cachoeira em 3 níveis. Voltamos à Diamantina para conhecer, ainda que apenas por fora, a residência do Juscelino Kubitschek e a Casa da Glória, que era um orfanato e educandário, e hoje é um espaço cultural. Um passadiço, espécie de ponte fechada de madeira sobre a rua, interliga os dois edifícios. Como era feriado, foi difícil achar um local para almoçar. Fomos achá-lo na saída da cidade, em um posto BR, com uma boa comida por quilo. Durante toda a tarde dirigimos em estradas secundárias até Caraça. Muita chuva, um pouco de sol e mais chuva. Entramos no parque do Caraça (o parque é uma propriedade particular da Igreja Católica), onde fica a igreja na qual os padres alimentam o(s) lobo(s)-guará, que “religiosamente” aparece(m) todas as noites na entrada da igreja. A entrada do parque custa R$ 10, dedutível na diária do hotel do complexo. O problema é que a portaria fecha às 21:00 hs e é distante da igreja. No horário de verão é pouco provável que o(s) lobo(s) apareça(m) antes das 20:30 hs. Deveríamos então ficar hospedados, mas o preço mais baixo de R$ 157 com pensão completa estava bem acima do nosso orçamento e da média da viagem. Desistimos, mas uma hóspede ficou sensibilizada com a vontade do Érik de ver o(s) lobo(s) e foi falar com o padre. Após muita negociação, obtivemos um grande desconto, pagando R$ 70 apenas com o café da manhã.
Lobo-guará no Parque do Caraça
Havia muita gente olhando, filmando e fotografando, mas isto não inibiu o lobo, que apareceu diversas vezes, o que não acontecia há muito tempo. Seu maior medo é que alguém fechasse sua rota de saída, pela escada frontal. Eles têm um comportamento selvagem, passam o dia caçando e complementam sua alimentação à noite, na igreja. A forte mandíbula permite que eles mastiguem ossos de forma bem fácil.
Parque do Caraça
O quarto, no qual ficamos, estava razoavelmente mofado.
26/12/04 – Caraça - Congonhas:
Saímos do Parque e passamos por Catas Altas, onde há uma pequena e bonita igreja sobre um morro, na frente ao maciço de Caraça.
Catas Altas
Passamos por Mariana, fotografando seu centro histórico e visitamos uma mina de ouro desativada em 1985 para a extração, mas aberta ao turismo. R$ 17 para os adultos e R$ 12 para crianças. Em uma extensão de 315 metros, descemos até 120 metros de profundidade, por um carrinho no trilho movido por cabos de aço, que desce rapidamente. Pessoas muito altas devem tomar cuidado para não bater a cabeça na entrada do túnel. Não se pode de forma alguma ficar de pé no carrinho. Grande parte dos túneis está submersa pelo lençol freático, pois as bombas que mantinham o local seco há muito foram desligadas. Alguns pontos são bem iluminados (artificialmente). A água é imprópria para consumo. É um excelente passeio, valendo a pena conhecê-la. No final, além da loja de souvenirs, os guias mostram como se separa o ouro dos outros minerais, quando de sua extração (no caso das minas, o ouro está incrustrado nas rochas, não sendo encontrado em forma de pepitas). Em Ouro Preto, passeamos bastante pela cidade, pela feira de artesanato e pelas lojas. Após o almoço, eu visitei a Igreja Matriz de N. S. do Pilar muito rapidamente, onde não é permitido fotografar ou filmar. O próximo destino foi Congonhas, após passar por Ouro Branco, onde lanchamos em uma “Empadaria” muito boa. Nunca vi tanta diversidade de empadas. Em Congonhas fotografamos os Profetas (obras de Aleijadinho, em frente da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matozinhos). A luz fraca do fim de tarde não permitiu que as fotos ficassem boas. Acabamos ficando na cidade, onde saímos à noite para tomar sorvetes.
27/12/04 – Congonhas – Juiz de Fora:
Agora sim, com a iluminação da manhã, as fotos dos profetas ficaram melhores.
Basílica do Senhor Bom Jesus de Matozinhos em Congonhas
Pegamos a BR 040 com destino a São João Del Rey. Saímos na Estrada Real e, ao chegar, passamos por um interessante (e caro) fabricante de objetos de estanho. As peças realmente são bonitas. Um cálice de R$ 10 foi nossa compra. O ponto alto é a igreja São Francisco de Assis, com altíssimos coqueiros à sua frente. Almoçamos e seguimos rumo à vizinha Tiradentes, onde caminhamos muito. O único incoveniente é o cheiro do estrume dos cavalos das charretes. Iríamos visitar Aiuruoca e Ibitipoca, mas acabamos desistindo, pois as trilhas parecem ser longas (na realidade resolvemos trocar por uma visita ao Parque de Serra da Canastra). Seguimos para Juiz de Fora. As estradas no eixo Tiradentes – Barbacena - Juiz de Fora estavam muito ruins, com buracos e trechos em obra de duplicação. Em Juiz de Fora, cidade de grande porte, mas apertada entre montanhas, tivemos dificuldades para encontrar um hotel. Ficamos no centro, mas o que nos preocupou foi deixar a chave do carro com o manobrista, pois muita bagagem fica no carro. Saímos para tomar um lanche e, mais tarde, eu e o Érik fomos passear no calçadão, que é bonito e movimentado. Interessante a afinidade do povo de Juiz de Fora com o Rio de Janeiro (inclusive no futebol, onde a torcida para Vasco e Flamengo é maior do que do Cruzeiro e Atlético). O atendente do Hotel disse que alguns viajantes provenientes de Belo Horizonte solicitam apartamentos com vista para o mar (“vocês não são cariocas?”).
28/12/04 – Juiz de Fora - Itatiaia:
Nossa rota com destino à Itatiaia passou pela BR 040 e BR 353. Paramos em um posto na estrada, onde almoçamos bem. Buscamos informações sobre o passeio de Maria Fumaça em Paraíba do Sul, a qual estava fechada por problemas técnicos. Em seguida paramos para ver um parque aquático chamado “Águas Quentes”, interessante parque que custa R$ 35 ou R$ 25 (se entrar após as 14:00 hs). A água é aquecida a cerca de 26°C e há um toboágua interessante (muito, mas muito alto), além de piscina com ondas e rio com bóias. É uma boa opção de passeio. Entramos no Parque Nacional de Itatiaia (parte baixa), onde visitamos a cachoeira de Maromba e a cachoeira Véu de Noiva (nome bastante original...).
Parque Nacional de Itatiaia – parte baixa
A cachoeira de Itaporani estava fechada (muita água no rio) e não foi possível visitar a cachoeira Poranga por falta de tempo (não é permitido iniciar a caminhada após as 16:00 hs). Na saída paramos no mirante “Último Adeus” onde é possível ter uma vista panorâmica de toda parte baixa do parque. Reservamos um hotel próximo à entrada do parque (com uma pequena cachoeira em sua parte de trás). Fomos para Penedo, que está cada vez mais bonita. Jantamos num shopping em Rezende, onde eu estava procurando um lugar para descarregar o cartão de memória em um CD, mas não encontrei.
29/12/04 – Itatiaia - Baependi:
Pela primeira vez saímos antes das 7:00 hs. O tempo estava fechado, o que preocupava, mas tínhamos esperança de que as nuvens estivessem abaixo da altitude do Alto de Itatiaia. Subimos a Serra para Itamonte. Quando a subida estava quase terminando, começamos a deixar as nuvens para baixo. Os raios de sol penetravam na neblina entre as árvores, formando uma paisagem mágica. As fotos ficaram ótimas.
Subida para Itatiaia – parte alta
Pegamos uma estrada de pedras até a entrada do Parque (7 km de subida ao sair da estrada), a uma altitude de 2400 metros. A entrada custa R$ 3 por pessoa e o carro não paga (na parte baixa é cobrado R$ 3 pelo carro). Mas o carro deve ser deixado apenas 200 metros após a portaria. Não estávamos entendendo porque não poderíamos seguir adiante pela estrada com o carro. Ocorre que há poças com girinos, que estão sendo preservados. No início da trilha já é possível ver o maciço de Agulhas Negras. Seguimos em frente e tomamos água no “abrigo Rebouças”. Daí em diante, pouco sobra da estrada, com muitas pedras em alguns trechos e buracos em outros. Chegamos a um local onde foi possível observar o maciço das Prateleiras, embora com menor altitude, mais bonito do que Agulhas Negras. Voltamos ao carro após caminhar 7.200 metros. Paramos para um delicioso almoço caseiro em Itamonte, na “Pastelaria da Rainha”. Em São Lourenço, por R$ 12, consegui transferir as fotos para um CD, abrindo espaço para mais fotos. Os hotéis de Caxambu estavam muito caros, portanto seguimos para vizinha Baependi, nos hospedando na Pousada Hotel São Miguel. Tomamos sorvetes no fim da tarde.
30/12/04 – Baependi – Boa Esperança:
Um passeio pelo Parque das Águas em Caxambu com direito a Teleférico e pedalinho (apenas a Inês e o Érik passearam no pedalinho), ocupou todo o período da manhã. Almoçamos bem, por quilo, na avenida em frente da portaria do parque. Seguimos adiante passando por Cambuquira e Varginha, onde tomamos sorvetes. Varginha é uma cidade razoavelmente grande, mas bem organizada e bonita. Em Boa Esperança, já no Hotel, começamos a tentar ligar para nossos amigos José Maria e Sueli. O número de telefone que tínhamos não existia mais. O gerente do Hotel nos ajudou bastante, perguntando, via telefone, para muitos, se conheciam o José Maria. Ninguém. Mas algumas dicas nos levaram a um posto na entrada da cidade, onde nos indicaram o Sr. José Idôneo, que indicou o Sr. Amado, que por fim era parente do José Maria. Conseguimos. Ficamos das 18:00 hs às 23:00 hs na casa deles.
31/12/04 – Boa Esperança - Passos:
Dormimos até mais tarde. Tomamos o caminho para Capitólio via Guapé. A balsa é bem demorada. Foi quase uma hora entre espera e travessia. O problema é que ela interliga 3 pontos, tornando a operação mais complicada. Mais uns 25 km de terra e chegamos a Capitólio. Nenhum restaurante razoável aberto. Pegamos a estrada para Passos e paramos para almoçar no Turvo, onde saem os passeios de barco para os canyons de Furnas. O restaurante é muito bom, mas estava lotado, demorando uma hora para sair o nosso pedido. Talvez a demora seja em função do Reveillon. Paramos em um rio que deságua no canyon de Furnas. Os rios da região têm coloração ferrugem, devido aos minérios existentes na região. Em seguida, passamos no Paraíso Perdido, um camping em frente a uma série de cachoeiras, que havíamos conhecido há 6 anos. Como, devido ao grande volume d’agua não seria possível subir às próximas cachoeiras, o proprietário do Camping não estava cobrando a entrada (R$ 7 por pessoa, caso não acampasse). O Érik e eu ficamos por algum tempo na água. Seguimos para Passos, onde encontramos um hotel bem legal por R$ 60. Fomos a pé ao Centro para tomar sorvete, onde o Érik aproveitou para fazer um passeio de “trenzinho” pela cidade por R$ 2. Descansamos um pouco (roncando) e, às 23:40 hs voltamos, agora de carro, ao Centro para ver a festa. Achamos um pouco perigoso, pela presença de muitas pessoas estranhas na praça. Os fogos foram poucos e bem espalhados. Voltamos rapidamente ao Hotel para ver as festas na TV.
01/01/05 – Passos – Piumhi:
Saímos de Passos com destino a São João Batista da Glória para entrar no Parque Nacional Serra da Canastra.
Parque Nacional Serra da Canastra (Casca D’anta ao fundo)
Atravessamos uma balsa que não consta no mapa. Mas como o sistema de balsas é muito eficiente, isto não foi problema. Mas, em São João Batista, informaram-nos que nosso carro não passaria pela estrada, que existe, mas é muito ruim. Tivemos que voltar até Capitólio e entrar em Piumhi. Após alguns quilometros de asfalto, entramos em uma estra...
De Carro pelo Brasil (Etapa 3 – Expedição Água e Areia)
De Carro pelo Brasil (Etapa 3 - Expedição Água e Areia)Expedição de automóvel feita pela família Bonagamba em Julho de 2008, atravessando 14 estados do Brasil, com muito Sol, Água e Areia pelo caminho
São Bernardo - Belo Horizonte - 614 km - Dia de Estrada
Difícil sair cedo. Mesmo tendo dormido muito pouco e acordado às 5:30 hs, só conseguimos sair pouco antes da 7:00 hs. Passamos rapidamente por São Paulo, parando apenas para um café, já em Minas e, algumas horas depois, num posto Graal muito bom, próximo a Lavras. Além de ter uma lanchonete NYG, que só havia visto no Shopping Tatuapé, com muitos objetos decorativos de New York e dos Giants, há um restaurante por quilo, com uma decoração típica mineira bem interessante, com fachadas de igrejas e construções históricas. Almoçamos ali mesmo. Chegamos em BH por volta das 15 hs, passando rapidamente para confirmar o hotel F1 que havíamos reservado e indo em seguida à casa de nossos tios, Issau e Marilce, onde ficamos até as 20 hs. Dormimos relativamente cedo.
Belo Horizonte - Diamantina - 366,5 km - Cachoeira
Não ouvimos o despertador e acordamos quase 8 hs. Seguimos para Lagoa Santa, por uma rodovia novinha, onde pegamos a estrada para Conceição do Mato Dentro. Passamos pela Serra do Cipó, onde a proliferação de pousadas nos surpreendeu. Em 2004 não havia quase nada e hoje parece a região de Penedo (RJ). Atravessando a serra, o tempo começou a piorar. Neblina e frio. Almoçamos em Conceição e fomos rumo a Tabuleiro.
Cachoeira do Tabuleiro
Um passeio de 2 a 3 horas, partindo de Conceição e voltando para lá. Este tempo depende se for até um ponto onde se vê a cachoeira de longe, ou se optar por chegar até sua base. Ficamos com a opção mais fácil, visto que o volume d`agua era bem inexpressivo. Estrada de terra ruim, tanto no caminho para Tabuleiro, quanto o restante até Serro. No caminho para Serro, na Estrada Real, sol de frente em meio a árvores prejudicam bastante a visão. Paramos em Serro para algumas fotos e, já anoitecendo, abastecemos e fomos a Diamantina, onde tiramos apenas algumas fotos a noite (Domingo, tudo fechado e com pouco movimento). Comemos uns lanches na lanchonete do posto ao lado do hotel que ficamos (Hotel Estilo de Minas, o mesmo que ficamos em 2004).
Diamantina - Vitória da Conquista - 598,2 km - Estrada de terra
Noite fria. Pela manhã passamos pelo centro de Diamantina, principalmente no Instituto Casa da Glória, onde há uma interessante passarela que interliga as duas antigas casas. Passamos também em frente à antiga residência de Juscelino Kubitschek.
Diamantina
A estrada para o norte é muito boa, além de passar por bonitas paisagens, em locais com as formações parecidas com as das Chapadas, principalmente a mais próxima, a de Diamantina. A surpresa foi encontrar 100 km de terra, uma vez que utilizamos o google maps para mostrar o melhor caminho. Provavelmente tenha escolhido o mais curto, o que atrasou a viagem. Paramos para almoçar em Araçuai, às 14 hs. Chegamos a Vitória da Conquista às 19 hs, onde paramos em um posto para lanchar e dormir no hotel da rede Flecha (R$ 70).
Vitória da Conquista - Lençois - 441,8 km – Chuva
Entramos na rodoviária de Vitória da Conquista para sacar no caixa 24 hs e pegamos o anel viário para seguir em direção à Chapada. A falta de sinalização é um problema sério em toda a Bahia. Passamos a entrada, tendo que voltar uns 5 km. As estradas até que estavam bem conservadas, mas a passagem por dentro de pequenas cidades fez com que perdêssemos muito tempo. O tempo fechou nas serras e, ao parar para almoçar, perguntamos se faltava muito para Ibicoara, onde fica a cachoeira do Buracão. Já tínhamos passado 16km da entrada. Resolvemos, devido à chuva, desistir. Fomos rumo ao norte, passando por Palmeiras (66 km de terra), até pegar a BR para Irecê, para gruta de Torrinha. Eu já havia ido em 2002. Como a gruta é seca, convenci a Inês e o Érik a irem também. Escolhemos o passeio 3, de 90 minutos (em 2002 fui na opção 2). Só eu gostei. Há pelo menos duas formações que só existem ali. Uma delas é uma pequena estalactite que começou a crescer para o lado e curvando-se para cima, formou uma esfera cheia de "espinhos".
Gruta da Torrinha
Em Lençois, após forte chuva na estrada, ficamos na pousada Aguiar (vizinha à famosa pizza na pedra). Bem limpinha, foi a opção mais em conta das que pesquisamos (R$ 90). A pousada de Lençois, que havíamos ficado em 2002, com desconto, agora chegava a R$ 170. Jantamos pizza.
Lençois - Salvador - 505,5 km - Paisagens
Novamente sob tempo ruim, e um pouco de chuva na estrada, fomos ao Morro do Pai Inácio, uma das mais belas vistas da Chapada.
Morro do Pai Inácio
Apesar das nuvens, a vista estava bonita. Não tinha guia e fomos sozinhos. Tranquilo. Embora os 60 km iniciais estejam bem recapeados, o restante da estrada até Salvador tem muitos buracos. Trânsito ruim no anel viário de Feira de Santana. Chegamos a Salvador à noite, e fomos ao Bahia Flat (dica do viajar barato da 4 rodas), apartamento por R$ 110, localizado a 200 metros do Farol da Barra. Tentamos chegar ao Pelourinho, mas deu um pouco de medo, além da chuva que começou novamente. Fomos então jantar no Shopping da Barra.
Interessante - combustível aditivado na Bahia tem o preço quase igual ou mesmo igual ao comum.
Salvador - 138,5 km - Visita a amigos – Cidade grande
Passamos no farol da Barra, tiramos fotos e pegamos um táxi, já fechando o preço em R$ 12 até o Mercado Modelo. Subimos o Elevador Lacerda e fomos dar uma volta no Pelourinho. Comemos salgados e sorvetes em uma sorveteria (Cubana), fundada em 1930, por sinal, muito boa. Como chovia e tinhamos muitas compras para carregar, deixei a Inês e o Érik no Mercado Modelo e fui, de ônibus, buscar o carro. Seguimos em direção ao litoral norte, visitando Jardim de Alah, Farol de Itapuã e Lagoa de Abaeté.
Farol de Itapuã
Voltamos ao hotel para um banho e fomos jantar na casa de nossos amigos Paula, Laerte e seus filhos Arthur e Lucas, em Lauro de Freitas. Voltamos depois da 1 da manhã.
Salvador - Aracaju - 419,3 km - Praia e estradas
Acordamos novamente com chuva. Passamos primeiramente por uma loja de conveniência para o café da manhã e pelo banco para sacar um pouco de dinheiro. Passamos por Monte Gordo, onde ficamos mais de uma hora procurando o projeto Acauã, de nossos amigos Manoel e Ana. Encontramos o local, mas eles não estavam por ali. Deixamos um bilhete de saudação. Tiramos algumas fotos na Praia do Forte. Tentamos entrar na Costa do Sauípe, mas não é permitida a entrada de não hóspedes (há um tipo de day use, mas não estava funcionando). A Inês dirigiu por umas duas horas e, ao anoitecer (17:30 hs), voltei ao volante até Aracaju, onde primeiramente paramos em um Shopping e depois fomos procurar hotel (Solemio por R$ 130).
Aracaju - Maceió - 323,5 km – Estrada e chuva
Só chuva. Vimos a bonita praia de Atalaia, uma larga avenida com diversas atrações, como restaurantes, quadras, oceanário, lagos, estacionamentos e bares. Um lugar muito bonito, um dos melhores até agora. Infelizmente chovia. Após a Inês ir à feira de artesanato, fomos ao outro shopping para almoçar. Estrada com chuva até Maceió. Basicamente as estradas estaduais estão boas e as BRs, esBuRacadas. Ficamos no Hotel Solara, por R$ 120 e fomos comer no rodízio de Pizzas.
Maceió - 23 km - Visita a amigos
Combinamos com a Angélica, amiga da Inês, passear juntos pela manhã. Saímos com destino a Gunga por volta das 11 hs.
Praia do Gunga
Fomos inicialmente ao mirante e depois entramos pela portaria da polêmica fazenda (o acesso é privativo e costuma causar polêmicas). Não houve qualquer problema. Almoçamos em um restaurante na beira da lagoa de Mundaú. Peixes e camarão, com suco de Graviola. Uma delícia. Só não conseguimos pagar. Não sei como a Angélica fez, mas já estava pago. Passamos a tarde/noite na casa da Angélica e Álvaro, casal muito divertido. Trocamos de hotel. O Solara era bem ruim. Ficamos no Ritz, bem melhor (por R$ 130).
Maceió - Maragogi - 134,5 km - Sol e mergulho
Finalmente sol. A idéia original era ir de Jangada às piscinas naturais de Pajuçara. Mas o Érik preferiu as de Maragogi. Fotografamos Pajuçara agora com sol e saímos rapidamente para Maragogi.
Praia de Pajuçara em Maceió
Chegamos às 11 hs, horário de saída dos barcos aos recifes (horário que varia conforme a maré - melhor sair 2 hs antes da baixa). Com preços tabelados, não tivemos muita escolha. Apenas o Érik e eu fomos ao passeio por R$ 30 cada. A Inês preferiu ir às compras. Enquanto eu ficava flutuando o Érik iria fazer diving, por mais R$ 60, mas começou a chover e ele desistiu. Ao voltar, almoçamos peixe e fomos à pousada Água del Fuego, a mesma que ficamos em 2002. Pagamos R$ 80. Agora aguardamos a volta da energia elétrica.
Maragogi - João Pessoa - 309 km - Cidade grande
Há uma boa opção de restaurante 10 km ao norte da cidade, bem como um bom hotel seguindo mais 3 km. Entramos em Pernambuco e paramos, a pedido do Érik, para tirar fotos de Porto de Galinhas. Depois passamos na praia de Boa Viagem, no Recife. Almoçamos comida regional no Shopping Recife. Chegamos a João Pessoa às 19 hs, sob forte chuva. Ficamos no excelente Hotel Solar Filipéia, novo, espaçoso, confortável, com tv a cabo e wi-fi, por R$ 120. Como fica bem próximo à praia de Tambaú, a Inês foi à feira de artesanatos e o Érik, comer no McDonald`s.
João Pessoa - Natal - 287,2 km - Feira de Artesanato
Feira de artesanatos pela manhã e dúvidas sobre o que fazer. Já era quase meio-dia e ninguém estava com fome. Mas as opções em João Pessoa eram boas e na estrada não sabíamos o que iríamos encontrar. O problema foi resolvido após eu errar e pegar a BR230 (que, lá pelo Pará torna-se a transamazônica) para o lado de Cabedelo. É um porto e não há opção de balsa para o lado norte. Voltamos para João Pessoa e almoçamos peixe. Em seguida pegamos a rodovia BR101 para Natal, que está em processo de duplicação (desde Recife). Devido às obras, creio eu, faltam indicações, uma delas a entrada para Tibaú do Sul. O pior é pegar um desvio com tráfego parado na ida e na volta, para corrigir o erro. Chegamos a Tibaú e o sol já estava quase se pondo.
Tibaú do Sul
Tempo suficiente para umas fotos. Pegamos a balsa para o norte (caminho mais curto que evita a BR101), e, junto com um guia (R$ 10 da balsa e R$ 15 do guia), enfrentamos um trecho com cerca de 4 km de areia (com direito a uma encalhada). Já em Natal não foi muito fácil encontrar hotel (ou lotado, ou ruim ou caro). Ficamos no "O Tempo e o Vento" por R$ 100 a diária (pagando com cheque). Parece bom e a piscina é bem bonita. Comemos pizza no Shopping.
Natal - Litoral norte - Natal - 168,6 km - Dunas e Praias
Após chover forte pela madrugada e um pouco na estrada, chegamos com belo sol em Genipabu. Diversos guias e bugueiros quase se jogam na frente do carro pelo caminho. No fim da rua, já junto às dunas, estacionamos por R$ 2 e o guia Carlinhos nos informou o preço dos passeios. R$ 110 pelo buggy nas dunas fixas e móveis (estas últimas dentro do parque estadual), com R$ 5 por pessoa para entrada no parque e R$ 50 para ele ser nosso guia nas praias do norte. O buggy foi "com emoção", um passeio realmente show. Diversas paisagens muito lindas e subidas e descidas bem radicais. Depois fomos ao norte. Não são apenas os R$ 50. Tem também 2 balsas de R$ 10 cada, o almoço (bem caro, um prato de peixe para 2 que serve bem 3, por R$ 55, mais bebidas e 10%, lá foi a conta para casa dos R$ 68 - a outra opção é o buffet por R$ 27 por pessoa), mais o rapaz que lava o carro - R$ 5. Quanto ao passeio, é bem interessante. O carro passa por muita areia, riachos e água do mar. Passamos por Barra do Rio, Lagoa de Jacumã, Maxaranguape, Cabo de São Roque (ponto mais próximo da África), dunas douradas e Lagoa de Pitangui. Tem uma cachoeira no roteiro, que é o local menos interessante, não chega a um metro de desnível. O Érik fez Sky-bunda e aero-bunda no Jacumã. Voltamos e deixei a Inês na feira de artesanato enquanto fui ao aeroporto checar a distância e preço do estacionamento (a primeira diária é de R$ 25 e as demais, R$ 10). Arrumamos a bagagem para o vôo para Noronha.
Maxaranguape
Natal - Noronha - 15 km - Vôo
De malas prontas, fomos pela manhã ao aeroporto. Embarcamos no vôo compartilhado entre TAM e TRIP (compramos a passagem pela TAM, mas o vôo é da TRIP). Na chegada o comandante deu uma volta pela ilha para podermos visualizar melhor. Muito lindo.
Fernando de Noronha
O Maximiliano, da Pousada Algas Marinhas estava nos aguardando para o traslado, com sua Dobló. Pousada legal (R$ 1320 por 4 dias), um pouco acima da média das pousadas genéricas (as quais compra-se sem saber exatamente para qual será destinado). Almoçamos no Flamboyant (R$ 26,90 / kg), um almoço bom e não tão caro quanto imaginávamos. Fomos a pé às praias do Cachorro e do meio, mas pegamos parte da chuva que insiste em nos seguir. Acertamos o mergulho (R$ 499 para 2 mergulhos para o Érik e para mim) na Atlantis. Jantamos no Flamboyant.
Noronha - 0 km - Mergulho autônomo Choveu durante a madrugada e ainda chovia bem, com bastante vento ao acordarmos. O café começa às 7 hs e o pessoal da operadora de mergulho começa a passar na Pousada por volta das 7:15 hs, mas sem esquema certo. Passaram antes das 7:30 hs. O barco é bem estruturado. Foi definido que iríamos para Cordilheira e Ilha do Meio. Eu estava passando mal, por conta de sair da rotina matinal, e, principalmente pelo balançar do barco enquanto ajustávamos os equipamentos. Desci mareado e com azia. Tive muita dificuldade de equilíbrio e meu ar acabou bem cedo. O Érik aproveitou melhor e ficou bem mais tempo, o que permitiu que ele visse arraia, tartarugas, etc. Eu consegui ver peixes realmente fascinantes. Um deles, grande, redondo, com as bordas num brilhante azul. Muito bonito. Desisti do segundo mergulho e tomei um Dramin. Dormi um pouco enquanto o Érik e os demais mergulhavam. O Érik fez muito esforço contra a correnteza e também não passou bem. Tomou Dramin e dormiu a tarde inteira enquanto eu e a Inês (que ficara na praia do Meio pela manhã) fomos de ônibus, logo após o almoço, ao Sueste, bonita praia com um mangue ao seu lado. Tiramos fotos e pegamos o ônibus novamente rumo ao porto. Vimos a praia Buraco da Raquel e pedaço da Air France. O tempo nublado nada ajudou para fotos hoje. Jantamos e fomos ao Projeto Tamar assistir uma palestra sobre raias.
Noronha - 0 km - Ilhatour Começamos o Ilhatour, de buggy, com o guia, motorista e mergulhador Wellington, após as 8 hs. Fomos inicialmente a Air France, Porto e Caieiras, local que eu e a Inês havíamos visitado ontem. Em seguida fomos aos mirantes de Sancho e Porcos.
Baia do Sancho
O tempo permitiu fotos, mas quando fomos descer para o Sancho, caiu a maior chuva. Esperamos diminuir e pegamos a fila para descer os 17 + 11 degraus em escadas de ferro no meio das rochas. Fizemos snorkeling e, mesmo com chuva, é impressionante a quantidade de peixes e raias. Em seguida fomos almoçar e conhecer a linda praia da Cacimba do Padre, caminho para chegar a Baia dos Porcos, onde também choveu forte.
Baia dos Porcos
Também mergulhamos em Porcos, vendo tartaruga, lagosta, raias e diversos peixes. Em seguida, Praia do Leão, local de desova das tartarugas e Praia Sueste, onde mergulhamos para ver tartarugas. Vimos apenas 3 e as condições de visibilidade eram ruins. Fomos para Boldro e Conceição antes de encerrar o Ihatour. Custou R$ 180 para os 3 e valeu bem a pena. Recomendo os serviços do Wellington, muito flexível para nos mostrar o melhor da ilha. Somente o Érik teve vontade de ir jantar.
Noronha - uns 20 km de buggy - Passeio de barco Embora estivesse chovendo às 7 hs, levantamos e ligamos para o escritório da Na Onda, que opera barcos de turismo. Combinamos por R$ 65 por pessoa o passeio pelo Mar de Dentro. Uma Van com ar condicionado nos levou ao porto. O tempo melhorou e ficou bom o dia inteiro, graças a Deus. Fizemos o passeio que durou cerca de 3 horas, com parada para snorkel em Sancho. Ao sair de Sancho tivemos o acompanhamento de golfinhos. Muito legal.
Golfinhos
Finalizado o passeio, ficamos na Vila do Trinta para tentar alugar um buggy. Procuramos em 3 lugares. Fomos encontrar no último um bonito e (aparentemente) bem conservado buggy amarelo. R$ 100 por 24 horas, mais o combustível que colocamos, 10 litros a R$ 3,75 o litro. Almoçamos e fomos a praia do Leão e, depois de dois apagões no veículo, ligamos para o Mauricio, que nos alugou. Perdemos cerca de uma hora, tempo que demorou a chegar os dois mecânicos. Fios elétricos foram trocados (muito oxidados) e foi ajustada a embreagem. Fomos depois à praia dos Porcos, onde fizemos mais snorkel, com raias e tartarugas. No final do dia fomos ao porto tentar ver tubarões que se concentram em frente a um tipo de mercado de pescados (associação dos pescadores), mas eles não aparecem em maré baixa. A Inês e eu jantamos e fomos à palestra de golfinhos do IBAMA.
Noronha - Natal - uns 25 km de buggy e 29,7 km - Vôo Enquanto o Érik continuava dormindo, a Inês e eu fomos aos mirantes do Sancho e Porcos, agora com um pouco mais de sol. Pegamos o Érik na pousada e fomos a enseada dos tubarões e ao museu dos tubarões onde comemos bolinhos de tubalhau. Fomos então ao porto, mergulhar no navio naufragado.
Naufrágio no Porto
Maior do que eu imaginava, é um naufrágio bem interessante. Ainda fomos a Praia da Conceição, onde também mergulhamos.
Praia da Conceição e Morro do Pico
Almoçamos, arrumamos tudo, devolvemos o buggy e fomos ao aeroporto. O vôo atrasou uns 40 minutos. Em Natal, fomos garantir o hotel que havíamos reservado e procurar um lugar para carregar a bateria da câmera do Érik (cujo carregador foi esquecido em casa). Não conseguimos e jantamos no Shopping Natal (o maior da cidade - jantei no excelente fast food chamado Bonaparte camarões com feijão fradinho - prá lá de bom).
Natal - Sousa - 440,6 km - Estrada Até as 10 hs sofri para tentar corrigir o problema com o rack e o Thule. Ocorre que desde o segundo dia o rack começou a ir para frente (principalmente nas estradas de terra, em algumas freadas antes de buracos e lombadas). Chegou num ponto de risco. Esvaziei e retirei o Thule, mas tive problemas para apertar os parafusos já com as travessas na posição certa. As porcas não tinham espaço para serem presas. Uma chave allen foi usada para travá-las. Finalizado o serviço, passamos pelo morro do Careca para algumas fotos e seguimos para Sousa, na Paraíba, onde ficamos no muito bom Hotel Jardim Plaza por R$ 115. O sertão está bem verde. Com as chuvas, as vegetações estão florindo e os açudes estão transbordando.
Interior do Rio Grande do Norte
Sousa - Fortaleza - 555,5 km - Dinos Acordamos cedo e fomos ao Vale dos Dinossauros, local que abriga mais da metade das pegadas de dinossauros do mundo. São também as mais bem preservadas (pela natureza, não pelo poder público, que não cuida do local) que existem. Impressionante a sequência de pegadas dos velociraptors e do Iguanodonte.
Pegadas de Dinossauros
O problema é que, embora as pessoas que cuidam sejam determinadas e trabalhadoras, o parque está abandonado pelo poder público. Não há cobrança de entrada, apenas contribuímos com o guia. Falta dinheiro para arrumar o canal de desvio do rio, que tem transbordado e provoca danos às pegadas. Milhões de anos de história podem ser perdidos em poucos anos. Estrada até Fortaleza, parando para almoçar em Jaguaribe. Ficamos no Hotel Praia 2000, na Praia do Futuro, por R$ 100. Jantamos no Shopping Iguatemi, onde o Érik finalmente achou uma loja onde carregaram a bateria de sua câmera. Incrível que nestes dois dias, em quase 1000 km de estradas, com trechos de pista dupla e mesmo trechos bons de pistas simples, o limite foi sempre de 80 km/h, mas no pior trecho, com buracos que nos faziam andar abaixo de 20 km/h, o limite era de 100 km/h. Vai entender.
Fortaleza - 151,8 km – Família dividida Embora tenham nos avisado que não iria chover hoje, deixei o Érik sob forte chuva no Beach Park. Foi rápida, logo parou. Enquanto ele ficava em sua diversão aquática (R$ 72 - o valor era R$ 90, mas com carteirinha de estudante há 20% de desconto), eu e a Inês fomos ao Centro Cultural Dragão do Mar.
Centro Cultural Dragão do Mar
É um lugar muito bonito, com teatros, cinemas, planetário, livraria e outros espaços culturais a céu aberto, além de restaurantes e sorveteria, em uma área recuperada. Estava quase vazio (o movimento maior é ao anoitecer). Fomos ao Mercado Central, a menos de 500 metros. Quatro andares de artesanato (e lojas de doces, principalmente derivados de cajú). Ao final da tarde, fomos buscar o Érik, quando chovia forte. Ele ficou no Hotel enquanto fomos novamente ao Dragão do Mar para fotos noturnas e assistir uma apresentação sobre Marte no bem cuidado planetário. Voltamos para pegar o Érik e jantar em uma das famosas barracas da Praia do Futuro, mas ele estava cansado pois acabara de voltar de uma lan-house e não estava com fome. As barracas, com exceção de duas, estavam fechadas, embora fosse sexta-feira. Uma estava aberta para um casamento e a outra para uma festa reservada. Fomos em direção ao centro e comemos em uma lanchonete.
Fortaleza - Jericoacoara - 368,7 km – Muita areia Depois de atravessar a cidade, pegamos a Estrada do Sol Poente. Chegamos a Jijoca a 1 hora da tarde. Almoçamos e contratamos um guia para nos levar à Jericoacoara por R$ 30, o Antonio, que também, vendendo seus serviços, nos informou que a melhor opção para o dia seguinte para ir até Parnaíba, seria pelas praias. Em seguida passamos pela lagoa do Paraíso, com suas águas azuis.
Lagoa do Paraíso
Depois pegamos a estrada que passa pelo Mangue Seco, chegando a oeste de Jeri. Mais 5 km de areia e chegamos à cidade. Ficamos numa pousada por R$ 80, a pousada Ponta Mar Jeri, Demos uma volta na praia e pegamos a trilha (de areia) até o "estacionamento" à Pedra Furada (o único mês que é possível ver o pôr do sol por entre o arco é Julho). Fomos sem guia, o caminho é tranquilo. Caminhamos até a pedra e aguardamos o pôr do sol. Tivemos dificuldade para fotografar devido ao grande número de pessoas em nossa frente.
Pedra Furada
Voltamos ao Hotel e estou fazendo o diário no escuro, pois a sobrecarga (todos tomando banho no mesmo horário) gerou um blackout.
Jericoacoara - Parnaíba - 194,3 km - Mais areia Às 9:00 hs começamos nosso passeio, acompanhados pelo nosso guia Antonio, seguindo sempre via praia, passando por Muriú, um braço de rio. Fizemos um passeio de barco para ver os cavalos-marinhos, a R$ 10 por pessoa. É possível vê-los tanto na água quanto capturados em uma cumbuca, sendo devolvidos ao rio em seguida. Passamos pela velha Tatajuba, soterrada pelas dunas e pela nova Tatajuba. Depois subimos (de carro) a duna do Funil. Linda duna com uma descida enorme caindo em uma lagoa. O Érik fez esquibunda. A subida é muito difícil (eu desci sem o esquibunda e subi - muito cansativo).
Duna do Funil
Depois passamos pela lagoa da Torta e atravessamos a balsa até Camocim, onde almoçamos (mais de uma hora de espera e prato chegando errado). Asfalto até Parnaíba, onde ficamos num hotel no Centro, o hotel Delta. R$ 108. Só há vaga para hoje e amanhã faremos o passeio de barco (R$ 45 por pessoa com almoço incluso) e creio que seguiremos adiante, até Barreirinhas. Pela noite, depois das 22 hs, fomos à feira de pequenas empresas, onde havia muito artesanato, músicas e comidas. Interessante o local, ruínas do antigo porto, construídas ainda pelos portugueses, há mais de 3 séculos.
Parnaíba - Barreirinhas - 218,5 km – O Delta das Américas Saímos do Hotel às 8:00 hs e, em 1 minuto estávamos na frente da agência para fazer o passeio de barco. Aguardamos quase meia hora e fomos ao Porto de Tatu, no meio de uma ilha no Delta do Parnaíba. O passeio passa pela praia de Poldros, onde ficamos 1 hora e 45 minutos, pelo meio do mangue e pela duna do Morro Branco, onde também ficamos 1:45 hs. Há também a opção de lancha. No nosso modo de ver a lancha é muito rápida e o barco muito lento (com paradas também lentas). A paisagem é bonita, mas depois do passeio de ontem, não é tão impressionante quanto imaginávamos. E também temos um problema aqui - se o rio continuar sendo assoreado, cada vez mais será difícil realizar o passeio e, pior, a vida no mangue tende a desaparecer. Terminado o passeio, voltamos para pagar o hotel (as máquinas de cartão não funcionavam pela manhã) e pegamos a estrada por volta das 16 hs. Entramos no Maranhão e as estradas pioraram muito. Chegamos a Tutoia onde erramos o caminho (não havia placas). Voltamos e pegamos a estrada de areia para Paulino Neves, já no escuro. Caminho ruim. Conseguimos chegar a Paulino Neves às 19 hs. Havia opção de apenas uma pousada e resolvemos contratar um guia (por indicação na estrada chegamos ao Restaurante do Ivaldo para contratar o Cacá - e contratamos o Tostão, que estava disponível, por R$ 50). O Tostão ajudou a definir o caminho do Rallie dos Sertões neste trecho. Realmente seria bem difícil, mesmo de dia, pois o caminho é cheio de variações e cruza dunas dos pequenos Lençois, passando por locais de difícil controle. Atolamos apenas uma vez, ao cruzar outro veículo e ter que sair da trilha. Chegamos pouco antes das 21 hs, moídos, a Barreirinhas. Obviamente o Tostão nos levou às pousadas que ele tinha um esquema de ficar abrigado até o dia seguinte. Ficamos na Pousada Belo Horizonte, por R$ 108. Não é das melhores, mas como há uma grande festa na cidade, são bem poucas as opções. Jantamos pizza.
Barreirinhas - 2,3 km - Dunas Logo cedo fomos atrás dos passeios. O passeio básico para os Lençois Maranhenses já estava lotado pela manhã, só tendo saídas às 14 hs. Fomos então atrás do sobrevôo. Fizemos a pré-reserva para o dia seguinte, pois não havia vagas para hoje. A confirmação virá apenas quando conseguirem uma pessoa a mais para o mesmo vôo. Sairá R$ 150 por pessoa (vamos com nosso carro ao aeroporto), sendo que o valor de tabela é de R$ 160, com traslado. Almoçamos por quilo e fomos ao passeio aos Lençois. A estrada, logo após a balsa no Rio Preguiças, está pior do que a de Paulino Neves. Os carros são na quase totalidade Toyota Bandeirante com três fileiras na caçamba. Após muitos buracos e poças d`agua, chegamos às dunas, uma paisagem deslumbrante.
Lençóis Maranhenses
Em 2002 fomos no verão (seca) e haviam apenas 2 lagoas, com pouca água. Hoje estava fantástico e, segue uma dica, muito melhor ir à tarde. Pudemos aguardar o pôr-do-sol sem sofrer com o forte calor do meio-dia. O nosso guia também ajudou muito. O Uanderson, da Barratur (fica na praça principal), não se limitou às lagoas mais próximas, como alguns guias fazem. Resultado - pudemos ver dunas e lagoas com pouca gente. Entramos em algumas. Água morna. Muito bom.
Pôr-do-sol nos Lençois
Após o final deslumbrante do pôr-do-sol, voltamos já no escuro. O Bandeirante atolou numa poça e foi necessário aguardar o próximo para ser puxado com corda. O jipinho já estava com água no farol e continuou com motor ligado. Até tentamos empurrar, mas não conseguimos. Foi necessário aguardar socorro dos últimos Toyotas que voltavam dos Lençóis.
Toyota Bandeirante
Na volta à pousada percebi que havia perdido a pochete. Graças a Deus estava no restaurante onde almoçamos. Ligaram, já quase 21 hs, confirmando o sobrevôo para 15:40 hs. Fui rapidamente ver o que ocorreu, afinal neste horário já deveremos ter chegado a São Luis. Os primeiros vôos estavam cancelados em função do avião ter que ir para São Luis. Acabamos entrando em acordo e faremos o primeiro vôo do dia, às 10:20 hs. O Érik e eu fomos à pizzaria (outra) onde comemos uma boa pizza de mussarela.Barreirinhas poderia ser uma cidade mais bem cuidada. Ruim para trânsito de pedestres e carros, é bem desorganizada. Vimos cidades do interior do Rio Grande do Norte, com apenas uma atração - um enorme monte, considerada a pedra mais antiga da América do sul - e muito bem conservada. O dinheiro do turismo que entra na cidade deveria ser aplicado em melhor infraestrutura.
Barreirinhas - São Luís - 305,0 km - Vôo Como o sobrevôo ocorreria mais tarde, a Inês acordou cedo e foi dar uma volta, passando pela feira de artesanatos e uma feira de moda (fabricantes de roupas). Depois fomos ao aeroporto, bem próximo da cidade, onde aguardamos a chegada do avião, proveniente de São Luís. Chegou com um pequeno atraso. Sobrevoamos a região dos pequenos Lençois e parte dos grandes Lençois, mais foz do rio Preguiças, Caburé, Mandacarú, Vassouras e o farol. Interessante mas muito rápido e difícil de fotografar, devido ao vidro e aos solavancos.
Sobrevôo nos Lençois
Saindo do aeroporto fomos direto abastecer, encher os pneus (que haviam sido esvaziados para 20 libras) e pegar a estrada para São Luís. Estrada boa, ao menos em 2/3 do trajeto, com pouco movimento e pista bem conservada. No final piora tanto o tráfego quanto a conservação. Os hotéis e pousadas da praia de Calhau estavam lotados. No meio da procura, vimos o aluguel de quadricíclo, o qual o Érik queria desde a Praia do Forte. A cada praia o valor aumentava (R$ 150 no Forte, R$ 200 a R$ 250 em Jeri e R$ 350 - para o dia inteiro - em Barreirinhas). Aqui o valor era de R$ 100 por duas horas. Deixamos o Érik no local e fomos procurar hospedagem. Achamos o Hotel Casa de Praia em Olho d`agua. R$ 120 com TV a cabo e internet (como havia caído um poste, ficamos sem ambos). Conhecemos a Cida, de Sorocaba, que está realizando um trabalho para a Unesco, na implantação de hospitais modelo para cidades carentes do sertão. Ela veio pelo Tocantins e sugeriu que mudássemos o roteiro, seguindo por uma BR menos movimentada e em melhor condições do que a BR que vai para Imperatriz. Prontamente conversou com o Olavo, seu marido, que voltou para Sorocaba, para que ele enviasse o roteiro, que recebi rapidamente. Valeu Cida e Olavo.
São Luís - Presidente Dutra - 371,7 km - Estrada A idéia era acordar cedo e escapar, de dia, do trecho mais perigoso da estrada. Não ouvimos o despertador e acordamos depois das 8 hs, quando tocou o celular. Passamos pelo centro histórico de São Luís, que não está tão bem cuidado quanto em 2002, mas valeu pelas fotos e pelo mercado de artesanato.
Artesanato em São Luis
Como as estradas estão relativamente esburacadas*, somente conseguimos chegar a Presidente Dutra, onde escolhemos o melhor hotel (Brasil Palace) e ficamos no melhor quarto (de R$ 150 por R$ 100). Muito calor e pernilongos. Fizemos uma arrumação na bagagem e utilizamos a rede wi-fi.
* Nossa carga de impostos é tão alta e temos estradas piores que a média da Bolívia, Peru, Chile, Argentina e Uruguai (dos países que conhecemos na América do Sul). Se isto fosse compensado em outras áreas, tudo bem. Mas os portos, aeroportos, saúde e educação também são precários.
Presidente Dutra - Araguaína - 637,5 km - Mais estrada Passamos por uma área indígena, numa extensão de 22,5 km. A estrada estava mal conservada em alguns lugares. Almoçamos em Estreito e seguimos até Araguaína via Carolina (caminho mais longo) para ver a Chapada das Mesas. A estrada passa pelo meio da chapada, que é bonita. Por opção nossa, não vimos as atrações da Chapada, como cachoeiras, uma vez que o acesso difícil demandaria muito tempo.
Chapada das Mesas
Foi difícil encontrar um hotel em Araguaína. Demoramos e ficamos numa pousada nova na Belém - Brasília, a Pousada Cristo Redentor, por R$ 80. O senhor que cuida da Pousada foi muito atencioso e simpático. Jantamos pizza.
Araguaína - Palmas - 419,7 km – Preparativos para o deserto Saímos cedo e chegamos a Palmas na hora do almoço. Fomos ao shopping almoçar e tentar obter informações sobre o Jalapão. Não havia nada de turismo e perguntamos em uma loja de fotografia. Havia um cliente que conhecia o Jalapão e disse que era fácil, não havendo necessidade de guia no trajeto todo. Hoteis caros. Ficamos no Italian Palace por R$ 110. Bem confortável, há 7 km ao sul do centro. À noite deixei a Inês e o Érik no Shopping para jantar e fui tirar fotos do Palácio do Governo. Dentro do palácio há o marco do centro geodésico do Brasil e a presença de apenas um policial para a guarda da entrada principal mostra que o local é seguro.
Palácio Araguaia (Palmas)
Palmas - Mateiros - 352,5 km – Muita poeira Saímos cedo, às 7:30 hs. Completamos o combustível em Aparecida do Rio Negro. Estrada boa até chegar a Novo Acordão. Daí para frente, entrando no Jalapão, só estrada de terra e areia. Paramos no fervedouro de São Félix (onde também preparamos e comemos lanches). As condições da estrada apenas permitiram que chegássemos a Mateiros às 17:20 hs. Ficamos na Pousada Vereda Tropical por R$ 100 (o valor seria de R$ 120). A Inês deu uma saída para comprar artesananto de capim dourado, enquanto assistimos ao jogo do Grêmio e Palmeiras. Além de TV (um canal sintonizado na central é assistido em todas as TVs), a Pousada também conta com ar condicionado (não consta no guia Viajar Barato, pois a pousada é nova). Foram mais de 200 km de terra e areia.
Jalapão
Mateiros - Porto Nacional - 428,5 km (280 em estradas de chão) - Paisagens Saímos cedo, novamente às 7:30 hs. Frio, bem frio, ao menos até aparecer o sol, quando aquece rapidamente. Atendendo as indicações, voltamos, na estrada para São Félix, 25 km até o Fervedouro de Mateiros. Entramos na estrada, andamos uns 400 metros e chegamos ao fervedouro. Muito parecido com o de São Félix, apenas com mais borbulhos d`agua. Não entramos na água, uma vez que estava ainda frio. O valor da entrada é de R$ 5 por pessoa, mas acabamos não pagando por chegar cedo e não entrar na água. Passamos por Mateiros para abastecer e pegamos a estrada para Ponte Alta. Entramos na estrada de areia (difícil, somente 4x4) com 5 km para as dunas. São dunas avermelhadas, com um pequeno riacho na sua parte inferior. Lugar muito bonito, com a Serra Jalapinha ao lado (uma meseta).
Dunas avermelhadas
Seguimos em direção à cachoeira da Velha, um desvio de 29 km, de extrema beleza, com grande volume d`agua (juntamente com as dunas avermelhadas, os melhores passeios do Jalapão). Infra-estrutura muito boa, contando com uma passarela do estacionamento até a cachoeira e, no meio, alguns belvederes cobertos para descanso.
Cachoeira da Velha
O desvio para a cachoeira é ruim, bem travado, com areia, costelas de vaca e buracos, além de pedras soltas. A estrada principal, de Mateiros a Ponte Alta, salvo alguns trechos, é bem melhor que a de Mateiros a Novo Acordão. Em ambas, o tráfego é muito pequeno. Nos 29 km de ida e 29 km de volta para cachoeira da velha, cruzamos com apenas um veículo na ida e um na volta. Sugiro a quem for, seguir de Ponte Alta e voltar por Ponte Alta. As melhores atrações concentram-se neste trecho e até 25 km depois de Mateiros (Fervedouro de Mateiros). Melhor ir em 4x4. Puxamos um Escort (na sua segunda atolada) - e estamos em estação seca. Em Porto Nacional, ficamos no Hotel Aliança (não foi dos melhores da viagem) por R$ 80.
Porto Nacional - Brasília - 820,8 km - Muita estrada Em dúvida se seguir pelo interior do Tocantins (entrando próximo à Chapada dos Veadeiros em Goiás), ou atravessar o rio Tocantins e seguir pela Belém – Brasília, optamos seguindo a maioria dos palpites, pelo interior do Tocantins. Boa opção, afinal as estradas pelo interior do Tocantins (BR 010 e TO 050) estão muito boas e o limite é de 110 km/h. Melhor ainda que há pouco movimento. O que preocupou foi o alto consumo do carro. Quando paramos para almoçar e abastecer em Alto Paraíso, limpei o filtro de ar, o que parece ter melhorado o consumo e desempenho, principalmente nas subidas. Chegamos em Brasília às 17 hs. Procuramos hotéis (caros). Subimos a torre de TV para tirar fotos do pôr-do-sol e fomos ao Palácio da Alvorada. Voltamos a procurar hotéis e acabamos ficando no Mirage (Setor hoteleiro Norte), por R$ 148,50 em cheque. Jantamos no Shopping e saímos para tirar fotos noturnas (Catedral, Congresso, Itamarati e Palácio do Planalto).
Brasília - Caldas Novas - 337,8 km - Arquitetura e estrada à noite Visitamos o Palácio do Planalto, onde nos disseram que por volta das 11 hs, o Lula iria receber o presidente da Costa Rica. Como era cedo, fomos ao Congresso. A visita duraria 75 minutos, então decidimos voltar ao Planalto para ver a cerimônia. Ficamos longe, uma vez que a área é isolada. Demorou mas vimos toda a cerimônia (externa). Voltamos ao Congresso e fizemos a visita guiada. Aproveitamos e almoçamos no restaurante da Câmara (R$ 9,60 o quilo). O guia disse que hoje (quarta-feira) seria o dia de visita ao Palácio da Alvorada (achávamos que não havia visitas). Passamos na Catedral e em seguida fomos à Alvorada. São distribuídas 300 senhas (pegamos as de número 157, 158 e 159). Demorou muito. Saímos do Palácio quase 17:30 hs.
Palácio da Alvorada
Pegamos a estrada (errada), corrigimos, enfrentamos um enorme congestionamento e saímos do Distrito Federal tarde, quase 19 hs. Com estradas boas e bem sinalizadas, chegamos a Caldas Novas pouco depois das 22 hs. Nos hospedamos na Pousada San Marco por R$ 75.
Caldas Novas - 59,8 km - Água quente Comprei os ingressos e o vale almoço para o Hot Park na cidade (sai um pouco mais barato do que na bilheteria). Ficamos até o parque fechar. Muito bom. A nova praia artificial com ondas é muito boa.
Hot Park
À noite a Inês e eu fomos tomar sorvetes no centro enquanto o Érik, meio indisposto, ficou na internet. Hotel Manhattan, melhor que o San Marco, por R$ 80.
Caldas Novas - São José do Rio Preto - 500,5 km - Visita aos amigos Depois de visitarmos a lagoa da cidade (disseram que era muito azul - e a cor era escura), troquei o óleo do carro e pegamos a estrada. Até proximidades de Uberlândia foi bem. Depois muitos caminhões e dificuldade de ultrapassagens, já com a Inês no volante. Chegamos mais tarde do que o previsto na casa de nossos amigos Milton, Maria José e Clara, por volta das 18 hs. Jantamos e ficamos conversando até as 23:30 hs. Fomos ao centro e ficamos no Hotel Inajá, uma boa opção, por R$ 100. São José do Rio Preto - Rio Claro - 338,2 km - Água quente Fomos, não tão cedo, às Termas dos Laranjais, em Olímpia. Chegando nas proximidades, vimos uma placa com indicação de ingresso mais barato em um representante no centro (Rua Nove de Julho, 1176). Fomos ao local e compramos os ingressos (R$ 35 adulto e R$ 17 estudante). Não há cobrança de estacionamento, nem de uso do armário, além de um almoço muito bom por R$ 12,50. Há várias diversões ainda em obras, mas o parque surpreende, pois utiliza muita criatividade nas atrações (ex. - um poço com areia e água sendo forçada de baixo para cima. Não conseguimos afundar - bem no estilo das areias cantantes de Brotas ou do Fervedouro do Jalapão / um escorregador onde se tenta descer equilibrando nos pés, como surfistas, mas junto com bóias e pranchas - muito divertido). Mesmo brinquedos como bóias com motorização não são cobrados à parte. O parque também tem muita areia bem branca (o que parece ser pó de mármore) e muitas árvores e coqueiros.
Termas dos Laranjais
Saímos às 18:30 hs e pegamos estrada até as 22:30 hs, ficando no Hotel Líder, em Rio Claro, por R$ 100.
Rio Claro - São Bernardo - 234,2 km - Visita aos amigos
Acordamos depois das 9 hs. Poucos quilómetros de estrada até Piracicaba, onde encontramos nossos amigos Sergio e Dani. Almoçamos com eles e seus familiares. Ficamos até o fim da tarde e chegamos em São Bernardo às 21 hs, com chuva no caminho (terminando a grande estiagem no estado, que durou mais de um mês – coincidência?).
TOTAL - 11111 km
O Veículo:
Pajero TR4 Flex
Pajero já é quase sinônimo de resistência. E foi isso esta sensação que nos acompanhou durante toda a jornada. Um veículo que nos levou a tantos lugares de difícil acesso e não apresentou qualquer problema. Foram mais de 11.000 km com estradas esburacadas, estradas de terra, areia, lama, riachos e água salgada. Particularmente alguns trechos do Jalapão e a travessia de Paulino Neves até Barreirinhas, passando por dunas no trecho dos pequenos Lençóis, não é para qualquer veículo. Os 4 tipos de tração, incluindo o diferencial bloqueado, nos ajudaram muito, principalmente nos trechos mais difíceis de areia. O fato de ser bicombustível (flex) ajuda um pouco na redução dos custos de combustíveis em grandes expedições, permitindo optar pela economia do álcool ou maior autonomia da gasolina. O conforto, proporcionado pela posição de dirigir, mais alto do que em automóveis convencionais, também proporciona uma viagem mais agradável.
Os Viajantes:
Sergio, Inês e Érik
Sergio Sparvoli Bonagamba – Viajante e engenheiroToshie Inês Fujii S. Bonagamba – Viajante e bancária aposentadaÉrik Yukio Bonagamba – Viajante e estudante São Bernardo do Campo - SPEmail sergiobona@vivax.com.br
Veja todos os relatos deste autor- Expedição Cone Sul (América do Sul – Etapa 1)- Expedição Andina (América do Sul – Etapa 2)- Expedição Austral (América do Sul – Etapa 3)- Expedição Norte/Nordeste (Brasil – Etapa 1)- Expedição Centro-Oeste (Brasil – Etapa 2)- Expedição Água e Areia (Brasil – Etapa 3)- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 1)- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 2)
Veja também os vídeos do mesmo autor:- Glaciar Perito Moreno- 70.000 km - América do Sul...
De Carro pela Europa (Expedição Mediterrânea - PARTE 1)
De Carro pela Europa (Expedição Mediterrânea - PARTE 1)Expedição de automóvel feita pela família Bonagamba em Julho de 2007, atravessando 14 países do Sul da Europa
PARTE 1/2 – França a Grécia
SÃO PAULO – PARIS (EVRY) – 80km
A primeira parte do vôo para Paris, no trecho São Paulo - Madrid (aeroporto de Barajas) foi bem cansativa, graças às poltronas que pouco reclinavam. Em Barajas, um aeroporto enorme, pegamos um metrô de um terminal a outro (exclusivo para transporte entre terminais). O curto vôo até Paris também foi cansativo, pois haviam muitas crianças que faziam muito barulho, ou seja, mais um trecho quase sem dormir. Em Orly pegamos o Peugeot Partner, ouvimos as instruções do pessoal do Leasing e alteramos a volta para dia 6/8/07 pois a nossa idéia era devolver o carro à meia noite e aguardar o vôo das 7:40 hs. Como o escritório do Leasing fecharia às 22 hs, achamos melhor entregar no dia seguinte. O automóvel é bem espaçoso e confortável. Mesmo com câmbio manual, tem piloto automático, algo que eu não conhecia. Nas proximidades do aeroporto, fomos à Decathlon, que estava em liquidação. Muito interessante. Em seguida fomos tomar lanches e comprar mantimentos em um shoppin. Saindo, fomos para Evry, onde tínhamos reservado um hotel F1 por 29 Euros.
Hotel F1 e Peugeot Partner
Compramos uma câmera na FNAC do shopping de Evry e fomos ao centro de Paris, fotografar Notre Dame e Champs Elisees. Chegamos muito tarde ao Hotel, tomamos banho e finalmente dormimos.
Os hotéis da rede F1 são os mais simples e econômicos da França, com um sistema de auto-atendimento para os viajantes que chegam mais tarde. Uma cama de casal, uma de solteiro, sobre a cabeceira da cama de casal, uma pia e uma TV. O banheiro é coletivo, e os chuveiros também. As cabines para chuveiro e banheiro são limpas automaticamente ao fechar a porta por fora. Prático e uma boa economia.
EVRY – CHARTRES – 330 km
Dormimos bem. Ao acordar percebemos que havia chovido. Mesmo assim fomos à Disneyland Paris. O parque abria às 10 hs, mas chegamos quase às 11 hs, pois saímos tarde e o trânsito era intenso na entrada da Disney. Em dúvidas quanto a entrar ou não, devido à chuva, entramos e logo parou de chover. O parque tem a mesma qualidade do Magic Kingdon. As atrações são um pouco diferentes, destacando-se a Space Mountain, com loop e parafuso, os Piratas do Caribe, muito superior ao de Orlando e o Thunder Mountain, que surpreende pela velocidade e tempo de seu trajeto.
Disney Paris
Ao sair, resolvemos ir direto para Chartres, cidade onde fica uma bela Catedral de Notre Dame. O erro foi escapar da rodovia pedagiada. Isto causou uma grande demora. Também foi difícil achar o F1. Chegamos ao hotel por volta de 1 hr da manhã. Muito prático. Há um terminal na entrada que gera um código para entrada e número do quarto, logo após o pagamento com cartão.
CHARTRES – NIORT – 995 km
Saímos às 8:30 e passamos no McDonald`s em frente. Breakfast por 7 Euros. Visitamos a imponente catedral de Notre Dame de Chartres, deixando o carro cerca de 1km de distância. Não foi muito fácil achá-lo na volta, visto que o centro velho é um labirinto. Os vitrais são magníficos e a altura da igreja chama a atenção. Pegamos a autopista pedagiada (16,20 Euros) na maior parte da rota até o Monte Saint Michel. No trecho final, rodovia simples, mas bem cuidada. O problema maior é entender o sistema de sinalização das rodovias ao passar pelas cidades. Monte Saint Michel é realmente o lugar mais bonito da França, sob o meu ponto de vista. Um morro no meio da praia, no qual desde o século X há construções religiosas e, após algum tempo, militares. Lugar lindo. Deixa-se o carro à frente, e chega-se ao monte através de uma rua construída sobre a areia. Tecnicamente deixou de ser uma ilha. Passa-se pela entrada fortificada, e em uma ruela estreita, cheia de comercio e restaurantes, chega-se ao topo onde fica a abadia. Pagamos 16 Euros para entrar e visitar o local, um belo labirinto, que lembra “O Nome da Rosa”.
Mount Saint Michel
Pegamos uma forte chuva até chegarmos ao carro. Não segui os conselhos do viamichellin.com, que baixei previamente, e segui por outra estrada. Não foi uma boa opção, acabamos nos perdendo e demorando mais do que imaginávamos. Pegamos a autopista pedagiada para Niort, onde ficamos em outro F1.
NIORT – PERPIGNON – 1.791 km
Às 7:15 hs, já estávamos na estrada. Novamente choveu, até as proximidades de Bordeaux. Tomamos café da manhã em uma estação de serviços do Carrefour. Bem equipada, com lanchonete e conveniência gigante. Muitos pedágios nestes trechos. Podem ser evitados, mas a viagem fica bem mais demorada. Pegamos a estrada para Andorra, um Principado com zona franca, no meio dos Montes Pirineus. Um caminho muito bonito, passando por diversas cidadezinhas bem cuidadas e floridas. Pas de la Casa é a entrada de Andorra. Muitíssimo movimentada a ponto de pararem na rodovia para ir à cidade. Os franceses acabam optando por não ir à Andorra la Vella (capital) pois Pas de la Casa acaba economizando bons quilômetros. Andamos em Andorra por quase três horas. Voltamos pela estrada que passa pela Espanha.
Pirineus
Paramos rapidamente em Villefranch, cidade medieval toda murada, candidata a Patrimônio da Humanidade (Unesco). Chegamos a Perpignon à noite, novamente em um Hotel F1.
PERPIGNON – NICE – 2.445 km
Pela manhã fomos ao Viaduto Millau, um desvio de 100 km de nossa rota, para conhecer este viaduto inaugurado no final de 2004. Seu pilar mais alto tem 343 metros, mais alto do que a torre Eiffel. Foi construído na auto-estrada que liga a parte central da França à Espanha, passando sobre um profundo canyon. Bela obra de engenharia. Há pedágio de 7,5 Euros em cada sentido do viaduto.
Viaduto Millau
Voltamos por um caminho alternativo passando pelo centro da cidade de Millau. Almoçamos em um McDonald`s e compramos mantimentos para um lanche noturno com direito a salada e macarrão com salmão. Passamos por um incêndio florestal próximo a Cannes. Quando paramos em Cannes, observamos diversos aviões abastecendo-se de água no mar para tentar conter o incêndio. Cannes é um local bonito e movimentado. Não é uma praia propriamente boa para banho, com pouca areia, mas percebe-se que é bem badalada. Fomos a Nice procurar um Hotel F1 e estava lotado, assim como demais hotéis próximos. Havia um F1 com vaga, cerca de 30 km atrás, mas lembrei-me que o tráfego estava parado devido ao incêndio. Vimos uma placa de camping e resolvemos estrear nossas barracas 2 e 3 seconds (da Decathlon – muitíssimo práticas para montar e desmontar – uma compra que valeu a pena). NICE – PISA – 2.945 km
Até agora o dia mais cansativo. Passamos pelo meio de Nice, cidade bem densa. Entramos em Mônaco e passamos pela parte mais conhecida, basicamente o circuito da Formula 1. Curva Hairpin e o túnel, além da curva da piscina e subida para o Cassino. Tudo muito bonito.
Mônaco
Saímos para a parte alta a caminho da Itália, onde a paisagem muda. São muitos túneis e pontes atravessando os Apeninos, cadeias de montanhas que chegam ao mar. Uma paisagem impressionante. Muitas pequenas cidades são atravessadas por esta auto-estrada. Cidades tipicamente rurais, com muitos sítios com diversas estufas, provavelmente a espera do inverno. Os italianos, já se percebe nos primeiros contatos, são extremamente expansivos, o que quase não percebemos nos franceses. As cidades próximas de Mônaco do lado francês são mais bem cuidadas do que as italianas, mas uma parada que fizemos em um ponto de descanso nos mostrou um lugar muito caprichado, florido e com diversas mesas de pic-nic. Atravessamos Gênova por fora e fomos direto a Portofino. Esperava ter que caminhar bastante para chegar a praia de deste concorrido balneário, mas dá para chegar de carro e deixá-lo num estacionamento bem próximo. O local é muito bonito e não é a toa que já foi capa de revistas de turismo algumas vezes. A estrada para chegar lá é bem estreita e com curvas. É difícil de dirigir, sendo necessário recolher os retrovisores.
Portofino
As poucas áreas com um pouco de areia no caminho, estavam abarrotadas. Na volta fomos a Cinque Terre, mais especificamente Vernazza. Primeiramente pegamos a auto-estrada e entramos em Deiva Marina e seguimos por rotas secundárias bem estreitas, passando por Bonassola, subindo, descendo através de curvas e mais curvas. Por fim chegamos. Não é permitido parar o carro nas proximidades. Deixamos em uma vaga na estrada cerca de 2 km antes. Caminhamos e quase ao fim da tarde pudemos chegar a Vernazza, vila bem movimentada. Quase tão bonita quanto Portofino, mas mais autêntica e rústica, Vernazza é patrimônio da Humanidade.
Vernazza
Voltei ao carro e desci para pegá-los. Da estrada, ainda no padrão subidas, curvas, descidas e curvas, passamos por Corniglia e Manarola e chegamos a La Spezia. Nada de hotel, pelo menos por um valor razoável. Resolvemos ir a Pisa, chegando bem tarde, mas ainda paramos para fotografar a torre de Pisa. Como estava difícil encontrar hotel a um preço bom, rodamos até achar um camping (37 Euros), por volta da meia noite. Ainda aberto e movimentado, montamos as barracas e fomos dormir.
PISA – FIRENZE – 3.118 km
Passamos pela McDonald`s para o café da manhã do Érik e por um supermercado. Fomos tirar fotos da Torre de Pisa, que estava bem movimentada. É impressionante a inclinação, perceptível principalmente quando se está na base.
Pisa
Fomos para Firenze, cidade grande, congestionada e de difícil circulação. Espero não ter entrado na zona de circulação restrita, controlada por câmeras. Deixamos o carro no estacionamento do Mercato Centrale, a 500 metros do Duomo. Em outro estacionamento, que tínhamos visto pelo caminho, nos pediram para deixar as chaves. Entre o Mercato e o Duomo há diversas barracas pela rua, vendendo camisetas, sapatos e souveniers. Diversos brasileiros trabalham ali. Fotografamos o Duomo, que estava fechado, a réplica de David de Michelangelo e a Ponte Vecchia. Tudo muito bonito com lojas de grifes. Na ponte Vecchia chama a atenção a quantidade de lojas vendendo objetos de ouro.
Firenze
Demos a volta na cidade, pela auto-estrada (em obras – congestionada), para chegar ao camping e não o encontramos. Fomos parar em outro, que é também um albergue. O único problema foi a bagunça até as 2 da manhã.
FIRENZE – ROMA – 3.487 km
Já erramos um pouco ao pegar o caminho para a auto-estrada e muito ao entrar nela. A idéia era ir a San Gimignano e em seguida a Siena. Pegamos a estrada para Roma quando o correto seria voltar um pouco em direção a Pisa. Saímos da auto-estrada, mas já estávamos longe. Pegamos estradas menores e chegamos a Siena antes de San Gimignano. Difícil foi escolher onde estacionar. Os estacionamentos fora da área de circulação restrita ficam longe da cidade, sendo necessário pegar um ônibus. Achamos o estacionamento San Francesco, no que aparentava ser circulação restrita, mas não era, já próximo ao centro antigo. Surpresa - havia um conjunto de cinco escadas rolantes que nos levavam a parte mais alta. Cidade histórica e medieval, impressiona pela quantidade de edifícios antigos, lojas, restaurantes e sorveterias ao longo das ruas estreitas ou amplas praças.
Siena
A Piazza del Campo é, sem dúvidas, a mais bonita delas. Há anualmente uma corrida de cavalos, chamada Palio, ao longo da Piazza. Ficamos bastante tempo na cidade, tomando sorvete, passeando, comendo pizza, acessando internet e comprando. Desistimos de San Gimignano e fomos a Roma, onde para variar um pouco, nos perdemos duas vezes antes de chegar ao camping, por sinal muito bom. Fomos aos Shoppings mais próximos, mas um fechou as 20:30 hs e o outro as 21 hs. Jantamos massa no camping em seu restaurante, que nem parece pertencer a um camping. A comida é muito boa, o problema é a conta em Euros.
ROMA – 3.487 km
Aproveitamos a estrutura do Camping, que não é barato (40 Euros) , utilizando o ônibus que leva à estação de trem. Pegamos o trem (1 Euro) e o metro (1 Euro, mas não era necessário pagar pois o ticket do trem valia por 1 hora também no metro, e não sabíamos). Descemos na estação mais próxima do Vaticano (atenção: uma coca de 500 ml nas proximidades custa 3,5 Euros), onde fomos às criptas dos papas e de São Pedro, entramos na enorme basílica e até vimos o papa em seu pronunciamento do meio dia. Passamos pelo castelo San Ângelo e paramos para um lanche na Piazza Navona, que não ache interessante. Em seguida fomos ao Pantheon, templo de 2.000 anos transformado em catedral católica, um obra magnífica.
Pantheon (Roma)
O próximo passo foi andar bastante e chegar ao Coliseu, onde enfrentamos uma fila de aproximadamente 20 a 30 minutos. Andamos bastante em seu interior. É uma obra realmente faraônica para a época em que foi construída. Após nos perdermos um pouco, conseguimos chegar a catedral de San Pietro in Vincoli, onde há uma belíssima escultura de Michelangelo. Após algumas fotos seguimos para Fontana di Trevi, talvez o lugar mais bonito de Roma. Não há como descrever a beleza do lugar, com suas fontes sobre esculturas de Mármore.
Fontana di Trevi (Roma)
Passamos ainda por Piazza Espanha, que também não chamou tanto a atenção e pegamos o metro e trem para voltar ao camping. Dia cansativo, em que andamos cerca de 10 km, mas compensados por locais que sempre tivemos em nosso imaginário conhecer.
ROMA – POMPÉIA – 3.761 km
Dia de resolver problemas. A Inês e o Érik ficaram no camping, enquanto eu saí para tentar obter um certificado de matrimônio meu e da Inês, passo inicial para ela também obter a cidadania italiana. Peguei o trem e o metrô e desci próximo ao coliseu, no local das corridas de bigas. Achei a rua e a repartição pública. Já no balcão de informações presenciei um senhor discutindo com o informante sobre onde ele deveria ir e que ficam mandando-o de um local para outro sem resolver. Mandaram-me para o segundo andar, peguei a fila errada e percebi a tempo. Por sorte onde eu deveria ir não havia ninguém. Tiveram dificuldades para encontrar o registro de matrimônio onde constasse o nome da Inês. Quando acharam, pediram um prazo para emitir o documento, mas eu disse que iria embora no mesmo dia. Fui enviado ao sr. Ferrari, com um bilhete solicitando o envio do certificado pelo correio. Ele atendeu muito bem e pediu para que a atendente fizesse como solicitado, enviando pelo correio. Preenchi um envelope e ela pediu o valor do selo – 0,85 Euros. Na carteira eu tinha 2 notas de 100 e exatamente 0,85 em moedas. Paguei e fui rumo ao centro, evitando o caminho de ida, pois o sol estava forte e não havia muita sombra. Troquei a nota de 100 Euros em uma barraca, comprando souveniers. Passei novamente pela fontana di Trevi. Peguei o metro na Piazza Espanha e cheguei ao camping ao meio-dia e dez minutos. Tudo já estava arrumado dentro do carro. Partimos então para o sul. Paramos para um lanche, mas como o Érik queria pizza, paramos também no próximo posto. Também comi uma excelente foccacia. No posto tinha um Motel, mas as dificuldades do idioma e falta de um prospecto não permitiram que entendêssemos como funcionava. Ao passar pelo pedágio de Nápolis, havia um congestionamento justamente quando afunila a saída do pedágio. Ai percebemos na pele o que sempre falaram sobre o caos do trânsito em Nápolis. Carros entrando por locais impossíveis para ganhar alguns metros. Chegamos depois das 17 hs em Pompéia pela dificuldade que tivemos de achar o caminho. Andamos bastante nas ruínas. Impressionante o tamanho e imponência da cidade com mais de 2000 anos. As cinzas do Vesúvio, ao mesmo tempo em que destruíram, protegeram também grande parte da cidade. Ficamos em um camping ao lado das ruínas, por 26 Euros, o que parecia ser um bom preço, pelo menos até a hora do banho, gelado e de percebermos que não havia papel nos banheiros.
Pompéia e Vesúvio ao fundo
POMPÉIA – SORRENTO – 3.809 km
Descobrimos que o problema da água quente era nos banheiros específicos que estávamos utilizando. O outro banheiro tinha água quente. O dia não prometia um bom tempo. Mas, seguindo nosso roteiro fomos para Sorrento, para pegar a balsa para ilha de Capri. São 25 Euros por pessoa e o bilhete de ida e volta, apesar de ter o horário marcado, serve para qualquer hora. O barco é bem rápido. Chegamos e, olhando no mapa, percebemos que a parte principal da ilha, o centro de Capri, ficava no alto de um morro. Subimos de funicular. Qualquer passagem de ônibus, entre Capri e os outros pontos turísticos (Marina Grande, onde chegamos; Marina Picola e Anacapri) e de funicular, custa 1,3 Euros. Andamos em Capri até o lado oposto da Marina, onde é possível avistar as duas rochas sobre o mar, local mais fotografado.
Ilha de Capri
Este lado da ilha, de onde também se avista a Marina Picola, é o que tem a água mais azulada. Pegamos o ônibus para Anacapri onde andamos e percebemos que havia um teleférico ao alto do monte. Eu e o Érik subimos, pagando bem caro, 7 Euros cada. É o ponto mais alto da ilha e tem-se uma visão magnífica de Capri, e ainda da península Amalfitana, Vesúvio e Napole. Um lugar privilegiado, valendo os 7 Euros. Voltamos de ônibus, primeiramente a Capri e depois a Marina Grande, onde pegamos o barco para Sorrento, com fortes ondas que chacoalhavam bastante o barco. Ficamos em um camping em Sorrento, depois de enfrentar o difícil trânsito da cidade. Jantamos macarrão feito pela Inês.
SORRENTO – MATERA – 4.124 km
Península Amalfitana: Curvas e mais curvas
Ao sair de Sorrento, com destino a Positano e Amalfi, atravessamos rapidamente do lado norte para o sul da península amalfitana. Ai começa a parte difícil e bonita do percurso, com penhascos que descem diretamente ao mar, dominando quase toda a paisagem. Tal relevo não impede a região de ser bastante habitada e com turismo bem desenvolvido. Cada metro quadrado existente se transforma em área habitável, hotel, restaurante, garagem, estrada ou plantação. Às vezes as construções se sobrepõem ou desafiam leis da física, como grandes residências acima de enormes bocas de grutas. É de dar medo, e, ao mesmo tempo, grandes fotos. O litoral é bem azulado e cada pedaço plano vira uma praia lotada, mesmo que sem areia, apenas com pedregulhos. Em Positano apenas tiramos fotos da estrada.
Positano (alguém lembra do filme “Só Você”, com Marisa Tomei?)
Paramos em Amalfi, que é um lugar bem bonito e movimentado, onde aproveitamos para tomar um lanche. Difícil foi achar um lugar para estacionar, com quase meia hora de procura e um parquímetro a 3 Euros por hora. É necessário bastante cuidado ao percorrer a estrada, principalmente nas curvas mais fechadas (quase sempre com espelhos para checar o fluxo do outro lado) e quando cruzar com ônibus. Entre Sorrento e Salerno são apenas 67 km, mas é necessário pelo menos 3 horas para dirigir tranquilamente, parando para tirar fotos. Ao passar por Salerno, em direção à rodovia para Matera, erramos o caminho. Voltamos novamente à rodovia A3, enfrentamos muitas serras e rodovias em construção. Chegamos a Matera no fim da tarde e resolvemos visitar a parte histórica no dia seguinte. Apenas passamos pelo centro para dar uma olhada onde fica o local. Como começou a chover, não seria viável acampar. Fomos a procura de hotel quando avistei uma placa de B & B (Bed and Breakfast). Procuramos na região da placa e, seguindo informações, chegamos ao apartamento. 60 Euros pelo quarto com banheiro e café da manhã. Fiquei de responder mais tarde e baixou para 55. Aceitamos. O rapaz namorou com uma brasileira e casou com uma cubana. Comunicação bem mais fácil. Ele fala bastante e deu todas as dicas do local. Fomos ao Centro comercial onde há um Carrefour e voltamos às 22 horas.
MATERA – BRINDISI – 4.285 km
Dormimos legal no B& B. Demorou um pouco para o Carmine (dono do B & B) voltar com o café da manhã (creio que ele foi comprar as meia-luas com recheio). Fomos a Sassi, parte antiga da cidade, grande parte dela palco do filme Paixão de Cristo, do Mel Gibson. Andamos bastante pela cidade, um emaranhado de construções bem antigas, que, em conjunto com as cavernas do outro lado do canyon (sim há um canyon!), formam o que alguns consideram o povoado mais antigo do mundo. As construções não seguem o padrão mediterrâneo (branco), mas tem uma coloração monocromática bege. Dizem que por parecer com a Palestina antiga, foi escolhida para cenário do filme. Visitamos uma igreja do século XI, em uma caverna.
Sassi em Matera
Ao sair de Sassi, pensamos em facilitar utilizando uma saída oposta. Fui sozinho buscar o carro e me perdi. Muito! Andei uns 40 minutos (boa parte correndo, pois o horário do parquímetro estava vencendo). Após encontrar o carro, seguimos para as cavernas do outro lado do canyon, onde tiramos algumas fotos. Próxima parada – Alberobello – cidade das construções cônicas com telhado de pedra, chamadas Trulli. Ninguém sabe de onde surgiu esta arquitetura, mas que é bastante interessante, não há como negar.
Alberobello e arquitetura Trulli
Tomamos lanche, sorvetes e fomos para Brindisi, pegar o ferry para Sami, em Kefalonia. Nossa reserva estava correta. Pagamos os 40 Euros de taxas de embarque, ligamos para o Brasil enquanto aguardávamos e agora estou nos air-seat (assentos tipo avião), escrevendo o diário e aguardando ansiosamente pela próxima etapa da viagem – GRÉCIA.
BRINDISI – ZAKHINTOS – 4.408 km
Noite mal dormida para nós três. O Érik conseguiu se esticar em 3 bancos, mas não dormiu muito. A Inês tentou dormiu quase sentada e também dormiu pouco. Eu fui para o carro, onde pelo menos não há tanto barulho dos outros passageiros. Teoricamente não poderia ir ao carro enquanto o ferry estava em movimento, mas não havia controle. Dormi razoavelmente, mas estava quente e de madrugada houve uma parada do ferry com direito a manobra de carros e caminhões dentro da área onde estava nosso carro. Como a área é fechada (são dois andares com uma rampa interna móvel entre eles – enorme), sofri com a fumaça. Chegamos a Kephalonia, onde primeiramente fomos à caverna-lago Melissani. Um enorme buraco com uma caverna lateral e água bem azul, com uma profundiade de 15 metros. O passeio custa 6 Euros por pessoa e é bem rápido, de bote. Em seguida fomos a Fiskardo, local mais novo, com construções estilo veneziano, a beira de uma marina. Bem arrumado e bonito. Almoçamos peixe e a Inês comeu Gyro Pita (o nosso churrasquinho grego). Tiramos várias fotos ao redor da ilha, com um mar de um azul claro impressionante.
Praia Divarata em Kephalonia
Fomos ao porto para atravessar para outra ilha, Zakhintos, mas indicaram outro porto. Após rodar bastante, pois a dificuldade em achar o local é grande, chegamos a Pessada pouco após as 16 hs. O ferry só partiria as 17:45 hs. Fomos para uma praia de pedras ao lado. Um pouco fria, apenas molhamos os pés. Voltamos ao ferry e, dormindo um pouco dentro de sua sala de passageiros, chegamos a Zakhintos pouco após as 19:30 hs. Achamos um hotel bem legal por 40 Euros. Esta parte de procurar hotel, discutir preço, avaliar quarto e aprovar, normalmente é realizada pela Inês, que tem melhor qualificação para negociações. Quarto, sala, banheiro e cozinha bem equipada. Bom para descansar e carregar todas as baterias (as nossas e as dos equipamentos).
ZAKHINTOS – ATHENAS – 4.824 km
O dia começou com um passeio pelas Blue Caves, de barco com fundo de vidro, por 6 Euros por pessoa. Durou uma hora e quinze minutos e passou por belas cavernas azuis ao longo da costa. O melhor horário é pela manhã, pois pela posição do sol, o azul é mais intenso. O barqueiro entrou em algumas cavernas e por fim, parou para que entrássemos um pouco no mar.
Blue Caves em Zakhintos
Na seqüência, fomos à procura de Navagio. Encontrei o local no google quando procurei “best beach on Greece”. Depois de perguntar em uma loja de artesanato, chegamos ao local pelo alto, pois só é possível chegar à praia de barco. É uma vista incrível e deveria estar em todas as listas das praias mais bonitas do mundo. Só vendo as fotos.
Praia de Navagio em Zakhintos
Fomos ao sul da ilha para tentar comprar passagem de ferry para Killinos (parte continental da Grécia) para as 15 hs. Acabamos chegando pouco antes da partida da balsa das 13 hs e aproveitamos que havia vaga. Difícil descansar no ferry pelo barulho da criançada. Pegamos a estrada e chegamos ao porto de Piraeus (Atenas) pouco antes das 18 hs. Como eu não me lembrava onde ficaram os boletos com o número das reservas dos 3 ferries para as ilhas, fui direto ao escritório da Hellenic seaways. Estavam fechando e não achavam nossa reserva (já paga!) quando ela perguntou se era realmente para Santorini. Respondi que era para Milos. Achou e imprimiu. Na realidade quase perdemos a chance de pegar o ferry, o que seria uma verdadeira catástrofe, pois perderíamos Milos e Santorini (com o tickets já pagos). Passamos no Carrefour e fomos a uma região de hotéis na entrada da cidade (pela auto-estrada para Korinthos). Após pesquisar quatro hoteis lotados conseguimos no último por 50 Euros.
ATHENAS – MILOS – 4.866 km
Às 6 hs da manhã já estávamos no carro, rumo ao porto de Piraeus. O ferry da Hellenic é o mais impressionante de todos, um enorme catamarã com 2 andares para carros, todo pintado de vermelho, chamando a atenção. Bem rápido, já sai do porto com velocidade não usual. Há um andar para passageiros, classe econômica, com assentos tipo avião, e business class, com assentos maiores, na parte da frente, com melhor vista. Há tambem outro andar, bem reservado, com indicação de VIP.
Ferry da Hellenic em Milos
Após duas paradas, em Serífos e Sifnos, nas quais tirei algumas fotos de dentro da embarcação, chegamos a Milos. Fomos direto ao escritório de informações turísticas pegar um mapa gratuito e, principalmente, tentar obter nossos tickets para os próximos ferries (ambos da GA ferries). Nós não encontramos os números das reservas ou mesmo os comprovantes de pagamento. Como não há um escritório da GA, apenas diversos representantes não exclusivos, indicaram-nos o maior representante da GA. A atendente nos disse que sem o número da reserva não seria possível emitir o ticket. Deixamos este problema para mais tarde e encontramos um camping, mas não havia bungalows disponíveis, o carro ficaria longe das barracas e o local recebia fortes ventos. Resolvemos tentar um hotel. Foi difícil de encontrar, mas conseguimos uma boa opção, tipo apartamento, bem espaçoso, por 50 Euros. Voltando ao problema das reservas, fomos buscar na internet, através de registros no webmail, mas não achamos nada. Voltamos à agencia, onde mostramos os horários dos ferries e a atendente acabou procurando melhor, achando e emitindo em menos de 5 minutos, não somente o ferry para Santorini, como também o trecho entre Santorini e o porto de Piraeus. Agora temos todo o caminho de volta para Atenas, via Santorini. Fomos então às praias, primeiramente Paliochori, um praia interessante, sem areia, com falésias vermelhas. Esta praia nos foi indicada, pois o forte vento não prejudicaria os banhistas. Levamos mascara e snorkel e fomos, munidos de nossa câmera Olympus, com proteção até 10 metros, mergulhar um pouco. As fotos não saíram boas, pois os peixes eram bem pequenos. Em seguida fomos à Sarakiniko, pequena entrada de mar (bem violento neste local), ao longo de um pequeno canyon de rochas brancas, um lugar lindo, com diversas formações rochosas, incluindo um buraco com saída para o mar, onde as ondas entravam com bastante força, dando um show.
Praia de Sarakiniko em Milos
Depois fomos até o ponto nordeste da ilha, em Pollonia e para Papafragas, local bonito, que pretendemos voltar amanhã, pois o sol já estava se pondo, não permitindo boas fotos. Vimos o pôr-do-sol em Papikinou, onde tiramos algumas fotos. No fim da noite, limpamos as câmeras, que sofreram com os fortes ventos, carregados de água salgada e areia.
MILOS – 4.940 km
Noite bem dormida. O Érik queria ir à Internet para acompanhar a final da Copa América entre Brasil e Argentina, que seria à meia-noite, mas acabou optando por dormir. A Inês e eu saímos mais cedo, deixando-o dormir um pouco mais. Fomos tirar fotos da parte mais alta do centro da cidade e tentamos chegar às catacumbas do Século I. Conseguimos entrar em uma pequena parte que fica antes da portaria, pois o restante estava fechado para obras. Deixei a Inês no centro para compras e e voltei ao Hotel. O Érik foi à Internet ver quanto foi o jogo (3 a 0 – mais uma goleada sobre a Argentina). Saímos ao meio-dia para tirar fotos de Filakopi, da praia de Hivadolimni e por fim, ficar em Tsigrado, linda praia de difícil acesso.
Praia de Tsigrado em Milos
Havia uma descida por cordas, onde o forte vento nos banhava de areia. Tinha tomado um banho antes de sair do hotel, na esperança de não me sujar muito, pois o ferry sairia de madrugada, sem direito a outro banho. Já cheio de areia, resolvi entrar na água junto com o Érik. Praia espetacular, pequena, bem azul e boa para banho. Subimos, comendo areia novamente. Rodamos pela cidade, comemos bolinhas de queijo e churrasquinho grego. Tomamos sorvete e fomos à praia do centro, em Papikinou. Na sombra, fiquei dormindo no carro por umas 3 horas, enquanto a Inês e o Érik aproveitaram a praia. Voltamos ao centro, fomos ao supermercado, jantamos pizza e gyro pitta e ficamos enrolando até a saída do ferry, previsto para 2:30 hs da manhã, aproveitando a noite agradável num local realmente muito bonito, com muitas lojas, restaurantes e iates em frente.
MILOS – SANTORINI – 4.989 km
Não dormimos durante a espera do ferry. O Érik conseguiu acessar uma rede wi-fi, provavelmente de um dos iates ancorados no cais (chamar de cais local tão lindo acaba não sendo justo com o local).
Centro de Milos
Atualizamos emails e informações. 2:30 hs e nada do ferry Romilda chegar. 3:00 hs ele chega e sai por volta das 3:20 hs. Uma bagunça total. Pessoas pelos corredores em seus sacos de dormir, pessoas todas tortas, cada qual em 2 poltronas nada confortáveis ou em 3 ou 4 bancos bem duros dos restaurantes. Pouco espaço e nenhum lugar atrativo para ficar. Questionamos qual seria nosso lugar e a resposta foi – qualquer lugar, assentos Pullman, poltronas, a nossa escolha. Interessante se houvesse lugar disponível. A previsão era chegar a Santorini por volta das 8:30 ou 9:00 hs. Ou seja, seria difícil arranjar algum lugar para dormir.
“Conforto” do ferry Romilda
Sem contar que o ferry estava em péssima conservação e estado de limpeza. E pensar que dois dias antes estávamos no Hellenic, ferry tipo catamarã todo moderno, com escadas rolantes. Mas voltando a nossa Romilda, resolvemos pegar os sacos de dormir e ir à popa da embarcação em local mais aberto, apesar do vento (a lotação nos salões não animava muito). Enquanto isto o Érik foi ao carro, onde ficou tranquilamente dormindo até o fim da viagem. Tentamos dormir, difícil, pois às vezes um pouco de água espirrava sobre nós, o que não atrapalhava muito. O problema maior eram os fumantes que apareciam de vez em quando e a porta do banheiro que batia com força toda vez que alguém entrava ou saia (o que parecia cada vez mais constante). O resultado é que eu dormi muito pouco e a Inês quase nada. Quando chegamos a Santorini, fomos a procura de hotel, até que encontramos um novo, limpo, com piscina, por 50 Euros. Não conseguimos sair direto. Dormimos por 1 hora e meia, comemos um lanche e fomos primeiramente a Io (ou Oia), extremo norte da ilha em forma de semi-circulo.
Vila Io (Oia) em Santorini
Santorini era um grande vulcão até explodir fantasticamente há cerca de 5.000 anos, sobrando a parte central – outra ilha – e Santorini, concentrica a esta parte central. Io fica numa parte bem alta, com imensas escarpas caindo direto ao mar. As residências e hotéis ficam pendurados. Uma foto clássica, com duas igrejas de duomo azul, no meio das encostas, é tirada neste local.
Vila Io (Oia) em Santorini
De Io fomos a Fira, local mais agitado e povoado da ilha. Segue a mesma característica física de Ios e é onde ficava o antigo porto. Os cruzeiros ainda desembarcam (através de botes) neste local e as pessoas sobem por teleférico (a subida por escadarias é um forte teste de resistência). Apenas o Érik fez o passeio de teleférico. Não tivemos pique de esperar o pôr-do-sol e fomos ao hotel, comer algo e dormir mais cedo.
Fira em Santorini
SANTORINI – FERRY – 5.045 km
Nossa diária encerrava-se às 11:30 hs. Fomos até a praia vermelha apenas para fotografar. No caminho de volta passamos em Pyrgos e Kamari. No hotel, pegamos a bagagem e ficamos arrumando o carro enquanto o Érik aproveitava a piscina (que estava liberada até mais tarde). Antes da balsa passamos pelas ruínas da cidade antiga de Santorini. O local fechava às 14:30 hs e chegamos às 14:15 hs, depois de subir uma serra. No local, sozinho, subi a pé um bom pedaço até chegar às ruínas. Muito rapidamente, pois haviam pedido pressa, apenas fotografei. Como também não haviam guias ou explicações escritas, depois pesquisarei com mais calma. Fomos ao porto esperar o ferry, que atrasou cerca de 45 minutos. Muita expectativa, pois a companhia era a mesma do Romilda, só que desta vez tínhamos uma cabine reservada. O ferry é bem antigo, mas percebe-se que é bem melhor que o Romilda. Há assentos tipos aeronave e não estava com aparência de navio-enfermaria durante uma guerra. Nossa cabine, com toilette, era bem espaçosa, e, mesmo com apenas 3 camas, era maior que as cabines de 4 pessoas. E, surpresa, janela para o mar.
Partida de Santorini
Muito bom. A GA se redimiu. Passamos por diversas ilhas, como Sifnos, Ios e Folegandros. Após o clássico spaghetti do Érik e meu Gyro Pitta, agora com musaká, fomos dormir.
FERRY – METEORA – 5.450 km
O ferry ainda parou mais duas vezes durante a madrugada. Na chegada ao porto, havia diversos navios (Costa, MSC Harmony, Carnival). Com certa dificuldade para encontrar, chegamos aà Akropole, onde, ao custo de 12 Euros por adulto e grátis para menores de 19 anos, entramos em uma “fila”, percorrendo de forma meio aleatória boa parte do local, inclusive o Parthernon, monumento mais concorrido, que felizmente (ou infelizmente pelo ponto de vista dos fotógrafos) estava em obras de recuperação.
Parthernon
Muito calor, pouca sombra. Resultado - dor de cabeça o dia todo. Mas valeu o esforço, a Akropole é uma maravilha que deveria estar na lista das 7 maravilhas do mundo e acabou perdendo a votação pela internet.
Akropole
Todos os navios que estavam ancorados no porto realizavam excursões pela Akropole, gerando um verdadeiro congestionamento de pessoas. Pegamos a estrada rumo ao norte – em direção à Meteora – após grande dificuldade para encontrar o caminho (Atenas é bem populosa e espalhada por uma grande área), chegando no final da tarde, aproveitando para fotografar os mosteiros.
Mosteiro Agia Triada em Meteora
A cidade de Kalampaka fica no vale. Logo acima, a região de Meteora apresenta diversos paredões de rochas, que por si só já seriam espetaculares, mas, no topo de vários destes paredões foram construidos grandes mosteiros, alguns há mais de 1.000 anos, formando uma paisagem única no planeta. Seus acessos são extremamente complicados, alguns por longas escadarias, outros por pequenos teleféricos. Dormimos em uma acomodação tipo Hostal, por 40 Euros, após um bom lanche na cidade.
METEORA – KESAN – 6.114 km
Pela manhã fomos novamente fotografar os mosteiros de Meteora, pois as fotos tiradas no dia anterior não foram muito satisfatórias, uma vez que os mosteiros ficaram, em sua maioria, em contraluz.
Mosteiro em Meteora
Daí em diante, muita estrada. Uma parada em Tessalônica para um lanche no Goodie`s e mais estrada. No geral as estradas da Grécia são muito boas, uma malha de highways pedagiadas crescente. 130 km por hora é permitido em vários locais. O problema é o “crescente”, pois são diversas obras de duplicação que provocam muitos desvios. Chegamos cedo à fronteira, por volta das 17:20 hs, com 6.065 km. Saímos depois das 20:30 hs, sendo gastos mais de 1:30 hs na parte grega, mais de 1 hora na parte turca e o restante em free-shops (dos dois lados). É impressionante que a segunda cidade depois da fronteira tivesse Burger King e outlets da Levi`s e da Nike, com bons preços. Mas a dificuldade dos atendentes destes outlets e do Burger King em falar e entender inglês é algo surpreendente. Os hotéis estavam caros, cerca de 60 Euros cada, e não havia outra opção. Já não são tão bons quanto os da Grécia, mas pelo horário, não da para escolher muito e o pessoal do hotel cobra como quer.
IMPRESSÕES SOBRE A GRÉCIA:
- Trânsito – Melhor do que esperávamos, inclusive nas ilhas.- Estradas – Boas estradas, mas em expansão, o que significa obras, o que significa atrasos.- Povo – Cultos e bons anfitriões. Sempre expansivos.- Hotéis e Restaurantes – Muita higiene. Sempre limpos e brancos.- Preços – Bons preços, principalmente após passar pela Itália.- Turismo – Boa infra-estrutura em todos os locais.- Economia – Aparentemente forte e em expansão.
O Veículo:
Peugeot Partner – veículo muito espaçoso com diversos porta-objetos. O Leasing de automóvel 0 km, com seguro total com cobertura em todos os países que rodamos é a melhor opção na Europa. O custo do Partner foi praticamente o mesmo de um Peugeot 207. Outra opção seria um Megane Scenic, a um custo muito mais alto. Movido a diesel, o Partner é bem econômico e confortável. Funciona como um carro à gasolina.
Os Viajantes:
Sergio Sparvoli Bonagamba – Viajante e engenheiroToshie Inês Fujii S. Bonagamba – Viajante e bancária aposentadaÉrik Yukio Bonagamba – Viajante e estudante São Bernardo do Campo - SPEmail sergiobona@vivax.com.br
Veja todos os relatos do mesmo autor:- Expedição Cone Sul (América do Sul – Etapa 1)- Expedição Andina (América do Sul – Etapa 2)- Expedição Austral (América do Sul – Etapa 3)- Expedição Norte/Nordeste (Brasil – Etapa 1)- Expedição Centro-Oeste (Brasil – Etapa 2)- Expedição Água e Areia (Brasil – Etapa 3)- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 1)- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 2)
Veja também os vídeos do mesmo autor:- Glaciar Perito Moreno- 70.000 km - América do Sul ...
De Carro pela Europa (Expedição Mediterrânea - PARTE 2)
De Carro pela Europa (Expedição Mediterrânea - PARTE 2)Expedição de automóvel feita pela família Bonagamba em Julho de 2007, atravessando 14 países do Sul da Europa
PARTE 2/2 – Turquia a França
KESAN – PAMUKKALE – 6.818 km
Finalmente um café da manhã, até que bem farto bom e diferente, com tomates, pepinos e azeitonas. Dia de recuperar um pouco o atraso, rumamos para o sul. Atravessamos a balsa para Çanakkale e, com 6223 km rodados, entramos no continente asiático. Almoçamos em um pequeno restaurante ao lado de um posto na estrada (Kafta e espetinhos) e seguimos a Efes (Éfeso), ruínas da antiga cidade, visitada pelo apóstolo Paulo durante suas viagens pela Grécia, Turquia e Roma. As construções (embora parcialmente recuperadas) impressionam pela imponência. A biblioteca é o ponto alto do passeio.
Biblioteca de Ephesus
Quando chegamos, nos abordaram no estacionamento oferecendo transporte grátis para o outro lado da ruína, para que pudéssemos passar pelo caminho apenas uma vez, economizando 1,5 horas. Não concordamos, pois nada é de graça por aqui. O senhor não gostou muito. Andamos mais uns 100 metros e outro ofereceu o mesmo, mas de táxi por uma quantia baixa (não revelada). Também não aceitamos e ele reclamou um pouco em seu idioma.
Ephesus
Chegamos a Pamukkale já pela noite e nos abordaram insistentemente de moto. Decidido a não aceitar nada que não fosse o camping escolhido, respondendo em português que não entendia nada, ouvi um senhor de moto que nos perseguia oferecer um apartamento no hotel por 40 liras turcas (cerca de 25 Euros), com internet free e café da manhã. Beleza, não sejamos tão radicais.
PAMUKKALE – GOREME – 7.502 km
Outro bom café da manhã e uma caminhada às termas de Pamukkale (5 liras turcas por pessoa – equivalente a 3 Euros), quase em frente ao hotel, onde deixamos o carro. Há duas opções – entrada pela frente (na cidade) ou entrada sul, subindo o morro e entrando pela parte de trás. Optamos pela frente e subimos. Em alguns trechos, a água passa pelo caminho, já todo esbranquiçado pelo calcário da água (calcita), formações conhecidas como Travertino.
Pamukkale
Percebemos que, como todos que estavam fazendo o caminho, deveríamos ter tirado os tênis. Chegamos a parte superior e houve certa frustração ao perceber que a água estava sendo utilizada para o caminho, onde as pessoas utilizavam para banho, e a parte mais bonita estava seca.
Pamukkale
Dando uma volta vimos outra parte, tão bonita quanto a primeira, cheia de água. Ao ir embora, optamos por sair pela outra entrada e eu ir ao carro para pegá-los posteriormente. Percebemos o erro ao ver a volta que a estrada dava. Ganharíamos tempo tirando os tênis e descendo pelo caminho que subimos. Pegamos a estrada por volta das 10:30. Paramos para uma refeição em um restaurante/lanchonete de um supermercado em Isparta. Mais estrada e paramos em um novíssimo shopping em Konya, com lojas de fábrica da Sony, Philips e Samsung, para tomar um lanche no Burger King. Cidade grande e organizada, com mais de 700.000 habitantes. Chegamos a Goreme, no meio da região da Capadocia às 21:00, já surpresos ao ver as formações iluminadas. São rochas em forma de chaminé, habitadas internamente a mais de 2000 anos. Muito lindo. Conseguimos um hotel por 60 liras turcas. Posteriormente, na Internet, vimos que Konya tem um passado rico, sendo conquistada por diversos povos antigos.
Goreme (Capadocia)
GOREME – 7.592 km
A primeira atividade foi buscar informações sobre o passeio de balão. Perguntei no escritório de informações turísticas onde ficava a AzAir Baloons. Ele chama o senhor ao lado que nos leva ao escritório e combina o horário que deveríamos estar em frente ao hotel. Não estava seguro se ele era da AzAir, mas após uma ligação dele, ele disse que estaríamos em um camping (o que eu havia dito ao Sahin da AzAir em emails), o que nos tranquilizou. A segunda atividade do dia seria ir ao Open Air Museum, mas ao chegar ao estacionamento, fui convencido por um guia a contratar seus serviços por 10 Liras. Ele nos levaria inicialmente a outros lugares para fotos. Como a região é grande e não temos pleno conhecimento de onde ficam os lugares mais bonitos, contratamos. Fomos ao Zemi Valley, ao Pigeom Valley (onde os cristãos dos primeiros séculos criavam pombos nas formações rochosas (para trabalharem como pombos-correio e fornecerem ovos), Love Valley, não sem antes conhecer uma tecelagem de tapetes (lã, algodão e seda), que esteve no Guiness por produzir um tapete de seda com mais de 500 nós por cm2 e uma fábrica de cerâmica, a única com permissão para reproduzir arte hitita (antigos habitantes da região há mais de 4.000 anos). Tudo com certa comissão se realizada qualquer compra. Por fim entramos no Open Air Museum, por 10 Liras cada, onde há antigas habitações e igrejas cristãs, ainda com pinturas conservadas, no meio das rochas. Vale uma explicação – 2 vulcões da região despejaram muita lava no passado, transformando a região em um lugar plano. Mas a estrutura era bem porosa e com neve, chuva e vento, a erosão provocou o aparecimento das formações atuais, que também não são duras, sendo facilmente escaváveis para utilização como moradias.
Goreme (Capadocia)
Almoçamos em Goreme, andamos um pouco, fui à internet, enquanto a Inês foi ver as lojas e o Érik descansava no hotel. Também descansamos um pouco e lá pelas 18 hs, fomos dar uma volta pela região. Estávamos a procura das formações de cogumelo. Não encontrando, seguimos para outro lado e pagamos 2 Liras por adulto e 1 Lira para o Érik para entrarmos no Rose Valley (onde supostamente é o melhor local para o pôr-do-sol). Tiramos poucas fotos e, não acreditando em um bonito fim de tarde, seguimos adiante, onde encontramos as formações conhecidas como chaminés. Muito bonitas e, no fim de tarde, com uma luz ótima para fotos.
Chaminés em Goreme (Capadocia)
O carro começou a apresentar um barulho em algum lugar próximo a suspensão. À noite saímos para tirar algumas fotos, mas como o pessoal do balão iriam nos buscar às 5:15 hs, tivemos que voltar cedo.
GOREME – ISTAMBUL – 8.444 km
Acordamos às 4:45 hs e ficamos à espera do pessoal, que chegou às 5:05 hs. Rapidamente chegamos ao local de subida dos balões (a AzAir estava com 2 balões).
Balonismo em Goreme
Também rapidamente os balões foram inflados com ar quente, enquanto tomávamos café com bolachas, que faz parte do pacote. Subimos na cesta. Foram 65 minutos fora de série. No começo em baixa altitude, propositalmente tirando fina das formações rochosas e depois subindo bastante. Quando subiu, o balão seguiu outra direção, comprovando a existência de diversas correntes de ar. Paisagens de tirar o fôlego e o céu cheio de balões coloridos. Contei 21 ao mesmo tempo no ar.
Balonismo em Goreme
Terminado o passeio, há o usual brinde com champanhe e a entrega de certificados. Só não gostei que não permitiram o desconto previamente acordado para pagamento à vista (seriam 390 Euros, mas cobraram o valor igual ao da reserva e com cartão de crédito – 420 Euros). Paguei sob protesto, mas ainda vou contatar o Sahim, que combinou tudo por email. Mexi um pouco sob o carro e o barulho do dia anterior sumiu, graças a Deus, pois não gostaríamos de perder tempo numa concessionária. Passamos ainda em Gulsehir, procurando uma formação parecida com cogumelo, mas não encontramos e pedimos informações a um rapaz, que, não sabendo explicar, pediu para que seguíssemos sua Van. Entramos em um vale com diversas formações rochosas interessantes. Só não encontramos o cogumelo. Como as estradas estavam ruins e quase atolamos na areia, resolvemos seguir adiante. A idéia era comer um lanche nas proximidades de Ankara, mas um anel rodoviário não permitiu que chegássemos perto das áreas de serviços. Para evitar maiores atrasos, tentando entrar na cidade, pegamos a highway para Istambul. Serviços ruins nesta rodovia. Lanchonetes e pequenos restaurantes com higiene suspeita. O Érik comeu um sanduíche no melhor dos postos (em um restaurante de hotel). A Inês dirigiu por cerca de 240 km, enquanto eu dormia. Foi a quarta vez que ela dirigiu nesta viagem, devendo ter chegado hoje aos 800 km. Chegamos cedo a Istambul, por volta das 17:30 hs, mas não conseguimos achar uma maneira de chegar próximo ao centro, bem como não encontramos nenhum hotel pelo caminho. Após informações da polícia, na estrada, conseguimos chegar por volta das 20:00 hs, quando comemos no Burger King e conseguimos, com certa dificuldade, um hotel por 100 liras. Faltou um GPS.
ISTAMBUL – BURGAS – 8.775 km
Após nosso último café da manhã ao estilo turco (pão, azeitona, tomate, queijo, pepino, geléia) e, com a permissão do (provável) gerente do hotel, deixamos o carro estacionado em frente e fomos ao centro histórico e turístico de Istambul. Uma dica – se alugar um Peugeot Partner, ao fechar a porta do porta-malas, não tente puxá-la pelo puxador de nylon, quando estiver ao lado do carro. A tendência é acertar a porta no rosto (estou com um corte no nariz e machucado na testa). O trem (uma mistura de bonde e metrô) passa em frente ao hotel e, em poucos minutos, nos deixa em frente da Mesquita Azul.
Mesquita Azul
Visitamos a mesquita, onde é necessário tirar os sapatos e estar com a vestimenta compatível (nada de shorts para os homens e ombros descobertos para as mulheres), mas eles cedem o lenço ou algo para cobrir as pernas. Não é necessário pagar, embora solicitem contribuições ao final. Em seguida, atravessamos a praça e fomos conhecer a Igreja de Santa Sofia, que já foi uma igreja, uma mesquita e agora é um museu. Entrou na lista das 21 maravilhas modernas, mas na votação pela internet, não foi eleita como uma das 7.
Haghia Sofia (Igreja Santa Sofia)
Em seguida passamos no grande Bazar, um verdadeiro mercado das mil e uma noites. Divertido, o local é fechado com diversas ruas internas não respeitando um formado geométrico bem definido. Grande comércio de roupas, jóias, tapetes, antiguidades e souveniers. Na parte de fora, legitimas imitações de tênis, roupas e bolsas.
Grand Bazaar
Enquanto a Inês e o Érik andavam pelo Bazar, fui visitar a Mesquita Suleymaniye Camii. Aparentemente um pouco maior, mas no mesmo formato da mesquita azul, impressiona tanto quanto os dois templos mais conhecidos (Mesquita Azul e Santa Sofia).
Suleymaniye Camii (Mesquita)
Voltamos ao hotel, e, de carro, passamos rapidamente em um shopping e pegamos a estrada para Bulgária. Auto-pista excelente. Entramos em uma secundária, onde paramos para abastecer e para compras em um supermercado em Kirklareli. O Érik aproveitou para pegar uma pizza a Inês e eu tivemos que jantar 1 litro de sorvete que havíamos comprado no supermercado. O carro começou a fazer barulho novamente. Seguimos para fronteira, onde passamos pelos trâmites e o pessoal da alfândega, em ritmo de festa, nem quis dar andamento no nosso tax free, alegando que o valor era baixo. Com 8.703 km marcados, atravessamos a fronteira. Na parte Búlgara fomos bem atendidos, mesmo com os guichês lotados com enorme quantidade de passaportes de 2 ônibus, nos passaram na frente (eu ouvi algo como carro diplomático – acho que confundiram a placa vermelha do carro com corpo diplomático e por isso nos passaram na frente). Cobraram 4 Levas (2 Euros) para higienização do carro (esborrifam um produto químico semelhante às fronteiras do Brasil para evitar a febre aftosa. Mais 10 Levas para um tipo de selo pedágio. E a surpresa foi a péssima estrada, com muitas curvas e buracos. Passamos por vilarejos bem pobres, com habitações herdadas da época comunista, também em péssimo estado. Encontramos um hotel em Burgas por 38 Euros (após difícil negociação), onde ficamos com 2 quartos.
IMPRESSÕES SOBRE A TURQUIA:
- Trânsito – Meio caótico em Istambul, mas aceitável no restante do país – Dica - Para chegar ao centro de Istambul, região de serviços e hotéis, siga sempre a placa para Aksaray, evitando errar como erramos na chegada a Istambul.- Estradas – Algumas auto-estradas muito boas e outras razoáveis. Ruim somente quando passamos em Ayvalic, num trecho de serra, sem pista adicional, com caminhões lentos, seguido de um trecho de muitos quilômetros atravessando cidades. - Povo – Comerciantes natos. Procuram nos tratar muito bem para que sejamos envolvidos em sua negociação. Quase sempre simpáticos. - Hotéis e Restaurantes – Não há um excesso de preocupação com higiene, como regra geral.- Preços – No geral são bons, exceto no primeiro hotel, quando o preço foi exorbitante para os serviços oferecidos.- Turismo – Boa infra-estrutura nos locais turísticos.- Economia – Aparentemente, pelas obras nas estradas e de construção civil, o país está em franca expansão.
BURGAS – SIBIU – 9.461 km
A cidade de Burgas já mudou, pelo menos um pouco, nossa impressão sobre a Bulgária. Mesclando edifícios antigos no padrão comunista (monocromáticos e parecendo abandonados), com novos edifícios de vidro aparente, Burgas mostra as mudanças que a entrada na Comunidade Européia devem provocar no país. Seguindo mapas e rotas (obtidas pela internet), ambas da Michelin, seguimos rumo a Bucaresti. Pelo menos é o que pensávamos. Erramos várias vezes, pois os mapas têm apenas algumas estradas (diferentemente de outros países da Europa, estes mapas e guias da Michelin têm menor escala para o Leste Europeu). Um senhor, trabalhador rural se aproximou para nos ajudar. Viu o mapa e só entendi o nome de duas cidades. Todo o restante que foi falado, não consegui compreender. Mais adiante outro senhor, dono de um posto, mesmo entendendo e falando pouco de inglês e espanhol, também teve sérias dificuldades em nos explicar o caminho. Mas conseguimos. Só não era esperado que houvesse trâmites na fronteira da Bulgaria com Romênia, pois ambos fazem parte da Comunidade Européia desde o início do ano. Mas houve, felizmente com pouca demora. Entramos na Romênia com 9.095 km. Trocamos 20 Euros por 58 Leis. Compramos o “selo pedágio” por 6 Leis.
Bucaresti
Paramos em Bucaresti para algumas fotos e seguimos para Pitesti por uma highway, boa onde não havia obras, e depois para Sibiu, passando por Râmnico Vilcea e por um bonito rio em um estreito vale cercado por altas montanhas (Carpatos). Muito tráfego, principalmente de caminhões e algumas obras, dificultaram nossa chegada a Sibiu. Também foi difícil encontrar vagas em hotéis, que estavam custando em torno de 60 Euros. Ao procurar um camping, encontramos um hotel por 40 Euros, com vaga para dois. Eu dormi em um colchonete. À noite saímos para fotografar a cidade, que, descobrimos ser a capital cultural da Europa em 2007, juntamente com Luxemburgo, mas como o centro estava cheio e sem vagas para estacionar, resolvi deixar para o dia seguinte. O barulho no carro continua.
IMPRESSÕES SOBRE A BULGÁRIA:
- Trânsito – Razoavelmente bagunçado.- Estradas – Com exceção de uma highway, no geral mal conservadas. É possível que nas proximidades de Sófia, sejam melhores.- Povo – Simpáticos e atenciosos, uma pena que a comunicação é na base de gestos e poucas palavras em inglês.- Hotéis e Restaurantes – Bem cuidados- Preços – Não diferem muito dos preços turcos- Turismo – Em função do trecho que passamos não ser a parte mais turística, não dá para opinar.- Economia – Não aparenta ter economia forte.
SIBIU – BUDAPESTE – 10.054 km
Quarto para dois, café da manhã idem, que ficou para Inês e o Érik. Passamos no centro de Sibiu para uma rápida olhada. Muito bonito.
Sibiu
Lembra algumas praças da Bélgica. Havia uma grande banda se reunindo para um provável espetáculo. Acabamos pegando a estrada às 11 hs. Toda a estrada restante da Romênia até a divisa é bem truncada. Muito trânsito, dificuldade de ultrapassagem (embora seja comum ver ultrapassagens sem a mínima segurança) e muitas carroças, caminhões e tratores. Muitas cidades no meio do caminho, onde a velocidade deve ser reduzida ainda mais. Rendeu pouco. Atravessamos a fronteira com 9792 km, até que rapidamente. Comprei o selo pedágio, trocamos os Lei (romenos) pelos Forits (húngaros) e ainda saquei uma quantia razoável. A Inês dirigiu um pouco. Paramos em uma das saídas da auto-estrada (muito boa) em uma área enorme, apenas com grandes lojas (Decathlon, McDonald`s e lojas de materiais de construção, eletrônicos e supermercado). Compramos novo fogareiro na Decathlon para adaptar-se ao gás que comprei errado no início da viagem. Foi difícil encontrar hotel, e quando encontrávamos, era um mais estranho do que o outro. Havia até policiais entrando para uma ocorrência em um deles. O mais razoável também acabou sendo mais barato (5300 Forits – equivalente a 25 Euros). É um tipo de albergue, mas com separação em quartos menores. O local aparentava ser um hospital. Macarrão para todos com o novo fogareiro. O barulho no carro continua. Tentei até parar em uma concessionária, mas percebi que iria demorar e segui adiante.
IMPRESSÕES SOBRE A ROMÊNIA:
- Trânsito – Travado nas estradas principais.- Estradas – Conservadas, mas excessivamente movimentadas.- Povo – Simpáticos.- Hotéis e Restaurantes – Bem cuidados e em grande quantidade. - Preços – Hotéis caros (mas a cidade que ficamos é a capital cultural da Europa em 2007, o que acaba justificando).- Turismo – Boa infra-estrutura.- Economia – Aparentemente mais forte que a vizinha Bulgária.
BUDAPESTE – LJUBLJANA – 10.595 km
Três capitais da Europa em um dia! Parece um daqueles pacotes turísticos malucos onde a pessoa nem se lembra de onde passou tal a rapidez. A idéia não era bater nenhum recorde, mas como as capitais são próximas, foi o que acabou acontecendo. Sem café e com o sol entrando cedo pelo meio da janela sem cortina, conseguimos sair do hotel logo após as 7 horas. Passamos rapidamente no McDonald`s para o breakfast. Tentamos utilizar a internet, que não funcionava. Fomos então ao centro de Budapeste. Cidade enorme. Ruas amplas e edifícios imponentes (não tão altos, mas com fachadas bem imponentes). Paramos ao lado do Parlamento, enorme, que só perde em tamanho para o inglês, no qual sua arquitetura foi baseada. Muito bonito.
Rio Danúbio em Budapeste
Fomos ao outro lado do rio Danúbio, onde subimos de funicular ao Palácio Real. Edifício que já foi gótico e renascentinsta, localizado no alto de uma colina, em grande destaque na paisagem da cidade. Tiramos muitas fotos e, ao descer, cruzamos a Chain Bridge, repleta de vendedores de comidas típicas, artesanatos e antiguidades. Paramos em um shopping para procurar internet, pois não nos comunicávamos com o Brasil desde Goreme. Como todos estavam bem, resolvi checar no google a necessidade de visto para Croácia. As informações estão como sempre, alguns sites confirmam sua necessidade, outros não. Segui uma nota da Folha on line, de Junho de 2007, dizendo não ser necessário. Pegamos a highway para Zagreb e passamos por outra área de serviços como a do dia anterior. Diversas grandes lojas e supermercados espalhados em uma grande área com amplo estacionamento. Paramos no início da highway para um lanche em um “On The Run”, conveniência de posto Esso. Bons hot-dogs. Estrada muito boa até a região do lago Balaton, onde a highway estava em fase de construção e o tráfego seguia por uma estrada local. O problema é que, num local turístico, em pleno sábado, havia muita gente chegando e perdemos um bom tempo, compensado por trechos já construídos de highway que não constavam no mapa e pela inexistência de burocracia nas alfândegas. Carimbaram rapidamente a saída da Hungria e nem carimbaram a entrada na Croácia (e ainda não sabemos da necessidade de visto ou não). Entramos na Croácia com 10.260 km. Paramos para conhecer um pouco de Zagreb.
Zagreb
A parte histórica está bem preservada e permitiu boas fotos. Já por volta das 18:00 hs, pegamos um lanche no McDonald`s e seguimos a Eslovênia. Com 10.457 km cruzamos a fronteira, sem qualquer formalidade e com carimbo da Eslovênia. Chegamos já à noite em Ljubljana, onde os hotéis ou estavam lotados, ou custavam em torno de 150 Euros. Resolvemos seguir adiante, apesar de ter passado das 21:00 hs, quando vimos uma placa de Camping. Tentamos seguir, mas faltavam indicações no caminho. Pedi informações e nos mandaram ao norte da cidade. No caminho, encontramos um hostal por 45 Euros (dispensamos o café da manhã e ficamos em um quarto duplo para chegar a este valor). Tarde e já cansados, o local confortável apareceu na hora certa, graças a Deus.
HUNGRIA:
- Trânsito – Bom com locais bem movimentados (Lago Balaton).- Estradas – Muito boas e em fase de duplicação.- Povo – Simpáticos e com comunicação mais acessível.- Hotéis – Difícil achar opção low budget em Budapeste. Mas percebe-se que outras regiões turísticas são bem servidas. - Restaurantes – Diversas opções. - Preços – Hotéis aparentemente caros.- Turismo – Boa infra-estrutura.- Economia – Mais forte que os demais países do Leste Europeu.
CROÁCIA:
- Trânsito – Bem tranquilo.- Estradas – Excelentes, ao menos na região da capital.- Povo – Pouco contato, mas aparentemente um povo educado.- Restaurantes – Muito bons e em grande quantidade. - Preços – Ficamos pouco, mas o McDonald`s é mais barato que outros paises europeus.- Turismo – Muito boa infra-estrutura. Ao entrar, nos fornecem mapa com fotos de locais turísticos e toda a indicação necessária aos visitantes.- Economia – Aparentemente muito boa.
LJUBLJANA – MESTRE – 10955 km
Demos uma volta pela parte mais antiga da capital, Ljubljana, antes de pegar a highway para Postojna.
Ljubljana
Lugar bonito, com uma feira de pulgas ao lado do rio. Em Postjna fomos primeiramente ao castelo de Predjama, que vi pela primeira vez em um guia Michelin há 10 anos. O castelo fica em um lugar inusitado – na boca de uma caverna, no meio de um morro. Tiramos fotos de vários ângulos, mas não achamos interessante pagar para visitá-lo por dentro.
Predjama Castle
Depois fomos à caverna Postojnska Jama. Bem caro, pagamos 46 Euros para os 3. Falta muita informação. Eu já sabia que havia um trenzinho dentro da caverna, mas nada foi explicado. Era 12:10 hs quando acabei de comprar os ingressos e a vendedora, fechando a cabine apenas disse que o passeio começaria as 13:00. Fomos comer um lanche. Há varias lanchonetes no local. Depois, já na fila, vimos uma placa dizendo que a temperatura no interior estava 8 graus. E alugavam um abrigo por 3 Euros. Alem disso, não seria permitido fotografar ou filmar. Por que não avisaram antes? Não havia tempo de ir buscar blusas no carro. Enfrentamos o frio. O trenzinho anda em uma velocidade que imagino ser de 15 km/h, num percurso de mais ou menos 2 km. Chegamos a um enorme salão da caverna, onde cada guia formava um grupo para os idiomas italiano, francês, esloveno, alemão e inglês. Escolhemos o último. Estávamos em um grupo enorme. O guia parou umas 4 ou 5 vezes durante os 1.500 metros que andamos, para dar explicações e para ameaçar os que estavam tirando fotos (quase todos). Numa das paradas ele permitiu que todos tirassem fotos. Bonitas as formações. Não sei o que os especialistas falam sobre as alterações feitas (trem, passarelas de cimento bem largas e iluminação). Não sei qual o impacto disto na caverna, mas não deve ser pequeno. Creio que a caverna tenha estrutura para receber mais de 10.000 visitantes ao dia. Valeu o passeio. Abastecemos e seguimos para uma praia no diminuto litoral da Eslovênia – Piran.
Piran
Difícil estacionar e bem movimentada, apenas tiramos algumas fotos e fomos em direção a Veneza. Entramos na Itália com 10.740 km. Paramos no posto com a lanchonete Spizzico para eu comer pizza, o Érik macarrão e a Inês, uma salada. Ficamos em um razoável camping de Mestre.
ESLOVÊNIA:
- Trânsito – Bom.- Estradas – Excelentes.- Povo – Simpático e educado.- Restaurantes – Não utilizamos. - Preços – Hotéis caros na capital.- Turismo – Muito boa infra-estrutura. Como na Croácia, ao entrar, nos fornecem mapa com fotos de locais turísticos. Faltam opções de hotéis low budget em Ljubljana.- Economia – Aparentemente muito forte.
MESTRE – COMO – 11.278 km
Pegamos o ônibus que passa próximo ao camping, rumo a Veneza. O trajeto é rápido. Já no terminal (ao lado do terminal ferroviário) fomos a pé até a parte principal da cidade (Ponte Rialto e Piazza San Marco). O caminho é mais interessante do que utilizar o Vaporetto (barco tipo ônibus que circula pelo canal principal). A cidade mudou bem, desde que estivemos em 1997. Hoje é possível comer razoavelmente por preços acessíveis. O Comercio está bem mais desenvolvido.
Veneza
Do ponto extremo no qual chegamos, Piazza San Marco, o Érik, mais cansado pegou o Vaporetto (que em 10 anos aumentou bastante – hoje custa 6 Euros, quando custava menos de um dólar). A Inês e eu voltamos a pé. Chegamos ao terminal de ônibus as 15:00 hs. Começou a chover (como em 97, quando fomos rapidamente ao camping recolher a barraca – mas acabou não chovendo no camping). Chegamos ao camping em meio à chuva e desarmamos rapidamente as barracas. Nossa dúvida de ficar ou não mais uma noite no camping foi resolvida facilmente. Pegamos a estrada para Suíça, e, nos primeiros quilômetros, choveu um pouco de granizo (em 1997, saindo de Mestre, também pegamos chuva com granizo). Após mais uma pizza no Spezzico, ficamos em um camping em Como (a idéia era secar as barracas). Ainda fomos ao centro de Como tentar achar internet, em vão, mas tiramos fotos da catedral ao entardecer.
Como
COMO – BRIENZ – 11.614 km
A cidade de Como fica próxima à Suíça, e, em menos que uma hora atravessamos a fronteira. A única burocracia é a compra do selo pedágio, ao custo de 30 Euros, que foi bastante rápida. Passamos pelo túnel San Gottardo, de 16 km, e paramos no primeiro posto depois do túnel. Comida boa. Salada por quilo, antepasto por quilo e alguns pratos com preço razoável. Paramos em Luzern, uma linda cidade, onde passeamos na ponte de madeira Kapellbrucke.
Unterwalden (próximo a Interlaken)
Chegamos cedo a Interlaken, mas não encontramos hotel, Albergue ou Bed and Breakfast por valor abaixo de 80 Euros. Fomos ao mesmo camping em Brienz que ficamos em 1997. A dona Agnes ainda cuida do camping, com seu marido. Voltamos a Interlaken para tentar comprar as passagens de trem para Jungfraujoch. O escritório de informações turísticas estava fechado.
Interlaken
Fui ao terminal de trem Interlaken Oeste. Consegui comprar a passagem para o primeiro trem (7:23 hs em Grindelwald Grun - o custo é mais baixo no primeiro horário). Compramos miojo e voltamos ao camping para uma miojada.
BRIENZ – 11.728 km
Às 6:00 hs já estávamos na estrada. Deixamos o carro no estacionamento e fomos a estação de trem. Depois de eu tomar um caro cafezinho de 3,5 Francos Suíços (para matar o sono, esquentar e conseguir moedas para o estacionamento). Rapidamente subimos os quase 3.000 metros de desnível em um trem muito bom (antigamente não era tão confortável).
Trem para Jungfraujoch
Chegamos aos 3.521 metros e fomos diretamente ao palácio do gelo (esculturas de gelo no interior do glaciar – muito legal).
Palácio do Gelo
Fomos ao Mirante externo. 2 graus positivos.
Jungfraujoch
Nós 3 passamos um pouco mal pelo frio e pela rápida subida. Fomos ao topo (via elevador, onde chegamos aos 3.571 metros).
Jungfraujoch
Descemos, pegamos o trem e paramos no bonito lugar chamado Kleine Scheridegg, aos 2.061 metros, local onde a linha férrea para Interlaken divide-se para Lauterbrunnen e Grindelwald.
Kleine Scheidegg
Chegamos a Grindelwald Grun as 13:30 hs e fomos procurar um lugar para preparar os lanches e macarrão. Como Grindelwald cresceu muito, não há lugares públicos para parar o carro, exceto estacionamentos. Resolvido o problema, já na estrada (um tipo de parada para informações turísticas em um painel), fomos ao Bob Run (trenó em uma calha). O trenó em si não é caro, mas tem que subir de teleférico ao local. Ainda deu tempo de passar no Trummelback, uma espécie de corredeira entre as rochas iluminadas, onde subimos de funicular e acompanhamos as corredeiras de águas dos glaciares de Jungfrau. Não achei honesto cobrarem ticket de adulto do Érik (com 16 anos) quando a indicação era de 6-16 anos como criança (consideram 16 anos exclusive e não inclusive). Espertinhos no primeiro mundo. E o que é pior, nem a Inês, nem o Érik gostaram do passeio, voltando no meio do caminho. Eu achei razoável.
Lauterbrunnen
Passamos por Lauterbrunnen, onde uma cachoeira despenca quase no centro da cidade. Por fim, passamos pelo centro de Interlaken para ver as lojas e o Érik comeu raclete em um tipo de festival (descobrimos que era feriado nacional e por isso os Hotéis e Albergues estavam lotados). Hoje vamos dormir com mais roupas. Fez uma noite bem fria ontem, que estimamos algo entre 5 e 8 graus.
BRIENZ – COLMAR – 12.158 km
Muitos fogos de artifício pela noite, pois o feriado nacional, pelo que entendi, era o dia da Suíça. Acordei às 5:20 hs com um barulho que, com bastante sono, pensei ser fogo queimando a vegetação. Logo percebi que era chuva. O termômetro que deixei do lado de fora da barraca marcava incríveis 20 graus. Para quem estava esperando outra noite fria, realmente foi uma surpresa. A chuva parou e começou novamente. Nova pausa, em torno das 7:40 hs e aproveitamos para desmontar as barracas e sair. Passamos por Interlaken onde o Érik tomou café da manhã no Mac Donalds e nós fomos ver lojas. Resolvemos, apesar da chuva, ir a Montreux, e, dependendo do tempo, seguir a Chamonix. Em Montreux percebemos que não adiantaria ir adiante e voltamos a Berna, para seguir a Colmar, já na França. Bom palpite. Tempo bom.
Colmar
A cidade é um presépio, além de ter um canal com restaurantes, que fez com que fosse chamada “A pequena Veneza”.
Colmar
Como chegamos cedo ao hotel Formule 1, resolvemos arrumar as malas antecipadamente.
COLMAR – SAINT DENIS (PARIS) – 12.653 km
Após o já tradicional café da manhã no Mac Donalds, que fica em uma enorme área Comercial (em espaço aberto – diversas grandes lojas e enormes estacionamentos – tudo em área fora da cidade), fomos à Intersport, uma grande loja de esportes. Algumas compras e saímos de Colmar rumo a Paris. A estrada não é uma highway e, apesar de lenta, passa por lugares muito bonitos como a pequena Ammerschwihr ou a não tão pequena Vitry Lê François. Paramos para um lanche primeiramente na estrada, onde somente a aniversariante Inês animou-se com um sanduíche frio. Paramos novamente adiante em uma Quick, lanchonete com bons lanches. Como a Decathlon estava ao lado, nova parada para as últimas compras de materiais esportivos. Chegamos a Paris antes das 19:00 hs, indo diretamente para Torre Eiffel.
Torre Eiffel
Uma fila considerável assustou, mas andou rapidamente e pudemos ver o pôr-do-sol do alto. Fomos até o terceiro e último andar. A cidade é realmente uma maravilha.
Paris
Saímos da torre e, diante de um espetáculo de luzes, ainda tiramos mais fotos. Fomos procurar hotel Formule 1. Achamos um ao lado do Estádio Saint Dennis e estou terminando o diário às 2:00 hs.
SAINT DENIS (PARIS) – GARONOR – 12.820 km
Hoje foi dia de Axterix Park, bem próximo a Paris, pela A1 rumo a Lille. Parque preferido pelos franceses é bom para os que apreciam montanhas russas e brinquedos com água (bóia no rio e quedas tipo splash). Mas faltam atrações do tipo simulador e cinema 3D. Vale a pena conhecer, embora estivéssemos bem cansados em função do horário que fomos dormir no dia anterior. Ao parar em um shopping, na volta, demos pela falta dos passaportes. 15 minutos de aflição até achá-los em um lugar improvável, dentro de uma sacola térmica, esta dentro de uma mala. Graças a Deus achamos.. Tiramos fotos da avenida Champs Elisees e fomos ao F1 de Garanor.
Champs Élysées e Arco do Triunfo
GARONOR – ORLY – 12.910 km
Cansados, acordamos mais tarde, arrumamos mais um pouco a bagagem e saímos as 12:00 hs do hotel (o pior F1 da viagem, com má manutenção). Paramos em uma área de serviço próxima e tomamos o café / almoço. Fomos ao centro e ao Louvre, que todo primeiro domingo do mês é gratuito. Conseguimos ver a “Virgem na Pedra”, a “Monalisa” e a “Vênus de Milo” (achada na ilha grega de Milos). O espaço para ver a Monalisa estava bem concorrido e, embora as fotos e filmagens fossem proibidas, ninguém respeitou.
Proibido fotografar a Monalisa!
Em seguida fizemos um passeio de barco pelo Sena, utilizando o Batobus. Talvez não fosse a melhor opção, visto que o barco é fechado com acrílico, mas não havia muito tempo para avaliar qual o melhor e pegamos o mais próximo. O barco para em 8 diferentes lugares e é possível utilizá-lo como quiser durante um dia (dica – para dois dias de utilização, o valor incremental é mínimo). Embarcamos no Louvre e descemos no St-Germain-des-Prés, de onde caminhamos até o bonito “Jardin du Luxembourg”. Voltamos ao barco em Notre Dame (devemos ter caminhado uns 3 a 4 quilômetros), onde vimos um bonito pôr-do-sol.
Rio Sena
Como estava no horário final, ficamos na Torre Eiffel, ponto final do Batobus. Muitas fotos. Pegamos o metro no Trocadero e descemos próximo ao Louvre, onde estava nosso carro. Chegamos ao carro à meia-noite. Rodamos um pouco mais e tomamos um lanche. Para arrumar definitivamente a bagagem, precisávamos de uma área segura. Pegamos a A6 para Evry com intenção de parar em uma área de serviço. Só achamos depois de Evry, uns 25 ou 30 quilômetros após Orly. Lavamo-nos nos toilletes, tomamos café e suco. Depois de tudo arrumado, fomos a Orly, onde chegamos por volta de 4:15 hs. Deixei ambos na área de embarque e fui ao QG da Peugeot aguardar que abrissem o escritório às 6:00 hs. Devolvi o carro, voltei a Orly, onde fizemos os procedimentos de devolução de impostos (detaxe) e embarcamos.
O Veículo:
Peugeot Partner – veículo muito espaçoso com diversos porta-objetos. O Leasing de automóvel 0 km, com seguro total com cobertura em todos os países que rodamos é a melhor opção na Europa. O custo do Partner foi praticamente o mesmo de um Peugeot 207. Outra opção seria um Megane Scenic, a um custo muito mais alto. Movido a diesel, o Partner é bem econômico e confortável. Funciona como um carro à gasolina.
Os Viajantes:
The Bonagambas: Érik, Inês e Sergio
Sergio Sparvoli Bonagamba – Viajante e engenheiroToshie Inês Fujii S. Bonagamba – Viajante e bancária aposentadaÉrik Yukio Bonagamba – Viajante e estudante São Bernardo do Campo - SPEmail sergiobona@vivax.com.br
Veja todos os relatos do mesmo autor:- Expedição Cone Sul (América do Sul – Etapa 1)- Expedição Andina (América do Sul – Etapa 2)- Expedição Austral (América do Sul – Etapa 3)- Expedição Norte/Nordeste (Brasil – Etapa 1)- Expedição Centro-Oeste (Brasil – Etapa 2)- Expedição Água e Areia (Brasil – Etapa 3)- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 1)- Expedição Mediterrânea (Europa – Parte 2)
Veja também os vídeos do mesmo autor:- Glaciar Perito Moreno- 70.000 km - América do Sul ...
De carro pela América do Sul (Etapa 2 - Expedição Andina)
PAÍSES ANDINOS - 2003
DEPOIS DE MUITO TEMPO AQUI VAI A ETAPA 2, PUBLICADA DEPOIS DA ETAPA 3.. ACONTECE.... RS
29/11/03 – SÃO BERNARDO – FOZ DO IGUAÇU – 1089 Km
Automóvel lotado, saímos às 5:15 hs. Com pouco trânsito em São Paulo, já estávamos na Castelo Branco às 5:50 hs. Paramos para um café da manhã no que consideramos o melhor posto do Brasil, o Rodoserv Star, com lanches, salgados e pasteis feitos na hora. A Inês dirigiu durante os próximos 180 Km, até Ourinhos, onde visitamos nossos tios e nossa prima. Próximo a Jacarezinho, decidimos almoçar em um restaurante de posto. Estava realmente bom. Chegamos a Foz por volta das 21:00 hs, parando diretamente na Pizza Hut, onde pegamos uma pizza e fomos ao hotel (por sinal relativamente caro – R$ 90 – e mal cuidado).
30/11/03 – FOZ DO IGUAÇU – CORRIENTES - 662 Km
Acordamos às 7:00 e, após o café da manhã, fomos ao Parque Nacional do Iguaçu, desta vez com o intuito de fazer o passeio pelo Macuco Safari. No caminho, chegamos a questionar o preço do passeio de Helicóptero, mas R$ 175 por 10 minutos é realmente abusivo, explicado somente pela forte presença de europeus, principalmente franceses. Mesmo o Macuco Safari é caro, mas como todo ano aumenta, vamos desta vez para não pagar mais caro nos próximos anos. Inicialmente entramos no parque, pagando R$ 11,40 cada. De ônibus (turístico), paramos no ponto do Macuco e compramos os ingressos (R$ 103,50 para mim, R$ 68,50 para o Erik, ambos com desconto de 10% sobre o preço de tabela e R$ 58 para Inês que fez apenas a parte terrestre – jipe e caminhada). O trajeto é muito bonito, sendo 600 metros a pé. Ao final chegamos aos barcos, de estrutura de borracha e dois motores de 150 HP’s. Tiramos os calçados e pegamos sacos plásticos para guardar as câmeras. Manobras rápidas, cavalos de pau e muita velocidade. Passamos praticamente abaixo de algumas cachoeiras. Valeu o preço. Ao sair ainda fomos ver as cataratas pelo passeio convencional, já que estava pago. Ainda não finalizaram as obras no elevador, o que prejudica bastante o passeio. Fora do Parque, parei na maior loja de artesanato da região, deixando a Inês e o Érik. Eu, para adiantar, visto que planejamos rodar muito neste dia, fui comprar lanches. Atravessamos a fronteira para Argentina, parando no Free-Shop para comprar batons, cremes e 2 Whiskies para meu pai. Passamos pela aduana, abastecemos (cerca de 15% mais barato que no Brasil) e fomos ao centro de Puerto Iguazu para retirar Pesos do cartão Visa Plus, pois haveria pedágios na estrada. Já era mais de 15:00 hs (16:00 no Brasil) quando finalmente pegamos a estrada. Questionamos um policial (da Gendarmeria) sobre o limite de velocidade. Ele simplesmente falou que não havia limite. Desta forma seguimos, mas sem abusar da velocidade, pois poderia ser uma “pegadinha”. Chuva e vento muito fortes por cerca de meia hora. Quase tivemos que parar para esperar que melhorasse. Paramos em Posadas para comprar pães de queijo em uma padaria conhecida. Não estava tão bom quanto há dois anos. Anoiteceu e quase atropelamos um jacaré que estava na pista oposta. Abastecemos e, através de uma excelente estrada, chegamos a Corrientes já bem tarde. No centro, fomos a um hotel que estava caro (P$ 110), mas o próprio gerente nos indicou outro hotel, do mesmo nível, mais barato. Ficamos neste (P$ 75). O único problema foi derrubar um dos Whiskies do meu pai, que quebrou na queda.
01/12/03 – CORRIENTES – SALTA - 840 Km
Media lunas, mate e suco de laranja. O café da manhã na Argentina é servido em doses homeopáticas, mas é muito saboroso. Saímos após as 9:00 hs. Após a cidade de Presidente Saenz Peña, viramos à direita em um entroncamento que constava no mapa como reta. Havia uma pequena placa identificando a conversão para Salta, nosso destino. Cerca de 200m após, avistamos um Toyota Bandeirante parando no acostamento. A Barraca, fixa e dobrável sobre o rack me chamou a atenção. Cheguei a comentar com a Inês que esta era a barraca que gostaria de comprar, não me atentando ao fato de que esta barraca é fabricada somente no Brasil. Ao passar, deram sinal com o farol para pararmos. Um pouco em dúvida, resolvemos parar. O que ocorreu com o Bandeirante? Eles passaram reto pelo cruzamento e, após cerca de 40 Km, resolveram voltar. Entraram então com destino à Salta, mas como não tinham visto a placa, resolveram parar e perguntar ao primeiro que passasse qual o caminho para Salta. A esposa acaba de comentar que seria difícil algum argentino parar para dar informação, quando estávamos nos aproximando. O motorista, de pronto, comenta “acho que são brasileiros!”. Logo em seguida sua filha: “Acho que é o Sergio!”. Foi incrível, era o pessoal de São José do Rio Preto, o Milton, a Maria José e a Clara, que conhecemos na Patagônia. Dois anos depois, nos encontramos novamente em uma estrada desértica no norte da Argentina. Após a emoção inicial descobrimos que faríamos caminho semelhante até San Pedro de Atacama e em seguida seguiríamos ao Norte e eles ao Sul. Combinamos de nos encontrar em Salta ou Atacama. Após as despedidas, seguimos a Salta. Um policial carabinero nos pediu uma propina para pintar o posto policial para o Natal. Não tendo nota menor, demos P$ 10, o mesmo valor que o Milton também contribuiu. Chegamos a Salta às 19:00 hs. Escolhemos um hotel (Petit por P$85) próximo à entrada da cidade. Sem garagem, o carro ficou na rua e foi visto pela Clara. Acabaram ficando num hotel próximo ao nosso, pois ficamos com o último apartamento para 3. Fomos jantar juntos e combinamos de andar de teleférico no dia seguinte.
02/12/03 – SALTA - CAFAYATE – SALTA - 519 Km
Descobrimos que o teleférico só abriria as 10:00 hs, e não as 9:00 hs como previsto. Decidimos ir à pé até a igreja de San Francisco, a mais famosa da cidade, que aparece nas fotos túristicas, com seu forte tom avermelhado. Após tirar algumas fotos, voltamos ao teleférico e finalmente fizemos o passeio. O desnível é de quase 250m e se tem uma bela vista da grande cidade de Salta, que é também bastante tranqüila, sem muito perigo. Pegamos a Ruta 68 com destino a Cafayate por volta do meio-dia. A estrada é toda asfaltada e o caminho, muito bonito. O ponto alto é El Anfiteatro, um desfiladeiro alto e fechado, 50 km antes de Cafayate.
Em Cafayate tomamos a decisão de voltar pela velha Ruta 40 (a versão argentina da Route 66, que segue de norte ao sul acompanhando os Andes, por vezes asfaltada, com pistas duplicadas, por vezes um curvo caminho de terra, como no trecho que entramos). Entramos às 15 hs, sabendo que chegaríamos muito tarde em Salta. São cerca de 20 Km de asfalto e cerca de 15 de rípio (pedregulhos com areia) para chegar a um vale com rochas em formatos bem pontiagudos. Paisagem diferente, muito bonita. Daí em diante a estrada começa a estreitar e as curvas se tornam bem fechadas. Perigoso e muito lento. Antes da Cachi, havia uma cidade, Seclantás, e um atalho a ser considerado, mas que não constava em nosso mapa. Não seria uma boa opção, pois não veríamos Cachi, que é uma pequena cidade, bem simpática, que possui até museu.
Aí começa o asfalto. Pegamos a ruta para Salta que passa pelo Parque Nacional Los Cordones, acima dos 3000m, cortada pela Reta Tim Tim, rodeada de Cactos. Acaba o asfalto e começa uma descida dos 3200m aos 1200m. Serra do tipo Caracoles, que iniciamos ainda de dia, mas terminamos já no escuro. Chegamos a Salta às 22:00 hs, abastecemos, comemos um lanche e fomos dormir, agora no Hotel Continental (P$ 60, com ar-condicionado), o mesmo que nossos amigos haviam ficado.
03/12/03 – SALTA – SAN PEDRO DE ATACAMA - 547 Km
Saímos por volta das 9:00 após o café. Começamos a subida para os Andes serpenteando um belíssimo vale, numa estrada de rípio. Em determinado trecho começou novamente o asfalto. Um policial nos parou para checar os documentos. Enquanto isto, um agricultor local, o Sr. Barbosa nos pediu carona. Achamos que era combinado, pois o policial falou que não éramos obrigados a dar carona, mas que o Sr. Barbosa era conhecido e boa pessoa. Levamos o Sr. Barbosa para sua residência, 40 Km adiante. Deixamos um pouco de bolachas e doces para seus 4 filhos. É uma vida difícil, principalmente porque após um inverno sem neve, não há água, plantações e, por consequência, trabalho para os agricultores. Logo a seguir acaba o asfalto. Gostaríamos de ter desviado para o local onde há a famosa ponte do “trem das nuvens”, mas chegaríamos a San Pedro muito tarde. Fica para a próxima vez. Chegamos a San Antônio de Los Cobres, última cidade Argentina antes do Paso Sico. Abastecemos e compramos artesanatos que as crianças vendem, após cercarem o carro. A cidade é pequena e tem pouca estrutura, chamando a atenção um belo Hostal. Muito tempo acima dos 4000m e muito pó acabaram por provocar dor de cabeça em todos, além de enjôos. Após os trâmites na Argentina, chegamos a Aduana chilena. Havia um cão Huskie Siberiano próximo ao carro, por sinal o único carro na aduana. Ao abrir a porta e sair do carro o cão entrou rapidamente e pulou para o banco de trás. A Inês e o Érik gritaram tanto que o cachorro acabou saindo. Perguntei para o fiscal se o cão estava farejando drogas. Mas de acordo com o fiscal, o que ele procurava era comida mesmo. Os trâmites demoraram um pouco mais que o usual. Passamos por belas lagoas e salinas. Passamos pela entrada das lagoas Miñiques e Miscanti, mas não parei pois o Érik e a Inês ainda não haviam melhorado.
Chegamos a San Pedro, onde também houve demora no posto da Aduana (ainda não entendo o porquê de haver duas aduanas). Fomos direto ao Vale da Lua, tentar ver o pôr-do-sol. Chegamos correndo, quase perdendo controle do carro em uma curva. Deixamos o carro e subimos correndo ao local de observação, mas quando estávamos nos aproximando, as pessoas começaram a descer. Por 5 minutos não vimos um belo pôr-do-sol. Voltamos à cidade e, após muita procura, escolhemos o Residêncial Chiloé, sem banheiro privado, mas novo e extremamente limpo. 15.000 Pesos por noite (=R$ 75), com estacionamento e sem café. Fomos ao centro e encontramos nossos amigos de Rio Preto em uma lojinha. Tomamos sorvete e voltamos ao hotel. Resolvemos alterar nosso roteiro original que previa atravessar para a Bolívia no Salar de Uyuni, devido à estrada ser muito difícil para veículos com tração normal, 4x2. Havia uma travessia dos Andes próximo à Iquique, mas teríamos o mesmo problema que a rota de San Pedro para o Salar de Uyuni, ou seja, estradas pouco aconselháveis para 4x2. Optamos então pela aduana no Lago Chungará.
04/12/03 – SAN PEDRO DE ATACAMA – IQUIQUE - 547 Km
Acordei às 6:00, após sonhar com o pneu traseiro esquerdo rasgado. Resolvi ir sozinho às lagoas Miñiques e Miscanti. Enquanto eu estava no carro e a Inês no banheiro, tentei sair para ir ao banheiro quando o pastor alemão resolver correr em minha direção. Voando, entrei no banheiro e o fechei. Aguardei uns 15 minutos até o cão sumir. Entrei novamente no carro e, surpresa, o pneu que havia sonhado estava realmente furado. Enchi com o compressor e como o borracheiro e o posto estavam fechados, segui até a aduana para perguntar se havia posto em Socaire ou Toconao. A aduana também estava fechada. Voltei à cidade e abasteci após circular muito para achar novamente o posto, que já havia aberto. Como o pneu ainda estava cheio, segui para as lagunas. Foram 240 Km ida e volta. Embora não estivesse azul como nas fotos, o local é muito bonito, valendo uma passagem.
Elas se localizam a mais de 4300m de altitude. Havia muitas aves, entre as quais são os flamingos que chamam mais a atenção. Na volta encontrei nossos amigos Milton, Maria José e Clara, que estavam indo às lagoas. Cheguei em São Pedro às 11:30hs e esperei a Inês e o Érik que haviam ido passear pela cidade. Estávamos indo embora quando lembrei que não havia fotografado e filmado o centro de San Pedro. Voltamos para realizar a tarefa. Fomos então ao Vale da Morte e novamente ao Vale da Lua. Seguimos para Calama onde comemos lanches no posto Esso e chegamos a Iquique ao anoitecer. Após excessiva procura, achamos um bom apart-hotel por 22.000 Pesos (R$ 110). O único problema era controlar a ducha que acabou por molhar todo o banheiro e o corredor do apartamento.
05/12/03 – IQUIQUE – ARICA - 359 Km
Devido ao forte cansaço, reflexo principalmente da procura por hotel no dia anterior, saímos tarde. Fomos ao Zofri Mall, ao norte da cidade. É considerada a Zona Franca, embora toda a região I do Chile seja Zona Franca. Comprei uma pochete/mochila Doite e lanterna de Led. No geral há alguns itens baratos, mas deve-se garimpar bastante. Pegamos a Panamericana e chegamos a Arica por volta das 19:00hs, mas demoramos a achar um hotel bom e barato. Ficamos em um hotel muito bom (Hotel Avenida), novinho, mas um pouco acima do orçamento – 25.000 Pesos (= R$ 125). Nossa primeira opção eram umas cabañas na entrada da cidade, mas não havia ninguém para atender. No calçadão do centro, comemos lanches e filet a lo Pobre. Muito bom.
06/12/03 – ARICA – LA PAZ - 540 Km
Café no quarto. Deveria custar o mesmo preço, mas quiseram cobrar mais. Não aceitamos. Pagamos apenas o combinado no check-in. Ao abastecer (inclusive a bombona, para eventualidades no caminho), encontramos um senhor com a camisa do Santos. Nascido em Arica, hoje mora em São Paulo, mas já residiu e possui um apartamento em Jordanópolis (São Bernardo). Pegamos a estrada (errada) e percebemos, após 13 Km, que o caminho não era aquele. Pegamos então um “atalho” de rípio sobre uma montanha, trecho este de cerca de 20 Km. No total a perda foi de cerca de 10 Km. Na subida, paramos para tirar fotos de Putre e acabamos comprando artesanatos de uma senhora. Enquanto comprávamos, apareceu um condor que passou duas vezes sobre nós. O motorista do ônibus turístico que havia parado alegou que era realmente um condor. Os turistas acabaram conversando muito conosco. Pessoas bastante simpáticas. Paramos muitas vezes nas proximidades do Lago Chungará para fotografar e filmar.
Demoramos bastante, a ponto de cruzar a fronteira por volta das 15:00 hs (14:00 hs na Bolívia). Após a Aduana, seguimos para La Paz. Surpreendentemente foi uma das melhores estradas até o momento. A Inês quis dirigir, apesar de estarmos acima dos 4.000 m e acabou dirigindo por 90 Km. Chegamos a região próxima a La Paz, pela bagunça denominada El Alto. Cães, pessoas, carros e ônibus dividindo o mesmo espaço, sem regras definidas. Ficamos cerca de 5 hs procurando hotel em La Paz. No intervalo paramos para comer em um Burger King, onde havia 3 brasileiros, estudantes ou formados em faculdades de La Paz. Criticaram muito tudo relacionado à Bolívia, como costumes, corrupção, etc. Mas nos deram muitas dicas. No final da noite, por volta das 23:00 hs, finalmente achamos um bom hotel (Maxin) que custou US$ 40. Todos os hoteis são cobrados em dólar e são caros. Mesmo sendo uma reprise, torci muito pelo Parana contra o Corinthians pelo campeonato brasileiro, em jogo que passava na TV.
07/12/03 – LA PAZ – TIAHUANACU – LA PAZ - 183 Km
Acordamos tarde, exaustos pela falta de ar e pela procura por hotel no dia anterior. Após o café, tipo buffet, fomos à Tiahuanacu. Muita confusão no trânsito maluco de El Alto. Após El Alto, a estrada, pedagiada, é muito boa. Em Tiahuanacu há agora 2 museus, sendo o último inaugurado em Junho de 2002. Pagamos 53 Bolivianos (=R$ 21 = US$ 7), sendo 25 cada adulto estrangeiro e 3 para estudantes (chorado pois queriam cobrar 10 Bolivianos, o preço do adulto boliviano). O ingresso é válido para os dois museus, o sítio de Tiahuanacu e mais um sítio próximo. Um guia custaria mais 50 Bolivianos. Fomos por nossa conta. No meio do sítio, um senhor, dizendo ser arqueólogo começou a nos dar explicações. Acabamos dando 10 Bolivianos a ele. Tiahuanaco é uma civilização anterior aos Incas, com seu ápice provavelmente entre 2000 e 1000 A.C. Como há poucos registros e suas obras foram monumentais, utilizando rochas maiores que as utilizadas pelos Incas, com encaixe perfeito, há muitas teorias heterodoxas sobre este povo. Variam desde explicações baseadas em origem extraterrestre, até explicações mostrando Tiahuanacu como Atlântida. Realmente um local misterioso.
Voltamos a La Paz e fomos novamente ao Burger King. Visitamos também o supermercado ao lado. Cada vez mais os supermercados estão parecidos em qualquer país, pela globalização. Acabam sobrando poucas marcas fortes, presentes em todo o mundo. Em seguida fomos ver o Vale da Lua, no limite sul da cidade. É uma paisagem muito linda, realmente lunática, pena que as mansões e clube de tiro (!!!) estão cercando esta área. No fim da tarde, a Inês ficou descansando no hotel, enquanto eu e o Érik saímos à pé pelo centro. Andamos cerca de 2 Km e entramos em algumas galerias. Jantamos Miojo. No Fantástico passou uma matéria sobre novos talentos e mostrou 2 repórteres (não muito sérios) entrevistando 2 pessoas na praia de Santos. Ambos, os entrevistados, trabalham comigo na Canbras. Depois fiquei sabendo que haviam gravado a cena em 1996.
08/12/03 – LA PAZ – PUNO - 355 Km
Saímos por volta das 9:00 hs e fomos direto para Chacaltaya. Direto é modo de dizer, afinal não há placas indicativas, o que torna o passeio uma aventura, pois o caminho é feito através de ruas secundárias em El Alto.
Apesar disto, erramos por apenas 500 metros. Chacaltaya é uma montanha cujo pico fica a 5395 metros de altitude e há uma base, onde se chega de carro, a 5260 metros. É a estação de esqui mais alta do mundo. Com a altitude e a pouca largura da estrada, com muitas curvas, a Inês e o Érik foram ficando nervosos. Mal da altitude. Somente eu fiz a caminhada até o topo do Chacaltaya. Falta ar, mas vale a pena. As vistas do Altiplano, de La Paz, do Huyana Potosi e do outro lado da cordilheira, já em sua descida para a floresta, são magníficas.
Fomos em seguida para Copacabana, via balsa. Como o pedágio e a própria balsa consumiram quase todo o dinheiro (sobrando apenas 70 centavos bolivianos), tivemos que pagar os 4,5 Bolivianos relativos a travessia dos passageiros, em Dólar (US$ 1).
Passamos pela bonita e colorida Copacabana e atravessamos para o lado peruano. No total, apesar do trânsito caótico, vimos apenas 1 acidente. Os trâmites burocráticos nesta aduana, embora ainda confusos, são bem mais organizados e fáceis que na divisa Arica/Tacna. A opção foi boa também porque descobrimos mais adiante que a Panamericana estava parada em função de protestos, já há alguns dias. Um policial solicitou propina, mas aleguei que precisava sacar dinheiro. Graças a Deus foi o único em todo o Perú, mesmo tendo sido parados diversas vezes para checar nossos documentos ou nosso rumo. Chegamos a Puno às 17:30 e achamos o Hostal que eu havia ficado em 1999 (Hostal Maria Angola = US$ 35 para latino-americanos e US$ 65 para europeus). Fomos ao centro e compramos um pouco de artesanato. Jantamos uma boa pizza. Como o carro ficou em um estacionamento do centro, descarregamos quase tudo.
09/12/03 – PUNO – CUSCO – 393 Km
Com os equipamentos mais valiosos (afinal nossa bagagem havia ficado no hotel), chegamos ao porto de Puno de táxi, por 3 soles (= R$ 2,60) e esperamos quase uma hora para saída do barco. Visitamos 3 das ilhas Uros, que são ilhas flutuantes feitas de Totora (uma espécie de Junco). Os indígenas locais utilizavam barcos deste material, e ao empilhar as carcaças, perceberam que o material não afundava. Começaram então a viver nestes locais, que viraram ilhas flutuantes. Hoje há ilhas fechadas ao turismo e outras que sobrevivem do turismo. Há até escolas nas ilhas. Vendem bastante artesanato. Entre a primeira e a segunda ilha, fomos de barco de Totora, pagando a parte. Foi um dos locais mais interessantes da viagem.
Pegamos a estrada para Cusco às 13:00 hs e chegamos às 18:30 hs. Ficamos no Hostal El Conquistador a meia quadra da Plaza de Armas, por US$ 28. Na porta, 2 guias nos levaram para dentro e “agenciaram” um desconto. Ficamos de conversar no dia seguinte sobre os custos dos passeios. Saímos para pesquisar os preços dos tours e comemos uma excelente pizza em uma pequena viela (calle Procuradores) que saí da Plaza de Armas do lado oposto ao da Igreja La Compañia (não é a catedral). Ficamos em dúvida quanto a fazer o tour de 1 dia para Macchu Pichu (que sairia em torno de US$ 250) ou o tour de 3 dias, incluíndo 80% do tour pelo vale Sagrado, passagem noturna de trem de Ollantaytambo para Águas Calientes, 2 noites de hotel com café em Águas Calientes, ônibus para Macchu Pichu, entrada e guia e a volta de trem, ao amanhecer, para Ollantaytambo. A volta de Ollantaytambo para Cusco seria por nossa conta (12 Soles) de ônibus. Tudo por US$ 230 (menor custo pois as passagens de trem noturnas são bem mais baratas). Outra dúvida era onde deixar guardado o carro, que agora estava em um estacionamento. Havíamos questionado a senhora de uma empresa de turismo se havia uma garagem particular mais segura, mas a resposta foi negativa.
10/12/03 – CUSCO – 0 Km
Na saída do café, os dois guias estavam nos esperando para conversar sobre os pacotes. Apresentamos os menores preços que pesquisamos e os mesmos foram cobertos. O carro ficaria no estacionamento e o guia olharia diariamente. Optamos então pelo pacote de 3 dias, mais interessante e barato (US$ 230). Demos uma volta pela cidade e já compramos o citi tour por S./20 para os dois e o Érik não pagando, mais US$ 25 (10+10+5) do Boleto Turístico (necessário para qualquer atração em Cusco e região). Almoçamos um delicioso creme de champignon e spagheti, num menu turístico. Fomos ao citi tour e pegamos chuva no fim da tarde, o que atrapalhou a visita aos sítios abertos, como Sacsywaman, Q`enqo, Pukapukara e Tambomachay. Conhecemos um casal de Australiano / Peruana com filhos australianos durante o citi tour. No começo parecia o Indiana Jones, mas mais tarde me convenci que parecia mais com o Crocodilo Dundee. Voltamos a Cusco e assistimos ao 1º jogo da final da copa Sulamericana, entre o time de Cusco – Cienciano – e o River Plate, em um telão na Plaza de Armas. Muita gente, mas um ambiente muito tranquilo. Jogão, 3 a 3, numa partida muito bonita e disputada.
O Érik foi a um Cyber-café ver seus emails e conversar no MSN e a Inês ficou nas lojas. Comemos uma deliciosa pizza.
11/12/03 – CUSCO – ÁGUAS CALIENTES – 0 Km
Saímos do hotel, como combinado às 8:45 hs, mas o ônibus já havia passado às 8:30 hs. Voltou às 9:00 hs, mas como havia muita gente, acabamos ficando em bancos separados. Isto acabou sendo interessante, pois conhecemos pessoas do Canada, nascidas no Perú, francesa, italiano, peruanos, australianos e neozelandeses. Meus comentários sobre rugbi provocaram pequenas desavenças entre a família australiana e a família neozelandesa. Há muita miscigenação, no casal neozelandês, o marido era peruano e no casal australiano, a esposa era peruana. Havia um senhor de Arequipa com sua família que também estava no citi tour. Ele nos deu seu cartão e pediu para visitá-lo na semana seguinte, quando estaríamos em Arequipa. Havia um brasileiro também.
Demos uma parada no mercado de Pisac e ao voltar ao ônibus, começou a chover. Subimos ao sítio de Pisac e a chuva piorou. Compramos uma capa e estávamos de guarda-chuva, mas não adiantou muito. Voltamos ao ônibus encharcados e fomos almoçar em um restaurante tipo buffet (atenção – não se permite repetir algumas coisas, como sobremesa). Custou S./ 32. Fomos então a Ollantaytambo, onde eu e o Érik subimos até o alto, ouvindo as explicações do guia. Achei fraco, faltando explicar a parte baixa, dos aquedutos. Deixamos a excursão, nos despedindo em diversos idiomas. Ficamos na plaza de armas de Ollantaytambo muito cedo, fazendo hora pois o trem demoraria para sair. O Érik tentou ir a um cyber-café mas havia vírus nos computadores. A Inês deu uma volta pela pequena praça, vendo artesanatos, enquanto eu fiquei cuidando das malas. Por volta das 17:30 fomos a estação de trem, andando cerca de 1,5 Km, onde o Ernesto estava nos esperando com os vouchers. Ficamos aguardando na sala de embarque, escrevendo nossos diários de bordo. Quando o trem partiu, corremos para um banco vago, onde ficamos juntos. Mais confortável do que ficar de frente, joelho a joelho com pessoas desconhecidas. Chegamos em Águas Calientes por volta das 22:00 hs, pois algumas paradas demoraram mais do que o previsto. Subimos uma grande ladeira, cheia de hostais, hoteis (um deles de 3 estrelas) e restaurantes. Nosso hostal (chamado Cabañas) fica quase no final. Muito bom, exceto pela dificuldade com a água fria e quente no banho e o cheiro de esgoto no ralo. A falta de água fria ainda adiou nosso tão esperado banho para o dia seguinte.
12/12/03 – ÁGUAS CALIENTES – MACCHU PICHU – 0 Km
Chuva, café da manhã e mais chuva. Um dos dias mais aguardados e caros da viagem começa mal. Saímos com capas e chegamos a Macchu Pichu às 10:00 hs. O Érik chegou com dor de cabeça. Continuava chovendo. Nossas orações e uma água de S./7 (=US$ 2) fizeram com que ele melhorasse rapidamente. Ainda chovia. Perdi um tempão até achar nosso guia. Eu não o conhecia e ele deveria estar nos chamando na entrada. Como os guias estavam entrando, fui atrás de todos e não achei-o. Voltei à entrada e lá estava ele. Era 12:35 hs. Durante quase toda a visita não choveu. Apenas no finalzinho, começou novamente. Muita neblina o dia todo. Como passamos pela entrada da trilha do Huyana Pichu após as 14:00 hs, não foi possível fazer a caminhada. Encontramos a francesa que conhecemos no citi tour e que também estava no vale Sagrado. Macchu Pichu, mesmo com chuva, é um lugar fantástico. Nunca conquistado pelos espanhóis, só foi descoberto em 1911. A paisagem é fantástica, no centro de um conjunto circular de montanhas e com o rio Urubamba, centenas de metros abaixo, serpenteando o estreito vale. As construções são realmente monumentais para tal local de difícil acesso. Realmente um dos lugares mais extraordinários do planeta.
Saímos por volta das 15:30 hs, indo almoçar em Águas Calientes, onde o preço é bem mais baixo. Menu turístico, com salmão, creme de aspargos e suco por S./10. Muito bom. Fui dormir um pouco e a Inês e o Érik ficaram passeando, em uma rua de artesanatos e no local dos banhos de águas térmicas. Embora tivessem vontade, acabaram não entrando, pois havia pouca iluminação e um sapo no caminho. À noite, saí para tirar fotos e filmar e acabei encontrando os australianos que conhecemos no citi tour.
13/12/03 – ÁGUAS CALIENTES – CUSCO – ABANCAY – 200 Km
Acordamos às 4:35 hs e tomamos nosso café às 5:00 hs. Saímos rapidamente para pegar o trem, agora um pouco mais lotado, não permitindo troca de bancos. Conversamos com um americano do Colorado que está conhecendo o Perú, após passar pela Bolívia, Chile e Argentina (inclusive Ushuaia, Torres Del Paine e Perito Moreno) de avião. Conversamos também com um Catarinense que chegou de ônibus. Chegamos a Ollantaytambo às 7:30 hs e pegamos uma moto-taxí com cobertura até a plaza de armas. Pegamos um ônibus para Cusco, que parou a cerca de 1 Km de nosso hotel. Deixamos as mochilas no carro, que estava bem, graças a Deus e fomos passear mais um pouco pela bela cidade de Cusco. Artesanatos e, pelo mesmo preço da água de 500 ml de Macchu Pichu, comemos em um restaurante vizinho ao da Pizza de 2 dias atrás, um delicioso menu turístico, a base de Truta, suco misto e creme de tomate.
Pegamos o carro, as malas que estavam no depósito do Hostal e partimos para Abancay. São 180 Km de serras pela Província de Apurimac, subindo e descendo várias vezes entre 2000 e 4050 metros, o que demorou cerca de 4 horas. A estrada é nova e muito boa. Mais tarde descobrimos que há marketing de que em Apurimac há o canyon mais alto do mundo. Informação conflitante com a de que o mais alto é o Colca. Chegamos a Abancay, que parecia ser um local muito bonito, tanto pelas informações de guias, quanto pelos outdoors que chamavam-na de Suiça peruana ou mesmo pela vista da serra ao chegar.
Decepção, a cidade não é nem um pouco atrativa. Ficamos em um bom hotel, no melhor apartamento após chorar bastante, pois queríamos um dos quartos mais simples, que estavam lotados. Acabamos pagando cerca de 60% do preço da tabela (US$ 33). TV a cabo, geladeira, etc. Tiramos toda a bagagem para arrumar.
14/12/03 – ABANCAY – NAZCA – 477 Km
Mal começo de dia assistindo ao Boca ser campeão Mundial em Tokio. Também foi complicado sair da cidade, por falta de indicações. Embora a estrada fosse relativamente nova, as constantes curvas, subidas e descidas fizeram com que percorrêssemos 470 Km em quase 8:30 hs. Em alguns trechos há enormes pedras que deslizam de grandes paredões verticais abertos na construção da rodovia. Faltou um pouco de cuidado técnico no projeto e construção da rodovia. Animais na pista e pequenos povoados também causaram demora. Ficamos muito tempo acima dos 4000 m, chegando a atingir 4575 m. Apenas no final do percurso se desce a serra, chegando aos 800 m de Nazca. Em Nazca, por sinal uma cidade sem qualquer outro atrativo, ficamos em um Hostal por S./40 (=US$12) indicado pelo nosso guia. Foi uma barganha em relação a outros hotéis no Perú (o preço inicial era S./50, mas o Érik pediu um “descuento”). Compramos um pacote para o sobrevôo das linhas de Nazca por US$30 cada um, mais S./10 de tarifa de aeroporto, também cada um. Em seguida fomos comer uma pizza ruim. Deixamos o carro em um estacionamento próximo, pois o Hostal não possui garagem.
15/12/03 – NAZCA – LIMA – 473 Km
Às 8:00 hs a Van passou em frente ao hotel como combinado. Por segurança (não deixar a bagagem no hotel ou no carro, quando este está em local de risco), fomos em nosso carro, seguindo a Van, até o Aeroporto. Ao efetuar o pagamento, nosso credicard não funcionou. Pagamos então com o Visa.
Embarcamos em um Cesna de 3 passageiros, com um piloto extremamente simpático. Fizemos um vôo de 35 minutos passando pelas principais linhas. É impressionante, principalmente sabendo que foram feitas por um povo que não desfrutaria das mesmas, visto que do chão não é possível visualizar nada. Eu fiquei fotografando e o Érik filmando, mas ele passou mal ao olhar fixamente no visor. O piloto então abriu a janela para circular mais ar. 2 minutos depois, o Érik estava melhor. O avião aderna bastante para que as pessoas de ambos os lados possam ver as linhas. As linhas em forma de figuras tem mais de 100 metros, chegando a ter mais de 250 metros no caso do Albatroz. O beija-flor tem mais de 100 metros.
A figura do astronauta chama a atenção por não estar no plano, como a maioria e o desenho não ser formado por linhas retas. Pode ter sido a única realmente feita pelo povo Nazca. O piloto também “regalou” o Érik com uma figura que não faz parte do pacote, um pequeno dinossauro. Terminado o passeio, fomos ao hostal em frente (Nido Del Condor), que pertence ao grupo da companhia aérea (Aero Condor), para assistir ao vídeo e utilizar a piscina que fazia parte do pacote. Ao sair e entrar no vestiário, uma funcionária queria cobra pelo uso da piscina. Isto deixou a Inês bastante irritada. No final a funcionária disse que foi um erro e pediu desculpas. No mesmo hostal, aproveitei para ligar 2 vezes para meus pais para tentar resolver o problema do Mastercard. A Mastercard disse que o problema foi de digitação no código de segurança e não do cartão. Também tive problemas ao abastecer e pagar o hotel à noite. Acredito que tenha sido um problema de comunicação internacional. Compramos algum artesanato em Nazca e tentamos tirar dinheiro em um caixa. Não funcionou. Quase sem dinheiro, pegamos a panamericana com destino a Lima, por volta das 15:30 hs, comendo Nutri e bolachas. Graças a Deus que dos 4 ou 5 pedágios apenas 1 era pago neste sentido de tráfego. No caminho ainda paramos em uma torre de observação das linhas, para ver melhor 2 figuras de Nazca. Muito vento e pouca visão. A Panamericana está excelente nos últimos 140 Km para Lima. Tudo duplicado e 3 faixas de cada lado na região metropolitana. Chegamos à noite. Paramos em uma Pizza Hut, mas estava muito cara. Acabamos indo, após conseguir finalmente retirar dinheiro em um caixa, a uma lanchonete de rede peruana, ao estilo MC Donald’s, mas com lanches melhores, chamada Bembos. A cidade, ao contrário de minhas impressões de 1999, é muito grande, com 8 milhões de habitantes, com muitas avenidas e vias expressas. Esta é a diferença entre utilizar o próprio automóvel ao invés de chegar e sair pelo aeroporto. Bem americanizada com diversas redes de fast-food (MC Donald’s, Pizza Hut, KFC), lojas de redes americanas (Radio Shack) e grandes magazines (Ripley´s). Ficamos em um hostal (S./80) que, embora com estacionamento comum, recepção e elevador usuais, em alguns detalhes mostrou ser quase que um motel. Havia, na própria Panamericana, um hostal que parecia ser melhor e mais barato (S./30 a 50), mas a proprietária estranhamente não nos deixou checar o apartamento antes de fechar o negócio.
16/12/03 – LIMA – 80 Km
Sem café, que não estava incluso, fomos inicialmente dar uma volta em Miraflôres, o local mais bonito e moderno de Lima. Depois fui tirar fotos do Centro administrativo de Lima (Plaza Mayor), onde está o palácio do Governo, a Prefeitura e a Catedral. A Inês e o Érik ficaram no carro em um estacionamento enquanto fui sozinho (mais de 1 Km), Aproveitei e parei em uma galeria de artesanato, a uma quadra da Catedral, o local mais barato em todo o Perú.
Ao chegar na praça para tirar fotos, percebi que a porta da câmera fotográfica estava quebrada e aberta. Tirei o filme e coloquei um novo. Amarrei com o cadarço. A solução provisória estava muito perigosa e, alguns dias depois, troquei o cadarço por silver tape, bem mais segura. Fomos ao Jockey Shopping onde almoçamos e demos algumas voltas, inclusive no supermercado. No fim da tarde fomos ao Shopping Larcomar, o mais bonito que conhecemos, aberto e localizado em uma falésia, de frente ao mar. Apenas lojas de produtos sofisticados. Praça de alimentação excelente. Tudo caro. Um segurança veio avisar que eu não poderia filmar, mas já tinha filmado tudo que queria.
17/12/03 – LIMA – NAZCA – 557 Km
Saímos do hotel as 5:00 hs para tentar fazer um passeio às Ilhas Ballestas, na Reserva Nacional de Paracas. Chegamos antes das 9:00 hs, mas dois barcos já haviam saído. Seríamos o primeiro da lista, mas era necessário pelo menos 18. Custaria S./40 por pessoa. Chegou uma excursão de estudantes onde iriam cobrar S./25 por pessoa, inclusive por adultos, por ser uma excursão. Forçamos para cobrarem S./25 pelo menos para o Érik. De forma mal-educada disseram que um grupo iria sair e que deveríamos pagar S./120. Tchau. Passeamos pela reserva, de carro, em sua parte continental. Vimos uma colônia de lobos-marinhos e muitas formações rochosas, sendo a “Catedral”, a melhor. É uma caverna com a “boca” voltada para um arco sobre o mar.
A Inês dirigiu mais de 100 Km. Chegamos a Nazca antes das 5:00 hs, passeamos, comemos uma pizza e fomos ao hotel.
18/12/03 – NAZCA – AREQUIPA – 582 Km
A estrada para Arequipa é linda, passando por montanhas que caem direto ao mar, lembrando a famosa Highway 1 da California. Alguns trechos com belas e desertas praias.
Almoçamos peixes e camarão em Camana. Chegamos cedo em Arequipa, ficando em um Motel. Fomos visitar o Sr. Willye, que conhecemos em Cusco, em seu escritório (uma fábrica de parafusos). Combinamos de assistir à final da Copa Sulamericana em sua residência na noite seguinte (Cienciano x River, no estádio de Arequipa, a 500m de sua residência). A noite fomos à Plaza de Armas, talvez a mais bonita do Perú.
Voltamos ao motel por volta das 22:00 hs para dormir cedo, pois sairíamos muito cedo para o Canyon Colca no dia seguinte.
19/12/03 – AREQUIPA – COLCA – AREQUIPA – 442 Km
A idéia era sair cedo, por volta das 4:15 hs para ver o vôo do Condor no Canyon Colca, que ocorre somente pela manhã. Não ouvi o despertador que deve ter tocado às 3:50 hs. Foi uma noite difícil, com o telefone da recepção que não parava de tocar e o rádio que não desligava totalmente. A Inês foi dormir no carro. Acabamos atrasando e saindo as 5:00 hs. Erramos também na saída da cidade, pois para ir para o leste, deve-se ir primeiro ao oeste, contornar 3 vulcões para seguir a leste. Muitas curvas em uma estrada bonita, conservada, mas perigosa. Esta estrada vai até Juliaca, seguindo então para Puno ou Cusco. Após 80 Km há um acesso para Chivay. Terra com pedras nos primeiros 25 Km. Muito ruim. O carro pula demais. Até Chivay há um trecho de serra (subida) já asfaltado e a descida está em obras para asfaltar, o que acarretou mais um atraso. No caminho a paisagem é muito linda, com neve, lago, lhamas e belas montanhas. Ficamos de tirar as fotos na volta, pois havia pressa.
Chegamos em Chivay e já pegamos rapidamente a estrada para o Mirante Cruz Del Condor. Chegamos as 9:15 hs e o Condor estava passando. Deu apenas tempo de filmar um pouco, pois ele estava indo embora. Esperamos até as 10:00 hs, mas não houve mais nenhum vôo de Condor. O Canyon é lindo, extremamente alto, chegando a mais de 3400 m de altura em alguns pontos. Plantações em formas de degraus, uma técnica inca, estão presentes ao longo do Vale. As montanhas de frente possuem, em seu lado oposto, uma das nascentes do Rio Amazonas, descoberta que tornou-o mais comprido que o Rio Nilo. A altitude, em torno de 4000 metros, no mirante, após passarmos por locais de 4600 metros, fez com que o Érik passasse mal. No mirante havia muitas vendedoras de artesanatos, dando um colorido bonito ao local. Ao voltar, paramos um pouco em Chivay e pegamos a estrada de volta. Já não havia mais neve para fotografarmos na volta, derretida pelo forte sol. O trajeto de Arequipa – Mirante – Arequipa foi de 410 Km (excetuando-se os erros). Chegamos a Arequipa por volta das 14:30 hs e fomos ao Burger King, em um pequeno shopping das lojas Falabella. Escolhemos um hotel melhor, bem mais cômodo. Saímos para assistir ao jogo do Cienciano x River na casa do Sr. Willye. Fomos muito bem recebidos pelo Sr Willye e sua família. Serviram um saboroso jantar. Tiramos fotos e comemoramos ao campeonato conquistado pelo Cienciano. O jogo aconteceu a apenas 500 m da casa do Sr. Willye.
20/12/03 – AREQUIPA – IQUIQUE – 770 Km
Deserto. Esta é a paisagem que fica em nossa memória para este trecho da viagem. Parece mais seco que o próprio Atacama, inclusive com menos vegetação. A Panamericana tem vários trechos com retas de mais de 20 Km. Há uma reta de 33 Km! Na hora do almoço, em Tacna, a Inês e o Érik deram uma volta para gastar os últimos S./13 (=R$ 11 = US$ 4). Não conseguiram achar o gostoso milho frito, um dos pontos altos de qualquer viagem ao Perú. Após uma breve arrumada na bagagem, fomos enfrentar a complicada fronteira. Enroscada do lado peruano, onde tivemos até que comprar formulários (= R$ 5), mas, ao menos desta vez, pior do lado chileno. Raio-x da bagagem é norma para procura de drogas e produtos agropecuários. Desta vez perguntei se era necessário passar com tudo. Falaram que só as bagagens maiores. Falei para ele avisar quando parar. Com isto não precisamos descarregar o carro inteiro. Foi longa a espera para preencher o formulário do carro. Um senhor de certa idade se mostrou o funcionário mais confuso dentre as aduanas chilenas que conhecemos. Finalmente, depois de 1h40m, fomos liberados. Paramos em Arica em um posto para abastecer o carro e comer um lanche. Acima de 5000 Pesos Chilenos de combustível (=US$ 8), que equivale a 12 litros, pode-se comprar uma camiseta por 990 Pesos (= US$ 1,7). Compramos 2, “made in Brasil”! Embora tenhamos perdido 2 horas no fuso, decidimos ir adiante até Iquique. Queríamos usufruir do comércio da Zona Franca e não sabíamos se o comercio abriria no dia seguinte, Domingo. Só chegamos as 22:20 hs e fomos direto ao shopping que ficaria aberto até as 23:00 hs. Checamos os preços, tomamos um lanche e fomos ao flat. Estava lotado. Conseguimos outro hotel por volta da meia-noite, no centro, encaixando o carro em uma meia-garagem.
21/12/03 – IQUIQUE – ANTOFAGASTA – 475 Km
Finalmente acordamos tarde, em função da Zona Franca – Zofri Mall – só abrir as 11:00 hs. Quase chegando, um garoto que limpa para-brisas tornou-se agressivo em nossa recusa de dar dinheiro, ameaçando entortar o limpador. Possivelmente um problema de drogas. Demos um pouco de suco e ele contentou-se. Ficamos no Zofri por cerca de 2 horas. Passamos em um posto COPEC, em uma loja de conveniência chamada PRONTO. Bons lanches e boas promoções (bem melhores que as do Brasil). Escolhemos a estrada costaneira para chegar a Antofagasta. É a melhor escolha. Paisagens cinematográficas. Passamos pela aduana (o norte é zona franca). Chegamos cedo em Antofagasta, parando para tirar fotos na Rocha Portada, uma grande rocha furada em mar aberto. Como já estava meio escuro, decidimos voltar dia seguinte para mais fotos.
Paramos em um supermercado com praça de alimentação e lojas, quase um shopping. Uma dica é não comer o lanche de churrasco do Lomito’s, muito ruim. O peixe do restaurante chinês, em compensação, é excelente. Fomos procurar Hotel. As opções eram ou muito caras ou ruins e sem garagens. Voltamos então para entrada norte da cidade onde havia um motel. Ficamos em um quarto familiar. Pena que deixamos um pouco aberta a porta e entraram pernilongos. Outro problema foram os cães de guarda, que latiram muito pela manhã. Opção barata (13000 Pesos = US$21,5).
22/12/03 – ANTOFAGASTA – CALDERA – 553 Km
Organizamos um pouco o carro e fomos novamente tirar fotos da Portada. Ao voltar à Panamericana, paramos na “Mano Del Desierto”, uma escultura de cerca de 8 metros mostrando uma mão, saindo da areia, simbolizando o desespero dos viajantes perdidos e morrendo no deserto.
A Inês dirigiu por cerca de 200 Km, quando paramos para comer lanches, no carro. Eu segui dirigindo e peguei 3 desvios, totalizando uns 20 Km de terra, o pior trecho da Panamericana no trecho norte da Panamericana Chilena. Chegamos a Chañarral, abastecemos e fotografamos lobos-marinhos no litoral.
Paramos em um Hotel, em frente à entrada de Caldera. Muito bom, com cabañas e apartamentos (25000 pesos a cabaña e 18000 e 15000 pesos os apartamentos – escolhemos o apartamento de 15000 pesos = US$30 = R$ 90). Piscina, parquinho, campo de futebol e animais (lhama, coelhos). Bem equipado. Dormimos um pouco e saímos para jantar no centro. Aniversário de casamento. Comemos peixes. Muito bom, principalmente o congrio. Demos uma volta por Baia Inglesa. O local é interessante, com diversos hoteis bons. Aparenta ser caro.
23/12/03 – CALDERA – VICUÑA - 515 Km
Sem café, saímos pela manhã, em meio a muita neblina e um pouco de frio. Almoçamos em um posto COPEC e chegamos a La Serena por volta das 14:30 hs. A cidade é bem bonita. Fomos ao mercado artesanal La Recova. Uma das construções mais interessantes do Chile. A parte de fora é um mercado de alimentos. Na parte de dentro, aberta pelo alto, somente artesanatos. Lembra um pouco uma construção com arquitetura mexicana.
Fomos a Vicuña, cidade pequena, onde já reservamos o passeio para o observatório do Cerro Mamalluca. Este é um observatório preparado para finalidades turísticas, em contraposição aos maiores observatórios do mundo, presentes na região, administrados por Europeus ou Americanos. Combinamos voltar ao local por volta das 20:00 hs. Escolhemos um hotel (15000 pesos) quase bom. O problema era apenas a enorme quantidade de formigas. Passeamos pela cidade e aproveitamos para ligar para o Patrício e a Marcela, nossos amigos de Santiago. O Érik ficou num cyber-café. Fomos ao observatório de carro, em comboio. Chegamos ao local, ainda de dia, por volta das 21:00 hs (o comboio demorou a sair do centro da cidade, onde compramos o passeio). Assistimos ao vídeo, que já havia começado. O observatório e todo o passeio é um pouco amador, com telescópios pouco potentes e sem um roteiro bem definido de como apresentar. É interessante, mas se formos comparar, sugiro uma visita ao nosso Observatório e Planetário de Brotas.
24/12/03 – VICUÑA – SANTIAGO – 615 Km
Saímos, não muito cedo. A Inês dirigiu 215 Km. Chegamos a Santiago por volta das 16:30 hs. Desta vez encontramos um hotel mais rapidamente (em 2001 não conseguimos encontrar hotel), perto do Cerro San Cristobal por US$ 38 ou 22000 Pesos. O preço foi bem chorado pelo Érik que negociou com o próprio dono, mostrando sua carteira de estudante. Ajudou bastante. Fomos ao Shopping, comprei os tão procurados guias turísticos TURISTEL, do sul e centro do Chile (já tinhamos o do Norte), jantamos e ligamos para nossos familiares, desejando um feliz Natal. Passamos ainda em uma feira de artesanato.
25/12/03 – SANTIAGO – 15 Km
Saímos as 10:30 e fomos ao teleférico do Cerro San Cristobal, onde se tem uma bonita vista da cidade. Infelizmente um smog (smoke + fog) cobre a cidade constantemente e fica difícil ver a cordilheira ao fundo. Muito rápido o teleférico. Descemos e fomos à casa da família Berrios, nossos amigos chilenos. Ficamos conversando entre 13:00 e 00:30 hs. Voltamos ao hotel por volta de 1:00 h.
26/12/03 – SANTIAGO – MENDOZA – 403 Km
Antes de rumar ao norte, demos uma volta de carro pelo centro de Santiago. Paramos em Los Andes para gastar os 4000 Pesos restantes. Deixei para abastecer mais adiante e só havia um posto que não aceitava cartão de crédito. Pus o mínimo necessário e paguei com Pesos argentinos, ou seja, bem mais caro. A rodovia que cruza os andes passa por locais muito bonitos. Os trâmites na aduana argentina demoraram mais de 1:30 hs, irritando bastante, afinal a estrutura é gigantesca, mas faltam pessoas e organização. Entramos no Parque provincial do Aconcágua, passando pela Laguna Horcones, onde se tem uma bonita visão do ponto culminante das Américas, o Aconcágua, com seus 6959 metros.
Passamos por Uspallata, onde filmaram “Sete anos no Tibet”, mas o povoado não é muito chamativ...
Travessia – Ponta da Juatinga/RJ, por Eduardo Lereno
O Fábio saindo de férias e eu terminando a faculdade. Tinha que rolar uma travessia...
Dessa vez escolhemos a Ponta da Juatinga, uma caminhada forte de 3 dias que tem em sua rota Mata Atlântica, praias e mar, contornando uma grande península próxima a Paraty.
Saímos de São Paulo sexta-feira à noite, chegando em Paraty quase 5h da manhã do dia seguinte.
1º dia: 16/12 – sábado
Na rodoviária de Paraty, tomamos o ônibus das 5h30m para Paraty Mirim, chegando lá às 6h. Esperamos um pouco no pequeno vilarejo à beira mar, que tem uma sede da Reserva Ecológica da Juatinga, até o barco do Sr.Silas chegar. Negociamos com ele a travessia do Saco do Mamanguá, que é uma passagem de 4km pelo mar, para se chegar à praia de Caieiras, onde começa a trilha. Com o barco pequeno e rápido, atravessamos em 15 minutos. No caminho, já víamos o que nos esperava pela frente, uma elevação de 420m de altura e mata exuberante, para começar bem a travessia.
Descemos do barco e já pegamos a trilha. No início, pés de jaca apinhados. A trilha não deu trégua e depois de 1 hora de subida chegamos até um lugar que entrou em nível e parecia ser o topo, pois era desmatado, não dava para ver mais subidas e tinha uma trilha bem aberta descendo à esquerda. Depois de tomar o café-da-manhã e descansar um pouco começamos a descer, mas essa rota deu numa armação de um abrigo de madeira e depois se fechou. Fomos nos embrenhando cada vez mais no mato, com palmeiras cheias de espinhos, e não saíamos em lugar nenhum. A decisão foi voltar. Chegamos naquele ponto onde parecia ser o topo e encontramos outra trilha. Depois de caminhar em nível por um tempo ela voltou a subir e as características do caminho foram batendo com as informações do roteiro que tínhamos em mãos. Agora estávamos certos. Na descida já dava para ver por algumas “janelas” da mata a primeira praia do caminho, a praia Grande da Cajaíba.
Vendo a areia fofa e o mar clarinho, já fomos deixando nossas coisas embaixo de uma árvore e caímos no mar. Ficamos um bom tempo aproveitando e depois fizemos um lanche na sombra da árvore. Nessa praia ainda vimos algumas pessoas que vão de barco e tem até dois barzinhos. Mas isso mudaria mais para frente.
Logo atrás da praia tem um rio bonito, a água em tons esverdeados. Foi a vez de mergulhar na água doce e curtir mais um pouco.
Depois fizemos uma trilha que leva a uma queda d’água desse mesmo rio, mais acima. Com o calor que fazia, a cachoeira foi um presente. Ficamos um tempão lá e até tiramos um cochilo nas pedras.
À tarde partimos em direção à praia de Itaoca, por uma trilha que segue a costa pelo alto e oferece um baita visual. Nessa praia tem alguns boulders legais, pena que não levamos sapatilha e magnésio para escalar...
Atravessamos a praia e seguimos a trilha, que nos leva até a praia de Calhaus, onde tem uma vila de pescadores e vários barcos ancorados. Nem paramos; passamos direto por essa e pela praia seguinte, que foi a de Itanema.
Já começava a anoitecer nós decidimos acampar um pouco antes do local usual, que é o Pouso da Cajaíba. Dormimos no alto da trilha, com a visão do mar lá embaixo. O Fabião quis bivacar e quase foi devorado pelos pernilongos. Eu, mesmo que passando um calor danado, dormi na barraca, só para ter um “mosquiteiro”. Mas um colega nosso, o Johny Walker, nos ajudou a dormir.
2º dia: 17/12 – domingo
Acordamos com o sol raiando. Arrumamos nossas coisas, tomamos café e partimos.
Passamos o Pouso da Cajaíba e pegamos uma trilha com uma subida fortinha. No meio dela, tem-se uma ampla visão da Ilha Grande. Depois de quase 2 horas de caminhada chegamos à praia Martim de Sá.
Tomamos um banho de mar, já que o calor estava forte. Retomamos a caminhada e passamos pela Ponta das Enchovas. Seguimos adiante e cruzamos um rio, no qual paramos para tomar outro banho, pois a essa altura já estávamos molhados de suor de novo.
Depois de comer um chocolate, continuamos a trilha e um pouco depois vimos que existia uma variante com uma placa que indicava o Poção. Resolvemos conhecer o lugar e mudamos de direção. Passamos um outro rio e mergulhamos nele também. Subimos mais esse rio, na direção do Poção, e chegamos até o totem que indicava o lugar. Ficamos dando uns mergulhos e nadando por um bom tempo antes de voltar para a trilha principal. Ainda bem, porque agora ela exigiria de nós.
Com o sol castigando a moleira, chegamos ao primeiro crux do dia, subir um roçado de mandioca que tinha o solo seco e com uma inclinação de uns 50º. A trilha continuou cansativa, pois o calor era grande. À tarde, chegamos na praia de Cairuçu, onde almoçamos.
Já à tardinha, saímos em direção ao nosso ponto de pernoite, a toca da Berta Figueira, que fica no alto da serra.
Nesse trecho tem algumas bifurcações e uma trilha errada pode atrapalhar muito a caminhada. Então ficamos atentos, com o Fábio sempre consultando a bússola. Depois de quase uma hora de subida incessante, passamos por um rio e precisávamos nos abastecer de água para até o dia seguinte, pois não sabíamos se a bica perto da toca estaria com água. O acesso a este rio é difícil e fui me pendurando nas árvores para chegar até a água. Descansamos 5 minutos e voltamos a andar. A subida não deu descanso e nos percebemos acompanhando uma crista entre dois vales, apesar da vegetação densa. Chegamos à bica e para nossa felicidade havia água. Tínhamos o suficiente para passar até o dia seguinte, mas a felicidade foi pela possibilidade de tomar um banho depois de subir quase 500m de desnível (o segundo crux do dia) e estarmos completamente encharcados de suor. O Fábio ficou na bica e eu subi mais 5 minutos até a toca. Deixei minha mochila, peguei a headlamp e desci para tomar um banho. Já estava escuro, mas o banho rolou assim mesmo, cheio de vaga-lumes ao redor da lanterna, que deixei pousada numa pedra para iluminar a água. Subi de volta à toca e, de banho tomado e roupas limpas, veio a certeza de uma boa noite de sono pela frente. Montamos as barracas e fizemos um lanche. Acabamos com o Johny e fomos dormir. Um bicho chegou perto da toca à noite, fazendo um grande barulho, mas antes que eu pudesse mirar a lanterna nele o Fábio deu um grito pra afasta-lo das barracas.
3º dia: 18/12 – segunda-feira
O sol passava por entre as árvores e entrava na toca. Era hora de acordar e arrumar as coisas para partir para o último longo dia de caminhada. Depois do café, voltamos a subir pela trila e depois de atingir os 560m da serra em que estávamos começamos a descer. A descida também é forte, pois se na subida se exige dos músculos, na descida se castiga os joelhos. Descemos bastante até alcançar um rio. Lá tomamos um banho e comemos um chocolate antes de retornar à trilha. Chegamos à praia de Ponta Negra, em que há uma vila de pescadores. Nesse ponto, um cachorro se juntou a nós passou a nos acompanhar.
Um pouco mais à frente, chegamos a Galhetas, um trecho em que se atravessa pelas pedras. Lá, um rio desemboca no mar. Tiramos o suor das roupas na água doce e as deixamos secar nas pedras. Tomamos um banho de rio e ficamos um bom tempo descansando, até que as roupas secassem.
Antes de dar seqüência à caminhada, subimos um pouco o rio e encontramos dois poços legais para dar uns mergulhos. O cachorro entrava na água com a gente e ia buscar galhos que a gente jogava. Já tinha virado amigo...
Mas era hora de continuar. E a parada seguinte foi a praia mais bonita de toda a travessia – Antiguinhos. A praia parece aquelas de filme, com areia branquinha e a água em tons esverdeados em dégradé.
No costão da esquerda, entrando no mar pelas pedras, rolava até um boulder, com um crash pad de água verdinha...
Continuando a trilha, logo chegamos à praia dos Antigos. Uma parada para admirar o visual e descansar um pouco, pois o sol era abrasador.
A caminhada prosseguiu e depois de sair da praia dos Antigos voltamos a subir embaixo de sol, até chegar ao alto, de onde se tem a visão de toda a praia do Sono, que tem algumas casas, campings e já se vê um número razoável de pessoas, indicando que a travessia está próxima do fim.
Descemos até a praia e tomamos um banho no rio que deságua lá. Como é longa, essa foi a faixa de areia que levou mais tempo para se cruzar, ainda mais com o calor que estava. O nosso amigo cachorro ficou por aqui, depois de caminhar quase o dia todo com a gente. A praia do Sono é a última dessa travessia e a visão do mar e dos barcos de camarão atracados já foi deixando saudades.
Partimos da Praia do Sono com destino a Laranjeiras, o trecho final da caminhada. Levamos mais ou menos uma hora para chegar à vila. Depois de três dias caminhando, esse finalzinho mostrou que já estamos cansados.
Chegamos às 19h e pegamos o ônibus de volta à Paraty. Chegando lá, para nossa surpresa não havia mais passagens para São Paulo e tivemos que nos hospedar. Ficamos no Albergue da Juventude e depois de um merecido banho saímos para jantar e brindar à travessia, com cerveja bem gelada...
Ainda estava terminando de comer o meu peixe e o Fabião já “pescava” na mesa.
Fazia tanto calor que nem dormi no quarto. Meu negócio foi roncar numa espreguiçadeira na beira da piscina, até o sol bater na cara, no dia seguinte. Foi tomar café e ir embora.
Essa é uma travessia que, certamente, será feita novamente...
...
Trekking Pedra do Frade RJ por Eduardo Lereno
Caminhada à Pedra do Frade / RJ
Na sexta-feira pela manhã o Fábio e eu nos encontramos no Terminal Rodoviário Tietê com algumas idéias de travessia para dois dias e meio e lá decidimos que faríamos a Bocaina – Pedra do Frade – Cunhambebe.
Pedra do Frade
Seguimos para Barra Mansa, depois Bananal e daí caminhada – carona, caminhada – carona, até que enfim chegamos ao começo da trilha, onde bivacamos sob um céu empipocado de estrelas.
No sábado de manhã, antes de partirmos, fizemos a trilha da cachoeira Bracuhy e demos uns mergulhos. Depois fizemos a trilha da cachoeira Mimoso, mas chega-se apenas na parte de cima dela, com um pocinho para banho também.
Cachoeira Bracuhy
Então voltamos e entramos no caminho da trilha de verdade. Depois de algum tempo chegamos ao rio. Tiramos as botas, arregaçamos as calças e atravessamos para continuar a trilha, mas não sem antes tomar outro banho e lanchar com aquele cenário e o barulho de água correndo.
Visão do litoral e Ilha Grande, do alto da Serra da Bocaina
Depois da parada entramos efetivamente na trilha de mato fechado, com trechos de puro barro e muita caminhada. Passamos por duas clareiras onde já era possível avistar a ponta da Pedra do Frade. E à noite chegamos na toca formada por pedras gigantescas, último ponto de abrigo e água antes da partida para a pedra. Jantamos bem e bivacamos novamente, pois o céu estava limpo e a baixa umidade do ar sequer molhava de orvalho os sleeps.
Cox em uma clareira onde se vê a ponta da Pedra do Frade
Acordamos ainda sem sol e partimos para o Frade levando apenas água, agasalho e lanche. Leves, subimos o incessante aclive até um mirante onde dá para se ver o restante da mata que nos aguarda, com o Frade imponente adiante e o mar e a Ilha Grande lá embaixo à esquerda. Nessa hora deu um ânimo danado para cumprirmos com o nosso objetivo e lá fomos, sem parar sequer para descansar até a pedra, pegando o caminho para contorna-la e subir raízes, corda e escadinha até a parte rochosa e depois mais uma curta trilha até o cume, onde pudemos ter certeza que todo o esforço valeu. Um visual deslumbrante se descortinou, mostrando de um lado parte da Serra da Bocaina e, do outro, o mar, a Ilha Grande e a Ponta do Juatinga.
Fábio no cume, com o visual do litoral ao fundo
Cox no cume, dentro do cenário da Serra da Bocaina
Após um tempo curtindo a visão lá de cima era hora de voltar. E depois de três horas que havíamos deixado a toca estávamos de volta. Pegamos as mochilas cargueiras e retornamos até o ponto em que acreditávamos ser a trilha para descer até o litoral de Cunhambebe. Começava a roubada...
Pelo mapa que tínhamos, era muito evidente que a trilha certa era essa, mas na verdade o caminho correto começava perto da toca. A trilha que pegamos era dos palmiteiros que, infelizmente, infestam a Bocaina, problema difícil de eliminar devido à precária fiscalização (problema de, praticamente, todas as Unidades de Conservação do país).
Depois de algum tempo nessa trilha, com problemas para manter-se nela por causa de árvores caídas e com medo dos porcos do mato que andam em bandos (o barulho deles é assustador, mesmo) ela se fechou cada vez mais e o perigo de se perder aumentou drasticamente. A decisão foi subir de volta pelo mesmo caminho e voltar por Bananal, sem completar o trecho final da travessia até o litoral.
Chegamos completamente exaustos e à noite onde começamos a trilha e pegamos a estrada. Depois de andarmos até 21h acabamos bivacando mais uma vez, só que agora na beira da estrada (que roubada!).
Final da estrada
Acordamos às 4h e retomamos a caminhada até a vila da Bocaina, onde esperamos pelo ônibus (que não apareceu) e, felizmente, conseguimos carona até Bananal, onde começou outra jornada para São Paulo, chegando já quase no final da tarde de segunda-feira.
Fabio num trecho da trilha
Depois da roubada e do cansaço, já em casa e de volta à civilização vemos que valeu a pena. Tanto que saiu até o relato...
Rio Bracuhy
Dicas:
Para se fazer apenas a trilha da Pedra do Frade é melhor ir de carro, pois o ônibus que sobe de Bananal falha e carona é incerta. Dá para deixa-lo num gramado grande perto do início do caminho.
Qualquer dúvida, no caminho (7km depois da vila da Bocaina) tem o Camping/Pousada do Carlinhos, um cara muito bacana que conhece todas as trilhas da região, inclusive as dos palmiteiros. *Se tivéssemos encontrado com ele antes não haveria roubada.
Para informações mais detalhadas, basta entrar em contato por e-mail....
Uma breve passagem pelo Rio de Janeiro por Eduardo Lereno
Entre o final de semana em que houve o curso de primeiros socorros em nosso abrigo de montanha e a quinta-feira em que fomos para o PARNA Serra dos Órgãos escalar o Dedo de Deus e o Escalavrado, o PH e eu tivemos alguns dias da semana para dar uma espiada nas escaladas do Rio de Janeiro.
Visual de cima do Pão de Açúcar
Então, na segunda-feira partimos em direção à cidade maravilhosa, pois nos encontraríamos com o Danilo e com o Igor somente na quinta-feira à noite para irmos para Teresópolis.
Chegamos lá à tarde e fomos direto para o centro para verificar numa lan house se algum clube excursionista havia respondido nossos e-mails. O único a fazer isso foi o CEL. Ligamos para o Paulo Ney, que já havia dado várias dicas e informações. Nos dirigimos para o albergue indicado por ele, nos instalamos e como aí já era noite fomos para Copacabana tomar uma cerveja e analisar o guia de escaladas da Urca.
No dia seguinte fomos para lá, uma área militar que compreende o Morro da Babilônia, o Morro da Urca e o Pão de Açúcar. A primeira escalada foi na Babilônia, onde se deixa os dados e o R.G. na portaria dos funcionários do bondinho para ir para a pedra (uma trilha de 20m!).
A via escolhida foi a clássica Roda Viva 4º VI E2 D1 160m.
Como não conhecíamos nada ali decidimos fazer a via bem tranqüilamente, sem pressa. A Roda Viva tem quatro enfiadas e começa num diedro de uns 7m, em que o PH entrou guiando. Da primeira parada já se tem um visual magnífico.
Na primeira parada
Guiei a segunda cordada, onde lá pelo meio vem o crux, uma seqüência bem delicada em agarrinhas. O PH guiou a terceira, uma diagonal para a direita. E, por fim, entrei na última cordada, passando uma adrenada no trecho entre a última costura e a parada, que apesar de ser um Vsup é uma subida em diagonal onde há a possibilidade de um pêndulo que deve dar uma ralada em caso de queda. E assim, com o Cristo Redentor à esquerda, a Urca na frente e a praia Vermelha à direita, ficamos curtindo um pouco a paisagem sentados num platô, antes de descermos de volta à base por rapel.
PH na via Roda Viva, com o Corcovado e o Cristo Redentor ao fundo
Cox na via da Babilônia, com o Pão de Açúcar ao fundo
Na quarta-feira fomos para o Pão de Açúcar, partindo da trilha que sai da pista Cláudio Coutinho, que é repleta de boulders. Chegando na base da pedra já se tem uma noção de como será linda a escalada.
Base da Via dos Italianos, com vista da Baía de Guanabara e da Ponte Rio-Niterói
A via que escolhemos foi indicação unânime: Via dos Italianos 5º V E1 D1 100m; e, como essa via termina no meio da parede, a seqüência para chegar ao cume foi a via ferrata CEPI C D1 150m, totalizando 250m de escalada.
A linha da Italianos é demais e cada vez que eu parava para passar magnésio e olhava para os lados dava risada sozinho. Que visual! A via tem três enfiadas, mas dá para se fazer em duas. Ela começa em uma oposição meio que para a esquerda e acabando a fenda ela dá uma guinada para a direita e então sobe, onde logo se chega à primeira parada, que apenas costurei e passei direto, só parando na segunda ancoragem. Montei seg para o PH, que vinha limpando a via, e fazia a segurança de olho na Baía de Guanabara, no mar e nos outros picos, como o Corcovado, a Pedra da Gávea e o próprio Morro da Babilônia – escalada do dia anterior.
PH escalando a primeira cordada da Italianos
Paisagem às costas do escalador na face oeste do Pão de Açúcar
Parti para a última enfiada e fui curtindo bastante a escalada. No final chega-se à Grutinha do CEPI, um platô bem confortável com uma cava na pedra. Quando o PH chegou ficamos um pouco ali, apreciando o visual do final da Italianos, fizemos algumas fotos e continuamos até o cume pela CEPI / Variante Laércio Martins, que apesar de ser uma via ferrata fácil para se chegar ao topo, acumula diversos acidentes, inclusive fatais.
Cox no final da Via dos Italianos. Atrás, o Morro da Babilônia e a praia Vermelha
PH no platô da Grutinha do CEPI ao finalizar a Via dos Italianos
Lá em cima, praticamente só havia gringos. Arrumamos nosso equipo e ficamos um pouco, olhando o Rio de Janeiro lá embaixo. Descemos de bondinho até a Urca (trecho gratuito) e de lá pegamos a trilha de volta à pista.
Cox e PH no Morro da Urca, observando a face escalada
Na quinta-feira viajaríamos à noite, então decidimos aproveitar um pouco de praia em Ipanema. Como nós e um outro americano estávamos indo embora, jantamos com o pessoal bacana que conhecemos no albergue para nos despedirmos. E depois foi aquela história de arrumar as cargueiras, fazer supermercado e tal.
Praia de Ipanema vista do Arpoador. Ao fundo, à esquerda, a Pedra da Gávea e os Dois Irmãos do Leblon
Último dia em Ipanema
E assim, como o tempo foi curto e as escaladas acabaram só deixando o gostinho de querer mais, já deixamos o Rio com planos de voltar.
P.S.: Agradecemos ao Paulo Ney, do Clube Excursionista Light, pela presteza e pelas informações passadas.
Onde ficar:
Hostel Chave – Botafogo
(21)2286-0303
http://www.riohostel.com.br...
De Carro pela America do Sul (Etapa 3 - Expedição Austral)
De Carro pela America do Sul (Etapa 3 - Expedição Austral)Expedição de automóvel feita pela família Bonagamba em 2005/6, atravessando 4 países da América do Sul
22/12/2005 – São Bernardo – Medianeira – 1044 km
Saímos, morrendo de sono (dormi apenas 2 horas e a Inês nem dormiu), às 4:48 hs. Paramos em Ourinhos às 10:30 hs, em uma padaria para comprar refrigerante, e pedi copos descartáveis. Como estavam em falta, uma senhora falou que se eu esperasse, ela iria buscar em sua casa. Parece o pessoal de São Paulo...
Deixamos Ourinhos às 12:30 hs, após almoçar na casa de nossa tia Alice. Chegamos em Medianeira às 21:30 e fomos comer uma pizza em seu bastante agitado centro, que por sinal, estava bem decorado para o Natal. Interessantes eram as placas de trânsito que indicavam “Fim do trecho com limitação de velocidade”. Dava vontade de pisar para ver se era verdade. Ficamos em um bom hotel (Parque Iguassu) de R$ 110 por R$ 100. A Inês dirigiu uns 200 km após Maringá. Foi um dia de muitos pedágios.
23/12 – Medianeira – Foz do Iguassu – 131 km
Para quem achou estranho, Foz do Iguaçu passou a ser chamada Foz do Iguassu no final de 2005. O primeiro passeio foi às Cataratas do Iguassu. Agora, com o novo elevador panorâmico ficou mais interessante. Na entrada do parque, há também um moderno museu interativo que mostra dados do meio ambiente e até um vaso cerâmico datado de 3800 a.C. Comemos um lanche e fomos à Ciudad Del Este. As lojas de informática estavam fechadas. Tivemos que nos contentar em comprar pequenas coisas na Casa China, uma das lojas confiáveis do lado paraguaio. Deixamos o carro do lado brasileiro e fomos de van (R$ 2 por cabeça) e voltamos de táxi (R$ 10). Quando voltamos ao estacionamento começou a ventar forte e em seguida a chover. Fomos ao Free Shop do lado argentino, onde não há grandes ofertas. Comemos pizza Hut e fomos ao hotel (Ilha de Capri – de R$ 170 por R$ 90).
24/12 – Foz do Iguassu – Corrientes – 674 km
Com o tempo melhor que o da véspera, atravessamos para o lado argentino com muita fila do lado da aduana argentina, mas com a vantagem que agora não é necessário descer do carro. Os atendentes, de dentro da cabine já realizam todos os trâmites. Também havia fila para abastecer o carro, em função do preço da gasolina se equiparar ao do álcool brasileiro (em São Paulo, que é mais barato do que em Foz). Tivemos problemas para sacar com o Visa Travel Money, que indicava cartão inválido. Contatei a central americana, mas não conseguiram resolver. Desistimos e trocamos dólares por pesos. Pegamos a carretera rumo a Corrientes. Nos primeiros quilômetros a polícia nos parou e solicitou documentos e a famosa carta verde, que já havia sido solicitada na aduana. Parece que sem este seguro não é mais possível trafegar na Argentina. Paramos em um parque provincial histórico, onde se localizam as fundações da primeira residência de Che Guevara. Local bonito que conhecemos com uma guia, através de um sendero (trilha) por entre a mata, que passa por uma bela cascata. A carretera antes de Posadas é bastante acidentada, passando por vários vilarejos, com muitos declives e aclives, por entre trechos de mata nativa. Entre Posadas e Corrientes a história é outra, um campo monótono extremamente plano e com predominância de pastos, em meio a pequenas lagoas e alagados. Chegamos a Corrientes antes do anoitecer e ficamos em um hotel no centro da cidade. Saímos rapidamente para comer lanche e pizza (a terceira em três dias). Voltamos e fomos visitar a Costanera, mas os fogos de artifício, que na Argentina são uma marca do Natal, estavam espalhados pela cidade. Voltamos rapidamente ao hotel onde a vista dos fogos era bem melhor.
25/12 – Corrientes – San Fernando de Catamarca – 907 km
Foi um dia marcado pela monotonia das estradas do norte da Argentina. Cedinho, passamos pela Avenida Costanera e havia vários jovens ainda comemorando o Natal. As estradas estavam muito bem conservadas até o entroncamento da ruta para Salta com a ruta para Santiago Del Estero. Daí até Santiago há diversos trechos com ondulações ou com buracos, sempre com pouco movimento e retas planas. Como ponto positivo podemos citar a presença de bonitas plantações de girassóis em grande parte do caminho. Em outros locais há apenas vegetação rasteira sem nenhum aproveitamento para agricultura ou pecuária. Em função das estradas tão planas, o consumo de gasolina neste trecho manteve média acima de 14 km/l. Em Santiago Del Estero paramos para saborear um delicioso sorvete. Seguimos adiante, pois ainda era cedo e, com a Inês ao volante por cerca de 200 km, enfrentamos algumas serras para chegar à San Fernando, que fica entre montanhas em um local muito bonito. A cidade é relativamente grande e possui boa estrutura. Ficamos em um bom hotel por P$ 80 (Grand Hotel). Dia de Cup Noodles muito devido ao cansaço e também em função de termos que acordar cedo no dia seguinte.
26/12 – San Fernando de Catamarca – San Juan de Jáchal – 707 km
Após tirar algumas fotos da cidade, partimos para La Rioja, onde rapidamente abastecemos e seguimos em direção aos parques. No caminho compramos um lanche (por volta das 11:15 hs) que foi a salvação, já que a região é bem desértica. Visitamos o Valle de La Luna, parque provincial e Patrimônio da Humanidade, que nos custou P$ 15 por pessoa (o preço para quem não é residente na Argentina é de P$ 25, mas choramos para pagar o preço de residentes). Um guia fica em um dos carros, sempre dos visitantes, que saem no mesmo horário programado (no nosso caso começou às 13 hs). Há cinco paradas programadas onde descemos do carro e temos as explicações geológicas e paleontológicas do guia. No caso o vale é um local único onde há fósseis do período triássico e até um fóssil de planta que se assemelha com uma pequena samambaia com 230 milhões de anos. No parque há diversas formações de pedras maiores equilibradas em bases mais finas, o que ocorre devido à camada inferior ser mais frágil e ter um desgaste natural mais rápido que a camada superior. Poderíamos ter visitado um pequeno museu anexo, mas como o tempo estava escasso para chegar ao Talampaya, pegamos rapidamente a estrada. Chegamos ao Parque Nacional de Talampaya por volta das 16:40 hs e pudemos realizar o passeio pelo canyon. Neste parque, também Patrimônio da Humanidade, deixamos o carro na recepção e seguimos no “Papamóvel” (Toyota 4x4 com cabine parecida ao do carro do Papa) pelo surpreendente e majestoso canyon do parque, vendo os petrógrifos e as estupendas paisagens deste pouco conhecido canyon. Valeu os P$ 12 pela entrada e P$ 25 pelo passeio por pessoa (realmente caro, mas com certeza cada centavo foi bem gasto). Saímos por volta das 18:30 hs e paramos em Villa Union. Ou a hospedagem era muito ruim ou o hotel era bom e muito caro (de P$ 180 por P$ 160). Resolvemos, às 20:00 hs seguir para San Juan de Jáchal. São mais 160 km no escuro, sendo os últimos 35 em rípio. Tudo isto nos provocou muita apreensão, principalmente após um novilho tentar atravessar a pista na nossa frente. Depois mais duas lebres. Ao chegar na cidade, conseguimos um hotel (El mejorzito, de acordo com um morador ou El uniquito como definido por mim). Conversando com o rapaz da recepção, ficamos sabendo que o paso para o lado chileno (que chega à La Serena) estava fechado, em função do acúmulo de gelo na parte próxima à fronteira. Ainda tivemos animo de ir à movimentada plaza por volta das 23:00 hs, tomar um gostoso sorvete. A cidade é sempre movimentada à noite por causa do forte calor dentro das casas. Bom para a dona da sorveteria. Achar um hotel a esta hora, só com a ajuda de Deus. A cidade, no mapa parecia ser bem pequena. Estávamos já pensando em dormir no carro. DICA DO DIA – O melhor, devido à luz solar, é iniciar bem cedo pelo Parque Nacional Talampaya (as visitas começam as 8:00 hs) e depois do almoço, visitar o Vale de La Luna, onde o pôr do sol é bem apreciado. Para isto, o melhor é fazer o passeio iniciando de Villa Union e dormindo em La Rioja.
27/12 – San Juan de Jáchal – Mendoza – 423 km
Este foi o dia mais tranqüilo até agora. Abastecemos e procuramos a Gendarmeria. Acabamos procurando-os na estrada e tivemos que voltar, pois a base fica na cidade. Confirmamos então que realmente o paso estava fechado. Seguimos para Mendoza, por carreteras muito bem conservadas. O único ponto negativo é a existência de muitas baldanas, que são depressões na pista para que, quando o degelo dos Andes se torna mais constante, os rios criados possam dar vazão através da carretera. Estas baldanas são de cimento para ter uma maior durabilidade à água. Chegamos em Mendoza às 13:00 hs e fomos almoçar no Shopping. Passamos a tarde procurando um hotel e acabamos ficando no mesmo de 2003, o Family Inn, por P$ 120, pois as outras opções estavam mais caras e o Íbis, pelo preço de P$ 69 era para duas pessoas. Para três, seriam necessários 2 quartos. No meio da procura por hotel, paramos em um posto YPF que vendia auto-peças e trocamos o farol baixo que havia queimado. Extra! Extra! Eram 18:00 hs quando eu estava descansando um pouco (na realidade dormindo bem profundo). Faltou força. Ouvimos forte barulho e abrimos as janelas. Estava ventando muito forte e começou a chover. A chuva aumentou e começou a cair granizo. Muito granizo. Pedras com mais de uma polegada da diâmetro encheram o chão, cobrindo todo o gramado e a rua dentro do hotel. Nosso carro estava em um local coberto por uma tela, mas ficamos preocupados com o estrago material na cidade, e principalmente com as pessoas que possivelmente estavam à rua. O calor anterior à tempestade estava realmente insuportável. Uma frente fria deve ter chegado muito rapidamente, provocando todo o estrago. Saímos, eu e o Érik, para comer sanduíches no Shopping, e pudemos notar o estrago da chuva. Vários pontos de inundação e diversos acidentes nas pistas. No Shopping, aproveitei para ligar para minha mãe e para nossos amigos chilenos, a família Berrios, para combinar de nos encontrarmos em Santiago.
28/12 – Mendoza – Santiago – 429 km
Após abastecer, pegamos a ruta 40 para o sul. Como estava demorando para chegar à ruta que seguiria para a fronteira com o Chile, através de Uspallata, na dúvida entramos em uma ruta secundária, que passa por parreiras e vinícolas, por uma estrada cercada por altas árvores. Local bonito. De volta à ruta correta, subimos os Andes e paramos em Puente Del Inca, local bastante interessante. Paramos também no Parque Provincial do Aconcágua, onde fizemos uma caminhada até um local com uma vista do majestoso pico, que, depois dos picos do Himalaia, é o mais alto do planeta. Atravessamos o túnel do Cristo Redentor, chegando ao Chile. Alguns km adiante passamos pela aduana integrada Argentina/Chile. Demoramos cerca de 1:30 hs para realizar os trâmites. Chegamos em Santiago às 18:00 hs após parar para um lanche rápido no posto Copec. Fomos direto ao mesmo hotel que ficamos na última vez, o Monteverde, no Bairro de Bela Vista (23.500 Pesos). Tomamos banho e fomos visitar nossos amigos. A avenida estava bastante congestionada. Chegamos à sua casa às 20:30 e só fomos sair às 1:30 h, direto para o Hotel. Ficamos sabendo que entramos em uma avenida nova (atravessa a cidade por túneis) que tem um sistema eletrônico de pedágio e que nosso carro deveria ter sido multado.
29/12 – Santiago – Chillan – 461 km
Cansados, acordamos tarde, quase 9:00 hs. A Inês e o Érik ficaram descansando e eu fui à pé ao centro de Santiago para trocar os travellers checks por Pesos e resolver o problema do pedágio eletrônico. São quase 2 km ao centro. Chequei as cotações e troquei US$ 500, limite máximo do local, em um lugar (a $ 507) e US$ 300 no outro (a $ 503). Consegui comprar o passe do pedágio eletrônico para hoje e para o dia anterior. O único problema é que o sistema só registra placas com 6 dígitos. O pessoal da loja (Servipag) registrou com uma letra a menos e ficou de enviar um email aos responsáveis pelo sistema para regularizar nosso carro. Deram também o telefone da loja para caso eu tivesse algum problema. Ao meio-dia saímos do hotel e fomos a um novo shopping. Fizemos compras, almoçamos e acabamos saindo rumo ao sul quase 17:00 hs. Chegamos a Chillan após as 21:00 hs ainda com sem ter escurecido. Ficamos mais de uma hora procurando um hotel razoável por preço idem. No final pagamos $ 26.000 por um quarto limpo e espaçoso. No centro da cidade estava havendo um comício da candidata a presidente, Bachelet, favorita nas pesquisas.
30/12 – Chillan – Curacautín – 322 km
Acordamos tarde e saímos às 10:00 hs. Novamente pela Ruta 5 – Panamericana – tomamos rumo ao sul. Paramos nos Saltos de Laja, bonita e surpreendentemente grande cachoeira. Tivemos alguns problemas com marimbondos, mas não chegaram a nos morder, talvez pelo nosso forte repelente. Ao sul de Los Angeles, após comermos um lanche num posto Copec, pegamos uma estrada de rípio, rumo ao interior (Parque Nacional de Tolhuaca), onde paramos para umas fotos. Não foi uma opção muito boa, pois os 95 km de rípio não são compensados pela beleza do local. Antes de chegar ao parque, tivemos problemas com longas subidas com muitas pedras soltas, que fizeram o carro perder tração e termos que voltar de ré para iniciar a subida novamente. Se tivéssemos ido pela rodovia asfaltada para Curacautín, chegaríamos bem antes e já seguiríamos para próxima etapa. Chegamos às 17:00 hs e tivemos que parar num hotel, pois estávamos muito cansados e com dor de cabeça. Hotel novo e bom, com preço razoável. Demos uma volta a pé pela cidade e comemos lanches que havíamos comprado no caminho. O Érik foi a uma lan house.
31/12 – Curacautin – Púcon – 244 km
Tudo começa mais tarde por aqui. Descemos para o café as 8:15 hs e a Dona Inês que trabalha no hotel achou que madrugamos. Ficamos um bom tempo conversando com ela durante o café, sobre a tranqüilidade da cidade em contraposição com a violência de cidades maiores como Temuco, onde moram seus familiares e como roubaram todos os brinquedos e roupas de seu neto de 3 anos. Saímos quase 10:00 hs, mas não havia pressa, pois o tempo estava bem fechado, pelo menos até as 11 hs. Pegamos a estrada, de rípio, a caminho de Púcon, mas cruzando o Parque Nacional Conguillio. Este sim, muito mais encantador que o de ontem. O caminho dá uma volta ao redor do vulcão Lhaima (3125 m), passando por um mirante que fica sobre as pedras de uma das 3 grandes erupções registradas a partir do século 17 (1640, 1751 e 1957). É um rio de magma que se estende por quilômetros a partir do vulcão. Pelo painel, estávamos sobre o magma de 1957. Há lagos em vários locais do parque, cercados de bosques e picos nevados. Muito bonito. Recomendo a todos que forem para a região dos lagos.
Paramos na cidade de Cunco e compramos pães, frios e bebidas para um lanche. Depois tomamos sorvetes. Novamente por estradas de rípio e um pouco de asfalto, seguimos para Villarica e Púcon. Subimos à estação de esqui para tirar fotos mais próximas do vulcão Villarica, no Parque Nacional homônimo. Quando as nuvens permitem, é possível observar uma fumarola saindo constantemente da cratera do vulcão. Tentamos visitar as cavernas vulcânicas que ficam próximas, mas estavam fechadas. Descemos então para Púcon e escolhemos uma interessante e confortável hosteria. Saímos para ver lojas e tirar fotos. Fui a uma lan house responder alguns emails e a Inês e o Érik ligaram para o Brasil. Voltamos para tomar um banho e saímos para ver os fogos, espetáculo muito bem produzido, uma vez que no Chile é proibido soltar fogos se não for através de empresa especializada. Púcon é realmente uma das mais bonitas e agradáveis cidades chilenas.
01/01 – Púcon – Castro – 537 km
O dia começou frio e nublado. Seguimos para Villarica onde compramos mantimentos para lanche em um supermercado. Foi uma boa idéia, visto que quase não haviam opções abertas para refeições ou lanches. Fomos por estradas secundárias, passando por mais dois lagos, Calafquen e Panguipulli, em meio ao tempo não muito animador e ruim para fotos, chegando à Panamericana (duplicada até Puerto Montt) em Los Lagos. Entramos rapidamente em Osorno, e tiramos fotos da praça, muito bem cuidada, com bonitas flores. Pegamos a balsa para Chiloé e seguimos até sua capital, Castro. Cidade pitoresca com suas casas de madeira, muito bem pintadas em um colorido chamativo. Tiramos fotos da Iglesia de San Francisco, de madeira e Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco. Outras atrações interessantes, as quais tiraremos fotos amanhã, se Deus quiser, são as palafitas. Ficamos em um hotel, de madeira, caro, mas razoavelmente confortável. Está frio.
02/01 – Castro – Puerto Varas – 287 km
Pela manhã, após um bom café da manhã, no bonito e bem arrumado restaurante do hotel, tiramos várias fotos das coloridas palafitas. Algumas delas chegam a ser bem charmosas. Tiramos também mais algumas fotos da Iglesia de San Francisco, pois o tempo estava mais ensolarado. Pegamos a ruta 5 rumo ao norte, mas desviamos em dois pequenos e charmosos povoados, Dalcahue e Quemchi, ambos com igrejas de madeira, sendo a de Dalcahue também Patrimônio Cultural da Humanidade. Ao cruzar de balsa o canal Chacao, vimos diversas focas ou lobos-marinhos (difícil de distinguir à distância), pulando e mergulhando. Chegamos a Puerto Montt pela tarde, almoçamos um excelente Salmão em um restaurante no Posto Esso e visitamos a cidade, sua praia, o shopping e o mercado de produtos artesanais Angélmo. Final de tarde, nos dirigimos para Puerto Varas, chegando a tempo de tirar algumas fotos do Lago Llanqihue com os vulcões Calbuco e, talvez o mais bonito do Chile, Osorno. Na oficina de turismo fomos nos informar sobre os ferries da Carretera Austral e um deles tem trajeto longo e o preço nos assustou ($ 84.700 – sendo $ 9400 por pessoa e $ 56.500 pelo carro – ou US$ 167 – ou R$ 411). Escolhemos um bom hotel, por $ 26.000, passamos pelo Centro para comprar mantimentos para enfrentar a Carretera Austral e para o Érik comer uma pizza. Para quem quiser se aventurar pela Carretera Austral, o endereço da Naviera Austral é Avenida Angelmo 2187 – Puerto Montt – Telefones: 65-270430 / 431 / 432, a partir das 9:00 hs.
03/01 – Puerto Varas – Purto Varas – 101 km
Fomos rapidamente para o escritório da empresa Naviera Austral que opera o ferry-boat. O escritório fica ao lado da Feira de Angélmo, em Puerto Montt. Não havia como comprar a passagem para o mesmo dia. Deveríamos seguir ao local, cerca de 100 km ao sul, em sua maioria por estradas de rípio, e atravessar outro ferry, este em trajeto muito menor. Não havia garantia que haveria lugar no ferry e não há hospedagem em Hornopirén. Se comprássemos a passagem direto no ferry também não seria possível pagar com cartão de crédito. Resolvemos então comprar as passagens para o dia seguinte. Passeamos nas lojas de outro shopping de Puerto Montt, almoçamos e fomos passear pela estrada ao sul ao leste de Puerto Montt, onde observamos patos de pescoço negro e golfinhos. Voltamos à Puerto Varas, procurando um local que pudéssemos tirar fotos com vista da igreja e vulcão Osorno ao mesmo tempo. Achamos no meio de um belo condomínio de casas pré-fabricadas estilo canadense (estrutura metálica e paredes de um material semelhante ao gesso). A corretora nos mostrou a casa e disse que este material é melhor que as casas de madeira para uma região onde há muito vento e frio. Depois andamos bastante pela cidade, sendo que o Érik ficou na Internet. Pela tarde começou uma chuva que só foi piorando e durou toda a noite (e como veremos adiante, quase a semana toda!!!). Voltamos ao mesmo hotel do dia anterior.
04/01 – Puerto Varas – Chaiten – 190 km
A chuva continua. Acordamos cedo e tomamos o café, bem caprichado, feito pela Sra. Ingrid, alemã e simpática proprietária do hotel, logo no primeiro horário, com medo de perder o ferry. Decidimos então seguir pelo caminho via Puerto Montt, mas que levaria a mais uma travessia de balsa, embora em um trajeto curto. A outra opção, seria a volta pelo vulcão Calbuco, seguindo o rio Petrohue e passando pela Reserva Nacional Llanquihue, foi descartada em função do mau tempo, que não nos permitiria ver as prováveis belezas deste trajeto. Em Pueto Montt pegamos a tão esperada ruta 7, a carretera Austral, ainda em área bem habitada e chegamos em La Arena em torno de 10:00 hs e o ferry estava quase saindo. Era um ferry pequeno onde devem caber uns 6 carros. No trajeto passamos por uma bela cachoeira que cai diretamente ao mar e logo em seguida, por uma colônia de lobos-marinhos. Um belíssimo fjord, um lugar realmente lindo. Do outro lado, chegamos a Puelche e seguimos pela Carretera Austral por mais 54 km até Hornopirén. Chegamos cedo, o que nos permitiu uma deliciosa refeição de salmão e merluza no pequeno mas bem preparado e movimentado restaurante ao lado da rampa do ferry e depois ficamos aguardando sua chegada. A viagem de ferry começou às 15:00 hs e como o tempo não havia melhorado, as paisagens não estavam muito atraentes. Assistimos Rambo no DVD da pequena área de descanso e depois, sob efeito do chacoalhar, que provoca um certo desconforto, fomos dormir no carro. Acordados pelo Érik, estávamos dentro do fjord Reñihue, já próximos ao destino final, Caleta Gonzalo. Lindo, mesmo com neblina foi possível ver cascatas no alto das montanhas, que deságuam direto no Oceano. Quase atrasamos a saída do carro ao ficar olhando as belezas do local. Na travessia conhecemos um rapaz, que trabalha na ONG Fundação Boticário, com sua filha de 9 ou 10 anos, este sim, numa verdadeira aventura, em trajetos de ônibus e acampando pelos parques Nacionais do Chile. Pegamos novamente a Carretera Austral por volta de 20:00 hs, uma hora antes do horário previsto de chegada, o que foi excelente para que pudéssemos seguir adiante ainda na claridade do dia. A estrada é linda, passa por vegetação bem fechada e alta, em meio a riachos, cachoeiras e morros bem escarpados. Renderia boas fotos se fosse mais cedo e com tempo mais ensolarado. Toda a área ao Sudeste de Hornopirén e ao redor de Caleta Gonzalo pertence a um empresário americano que as comprou e transformou no Parque Pumalin, em 1997. Foi um projeto bastante ousado e bem criticado na época pelos mais nacionalistas, mas, aparentemente, já está sendo bem aceito pelos chilenos. O medo é o mesmo que temos de perder a Amazônia para os americanos, mas acho que a intenção, neste caso, é das mais nobres. Chegamos em Chitén as 21:30. Procuramos até achar um bom hotel por $ 25.000. Não estava muito fácil. E continua chovendo. Se Deus quiser, amanhã melhora.
05/01 – Chaiten – Coyhaique – 453 km
Este foi o dia da Carretera Austral. Demoramos a sair, pois choveu forte durante toda a noite e faltou força. Não estávamos animados a sair com chuva, mas foi inevitável. Não conseguimos abastecer, pois as bombas não funcionavam pela falta de energia. Os primeiros 24 km foram no asfalto, em meio a diversas montanhas, com dezenas de cachoeiras brotando de seus supostos topos (na maioria das vezes a neblina encobria a vista do topo). Nos primeiros quilômetros do rípio surgiu um alagamento em cerca de 100 metros de pista. Esperamos um pouco e surgiram outros carros que também estavam receosos em atravessar. Apareceu então uma pick-up do outro lado que atravessou. Percebemos que a parte mais profunda deveria ter cerca de 30 cm. Atravessamos todos, sem problemas.
A seguir, já com sol, atravessamos o Rio Yechio, em uma ponte suspensa, com uma bela visão do lago Yechio, paisagem que começava a se assemelhar com os lagos das Montanhas Rochosas Canadenses. Paramos para abastecer e comer lanches em La Junta e entramos a seguir no Parque Nacional Queulat, um lugar muito bonito, principalmente quando o sol aparecia. Diversas corredeiras, lagos, montanhas e o fjord Queulat propiciaram boas fotos e filmagens. Uma interrupção de 25 minutos ocorreu logo antes de Puyuhuapi, quando os carabineiros solicitaram que todos esperassem a chegada de um cortejo fúnebre em um cemitério a beira da estrada. Nossa próxima parada foi no Ventisquero Colgante, um lindo glaciar no alto de uma montanha, que gera uma forte cachoeira, que por sua vez, cai em um belo lago verde claro. As águas deste lago e de um rio próximo se encontram em uma forte corredeira. Para chegar ao lago, é necessário fazer uma caminhada de 600 metros, que passa sobre a corredeira, através de uma longa ponte pênsil. Custa $ 3000 por adulto (US$ 6) e $ 1000 por criança (US$ 2). Além desta caminhada ao lago, há outra mais curta (150 metros) para um mirante de onde se tem uma bonita vista do glaciar.
Voltamos a carretera, que estava muito boa até este local. Daí em diante, aparentemente as obras que visam alargar e, talvez, asfaltá-la, deixaram-na em mau estado. Foram cerca de 80 ou 100 km de vários buracos. Já estava começando a anoitecer, chegamos ao asfalto, onde rodamos mais 120 km em meio a belas montanhas, altas e bem escarpadas. Chegamos bem tarde em Coyhaique, depois das 22:00 hs e foi bem difícil achar hotel, sendo que quase todos estavam lotados. Conseguimos um razoável para ruim por $ 20.000. Algumas considerações sobre a carretera Austral – o traçado e o rípio são melhores que, por exemplo, a ruta para o Parque Nacional Tolhuaca, ou as travessias de San Pedro de Atacama para o Noroeste argentino – Há locais de natureza praticamente intocada, onde a carretera se torna mais estreita e a mata é bem fechada, quase invadindo novamente a carretera, e outros locais onde já há forte devastação, com queimadas e pastos – Em grande parte da carretera já existem diversos sítios, ou seja, a sua função inicial já obteve êxito, o povoamento da região ao sul de Pueto Montt, para evitar, no ponto de vista dos militares, a invasão da região pela Argentina. Mas temo que a povoação indiscriminada possa causar forte impacto ambiental.
06/01 – Coyhaique – Cochrane – 362 km
Demoramos tanto para sair que foi possível pegar a feira de artesanato no centro da cidade abrindo. Deu tempo de dar uma visitada e partir adiante. Os primeiros 100 km são de um asfalto de dar inveja. Passamos por vales verdejantes em meio a criações de gado, paisagens verdadeiramente Suíças. No início altas montanhas, que começaram a escassear. Achávamos que daí para frente a paisagem seria mais monótona. Engano. Estávamos em um planalto e começamos a descer a serra até Cerro Castillo, outro local cercado por altos picos. O asfalto então acabou e vimos uma placa de inscrições rupestres. Entramos (2,5 km de rípio ruim). Paramos na central de visitantes e não havia ninguém, mas a trilha está aberta e seguimos adiante. Há diversos desenhos de mãos, tanto em negativo (pintado em volta) quanto em positivo (pintado pela mão). Até então o tempo estava bom. Cruzamos uma grande expedição de carros e motos do Brasil, que haviam descido até Los Glaciares e estavam subindo a carretera. O tempo então começou a piorar, variando bastante. O que mais impressionava eram as cores dos lagos e rios com grandes variações tonais entre o azul e verde. Paramos em Puerto Tranquilo as 16:30 hs para um passeio de barco de 1:30 hs pela Capilla de Marmol (capela de mármore), umas formações de mármore em uma das bordas do Lago General Carrera. Há uma enorme quantidade de cavernas e formações erodidas e polidas pelas águas do lago, possuindo um formato singular. Vale os $ 20.000 cobrado. O único porém foi a forte chuva que pegamos durante quase todo o passeio.
Quando chegamos o tempo estava bom, mas começou a chover durante os preparativos para saída. Mais a frente, novamente na Carretera, uma ponte em construção atrasou uns 20 minutos nossa jornada. Chegamos em Cochrane por volta das 20:00 hs e não havia local disponível para acomodação. Tentamos em uns 10 locais. Quando já estávamos quase convencidos em dormir dentro do carro em um camping (estava chovendo o que dificultaria armar a barraca), tentamos o último local que havia sobrado. Neste local não havia quarto disponível, mas indicaram uma última hospedagem, a qual não havíamos visto. Foi a salvação. Tudo muito improvisado, mas bem melhor que dormir sentado no carro. Quem indicou esta hospedagem foi um chileno que havia morado no Brasil, Carlos.
07/01 – Cochrane – Chile Chico – 457 km
A idéia era sair bem cedo. Para isto acordamos cedo e fomos direto ao café. O Carlos desceu e também foi tomar café conosco. Foi um tempão de um bom papo. Embora tenha morado no Brasil somente 3 anos, já é mais brasileiro do que muitos. Jogou volley na seleção do Chile e hoje trabalha para o Governo, em desenvolvimento da região sul. Um cara realmente muito simpático e bem extrovertido. Deu um CD de um músico amigo ao Érik, e nos indicou um novo paso para Argentina, próximo à Vila O’Higgins, final da carretera Austral, pedindo que passássemos nos Carabineiros para checar se estava aberto. Foi o que fizemos e ficamos sabendo que faltam 2 quilômetros para finalizar esta ruta. Seguimos então para Puerto Yungay, que seria nosso destino final na carretera Austral, uma vez que para Vila O`Higgins é necessário atravessar em balsa para completar os 100 km finais e a balsa só atravessa 3 vezes ao dia, sendo necessário reservá-la no posto de Carabineiros em Cochrane. Achamos desnecessário este trecho final. Novamente o tempo chuvoso das primeiras horas melhorou no decorrer do dia e piorou mais tarde, mas foi o suficiente para belas fotos de lindos rios, lagos e montanhas, além da própria carretera, que por vezes passava em meio a bosques e por outras vezes ao lado de bonitos precipícios. Faltavam 30 quilômetros para Puerto Yungay e surgiu uma placa com 30 km à esquerda para Yungay e 22 km para direita para Caleta Tortel. Olhamos em nosso guia Turistel e resolvemos mudar o itinerário para Caleta Tortel. Bonita vila, fica no final do rio Baker, o de maior volume d’agua no Chile e no meio de fjords com saída para o Pacífico. No final da ruta há um grande pátio onde todos estacionam e vão à pé para Vila. Do alto é possível admirar toda a beleza de Caleta Tortel em meio às águas verde claras do Rio Baker. Todas as casas são interligadas por passarelas e escadarias suspensas de madeira. Não há ruas. Desci ao nível do mar para tirar algumas fotos. Fizemos um lanche e voltamos. Pegamos novamente a Carretera, rumo a Chile Chico ou Perito Moreno (Argentina). Encontramos um casal de brasileiros de Cotia, perdidos em Cochrane, em sua Land Rover, com destino ao norte. Indicamos a direção e seguimos adiante. Saímos da Carretera Austral rumo a Chile Chico, quando chegamos a região do Lago General Carrera. Aí a estrada piorou. Imaginem uma enorme serra caindo quase verticalmente no lago por quase uma centena de quilômetros. A estrada foi talhada na pedra. Perigosa e lenta, pois são várias subidas e descidas, com muitas pedras caídas no meio da pista. O rípio é duro e a grande maioria do percurso apresenta ondulações na pista que fazem os amortecedores e molas trabalharem bastante. No final da serra, chegamos a Chile Chico e o tempo ficou ensolarado, afinal estamos saindo de uma zona de floresta sub-tropical e entrando em um clima quase desértico. Novamente hotéis lotados pois a cidade vizinha na Argentina abriga um festival de cerejas e os turistas acabam procurando hotel do lado chileno. Conseguimos um razoável com banheiro coletivo por $ 18.000. Fomos jantar salmão. Depois fui à internet para enviar email para minha família que deveria estar preocupada, pois estamos tentando ligar a alguns dias e não estamos conseguindo.
Sobre a Carretera Austral – Depois de 4 dias e 1075 quilômetros rodados (e mais 175 no retorno), acho que podemos ter uma visão do que é a Carretera. Difícil é definir uma ruta que apresenta tantas variações em cada pequeno trecho. O rípio é por vezes algo parecido com asfalto, outras vezes bem macio, mas no momento seguinte é todo ondulado e duro. A vegetação varia do mangue ao bosque sub-tropical, passando por pastos, mata fechada e locais quase desérticos. Os rios e lagos a cada momento mostram uma nova tonalidade de azul, verde ou mesmo preto. Tudo mudando em um ritmo frenético, muito longe do monótono. Trechos muito largos também se alternam com curvas fechadas e bem estreitas e seja o que Deus quiser. Só duas coisas são constantes, a falta de estrutura ampla ao turismo e os preços altos. Mas não se assustem, não chega ser necessário dormir no carro. Também não é necessário ir com um jipão 4x4. O nosso Adventure se comportou bem, mesmo com forte chuva, afinal o rípio com chuva é 10 vezes melhor que estradas de terra com chuva.
08/01 – Chile Chico – Gobernador Gregores – 530 km
Ao levar as malas ao carro, vejo o pneu traseiro esquerdo furado. De novo, dois anos depois, também no Chile, o mesmo pneu. Enchi com nosso prático e pequeno compressor. Fomos à Aduana e, do lado chileno, a funcionária me disse que o documento de importação temporária do automóvel deveria ter duas vias e só havia uma. Sendo assim ela tirou uma cópia, assinou e me passou para que não tivesse problemas na Argentina. Mesmo assim, falou que qualquer problema, ligassem para ela. Do lado argentino foi mais tranqüilo. Após conversarmos sobre futebol, um dos funcionários da Gendarmeria me pediu carona até Perito Moreno. Passamos para a etapa da aduana, onde expliquei o problema do documento e a resposta foi simples – O Brasil é um dos países do Mercosul e não precisamos deste documento para entrar na Argentina, nosso trânsito é livre. Levamos o funcionário para Perito Moreno, antes passando em Los Antiguos, agitada pela festa da Cereja. Em Perito Moreno consertamos o pneu do carro, que apresentava um furo causado por uma pequena e pontiaguda pedra de origem vulcânica. Mais uns 15 km de asfalto e entramos no rípio. Numa região semi-desertica e mais plana, a ruta 40 que atravessa o país do Norte ao Sul, acompanhando os Andes, apresenta um rípio, no geral, mais macio e fácil de guiar que o rípio da Carretera Austral. Passamos pela entrada do Cueva de Las Manos, Patrimônio Cultural da Humanidade, mas a placa indicava 20 km + 2 km de trekking difícil. Seguimos 60 km adiante e entramos na entrada principal, onde praticamente retornaríamos quase 50 km. No problem. Chegamos por volta das 14:00 hs ao local. Um lindo canyon, com o centro de visitantes, recém inaugurado e ainda sem serviços básicos, como lanchonete, ocupando uma posição de destaque, quase no topo do canyon. Má notícia. Fomos informados que há somente visitas guiadas de 2 em 2 horas e a próxima seria às 15:00 hs. A boa notícia é que os boletos de estrangeiros haviam acabado e pagaríamos P$ 5 ao invés de P$ 15 por pessoa (P$ 5 é o preço para residentes da Província, P$ 3 para residentes nas cidades próximas e P$ 7 para os demais argentinos). Avistamos a outra entrada e realmente a opção foi boa. Se fizéssemos o outro caminho, teríamos que atravessar todo o canyon na ida e na volta, subindo-o e descendo-o por duas vezes. O local é muito bonito e as pinturas rupestres e das mãos são bastante interessantes. Eu nunca havia visto tantas pinturas juntas. Ouvimos todas as explicações das 3 fases de pinturas e das hipóteses de como os habitantes caçavam guanacos, há mais de 7 mil anos. Só estranhamos o fato do guia finalizar as explicações e solicitar que ninguém atravessasse as cercas, não jogassem lixo e que poderiam ficar olhando e tirando fotos. Ele foi o primeiro a voltar ao centro de visitantes. Ficamos preocupados se todos teriam consciência na preservação. Paramos em Bajo Caracoles para comprar lanches, colocar um pouco de combustível e checamos os preços do caro e desprovido hotel. No bar, conhecemos um casal de brasileiros. Eles estavam voltando de Ushuaia. Trocamos informações, emails, telefones e seguimos até Gobernador Gregores, onde ficamos em uma excelente cabaña por P$ 100.
09/01 – Gobernador Gregores – El Calafate – 627 km
É quase1 h da manhã e estou no carro ao lado da barraca de camping fazendo o diário. De manhã conseguimos dar uma arrumada geral no carro. Erramos o caminho na saída de Gobernador Gregores, mas logo corrigimos o erro. A ruta secundária que nos leva até a Ruta 40 é excelente. Cheguei, sem perceber, a 110 km/h. Diversos animais atravessavam a pista, incluindo guanacos, zorros e vizcaias (lebres). Pegamos a ruta 40 e, logo após Três Lagos, havia asfalto novo, que nos levou até 10 km antes de El Chaltén. Linda visão do lago e dos enormes picos, incluindo o Fitz Roy e o glaciar Viedma.
Em El Chaltén paramos no escritório de informações turísticas e fomos ao glaciar Huemul, uma caminhada de 2 km com desnível de 220 metros. Eu e o Érik subimos para ver um lindo lago no alto, com uma montanha do outro lado e um glaciar pendurado no meio. Do nosso lado, uma cachoeira. Lugar maravilhoso, que já havíamos visitado em 2001.
De lá, paramos em Chaltén para checar preços de hotéis. Tudo muito caro. Seguimos para El Calafate. No caminho, encontramos um casal de brasileiros fazendo a mesma expedição, mas em sentido horário. Trocamos informações, email e telefone e seguimos. Chegamos em Calafate após as 22:00 hs. Hotéis caríssimos, acima de P$ 160 e nos que ainda havia vaga, em torno de P$ 200. A solução foi o camping. O Érik resolveu dormir no carro e eu estou indo agora para a barraca. Tudo isto após uma pizza muito boa e, surpreendentemente barata (P$ 16). Boa Noite.
10/01 – El Calafate – El Calafate – 178 km
Muito cedo acordamos e fomos direto ao Aventuras e Hielo, onde chegamos por volta das 7:30 hs para garantir lugar no caro passeio chamado Minitrekking. Sai P$ 210 por pessoa e mais a entrada para o parque (P$ 30 para estrangeiros). A Inês resolveu não ir por conta das fotos onde haviam pessoas pulando fendas de gelo. Compramos os tickets e fomos ao YPF tomar o café da manhã. O passeio foi bastante interessante. São 5 horas no total. Atravessamos o lago em um barco veloz e caminhamos 100 metros até o abrigo, onde há banheiro e um local para deixar os pertences. Caminhamos mais 500 metros até a entrada do glaciar Perito Moreno. Colocamos os gampones (estrutura metálica com pinos que fincam no gelo) nos tênis e iniciamos a caminhada. São 3 guias para cada grupo e no nosso horário haviam 2 grupos (inglês e espanhol).
A caminhada não é muito difícil depois que nos adaptamos aos grampones. Os locais por que passamos são maravilhosos. Diversas pequenas fendas de um azul muito forte e várias cursos d’agua internos e externos ao glaciar estão presentes durante todo o percurso. Há explicações sobre a formação do glaciar. Interessante é que este é um glaciar considerado estável, pois cresce o mesmo que derrete. Muito em função de sua posição, que acaba dividindo o lago Buenos Aires em 2. No inverno o glaciar chega à península e impede a passagem de água entre os dois pedaços do lago. Como a parte sul só recebe água e não tem saída, o seu nível eleva-se. No verão, a força d’agua acaba rompendo este pedaço de gelo, e é quando temos o espetáculo mais esperado, quando toda esta estrutura de mais de 50 metros de altura cai sobre a água. Terminado o passeio, fui ver um pouco mais do glaciar nas passarelas que ficam bem em sua frente. Voltamos a cidade, troquei dólares por Pesos argentinos e por Pesos chilenos e fomos passear no movimentadíssimo centro. Comemos massa e pizza, para variar. Fomos também à internet.
11/01 – El Calafate – Torres Del Paine – 501 km
Demoramos em pegar a estrada neste dia. Combustível e café da manhã, depois de desarmarmos a barraca, foram os motivos para a demora. Saímos de El Calafate após as 10:00 hs. Errei o caminho. Fui seguindo o asfalto e acabamos chegando em Rio Turbio, num paso muito ao sul, atravessando para o lado chileno já em Puerto Natales. O outro caminho levaria a um Paso bem mais próximo de Torres Del Paine, economizando cerca de 150 km, com a desvantagem de rodarmos mais por rípio, mas com uma aduana bem menos movimentada. Em Natales compramos mantimentos e fomos às Torres. Chegamos por volta das 18:00 hs, pagamos a entrada ($ 10.000 por adulto e somente $ 500 por crianças). Ficamos no Camping de las Torres, por $ 3500 por adulto. Boa estrutura. Bom banheiro, num lugar fabuloso. Fizemos um pic-nic. Estou dentro de nossa barraca Iglu da Coleman (3 metros x 3 metros), escrevendo este diário.
12/01 – Torres Del Paine – Puerto Natales – 274 km
Pela manhã, seguimos até as principais atrações. Fotografamos rapidamente o maciço rochoso que fica a frente das torres, a partir do lago Nordenskjold e fomos realizar uma pequena caminhada de 500 metros ao Salto Grande, uma linda cachoeira, bem à frente das torres e do Cerro Paine (o mais alto, com mais de 3.000 metros de altura).
A temperatura ambiente, as nuvens sobre o maciço e tudo que se relacionasse com o clima, variava intensamente e em períodos de tempo muito curtos. Tudo em função dos fortes ventos. Na volta da caminhada do salto Grande, fui cumprimentado por um homem com boné da Varig. Respondi em português e acertei. Ele era piloto aposentado, e seu filho, piloto na ativa, ambos da Varig. Pessoal muito legal. Ficamos conversando por mais de uma hora. Eles estavam de ônibus e seguiriam para Puerto Montt, de onde atravessariam a Carretera Austral de bike. Trocamos muita informação e os emails. Fomos então ao centro de informações, onde fizemos um lanche no carro. Em seguida, lago Grey. Ao chegar estacionei ao lado de um Peugeot brasileiro, que também estava estacionando. Placa de Campinas. Cumprimentei-os e o rapaz perguntou de onde eu era. Quando respondi, ele falou que nasceu em São Bernardo. Nos olhamos melhor e percebemos mais uma grande coincidência, era meu antigo vizinho, o Adilson, que estava fazendo caminho inverso. Tiramos fotos juntos. Caminhamos bastante contra ou a favor de um vento muito intenso. O lago Gray recebe grandes icebergs, provenientes do Glaciar Gray. São pedaços que chegam bem próximos à praia onde caminhamos. Os pedaços de gelo são bem azuis. Da praia é possível ver o glaciar, embora a distancia seja bem razoável. Novamente no centro de informações, questionei se a saída para Puerto Natales, através do Rio Serrano estaria aberta, e nos informaram que ainda estava em construção. Fomos ao Camping e nossa barraca estava toda dobrada com pedras sobre ela. Um rapaz veio nos avisar que ela havia voado com os fortes ventos e ele a segurou e dobrou. Agradecemos e recolhemos rapidamente a barraca e tudo que havia dentro dela e fomos ao carro, pois estava começando a chover mais forte. Combinamos, sem convencer ao Érik, de dormir no carro. Como ainda era 20:00 hs, estava muito difícil dormir. O banheiro estava longe. Resolvemos seguir até Cerro Castilho para conseguir um lugar melhor para dormir. Lá só havia uma estância, cujo custo era de US$ 75. Pneu dianteiro esquerdo quase no chão. Enchi e seguimos para Puerto Natales. Ao chegar no asfalto, tivemos que enchê-lo novamente. Chegamos em Natales quase meia-noite e após uma rápida procura (os dois primeiros estavam bem caros), achamos um bom hotel por $ 20.000.
13/01 – Puerto Natales – Punta Arenas – 332 km
Acordamos tarde, em função do cansaço do dia anterior. Arrumamos o pneu e demos uma volta pela cidade, que cresceu bastante desde 2001. Compramos alguns mantimentos e consumimos na viagem. Cerca de 25 km antes de Punta Arenas, entramos na pinguineira Seno Otway (US$ 6 ou $ 3.500 – escolhemos pagar em dólares, pois a tabela foi definida já há algum tempo e o dólar esta caindo no Chile), um dos melhores locais para observação de pingüins que conhecemos. Uma passarela, com cerca de 1 km, passa por toda a pinguineira, onde podemos observá-los bem de perto. Em 2001, fomos em Dezembro e os filhotes estavam quase todos dentro das tocas. Agora, em Janeiro, já ficam fora e são quase do tamanho dos pais. Um passeio muito legal. Infelizmente a câmera do Érik travou durante este passeio. Da rodovia principal, o trajeto tem cerca de 70 km ida e volta, por carretera de rípio em bom estado. Passamos na Zona Franca para dar uma olhada nas lojas. Escolhemos um hostal muito bom, por US$ 50.
14/01 – Punta Arenas – Punta Arenas – 38 km
Este foi o dia mais tranquilo da viagem, ou ao menos o dia em que menos estivemos na estrada. Acordamos tarde e fomos até a empresa Transbordadora Austral, que opera os ferries até Porvenir. Mesmo chegando às 10:00 hs, não havia vaga para o dia seguinte. Deveremos então seguir para Primeira Angostura (o que seria o primeiro estreito do Estreito de Magalhães). Fomos à Zona Franca, ao mirante da cidade e ao centro. Não há grandes narrativas para este dia. Agora vou assistir Boca x River.
15/01 – Punta Arenas – Ushuaia – 656 km
Mais um dia de estrada. 180 km até a balsa. A travessia foi ruim. O vento estava muito forte e a balsa balançava muito. Depois da balsa, a estrada segue por um território muito plano até chegar até as aduanas. Alguns quilômetros antes de chegar a aduana chilena, há um entroncamento com a carretera que vem de Porvenir. Um carro que vinha de Porvenir entrou bem na minha frente em alta velocidade. Uma pedrinha atingiu o pára-brisa e temos um pequeno trinco de recordação da Terra do Fogo. Na aduana argentina o oficial me perguntou se eu era Tricolor. Não. Perguntou se era Corintiano. Também não. Quando falei que era palmeirense, ele disse que a proporção é de 3 corintianos para 3 são-paulinos para 1 palmeirense e nenhum torcedor da Portuguesa. Outro oficial falou que iria sair para tomar uma caipirinha. É impressionante como temos sido bem tratados nas aduanas, especialmente nas argentinas, e como todos gostam de falar de futebol, principalmente sobre Tevez e Ronaldinho. Paramos em Rio Grande para abastecer e tomar um lanche. Chegamos em Ushuaia e começamos a procurar o Hotel de nossos amigos argentinos, Carlos e Alicia, no qual ficaríamos hospedados. Sua filha, Nathalia, trabalhando num escritório de Turismo em Ushuaia, fica numa cabana anexa ao hotel. Achamos o Hotel através da Internet e telefone, na realidade um SPA com atividades de inverno, que fica na ruta 3, em frente ao Rio Olívia, um local paradisíaco. E cá estamos.
16/01 – Ushuaia – Ushuaia – 81 km
Após um delicioso café da manhã neste excelente hotel, saímos rapidamente para não perder o trem. O trem do fim do mundo utiliza-se de um trecho de uma antiga estrada de ferro que levava os detentos de Ushuaia (a cidade nasceu abrigando uma famosa colônia penal, extinta em 1947, por ordem de Perón) ao bosque (hoje Parque Nacional Tierra Del Fuego), para extração de madeira para construções e aquecimento. As maquinas são muito bem cuidadas, sendo que duas delas são a vapor. O passeio, embora caro (P$ 55 + P$ 20, este último para entrada do parque) é imperdível. A narração em espanhol, que explica toda a história de Ushuaia e do presídio, também o é. O tempo, ruim no início do passeio, foi melhorando até que no final o sol já estava aparecendo.
Aproveitamos que já tínhamos as entradas, e fomos ao Parque Nacional, até o fim da Ruta 3, que se inicia em Buenos Aires e finaliza 3.063 km ao sul, na Baia de Lapataia.
Fotografamos finalmente uma árvore torta pela ação do vento (procurávamos uma árvore destas desde 2001), visitamos uma represa construída por castores e seguimos rapidamente ao centro para comprar os tickets do catamarã que faz o tour pelo canal de Beagle até uma colônia de lobos-marinhos, uma de comoranes (pássaros) e pela mais esperada, a pinguineira. Salgado (P$ 145 + P$ 5 de taxa portuária, mas como brinde, dá direito à entrada no aquário de Ushuaia e um chocolate quente), mas este é o outro passeio imperdível de Ushuaia. O Catamarã é quase todo envidraçado e possui um grande corredor externo que margeia todo o barco, além de um grande terraço no alto. Perfeito para observação dos tão esperados animais. O passeio dura 6 horas, sendo que as 3 primeiras horas são as que realmente importam, passando por todos os pontos de observação e em frente ao vilarejo de Puerto Willians, base militar chilena, que está crescendo e almeja o posto de cidade mais austral do planeta, quando se tornar uma Municipalidad. Em cada parada há tempo suficiente para fotografar e filmar todos os animais, mas ficamos muito mais tempo em frente aos pingüins. Do outro lado da pinguineira ainda foi possível ver um raro (na região) pingüim Rei, de maior porte e com bico amarelo. A volta já não é tão atraente, contra a correnteza do canal de Beagle, o barco chacoalha mais, muito embora desta vez foi muito mais suave do que ocorreu em 2001. Chegamos ao hotel às 21:45 hs e o Érik e a Inês foram jantar no restaurante. Eu fiquei no quarto, pois estava um pouco enjoado.
17/01 – Ushuaia – Tolhuim – 150 km
O dia começou tarde, com um passeio ao Glaciar Martial, onde se sobe de carro até a entrada de um longo teleférico (P$ 15), que chega a uma trilha, também longa, ao Glaciar. Chegamos até um local da trilha onde a visão do Glaciar é total e resolvemos não enfrentar a longa subida que estava a nossa frente. Descemos pelo teleférico, apreciando uma bela vista da cidade, porto e aeroporto. Visitamos a Nathalia, e passeamos bastante pela cidade, almoçando filé de merluza em um café da cidad...
Escaladas em São Luiz do Purunã - Por Marcio Thomaz Lima
Porvas em São Luiz do Purunã - Balsa Nova - PR
No feriado de 15/06/2006 dois escaladores Porva, Danilo Henrique Kleine e Marcio Thomaz Lima, foram conhecer um ótimo local de escalada chamado São Luiz do Purunã, que fica a uns 40km de Curitiba.
Quinta Feira - 15/06/2006
Partimos de São Paulo, eu e o Danilo por volta das 5:00h, a viagem foi bem tranquila. Basta seguir pela BR-116 Régis Bitencourt sentido Curitiba, chegando lá é só seguir as placas para Ponta Grossa que não tem erro.
Chegamos lá por volta das 11:30, ainda passamos a maior perrenga pq. eu esqueci de abastecer e não achava mais posto de gasolina.
Quando estiver na estrada para Ponta Grossa BR-277, deve-se entrar em um acesso que fica a esquerda uns 300m antes do primeiro pedágio, não tem como errar é o único acesso um pouco após a uma placa “Pedágio a 1km”.
Logo que sobe na estrada de terra já quebra a esquerda e segue reto, assim que passa uma casa abandonada a sua direita é só ficar esperto com uma porteira no lado esquerdo que já dá acesso ao Setor 1.
Bom demos uma olhada geral, fomos no Cristo e continuamos pela estradinha que volta para a Rodovia no sentido oposto. Descendo um pouco encontramos um posto de gasolina onde almoçamos junto com os caminhoneiros e retornamos para o Setor 1.
Estavamos com uma revista Headwall que tem uma matéria completa e os croquis de todos os setores.
Chegando ao setor 1 encontramos um lugar bem movimentado com vias esportivas quase todas grampeadas. Percebemos também que as vias mais fáceis ficam por lá e boa parte do pessoal que conversamos por lá nem conhecia os outros setores.
O Setor 1 é o mais movimentado e o mais fácil de chegar, mas tem um problema grave, notamos estilhaços de vidro próximo ao local, fomos nos informar e descobrimos que já houveram ocorrências de furto aos veículos estacionados lá.
Escalamos algumas vias para se adaptar ao local e quando escureceu voltamos para o carro.
Como não sabíamos onde iríamos dormir, resolvemos ir procurar por São Luiz do Purunã. Passamos o pedágio e uns 5 km após vimos a placa São Luiz do Purunã, fomos bem devagar e mesmo assim passamos batido... Lá vão os caras dar ré na rodovia....
Chegamos lá achamos muito esquisito, o portal é pequeno mais parece a entrada de uma fazenda, descendo uma rua encontramos meia dúzia de casas, tudo escuro e nenhum comércio aberto. - Caramba, onde é que a gente vai encontrar uma pousadinha barata por aqui!?? Até achamos que estavamos no lugar errado, parecia uma cidade fantasma, mas perguntando a um senhor que passava por lá descobrimos que Purunã era lá mesmo.
Bom se não tem nada por lá, o jeito foi voltar para a rodovia e achar um lugar para jantar.
Depois de jantar em outro posto de gasolina, resolvemos voltar ao Setor 1 e montar a barraca por lá mesmo, ao lado do carro.
Sexta Feira - 16/06/2006
Acordamos não muito cedo, e estava a maior neblina. Como já estávamos cabreiros com os estilhaços de vidro no local, desmontamos o acampamento de fomos tomar café no posto de gasolina.
Retornamos e paramos o carro proximo a rodovia, logo que se acessa a estradinha de terra na frente de uma casa bem próximo ao pedágio.
Conversamos com o caseiro o qual informou ali na frente não tinha problemas de roubo de carros, só lá no setor 1 mesmo.
Colocamos os equipos nas mochilas cargueiras, já que íamos pesados por causa dos móveis, atravessamos a rodovia descemos um pouco e cruzamos a cerca onde havia antigamente uma porteira que foi fechada.
Dali para frente foi 1 hora de caminhada por uma estradinha que chega em uma antena de Telefonia. Chegando próximo a antena, quebra-se a esquerda saindo da estrada e seguindo para uma torre de alta tensão que fica bem na beira do Cânion.
Não encontramos a trilha para descida mas encontrados os grampos da parada de uma via que está bem no meio da área de escalada, rapelamos por lá e chegamos ao setor de escalada.
Chegando lá, puxamos a corda já que a via para subida parecia ser tranquila e mesmo que não fosse ficaria fácil encontrar a trilha.
Bom, depois de um tempo contemplando o lugar que é bem mais bonito que o Setor 1 fui me preparar para escalar, mas... Não estava lembrando de ter colocado minha sapatilha na mochila, e foi o que aconteceu, a porcaria da sapata ficou no carro. E agora, voltar uma hora de caminhada para pegar a sapata ia ser f.... Como o Danilo viu que estávamos numa roubada ele resolveu emprestar a FiveTen dele... Que apesar de ser 3 números acima do meu, de meia serviu bem.
Resolvemos fazer uma sequência de vias grampeadas que ficam na ilha, e como eu estava com uma sapata muito larga fiquei escalando de TOP. Apesar destes problemas escalamos bastante e curtimos muito o lugar.
O Setor 2 é um misto de vias móveis e grampeadas, e com certeza vale muito a pena conhecer.
Por volta das 17:00 escalamos a via pela qual rapelamos, deve ser um 6º sup, e pegamos o caminho de volta. Escureceu rápido mas como estavamos na estradinha não tinha erro caminhar a noite.
Chegamos ao carro torcendo para estar tudo bem, e graças a Deus estava tudo certo. Descemos para o posto de gasolina, agilizamos um banho no esquema caminhoneiro, num banheiro extremamente limpo, daqueles que se você encostar na parede corre o risco de ficar grudado.
A Janta lá é muito animal, rango muito bom e caprichado, mesmo depois de caminhar e escalar o dia inteiro chega até a sobrar um pouquinho de comida.
Depois da janta voltamos para o nosso velho local de camping na faixa lá no Setor 1, chegamos lá estava a maior neblina e muito frio, montamos a barraca e apagamos rapidinho.
Sábado - 17/06/2006
Acordamos novamente debaixo de neblina, só que agora mais frio ainda.
Novamente fizemos a rotina de desmontar o acampamento, ir no bom e velho posto de gasolina tomar café, voltar e estacionar o carro próximo ao pedágio e seguir para o outro lado da rodovia, só que agora iríamos para o Setor 3, que pelo croqui é mais rápido de chegar do que o Setor 2.
Bom desta vez eu não ia dar vacilo de novo, certifiquei que a sapata estava na mochila e que não estava faltando nada. Afinal de contas errar 2 vezes é burrice.
Desta vez resolvi colocar a revista do lado de fora da mochila, para que quando fossemos consultar não precisasse ficar abrindo a mochila.
Logo que se cruza a cerca próximo a rodovia, segue um trecho de uns 200 metros onde a estradinha quebra a direita sentido Setor 2, agora nós temos que ir reto, pendendo levemente para a direira “uns 20 graus”, atravessando pelo meio do pasto.
É meio difícil se situar para encontrar o Setor 3, a única referência é uma torre de alta tensão... mas perai... tem torre de alta tensão para todo lado...
Então aí vai uma dica importante, parando na estradinha no trecho onde vai se entrar no pasto, a frente avista-se uma torre que fica bem a direita de uma matinha bem ao fundo, não é esta torre e a próxima a direita... Então fique esperto, viu a matinha, a direita quase colado avista-se uma torre e mais para direita outra, mire esta outra torre e nunca mais a perca de vista, ok! Outra dica do Danilo, que trabalha com isto e repara em coisas que nós nem percebemos, esta torre que devemos mirar é a única que apresenta o conjunto de isoladores um pouco inclinado, quer dica melhor que esta... hehehe
Caminhamos até o pé da torre e ao fundo dava para perceber que iríamos encontrar o Cânion, fomos nesta direção e lá estava ele.
Muito bem, agora só falta encontrar a trilha para descida, pois até agora rasgamos o pasto todo e não encontramos nenhuma trilha digna de ser o caminho correto. Então vou consultar a Headwall mas...... cadê a revista..... putz... ferrou.... essa p... caiu..... e agora.... como era mesmo aquela história de errar duas vezes!??
Ferrou, sem revista, sem croqui, sem trilha e agora... desta vez não tem jeito, vamos voltar e procurar a revista...
Esta hora eu já estava bem contente, um dia eu esqueço a sapatilha, no outro perco a revista... assim não dá...
Largamos as mochilas e voltamos, o Danilo ia com o binóculos procurando para ver se encontrava (e depois eu que sou maluco) enquanto eu ia tentando voltar pelo mesmo caminho que viemos, o que é impossível, parece que é tudo igual.
Meia hora procurando e nada, eu já estava quase chegando na estradinha e o Danilo estava logo atrás. Pensei comigo, não tem jeito, o lugar é imenso, para achar só com ajuda de São Longuinho, então fui lá e fiz o pedido, prometi os 3 pulinhos e ainda fiz chantagem, falei que só pulava se encontrasse.
Cara, foi o lance mais incrível que eu já ví, eu mal fiz o pedido e quando olhei para o lado la estava ela, a revista, nem acreditei....... No meio daquela imensidão a revista simplesmente apereceu do meu lado... hahahah Foram os maiores 3 pulinhos que eu já dei... hahahahaha. O Danilo lá de longe não estava entendendo nada..... Mas não é que São Longuinho é porreta mesmo...
Voltamos para as mochilas e agora com a revista, é só achar a trilha de descida. Indo reto da torre para a beira do Cânion, tem uma matinha a esquerda, bem no meio da matinha tem uma trilha que cruza, tipo uma clareira... Olhamos e não tivemos dúvidas, é por lá, na matinha tem até umas madeiras pregadas, tipo corrimão.
Realmente é por lá mesmo, logo que se cruza esta matinha, a trilha vai sumindo, então cruzou a matinha siga em direção a beira do Cânion, beirando a mata mesmo, chegando na beira, vai contornando o Cânion bem pela beirada que não tem erro, vai ver uma trilha que desce pela ponta do Cânion, uns 100 ou 200 metros a esquerda da matinha.
Mas quem disse que nós encontramos esta trilha, não sabíamos nem se estavamos no lugar certo, para nós era óbvio que a trilha deveria descer por uma destas matinhas e seguimos beirando o cânion tudo para a esquerda e nada, voltamos tudo para a direita e nada...
Ficamos umas 3 horas procurando a trilha e nada de encontrar, então o Danilo abriu a revista e começou a se basear pelas fotos, víamos quais torres apareciam nas fotos e fomos contornando o cânion novamente.
Voltamos a ponto de partida, onde chegamos perto da torre e com base nas fotos estavamos certos que a trilha deveria estar por lá, mas nada de encontrar, olhando para a revista o Danilo resolveu tentar entrar nesta mata, mas é bem fechada e não se encontra nenhuma trilha. Enquanto ele tentava de um lado fui para o outro lado da matinha e segui beirando o Cânion, foi quando consegui encontrar a trilha, até desci um pouco para ter certeza e era ela mesmo.
A descida da trilha é bem punk mas quando se chega lá o coração até bate mais forte. O lugar é muito lindo e dá de dez a zero no Setor 1. Com certeza o melhor dos 3 setores.
No Setor 3 quase todas as vias são móveis, além de ser o setor que mais tem vias dá até para perder as contas, então vá preparado.
O lugar é muito lindo, mas só fomos chegar lá por volta das 13:00h, e sabíamos que não poderíamos voltar a noite, pois não teríamos a estradinha para andar, se até de dia a gente se perde imagina a noite.
Fomos em direção a ilha, é isso mesmo no setor 3 tabém tem uma ilha, só que bem maior que a do setor 2. Escalamos algumas vias por lá, estranhamos um pouco mas curtimos muito o lugar. Pena que não dava tempo então escalamos apenas 3 vias.
Tentamos sair um pouco mais cedo e subimos a trilha de volta a milhão, mas mesmo assim fomos chegar na estradinha já estava noite. Caminhamos até o carro e seguimos a mesma rotina.
Banho e janta esquema caminhoneiro, voltamos ao local de camping próximo ao Setor 1 e mais uma vez montamos a barraca sob neblina.
Domingo - 18/06/2006
Como era o dia da volta, nos planejamos para sair de lá no máximo as 12:00hs, como não tinhamos muito tempo, desmontamos o acampamento e fomos bem cedo ao bom e velho posto de gasolina tomar café e nos despedir de lá, para voltarmos e escalar no Setor 1.
Na volta para o Setor 1, resolvemos tentar abordar o Setor 2 por baixo, já que de lá nós avistamos uma estradinha de terra e parecia que uma caminhada de meia hora nos levaria até as vias. Sem contar que depois de conhecer os Setores 2 e 3 não se tem voltade de voltar ao Setor 1.
Bom entramos em um monte de estradinhas de terra e não conseguimos chegar lá, a neblina forte atrapalhava por que não víamos o Cânion.
Deste modo, nos restava escalar no Setor 1. O que nos deixava mais preocupados era deixar o carro lá, que é o mesmo lugar que estávamos acampando por todos os dias, pois tinhamos medo de alguém mexer.
Descemos e escalamos no Setor 1, entramos numa via de 7a e achamos que ia dar para entrar num 8b que fica logo ao lado, mas que nada, o 7a era bem forte e não conseguimos encadenar a vista, teve que ficar para a segunda tentativa o que levou tempo e se o 7º era daquele jeito com certeza íamos ter que batalhar muito para mandar o 8º, como já era quase meio dia, resolvemos ir embora.
Voltamos ao carro novamente com medo de encontrar o vidro quebrado, mas estava tudo certo, assim tomamos o rumo de volta a São Paulo, bem na hora do jogo do Brasil.
Dicas:
Se puder vá de ônibus, ou se for de carro tente deixar bem ao lado do pedágio. Assim dá para acampar entre os setores 2 e 3 e com certeza aproveitar muito mais. Para ir de ônibus, é só pegar um que vá para Ponta Grossa, e peça para descer logo antes do primeiro pedágio da Br 277.
A revista Headwall Nº 07 tem uma matéria completa e todos os croquis do lugar.
O site Montanhistas de Cristo também tem os croquis.
Boas Escaladas!
...
Vários points de escalada num mês de verão por Fabrício F. Ferreira
Muita chuva? Saco cheio de mofar em casa? Afinal escalar no verão é possível!
Baú, Pão de açúcar, Serra dos Órgãos, Três Picos, São Roque e Andradas.
Depois de 8 meses aqui no Brasil e devagar matando a saudades das nossas escaladas, bauzão, guaraiuva, Dedo de Deus. Recebi a visita do meu amigo alemão, aquele do artigo do Arapiles (escalada na Austrália) que me deu uma carona pro camping e com quem escalei por lá.
E o cara veio cheio dos móveis das cordas e sangue no zóio.
Era janeiro e o tempo chuvoso, mas vamos que vamos...
O Rio, a primeira parada. Lá nos esperava Diego, o grande amigo companheiro de República e rocha, o Carioca das escaladas.
Para quebrar a viagem em dois, nada como uma pernoite em São Bento do Sapucaí, onde de baixo de chuva demos uma boa caminhada subindo as escadinhas de um lado e descendo de outro.Na chuva, porque não.
Chegamos no dia seguinte ao Rio, chovendo fomos para uma escalada na via mais fácil do pão de açúcar, a qual costumamos solar, mas não nestas condições. Escalamos o Costão debaixo de chuva, e porque não.
Bom, o Alemão já estava achando que não pegaria um dia de sol nos trópicos quando arrumamos as mochilas, fizemos um pit stop na casa da mãe do Diego a adorável e sempre muito receptiva Cila, estrategicamente localizada em Itaipava.
Estávamos entrando numa das mais bonitas caminhadas do país, a travessia Petrópolis Teresópolis. Começamos a tardezinha debaixo de chuva assim seria mais refrescante.
No primeiro dia chegamos apenas ate o Ájax, na segunda noite depois de um dia cansativo com direito a perdida da trilha dormimos antes do vale das Antas quase sem água, mas com a maravilhosa vista para a Terra de Gigantes, o maior big wall do Brasil.
No terceiro dia, passando a Pedra do Sino armamos acampamento no paradisíaco paquequer onde dormimos, mas não antes de escalar a Agulha do Diabo rapidamente. Daniel “um pouco” cansado nos esperava no camping com um bom jantar.
No último dia escalamos a verruga graças à coragem e boa técnica de chaminé do Diego que guiou a primeira e mais perigosa cordada e descemos pela travessia da Neblina, de volta para o Rio.
Depois de dois dias descansando no Rio na casa do Diego e comendo muito, e claro, nos preparávamos para ir pra Salinas, mas não sem antes escalar a famosa e clássica Italianos, a idéia inicial era a Pássaro de fogo que estava molhada.
Assim o turista pode apreciar a vista do Pão de açúcar, desta vez com bom tempo, sem pagar o bondinho.
Dia seguinte, nos despedíamos do Diego que voltava pra São Paulo ver um futuro escalador nascer, seu filho Caue!
Eu e Daniel fomos pra Salinas.
Ficamos no abrigo do Sergio e da Rosana Tartari que nos recebeu muito bem. No dia seguinte escalamos no morro do gato ali em frente, uma via de três cordadas, boa aclimatação.
O plano era escalar o capacete pela CERJ (11 enfiadas) e o pico maior pela Leste (17 enfiadas).
O clima em Salinas e simplesmente incrível, muito escaladores curtindo a serra, abrigando montanhistas e dando informação.
A Rosana nos dava informação o dia quase todo, mas também contei com os eficazes toques do Sergio Poyares e do seu filho Daniel.
O Sérgio ate arrumou nosso rack colocando alguns móveis que foram muito importantes nas duas vias.
Um pouco antes do dia da Leste também apareceu um outro escalador que me aliviou as noites de sono e sonho com o rapel da Leste. Ele me contou da Silvio Mendes, uma opção de Rapel mais demorada porem mais segura para a descida do Pico maior.
A escalada da Cerj foi uma delícia. A Rosana acordou as cinco e meia da manha para fazer a caminhada de 1.5 horas com a gente (importante gentileza).
Passei uns dois grampos sem ver lá pela 8° cordada que me deu uma boa adrenada, o Daniel ia revezando as cordadas sempre num clima ótimo comigo, escalando por música chegamos ao cume e logo, com boas dicas, achamos o Rapel sem grilo.
Chegamos para um farta janta preparada pela Rosana e seguiram dois dias de descanso.
Acordamos muito cedo com muitos croquis no bolso, dicas de todos, celular com telefone da Rosana e do Sergio no gatilho e mais uma vez os móveis e equipo separados pelo próprio Sergio Poyares, era a vez da Leste.
Eu bastante concentrado tinha a cara tensa e segundo Daniel não mostrava os dentes por nada.
Mãos na rocha as seis e meia da manha, tocamos pra cima, procurando grampos, saindo e voltando pra via. O clima entre a dupla neste dia não foi tão bom, a escalada e muito longa, os grampos distantes e a volta trabalhosa o que me deixava tenso, tive uma pequena discussão com Daniel quando ele resolveu que queria fumar um cigarro lá pela 9 cordada... Normal. Bloody German!
Revezando guiadas, mandando pra cima sem pensar muito, aderência, chaminé, A0, fendas, verticais. Ha que escalar tudo, uma vez que se esta lá.
Fizemos num bom tempo, 7 horas e meia contando o cigarrinho.
Chegamos ao cume e em menos de meia hora já estávamos armando o Rapel pela longa Silvio Mendes, a via de conquista do Pico Maior.
Mais umas 4 horas e meia rapelando e no final da tarde estávamos com os pés no chão e sem as cadeirinhas...Que escalada linda!
Descansamos e comemos muito no abrigo, bebemos junto com todos a comemoração da nossa escalada.
No dia seguinte partimos pra São Paulo dividindo mais uma vez a viagem em duas com a paradinha no Baú, onde escalamos a Dança da Chuva(5 enfiadas) no Bauzinho e a Justiceiros na Ana Chata, todas duas inéditas para nos dois.
Voltamos pra São Roque, onde levei o Daniel junto com o Ivan para ver nossa conquista da via ainda sem nome (3 cordadas 6° VII).
Faltava pouco para o Daniel voltar pra Alemanha e partimos pra Andradas onde ficamos no abrigo do Jacaré no Pântano.
O mesmo Jacaré nos levou ate a base da via 5 15 na pedra do elefante que nos proporcionou uma agradável tarde.
Ainda em Andradas escalei com o Jacaré a emocionante, pretendíamos escalar também a Pão francês, mas estava molhada.
Foi o suficiente para fazer dois parceiros de escalada bem satisfeitos por um bom tempo, me deu uma dor no ombro da qual ainda estou me recuperando e o alemão voltou bem feliz e chegando lá acho que tirou férias.
Obrigado a Rosana, ao Sérgio Poyares, ao Jacaré, ao Diegão e especialmente ao Daniel que atravessou o Atlântico para subir umas paredes com um amigo brasileiro....
Ascensão em gelo no Vulcão Lanin - Argentina por Fábio Mendonça
Ascensão ao Vulcão Lanín
O Vulcão Lanín situa-se a 65 km de Junín de Los Andes, cidade pertencente à província de Neuquén, dentro do Parque Nacional Lanín, criado em 11 de maio de 1937.
Com uma altitude de 3776m em relação ao nível do mar, a subida do vulcão é feita em dois dias. A descida pode ser feita em um dia ou ser quebrada parando no refúgio (talvez um pouco menos cansativo).
Os guardas-parque exigem alguns equipamentos necessários e o uso de guia não é obrigatório (piolets, crampons, rádio VHF, roupa adequada, isolante, saco de dormir são obrigatórios). O registro deve ser feito na portaria, onde o material e a experiência serão checados.
Por não termos experiência em montanha de gelo, o grupo preferiu utilizar os serviços de uma família de guias (Bernardo, Sebastian e Geraldo Cabezon). O custo médio varia de R$250,00 a R$300,00 com alimentação, transporte e equipamentos.
Confesso que eu, a Tamara e o Eduardo ficamos meio ressabiados no início, pois o custo dos guias encerrou a nossa viagem e quando chegamos no início da trilha não houve nenhum guarda-parque checando nossos equipamentos.
Além de tudo, vendo o vulcão da base subestimamos a subida, achando que seria fácil. Sem guia, calculamos que o custo seria 70% do que gastamos.
Em cada dia sobe-se em torno de 1300m, o primeiro dia sobre a rocha vulcânica e o segundo sobre o gelo. A trilha é sinalizada até um pouco antes dos refúgios. A parte de gelo exige um pouco mais de experiência, os movimentos têm que ser mais sincronizados, usando piolets e bastões de esqui.
As gretas de gelo no caminho são alguns dos riscos que torna a subida do Lanín perigosa para os desavisados. As gretas são enormes fendas que se abrem às vezes com dezenas de metros de profundidade, se cair dentro a temperatura cai e pode-se morrer facilmente de hipotermia.
O primeiro dia é feito em 6 a 8 hs da base até o refúgio. A primeira parte da trilha começa dentro de um bosque, com uma vegetação que não estamos muito acostumados a ver.
Depois de uns 40 min, saímos do bosque e começamos a percorrer uma trilha sinalizada entre as rochas vulcânicas. Esta parte ainda é plana e passamos por alguns riachos de coloração marrom, tornando a água ruim por estar muito misturada com a terra.
Mais uma hora percorrida e a inclinação da trilha começa a acentuar-se. Tem muita pedra solta no caminho e após uma hora e meia, entramos na Espina de Pescado, uma crista vulcânica de não mais que 1,5 metros de largura que cai para os dois lados. Andamos em torno de 1 hora nesta crista e quebramos à direita no Camino de Mulas.
Começamos a ganhar altitude descortinando em nossas costas o Lago Tromen e à nossa direita a fronteira com o Chile. A subida até o refúgio militar novo demora mais umas 3 ou 4 horas. O impressionante é que a distância percorrida não é muita, o que cansa é a subida que não dá trégua.
Um pouco antes do refúgio chegamos na primeira placa de gelo. Coletamos, raspando a garrafa no gelo e misturando com um pouco de água.
Depois disso mais um hora e chegamos no refúgio militar novo. Descansamos cerca de vinte minutos nesta base, o visual já é magnífico e podemos avistar as formações chilenas, inclusive o vulcão Vilarrica.
Após um descanso de vinte minutos, voltamos a subir e passamos por um dos últimos pontos de gelo ainda bom para se beber. O gelo que fica depositado mais perto do topo do vulcão conta ainda com um pouco de ácidos das últimas erupções.
Passamos uma grande placa de gelo e dobrando pela esquerda contornamos a formação rochosa e chegamos no refúgio militar velho.
São mais ou menos 5 horas da tarde e ficaremos até as 3 horas da manhã, para iniciarmos a segunda parte da ascensão. Ficamos descansando e contemplando o visual do refúgio.
Após umas 4 ou 5 horas de um sono leve, o grupo acorda com a montanha serena. Impressionante a quietude do lugar.
O grupo é grande e demora mais de uma hora para ficar pronto para partir. A 30 metros do refúgio colocamos os crampons e iniciamos a subida com head lamps, passando por cima de algumas gretas que impressionam.
A subida é contínua e o grupo sobe lentamente, passsando às vezes por alguns pequenos trechos de rocha, tomando cuidado para não amassar os crampons. Depois de umas 2 horas o sol começa a aparecer e descortina uma vista alucinante para todos.
Temos ainda varias horas até o cume. A subida começa a ficar cada vez mais inclinada, o gelo ainda é mais sólido nas primeiras horas da manhã e aos poucos vamos ganhando altura passando dos 3000m.
Uma formação de nuvens aparece no topo. Soubemos mais tarde que a família de guias tinha subido seis vezes até o refúgio e descido justamente por causa do mau tempo.
É um ambiente tão gelado que não há muita sede. Chegamos na base da Canaleta de La Cumbre para iniciarmos a última parte até o pré-cumbre. Passamos por um árduo trecho de terra e pedra soltas, cada passada na terra solta é bem difícil.
Descansamos alguns minutos e iniciamos um zig-zag em uma grande canaleta de uns 45º, o mais fácil é subir pelo caminho que se forma com as pegadas, melhorando a segurança de todos. Tomando cuidado para que os crampons não se engatem, chegamos a uma das últimas formações de pedra, para fazer a ascensão final para o cume.
Pode se dizer que este último ponto é o mais difícil de toda a subida.
Passamos por algumas paredes de gelo, buscando as escadas naturais de gelo. Alguns lances exigem bastante cuidado e paciência para se descobrir as melhores passagens. O uso do piolet é essencial para se ter equilíbrio. Após uns 40 minutos chegamos no pré-topo, aos desavisados a vontade é seguir direto para o alto, mas uma greta escondida de gelo nos obriga contornar o ultimo morro pela esquerda.
Chegamos no topo do Vulcão Lanín cerca de uma da tarde. Foram quase nove horas de subida direto desde o refúgio.
O visual 360˚ compensa qualquer esforço, impressionante a conquista de uma montanha de gelo. A parede sul cai vertiginosamente em nossa frente. Vemos cerca de 4 ou 5 vulcões em nosso entorno, entre eles o Tronador na região de Bariloche e o Villarrica em Pucón.
Passamos cerca de meia hora no topo e a sensação da longa volta até o refugio e depois para o estacionamento, veio à tona.
A volta até o carro demorou mais umas dez horas de caminhada. A descida no gelo nos trouxe outra dificuldade, tomar cuidado para não escorregar e sair rolando pra baixo.
Logo no início da descida um dos guias, Sebastian, escorregou ao ajudar uma menina e rolou uns 4 metros pra baixo, caindo em cima do Cox e de mais um dos caras. Sorte que nada de sério aconteceu, apenas uma lesão no joelho, para assustar.
Mais abaixo as nuvens chegaram derrubando a temperatura uns 5˚ e mostrando que uma tempestade de neve e vento podem transformar tudo numa grande roubada.
Ainda bem que o tempo melhorou e podemos como brasileros que não têm neve, descer a montanha como crianças, nas partes tranqüilas da descida. A parte final das gretas até o refúgio exigiu bastante cuidado. Uma das mulheres passou mal com a subida e ficamos umas 3 horas esperando ver o que os guias iam fazer.
No final ela acabou caminhando e conseguimos chegar no estacionamento quase 11:00 hs da noite. Foram dezenove horas de caminhada. Um esforço físico impressionante.
Agora radical mesmo foi chegar na cidade quase 1 da manhã com muita fome, pouca grana e ter que tomar uma ducha gelada no camping, e sair andando a procura de rango.
Nada como o conforto! Hehehe
Basta voltar para o cotidiano, que a vontade de voltar para alguma montanha surge no espírito novamente.
...
Escaladas em Los Arenales - Mendoza - Argentina por Danilo Henrique Kleine
Escalada em El Cajón de Los Arenales – Província de Mendoza - Argentina
El Cajón de Los Arenales se encontra a 135km a sudoeste da cidade de Mendoza no departamento de Tunuyán na província de Mendoza.
Encravado en el Córdon Portillo Cordilheira Frontal dos Andes
22/01/06 –Domingo
Após viajar por aproximadamente 12 horas de ônibus a partir de Córdoba finalmente chegamos a Mendoza, descemos na rodoviária e procuramos uma hospedagem barata, demos muita sorte por encontrar o Albergue Chimbas que fora aberto recentemente, o proprietário Cláudio nos atendeu extremamente bem, tomamos um bom banho quente, pois já fazia tempo que estávamos desprovidos deste conforto. A Tamys e o Fábio planejaram um pouco da viagem e passamos o dia descansando nas dependências do Albergue.
23/01/06 – Segunda
Acordamos cedo e fomos perambular pelo centro de Mendoza atrás de mochilas, conhecemos o centro e suas belas praças, o calçadão(peatonal Sarmiento) próximo a Plaza Independencia a maior da cidade, compramos duas mochilas cargueiras e voltamos para o Albergue onde arrumamos as coisas para em seguida tomar um ônibus para Tunuyán. Nesta cidade tivemos um pouco de dificuldade para arrumar transporte para Manzano Histórico, onde acabamos tomando um táxi que saiu um pouco caro, depois de 42km chegamos a Manzano Histórico, por sorte encontramos logo de cara o transporte do Yava um simpático senhor que leva pessoas até El Cajón de Los Arenales numa Land Rover antiga, cobrando somente $10 (pesos argentinos) de cada um porque já estava subindo com um guarda-parque, ainda em Manzano Histórico providenciamos nossas provisões para uma semana, só tínhamos 10 minutos para fazer as compras num pequeno mercado, colocamos os mantimentos em caixas e em seguida na caçamba da caminhonete do Yava.
Fomos subindo pelo passo sentido o Refúgio Portinari que é o posto da Gendarmería Nacional com 2500 metros de altitude, nesta subida acompanhamos sempre o rio Arroyo Grande, um rio caudaloso de águas nervosas com tonalidade azulada, passamos também pelo refúgio Lemos do Exército Argentino e pelo Chorro de la Vieja.
Chegando na portaria do parque fizemos nosso registro, recebendo instruções do chefe do parque sobre os perigos do local e a proibição em atravessar o rio pela força de suas águas, frisando bastante que sob qualquer dificuldade poderíamos solicitar seu apoio 24 horas ao dia.
Adentramos ao parque e depois de alguns minutos o Yava nos largou no ponto inicial para a caminhada até o refúgio dos escaladores, já estava anoitecendo quando perguntamos sobre que horas eram, ficamos surpreendidos já eram 21h30, combinamos com Yava o nosso retorno no dia 27/01/06 até Tunuyan por $ 100 (pesos Argentinos).
Começamos a caminhar até o refúgio de head-lamps bastante carregados, chegando lá achamos melhor dormir no mezanino porque não conseguiríamos achar um bom local para montar as barracas, jantamos e fomos dormir no mezanino rústico. As provisões foram todas penduradas em ganchos para evitar os ratos.
24/01/06 – Terça
Despertamos e providenciamos nosso desayuno (café da manhã), quando saímos do refúgio tivemos a real noção da beleza do local, procuramos um local para armar as barracas quando nos deparamos com um cara bivacando no relento só com o saco de dormir, ficamos espantados sobre como ele havia agüentado a friaca da noite, após montarmos as barracas ele acordou, se tratava de um escalador do Alaska, o mesmo dizia que em seu país não conseguia ver as estrelas e por isso dormia ao relento.
Eu e o COX começamos a arrumar os equipos e analisar qual grupo de agulhas escalaríamos, nisto o escalador do Alaska chamado Laron perguntou ao COX sobre a possibilidade de escalar conosco, pensamos um pouco e concordamos, decidimos ir ao Grupo Aguja Nuez, então iniciamos a caminhada de aproximação até a base da via, uma caminhada forte pelo chamado acarreo(uma espécie de cascalho com pedras em forte aclive).
Chegando na base do grupo o COX se prontificou a guiar o primeiro largo(maneira como os argentinos chamam cordada) de 3° após 50 metros em rocha quebradiça, não achou os grampos da primeira parada, a via a ser escalada por nós seria a Mujeres, Tequila y otras yerbas 180m 5+ , a escolha desta via foi feita porque seria nossa primeira escalada de aclimatação onde o retorno seria feito pela própria linha da via e sem abandonar fitas , porque a maioria dos rapeis em Los Arenales são feitos com fitas laçadas em bicos de pedra ou entaladas em fendas. Acabamos subindo eu e o Laron para dar uma força ao COX e nada encontramos, nisto já era tarde resolvemos descer e procurar outra via, foi frustrante todo aquele esforço para não conseguir escalar, analisamos o croqui novamente e resolvemos escalar a Aguja Cara Del Inca pela via El Zorro, onde não haveria erros para encontrar a via que sai exatamente de uma estátua do Cristo.
Descemos o acarreo beirando a parede, quando achamos a via, começamos a analisar a situação para a escalada, eram 17h00 e 200 metros de via sem um único grampo, não sabíamos como o gringo escalava e temíamos a preocupação do Fábio que ficara no refúgio, resolvemos escalar mas informei ao COX e ao Laron que deveríamos escalar muito rápido, me equipei e toquei pra cima já com as duas cordas, a via possuía 5 cordadas tentaria guiá-la em somente 4 e puxaria os dois participantes em simultâneo, comecei guiando o primeiro diedro escalando rápido.
Quando bati os 60 metros montei uma ancoragem em móvel e puxei os dois, a comunicação do primeiro largo foi muito ruim, dei continuidade esticando os largos, montava a parada e vinham os participantes em simultâneo distantes 10 metros um do outro, o cuidado do guia era fundamental pois haviam vários blocos gigantes soltos que se caíssem poderiam ferir seriamente quem estava embaixo, a via ficou muito interessante quando fizemos a 3° parada num cume falso, o lance de saída era uma desescalada e uma passada para passar para a outra parede.
Depois de 40 metros gritei CUMBRE! aos meus companheiros que chegaram quase escurecendo, tiramos fotos e começamos a descer por trás por outro acarreo, desescalamos um lance, e chegamos no Cristo, arrumamos as mochilas e descemos mas um longo trecho de acarreo.
Nessa hora imaginava o Fábio desesperado lá no refúgio pois já eram umas 22h30, chegamos lá e foi só xingo, ele não conheceu o Laron e xingou o cara foi engraçado. Pedimos desculpas comemos e capotamos.
Neste dia o Fábio e a Tamys fizeram uma caminhada até a lagoa Azul, um lugar magnífico!
25/01/06 - Quarta
Decidimos ir fazer uma caminhada até a Neve, acima do abrigo Scarabelli, gostaríamos de escalar outras agulhas mas como estávamos em grupo concordamos em fazer um trekking todos juntos, partimos rumo ao abrigo Scarabelli com 3200 metros de altitude após umas 4h00 horas de caminhada chegamos ao abrigo, bem melhor que o primeiro por sinal, cozinhamos e dormimos, a noite foi muito fria.
26/01/06 - Quinta
Depois da friaca noturna continuamos a caminhada, rumo ao Valle Manantiales, as provisões de comida estavam acabando, a caminhada foi puxada, a altitude e falta de rango deram uma dificultada, mas quando chegamos no gelo foi recompensador.
Começamos a descer a idéia era ir direto até ao refúgio da escalada, descemos direto, foi caminhada o dia inteiro num visual alucinante.
Chegando no refúgio da escalada fizemos nossa última janta, por nossa infelicidade o rango teve alguns problemas de ordem técnica que resultaram num desastre, era comer para sobreviver foi cômico!
27/01/06 – Sexta
O último dia em Los Arenales eu e o COX estávamos sedentos por agulhas mais altas, resolvemos escalar a Aguja Campanille, acordamos muito cedo e entramos na caminhada de aproximação que era forte naquela longa rampa de acarreo, em alguns trechos havia várias pedras soltas com risco de pequenas avalanches, por isso evitávamos ficar um embaixo do outro, com 2h00 de subida em marcha forte chegamos na base da via, tínhamos que escalar rápido o Yava iria nos buscar às 19h00, entramos na via Sangre de Éden 5+ 4 largos, uma via alucinante, fendas perfeitas sem um único grampo, eu fui guiando e o COX limpando, várias passadas e moves, quando cheguei no topo outro grito CUMBRE! O COX veio voando onde comemoramos a chegada no topo daquela agulha num visual soberbo, comemos um pouco e rapelamos, algumas paradas fixas para o rapel e outras com fitas abraçando bicos de pedra.
Quando chegamos na base da via começamos a guardar o equipo, quando olhei no relógio eram 16h20 descemos muito rápido surfando no acarreo, era capotes e surf, acabamos descendo tudo em 30 minutos, como eu estava de tênis meu pé estava lotado de cascalho e pedras, chegamos no acampamento arrumamos tudo e caminhamos para o local de encontro com Yava, chegamos 19h00 onde descemos dando baixa na portaria e rumando sentido Tunuyán nos despedindo de El Cájon de Los Arenales, tristes por ter escalado tão pouco mas felizes por conhecer esse fantástico pico de escalada, sonhando em retornar o mais breve possível para escalar os grupos El Cohete, Torre Ancha, Carlos Daniel, Aguja Charles Webis e outras...
Dicas:
- Programa-se para ir nos finais de semana onde há transporte direto de Mendoza à Manzano Histórico pela companhia ECLA.
- As escaladas predominantes no local são do estilo aventura, de comprometimento com proteções em móvel, vá preparado.
- As escaladas esportivas com grampeação fixa ficam restritas somente ao grupo Muralla de la Mitria ao lado do refúgio Portinari.
- A graduação utilizada na Argentina é a Francesa.
- Mesmo no verão a temperatura chega abaixo 0°C.
Hardware Recomendável:
- 02 Cordas de 60 metros (double rope ou twin são excelentes para o local).
- Várias fitas de tamanhos variados.
- 01 Jogo de friends completo
- 01 Jogo de microfriends ou TCU´s
- 01 Jogo de nuts
- Mosquetões soltos
Onde comprar o guia de Escaladas em Mendoza:
Loja El Refúgio
Peatonal Sarmiento n° 231 ou 294 – Mendoza - Argentina
Onde ficar em Mendoza:
Chimbas Hostel
Claudio
$20
site - http://www.chimbashostel.com.ar
e-mail - info@chimbashostel.com.ar
Roteiro Gastronômico Imperdível:
Las Tinajas (O RANGO)
Lavalle, 38
(0261) 429-1174 / 1175
Em Tunuyán
Transporte para Manzano Historico:
Fagundo
Fono Taxi - 424297 / 44
24h
$45
Em Manzano Historico
Transporte para El Cajón de los Arenales:
Yagua
(02622) 15524895 / 15527967
e-mail - e_limite@yahoo.com.ar
Nossos agradecimentos aos guarda-parques e aos Clubes Andinos responsáveis pelo zelo desta belíssima área.
Para ver mais fotos de El Cajón de Los Arenales clique aqui...
Escaladas em Los Gigantes - Córdoba - Argentina por Eduardo Lereno
Altas escaladas em Los Gigantes / Argentina
El Pollito
Los Gigantes se situa próximo a Córdoba, no ‘Camino De Las Altas Cumbres’. É uma imponente formação rochosa com 2.374m de altitude, pertencente à Reserva Hídrica Provincial Pampa de Achala que, juntamente com o Parque Nacional Quebrada Del Condorito, protegem 185.000 hectares de ambientes, fauna e flora peculiares das serras de Córdoba.
Tabaquillo
Flores típicas de Los Gigantes
11/01 – quarta-feira
O Fábio, a Tamara e eu embarcamos em um ônibus na rodoviária do Tietê com destino a Córdoba/AR, aonde chegamos no dia seguinte à noite. Aproveitamos os dois dias na cidade para conhecer e aproveitar um pouco dela, pois o Danilo chegaria apenas no sábado à noite, vindo de avião.
Os quatro reunidos, saímos para jantar e tomar umas cervejas, afinal no domingo embarcaríamos para Los Gigantes.
15/01 – domingo
Acordamos cedo, dividimos o peso e arrumamos as mochilas. Na rodoviária tomamos o ônibus a Los Gigantes. Terrível e cômico: não há bagageiros e a gente foi com as mochilas cargueiras no colo. No corredor tinha caixas de papelão, térmicas, bagagem... Até no painel do motorista tinha coisa. Descemos nós e a mochilas pela janela, depois de 90km percorridos em três horas.
Fizemos uma caminhada com bastante peso até La Rotonda, refúgio e local de identificação para entrar na reserva. Dona Fermina (que faz as melhores empanadas da Argentina) recebeu a gente muito bem e explicou várias coisas do lugar.
Mas não ficamos lá, depois de nos identificar subimos por uma hora até um ponto alto e relativamente perto do rio e armamos acampamento. Depois descemos em três para trazer o restante da carga. À noite, no final do jantar (regado a vinho de Mendoza) começou uma chuva que mais tarde viria a se tornar uma tempestade. Foi tenebroso, tinha horas que caíam raios e tremia o chão sob as barracas, os ventos fortes as sacudiam e acabou molhando um pouco as barracas do Danilo e do Fábio e Tamara. A água só parou de cair de manhã.
16/01 – segunda-feira
Nesse dia decidimos conhecer a área e fizemos uma grande caminhada, que durou quase o dia inteiro. Seguimos algumas rotas, conhecemos dois refúgios de clubes andinos e atingimos o ponto mais alto de Los Gigantes - o El Mogote - já visualizando durante o trajeto várias vias e picos de escalada e fazendo planos.
Estivemos também na ‘Cueva De Los Pajaritos’, uma entrada entre duas rochas com uma grande pedra apoiada em cima e uma cachoeira no meio; um lugar lindo.
De volta, desmontamos acampamento e descemos para La Rotonda, pois o camping lá em cima pode ser meio ingrato e não queríamos passar outra noite daquela.
Acampamos na beira do rio, com o visual de Los Gigantes imenso na nossa frente.
17/01 – terça-feira
Nosso primeiro dia de escaladas. Subimos até o Mogote Zuriaga, onde já tínhamos identificado algumas vias. Fizemos a Zeppelin 5+, com o Danilo guiando seguido por mim e pelo Fabião. Via legal, com um baita visual do topo. Depois eu entrei para guiar a Cristales Voladores 6a. Com esse nome não precisa nem falar como é a via, muito boa. No topo, enquanto eu montava a ancoragem, de repente ouvi um barulho forte do lado esquerdo e quando olhei era um condor enorme passando a uns dez metros de mim. Nunca pensei que fosse ver isso... O Danilo também subiu guiando, com outra corda, e depois foi a vez do Fábio escalar.
Depois dessas duas vias fomos até outra formação, o Mogote Torpedo. O Danilo entrou guiando a Siga El Baile 6b+ e eu subi de segundo, desequipando. O crux da via é bem delicado e depois que se passa o bico da sapatilha fica até marcado do cristalzinho que se pisa e faz força.
O Fábio já foi descendo antes, pois a Tamara passou o dia lá embaixo, em La Rotonda. Nessa noite o jantar também teve direito a vinho, seguido de café e os famosos alfajores argentinos.
18/01 – quarta-feira
Acordamos cedo e tomamos café. O Fábio e a Tamara ficaram no acampamento e o Danilo e eu subimos até o El Tio. Lá, entramos na Salamanca 5+ móvel, com o Danilo guiando e eu desequipando. A 2ª enfiada da via é em uma fenda de peças médias e grandes onde os movimentos são animais, com uma visão linda do vale abaixo de nós.
Quando estávamos no topo, a Tamara e o Fábio apareceram e tiraram umas fotos.
Os condores eram presenças constantes no céu durante nossas escaladas.
Em seguida entrei na Aliado 6a, via grampeada excelente, e o Danilo seguiu desequipando. Houve um lance que gostei bastante, em que para eu costurar depois de ter passado o teto era puro equilíbrio. Se eu desse uma respirada mais forte saía da parede.
Baixamos e fizemos um lanche com nosso amigo zorzal, um passarinho que acompanhava a gente todos os dias e já estava comendo na nossa mão, já fazia parte do grupo.
Zorzal
19/01 – quinta-feira
Grande escalada em Los Gigantes... Subimos até o Cerro De La Cruz, uma pedra majestosa com vias altas e bonitas.
A primeira foi a Un Poquito Quemao 6a+, via delicada de micro agarras, pequenos cristais e muito equilíbrio. Para guiar ela queimei a panturrilha que foi uma beleza. Montei a ancoragem e dei seg para o Fabião subir. Na reunião, ele montou o rapel e desceu. Depois foi a vez do Danilo escalar e, da parada, já sair guiando a próxima via (que chega ao cume), a fantástica Laja de Peterek 6a+, com uma saída fortinha, chegando a um teto com uma passagem adrenante e já seguida de uma oposição bem forte.
E mais acima, novamente micro agarras, cristais e equilíbrio.
A chegada ao cume foi com grande alegria, aquelas vias foram demais. Já nos esperavam lá a Tamara e o Fábio, que fizeram uma trilha pelo outro lado e depois subiram por uma grande canaleta de pedra que dava no cume.
Lá em cima fizemos um lanche e conversamos com um grupo de argentinos que assistiram parte da escalada.
Descemos e o Danilo e o Fábio entraram na via Ideal 6a, que tem no meio uma chaminé com saída estreita. Mas a escalada foi apenas até a primeira parada, porque uma névoa densa se aproximou e tinha cara de que iria chover, então decidimos descer.
Voltamos a La Rotonda, jantamos e como estávamos cansados, nessa noite dormimos muito bem.
20/01 – sexta-feira
Nosso último dia de escaladas em Los Gigantes começou nas formações do El Tio. O Danilo tentou entrar na via em móvel ¿Cuántos metros son 14m? 6b+, mas estava ruim de proteger, com muita vegetação na linha da via. Então fomos até a Mirando Al Sol 5+, onde eu entrei passando direto na primeira e já montei a ancoragem na segunda parada. O Danilo subiu e depois o Fábião.
Em seguida, saímos do El Tio e fomos até a formação Don King. O Danilo entrou na alucinante Frijolero 6b+ e guiou a via na raça, pois os movimentos são bem fortes.
Ele montou um top rope depois do teto com canto vivo, para não correr risco com a corda e o Fabião e eu apanhamos um pouco dos lances iniciais. Na minha vez, depois de duas vacas e de o lance quase sair a chuva se aproximou e tivemos que baixar. Logo quando você tem na cabeça: “Agora já gravei, o move vai sair na próxima”.
Realmente, vai sair na próxima vez que eu voltar a Los Gigantes!
21/01 – sábado
Dia de ir embora. Arrumamos as coisas, tomamos café no refúgio, nos despedimos de Dona Fermina e pegamos umas dicas de Los Arenales com um escalador australiano que estava lá. Depois da trilha até a estrada, com Los Gigantes nas nossas costas, conseguimos carona até a Villa Carlos Paz, onde pegamos um ônibus para Mendoza, prosseguindo com a nossa viagem pela Argentina. Mas essa já é uma outra história, que o Danilo conta...
Dicas
De São Paulo até Córdoba de ônibus é melhor ir com a companhia Crucero Del Norte. De avião, a Aerolíneas Argentinas oferece boas tarifas.
De Córdoba até Los Gigantes, só mesmo com a TAC ($8,50).
Carona é uma boa pedida e comum na Argentina.
Onde ficar
Em Córdoba: Hotel Miramar – Paraná, 222 – (0351) 4245325
Novo, limpo e bem localizado ($70,00 quarto quádruplo)
*Gostaríamos de agradecer a atenção e simpatia de Dona Fermina, que nos recebeu tão bem e que gosta dos brasileiros que viajam para Los Gigantes
Para ver mais fotos de Los Gigantes clique aqui...
Escaladas na Austrália por Fabrício Ferreira
The Blue Mountains
A apenas uma hora e meia de trem de Sidney estão as “blue mountains” mais um parque nacional Australiano, uma crista com cliffs dos dois lados e mais uma vez escalada em rocha para todos os gostos e coragem. Uma semana lá foi suficiente para uma boa olhada no local, mas um mês intenso talvez seja o suficiente. Desta vez tive como parceira principal minha namorada Clancy, uma local, e um casal que estava alojado na barraca ao lado no camping.
Fui ate este casal assim que chegamos a fim de obter informações sobre as vias e logo reconheci Daniela Cury, uma brasileira que mora em Borneo e escalava na 90 graus quando tabalhei lá como instrutor. Com Daniela e seu namorado, um canadense de Quebéc, fizemos algumas vias, na sua maioria esportivas que era o que eles estavam afim.
Com Clancy escalei algumas vias de três enfiadas com proteção mista e uma clássica que ficará na memória chamada “eternity”, uma fenda simplesmente linda numa face lisa, com 30m de altura, deve ser um sexto grau (21 australiano) puro móvel com dois grampos pro rapel... ALUCINANTE!
As “blues” como eles dizem é “such a place” como eles também dizem... Bom transporte público para chegar , camping e hotel para todos bolsos e gostos.
Boa companhia, boa escalada e um cenário maravilhoso que realmente azula como o nome diz. Um pouco de esportiva, um pouco de vias longas com chaminé fenda e face as vezes na mesma via, bonitas caminhadas de acesso, grampos, nuts, cams, hexentrics e ate “carrots” que é uma estúpida idéia australiana de um parafuso sem grampo, você chega e encaixa um.
Uma temperatura agradável e muito verde faz do cenário um lugar imperdível para um bom tempo com muita rocha e adrenalina. Mas depois de uma semana acabou, era tempo de Clancy voltar ao trabalho e de eu ir .......ao monte Arapiles.
Mount Arapiles, Australia!
Sem dúvida um dos lugares mais bonitos e propícios para a escalada em rocha em que já estive. Bem no sul da Austrália, entre as cidades de Melbourne e Adelaide um parque nacional cheio se escaladores, um camping (2 dolares por dia) com água pra beber e sanitários, sem chuveiro.... O que conserva no corpo a energia da rocha, maravilha!
Mais de trezentas vias se todo o grau de dificuldade de uma a varias enfiadas.
Logo na chegada à cidade por onde se acessa o parque, ali mesmo, fazendo compras no supermercado, arrumei uma carona e um bom parceiro para a semana que passei neste pico de escalada internacionalmente conhecido.
Acampando, escalando quintos e sexto graus em proteções única e exclusivamente móveis, não foi uma semana dura de levar. A carona foi com Daniel, Andy e Liony. O primeiro um alemão um tanto divertido e que posteriormente me abrigou em Hamburgo ,onde mais uma vez fomos escalar, juntamente com o casal australiano já se instalavam ali ali por mais de um mês ; dos australianos ela machucada e ele apesar de muito bom escalador e conhecedor da região.
Formamos uma ótima família fazendo escaladas, comendo bem e tomando muito café as vezes num calor de 40 graus. Escalei muitas vias de grau que variavam do décimo quinto ao vigésimo grau da australasia. Muitas peças no rack, especialmente pequenos cams e Rp´s que são nuts minúsculos desenvolvidos por escaladores desta região . Rocha consistente, costuras longas e muito aprendizado na utilização do equipo móvel. Dei preferência mais uma vez as grandes vias escalando uma delas todo dia, inclusive um deles em que o termômetro bateu nos 40 graus, neste guiei uma chaminé fácil com uma parada a 50 metros de altura , apelidamos a via de “air conditioner”.
Que bons dias, que boas escaladas, além do lugar que propiciou 50% da diversão a grande sorte foi ter encontrado pessoas muito legais e afim de escalar e se divertir com segurança proporcionando a outra metade necessária.
Muito a agradecer a eles e a esta maravilhosa formação rochosa deste continente com paisagens tão ricas e distintas que é a Austrália.
Escalar, se conhecer, conhecer pessoas e ter um contato tão intimo com uma natureza tão particular era o que todos estávamos a fim e o que todos fizemos.
...
Escaladas na Serra do Lenheiro em São João Del Rei por Danilo Henrique Kleine
Escaladas na Serra do Lenheiro + Passeio Cultural em São João Del Rei
“...Fundada no início do século XVIII pelo aventureiro Taubateano Tomé Portes Del Rei quando se fixou na região que se chamava Porto Real da Passagem, a fim de dar condições de pouso, alimentação e travessia pelo famoso Rio das Mortes, aos aventureiros que passassem por aquelas bandas.
Mais tarde, quando ocorreu as descobertas das pepitas de ouro da Serra do Lenheiro, um forte núcleo urbano se desenvolveu rapidamente... “
Trecho do Texto: A Magia de São João Del Rei de Munir Hallah
07/Julho – Quinta: Nosso primeiro dia em São João Del Rei, acordamos no Camping Del Rey, o dia amanheceu chuvoso, como dois bons alunos da Faculdade de Turismo, eu e meu chapa COX resolvemos fazer um tour cultural conhecendo um pouco dos atrativos turísticos do Município, dando uma ênfase especial a Arte Barroca. No camping acabamos conhecendo o Casal Rizzutti que chegou num invocado Motor-Home vermelho, num bate papo pelo café da manhã o casal acabou pegando uma carona conosco no PorvaMobile até o centro de São João Del Rei, pois também iriam fazer um passeio pela cidade e alugar um carro.
Começamos nosso passeio pela Igreja de São Francisco de Assis (1774) apreciando as imagens de madeira policromada de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, o seu Jardim em forma de Sino e anjos barrocos, sua fachada a Mulher e o Dragão referência ao 12° Livro do Apocalipse, seu adro, suas torres arredondadas com balaústres na cúpula, realmente uma obra de arte no estilo Rococó. Acabamos encontrando o casal Rizzutti no interior da Igreja.
Em seguida visitamos na seqüência: a ponte da cadeia, a Igreja Nossa Senhora do Carmo, Igreja Nossa Senhora do Pilar, Solar dos Neves, Solar dos Lustosa, Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, Conjunto Largo das Mercês. Ao longo do passeio pudemos nos deparar com estilos de casas como o Colonial Urbano, Rural, Mouro, Gótico, Neoclássico e Eclético.
Em todas as nossas visitas tivemos discussões muito interessantes sobre os conceitos antagônicos da arte barroca, Antropocentrismo, Teocentrismo, símbolos maçônicos e pagãos, colocando a prova nossos curtos conhecimentos sobre história da Arte.
Aproveitamos também para visitar o Museu dos Expedicionários do 11° Batalhão de Infantaria de Montanha, impressionante o papel da FEB na Itália.
E a cobra fumou! Senta a pua!
À noite ligamos para o Luiz Cláudio Trindade Pereira do CSM – Clube São Joanense de Montanhismo para pegarmos algumas informações já que as pessoas da cidade falavam que o lugar era perigoso, o Luiz Cláudio foi muito prestativo e informou que as informações não procediam e que poderíamos escalar tranqüilamente. Aproveitamos aqui para deixar nossos agradecimentos ao mesmo pela presteza e cordialidade em nos ajudar.
Vale ressaltar que o CSM tem um papel muito importante pois é o intermediador que possibilita a prática da escalada junto ao exército, pois o principal point de escalada da cidade se localiza em área militar. Além do que organiza importantes encontros de Montanhismo, limpeza, manutenção nas vias e plantio de mudas.
À noite fizemos um super rango no fogão a lenha do Camping.
08/Julho – Sexta: Acordamos o tempo estava bem feio, fomos até o 11° Batalhão de Infantaria de Montanha pegar uma autorização para escalar na Serra do Lenheiro, demoramos um pouco para consegui-lá pois um recruta não achava o Sargento responsável, preenchemos a papelada, pegamos a chave e as devidas instruções, rumamos para a Serra do Lenheiro.
O local é muito bonito e bem cuidado pelo exército, logo na entrada o croqui com as vias de escalada e o melhor os avisos “não é permitido bater grampos sem autorização”, imagine um pico com predominância em escalada em móvel e ainda protegido pelo exército.
Subimos a trilha observando os diversos boulders para treinamento militar, fomos apreciar as pinturas rupestres. Na hora de escalar ficamos meio que perdidos em qual via entrar, escalamos as vias Alta Tensão e Fissura Rubycom, ficamos um bom tempo contemplando a beleza do topo onde pode-se avistar toda a serra, suas formações e a cidade ao fundo.
Acabamos indo embora pois já estava tarde, o tempo para o dia seguinte prometia melhorar.
09/Julho – Sábado: Acordamos bem cedo e fomos para o 11° Batalhão de Infantaria de Montanha pegar novamente a autorização e a chave para adentrar na área militar. Pudemos assistir o hasteamento da bandeira do Brasil o que foi muito bonito. Além do famoso grito MONTANHA!
Partimos novamente para a Serra do Lenheiro, entramos na trilha e fomos direto para a via Spartacus.
Em seguida entramos na via Rosa de Hiroshima, essa via por sinal que delícia ótimas colocações e tranqüila.
Depois na via Guerra e Paz e Guerra e Paz(variante teto), descemos um pouco e fomos para a via Sublime Inconseqüência uma fenda gringa ao qual nos deu uma baita surra.
Quando o sol estava se pondo as paredes da Serra do Lenheiro se tornaram douradas, como o ouro que fora encontrado no passado viesse de suas paredes, uma paisagem de encher os olhos.
10/Julho – Domingo: o dia amanheceu chuvoso nos despedimos do Seu Fernando do Camping Del Rey e fomos embora rumo a Congonhas em busca de mais cultura atrás das obras de Aleijadinho, os 12 Profetas e os Passos da Paixão, bem mas aí já é outra história...
Onde ficar
Camping Del-Rey.
Avenida 8 de Dezembro S/Nº
Tel: (032 ) 3371-1952 / Cel:(032)9968-0692
e-mail: campingdelrey@globo.com
Dicas
- A Serra do Lenheiro é um paraíso de escalada em móvel, se você está interessado em escalar no local componha seu rack com 01 Jogo completo de Friends, 01 Jogo de Nuts, podendo acrescentar hexentrics e tricams.
- Adquira o guia de escalada de Minas
- Para se escalar na Serra do Lenheiro é necessário pegar autorização no 11° Batalhão de Infantaria de Montanha.
- Para maiores informações procure o CSM – Clube São Joanense de Montanhismo
Clique aqui para ver mais fotos das escaladas com qualidade...
PORVAs no Cânion de Furnas por Eduardo Lereno
Cânion de Furnas
Dentre os locais escolhidos para aquela que o Sargento chamou de Rock Trip Porva 2005, o Cânion de Furnas, situado em Capitólio/MG, foi o primeiro a ser visitado. Além das escaladas nas vias abertas pelo Projeto Paredes de Minas, tivemos em nossa companhia uma beleza cênica indescritível e muita água para mergulhos revigorantes.
02/07 – Sábado
Eu e o Danilo nos encontramos em São Paulo, fizemos umas compras e então partimos em direção a Minas Gerais. Optamos pela Fernão Dias, para depois nos desviarmos até Guapé, onde atravessamos de balsa para Capitólio. Vimos o pôr-do-sol na estrada, um lindo visual laranja-avermelhado atrás dos montes que pipocam naquela terra.
Depois de Capitólio, já em direção a Passos e muito próximo do local das escaladas (7km) chegamos ao camping – Pousada do Rio Turvo – que merece lugar de destaque. Afinal, depois de sete horas de viagem, você armar acampamento na frente de um braço do gigante lago de Furnas é muito recompensador. O local é isolado da estrada, tem boa infra-estrutura e preço, além da presteza do ‘seu’ Antônio, que deu as informações sobre o local.
Foi banho, rango e descanso, pois no outro dia partiríamos para o quartzito...
03/07 – Domingo
Depois de acordarmos e tomarmos café, arrumamos nosso equipo e fomos com o PorvaMobile para o local de onde sai a trilha, na beira da estrada.
É uma linha reta até o precipício de pedras soltas que dá na represa. A primeira visão é impressionante. O sol brilhando naquela água verdinha, com o barulho da cachoeira ao fundo e as paredes de quartzito emergindo de dentro da água.
Foi um pouco difícil acharmos o ponto para rapelar, pois a fenda que tem os grampos “P” é meio escondida e é preciso muita cautela, já que tudo parece que vai desmoronar.
Rapelamos e chegamos à base da parede do lado esquerdo do cânion, deixando uma corda fixa para a subida. Tomamos água e analisamos a parede em busca das vias. Nesse local em que estávamos havia três vias abertas.
A primeira escalada foi a Batfenda 7a, uma via mista muito gostosa de se fazer. O Danilo entrou guiando e eu subi em seguida. O crux é a passagem de um teto, que exige resistência. O Sargento desceu da via assustado por causa da característica da pedra. É que parece que quando Deus fez aquele cânion suspendeu milhares de pedras no ar e fez todas se encaixarem, formando as paredes. O resultado é que tinha agarras que saíam na sua mão, aí você tinha que voltar com elas para o mesmo lugar, deixando o ‘Lego’ montado. Ou seja, precisávamos testar cada agarra de pé e de mão. Capacete é imprescindível.
Depois foi a vez da via Kingstone 8b. Como era uma via com proteções fixas resolvi tentar, mas logo no começo vimos que não era tarefa fácil. Desescalei e deixei o Danilo entrar, para lá de cima resmungar que estava em cima de outro bloco solto.
Como deste lado só restava a via que nos levaria de volta ao topo, resolvemos nadar até a cachoeira e curtir um pouco o lugar, que é fantástico. Aproveitamos para analisar as vias do outro lado, procurar fendas, diedros, enfim. Acho que o pessoal que estava de barco ficava imaginando o por quê de dois malucos ali no meio d’água olhando pra cima com tanta atenção. Mas se a gente falasse que estava procurando por grampos “P” ia ficar pior... “Abduzidos, na certa!”
Depois de tanto nadar, voltamos cansados, com fome e sede. Hora de ir.
A subida foi pela via da fenda para rapel, um 5º misto com uma chaminé perfeita, de onde se tinha uma visão deslumbrante. É uma única enfiada de 50m com ótimos lances. O Sargento subiu primeiro, passando perrengue com a mochila que dificultava os movimentos na chaminé e fez o favor de rebocar a minha, para eu subir mais tranqüilo. Nessa via eu tomei um susto. Num lance que você passa de uma parede para outra, para o lado de fora, testei uma agarra e estava firme, mas firme para baixo. Quando eu apoiei a mão, subi e depois fiz um movimento lateral ela simplesmente se desprendeu e caiu lá para baixo. Eu estava bem apoiado, mas se tivesse alguém lá embaixo teria que estar prestando atenção para não ser atingido.
Voltamos ao camping, batemos papo com o ‘seu’ Antônio e jantamos uma macarronada digna. Durante o jantar fizemos planos para conseguir chegar ao outro lado do cânion. O ‘seu’ Antônio ofereceu um barco, mas disse que dali da pousada era muito longe para ir a remo e que ninguém havia feito isso antes.
04/07 – Segunda-feira
Levantamos dispostos a escalar as outras vias, que só se chega de barco. Depois do café, fomos até um local próximo ao cânion, mas não conseguimos barco. Quando estávamos num posto de gasolina tentando ligar para um pescador, vi um tonel azul com tampa (bobona) e perguntei para o frentista como conseguir um. Ele indicou uma fábrica do outro lado da represa e fomos até lá. Eu e o Danilo já até tínhamos discutido a idéia: colocar os equipos dentro, vedar, descer a bobona de corda e atravessar com o trambolho a nado. Na fábrica, o Marcão conseguiu uma com um funcionário, o Jacir. O cara foi tão prestativo, que fomos até o lugar onde ele criava os cavalos para pegar uma onde ele guardava a ração dos animais. Mas apesar da boa vontade a tentativa foi frustrada. Ao voltar para o camping à tarde e testar no lago verificamos que o sistema não era eficaz, pois faltava uma fita de pressão.
Sem alternativa, decidimos pedir o barco ao ‘seu’ Antônio, que emprestou de pronto e ainda estimou o tempo: “É duas horinha...”
05/07 – Terça-feira
Aquela “duas horinha” de mineiro martelou na mente a noite inteira, de ansiosidade.
Acordamos bem cedo, tomamos café, carregamos o barco e partimos. Antes da Ponte do Rio Turvo pensamos que não conseguiríamos passar, de tão pouco espaço que havia entre a água e o concreto. Tivemos que deitar dentro do barco para passar. E pensar que aquela ponte, no ano passado, estava 30m acima do nível da água.
Continuamos a remar com disposição e apenas em um trecho foi bastante cansativa a travessia, pois parecia que nunca chegava. Mas em duas horas e meia vencemos o caminho até o cânion, vendo do lago as vias que tínhamos feito, passando perto da cachoeira e atracando na parede à sua esquerda.
Nesse local existem quatro vias abertas.
Entramos na Farofa de Caviar 6º, via mista em um diedro que sai da água. O Sargento entrou guiando e eu dava Seg do barco. Como o último grampo “P” que avistávamos estava apenas uns 15m acima do barco, pensamos que a via continuava em móvel até uma parada mais em cima. O Danilo foi guiando e protegendo com friends, mas não encontrou nada lá em cima. Teve que ir desprotegendo e desescalando vários metros, numa tensão constante. Deixamos a corda na parede e fomos com o barco para o meio do lago tentar achar com binóculo alguma coisa, mas nada. Talvez o nível da água tenha “encurtado” a via temporariamente. Voltamos para a parede e eu entrei na Farofa, aproveitando os poucos 15m daquele super diedro.
A próxima via seria a Sweet Crack 7c, mas também não avistávamos o “P” no local traçado no guia e decidimos não arriscar mais.
Assim, entramos na Castelo de Cartas 6º, toda em móvel.
Essa via é muito bonita, com boas colocações no quartzito branco e rende boas fotos do meio do lago.
Só restava a via Salvanossa 8c, do lado direito da cachoeira. Mas como tínhamos estipulado um tempo limite para o retorno e ele já tinha estourado, resolvemos dar uns mergulhos para depois ir embora. E a surra de 8c ia demorar...
A volta foi mais lenta. Depois de remar, escalar e nadar não estávamos os mesmos remadores daquela manhã. Demoramos três horas e meia para voltar. Vimos o pôr-do-sol do meio do lago, remando, e passamos a Ponte do Rio Turvo no escuro. Mas o bom humor e a determinação prevaleceram.
Quando chegamos ao camping, o ‘seu’ Antônio já tinha avisado Capitólio que não tínhamos retornado. Depois avisou de nossa chegada. Falou que por R$5mil ele até faria o mesmo e que nós éramos os primeiros a fazer isso.
Linha vermelha - Rota percorrida de barco a remo
06/07 – Quarta-feira
Nossas costas nos lembravam de cada remada, mas estávamos satisfeitos. Arrumamos nossas coisas, nos despedimos, devolvemos a bobona e seguimos viagem a um novo pico...
Dicas
- Para se escalar no Cânion de Furnas o mais apropriado é um bote inflável, pois dá para se fazer a trilha que fizemos no primeiro dia e, ao invés de descer de rapel quando chegar no penhasco, se toma um caminho para a direita, que depois de uns 200m declina até chegar na água. Não recomendamos fazer o mesmo percurso que nós fizemos de barco a remo.
- Levar alimentação reforçada, pois as atividades extras – tchibuns – consomem uma energia danada.
- Lá, nos disseram que para quem vai de SP é melhor ir por Ribeirão Preto, pois economiza umas duas horas de estrada. Tem que ver o custo-benefício (a Fernão Dias não tem pedágio).
Onde ficar
Pousada do Rio Turvo (chalés e camping)
Rodovia MG 050 – km 306
http://www.pousadadorioturvo.com.br/
* Gostaríamos de deixar aqui nossos agradecimentos ao ‘seu’ Antônio da Pousada do Rio Turvo, pois sem sua boa vontade não teria sido possível nossas escaladas.
Veja todas as fotos do Cânion de Furnas em qualidade ...
A Clássica Trilha do Ouro por Eduardo Lereno
Trekking 3 à 4 dias - Trilha do OuroNo feriado de Corpus Christ decidimos fazer um trekking clássico, a Trilha do Ouro, uma travessia no Parque Nacional Serra da Bocaina, que tem início em São José do Barreiro/SP e acaba em Mambucaba/RJ.Então na 4ª feira a Morgana e eu embarcamos no Terminal Rodoviário Tietê rumo a Guaratinguetá, para de lá pegar outro ônibus, que nos deixou em São José, típica cidadezinha interiorana, onde fomos direto para uma pousada.
1º dia - 26/05 Acordamos bem cedo e tomamos café-da-manhã no Empório Café.De São José do Barreiro até a entrada do parque são 27km de subida em estrada de terra e é preciso fretar um carro apropriado para subir. No Empório, conhecemos um grupo muito massa de Belo Horizonte/MG, ao qual nos juntamos para fretar a caminhonete e rachar as despesas.
Foi mais de uma hora de subida com trechos ruins e depois de muito vento frio chegamos na portaria. Não enrolamos, assinamos as autorizações, botamos as mochilas nas costas, tiramos a foto de lei e demos início à caminhada.Com apenas 15 minutos de trilha se vê um passador com um caminho à esquerda. Seguindo por ele chegamos à Cachoeira Santo Izidro. Visual deslumbrante. A queda dá num enorme poço bom para banho, mas só um mineiro se animou a entrar, pois o frio era grande.
Retomamos a trilha, que durante todo esse primeiro dia e parte do dia seguinte era mais uma estradinha. Passamos por um rio sem pinguela, em que precisamos tirar as botas e cruzar com a água gelada nas canelas. E acabei levando a Morgana no lombo.Retomamos a trilha e algum tempo depois outra entrada à esquerda. Era a trilha que dava na Cachoeira das Posses. Show de bola, também. Lá, paramos para fazer um lanche e dar uma descansada.A caminhada prosseguiu até o início da noite, quando chegamos à Fazenda Barreirinha, do `seu` Tião, onde acampamos. Usamos a área dele pra cozinhar e a comida quente na noite fria recompôs as energias.2º dia - 27/05 O galo cantou até o último acordar.Em plena manhã ensolarada a lua ainda brilhava, tranqüilamente, no céu.Fizemos um café reforçado, desmontamos acampamento, arrumamos as mochilas e deixamos no gramado da fazenda.
Levando apenas água, entramos na trilha que sobe pelas encostas do morro atrás da fazenda e subimos rumo ao Pico do Gavião, com 1.600m de altitude. Que vista... Dava pra começar a ver o mar lá na frente e uma série de elevações por todos os lados. Estávamos numa ponta lá em cima, cercados de Mata Atlântica.Descemos curtindo o silêncio daquele lugar.De volta à fazenda, colocamos novamente as mochilas nas costas e seguimos em frente. Começavam a descortinar paisagens únicas, aparecendo agora bosques de araucárias, flores diversas, bromélias etc.
Depois da pausa para o lanche, numa sombra convidativa, começaram a aparecer os pés-de-moleque (pedras colocadas por escravos na construção da Trilha do Ouro, para possibilitar o transporte do metal precioso de Minas Gerais até o litoral do Rio de Janeiro, para de lá seguir para Portugal).
Passamos por diversas pinguelas e o caminho todo é abundante em água.À tarde chegamos no lugar da segunda pernoite, o rancho de um outro `seu` Tião (como tem Tião naquele lugar!). Fica bem perto da Cachoeira dos Veados, mas decidimos conhecê-la no outro dia, com o sol mais forte. Para chegar ao rancho, atravessamos o rio numa geringonça bem bolada que se utilizava de cabos de aço, uma armação de ferro, corda e polias. Montamos a barraca na curva do rio. Comemos e dormimos com o barulho da água correndo. A noite foi linda, repleta de estrelas. No meio da noite eu acordei e fui lá fora, no frio, pra admirar aquele espetáculo.3º dia - 28/05 Mesma coisa do dia anterior: café, arrumação e trilha sem peso de mochila, pois voltaríamos pro rancho.A Cachoeira dos Veados dispensa palavras, pois as fotos falam por si. É simplesmente incrível, parece que a água cai em câmera lenta e forma uma nuvem. Ficamos um pouco ali, admirando e tirando fotos.
Depois de voltar e pegar as mochilas continuamos a trilha. Bromélias, árvores centenárias, palmeiras gigantescas, flores. Eu ficava imaginando o suor dos escravos pra construir aquele chão de pedras, em meio à floresta.À tarde veio o imprevisto. O mapa que eu tinha estava desatualizado e a galera de Minas, que estava com GPS, também teve problemas com o equipamento - dava uns Tchuts. Assim, acabamos pegando uma trilha errada, que ainda possuía os pés-de-moleque, mas que ia pra um lugar que se não me engano chama-se Grota Grande. Resultado: uma subida PUNK de mais de duas horas e nada de encontrar o trecho final.
No topo, discutimos sobre o melhor a fazer e foi decidido que continuaríamos, pois havia pegadas recentes de cavalo e tudo indicava que haveria algo perto. Além disso, a trilha começava a descer e poderia existir ligações com o outro caminho.
Numa fazenda, conseguiu-se informações. Além disso, dois caçadores nos guiaram até o povoado mais próximo - Campos Novos - e ainda levaram as mochilas mais pesadas nas suas mulas, deixando as mulheres sem carga. Já era noite e fomos de headlamp seguindo as mulas e os caçadores.Como a descida final da Trilha do Ouro que saía em Mambucaba ficou comprometida, fretamos uma kombi, que nos levou até Cunha. Lá, passamos a nossa última noite numa pousadinha, com banho quente e cama. Ou seja, de volta à civilização...4º dia - 29/05 Depois do café pegamos outra kombi, que fazia o trecho Cunha-Paraty. Era engraçado ver aquele monte de mochilas lá atrás e onze malucos espremidos na frente, jogando conversa fora e dando risada.Fomos direto pra rodoviária, onde cerveja geladinha brindou o final da jornada. Os mineiros seguiram seu rumo e nós pegamos o ônibus de volta à São Paulo, esticando as pernas com o visual da Rio-Santos na janela.
Apesar de não ser a idéia inicial, naturalmente houve uma coesão entre o grupo e acabamos fazendo a trilha todos juntos. Gostaria de agradecer a companhia e o bom humor do pessoal de BH, tendo a certeza de ter feito boas novas amizades.E também ao homem das trilhas, o Fábio, pelo mapa e pelas dicas. Valeu Frutose!
Maiores detalhes:O PNSB foi criado em 1971 e é um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do Brasil. Curiosamente, foi criado por ser um escudo natural em caso de acidente nuclear nas usinas de Angra dos Reis.Para fazer o trekking na Trilha do Ouro é necessário solicitar autorização à administração do parque, enviando um fax como pedido formal, incluindo nome, CPF, RG, endereço e telefone das pessoas que irão.Administração do PNSB - (12)3117-1225Pousada Dna.Maria (S.J.Barreiro) - (12)3117-1281`Seu` Zé Pescocinho (transporte até a entrada do parque) - (12)3117-1368...
Cicloturismo 2005 - Recife à Natal por Danilo Henrique Kleine
Cicloturismo 2005 – Recife à Natal
Ciclistas:
Danilo Henrique Kleine
Vladimir Holmo
Praias exuberantes, paisagens magníficas, sol forte, contrastes sociais, cultura, traços históricos da colonização portuguesa e invasão holandesa, persistência e desafio, assim foi a viagem de 340km de bicicleta por três estados no Nordeste Brasileiro, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
06/02/05 – Domingo - Ida
Partimos do Aeroporto Internacional de Guarulhos GRU com destino a Recife voando pela BRA com escalas em Petrolina e João Pessoa.
Chegando em Recife tivemos o apoio da amiga do Vladimir Telma Junglas que nos guiou por toda Recife. Nos hospedamos no Boa Viagem Praia Hotel. Após acomodarmos as bagagens, fomos conhecer o Recife Antigo - onde o Carnaval Multi Cultural transbordava a alegria do carnaval participativo, misto de todos os ritmos: eletrônico, reggae, hip-hop, rock, maracatu, etc... De quebra pegamos o show do Lenine. Conhecemos o Bar Burburinho – local de encontro de gente “cabeça”, lá, ficamos lado a lado do Otto e da Alessandra Negrini. No fim da noite, comemos um acarajé e fomos descansar.
07/02/05 - Segunda-feira - Carnaval
Cansados da noitada? Nem pensar. Fomos à praia de Boa Viagem, onde se iniciou o processo de tirar o branco vela paulistano.
Recife se mostrou uma cidade extremamente bonita. A orla de Boa Viagem é muita bem estruturada, mas é preciso estar atento, pois há placas indicando a presença de tubarões. Os surfistas e os nadadores não devem passar os arrecifes.
À noite voltamos ao Recife Antigo, gostaríamos de ver a apresentação afro-religiosa e cultural da Noite dos Tam